Monthly Archives: Fevereiro 2016

Explosão de meteoro no Atlântico libertou tanta energia como bomba de Hiroshima

Meteoro tinha cerca de seis metros de comprimento e explodiu com uma força impressionante

Explosão de meteoro no Atlântico libertou tanta energia como bomba de Hiroshima

Na terça-feira (23), a Agência Espacial Americana, a Nasa, anunciou ter detectado a maior “bola de fogo” registrada na Terra desde 2013, com localização a pouco mais de mil quilômetros da costa do Brasil. O termo é usado para descrever meteoros de brilho incomum e, consequentemente, mas fáceis de serem visto.

A explosão de um meteoro sobre o oceano Atlântico, no início do mês, libertou uma energia quase equivalente à da bomba atómica que destruiu Hiroshima na Segunda Guerra Mundial. O “impacto” – o objeto explodiu e desintegrou-se na atmosfera, a 31 KM de altitude – ocorreu na tarde de 6 de fevereiro, a menos de dois mil quilómetros do Rio de Janeiro, no Brasil.

Não há relatos de avistamentos do meteoro, mas a explosão foi registada pelo programa “Near Earth Object Program” da Agência Espacial norte-americana (NASA) – a partir de dados cedidos pelo governo norte-americano.

Os objetos espaciais que originam fireballs (bolas de fogo) não são, geralmente, grandes o suficiente para sobreviverem intactos à passagem pela atmosfera terrestre, embora às vezes alguns fragmentos, meteoritos, sejam recuperados.

Este tinha cerca de seis metros de comprimento e explodiu com uma força impressionante. Um evento com a energia equivalente a mil toneladas de explosivos TNT é designado um evento de uma quilotonelada (kt), explica a NASA – a bomba de Hiroshima explodiu com uma energia de cerca de 15 kt e a de Nagasaki com 20. O meteoro em causa libertou uma energia equivalente a 12 kt de TNT.

É preciso recuar a 2013 na lista da NASA e ao meteoro de Chelyabinsk, na Rússia, para encontrar uma explosão com mais força (440 kt), sendo que a grande maioria fica abaixo da tonelada.

Na terça-feira (23), a Agência Espacial Americana, a Nasa, anunciou ter detectado a maior "bola de fogo" registrada na Terra desde 2013, com localização a pouco mais de mil quilômetros da costa do Brasil. O termo é usado para descrever meteoros de brilho incomum e, consequentemente, mas fáceis de serem visto.

Na terça-feira (23), a Agência Espacial Americana, a Nasa, anunciou ter detectado a maior “bola de fogo” registrada na Terra desde 2013, com localização a pouco mais de mil quilômetros da costa do Brasil. O termo é usado para descrever meteoros de brilho incomum e, consequentemente, mas fáceis de serem visto.

Cerca de 1500 objetos com trajetórias próximas da Terra são detetados todos os anos – e mais de 13 500 já foram descobertos, no total. Os astrónomos já localizaram mais de 90% dos objetos com mais de um quilómetro e estão agora focados em identificar objetos mais pequenos, à volta de 140 metros de comprimento, que apesar de menores continuam a ser perigosos.

O problema com os objetos espaciais mais pequenos, entre 10 e 15 metros, é que são demasiado pequenos para serem encontrados monitorizados na imensidão do espaço, mas têm o potencial para causar grande destruição, se, por exemplo, atingirem uma cidade em cheio.

Esta bola de fogo sobrevoou Portugal e Espanha

Por que civilizações antigas não reconheciam a cor azul?

Nenhum dos textos sagrados gregos, hindus, islandeses, judaicos ou islâmicos menciona o azul, apesar da descrição do céu ser um dos seus temas favoritos.
Em sua investigação sobre como a linguagem afeta a maneira como vemos o mundo, o linguista Guy Deutscher dedicou-se a um tema específico: a ausência de referências à cor azul nos textos de diversas civilizações antigas.

Nenhum dos textos sagrados gregos, hindus, islandeses, judaicos ou islâmicos menciona o azul, apesar da descrição do céu ser um dos seus temas favoritos.

Nenhum dos textos sagrados gregos, hindus, islandeses, judaicos ou islâmicos menciona o azul, apesar da descrição do céu ser um dos seus temas favoritos.

O primeiro intelectual a notar essa curiosidade foi o britânico William Ewart Gladstone (1809-1898), que não apenas foi quatro vezes primeiro-ministro como também um apaixonado pela obra do poeta Homero.

Apesar das maravilhosas descrições feitas por ele nos relatos A Ilíada e A Odisseia, que incluíam frases como “a aurora com seus dedos rosados”, em nenhum momento o autor pintava algo de celeste, índigo ou anil.

Gladstone repassou todo os dois textos, prestando atenção às cores mencionadas. Descobriu que, enquanto o branco era mencionado cem vezes e o preto, quase 200, as outras cores não tinham tanto destaque. O vermelho era citado menos de 15 vezes e o verde e o amarelo, menos de dez.

Ele leu, então, outros escritos gregos e confirmou que o azul nunca aparecia. Concluiu que a civilização grega não tinha à época um senso de cor desenvolvido e vivia em um mundo preto e branco, com algumas pinceladas de vermelho e de brilhos metálicos.

“Eles entendiam o azul com a mente, mas não com a alma”, afirma o pesquisador.

Em parte alguma
Como descrever esta cena sem usar a palavra ‘azul’?

A pesquisa de Gladstone inspirou o filósofo e linguista alemão Lazarus Geiger, que se perguntou se o fenômeno se repetia em outras culturas.

Ele descobriu que sim: no Alcorão, em antigas histórias chinesas, em versões antigas da Bíblia em hebraico, nas sagas islandesas e até nas escrituras hindus, as Vedas.

“Esses hinos de mais de dez mil linhas estão cheios de descrições do céu. Quase nenhum tema é tratado com tanta frequência. O sol e o início da madrugada, o dia e a noite, as nuvens e os relâmpagos, o ar e o éter, tudo isso é contado”, afirma Geiger.

“Mas uma coisa que ninguém poderia sabia por meio dessas canções é que o céu é azul.”

Geiger também notou que houve uma sequência comum para o surgimento da descrição de cores nas línguas antigas. Primeiro, aparecem as palavras para preto e branco ou escuro e claro – do dia e da noite -; logo, vem o vermelho – do sangue -; depois, é a vez do amarelo e do verde e, só ao final, surge o azul.

Mas por que o azul não apareceu antes?

“E por que deveria?”, questiona o psicólogo Jules Davidoff, diretor do Centro para Cognição, Computação e Cultura da Universidade de Londres. “Por que precisariam do azul para descrever algo? Quem disse que o mar e o céu são azuis? Por acaso, eles têm a mesma cor?”

Cognição
Além de não ser um objeto, o mar não é sempre azul, apesar de ser tradicionalmente representado assim

Davidoff dedica-se à neuropsicologia cognitiva e a investigar a forma como reconhecemos objetos, cores e nomes. Ele fez experimentos com uma tribo da Namíbia, na África, cuja linguagem não tem uma palavra para o azul, mas possui várias para diferentes tipos de verde.

Quando mostrou a integrantes da tribo 11 quadrados verdes e um azul, não puderam achar qual era diferente, mas, se em vez de azul, o quadrado fosse de um tom de verde levemente diferente e dificilmente notado pela maioria das pessoas, era destacado imediatamente.

Na verdade, poucas coisas na natureza são azuis: uma ou outra flor de orquídea, as asas de algumas borboleta, as plumas de certas aves, a safira e a pedra luz.

No entanto, Homero estava na Grécia, um lugar que para muitos é mercado pelo azul do céu e do mar. Como podiam ignorar essa cor?

Em seus estudos, Deutscher recorreu à filha, Alma, que estava aprendendo a falar na época. Como qualquer outro pai, ele brincava com ela e a ensinava o nome de diferentes cores.

Teve, então, uma ideia para verificar o quão natural é o azul na linguagem e entender como as civilizações antigas, especialmente as que viviam no Mar Mediterrâneo, não deram um nome para a cor do céu.

Ele ensinou a Alma todas as cores, inclusive azul, mas fez com que ninguém lhe dissesse de que cor era o céu. “Quando tive certeza de que sabia usar a palavra ‘azul’ para os objetos, sai com elas em dias de céu azul e perguntei qual era sua cor.”

Por muito tempo, Alma não respondeu. “Ela respondia imediatamente a tudo mais, mas, com o céu, olhava e parecia não entender do que eu estava falando”, conta Deutscher.

“Certa vez, quando já estava muito segura e confortável com todas as cores, ela me respondeu, dizendo primeiro ‘branco’. Foi só depois de muito tempo e após ver cartões-postais em que o céu aparecia azul que usou essa cor para descrevê-lo.”

Necessidade
Foi assim que sua filha ensinou a ele que nada é tão óbvio quanto pensamos. “Entendi com meu coração, observando uma pessoa, não lendo livros ou pensando em povos de um passado remoto”, afirma o pesquisador.

“E Alma nem sequer estava na mesma situação dos povos antigos: ela conhecia a palavra azul e, no entanto, não a usou para o céu. Compreendi que não é uma necessidade de primeira ordem dar um nome para a cor do céu. Não se trata de um objeto.”

O mesmo ocorre com o mar: assim como o céu, não tem sempre a mesma cor e, acima de tudo, não é um objeto, por isso não há motivo para “pintá-lo” com uma palavra.

“Nada mudou em nossa visão. Há séculos, somos capazes de ver diferentes tons, mas não temos as mesmas necessidades”, afirma o especialista. “Era perfeitamente normal dizer que o mar era preto, porque, quando está azul escuro, parece preto, e isso é suficiente nesta época. Uma sociedade funciona bem com o preto, o branco e um pouco de vermelho.”

Então, por que começamos a dizer que determinadas coisas são azuis?

“Conforme as sociedades avançam tecnologicamente, mais se desenvolve a gama de nomes para cores. Com uma maior capacidade de manipulá-las e com a disponibilidade de novos pigmentos, surge a necessidade de uma terminologia mais refinada”, afirma Deutscher.

“A cor azul é a última, porque, além de não ser encontrada tão comumente na natureza, levou muito tempo para fazer este pigmento.”

Os egípcios antigos tinham o pigmento azul e uma palavra para nomeá-lo, por exemplo, pois se tratava de uma “sociedade sofisticada”.

“O que importa não é tanto a época em que viveram, mas seu nível de progresso tecnológico. É aí que está a correlação com o volume do vocabulário para cores.”

Mas não há no hebraico bíblico a palavra “kajol”, que significa azul?

“Sim, mas essa palavra significava ‘preto’. Tem a mesma raiz da palavra álcool, e o ‘kohol’ era um cosmético em pó feito com antimônio que as mulheres usavam para pintar os olhos e era preto.”

Pouco a pouco, o termo foi mudando até assumir o significado que tem hoje no hebraico moderno. E este não é único caso, segundo o especialista.

“O mesmo aconteceu com a palavra ‘kuanos’ em grego. Homero a usa, mas significa preto ou escuro. Foi só depois que passou a significar ‘azul’.”

O que são e por que existem aquelas manchinhas flutuantes na nossa visão?

Eu devia ter uns 12 anos, em um almoço de família na casa da minha avó, quando decidi perguntar o que eram “aquelas coisinhas que eu via flutuando diante dos meus olhos”. Eu era só uma criança curiosa, não sabia explicar muito bem o que eu tava enxergando e não existia nenhuma forma de demonstrar o formato daquelas coisinhas….
Se eu pegasse um papel e um lápis pra desenhar, provavelmente pensariam que eu estava com uma doença gravíssima na visão, inclusive até hoje eu lembro da cara que todos meus familiares fizeram, tentando entender do que eu estava falando e me julgando como se eu fosse uma criança x-men, cogitaram até me levar no médico, mas como isso nunca aconteceu, vivi até hoje sem saber do que se tratavam as coisinhas flutuantes…

Mais de uma década depois, esse mundo mágico chamado internet me trouxe a resposta tão esperada: moscas volantes. É assim que chamam essas coisinhas que passaram a vida sambando nos meus olhos sem eu saber exatamente o que elas eram!!
No vídeo abaixo (ative as legendas do youtube), você vai entender melhor o que são essas coisinhas:

Cidades submarinas e arranha-céus subterrâneos: a vida dentro de 100 anos

Um grupo de arquitetos e cientistas sugere que a vida nas cidades daqui a cem anos pode envolver drones que carregam uma casa inteira, alimentos que podem ser “impressos” em casa, cidades submarinas e prédios gigantes e subterrâneos.

A equipe é formada por arquitetos da companhia SmartThings, que pertence à gigante de tecnologia Samsung, e professores da Universidade de Westminster, na Grã-Bretanha. E as previsões estão no relatório SmartThings Future Living Report.

Cidades submarinas e arranha-céus subterrâneos: a vida dentro de 100 anos

Para especialistas, o fundo dos oceanos será um bom lugar para construir ‘cidades-bolhas’

De acordo com as previsões do relatório, em 2116 as pessoas poderão viver em “cidades-bolhas” submarinas, no fundo dos oceanos.

Nestas cidades no fundo do mar, haverá tecnologias de construção rápida e aviões não tripulados, segundo os cientistas.

“Vamos procurar melhores lugares para construir e fazer no fundo do mar faz muito sentido”, disse à BBC Maggie Aderin-Pocock, cientista espacial e uma das autoras do estudo.

Aderin-Pocock explicou à BBC que viver nestas cidades no fundo do mar “será como viver em torres submarinas, cercadas de água”.

Vida subterrânea
No relatório, os especialistas também explicam como em apenas cem anos os arranha-céus poderão também ser construídos para baixo, avançando embaixo da terra com 25 andares ou mais no subsolo.

Para especialistas, o fundo dos oceanos será um bom lugar para construir 'cidades-bolhas'

Cidades submarinas e arranha-céus subterrâneos: a vida dentro de 100 anos

Aderin-Pocock afirmou que “necessitaremos de novos espaços para viver à medida que as cidades crescem”.

A tecnologia de hologramas também terá avanços e as reuniões virtuais ficarão cada vez mais comuns.

Outra conclusão dos pesquisadores é que os drones vão se transformar em um novo meio de transporte. Na verdade, estas aeronaves serão utilizadas para carregar casas inteiras pelo mundo, o que os cientistas chamaram de “mulas” futuristas.

“Viajaremos pelo céu com nossos próprios drones pessoais e alguns serão tão potentes que poderão transportar casas inteiras pelo mundo todo quando sairmos de férias”, afirmou a cientista britânica à BBC.

O relatório também prevê grandes avanços no uso de impressoras 3D. O progresso será tão grande que as pessoas não apenas vão fabricar objetos em casa, como móveis, por exemplo, mas também residências inteiras e até alimentos, que poderão ser “baixados” da internet em questão de segundos.

“Parece ficção científica, mas é algo que, de fato, está acontecendo agora”, disse Aderin-Pococok.

Cidades submarinas e arranha-céus subterrâneos: a vida dentro de 100 anos

Cidades submarinas e arranha-céus subterrâneos: a vida dentro de 100 anos

“Recentemente houve uma exposição na China na qual foram construídas dez casas de um quarto cada uma em 24 horas usando apenas concreto e impressoras 3D”, acrescentou.

A cientista afirmou que a ideia, em relação a alimentos impressos, é que os usuários possam escolher os pratos dos melhores chefs e imprimir os alimentos em casa de acordo com sua dieta ou interesse.

“A revolução dos smartphones já marcou o começo da revolução da casa inteligente, que terá implicações muito positivas em nossa forma de viver”, disse o responsável pela SmartThings na Grã-Bretanha, James Monighan.

Medicina e espaço
O relatório faz previsões tanto para a saúde individual como para viagens e colonização interplanetária.

Por exemplo: daqui a cem anos as pessoas poderão ter em casa dispositivos que confirmarão se elas estão mesmo doentes e fornecerão remédios ou entrarão em contato com um médico, se for necessário.

O relatório também sugere que o progresso na tecnologia espacial vai fazer com que seja possível para que os humanos iniciem colônias fora da Terra, “primeiro na Lua, em Marte e depois outros lugares mais além na galáxia”.

“Há cada vez mais pessoas vivendo em grandes cidades e temos que conseguir gerenciar estas cidades no futuro”, afirmou Aderin-Pocock.

“É questão de pensar de forma criativa e apresentar ideias originais. Pode ser que algumas destas ideias aconteçam e que outras não, mas é bom especular e pensar o que poderia acontecer”, disse.

“Há dez anos a tecnologia das coisas era inconcebível. E nossas vidas hoje em dia são irreconhecíveis para quem viveu há um século.”

Quantas bactérias vivem no seu corpo? Apenas 40 trilhões, segundo estudo

Existem muitas bactérias dentro e fora dos nossos corpos — isso é o que chamamos de nosso microbioma. Calcular exatamente quantos micróbios cada pessoa carrega não é uma tarefa fácil e o número mais citado tanto na literatura científica quanto na popular muito provavelmente está errado.

Em 1972, Thomas D. Luckey publicou um artigo na revista científica The American Journal of Clinical Nutrition, no qual escreveu que um homem adulto carrega cerca de 100 trilhões de bactérias no sistema digestivo, além de mais um trilhão sobre a pele. O texto não explicava como havia chegado a esses números.

Quantas bactérias vivem no seu corpo? Apenas 40 trilhões, segundo estudo

Quantas bactérias vivem no seu corpo? Apenas 40 trilhões, segundo estudo

Outro cientista, D.C. Savage, citou Luckey em uma revisão escrita em 1977, afirmando que “o organismo humano normal é composto por mais de 1014 células, das quais apenas 10 por cento são células animais”. Então ele utilizou o número de Luckey, 100 trilhões, para o total de bactérias, e acrescentou que um décimo desse total — ou 10 trilhões — seriam de fato células humanas.

Esse valor arredondado ganhou força e a frase “10 vezes mais células microbianas do que células humanas” passou a ser muito repetida, como pode ser visto no site do Projeto do Microbiota Humano dos Institutos Nacionais de Saúde, onde presumivelmente eles entendem alguma coisa sobre o microbioma.

Uma estimativa recente calcula que o total de células humanas seja de 37,2 trilhões, mas ainda assim a proporção proposta por Savage sobreviveu. Utilizando a fórmula do 10 para 1, o número estimado de bactérias seria de 372 trilhões, e foi aí que a história parou.

Mas um novo grupo de cientistas israelenses concluiu que 372 trilhões não pode estar certo. A nova análise foi publicada na edição de 28 de janeiro a revista Cell, com mais detalhes e cálculos disponíveis online.

Utilizando um micrômetro cúbico como o volume de uma única bactéria, eles fizeram sua estimativa com base nos órgãos que contêm os micróbios, bem como na provável concentração de bactérias em cada lugar. Os pesquisadores estimam que no intestino grosso, onde vive a maior parte do nosso microbioma, existam 39 trilhões de células bacterianas. Outros lugares – a pele, a boca, o intestino delgado e o estômago — contêm poucas bactérias, que correspondem a uma parte bem pequena do total.

Por que esse conhecimento é relevante? “Às vezes não se pode responder a essa pergunta, mas é importante se habituar a usar os números mais precisos. Se podemos fazer uma estimativa melhor hoje do que há 10 anos, esse esforço vale a pena”, afirmou Shai Fuchs, um dos autores.

Fuchs e os coautores do trabalho, Ron Milo e Ron Sender, escreveram a análise quando ele cursava o doutorado no Instituto Weizmann de Ciências em Israel.

Naturalmente, isso ainda é apenas uma estimativa, levando-se em conta o corpo de um homem de 20 a 30 anos, 70 quilos e 1,70 metro. O tamanho do microbioma varia com a idade, o sexo, a altura e o peso da pessoa, além de mudanças de uma hora do dia para a outra: a cada vez que uma pessoa defeca ela libera cerca de um terço das bactérias presentes no cólon.

Contudo, concluíram os pesquisadores, a estimativa realista da quantidade de micróbios que vive no corpo humano é de cerca de 40 trilhões — um número similar ao de células humanas.

Experimento vê ondas gravitacionais, fenômeno previsto por Einstein

Abalo no espaço e no tempo foi provocado por colisão de buracos negros.
Fenômeno foi antecipado pela Teoria da Relatividade Geral, há cem anos.

Um consórcio internacional de cientistas anunciou nesta quinta-feira (11) a primeira detecção de ondas gravitacionais, um fenômeno previsto pelo físico Albert Einstein há exatos cem anos, mas que nunca havia sido observado.
“Nós detectamos ondas gravitacionais. Nós conseguimos”, afirmou David Reitze, diretor do projeto, em uma entrevista coletiva na manhã desta quinta, em Washington.
O que os pesquisadores do projeto Ligo (Laser Interferometer Gravitational-Wave Observatory) encontraram essencialmente foram “distorções no espaço e no tempo” causadas por um par de objetos com massas enormes interagindo entre si.
Neste caso específico, os cientistas acreditam que o evento observado seja fruto da interação entre dois enormes buracos negros.
O QUE FOI DESCOBERTO?
Observando a interação de dois buracos negros (objetos do universo com gravidade extremamente forte) os pesquisadores registraram, pela primeira vez, as ondas de distorçãoprovocadas pela força gravitacional no espaço e no tempo
Quando elaborou sua teoria da Relatividade Geral, Einstein afirmou que a gravidade é uma força de atração que age distorcendo o espaço e o tempo — espaço e tempo, em sua concepção são uma coisa só. Quando há uma interação de objetos muito maciços, para os quais a força da gravidade é muito grande, eles produzem ondas que se propagam no espaço.

As ondas gravitacionais estão para a gravidade assim como a luz, uma onda eletromagnética, está para o magnetismo e a eletricidade, forças capazes de gerar luminosidade.
Oscilação sutil

A detecção de ondas gravitacionais, porém, requer aparelhagem capaz de perceber oscilações muito mais sutis do que a luz. O Ligo consiste em dois enormes detectores de cerca de 4 km de extensão nos estados de Washington e Louisiana, nos EUA, operando conjuntamente.

Simulação ilustra colisão de buracos negros como aquela detectada pelo projeto Ligo (Foto: Andy Bohn et al.)

Simulação ilustra colisão de buracos negros como aquela detectada pelo projeto Ligo (Foto: Andy Bohn et al.)

O Ligo em si começou a funcionar em 2002, depois de outros experimentos iniciais, e sua sensibilidade vem sendo aprimorada desde então. Só com um aprimoramento maior realizado no ano passado, porém, foi possível detectar um primeiro evento.

A colisão de buracos negros registrada pelo projeto foi detectada em 14 de setembro. Cada um dos dois objetos pesava cerca de 30 vezes a massa do Sol, e o fenômeno ocorreu a 1,3 bilhão de anos-luz.

Os buracos negros em colisão detectados pelo experimento são essencialmente estrelas mortas que implodiram dentro de sua própria força gravitacional. Esses objetos são escuros porque têm uma força de atração de gravidade tão grande que capturam até a luz.

O custo do projeto Ligo foi estimado em US$ 620 milhões. O projeto foi uma iniciativa conjunta do Caltech (Instituto de Tecnologia da Califórnia) e do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts). Ao longo dos 40 anos que se passaram entre a construção do primeiro detector e a detecção das primeiras ondas gravitacionais, outros centros de pesquisa se juntaram à iniciativa.

No Brasil, físicos do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) e do IFT-Unesp (Instituto de Física Teórica da Universidade Estadual Paulista) participaram do projeto.


ENTENDA AS ONDAS GRAVITACIONAIS EM 7 PASSOS

1) Na teoria da Relatividade de Einstein, o espaço e o tempo são uma coisa só: o espaço-tempo

2) O espaço-tempo, para a Relatividade, não é uma entidade fixa, mas maleável

3) Quando um astro de grande massa oscila, sua gravidade cria ondas no espaço-tempo, da mesma forma que um barco chacoalhando cria ondas na água

4) Essas ondas gravitacionais, porém, são minúsculas, com milionésimos de milionésimos de milímetros

5) O Ligo, um experimento engenhoso nos EUA, foi capaz de capturar pela primeira vez a oscilação de ondas gravitacionais

6) A fonte das ondas detectadas pelo experimento eram dois buracos negros que giravam em torno um do outro e colidiram

7) A descoberta é importante porque consolida a teoria de Einstein e porque astrônomos podem agora estudar alguns fenômenos que não são visíveis pela luz


Nobel à vista
A magnitude do projeto e a importância das ondas gravitacionais para a compreensão atual da física sobre a natureza do espaço são fatores que devem pesar na concessão de um prêmio Nobel aos físicos que elaboraram o experimento.

 Físico Rainer Weiss estica tela para ilustrar como ondas gravitacionais distorcem o espaço (Foto: NSF)


Físico Rainer Weiss estica tela para ilustrar como ondas gravitacionais distorcem o espaço (Foto: NSF)

Entre os nomes a serem apontado provavelmente estão Kip Thorne, do Caltech, e Rayner Weiss, do MIT, idealizadores da tecnologia por trás do usada no experimento.
Weiss esteve presente na entrevista coletiva explicando como conseguiu isolar as oscilações do

 

 

“Nós precisávamos de uma precisão de 10 elevado a -18, o que é um milésimo do tamanho do núcleo de um átomo”, afirmou. “É como você pegar um metro e dividir por um milhão, três vezes seguidas.”

Thorne, do Caltech, também compareceu ao anúncio em Washington, e explicou como foi a colisão de buracos negros que gerou as ondas gravitacionais detectadas pelo Ligo.

“Isso foi como uma tempestade que durou apenas 25 milissegundos, mas muito poderosa”, afirmou. “A taxa de energia liberada pelo evento foi 25 vezes maior do que o poder de todas as estrelas do Universo juntas. Como o evento foi muito breve, porém, a força total do evento não foi muito grande, e era equivalente ‘apenas’ à destruição de três sóis.”

O terceiro criador do Ligo, Ronald Drever, do Caltech, não compareceu ao anúncio por problemas de saúde.

Vista aérea das instalações do experimento Ligo em Livingston, na Louisiana (Foto: MIT/Caltech)

Vista aérea das instalações do experimento Ligo em Livingston, na Louisiana (Foto: MIT/Caltech)

Tecnologia de precisão
O Ligo é composto de interferômetros, que são conjuntos de espelhos e filtros de luz desviando feixes de laser até um detector. As ondas gravitacionais são percebidas por meio de fracas vibrações que causam no espaço-tempo, fazendo os espelhos oscilarem.

Como os componentes de cada interferômetro estão afastados por mais 4 km de distância, uma ínfima vibração nos espelhos faz a frequência do laser se desalinhar, revelando o efeito das ondas gravitacionais sobre esses objetos.

Para evitar que o experimento sofresse com a vibração e ruido normal presentes no solo, os cientistas construíram os interferômentros em um sofisticado sistema de pêndulos para absorver esses impactos. O físico Odylio Aguiar, do Inpe, participou do projeto dos amortecedores na atual configuração do Ligo.

Para evitar que ruído fosse considerado sinal, além disso, o Ligo construiu dois interferômetros muito distantes um do outro, um em Washington e outro na Louisiana. Assim, os cientistas sabiam que se ambos capturassem o mesmo sinal sob uma determinado intervalo de tempo, a detecção dificilmente poderia ser atribuída a vibrações espúrias.

O experimento operou inicialmente de 2002 a 2010, porém sem captar nenhum sinal. Depois de aprimoramentos feitos para aumentar sua sensibilidade, porém, o Ligo capturou um evento interessante, poucos dias depois de ter sido religado.

Sinal e ruído
Mesmo com toda a parafernália experimental, separar o sinal de ruídos que afetavam o experimento não era algo simples. O físico Riccardo Sturani, da Unesp, trabalhou por oito anos com a equipe responsável por filtrar os sinais do Ligo.

Abalo no espaço e no tempo foi provocado por colisão de buracos negros. Fenômeno foi antecipado pela Teoria da Relatividade Geral, há cem anos.

Abalo no espaço e no tempo foi provocado por colisão de buracos negros.
Fenômeno foi antecipado pela Teoria da Relatividade Geral, há cem anos.

“A detecção em 14 de setembro foi inesperada porque o Ligo já tinha tomado dados no passado e tinha acabado de recomeçar os trabalhos”, afirmou. “Mesmo com uma sensibilidade 3 vezes melhor, a previsão teórica sobre as fontes dos sinais de ondas gravitacionais não era muito promissora.”

Segundo Sturani, outros grandes experimentos similares ao Ligo devem começar a operar nos próximos anos, e isso permitirá aos cientistas fazer coisas como localizar fontes das ondas gravitacionais com mais precisão.

Astrônomos não foram capazes de localizar ainda onde ocorreu a colisão de buracos negros detectada pelo experimento, porque para isso seriam necessários três grandes interferômetros, e o Ligo só possui dois. A única coisa que se sabe é que o evento detectado ocorreu no céu do hemisfério sul.

A possibilidade de observar o céu em ondas gravitacionais agora, e não apenas em ondas eletromagnétcias, como a luz, abre a perspectiva de descoberta de fenômenos antes invisíveis para os astrônomos.  “É como se você pudesse ouvir depois de uma vida de surdez”, afirmou.

 

5 perguntas e respostas sobre as ondas gravitacionais

Cientistas conseguiram demonstrar a existência delas, cem anos após a Teoria da Relatividade, de Einstein

Albert Einstein formulou, com sua Teoria da Relatividade Geral, a existência das ondas gravitacionais. Mas a comunidade científica teve de esperar cem anos até conseguir dar razão, com provas, a uma das mentes mais brilhantes do século XX.

Era o último desafio pendente da Teoria da Relatividade Geral, que Einstein formulou em 1915. A Universidade das Ilhas Baleares, na Espanha, uma das envolvidas na colaboração científica LIGO, oferece em sua página na web algumas respostas para entender o que são e para que servem as ondas gravitacionais.

O que são as ondas gravitacionais?

Previstas por Einstein há 100 anos, ondas gravitacionais detectadas pela primeira vez.


A existência destas ondas era a derradeira previsão ainda por confirmar da Teoria da Relatividade Geral. Agora, dois detectores muito especiais nos EUA apanharam uma a passar pela Terra.

Usando uma metáfora, a universidade as define como “ondas no oceano cósmico”. Einstein descobriu com a Teoria da Relatividade que os objetos que se movem no Universo produzem ondulações no espaço-tempo – uma espécie de tecido no qual se desenvolvem todos os eventos do Universo – as quais se propagam pelo espaço. Estas são as ondas gravitacionais.

Para que serve tê-las detectado?

As ondas gravitacionais são “uma nova janela ao Universo”. Graças a elas é possível entender os mecanismos de algumas das ocorrências mais violentas do Cosmo, como as colisões entre buracos negros ou as explosões de estrelas. Se poderia inclusive estudar o que ocorreu um milionésimo de segundo depois do Big Bang.

As ondas gravitacionais são “uma nova janela ao Universo”. Graças a elas é possível entender os mecanismos de algumas das ocorrências mais violentas do Cosmo, como as colisões entre buracos negros ou as explosões de estrelas. Se poderia inclusive estudar o que ocorreu um milionésimo de segundo depois do Big Bang.

Também marcarão o início de uma nova era na astronomia porque o Universo é quase transparente para elas, o que permitirá observar fenômenos astrofísicos que de outra maneira permaneceriam ocultos – a formação de buracos negros ou como se comporta a matéria en condições extremas.

Mas, por que são tão importantes para explorar o Universo?

O conhecimento do Cosmos se realiza agora, principalmente, por meio da radiação eletromagnética (luz). Com elas se pode “ver”, enquanto que com as ondas gravitacionais seria como “ouvir”, o que permitiria passar através dos objetos que existem entre a Terra e o outro extremo do Universo, porque as ondas atravessam tudo.

Por que se demorou tanto a saber de sua existência?

Durante décadas, esse novo tipo de ondas foi quase ignorado. Alguns cientistas duvidavam de sua existência e outros pensavam que eram tão fracas que nunca poderiam ser detectadas. Mas, na década de 1970, a descoberta dos pulsares – estrelas de nêutrons que emitem luz enquanto giram – levou à primeira evidência indireta de sua existência. Além disso, os efeitos das ondas gravitacionais são tão pequenos que é necessário detectores gigantescos para tentar encontrá-las.

Como são estes detectores?

São enormes instalações que usam uma tecnologia chamada interferometria laser. O maior deles é o Observatório de interferometria laser de ondas gravitacionais (Ligo) nos Estados Unidos. Outros detectores são o Virgo, na Itália, e o GEO600, na Alemanha.

Até agora, os detectores estão na superfície terrestre, mas em um futuro se situarão debaixo da terra e a missão eLisa da Agência Espacial Europeia (ESA) vai colocar um detector no espaço, o que permitirá detectar ondas gravitacionais em uma gama diferente de frequências.

As ondas gravitacionais “contêm a promessa do desconhecido”, assegura a página da colaboração científica Ligo, pois “cada vez que os humanos olharam para o Cosmo com ‘olhos’ novos descobriram algo inesperado que revolucionou a forma como vemos o Universo e nosso lugar nele”

Físicos americanos anunciam detecção de ondas gravitacionais

Os sinais eram buscados por cientistas há 100 anos, desde que Albert Einstein as previu em sua teoria da relatividade geral

SÃO PAULO – Cientistas dos Estados Unidos anunciaram nesta quinta-feira, 11, uma descoberta histórica: pela primeira vez foram detectadas as ondas gravitacionais previstas por Albert Einstein em sua Teoria Geral da Relatividade, publicada há cem anos.

Observatórios nos Estados Unidos analisaram dois buracos negros que giraram um em torno do outro, ficando cada vez mais próximos

Observatórios nos Estados Unidos analisaram dois buracos negros que giraram um em torno do outro, ficando cada vez mais próximos

 

“Estamos detectando ondas gravitacionais. Nós conseguimos”, anunciou David Reitze, um dos coordenadores do projeto Laser Interferometer Gravitational-Wave Observator (Ligo), nos Estados Unidos, na sede da NSF, a agência americana de financiamento à pesquisa.

As pesquisas tiveram participação de mais de mil cientistas de 14 países, incluindo grupos brasileiros liderados por Odylio Aguilar, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), e por Riccardo Sturani, do Centro Internacional de Física Teórica, da Universidade Estadual Paulista (Unesp).

Segundo Reitze, as ondas gravitacionais foram observadas em 14 de setembro, em dois detectores localizados a 3 mil quilômetros um do outro, em Hanford, Washington, e Livingstone, Luisiana. De acordo com ele, a descoberta abre uma nova “janela para o Universo”. “O sinal detectado foi exatamente o previsto por Einstein. Mas estamos mesmo animados é com o que virá agora. É algo grandioso, porque, além de confirmar as previsões de Einstein, também poderemos detectar coisas que nem são esperadas.”

Gabriela González, responsável pelo programa Ligo na Universidade da Luisiana, explica que os físicos, até agora, usam o espectro eletromagnético – que inclui a luz visível, o raio X e o infravermelho, por exemplo – para fazer suas descobertas. Mas o novo experimento prova que também é possível estudar o Universo a partir de outros tipos de ondas existentes.

Cientistas observaram dois buracos negros que giraram um em torno do outro, ficando cada vez mais próximos

Cientistas observaram dois buracos negros que giraram um em torno do outro, ficando cada vez mais próximos

“Se podemos detectar ondas gravitacionais, talvez possamos descrever fenômenos que não emitem ondas eletromagnéticas suficientemente significativas para serem observadas. Antes nós víamos o Universo. Agora, nós começamos a ouvi-lo”, disse Gabriela.

“Em 14 de setembro, tudo mudou”, disse o físico Kip Thorne, um dos responsáveis pela criação do Ligo, nos anos 1990. “Graças a essa descoberta, a humanidade embarca na maravilhosa exploração dos lugares mais extremos do Universo.” À BBC, o físico Stephen Hawking disse que a descoberta é um divisor de águas e tem potencial para “revolucionar a astronomia.”

Buracos negros. No fim de 1915, Einstein revolucionou a física ao propor que a gravidade não é uma força de atração, mas uma distorção no tecido do tempo-espaço produzida por objetos que possuem massa.

Segundo a teoria, a distorção causada por corpos muito grandes e acelerados deveriam produzir ondas no espaço-tempo, de maneira semelhante às ondulações produzidas por uma pedra atirada na água. Mas a detecção dessas ondas gravitacionais era quase impossível, já que são minúsculas, com amplitude milhares de vezes menor que o comprimento de um próton.

Para conseguir a façanha, os cientistas observaram dois buracos negros que giraram um em torno do outro em uma galáxia distante, a 1,3 bilhão de anos-luz da Terra. Os dois corpos, com massa cerca de 30 vezes maior que a do Sol, aproximaram-se até se fundirem, gerando – por uma fração de segundo – uma grande emissão de ondas gravitacionais, cujos ecos foram “ouvidos”. Além de observar as ondas, o experimento foi o primeiro na história a detectar um sistema binário de buracos negros em colisão.

Segundo George Matsas, do Instituto de Física Teórica da Unesp, para detectar as sutis ondas emitidas há mais de um bilhão de anos, foi preciso ter um detector com extrema sensibilidade. “Como a distância é incrível, a amplitude da onda cai de forma incrível. Por isso era necessário tanta precisão.”

Quem é o “assassino de Plutão” que agora busca o suposto nono planeta?

A ironia, não a alegria, foi o sentimento que correu entre os cientistas e entusiastas da astronomia após o estudo que apontou “a mais forte evidência” de que o nosso Sistema Solar pode ter novamente um nono planeta. O motivo é que o mesmo responsável por “assassinar Plutão” agora é coautor do estudo que busca instigar a entrada de um novo inquilino longínquo. Seu nome é Mike Brown. Mas quem é o astrônomo que mais provoca “confusões” nas pesquisas planetárias nos últimos anos? Além de um grande cientista, também é bom pai, ama gatos, usa meias fofas…

Mike Brown não se importa em ter matado Plutão, mas pode compensar quem odeia ele com um novo planeta

Mike Brown não se importa em ter matado Plutão, mas pode compensar quem odeia ele com um novo planeta

Para se ter uma noção do quanto Mike Brown é respeitado, basta dizer que há até um asteroide nomeado em sua homenagem. O 11714 Mikebrown é conhecido por ser excêntrico e não muito brilhante. A primeira característica pode até coincidir com o astrônomo, mas a segunda não condiz com a realidade – Brown já descobriu 36 objetos além de Netuno, sendo três já considerados planetas-anões (Éris, Makemake e Haumea). Ele é conhecido como caçador de planetas e parece até que sua missão é ter um planeta para chamar de seu.

A estatística de descobertas faz dele “o cara” para encontrar o novo planeta, correto? Não necessariamente. “Não creio que só eu possa achar o planeta. Para mim, muitas, muitas pessoas têm uma boa chance de achar ele”, diz Mike Brown em entrevista, de forma humilde.

Gatos e piadas

O astrônomo americano de 50 anos nascido no Alabama e formado na Universidade de Princeton é um caso à parte para quem imagina que cientistas podem ser “entediantes”. É só checar o Twitter de Mike Brown. O nome de usuário (@plutokiller, “assassino de Plutão”) já diz muito. Mas a interação com os internautas vai muito além. Piadista e carismático, conta com mais de 30 mil seguidores, que se divertem com as constantes brincadeiras entre seus 12 mil tweets, que, segundo ele, servem para “engajar, educar e conectar”.

Mike Brown e um de seus gatos: astrônomo posta várias fotos do felino no Twitter

Mike Brown e um de seus gatos: astrônomo posta várias fotos do felino no Twitter

No dia do anúncio de sua mais recente descoberta, por exemplo, compartilhou entre os seguidores uma foto de um desenho de sua filha em que o pai encontrava o planeta e nomeava em sua homenagem, Lilah. Uma semana depois, contudo, o tema já era mais do que brincadeira. “Esqueça o Planeta Nove: meu fisioterapeuta disse que eu finalmente posso tentar nadar para testar meu ombro hoje. Que dia memorável”, escreveu.

Em conversas com seguidores no fórum interativo Reddit, pede: “podem me perguntar qualquer coisa, inclusive sobre gatos. Especialmente sobre gatos” – fotos do felino são uma constante na rede social. Os detalhes sobre sua vida são muito compartilhados: desde caixas de cookies vendidas pela filha até fotos da meia do dia fofa que está usando. O cara realmente sabe ser midiático e encanta até quem o odeia por ter rebaixado Plutão.

Vida e morte de Plutão

“As pessoas em geral definitivamente parecem mais felizes com este estudo de agora”, admite, em tom de brincadeira, o astrônomo. Realmente: o rebaixamento de Plutão não agradou muita gente. O culpado foi o próprio Mike Brown: a descoberta de Éris pelo astrônomo em uma região próxima do ex-nono planeta levou a IAU (União Internacional de Astronomia) à uma encruzilhada: ou elevava Éris a planeta ou rebaixava Plutão. A decisão foi rebaixar Plutão a planeta-anão. Foi Brown quem primeiro propôs que um planeta deveria ser “qualquer corpo cuja massa é maior do que a total dos outros corpos celestes em volta”, o que não ocorria com Plutão.

Mas Mike não se importa com os críticos e “viúvas” do ex-planeta. Pelo contrário: samba na cara deles. Não à toa, seu nome no Twitter é o citado Pluto Killer. O astrônomo ainda escreveu um livro em que conta detalhadamente como foi o “crime”: ‘How I Killed Pluto and Why It Had It Coming’ (Como matei Plutão e porque ele mereceu, em tradução livre) caiu no gosto de editores de literatura e foi recomendado por jornais como o The Wall Street Journal e o New York Times.

A questão Plutão ainda é alvo de muita polêmica, mas cada vez mais os astrônomos se conformam com a reclassificação. Na época da discussão quente sobre o tema, um grupo, liderado pelo astrônomo da Nasa (Agência Espacial Norte-Americana) Alan Stern, chegou até a criar uma petição para a volta de Plutão à categoria de planetas, mas nada feito. Para Brown, o planeta nove é só mais uma prova de que a decisão foi correta. “A maioria dos astrônomos concorda comigo, só há uma pequena, mas barulhenta, minoria. Aquela foi com certeza a melhor decisão. Acredito que o próprio Planeta Nove mostra isso”, conta.

Caçador de planetas

Entre os curiosos termos que usa para se definir no Twitter, um se destaca: “caçador de planetas”. Talvez nada pode definir melhor Mike Brown, que já “bateu na trave” com as descobertas de vários objetos grandes que se tornaram outros corpos celestes. É daí que vem o respeito do professor do Instituto de Tecnologia da Califórnia, citado por outros astrônomos.

“Eu não sei se é o maior (astrônomo), mas é um dos maiores especialistas do espaço além de Netuno, de procurar coisas que estão muito distantes. Tem que ser levado a sério”, opina Gustavo Rojas, astrônomo da Universidade de São Carlos.
“É um cara que está focado nessas coisas (descobertas de objetos longínquos), descobriu vários. Ele tem uma experiência muito grande nesse sentido”, diz o também astrônomo Rodney Gomes, do Observatório Nacional, que realizou um estudo anterior sobre um novo planeta semelhante ao do colega norte-americano.

A tal caça aos planetas pode tornar Mike Brown em um obsessivo? O próprio astrônomo assume que sim. “Nunca pensei desta maneira, mas pode ser que seja uma obsessão. E eu definitivamente acho que o sonho está próximo”, afirma. A obsessão é tamanha que ele criou um site onde discute opiniões sobre o assunto – até aponta “razões para a não existência do Planeta Nove”, mas sempre ressalta que acredita quase totalmente na existência dele.

Pode ser que o astrônomo, contudo, não tenha alcançado o resultado sem a ajuda de Konstantin Batygin, coautor do estudo que consumiu dois anos da vida de ambos. De origem russa, Batygin é considerado por muitos a “próxima estrela” da física, termo que o parceiro mais famoso corrobora. Mas o nome de Mike Brown entre os autores do estudo é o que rendeu manchetes ao redor do planeta. E, no fim, o “assassino de Plutão” pode ser o mesmo que “dará vida” a um novo planeta. Será perdoado, então?