Monthly Archives: abril 2015

pesquisa sobre cinturões de Van Allen de radiação-pesada ao redor da terra

uma nova pesquisa revela que os cinturões de radiação-pesado Van Allen ao redor da Terra contêm partículas que podem se mover quase à velocidade da luz através de grandes distâncias . A informação veio de um instrumento a bordo do Van Allen Sondas gêmeas NASA, que foi lançado em 2012.
A imagem mostra a concepção artistica da Van Allen Sondas gêmeas da NASA. [Crédito: Andy Kale, da Universidade de Alberta]

cinturao Van Allen

cinturao Van Allen


Segundo os cientistas, o processo que cria este é semelhante ao que acontece no Large Hadron Collider e outros aceleradores de partículas. O campo magnético na Terra acelera eletrons estas partículas orbitam o planeta. Enquanto os cientistas tinham descoberto este processo acontecendo em pequenas escalas antes, o novo papel tem visto isso em centenas de milhares de quilômetros ou milhas.

Nasa estipula prazo curto para provar existência de vida extraterrestre

Você é curioso sobre a possibilidade de existir vida fora da Terra? Então a Nasa está trabalhando ao seu favor. A agência espacial norte-americana acredita que até 2025 já terá reunidas provas que comprovem a existência de vida extraterrestre.

Nasa estipula prazo curto para provar existência de vida extraterrestre

Nasa estipula prazo curto para provar existência de vida extraterrestre

“Julgo que vamos ter fortes indícios de vida para além da Terra dentro de uma década. Acredito que entre 20 e 30 anos esses indícios acabarão sendo encarados como provadas cabais”, afirmou Ellen Stofan, cientista-chefe da Nasa.

Durante esse processo, Stofan acredita que as práticas da Nasa terão de mudar. E isso significa a ida de seres humanos para Marte, por exemplo. A cientista acredita que o planeta é fonte mais possível de formas de vida.

“Acredito fortemente que será necessário, em algum momento, colocar humanos na superfície de Marte. Serão geólogos, astrobiólogos e químicos que irão buscar provas da existência de vida que eles possam trazer de volta para a Terra para análise”, concluiu Stofan.

Não cometerás nenhuma dessas 24 falácias lógicas

Não cometerás nenhuma dessas 24 falácias lógicas

O filósofo, matemático e cientista americano Charles Sanders Peirce fala que as lógicas são “ferramentas para o raciocínio correto”.

Não sou nenhum grande entendido sobre o assunto, mas acho lógica um assunto fascinante. O pouco que conheço e observo já acaba sempre sendo muito útil em conversas, diálogos, em qualquer ocasião que peça algum tipo de análise, construção e exposição de raciocínio ou argumentação.

Agora, quando falamos “construção e exposição de raciocínio ou argumentação”, isso pode ficar parecendo uma coisa meio séria, sisuda, de professor de filosofia ou discussões inflamadas entre ateus e crentes na internet. Mas a verdade é que fazemos isso o tempo todo. As lógicas são o próprio esqueleto que torna as linguagens (dos idiomas à matemática, passando, e muito, por tecnologia da informação) possíveis.

Platão, Sócrates e Aristóteles estão sempre prontos para uma boa argumentação

Platão, Sócrates e Aristóteles estão sempre prontos para uma boa argumentação

Como de fato dependemos disso pra nos relacionarmos uns com os outros, para nos fazer entender claramente, melhorar nossa forma de pensar e para resolvermos as coisas práticas da vida, pode ser bem útil conhecer e entender estes processos, ainda que superficialmente.

Agora achei o site Thou Shalt Not Commit Logical Fallacies, o mais simpático que já vi sobre o assunto. Ele lista as 24 falácias mais comuns, em linguagem simples, com exemplos engraçadinhos, e tem até um pôster para você baixar em PDF, mandar imprimir na gráfica e colar na parede. Tudo de graça.

Como em português o material sobre isso é escasso, e esse é um conhecimento bem importante quando se quer travar diálogos e debates saudáveis, resolvemos fazer um esforço extra e traduzir todo o conteúdo do Thou Shalt Not… para disponibilizar aqui.

Abaixo, 24 das mais comuns falácias lógicas argumentativas. A numeração não indica nenhum tipo de hierarquia entre elas, é apenas para facilitar futuras referencias a exemplos específicos.

Leia, entenda e não as use.

1. Espantalho

Você desvirtuou um argumento para torná-lo mais fácil de atacar.

Ao exagerar, desvirtuar ou simplesmente inventar um argumento de alguém, fica bem mais fácil apresentar a sua posição como razoável ou válida. Este tipo de desonestidade não apenas prejudica o discurso racional, como também prejudica a própria posição de alguém que o usa, por colocar em questão a sua credibilidade – se você está disposto a desvirtuar negativamente o argumento do seu oponente, será que você também não desvirtuaria os seus positivamente?

Exemplo: Depois de Felipe dizer que o governo deveria investir mais em saúde e educação, Jader respondeu dizendo estar surpreso que Felipe odeie tanto o Brasil, a ponto de querer deixar o nosso país completamente indefeso, sem verba militar.

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2. Causa Falsa

Você supôs que uma relação real ou percebida entre duas coisas significa que uma é a causa da outra.

Uma variação dessa falácia é a “cum hoc ergo propter hoc” (com isto, logo por causa disto), na qual alguém supõe que, pelo fato de duas coisas estarem acontecendo juntas, uma é a causa da outra. Este erro consiste em ignorar a possibilidade de que possa haver uma causa em comum para ambas, ou, como mostrado no exemplo abaixo, que as duas coisas em questão não tenham absolutamente nenhuma relação de causa, e a sua aparente conexão é só uma coincidência.

Outra variação comum é a falácia “post hoc ergo propter hoc” (depois disto, logo por causa disto), na qual uma relação causal é presumida porque uma coisa acontece antes de outra coisa, logo, a segunda coisa só pode ter sido causada pela primeira.

Exemplo: Apontando para um gráfico metido a besta, Rogério mostra como as temperaturas têm aumentado nos últimos séculos, ao mesmo tempo em que o número de piratas têm caído; sendo assim, obviamente, os piratas é que ajudavam a resfriar as águas, e o aquecimento global é uma farsa.

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3. Apelo à emoção

Você tentou manipular uma resposta emocional no lugar de um argumento válido ou convincente.

Apelos à emoção são relacionados a medo, inveja, ódio, pena, orgulho, entre outros.

É importante dizer que às vezes um argumento logicamente coerente pode inspirar emoção, ou ter um aspecto emocional, mas o problema e a falácia acontecem quando a emoção é usada no lugar de um argumento lógico. Ou, para tornar menos claro o fato de que não existe nenhuma relação racional e convincente para justificar a posição de alguém.

Exceto os sociopatas, todos são afetados pela emoção, por isso apelos à emoção são uma tática de argumentação muito comum e eficiente. Mas eles são falhos e desonestos, com tendência a deixar o oponente de alguém justificadamente emocional.

Exemplo: Lucas não queria comer o seu prato de cérebro de ovelha com fígado picado, mas seu pai o lembrou de todas as crianças famintas de algum país de terceiro mundo que não tinham a sorte de ter qualquer tipo de comida.

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4. A falácia da falácia

Supor que uma afirmação está necessariamente errada só porque ela não foi bem construída ou porque uma falácia foi cometida.

Há poucas coisas mais frustrantes do que ver alguém argumentar de maneira fraca alguma posição. Na maioria dos casos um debate é vencido pelo melhor debatedor, e não necessariamente pela pessoa com a posição mais correta. Se formos ser honestos e racionais, temos que ter em mente que só porque alguém cometeu um erro na sua defesa do argumento, isso não necessariamente significa que o argumento em si esteja errado.

Exemplo: Percebendo que Amanda cometeu uma falácia ao defender que devemos comer alimentos saudáveis porque eles são populares, Alice resolveu ignorar a posição de Amanda por completo e comer Whopper Duplo com Queijo no Burger King todos os dias.

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5. Ladeira Escorregadia

Você faz parecer que o fato de permitirmos que aconteça A fará com que aconteça Z, e por isso não podemos permitir A.

O problema com essa linha de raciocínio é que ela evita que se lide com a questão real, jogando a atenção em hipóteses extremas. Como não se apresenta nenhuma prova de que tais hipóteses extremas realmente ocorrerão, esta falácia toma a forma de um apelo à emoção do medo.

Exemplo: Armando afirma que, se permitirmos casamentos entre pessoas do mesmo sexo, logo veremos pessoas se casando com seus pais, seus carros e seus macacos Bonobo de estimação.

Exemplo 2: a explicação feita após o terceiro subtítulo – “O voto divergente do ministro Ricardo Lewandowski e a ladeira escorregadia” – deste texto sobre aborto. Vale a leitura.

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6. Ad hominem

Você ataca o caráter ou traços pessoais do seu oponente em vez de refutar o argumento dele.

Ataques ad hominem podem assumir a forma de golpes pessoais e diretos contra alguém, ou mais sutilmente jogar dúvida no seu caráter ou atributos pessoais. O resultado desejado de um ataque ad hominem é prejudicar o oponente de alguém sem precisar de fato se engajar no argumento dele ou apresentar um próprio.

Exemplo: Depois de Salma apresentar de maneira eloquente e convincente uma possível reforma do sistema de cobrança do condomínio, Samuel pergunta aos presentes se eles deveriam mesmo acreditar em qualquer coisa dita por uma mulher que não é casada, já foi presa e, pra ser sincero, tem um cheiro meio estranho.

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7. Tu quoque (você também)

Você evitar ter que se engajar em críticas virando as próprias críticas contra o acusador – você responde críticas com críticas.

Esta falácia, cuja tradução do latim é literalmente “você também”, é geralmente empregada como um mecanismo de defesa, por tirar a atenção do acusado ter que se defender e mudar o foco para o acusador.

A implicação é que, se o oponente de alguém também faz aquilo de que acusa o outro, ele é um hipócrita. Independente da veracidade da contra-acusação, o fato é que esta é efetivamente uma tática para evitar ter que reconhecer e responder a uma acusação contida em um argumento – ao devolver ao acusador, o acusado não precisa responder à acusação.

Exemplo: Nicole identificou que Ana cometeu uma falácia lógica, mas, em vez de retificar o seu argumento, Ana acusou Nicole de ter cometido uma falácia anteriormente no debate.

Exemplo 2: O político Aníbal Zé das Couves foi acusado pelo seu oponente de ter desviado dinheiro público na construção de um hospital. Aníbal não responde a acusação diretamente e devolve insinuando que seu oponente também já aprovou licitações irregulares em seu mandato.

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8. Incredulidade pessoal

Você considera algo difícil de entender, ou não sabe como funciona, por isso você dá a entender que não seja verdade.

Assuntos complexos como evolução biológica através de seleção natural exigem alguma medida de entendimento sobre como elas funcionam antes que alguém possa entendê-los adequadamente; esta falácia é geralmente usada no lugar desse entendimento.

Exemplo: Henrique desenhou um peixe e um humano em um papel e, com desdém efusivo, perguntou a Ricardo se ele realmente pensava que nós somos babacas o bastante para acreditar que um peixe acabou evoluindo até a forma humana através de, sei lá, um monte de coisas aleatórias acontecendo com o passar dos tempos.

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9. Alegação especial

Você altera as regras ou abre uma exceção quando sua afirmação é exposta como falsa.

Humanos são criaturas engraçadas, com uma aversão boba a estarem errados.

Em vez de aproveitar os benefícios de poder mudar de ideia graças a um novo entendimento, muitos inventarão modos de se agarrar a velhas crenças. Uma das maneiras mais comuns que as pessoas fazem isso é pós-racionalizar um motivo explicando o porque aquilo no qual elas acreditavam ser verdade deve continuar sendo verdade.

É geralmente bem fácil encontrar um motivo para acreditar em algo que nos favorece, e é necessária uma boa dose de integridade e honestidade genuína consigo mesmo para examinar nossas próprias crenças e motivações sem cair na armadilha da auto-justificação.

Exemplo: Eduardo afirma ser vidente, mas quando as suas “habilidades” foram testadas em condições científicas apropriadas, elas magicamente desapareceram. Ele explicou, então, que elas só funcionam para quem tem fé nelas.

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10. Pergunta carregada

Você faz uma pergunta que tem uma afirmação embutida, de modo que ela não pode ser respondida sem uma certa admissão de culpa.

Falácias desse tipo são particularmente eficientes em descarrilar discussões racionais, graças à sua natureza inflamatória – o receptor da pergunta carregada é compelido a se justificar e pode parecer abalado ou na defensiva. Esta falácia não apenas é um apelo à emoção, mas também reformata a discussão de forma enganosa.

Exemplo: Graça e Helena estavam interessadas no mesmo homem. Um dia, enquanto ele estava sentado próximo suficiente a elas para ouvir, Graça pergunta em tom de acusação: “como anda a sua rehabilitação das drogas, Helena?”

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11. Ônus da prova

Você espera que outra pessoa prove que você está errado, em vez de você mesmo provar que está certo.

O ônus (obrigação) da prova está sempre com quem faz uma afirmação, nunca com quem refuta a afirmação. A impossibilidade, ou falta de intenção, de provar errada uma afirmação não a torna válida, nem dá a ela nenhuma credibilidade.

No entanto, é importante estabelecer que nunca podemos ter certeza de qualquer coisa, portanto devemos valorizar cada afirmação de acordo com as provas disponíveis. Tirar a importância de um argumento só porque ele apresenta um fato que não foi provado sem sombra de dúvidas também é um argumento falacioso.

Exemplo: Beltrano declara que uma chaleira está, nesse exato momento, orbitando o Sol entre a Terra e Marte e que, como ninguém pode provar que ele está errado, a sua afirmação é verdadeira.

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12. Ambiguidade

Você usa duplo sentido ou linguagem ambígua para apresentar a sua verdade de modo enganoso.

Políticos frequentemente são culpados de usar ambiguidade em seus discursos, para depois, se forem questionados, poderem dizer que não estavam tecnicamente mentindo. Isso é qualificado como uma falácia, pois é intrinsecamente enganoso.

Exemplo: Em um julgamento, o advogado concorda que o crime foi desumano. Logo, tenta convencer o júri de que o seu cliente não é humano por ter cometido tal crime, e não deve ser julgado como um humano normal.

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13. Falácia do apostador

Você diz que “sequências” acontecem em fenômenos estatisticamente independentes, como rolagem de dados ou números que caem em uma roleta.

Esta falácia de aceitação comum é provavelmente o motivo da criação da grande e luminosa cidade no meio de um deserto americano chamada Las Vegas.

Apesar da probabilidade geral de uma grande sequência do resultado desejado ser realmente baixa, cada lance do dado é, em si mesmo, inteiramente independente do anterior. Apesar de haver uma chance baixíssima de um cara-ou-coroa dar cara 20 vezes seguidas, a chance de dar cara em cada uma das vezes é e sempre será de 50%, independente de todos os lances anteriores ou futuros.

Exemplo: Uma roleta deu número vermelho seis vezes em sequência, então Gregório teve quase certeza que o próximo número seria preto. Sofrendo uma forma econômica de seleção natural, ele logo foi separado de suas economias.

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14. Ad populum

Você apela para a popularidade de um fato, no sentido de que muitas pessoas fazem/concordam com aquilo, como uma tentativa de validação dele.

A falha nesse argumento é que a popularidade de uma ideia não tem absolutamente nenhuma relação com a sua validade. Se houvesse, a Terra teria se feito plana por muitos séculos, pelo simples fato de que todos acreditavam que ela era assim.

Exemplo: Luciano, bêbado, apontou um dedo para Jão e perguntou como é que tantas pessoas acreditam em duendes se eles são só uma superstição antiga e boba. Jão, por sua vez, já havia tomado mais Guinness do que deveria e afirmou que já que tantas pessoas acreditam, a probabilidade de duendes de fato existirem é grande.

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15. Apelo à autoridade

Você usa a sua posição como figura ou instituição de autoridade no lugar de um argumento válido. (A popular “carteirada”.)

É importante mencionar que, no que diz respeito a esta falácia, as autoridades de cada campo podem muito bem ter argumentos válidos, e que não se deve desconsiderar a experiência e expertise do outro.

Para formar um argumento, no entanto, deve-se defender seus próprios méritos, ou seja, deve-se saber por que a pessoa em posição de autoridade tem aquela posição. No entanto, é claro, é perfeitamente possível que a opinião de uma pessoa ou instituição de autoridade esteja errada; assim sendo, a autoridade de que tal pessoa ou instituição goza não tem nenhuma relação intrínseca com a veracidade e validade das suas colocações.

Exemplo: Impossibilitado de defender a sua posição de que a teoria evolutiva “não é real”, Roberto diz que ele conhece pessoalmente um cientista que também questiona a Evolução e cita uma de suas famosas falas.

Exemplo 2: Um professor de matemática se vê questionado de maneira insistente por um aluno especialmente chato. Lá pelas tantas, irritado após cometer um deslize em sua fala, o professor argumenta que tem mestrado pós-doutorado e isso é mais do que suficiente para o aluno confiar nele.

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16. Composição/Divisão

Você implica que uma parte de algo deve ser aplicada a todas, ou outras, partes daquilo.

Muitas vezes, quando algo é verdadeiro em parte, isso também se aplica ao todo, mas é crucial saber se existe evidência de que este é mesmo o caso.

Já que observamos consistência nas coisas, o nosso pensamento pode se tornar enviesado de modo que presumimos consistência e padrões onde eles não existem.

Exemplo: Daniel era uma criança precoce com uma predileção por pensamento lógico. Ele sabia que átomos são invisíveis, então logo concluiu que ele, por ser feito de átomos, também era invisível. Nunca foi vitorioso em uma partida de esconde-esconde.

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17. Nenhum escocês de verdade…

Você faz o que pode ser chamado de apelo à pureza como forma de rejeitar críticas relevantes ou falhas no seu argumento.

Nesta forma de argumentação falha, a crença de alguém é tornada infalsificável porque, independente de quão convincente seja a evidência apresentada, a pessoa simplesmente move a situação de modo que a evidência supostamente não se aplique a um suposto “verdadeiro” exemplo. Esse tipo de pós-racionalização é um modo de evitar críticas válidas ao argumento de alguém.

Exemplo: Angus declara que escoceses não colocam açúcar no mingau, ao que Lachlan aponta que ele é um escocês e põe açúcar no mingau. Furioso, como um “escocês de verdade”, Angus berra que nenhum escocês de verdade põe açúcar no seu mingau.

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18. Genética

Você julga algo como bom ou ruim tendo por base a sua origem.

Esta falácia evita o argumento ao levar o foco às origens de algo ou alguém. É similar à falácia ad hominem no sentido de que ela usa percepções negativas já existentes para fazer com que o argumento de alguém pareça ruim, sem de fato dissecar a falta de mérito do argumento em si.

Exemplo: Acusado no Jornal Nacional de corrupção e aceitação de propina, o senador disse que devemos ter muito cuidado com o que ouvimos na mídia, já que todos sabemos como ela pode não ser confiável.

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19. Preto-ou-branco

Você apresenta dois estados alternativos como sendo as únicas possibilidades, quando de fato existem outras.

Também conhecida como falso dilema, esta tática aparenta estar formando um argumento lógico, mas sob análise mais cuidadosa fica evidente que há mais possibilidades além das duas apresentadas.

O pensamento binário da falácia preto-ou-branco não leva em conta as múltiplas variáveis, condições e contextos em que existiriam mais do que as duas possibilidades apresentadas. Ele molda o argumento de forma enganosa e obscurece o debate racional e honesto.

Exemplo: Ao discursar sobre o seu plano para fundamentalmente prejudicar os direitos do cidadão, o Líder Supremo falou ao povo que ou eles estão do lado dos direitos do cidadão ou contra os direitos.

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20. Tornando a questão supostamente óbvia

Você apresenta um argumento circular no qual a conclusão foi incluída na premissa.

Este argumento logicamente incoerente geralmente surge em situações onde as pessoas têm crenças bastante enraizadas, e por isso consideradas verdades absolutas em suas mentes. Racionalizações circulares são ruins principalmente porque não são muito boas.

Exemplo: A Palavra do Grande Zorbo é perfeita e infalível. Nós sabemos disso porque diz aqui no Grande e Infalível Livro das Melhores e Mais Infalíveis Coisas do Zorbo Que São Definitivamente Verdadeiras e Não Devem Nunca Serem Questionadas.

Exemplo 2: O plano estratégico de marketing é o melhor possível, foi assinado pelo Diretor Bam-bam-bam.

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21. Apelo à natureza

Você argumenta que só porque algo é “natural”, aquilo é válido, justificado, inevitável ou ideal.

Só porque algo é natural, não significa que é bom. Assassinato, por exemplo, é bem natural, e mesmo assim a maioria de nós concorda que não é lá uma coisa muito legal de você sair fazendo por aí. A sua “naturalidade” não constitui nenhum tipo de justificativa.

Exemplo: O curandeiro chegou ao vilarejo com a sua carroça cheia de remédios completamente naturais, incluindo garrafas de água pura muito especial. Ele disse que é natural as pessoas terem cuidado e desconfiarem de remédios “artificiais”, como antibióticos.

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22. Anedótica

Você usa uma experiência pessoal ou um exemplo isolado em vez de um argumento sólido ou prova convincente.

Geralmente é bem mais fácil para as pessoas simplesmente acreditarem no testemunho de alguém do que entender dados complexos e variações dentro de um continuum.

Medidas quantitativas científicas são quase sempre mais precisas do que percepções e experiências pessoais, mas a nossa inclinação é acreditar naquilo que nos é tangível, e/ou na palavra de alguém em quem confiamos, em vez de em uma realidade estatística mais “abstrata”.

Exemplo: José disse que o seu avô fumava, tipo, 30 cigarros por dia e viveu até os 97 anos — então não acredite nessas meta análises que você lê sobre estudos metodicamente corretos provando relações causais entre cigarros e expectativa de vida.

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23. O atirador do Texas

Você escolhe muito bem um padrão ou grupo específico de dados que sirva para provar o seu argumento sem ser representativo do todo.

Esta falácia de “falsa causa” ganha seu nome partindo do exemplo de um atirador disparando aleatoriamente contra a parede de um galpão, e, na sequência, pintando um alvo ao redor da área com o maior número de buracos, fazendo parecer que ele tem ótima pontaria.

Grupos específicos de dados como esse aparecem naturalmente, e de maneira imprevisível, mas não necessariamente indicam que há uma relação causal.

Exemplo: Os fabricantes do bebida gaseificada Cocaçúcar apontam pesquisas que mostram que, dos cinco países onde a Cocaçúcar é mais vendida, três estão na lista dos dez países mais saudáveis do mundo, logo, Cocaçúcar é saudável.

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24. Meio-termo

Você declara que uma posição central entre duas extremas deve ser a verdadeira.

Em muitos casos, a verdade realmente se encontra entre dois pontos extremos, mas isso pode enviezar nosso pensamento: às vezes uma coisa simplesmente não é verdadeira, e um meio termo dela também não é verdadeiro. O meio do caminho entre uma verdade e uma mentira continua sendo uma mentira.

Exemplo: Mariana disse que a vacinação causou autismo em algumas crianças, mas o seu estudado amigo Calebe disse que essa afirmação já foi derrubada como falsa, com provas. Uma amiga em comum, a Alice, ofereceu um meio-termo: talvez as vacinas causem um pouco de autismo, mas não muito.

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Espero que essa lista seja útil.

Por fim, questiono: onde já identificaram falácias lógicas em seu dia-a-dia? Compartilhem suas dúvidas e percepções sobre o tema.

baixe aqui o poster em pdf

Poster em PDF com 24 falacias logicas
FallaciesPoster24x36

 

 

 

 

 

 

https://www.papodehomem.com/falacias-logicas

Conheca o European Extremely Large Telescope – o maior telescópio já projetado

A construção ajudará cientistas a responder à maior dúvida da humanidade: estamos sós no universo?

Ao apontar sua luneta para o céu, em 1609, Galileu Galilei descobriu as manchas solares, o relevo lunar, as fases de Vênus, as luas de Júpiter, e deu o start no entendimento da Via Láctea. Depois de mais de 400 anos, estamos perto de dar um salto da mesma importância. O motivo tem nome: European Extremely Large Telescope. Segundo os cientistas que o projetaram, o E-ELT terá o mesmo impacto no estudo do universo que teve o instrumento de Galileu.

Visitamos as obras do European Extremely Large Telescope - o maior telescópio já projetado

Visitamos as obras do European Extremely Large Telescope – o maior telescópio já projetado

Não é para menos, o telescópio óptico será, com folga, o maior do mundo.

As obras começaram em julho de 2014 e devem levar mais dez anos. A construção fica no cerro Armazones, a 3.060 metros de altitude, com área de 978 metros quadrados e espelho principal de 39 metros de diâmetro. O preço também chega às estrelas: US$ 1,2 bilhão. E, apesar de toda essa imponência, o E-ELT é uma espécie de prêmio de consolação, já que o projeto original previa um espelho de 100 metros – ideia tão ousada que não pôde sair do papel.

Visitamos as obras do European Extremely Large Telescope - o maior telescópio já projetado

Visitamos as obras do European Extremely Large Telescope – o maior telescópio já projetado

O gigante é obra do Observatório Europeu do Sul (ESO), uma organização que envolve 14 países europeus, além do Chile e do Brasil, que assinou sua entrada em 2010, mas, como não pagou o “título” de US$ 307 milhões para oficializar a associação, não vota nas decisões nem participa das licitações.

A escolha do Chile pelo ESO foi estratégica. O país é um oásis para esse tipo de estudo: baixo índice pluviométrico, altitude ideal, proximidade com a linha do equador e facilidades oferecidas pelo governo. É sobretudo no deserto do Atacama que as condições são ideais, quase marcianas. A ari­dez do solo, a coloração avermelhada da terra e o clima seco dão ao menos uma ligeira ideia de como é a superfície do planeta vermelho. Compõem a paisagem também as noites limpas e a baixíssima incidência de chuvas.

Não surpreende, assim, que o maior complexo de observação astronômica  feito pelo homem também esteja lá. A construção conta com três observatórios ao longo de 700 quilômetros: La Silla, Alma e Paranal, onde estará o E-ELT.

VISTA DE DENTRO, A ESTRUTURA DO VERY LARGE TELESCOPE (VLT) PARECE COMPLEXA. E É MESMO. (FOTO: ESO/ G. LOMBARDI, JOSÉ FRANCISCO SALGADO, J.L. DAUVERGNE & G. HÜDEPOHL (ATACAMAPHOTO.COM))

VISTA DE DENTRO, A ESTRUTURA DO VERY LARGE TELESCOPE (VLT) PARECE COMPLEXA. E É MESMO. (FOTO: ESO/ G. LOMBARDI, JOSÉ FRANCISCO SALGADO, J.L. DAUVERGNE & G. HÜDEPOHL (ATACAMAPHOTO.COM))

O primeiro a ser inaugurado foi o La Silla, em 1969. Apesar dos seus 45 anos, engana-se quem pensa que ele deve alguma coisa aos seus vizinhos mais jovens. Nesse período, recebeu sete telescópios, como o Harps, o maior “caçador” de exoplanetas (planetas fora do sistema solar) em atividade na Terra.

Mas os últimos 15 anos foram os mais intensos no trabalho do ESO. Em 1998, o VLT (leia na p. 58) abriu seus olhos para captar luz espacial pela primeira vez (a 20 quilômetros de onde será construído o E-ELT). Deu-se então o nascimento do Observatório Paranal, o maior e mais importante centro de observação do universo.

Nem só de ondas visíveis, porém, vive a astronomia. Por isso, em 2011, o ESO, em parceria com o National Radio Astronomy Observatory e o National Astronomical Observatory of Japan, construiu o Alma, o complexo que custou cerca de US$ 1,4 bilhão e tem o objetivo de estudar o universo frio.

SÃO 66 “ANTENAS PARABÓLICAS” (12 COM SETE METROS DE DIÂMETRO E 54 COM 12 METROS) CUJOS SENSORES GELADOS, QUE TRABALHAM A ATÉ -269°C, CAPTAM AS LUZES E, CONSEQUENTEMENTE, AS INFORMAÇÕES DELAS, QUE VÊM DO ESPAÇO EM FREQUÊNCIAS DE EXTREMA PRECISÃO (FOTO: B. TAFRESHI (TWANIGHT.ORG), ESO)

SÃO 66 “ANTENAS PARABÓLICAS” (12 COM SETE METROS DE DIÂMETRO E 54 COM 12 METROS) CUJOS SENSORES GELADOS, QUE TRABALHAM A ATÉ -269°C, CAPTAM AS LUZES E, CONSEQUENTEMENTE, AS INFORMAÇÕES DELAS, QUE VÊM DO ESPAÇO EM FREQUÊNCIAS DE EXTREMA PRECISÃO (FOTO: B. TAFRESHI (TWANIGHT.ORG), ESO)

GELO CÓSMICO
Não, Alma não é uma referência mística. É a abreviação de Atacama Large Millimeter/submillimeter Array. Trata-se de um conjunto de radiotelescópios com 66 “antenas parabólicas” que captam ondas de luz e calor impossíveis de serem lidas por telescópios ópticos. Ele observa o “universo gelado” e traduz as informações das ondas localizadas.

É uma ferramenta e tanto. As luzes captadas pelo Alma só poderiam ser observadas para lá da Terra, uma vez que a atmosfera terrestre as bloqueia e turva a qualidade dos sinais. São metade de toda a luz emitida no universo e são fundamentais para os cientistas. Nelas se encontram as pistas sobre o surgimento de planetas, estrelas, galáxias e até moléculas que eventualmente evoluiriam para elementos orgânicos e dariam indícios de pontos onde poderia haver vida no espaço. “O Alma permite captar todas as ondas de luz e calor, até o fim de suas vibrações, emitidas pela areia do universo. Esse brilho é diferente de outros elementos espaciais, e, ao analisá-lo, é possível estudar a gênese de estrelas, sua composição química e a força gravitacional ao redor delas”, explica o astrônomo Tommy Wiklind. Para captar os sinais (veja a sequência acima), os sensores gelados de cada antena absorvem as luzes que vêm do espaço. Esse volume absurdo de informações, 16 mil teras por segundo, é automaticamente digitalizado e transportado para o computador Alma Correlator Breaker Panel por 16 quilômetros de fibra óptica, onde os sinais são padronizados. Quando chegam ao supercomputador, que ocupa uma sala inteira e cuja capacidade é equivalente à de 3 milhões de notebooks domésticos, os sinais são decodificados e então convertidos em informações astronômicas. Contudo, os dados que chegam ao desktop de cientistas como Tommy são apenas o créme de la créme do Alma: a quantidade de ruído é tanta que menos de 1% de tudo o que é captado é útil; o supercomputador elimina as informações ruins e multiplica os sinais corretos.

MAS O QUE SE VÊ DA SUPERFÍCIE É SÓ A PONTA DO ICEBERG DESTE TELESCÓPIO, QUE POSSUI UMA SÉRIE DE TÚNEIS SUBTERRÂNEOS. (FOTO: ESO/ G. LOMBARDI, JOSÉ FRANCISCO SALGADO, J.L. DAUVERGNE & G. HÜDEPOHL (ATACAMAPHOTO.COM))

MAS O QUE SE VÊ DA SUPERFÍCIE É SÓ A PONTA DO ICEBERG DESTE TELESCÓPIO, QUE POSSUI UMA SÉRIE DE TÚNEIS SUBTERRÂNEOS. (FOTO: ESO/ G. LOMBARDI, JOSÉ FRANCISCO SALGADO, J.L. DAUVERGNE & G. HÜDEPOHL (ATACAMAPHOTO.COM))

Essa técnica é chamada de interferometria. Ela não é nova, foi tentada pela primeira vez em 1948, mas o Alma a executa de forma inédita: os sinais são combinados automaticamente na captação. Por isso, é importante a maneira como as antenas estão dispostas no Chajnantor Plateau, a mais de 5 mil metros de altitude, que permite combinações nas quais a capacidade de absorção de luzes das antenas pode superar até dez vezes a do poderoso telescópio Hubble. São os olhos da ciência para o que o homem não vê.

O ALMA É UMA FERRAMENTA E TANTO. AS LUZES CAPTADAS POR ELE SÓ PODERIAM SER OBSERVADAS PARA LÁ DA TERRA, UMA VEZ QUE A ATMOSFERA TERRESTRE AS BLOQUEIA E TURVA A QUALIDADE DOS SINAIS

A UNIÃO FAZ A FORÇA
A uma altitude de 2.635 metros, o cerro Paranal é a única referência visual num raio de muitos quilômetros no deserto do Atacama. É naquele cenário de ficção científica que cerca de 250 profissionais passam meses enclausurados. Para fornecer condições de trabalho (e preservar a saúde mental dos cientistas), o ESO criou uma megaestrutura, com hotel de luxo, piscina, quadra poliesportiva e restaurante. Nada que os fãs de James Bond já não tenham visto no filme 007 – Quantum of Solace, que utilizou o complexo como cenário.

A CONSTRUÇÃO FICA NO TOPO DO CERRO PARANAL, NO DESERTO DO ATACAMA, NO CHILE (FOTO: ESO/ G. LOMBARDI, JOSÉ FRANCISCO SALGADO, J.L. DAUVERGNE & G. HÜDEPOHL (ATACAMAPHOTO.COM))

A CONSTRUÇÃO FICA NO TOPO DO CERRO PARANAL, NO DESERTO DO ATACAMA, NO CHILE (FOTO: ESO/ G. LOMBARDI, JOSÉ FRANCISCO SALGADO, J.L. DAUVERGNE & G. HÜDEPOHL (ATACAMAPHOTO.COM))

Esse pessoal está lá por um motivo: o Very Large Telescope (VLT), um conjunto de quatro telescópios ópticos cujo espelho tem 8,2 metros de diâmetro mais quatro telescópios auxiliares de 1,8 metro. Além dele, há outros dois importantes instrumentos de pesquisa: o Vista (4,1 metros), dedicado ao estudo de ondas infravermelhas; e o VLT Survey (2,6 metros), o mais novo “brinquedinho” dos cientistas desde 2011. Os quatro telescópios podem trabalhar de maneira independente (cada um com um foco de estudo diferente), mas se tornam especiais quando juntam forças: a capacidade de captação é 25 vezes maior que a dos telescópios individuais. Se, por exemplo, um carro acendesse os faróis na Lua, o VLT seria capaz de distinguir as luzes.

O VLT não é exatamente uma máquina fotográfica. Sua principal capacidade é criar padrões de luz e sombra, a partir das ondas de luz que entram pelo espelho, para compreender os detalhes de cada pedaço do objeto observado, mas, a priori, não se forma uma imagem disso. Como um iceberg, boa parte da fórmula da eficiência do VLT está abaixo da superfície. O cuidado com que as luzes captadas são transmitidas aos computadores é fundamental: elas são levadas por túneis ópticos subterrâneos em uma combinação de espelhos. As informações combinadas pelos supercomputadores do ESO são capazes de reconstruir imagens 16 vezes mais nítidas que as obtidas por cada telescópio individualmente.

O TRABALHO ENTÃO É COMBINADO ENTRE COMPUTADORES E CIENTISTAS PARA DETERMINAR QUAIS RECORTES DE INFORMAÇÕES DEVEM SER REPLICADOS E INTRODUZIDOS EM UM NOVO PROGRAMA. SÓ AÍ, SEMANAS DEPOIS DA CAPTAÇÃO, AS IMAGENS DO UNIVERSO SÃO REPRODUZIDAS (FOTO: B. TAFRESHI (TWANIGHT.ORG), ESO)

O TRABALHO ENTÃO É COMBINADO ENTRE COMPUTADORES E CIENTISTAS PARA DETERMINAR QUAIS RECORTES DE INFORMAÇÕES DEVEM SER REPLICADOS E INTRODUZIDOS EM UM NOVO PROGRAMA. SÓ AÍ, SEMANAS DEPOIS DA CAPTAÇÃO, AS IMAGENS DO UNIVERSO SÃO REPRODUZIDAS (FOTO: B. TAFRESHI (TWANIGHT.ORG), ESO)

É tecnologia de ponta, mas não o suficiente. “Ao aumentar o tamanho do telescópio, aumentam-se duas coisas basicamente. Uma é a superfície, que coleta luzes mais fracas, tendo um impacto enorme na análise dessas galáxias formadas nos primeiros 300 milhões de anos. Dá para começar a ver os corpos espaciais tão perto que é preciso qualidade extrema do sinal, que é muito pequeno. A segunda coisa aumentada é a precisão no sinal. Ambas serão possíveis apenas com o E-ELT”, diz Claudio Melo, cientista brasileiro que é chefe de departamento do ESO.

A CONSTRUÇÃO FICA NO TOPO DO CERRO PARANAL, NO DESERTO DO ATACAMA, NO CHILE (FOTO: ESO/ G. LOMBARDI, JOSÉ FRANCISCO SALGADO, J.L. DAUVERGNE & G. HÜDEPOHL (ATACAMAPHOTO.COM))

A CONSTRUÇÃO FICA NO TOPO DO CERRO PARANAL, NO DESERTO DO ATACAMA, NO CHILE (FOTO: ESO/ G. LOMBARDI, JOSÉ FRANCISCO SALGADO, J.L. DAUVERGNE & G. HÜDEPOHL (ATACAMAPHOTO.COM))

“Os instrumentos do VLT já permitiram estudar com grande detalhamento a forma e a dinâmica dos corpos mais antigos do universo”, afirma Fernando Comerón, astrônomo que comanda operações do ESO. “Mas o E-ELT é mais ambicioso: com ele buscamos detectar planetas como a Terra, o que inclui possivelmente encontrar indicações de atividade biológica e a observação detalhada das primeiras estruturas que formaram o espaço.”

Em 2013, um grupo de astrônomos brasileiros da USP fez uma das descobertas mais importantes dos últimos tempos ao localizar uma estrela gêmea do Sol. Como a estrela HIP 102152 é mais velha, será possível comparar seu ciclo de vida com o do nosso astro-rei. E há ainda a possibilidade de que ela seja orbitada por planetas iguais à Terra, mas isso só o E-ELT vai poder dizer. “Especificamente para a descoberta de outros planetas como o nosso, o E-ELT vai ser equipado com um espectrógrafo que permitirá medir o efeito causado por corpos relativamente pequenos, como a Terra”, afirma o astrônomo Jorge Meléndez, que coordenou a busca.

ESSE VOLUME DE INFORMAÇÕES CHEGA A 16 MIL TERABYTES POR SEGUNDO E É AUTOMATICAMENTE DIGITALIZADO E TRANSPORTADO POR 16 QUILÔMETROS DE FIBRA ÓPTICA ATÉ O COMPUTADOR ALMA CORRELATOR BREAKER PANEL, ONDE OS SINAIS SÃO PADRONIZADOS. PORÉM, POR CONTA DOS RUÍDOS, MENOS DE 1% DE TUDO QUE É CAPTADO TEM UTILIDADE — O SUPERCOMPUTADOR ELIMINA AS INFORMAÇÕES RUINS E MULTIPLICA ATÉ MILHÕES DE VEZES OS SINAIS CORRETOS (FOTO: B. TAFRESHI (TWANIGHT.ORG), ESO)

ESSE VOLUME DE INFORMAÇÕES CHEGA A 16 MIL TERABYTES POR SEGUNDO E É AUTOMATICAMENTE DIGITALIZADO E TRANSPORTADO POR 16 QUILÔMETROS DE FIBRA ÓPTICA ATÉ O COMPUTADOR ALMA CORRELATOR BREAKER PANEL, ONDE OS SINAIS SÃO PADRONIZADOS. PORÉM, POR CONTA DOS RUÍDOS, MENOS DE 1% DE TUDO QUE É CAPTADO TEM UTILIDADE — O SUPERCOMPUTADOR ELIMINA AS INFORMAÇÕES RUINS E MULTIPLICA ATÉ MILHÕES DE VEZES OS SINAIS CORRETOS (FOTO: B. TAFRESHI (TWANIGHT.ORG), ESO)

Logo o gigantesco instrumento irá ajudar a responder às questões mais importantes da astronomia e, quem sabe, da humanidade: se há vida fora da Terra e qual a origem do universo.

Nasa prevê descoberta de vida alienígena até 2025

Cientista-chefe da agência espacial americana diz que haverá registros de seres de outros planetas na próxima década.

Existe vida fora da Terra? Aparentemente sim, e poderíamos descobrir sua existência na próxima década. Segundo a cientista-chefe da Nasa, Ellen Stofan, teremos registros de alienígenas que vivem em outros planetas até 2025.
Stofan acredita que serão encontrados sinais de vida fora da Terra em até 10 anos, e provas definitivas disso em até 20 anos. “Nós sabemos onde procurar. Então sabemos como procurar”, disse, em um debate transmitido na Nasa TV sobre a possibilidade de encontrar outros “mundos habitáveis”.
“Na maiorida dos casos, nós temos a tecnologia e estamos no processo de implementá-la. Então acreditamos que estamos definitivamente no caminho certo para isso.”
O que e onde?
As primeiras descobertas de vida fora da Terra provavelmente estão mais perto do que imaginamos, mas não serão homenzinhos verdes em naves espaciais e, sim, alguma espécie de plâncton ou de alga.

Cientistas acreditam que luas de Júpiter e de Saturno podem ter ambientes propícios para a formação de vida; ilustração mostra quatro maiores luas de Júpiter (Foto: Nasa/Divulgação)

Cientistas acreditam que luas de Júpiter e de Saturno podem ter ambientes propícios para a formação de vida; ilustração mostra quatro maiores luas de Júpiter (Foto: Nasa/Divulgação)

Existe muita água no Sistema Solar. É quase certo que existam oceanos de água salgada sob as conchas geladas das luas de Júpiter, Europa e Ganymede, assim como na lua de Saturno, Enceladus.
A água é mantida líquida pela gravidade intensa dos planetas gigantes onde as luas orbitam, que os deforma e contribui para o aquecimento de seus núcleos.
Acredita-se que Enceladus tenha atividade vulcânica nas profundezas de seu oceano, o que manteria a água aquecida a uma temperatura de 93º.
Acredita-se que todas as três luas têm mais água em seus oceanos do que todos os oceanos da Terra juntos. Ainda não é possível saber se há vida lá, mas são ótimos lugares para começar a procurar.
E também há Marte, é claro. É quase certo que o planeta vermelho teve oceanos algum dia, e há evidências fotográficas sugerindo que ainda existe muita água escondida sob a superfície. Às vezes ela borbulha e forma rios temporários.
O rover Curiosity da Nasa – veículo destinado a explorar a superfície de Marte – recentemente descobriu “moléculas orgânicas que contêm carbono”. Isso significaria “blocos de vida em construção”. É deles que nós somos feitos.
No entanto, água e moléculas não significam vida.

Missões a Marte pretendem explorar melhor a superfície do planeta em busca da resposta sobre a possibilidade de vida no planeta; foto divulgada pela NASA em 23 de junho mostra autorretrato do robô Curiosity em Marte (Foto: AP Photo/NASA, JPL-Caltech, MSSS, File)

Missões a Marte pretendem explorar melhor a superfície do planeta em busca da resposta sobre a possibilidade de vida no planeta; foto divulgada pela NASA em 23 de junho mostra autorretrato do robô Curiosity em Marte (Foto: AP Photo/NASA, JPL-Caltech, MSSS, File)

Confiança na descoberta
O próximo rover que será lançado com direção à Marte em 2020 irá buscar sinais de que pode ter existido vida no planeta.
A Nasa também tem como objetivo enviar astronautas para Marte em 2030, um passo que cientistas como Ellen Stofan acreditam que será “chave” para procurar sinais de vida, porque mesmo com câmeras ultratecnológicas, encontrar fósseis usando o veículo é muito difícil – às vezes é preciso procurar embaixo da pedra, não nela em si.
“Sou uma geóloga. Eu saio a campo e abro rochas para procurar por fósseis”, disse Stofan no painel.
“Isso é difícil de encontrar. Então eu acredito fortemente que será necessário, em algum momento, colocar humanos na superfície de Marte – geólogos, astrobiólogos, químicos – para buscar provas da existência de vida que eles possam trazer de volta para a Terra para cientistas analisarem.”
A Nasa também está planejando uma missão para a Europa, uma das luas de Júpiter, que deverá ser lançada em 2022.
O principal objetivo dessas missões,que custarão cerca de US$ 2,1 bilhões (R$ 6,4 bilhões), é estudar se a lua congelada tem potencial habitável e, ao fazer isso, procurar também sinais de vida nas nuvens de vapor de água que aparentemente irrompem do polo sul da Europa.
E a vida em torno de outras estrelas? O telescópio espacial James Webb, que será lançado em 2018 e custará US$ 8,8 bilhões (R$ 26,8 bilhões), é tão poderoso que pode analisar gases na atmosfera de planetas em volta de outras estrelas, buscando sinais de vida.
Missões a Marte pretendem explorar melhor a superfície do planeta em busca de resposta sobre a possibilidade de vida no planeta

Um dos maiores sonhos da humanidade é descobrir se há, ou não, vida extraterrestre. E tem sido também essa a grande demanda da NASA. Numa conferência realizada esta terça-feira, os especialistas da agência espacial dos EUA afirmaram que, dentro de 20 ou 30 anos, será encontrada vida fora da Terra.

planetas

No final da conferência, a geóloga da NASA Ellen Stofan, que analisa as rochas e sedimentos de outros planetas, afirmou, de forma categórica, que o Homem “está muito perto de encontrar vida fora da Terra”.

“Acho que vamos ter fortes vestígios de que há vida fora da Terra dentro de uma década e vamos ter provas definitivas dentro de 20 ou 30 anos. Temos as ferramentas necessárias e sabemos onde procurar”, disse a cientista.

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Jovem de 23 anos será primeiro civil brasileiro a ir ao espaço

O brasiliense Pedro Nehme, 23, será o segundo brasileiro a ir ao espaço e o primeiro civil do país a viver essa experiência. O estudante de engenharia elétrica da UnB (Universidade de Brasília) fará um voo suborbital a bordo do foguete Lynk Mark 2, no ano que vem.

Jovem de 23 anos será primeiro civil brasileiro a ir ao espaço

Pedro Nehme, estudante de engenharia elétrica da UnB (Universidade de Brasília), posa para foto ao lado de veículo da empresa norte-americana XCOR Space Expeditions. Ele ganhou um concurso promovido pela companhia aérea holandesa KLM e será primeiro civil brasileiro a ir ao espaço

Pedro Nehme, estudante de engenharia elétrica da UnB (Universidade de Brasília), posa para foto ao lado de veículo da empresa norte-americana XCOR Space Expeditions. Ele ganhou um concurso promovido pela companhia aérea holandesa KLM e será primeiro civil brasileiro a ir ao espaço

Pedro Nehme, estudante de engenharia elétrica da UnB (Universidade de Brasília), posa para foto com equipe do Imae (Instituto de Medicina Aeroespacial), no Rio de Janeiro. Ele passa por uma série de treinamentos antes da realização do voo suborbital a bordo do foguete Lynk Mark 2, com lançamento previsto para o próximo ano. Nehme será o primeiro civil a viajar para o espaço

Pedro Nehme, estudante de engenharia elétrica da UnB (Universidade de Brasília), posa para foto com equipe do Imae (Instituto de Medicina Aeroespacial), no Rio de Janeiro. Ele passa por uma série de treinamentos antes da realização do voo suborbital a bordo do foguete Lynk Mark 2, com lançamento previsto para o próximo ano. Nehme será o primeiro civil a viajar para o espaço

Pedro Nehme, estudante de engenharia elétrica da UnB (Universidade de Brasília), posa para foto ao lado de veículo da empresa norte-americana XCOR Space Expeditions. Ele ganhou um concurso promovido pela companhia aérea holandesa KLM e será primeiro civil brasileiro a ir ao espaço

Pedro Nehme, estudante de engenharia elétrica da UnB (Universidade de Brasília), posa para foto ao lado de veículo da empresa norte-americana XCOR Space Expeditions. Ele ganhou um concurso promovido pela companhia aérea holandesa KLM e será primeiro civil brasileiro a ir ao espaço

Pedro Nehme, 23, estudante de engenharia elétrica da UnB (Universidade de Brasília), posa para foto após participar de treinamento no Imae (Instituto de Medicina Aeroespacial), no Rio de Janeiro. Ele passa por uma série de treinamentos antes da realização do voo suborbital a bordo do foguete Lynk Mark 2, com lançamento previsto para o próximo ano. Nehme será o primeiro civil a viajar para o espaço

Pedro Nehme, 23, estudante de engenharia elétrica da UnB (Universidade de Brasília), posa para foto após participar de treinamento no Imae (Instituto de Medicina Aeroespacial), no Rio de Janeiro. Ele passa por uma série de treinamentos antes da realização do voo suborbital a bordo do foguete Lynk Mark 2, com lançamento previsto para o próximo ano. Nehme será o primeiro civil a viajar para o espaço

O estudante de engenharia elétrica da UnB (Universidade de Brasília) Pedro Nehme, 23, faz treinamento na centrífuga Phoenix, do Nastar Center, na Filadélfia (EUA), no início de março. Ele passa por uma série de treinamentos antes da realização do voo suborbital a bordo do foguete Lynk Mark 2, com lançamento previsto para o próximo ano. Nehme será o primeiro civil a viajar para o espaço

O estudante de engenharia elétrica da UnB (Universidade de Brasília) Pedro Nehme, 23, faz treinamento na centrífuga Phoenix, do Nastar Center, na Filadélfia (EUA), no início de março. Ele passa por uma série de treinamentos antes da realização do voo suborbital a bordo do foguete Lynk Mark 2, com lançamento previsto para o próximo ano. Nehme será o primeiro civil a viajar para o espaço

Pedro Nehme, estudante de engenharia elétrica da UnB (Universidade de Brasília), postou essa foto no seu perfil no Facebook no final do ano passado. A imagem é uma reprodução do foguete Lynk Mark 2, da XCOR Space Expeditions, que o levará ao espaço em 2016. Ele será o primeiro civil brasileiro a viver essa experiência

Pedro Nehme, estudante de engenharia elétrica da UnB (Universidade de Brasília), postou essa foto no seu perfil no Facebook no final do ano passado. A imagem é uma reprodução do foguete Lynk Mark 2, da XCOR Space Expeditions, que o levará ao espaço em 2016. Ele será o primeiro civil brasileiro a viver essa experiência

Pedro Nehme, estudante de engenharia elétrica da UnB (Universidade de Brasília), posa para foto ao lado de veículo da empresa norte-americana XCOR Space Expeditions. Ele ganhou um concurso promovido pela companhia aérea holandesa KLM e será primeiro civil brasileiro a ir ao espaço

Pedro Nehme, estudante de engenharia elétrica da UnB (Universidade de Brasília), posa para foto ao lado de veículo da empresa norte-americana XCOR Space Expeditions. Ele ganhou um concurso promovido pela companhia aérea holandesa KLM e será primeiro civil brasileiro a ir ao espaço

Pedro Nehme, 23, estudante de engenharia elétrica da UnB (Universidade de Brasília), posa para foto após participar de treinamento no Imae (Instituto de Medicina Aeroespacial), no Rio de Janeiro. Ele passa por uma série de treinamentos antes da realização do voo suborbital a bordo do foguete Lynk Mark 2, com lançamento previsto para o próximo ano. Nehme será o primeiro civil a viajar para o espaço

Pedro Nehme, 23, estudante de engenharia elétrica da UnB (Universidade de Brasília), posa para foto após participar de treinamento no Imae (Instituto de Medicina Aeroespacial), no Rio de Janeiro. Ele passa por uma série de treinamentos antes da realização do voo suborbital a bordo do foguete Lynk Mark 2, com lançamento previsto para o próximo ano. Nehme será o primeiro civil a viajar para o espaço

A nave espacial é desenvolvida pela XCOR Space Expeditions, empresa norte-americana parceira da KLM, companhia aérea holandesa que em 2013 realizou um concurso para escolher um civil e enviá-lo ao espaço em um voo suborbital a bordo do foguete. Nehme ganhou o concurso, sendo escolhido entre 129 mil candidatos.

O desafio da KLM era descobrir em que altura um balão de hélio, lançado da Terra, estouraria. “A inscrição era feita por um site e o pessoal do concurso não forneceu nenhuma informação sobre o balão, ou seja, qual a quantidade de gás, ou o peso da caixa com os sensores, etc.”, explicou o estudante. O balão foi solto no deserto de Nevada (EUA) e estourou em uma altitude próxima ao palpite feito por Pedro Nehme. “Eu fui quem mais se aproximou do ponto em que o balão estourou e ganhei a viagem. Eu realmente não esperava ganhar o concurso. Acredito que o fato de ter trabalhado com isso na Nasa [agência espacial norte-americana] me deu algumas vantagens em relação a outras pessoas”, acrescentou.

Pedro trabalhou no Goddard Space Flight Center, um programa da Nasa, em 2012, enquanto estudava na Catholic University of America, em Washington (EUA), após ganhar uma bolsa no programa Ciência sem Fronteiras, do governo federal. Ele conta que trabalhou em um projeto de balão de alta altitude chamado Bettii (balão experimental com telescópios gêmeos para interferometria infravermelha, em tradução livre). “Esse balão carrega um telescópio a até 40 km de altitude, evitando a parte da atmosfera que acaba absorvendo a porção do infravermelho das luzes que chegam até a Terra. O objetivo principal do projeto é observar e descobrir exoplanetas, em especial planetas que possuem potencial para abrigar vida”, explicou.

O foguete Lynk Mark 2 realizará uma trajetória parabólica e chegará a uma altitude de até 100 quilômetros. O voo terá duração estimada entre 45 e 60 minutos. O veículo espacial partirá e pousará em uma pista, como se fosse um avião.

A missão de Nehme no espaço

O jovem conduzirá experimentos selecionados pelo programa de Microgravidade da AEB (Agência Espacial Brasileira). A seleção para escolha de projetos foi aberta no dia 24 de março. O edital é direcionado a projetos de escolas públicas de educação básica em parceria com instituições de ensino superior. As propostas poderão ser enviadas até 27 de abril. Os experimentos que serão levados ao espaço pelo estudante serão divulgados no dia 2 de maio.

Segundo Nehme, essa é a segunda oportunidade que o Programa Microgravidade disponibiliza para a realização de testes em voos espaciais tripulados. “A primeira foi com o astronauta Marcos Pontes. Acredito que essa é uma das raras oportunidades de realizar pesquisas voltadas para fisiologia humana em um voo espacial. Nesse sentido é uma oportunidade muito importante para a medicina aeroespacial no Brasil. Por outro lado, o desenvolvimento do experimento é realizado por uma escola de educação básica, em parceria com uma universidade, o que pode ser muito inspirador para esses jovens continuarem trabalhando no setor”, acredita.

Rotina de treinamentos

Ir ao espaço não é uma tarefa das mais fáceis. É preciso muita preparação e horas de voo para enfrentar a missão. Por isso, o estudante está participando de vários treinamentos promovidos pela AEB com o objetivo de deixá-lo pronto para o voo e manejar os experimentos selecionados.

No início de março, Pedro foi enviado à Filadélfia, nos Estados Unidos, onde realizou treinos na centrífuga Phoenix do Nastar Center. Em abril, ele irá à Rússia, onde fará testes em situação de gravidade zero, para simular o ambiente de microgravidade. O jovem também fará testes no centro de medicina aeroespacial da FAB (Força Aérea Brasileira) no Rio de Janeiro, onde passará por simulações de falta de oxigênio, ejeção e desorientação espacial. “Não sei se existe um desafio principal no treinamento. Como tudo é novo, é um desafio para mim. Tenho feito o meu melhor para corresponder e aproveitar os treinamentos da melhor forma possível”, afirmou.

Em todas as fases do treinamento, ele será acompanhado por especialistas do SBMA (Sociedade Brasileira de Medicina Aeroespacial). “Isso é importante porque não existem muitas pesquisas com pessoas comuns realizando voos espaciais. A pesquisa que irão fazer comigo pode revelar dificuldades relacionadas a pessoas comuns realizando esse tipo de viagem, e que não possuem várias horas de voo em aviação de caça”, explicou.

Projeções futuras

Pedro Nehme se forma este ano no curso de engenharia elétrica da UnB (Universidade de Brasília) e conta que pretende seguir no setor aeroespacial. “Acredito que o Brasil é um país que pode ganhar muito com investimentos nessa área. Ainda falta muito a ser feito, mas vejo isso como um desafio a todos os novos profissionais que estão entrando nessa área agora”, disse.