Monthly Archives: Maio 2016

Marte está saindo de uma longa era glacial, aponta pesquisa

Marte está saindo de um longo período glacial, segundo medições feitas em suas camadas de gelo polar. Com isso, pode ser possível determinar quando o planeta vermelho foi habitável.

O estudo foi publicado nesta quinta-feira (26) na revista “Science”. Os pesquisadores, entre eles Isaac Smith, do Southwest Research Institute (Instituto de Pesquisa Southwest), em Boulder (Colorado), nos Estados Unidos, analisaram os dados e determinaram que o planeta está saindo da era do gelo há cerca de 370 mil anos.

Essa descoberta é baseada em observações feitas pelo radar da Nasa (agência espacial americana) localizado a bordo do satélite Mars Reconnaissance Orbiter, que mapeou a superfície marciana. A pesquisa permite uma melhor compreensão das variações do clima em Marte e suas diferenças em relação à evolução do clima da Terra.

Tal como na Terra, Marte também tem ciclos estacionários, embora esses sejam mais longos e afetem a distribuição de gelo. As estações também poderiam ser mais acentuadas no planeta vermelho, porque o eixo de rotação de Marte varia até 60 graus, por períodos que vão desde centenas de milhares a milhões de anos.

Em comparação com o eixo sobre o qual gira a Terra, o de Marte não varia mais do que dois graus nos mesmos períodos. Essa grande variedade de seu eixo de rotação determina a quantidade de luz solar que atinge várias latitudes sobre a superfície do planeta e determina a estabilidade do gelo. O superaquecimento, em latitudes médias, faz com que o gelo se acumule nos polos.

Graças a medições da espessura da calota polar, os pesquisadores estimaram que, desde o fim da última era glacial, cerca de 370 mil anos atrás, houve acumulo de cerca de 87 mil quilômetros cúbicos de gelo, principalmente no Polo Norte. Esse volume é equivalente a uma espessura de 60 cm, se a quantidade de gelo é distribuída uniformemente sobre toda a superfície do planeta.

Os resultados dessa pesquisa vai permitir o desenvolvimento de novos modelos climáticos tendo em conta o movimento do gelo entre os polos e as latitudes médias durante os ciclos climáticos. “O estudo glacial de Marte é importante para a exploração humana do planeta no futuro, como a água será essencial para estabelecer um conjunto de avançados habitável”, disse o professor Isaac Smith.

A Nasa deve realizar uma primeira missão tripulada ao planeta vermelho no início da década, em 2030.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Envolvido em corrupção, Congresso brasileiro é circo que tem até seu próprio palhaço

Um dos espetáculos há mais tempo em exibição no Brasil conta com um número desconcertante de personagens cuja teatralidade aparece em milhões de televisores quase toda noite.

Envolvido em corrupção, Congresso brasileiro é circo que tem até seu próprio palhaço

Mais da metade dos membros do Congresso enfrenta processos na Justiça, de casos envolvendo auditoria de contratos públicos até crimes sérios como sequestro ou homicídio, segundo o Transparência Brasil, um grupo que monitora a corrupção.

O elenco em constante mudança de 594 integrantes e inclui suspeitos de homicídio e tráfico de drogas, ex-jogadores de futebol, um campeão de judô, um astro sertanejo e uma coleção de homens barbados que adotaram papéis como líderes do movimento das mulheres.

O elenco até mesmo inclui um palhaço cujo nome significa “Zangado”.

Mas eles não são atores. Eles são os homens e mulheres que servem no Congresso nacional.

A democracia pode causar perplexidade e confusão, mas no mundo há pouco que se iguala ao Congresso brasileiro.

Enquanto a nação enfrenta sua pior crise política em uma geração, os legisladores que orquestraram a remoção da presidente Dilma Rousseff (que foi suspensa na quinta-feira e enfrenta um processo de impeachment sob acusação de manipulação do orçamento) estão sob novo escrutínio.

Mais da metade dos membros do Congresso enfrenta processos na Justiça, de casos envolvendo auditoria de contratos públicos até crimes sérios como sequestro ou homicídio, segundo o Transparência Brasil, um grupo que monitora a corrupção.

As figuras sob investigação incluem o presidente do Senado e o novo presidente da Câmara. Neste mês, o presidente anterior da Câmara, um comentarista de rádio evangélica que gosta de postar versos bíblicos no Twitter, foi afastado para ser julgado pela acusação de esconder até US$ 40 milhões em propinas em contas bancárias na Suíça.

Muitos dos problemas do Legislativo derivam das generosas recompensas proporcionadas pelo sistema partidário brasileiro de múltiplas cabeças como de uma hidra, uma coleção desajeitada de dezenas de partidos políticos cujos nomes e agendas com frequência deixam os brasileiros coçando suas cabeças.

Há o Partido da Mulher Brasileira, por exemplo, um grupo cujos membros eleitos no Congresso são todos homens.

“O processo eleitoral permite muitas distorções”, disse Suêd Haidar, a fundadora e presidente do partido. Ela suspirou, reconhecendo que muitos dos homens que ingressam têm pouco interesse em promover os direitos da mulher.

Um dos que se juntaram ao partido, o senador Hélio José da Silva Lima, foi acusado de abusar sexualmente de uma sobrinha menor de idade no ano passado, apesar das acusações terem sido posteriormente retiradas. “O que seria de nós, homens, se não fosse uma mulher ao nosso lado para nos trazer alegria e prazer?” ele foi citado como tendo dito à imprensa brasileira, quando perguntado sobre sua decisão de ingressar no partido das mulheres.

A mesma fúria pública com a corrupção endêmica e má gestão governamental que ajudou a retirar Dilma Rousseff do poder há muito é direcionado à cabala de políticos, a maioria homens brancos, cuja inclinação por acordos escusos e enriquecimento próprio já faz parte do folclore brasileiro.

“A reputação da classe política no Brasil realmente não tem como piorar”, disse Timothy J. Power, um professor de estudos brasileiros da Universidade de Oxford.

“As pessoas comparam o Legislativo à ‘House of Cards'”, ele disse, referindo-se à série política da Netflix, “mas eu discordo. ‘House of Cards’ é, na verdade, muito mais crível”.

Com 28 partidos ocupando cadeiras, o Congresso brasileiro é o mais dividido do mundo, segundo Power. O que fica em segundo lugar, o da Indonésia, tem um terço a menos de partidos.

“O Brasil não é atípico, é uma aberração”, disse Gregory Michener, diretor do programa de transparência pública da Fundação Getúlio Vargas, uma universidade no Rio de Janeiro.

Pesquisas mostram que mais de 70% dos brasileiros não conseguem se recordar a qual partido os candidatos que elegeram pertencem, e que dois terços do eleitorado não têm preferência por qualquer partido.

Mais importante, dizem os especialistas, é que a maioria dos partidos não abraça nenhuma ideologia ou agenda, e são simplesmente veículos para clientelismo e propina. Em um mandato típico de quatro anos, um entre três legisladores federais trocará de partido, alguns mais de uma vez, segundo um levantamento por Marcus André Melo, um cientista político da Universidade Federal de Pernambuco.

Os legisladores brasileiros estão entre aqueles com remuneração mais alta do mundo, dizem estudiosos, com quantias que vão além do salário mensal. Eles também recebem moradia e atendimento de saúde gratuitos, verbas para um grande número de funcionários de gabinete e foro privilegiado em caso de processos. Apenas o sobrecarregado Supremo Tribunal Federal pode julgá-los em processos criminais, algo que pode levar anos.

“A única coisa melhor do que ser um partido político no Brasil é ser uma igreja”, disse Heni Ozi Cukier, um cientista política da Escola Superior de Propaganda e Marketing, em São Paulo. “São oportunistas à procura de algo que lhes dê poder, influência e proteção.”

Formar um partido requer a coleta de 500 mil assinaturas. Cukier disse que 62 partidos estão à procura de reconhecimento oficial, inclusive um que leva o nome de um time de futebol.

Apesar do presidente do Brasil liderar um dos maiores países do mundo, ele ou ela deve formar coalizões com até uma dúzia de partidos para conseguir que legislações sejam aprovadas no Congresso. O preço da lealdade com frequência é uma cadeira de ministro, ou três, dependendo de quantos votos o partido puder oferecer.

Em alguns casos, a cooperação envolve a troca ilícita de dinheiro. Em 2005, um escândalo conhecido como mensalão revelou o quanto esses arranjos eram comuns. Para obter votos no Congresso, o partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o mentor de Dilma Rousseff e porta-bandeira do Partido dos Trabalhadores, pagava aos legisladores obedientes um valor mensal equivalente a US$ 12 mil.

O mais recente escândalo de corrupção, conhecido como Operação Lava Jato, provou ser ainda maior, com bilhões de dólares em propinas destinados a partidos políticos pela companhia estatal de petróleo, a Petrobras. Mais de 200 pessoas, de magnatas empresariais a líderes partidários, foram implicados no escândalo, e a expectativa é de que o número deles crescerá.

O furor público com o esquema teve papel chave na remoção de Dilma Rousseff, que foi diretora da Petrobras quando o arranjo de propina foi armado, apesar de ela não ter sido acusada diretamente de qualquer crime. Em seu julgamento de impeachment, ela é acusada de uma manipulação orçamentária, em um esforço para esconder os problemas econômicos do Brasil e vencer a reeleição em 2014, não de roubar para enriquecer a si mesma.

A necessidade de formação de alianças de conveniência no Congresso pode levar ao caos legislativo, especialmente quando partidos descontentes abandonam a coalizão do presidente. Dilma Rousseff, que antes contava com ampla maioria na Câmara, acabou abatida pelo agora deposto presidente da Câmara, Eduardo Cunha, um ex-aliado que enfrenta julgamento por corrupção.

O partido de Cunha, o PMDB (Partido do Movimento Democrático Brasileiro), se tornou uma fonte particular de ultraje no Brasil. Os críticos dizem que o partido, fundado há cinco décadas como partido de oposição, mas tolerado pela ditadura militar do Brasil, se tornou um vasto canal de clientelismo para seus membros, que abraçam um amplo espectro de ideologias.

O trunfo do partido é seu tamanho, o que significa que os presidentes precisam entrar em acordo com ele, o que envolve a concessão de cargos ministeriais cobiçados. Dilma Rousseff escolheu Michel Temer do PMDB para ser seu vice-presidente. Neste ano, ele se voltou contra ela e retirou seu partido da coalizão, abrindo caminho para o processo de impeachment de Dilma. Temer, que já foi condenado por violar os limites de financiamento de campanha, agora é o presidente do país.

A reforma política pode ser difícil, já que os legisladores teriam que aprovar o fim do sistema que os protege. Ocorreram algumas mudanças, incluindo uma lei recente que impede que candidatos cassados ou com condenação concorram a qualquer cargo eletivo por até oito anos, e uma lei de financiamento de campanha, que deverá entrar em vigor neste ano, que limita a influência de dinheiro de empresas.

O grande número de partidos no Brasil tende a favorecer celebridades, cujo reconhecimento do nome ajuda a fazer com que se destaquem nas campanhas eleitorais. O exemplo mais curioso é o do palhaço Tiririca.

Em 2010, ele concorreu à Câmara dos Deputados com o slogan “Pior que tá não fica”, e sua literatura de campanha incluía “Você sabe o que faz um deputado federal? Eu também não. Vote em mim que eu te conto”.

Ele acabou obtendo mais de 1,3 milhão de votos, quase o dobro do segundo candidato mais votado.

Em uma entrevista, Tiririca, cujo nome real é Francisco Everardo Oliveira Silva, apesar de deputado Tiririca ser o nome no site da Câmara, disse ficar com frequência decepcionado com a desordem no Congresso.

“No início era uma piada”, ele disse sobre sua candidatura. “Então decidi que, se tantas pessoas acreditam em mim, eu teria que dar meu melhor, e é o que estou fazendo.”

‘Estrela bizarra’ de luz incomum intriga cientistas e alimenta hipótese de vida alienígena

Um foco de luz localizado entre as constelações de Lira e Cisne tem intrigado os cientistas por parecer uma estrela, mas comportar-se de modo muito diferente desses corpos celestes.

Essa “anomalia” do espaço foi flagrada pela sonda Kepler, da Nasa (agência espacial americana), e identificada por um programa de ciência cidadã que ajuda a filtrar as informações enviadas pelo telescópio.

A 'estrela' tem seu brilho diminuído em intervalos irregulares

A ‘estrela’ tem seu brilho diminuído em intervalos irregulares

Os pesquisadores perceberam que a estrela encontrada, chamada KIC 8462852, tem o estranho hábito de diminuir a intensidade do seu brilho em intervalos irregulares.

Para se ter uma ideia de o quanto essa característica é única, entre as outras cerca de 150 mil estrelas avistadas pelo telescópio, esta é a única que se comporta dessa maneira.

Em geral, quando há uma redução temporal da luminosidade produzida, é porque um planeta está passando diante de sua estrela – no que seria uma volta da sua órbita.

Essa característica seria a comprovação de que existiria um planeta ali. A frequência dessas quedas na intensidade do brilho da estrela – que são regulares – corresponderia à duração de sua órbita.

Mas, no caso específico dessa estrela, os intervalos observados foram completamente irregulares, tanto em termos de frequência quanto de intensidade.

Assimetria

Em 2009, por exemplo, foram registradas pequenas quedas na produção de luz. Depois houve outra queda assimétrica que durou uma semana em 2011 e, mais recentemente, uma série de quedas durante três meses em 2013 (algumas delas chegaram a 20%).

Diante de tais características, os cientistas acabaram descartando a possibilidade de a anomalia representar a presença de um novo planeta.

Além disso, a hipótese foi ignorada também porque a intensidade da queda de luz é muito grande: mesmo que fosse um planeta do tamanho de Júpiter (o maior do nosso Sistema Solar), a luz da KIC 8462852 poderia ser reduzida somente em 1%.

Então, como se explica esse fenômeno?

Cientistas descartaram a possibilidade de ser um planeta

Cientistas descartaram a possibilidade de ser um planeta

Especulações

Tabetha Boyajian, astrônoma da Universidade de Yale, nos Estados Unidos – instituição que lançou o programa de ciência cidadã Planet Hunters em 2010 -, publicou um estudo recentemente sobre as possíveis causas.

Mas cada uma delas, segundo a cientista, têm um ponto frágil.

“Nós estamos quebrando a cabeça: para cada ideia que surgia sempre havia algum argumento contrário”, explicou Boyajian.

A princípio, ela e sua equipe descartaram a possibilidade de a “estrela bizarra” representar uma falha de processamento de dados no telescópio.

Eles também eliminaram a hipótese de ser uma estrela jovem, que está em processo de acumular massa e, por isso, estaria rodeada por uma nuvem de poeira, o que poderia explicar a irregularidade de seu brilho.

O estudo conclui que a explicação mais factível pode estar em um grupo de “exocometas” que se aproximaram da estrela e se romperam por causa da gravidade, deixando enormes quantidades de poeira e gás no processo.

Se os cometas se movimentam em uma órbita que os faz passar na frente do planeta a cada 700 dias aproximadamente, seus fragmentos, que ainda estão se desprendendo no espaço, poderiam explicar a diminuição irregular do brilho percebida pela sonda Kepler.

A única maneira de checar essa teoria seria conseguindo mais informações, mas desde que o telescópio parou de funcionar corretamente, em 2013, ficou mais difícil obter dados.

A explicação mais plausível seria a presença de exocometas

A explicação mais plausível seria a presença de exocometas

Extraterrestres?

A hipótese mais surpreendente levantada pelos cientistas é de a “anomalia” encontrada no espaço representar um sina de vida extraterrestre inteligente.

Intrigada com a questão, Boyajian compartilhou os resultados do seu estudo com Jason Wright, cientista da Universidade Penn State e membro de uma organização que investiga exoplanetas e mundos habitáveis.

A opinião dele abre portas a possibilidades mais ousadas.

Segundo Wright, se nenhuma das razões acima mencionadas é convincente, por que não pensar que o fenômeno poderia ser causado por uma série de megaestruturas equipadas com painéis solares – e que teriam sido construídas por extraterrestres?

“Quando (Boyajian) me mostrou as informações, eu fiquei fascinado, porque parecia algo bizarro”, disse ao site The Atlantic. “Alienígenas sempre devem ser a última hipótese a se considerar, mas isso parecia ser algo que uma civilização de extraterrestres poderia construir”.

Os cientistas que acreditam na existência de vida inteligente – ou ao menos na possibilidade disso – fora do nosso planeta sustentam que uma civilização alienígena avançada se caracterizaria muito provavelmente por sua capacidade de obter energia de seu sol, e não da exploração de outros recursos do seu próprio planeta.

Boyajian e Wright, porém, advertem que essa hipótese ainda é muito remota e deve ser analisada com cautela – ainda que seja válida e digna de investigação. E para isso, vão apresentar uma proposta para colocar um telescópio na estrela e analisá-la de maneira minuciosa.

Se tudo der certo, as primeiras análises deverão ser feitas em janeiro.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Desintegração de planeta perto de estrela morta sugere como será fim da Terra

A destruição de um sistema solar, captada pela primeira vez pelo telescópio Kepler, da Nasa, pode dar uma resposta para uma questão que muita gente se pergunta: o que vai acontecer com a Terra quando o Sol apagar?

Por ora, não é algo com o qual devamos nos preocupar – ainda faltam cerca de 5 bilhões de anos.

Pesquisadores acreditam que processo de destruição de sistema solar (de outro Sol) esteja no início

Desintegração de planeta perto de estrela morta sugere como será fim da Terra

Mas pesquisadores descobriram os restos de um mundo rochoso em vias de decomposição girando em torno de uma anã branca (o núcleo ardente que permanece de uma estrela quando ela já consumiu todo seu combustível nuclear), que pode fornecer pistas interessantes sobre o possível cenário do “fim do mundo”.

A estrela moribunda, do mesmo tipo que nosso Sol e batizada de WD1145+017, fica na constelação de Virgo, a 570 anos-luz da Terra.

Segundo um estudo publicado esta semana pela revista Nature, a diminuição regular da intensidade de seu brilho – uma queda de 40% que se repete a cada 4,5 horas – indica que há vários pedaços de rocha de um planeta em decomposição orbitando em espiral a seu redor.

“Isso é algo que nenhum ser humano tinha visto antes”, afirmou Andrew Vanderburg, pesquisador do Centro de Astrofísica Harvard-Smithsonian e principal autor do estudo.

“Estamos vendo a destruição de um sistema solar.”

O planeta em questão, explica o cientista, seria menor que a Terra: teria tamanho semelhante ao de Ceres (o maior objeto do cinturão de asteroides entre Marte e Júpiter), ainda que, no passado, possa ter sido maior.

As observações iniciais do Kepler foram corroboradas por outros telescópios na Terra

Quando o Sol se apagar, em 5 bilhões de anos, ele vai se transformar, primeiro, em uma gigante vermelha e seu tamanho aumentará 200 vezes

Um retrato do que virá

As imagens de Kepler, corroboradas por observações e medições de outros telescópios, mostram um total de seis ou mais fragmentos rochosos e poeira.

Isso indica que o planeta está em processo de decomposição, impulsionado pela gravidade da estrela que o atrai em direção a ela.

Os restos estão evaporando, e no processo deixam uma cauda de moléculas – que explica a presença de poeira- como se fossem cometas.

Os cientistas acreditam que a morte da estrela possa ter desestabilizado a órbita de um planeta maciço vizinho a ponto de empurrar outros planetas rochosos menores em direção à estrela.

“Acreditamos que descobrimos o processo em seu início”, disse Patrick Dufour, físico da Universidade de Montreal, no Canadá, e coautor do estudo.

“Isso é muito raro e muito interessante”, acrescentou.

A hora final

Quando chegar a vez no nosso Sol, que ainda vive em plenitude, o mais provável é que este processo se repita.

Assim como o WD1145+017, quando o hidrogênio acabar o Sol começará a queimar elementos mais pesados como hélio, carbono e oxigênio, e se expandirá de forma massiva até se desfazer de suas camadas externas e se tornar uma anã branca de tamanho semelhante ao núcleo de nosso planeta.

Ao fazer isso, consumirá provavelmente a Terra, Vênus e Mercúrio. E, na eventual hipótese de a Terra sobreviver a esta convulsão, ela acabará destruída em pedaços à medida que a gravidade da anã branca a atrair em direção a ela.

“Podemos estar vendo como nosso próprio sistema solar vai se desintegrar no futuro”, explica Vanderburg.

Desintegração de planeta perto de estrela morta sugere como será fim da Terra

Quando o Sol se apagar, em 5 bilhões de anos, ele vai se transformar, primeiro, em uma gigante vermelha e seu tamanho aumentará 200 vezes

Por sorte, ainda faltam bilhões de anos para isso.

 

Agência espacial americana monitora a estrela 24 horas por dia desde 2010 e usa as informações para entender outras regiões

A Nasa divulgou imagens em alta definição do Sol nesta quinta-feira (5).

Agência espacial americana monitora a estrela 24 horas por dia desde 2010 e usa as informações para entender outras regiões

Agência espacial americana monitora a estrela 24 horas por dia desde 2010 e usa as informações para entender outras regiões

Elas foram captadas pelo Observatório da Dinâmica Solar da agência espacial americana, que monitora a estrela 24 horas por dia desde 2010 e usa as informações também para entender outras regiões da galáxia.

Observatório da Dinâmica Solar captura imagens da estrela em 10 comprimentos de onda

O observatório captura imagens da estrela em 10 comprimentos de onda para pesquisar as temperaturas dos diferentes materiais que compõem o Sol. Cada temperatura mostra estruturas específicas, como explosões de luz e de raios-x e movimentos na coroa solar.

Nasa anuncia descoberta recorde de 1.284 planetas fora do sistema solar

A Nasa anunciou nesta semana, a descoberta de 1.284 planetas fora do nosso sistema solar, feita pelo telescópio espacial Kepler. Esta foi a maior descoberta de planetas até hoje e o número significa o dobro dos planetas que já confirmados por este telescópio. Do total, cerca de 550 poderiam ser planetas rochosos como a Terra.

O observatório espacial Kepler, lançado em 2009, monitorou 150 mil estrelas em busca de sinais de corpos em órbita, particularmente aqueles que poderiam ser capazes de sustentar a vida. A descoberta se baseia em dados colhidos pelo telescópio espacial entre 2009 e 2013, quando monitorava cerca de 150 mil estrelas em um pequeno pedaço de céu entre as constelações Cisne e Lira.

 Anúncio mais do que duplica nº de exoplanetas descobertos pelo Kepler. Do total, cerca de 550 poderiam ser planetas rochosos como a Terra.


Anúncio mais do que duplica nº de exoplanetas descobertos pelo Kepler.
Do total, cerca de 550 poderiam ser planetas rochosos como a Terra.

O Kepler captura sinais discretos de possíveis planetas, através da observação do escurecimento da luz das estrelas, conhecido como trânsito, cada vez que um planeta passa orbitando diante dela. Um fenômeno similar à passagem de Mercúrio na frente do Sol.

“Desde a descoberta dos primeiros planetas fora do nosso sistema solar há mais de duas décadas, os pesquisadores analisam individualmente cada ‘planeta suspeito'”, explica a Nasa em comunicado divulgado ontem (10).

De acordo com a Nasa, a nova descoberta inclui cerca de 550 corpos que poderiam ser planetas rochosos como a Terra, com base em seu tamanho. Nove desses planetas, orbitam uma zona habitável de seu sistema solar, que é uma distância que permite a existência de água em estado líquido. Esses nove exoplanetas potencialmente habitáveis se somam aos 21 outros exoplanetas já conhecidos por orbitarem a zona habitável de suas estrelas.

O primeiro planeta fora do nosso sistema solar foi descoberto em 1995, por Michel Mayor e Didier Queloz, do Observatório de Genebra, na Suíça. O exoplaneta orbitava ao redor da estrela Pégaso-51, a 50 anos-luz de distância da Terra. De acordo com os pesquisadores, ele era composto por gases e tinha metade do tamanho de Júpiter, o maior planeta do nosso sistema solar. Uma volta completa do planeta ao redor da estrela durava apenas 4,2 dias, por causa de sua proximidade.

Astrônomos descobriram mais 1.284 planetas fora do nosso sistema solar, com nove possivelmente em órbitas que os permitiriam ter água na superfície, o que poderia aumentar a probabilidade de haver condições de vida, disseram cientistas nesta terça-feira.

O anúncio leva o número total de planetas confirmados fora do sistema solar para 3.264. Chamados exoplanetas, a maior parte deles foi detectada pelo telescópio espacial Kepler da Nasa, que buscou planetas habitáveis como a Terra.

Os novos planetas foram identificados durante a missão primária de quatro anos do Kepler, terminada em 2013, e eram previamente considerados candidatos a planeta.

Cientistas anunciando a maior descoberta única de planetas até agora usaram uma nova técnica de análise, em que se aplicou modelos estatísticos para confirmar os achados como planetas, enquanto se descartava cenários que poderiam falsamente parecer ser planetas em órbita.

“Agora nós sabemos que poderia haver mais planetas que estrelas”, disse Paul Hertz, diretor da divisão de Astrofísica da Nasa, em comunicado. “Esse conhecimento informa as missões futuras que são necessárias para que nos leve mais perto para descobrir se nós estamos sozinhos no universo.”

Dos novos planetas, quase 550 podem ser rochosos como a Terra, disse a Nasa. Nove planetas estão a uma distância certa de uma estrela para ter temperaturas nas quais a água poderia acumular. A descoberta leva para 21 o total de planetas conhecidos com essas condições, que poderiam permitir vida.

O Kepler buscou por pequenas mudanças no total de luz vindo de cerca de 150 mil estrelas. Algumas das mudanças foram causadas pela passagem de planetas em órbita diante das suas estrelas.

O fenômeno é idêntico ao do trânsito de Mercúrio diante do sol, nesta segunda-feira, conforme visto da perspectiva terrestre.

Telescópio detectou planetas em zonas habitáveis e com condições favoráveis para existência de água em estado líquido

Astrônomos nos EUA operando o telescópio espacial Kepler, da Nasa, descobriram mais de cem planetas do tamanho da Terra orbitando outras estrelas. Além destes, eles também identificaram nove pequenos planetas dentro das chamadas zonas habitáveis, onde as condições são favoráveis para a existência de água em estado líquido e, potencialmente, para a existência de vida.

Representação artística de exoplaneta habitável Desenho mostra como seria um dos exoplanetas habitáveis descobertos por telescópio espacial

Representação artística de exoplaneta habitável
Desenho mostra como seria um dos exoplanetas habitáveis descobertos por telescópio espacial

As descobertas fazem parte de uma lista de 1.284 novos planetas detectados com o Kepler, mais do dobro do registro anterior do telescópio. A Nasa afirma que foi o maior anúncio de novos exoplanetas – como são chamados planetas que orbitam estrelas fora do sistema solar.

Cientistas da agência espacial americana apresentaram as novas descobertas em uma teleconferência na terça-feira (10).

Mais de 10 bilhões
As análises estatísticas do Kepler ajudam os astrônomos a compreender como podem ser estes planetas.

Natalie Batalha, cientista da Missão Kepler no Centro de Pesquisas Ames, na Califórnia, afirmou que cálculos sugerem que podem existir mais de 10 bilhões de planetas potencialmente habitáveis apenas na Via Láctea.

“Cerca de 24% das estrelas abrigam planetas potencialmente habitáveis que são menores do que cerca de 1,6 vez o tamanho da Terra. É um número que gostamos pois é abaixo deste tamanho que estimamos que os planetas têm a chance de serem rochosos”, disse Batalha.

“Se você se perguntar onde pode estar o planeta habitável mais próximo, está a cerca de 11 anos-luz, o que é muito perto”, acrescentou.

Observatórios em planejamento, como o Telescópio Espacial James Webb, poderão examinar a luz de estrelas filtrada através de atmosferas de exoplanetas, na busca por possíveis sinais de vida.

“O objetivo final de nossa busca é detectar a luz de um exoplaneta habitável e analisar aquela luz para (detectar) gases como vapor de água, oxigênio, metano e dióxido de carbono – gases que podem indicar a presença de um ecossistema biológico”, disse Paul Hertz, diretor de astrofísica da Nasa.

Prova de vida
Entre as descobertas do telescópio Kepler até agora, os planetas Kepler-186f e Kepler-452b são provavelmente os mais parecidos com a Terra em termos de propriedades como tamanho, temperatura da estrela em volta da qual orbitam e energia recebida desta estrela.

Natalie Batalha afirmou que as novas descobertas, Kepler-1638b e Kepler-1229b, são exemplos intrigantes na busca por planetas habitáveis.

Batalha disse que a missão Kepler é parte de um “objetivo maior e estratégico de encontrar prova de vida além da Terra: saber se estamos sozinhos ou não, saber… como a vida se manifesta na galáxia e qual é a sua diversidade”.

“Ser capaz de olhar para um ponto de luz e conseguir dizer: ‘Aquela estrela tem um mundo vivo orbitando à sua volta.’ Acho que isto é muito profundo e responde questões sobre porque estamos aqui”, acrescentou a cientista.

Superterra
Timothy Morton, da Universidade de Princeton em Nova Jersey, afirmou que a grande maioria dos exoplanetas encontrados pelo Kepler estão na categoria de superterra – de 1,2 a 1,9 vez maior do que o raio da Terra –  e um tamanho menor do que o de Netuno –  entre 1,9 e 3,1 vezes maior do que o raio da Terra. Morton afirma que não se conhecem planetas análogos a estes, nestes tamanhos, em nosso Sistema Solar.

Os cientistas usaram uma nova técnica de estatísticas para autenticar os 1.284 exoplanetas a partir de um grupo de 4.302 planetas “candidatos” catalogados pelo Kepler em julho de 2015.

A técnica usou diferentes tipos de informação sobre os candidatos a partir de simulações, dando aos astrônomos uma taxa de confiabilidade para cada novo mundo em potencial. Os candidatos que alcançavam uma taxa de confiabilidade maior do que 99% eram chamados de “planetas válidos”.

A equipe de pesquisadores identificou outros 1.327 candidatos que têm uma probabilidade maior de serem novos mundos, mas não alcançaram a taxa de 99% –  nestes casos, serão necessários mais estudos.

O telescópio Kepler emprega o método de trânsito para detectar planetas orbitando outras estrelas. Isto envolve medir uma leve diminuição na luz de uma estrela quando um planeta que a orbita passa entre ele e a Terra.

O mesmo fenômeno orbital foi usado quando Mercúrio transitou em frente ao Sol na segunda-feira (9). O Kepler, batizado em homenagem do astrônomo renascentista Johannes Kepler, foi lançado em 7 de março de 2009.

Menino de 15 anos testa teoria própria e descobre cidade maia

O canadense William Gadoury, de 15 anos, pode feito história ao descobrir uma cidade maia até então desconhecida a partir da observação das estrelas e com a ajuda doGoogle Maps.

Segundo o Journal de Montréal, o morador da província de Quebec (Canadá) estudou 22 constelações, reproduziu todas elas em um mapa e, ao analisá-lo, percebeu que elas correspondiam às coordenadas geográficas de 117 cidades maias espalhadas pelo México, Guatemala, Honduras e El Salvador.

Ao aplicar sua teoria a uma 23º constelação, sempre usando dados da Agência Espacial Canadense, e checar a localização no Google Maps, William encontrou vestígios de uma nova cidade na Península de Iucatã, no México.

O canadense William Gadoury, de 15 anos, pode feito história ao descobrir uma cidade maia até então desconhecida a partir da observação das estrelas e com a ajuda do Google Maps.

A descoberta do menino é única porque, em todos esses anos, nenhum cientista relacionou as constelações à localização de regiões maias.

“Eu não entendia porque os maias construíram suas cidades longe dos rios, em terras marginais e nas montanhas. Eles tinham outra razão. Como eles adoravam as estrelas, tive a ideia de verificar minha hipótese”, conta William ao jornal Positivr. “Fiquei realmente surpreso e animado quando percebi que a posição das estrelas estava combinando com as maiores cidades maias”.

 

 

O canadense William Gadoury, de 15 anos, pode feito história ao descobrir uma cidade maia até então desconhecida a partir da observação das estrelas e com a ajuda do Google Maps.

Segundo o Journal de Montréal, o morador da província de Quebec (Canadá) estudou 22 constelações, reproduziu todas elas em um mapa e, ao analisá-lo, percebeu que elas correspondiam às coordenadas geográficas de 117 cidades maias espalhadas pelo México, Guatemala, Honduras e El Salvador.
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Ao aplicar sua teoria a uma 23º constelação, sempre usando dados da Agência Espacial Canadense, e checar a localização no Google Maps, William encontrou vestígios de uma nova cidade na Península de Iucatã, no México.
“Eu não entendia porque os maias construíram suas cidades longe dos rios, em terras marginais e nas montanhas. Eles tinham outra razão. Como eles adoravam as estrelas, tive a ideia de verificar minha hipótese”, conta William ao jornal Positivr. “Fiquei realmente surpreso e animado quando percebi que a posição das estrelas estava combinando com as maiores cidades maias”.

O canadense William Gadoury, de 15 anos, pode feito história ao descobrir uma cidade maia até então desconhecida a partir da observação das estrelas e com a ajuda do Google Maps.

A descoberta do menino é única porque, em todos esses anos, nenhum cientista relacionou as constelações à localização de regiões maias.

A descoberta do menino é única porque, em todos esses anos, nenhum cientista relacionou as constelações à localização de regiões maias.

Especialistas acreditam que os 30 pequenos prédios e a pirâmide de 86 metros sejam parte da quarta maior cidade maia, com 80 e 120 km², e já foi batizada pelo estudante como “K’aak Chi” (Boca de Fogo).

Agora, uma expedição está sendo organizada para chegar até a região, que é de difícil acesso. William, que ganhou uma medalha da Agência Espacial Canadense, deseja ver a descoberta, feita de dentro de seu quarto, com os próprios olhos. “Seria a culminação de meus três anos de trabalho e o sonho da minha vida”, define o menino, que começou a se interessar pela civilazação antiga após as previsões de que o mundo acabaria em 2012.

No ano que vem, o jovem virá ao Brasil para participar de uma feira de ciências internacional.

Filosofia é uma linha morta de pensamento, afirma Hawking

A filosofia está morta, declarou Stephen Hawking (foto). O escritor do best-seller “Uma Breve História do Tempo”, que é considerado o mais renomado físico ainda vivo, esteve na última conferência do Google Zeitgeist, em Hertfordshire, na Inglaterra.

Ele disse na conferência que as importantes questões do universo não podem mais ser resolvidas sem a ajuda da física e da tecnologia como aquela vista nos grande aceleradores de partículas.

"A tocha do conhecimento está com a física"

“A tocha do conhecimento está com a física”

Acrescentou esses campos não pertencem mais à filosofia, que é, para ele, uma linha de pensamento morta nos dias atuais.

“Muitos de nós não nos preocupamos mais com essas perguntas, entretanto, questões como ‘de onde viemos?’ ou ‘para onde vamos’, que eram tradicionalmente questões filosóficas, hoje são recorrentes exclusivamente para a ciência”, afirmou.

“Os filósofos atuais não têm estudado de acordo com as descobertas mais recentes da física, e por isso, a filosofia está morta.”

O físico também diz que os cientistas estão se tornando cada vez mais os “detentores da tocha que ilumina as descobertas na nossa busca pelo conhecimento” e que as novas descobertas científicas nos levam a um patamar completamente novo quando pensamos em nossa razão de existência.

Em uma palestra de 40 minutos, o professor disse estar vendo uma nova teoria do universo unificado, aquela que segundo ele até mesmo Einstein morreu buscando.

No final do discurso, Hawking compara essa teoria ao Google Earth, dizendo que a futura hipótese também funcionará como um mapa e que ela fará uso de tecnologias que nem mesmo o Google teria o conhecimento ou o dinheiro para custear.

"A tocha do conhecimento está com a física"

“A tocha do conhecimento está com a física”

Cientistas obtêm visão inédita de início da vida em embriões

Cientistas obtêm visão inédita de início da vida em embriões

Estudo conseguiu cultivar embriões em laboratório até estágio nunca antes observado – o momento crucial de autorreorganização de células para a configuração de ser humano.

Cientistas obtêm visão inédita de início da vida em embriões

Cientistas obtêm visão inédita de início da vida em embriões

Cientistas anunciaram um avanço no desenvolvimento de embriões humanos em laboratório que pode melhorar tratamentos de infertilidade e revolucionar nosso conhecimento sobre os primeiros estágios da vida.

Pela primeira vez, embriões atingiram uma etapa além do ponto em que normalmente são implantados no útero.

A pesquisa realizada no Reino Unido e nos Estados Unidos foi interrompida logo antes dos embriões atingirem o limite legal de 14 dias de vida para o desenvolvimento de embriões em experimentos científicos.

Mas alguns cientistas já pedem que este limite seja alterado, uma demanda que levanta diversas questões éticas.

Mistério
Os primeiros estágios da vida humana ainda permanecem um mistério, mas, no estudo publicado pelas revistasNature e Nature Cell Biology , os pesquisadores conseguiram estudar embriões por um tempo maior do que já havia sido feito antes.

O prazo de uma semana costumava ser o limite, com cientistas sendo capazes de cultivar um óvulo fertilizado até o momento em que normalmente são implantados no útero.

Mas os autores do estudo encontraram uma nova forma de imitar quimicamente o ambiente de um útero para que um embrião continuasse a se desenvolver até atingir a segunda semana.

Isso requer uma combinação de um meio rico em nutrientes e uma estrutura na qual o embrião pode se “implantar”.

Os experimentos foram encerrados propositalmente no 13º dia, pouco antes de ser atingido o limite legal, mas bem além do que havia sido conseguido anteriormente.

Momento crucial
A pesquisa já está permitindo vislumbrar como um embrião dá início ao processo de autorreorganização para se tornar um ser humano.

Trata-se de um momento crucial, no qual muitos embriões apresentam defeitos em seu desenvolvimento ou não conseguem se implantar no útero.

O estudo permitiu, por exemplo, que pesquisadores observassem em embriões com dez dias a formação do epiblasto, uma aglomeração bem pequena e crucial de células que formam um ser humano, enquanto as células ao seu redor se encarregam da criação da placenta e do saco vitelínico.

Magdalena Zernicka Goetz, da Universidade de Cambridge, disse que “nunca esteve tão feliz” como quando cultivar de forma bem-sucedida estes embriões.

“Isso nos permite entender os primeiros estágios de nosso desenvolvimento e o momento em que o embrião se reroganiza pela primeira vez para formar o que no futuro será um corpo”, disse ela à BBC.

“Não conhecíamos estes estágios antes, então, isso terá um impacto enorme nas tecnologias de reprodução.”

Dilema ético
Um acordo internacional determina que embriões não devem ser desenvolvidos além de 14 dias em pesquisas científicas. O novo estudo chega perto deste limite, e alguns cientistas já argumentam que ele deve ser revisto.

“Em minha opinião, já havia motivos para permitir a cultura de embriões além de 14 dias antes desta pesquisa aparecer”, diz o geneticista Azim Surani, do instituto de pesquisa Gurdon, da Universidade de Cambridge, no Reino Unido.

O prazo máximo foi estabelecido há décadas. Acredita-se que, neste ponto, o embrião torna-se um “indivíduo” já que não é mais possível que ele forme um gêmeo.

Daniel Brison, professor de embriologia e células tronco da Universidade de Manchester, no Reino Unido, também argumenta que talvez seja necessário reconsiderá-lo.

“Dado os possíveis benefícios para novas pesquisas sobre infertilidade, a melhoria de métodos de reprodução assistida e para evitar abortos precoces e outros problemas na gravidez, pode haver motivos para rever este limite no futuro”, afirma.