Monthly Archives: outubro 2015

Um asteroide inesperado vai passar pela Terra no Dia das Bruxas

A principal atração do Dia das Bruxas deste ano não vai ser nenhuma festa à fantasia. Um asteroide bem grande descoberto há alguns dias está perto de passar pela Terra a uma distância não vista em uma década – e isso vai ocorrer bem na noite do dia 31 de outubro.

O asteroide, chamado 2015 TB145, foi descoberto no dia 10 de outubro por astrônomos com ajuda do telescópio Pan-STARRS. O objeto mede entre 280 e 620 metros de diâmetro, então é bem grande – mais ou menos o tamanho de um arranha-céu. Se não bastasse isso, ele também está se movendo a uma velocidade de 35 quilômetros por segundo (12,600 km/h), que a NASA descreve como “extraordinariamente alta”.

Um asteroide inesperado vai passar pela Terra no Dia das Bruxas

Um asteroide inesperado vai passar pela Terra no Dia das Bruxas

Quando o 2015 TB145 estiver próximo da Terra no dia 31 de outubro, ele estará a uma distância de 0,0032 AU, ou 1,3 distâncias lunares. Isso dá cerca de 479.000 km. Será o objeto a sobrevoar mais próximo da Terra desde 2006, quando o asteroide NEO 2004 XP14 voou a 1,1 distâncias lunares. Depois da passagem pelo Dia das Bruxas, a próxima vez que veremos um objeto tão próximo da Terra será em agosto de 2027, quando o NEO 1999 AN10 vai voar a cerca de 1 distância lunar da Terra.

A NASA diz que o 2015 TB145 vai passar com segurança pela Terra e continuará sua órbita excepcionalmente excêntrica e inclinada – o que pode explicar porque ele só foi descoberto há alguns dias.

Um asteroide inesperado vai passar pela Terra no Dia das Bruxas

Um asteroide inesperado vai passar pela Terra no Dia das Bruxas

Durante o sobrevoo, o asteroide vai atingir uma luminosidade de magnitude 10, e por isso deve ser observado por astrônomos com telescópios. Ele será visto com mais facilidade no hemisfério norte, mas a lua minguante da noite diminuirá relativamente o brilho no momento.

Veja as leis da física ganharem vida enquanto uma massa magnética devora objetos

As massinhas de modelar são substâncias bastante estranhas, mas as massas magnéticas são como formas de vida alienígena. Não apenas elas podem se retorcer, esticar e comprimir de qualquer forma, como elas também conseguem devorar objetos magnéticos como uma ameba voraz, e tudo isso graças às leis do magnetismo.

Veja as leis da física ganharem vida enquanto uma massa magnética devora objetos

Veja as leis da física ganharem vida enquanto uma massa magnética devora objetos

O mestre dos efeitos visuais Joey Shanks usou timelapse para criar um vídeo impressionante da massa magnética em ação. Ele usou um imã bastante forte chamado neodímio e uma massa de modelar magnética.

Essa massinha contém diversas partículas de óxido de ferro, ou magnetita, com elétrons carregados negativamente. Os elétrons, com seus próprios campos magnéticos, estão distribuídos aleatoriamente dentro da massa de modelar. Mas quando o imã é aproximado, esses campos se alinham, fazendo a massinha se mover e envolver completamente o ímã.

Confira o vídeo abaixo para aprender sobre o processo de Shank e também a ciência do magnetismo.

Veja as leis da física ganharem vida enquanto uma massa magnética devora objetos

Veja as leis da física ganharem vida enquanto uma massa magnética devora objetos

Mas o mais importante: veja a massa magnética devorar um monte de coisas. Às vezes, esse é um dos prazeres mais simples da vida.

A maioria dos planetas parecidos com a Terra ainda não nasceu

Com a missão Kepler da NASA ainda descobrindo maravilhas cósmicas e alguns projetos de caça a planetas em preparação, as chances de encontrarmos uma segunda Terra nunca foram tão grandes. Ainda assim, o tempo pode ser um obstáculo para nós quando falamos em encontrar planetas idênticos: de acordo com um novo estudo teórico, 92% dos planetas parecidos com a Terra ainda não nasceram.

A maioria dos planetas parecidos com a Terra ainda não nasceu

A maioria dos planetas parecidos com a Terra ainda não nasceu

Usando dados coletados pelo Telescópio Espacial Hubble e pela missão Kepler, uma equipe de astrônomos da NASA conseguiu, pela primeira vez, estimar a chance de mundos parecidos com a Terra aparecerem durante o tempo de vida do Universo. Isso significa planetas pequenos e rochosos na zona habitável não muito quente e nem muito fria da sua estrela. E, pelo jeito, queimamos a largada.

Quando nosso sistema solar nasceu há 4,6 bilhões de anos, apenas 8% dos planetas parecidos com a Terra existiam. Quando nosso Sol apagar completamente daqui a algumas eras, muitas das futuras Terras ainda não terão sido formadas.

Como astrônomos chegaram a essa conclusão? Basicamente, ao olhar para o espaço muito distante. Observar essas galáxias é mais ou menos como olhar para trás no tempo, e com a coleta de informações sobre o início do Universo, podemos reconstruir várias coisas interessantes, incluindo a taxa de formação de estrelas.

Acontece que, por mais que as galáxias estivessem produzindo estrelas rapidamente após o Big Bang, elas só usavam uma pequena fração do hidrogênio e hélio do Universo – os elementos necessários para criar formas mais complexas de matéria. O tanque de combustível cósmico ainda está quase cheio. Isso significa que novas estrelas – e novos planetas rochosos – vão continuar a se formar no futuro. Os pesquisadores estimam que a maioria dos 92% de planetas restantes vão surgir entre 100 bilhões de anos e 1 trilhão de anos de onde estamos. Somos os precursores cósmicos.

Isso não significa que devemos todos ir correndo para um banco criogênico e viajar no tempo até um futuro menos solitário. Graças à missão Kepler, astrônomos estimam que atualmente existe cerca de um bilhão de mundos como o nosso planeta só na nossa galáxia. Se tivermos sorte, um deles pode conter alguns micróbios alienígenas, ou ao menos uma atmosfera que podemos terraformar. Talvez até exista mesmo uma ou duas megaestruturas alienígenas em algum lugar a alguns anos luz de distância de nós.

É isso o que acontece quando um buraco negro tritura uma estrela

Quando uma estrela anda muito perto de um buraco negro, forças gravitacionais enormes começam a destruí-la em um assassinato cósmico épico chamado de “evento de interrupção de marés”. Parte da massa da estrela é arremessada para longe no espaço, enquanto o resto é aspirado, desencadeando um clarão que espalha raios-X no céu.

É isso o que acontece quando um buraco negro tritura uma estrela

É isso o que acontece quando um buraco negro tritura uma estrela

Usando o Observatório de raios-X Chandra e outros telescópios, uma equipe de astrônomos conseguiu encontrar um lugar onde vai acontecer um desses assassinatos cósmicos. O evento em questão, chamado apropriadamente de “ASASSN-14li”, foi detectado próximo ao centro da galáxia PGC 043234, que fica a 290 milhões de anos-luz da Terra.

Este é o evento de interrupção de marés mais próximo que encontramos em quase uma década, e os astrônomos estão esperançosos de que ele ajudará a desenvolver teorias sobre a estrutura e evolução desses acontecimentos cósmicos. As descobertas feitas até hoje, incluindo indícios de que o vento tenta fugir da gravidade do buraco negro, foram detalhadas na Nature.

Bem legal, mas deve ser bem interessante ver isso acontecendo. Por isso, a NASA preparou um vídeo conceitual:

“Durante o evento de interrupção de marés, filamentos contendo muito da massa da estrela caem no buraco negro”, escreve a NASA. “Esses filamentos gasosos se fundem com um disco que brilha intensamente em raios-X. Conforme o disco é formado, sua região central aquece tremendamente, o que faz um fluxo de material – chamado de vento – se afastar do disco.”

Stephen Hawking ganhou as manchetes recentemente dizendo que “se você sentir que está em um buraco negro, não desista. Há uma saída”. Hawking estava se referindo a uma teoria que sugere que os azarados o suficiente para serem devorados por um buraco negro podem não ser triturados e comprimidos por toda a eternidade – em vez disso, eles podem parar em outro universo. Muito mais animador!

Mas, com base no que estamos aprendendo sobre a forma como buracos negros lidam com algumas estrelas, acho que vou preferir continuar nesse mesmo universo.

Teoria quântica vence Einstein mais uma vez em estudo holandês

Em um estudo de referência, cientistas da Universidade de Tecnologia de Delft, na Holanda, relataram ter feito um experimento que, segundo eles, comprova uma das asserções mais fundamentais da teoria quântica –de que objetos separados por uma grande distância podem afetar instantaneamente o comportamento um do outro.

A descoberta é mais um golpe para um dos princípios fundamentais da física clássica conhecido como “localidade”, que afirma que um objeto é influenciado diretamente apenas pelo seu entorno imediato.

Teoria quântica vence Einstein mais uma vez em estudo holandês

Teoria quântica vence Einstein mais uma vez em estudo holandês

O estudo de Delft, publicado na quarta-feira (21) na revista Nature, dá mais credibilidade a uma ideia que Albert Einstein rejeitou notoriamente. Ele dizia que a teoria quântica exigia uma “ação fantasmagórica à distância”, e ele se recusava a aceitar a noção de que o universo podia se comportar de uma forma tão estranha e aparentemente aleatória.

O novo experimento, realizado por um grupo liderado por Ronald Hanson, um físico do Instituto Kavli de Nanociência da universidade holandesa, em conjunto com cientistas da Espanha e Inglaterra, é a evidência mais forte para apoiar as asserções mais fundamentais da teoria da mecânica quântica sobre a existência de um mundo estranho formado por um tecido de partículas subatômicas em que a matéria só toma forma depois que é observada e que o tempo corre para trás ou para frente.

Os pesquisadores descreveram sua experiência como um “teste livre de falhas do teorema de Bell” em referência a um experimento proposto em 1964 pelo físico John Stewart Bell como forma de provar que a “ação fantasmagórica à distância” é real.

“Estes testes vêm sendo feitos desde o final dos anos 70, mas sempre de uma forma que exige pressupostos adicionais”, disse Hanson. “Agora confirmamos que a ação fantasmagórica à distância existe.”

Os cientistas dizem que já descartaram todas as chamadas variáveis ocultas possíveis que ofereceriam explicações para esse “emaranhamento” de longa distância com base nas leis da física clássica.

Os pesquisadores de Delft conseguiram emaranhar dois elétrons separados por uma distância de 1,3 km e, em seguida, compartilhar informações entre eles. Os físicos usam o termo “emaranhamento” para se referir a pares de partículas que são gerados de tal maneira que elas não podem ser descritas separadamente. Os cientistas colocaram dois diamantes em extremos opostos do campus da Universidade de Delft, a 1,3 km de distância um do outro.

Cada diamante continha uma pequena armadilha para elétrons isolados, que têm uma propriedade magnética chamada “spin”. Pulsos de laser e micro-ondas foram utilizados então para emaranhar os elétrons e medir seu “spin”.

A distância –com detectores instalados em lados opostos do campus– assegurou que a informação não poderia ser trocada por meios convencionais dentro do tempo necessário para fazer a medição.

“Acho que esta é uma experiência bela e simples e vai ajudar todo o campo a avançar”, disse David Kaiser, físico do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts), que não esteve envolvido no estudo. No entanto, Kaiser, que faz parte de outro grupo de físicos que está se preparando para realizar um experimento ainda mais ambicioso no ano que vem, medindo a luz capturada nos confins do universo, também acha que nem toda centelha de dúvida foi eliminada pelo experimento holandês.

Os testes acontecem num mundo peculiar que desafia a compreensão. De acordo com a mecânica quântica, as partículas só assumem as propriedades da forma quando são medidas ou observadas de alguma maneira. Até então, elas podem existir simultaneamente em dois ou mais lugares. Uma vez medidas, no entanto, elas se encaixam numa realidade mais clássica, que existe num só lugar.

De fato, o experimento não é apenas uma defesa da teoria exótica da mecânica quântica, é um passo em direção a uma aplicação prática conhecida como “internet quântica”. Atualmente, a segurança da internet e a infraestrutura do comércio eletrônico estão se fragilizando diante de computadores poderosos que representam um problema para as tecnologias de criptografia baseadas na capacidade de fatorar números grandes e outras estratégias semelhantes.

Pesquisadores como Hanson imaginam uma rede de comunicação quântica formada a partir de uma cadeia de partículas emaranhadas circundando todo o globo. Essa rede permitiria compartilhar chaves criptográficas de forma segura, e saber sobre as tentativas de espionagem com certeza absoluta.

Para alguns físicos, embora o novo experimento afirme ser “livre de falhas”, a questão ainda não está totalmente resolvida.

“O experimento eliminou duas das três principais falhas, mas duas em cada três não são três”, disse Kaiser. “Acredito plenamente que a mecânica quântica é a descrição correta da natureza. Mas afirmar isso de forma categórica, francamente, ainda não chegamos lá.”