Monthly Archives: novembro 2016

Grupo anuncia projeto para lançar a primeira sonda brasileira à órbita da Lua

No que depender de um grupo seleto de cientistas e engenheiros, até dezembro de 2020 o Brasil lançará sua primeira missão lunar. A apresentação formal do projeto será realizada nesta terça-feira (29), na Escola de Engenharia de São Carlos da USP (Universidade de São Paulo).

Batizado de Garatéa-L, o projeto combina o poderio intelectual de algumas das maiores instituições de ciência e tecnologia do país e a ousadia da cultura de startups tecnológicas para planejar e realizar com sucesso, em tempo recorde, o primeiro voo orbital de espaço profundo nacional.

Grupo anuncia projeto para lançar a primeira sonda brasileira à órbita da Lua

Grupo anuncia projeto para lançar a primeira sonda brasileira à órbita da Lua

“A ideia é nos beneficiarmos da recente revolução dos nanossatélites, mais conhecidos como cubesats, para colocar o país no mapa da exploração interplanetária”, afirma Lucas Fonseca, engenheiro espacial da empresa Airvantis e gerente do projeto Garatéa-L, que conta com contribuições e participantes do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), do ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica), da USP, do LNLS (Laboratório Nacional de Luz Síncrotron), do Instituto Mauá de Tecnologia e da PUC-RS (Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul).

(E fico feliz em informar que o Mensageiro Sideral faz parte da equipe, dando suporte à comunicação pública do projeto. Sinceramente, há tempos algo no programa espacial brasileiro não me empolgava tanto. Essa missão pode vir a ser um divisor de águas para o Brasil, e a prova de que é possível ter ambições maiores, mesmo com orçamentos restritos, como é o caso do nosso.)


UBER ESPACIAL
O lançamento será realizado numa parceria entre duas empresas britânicas com as agências espaciais europeia (ESA) e do Reino Unido (UK Space Agency), no bojo de sua primeira missão comercial de espaço profundo – a Pathfinder. O veículo lançador contratado é o indiano PSLV-C11 – mesmo foguete que enviou com sucesso a missão Chandrayaan-1 para a Lua, em 2008.

“É uma oportunidade única de trabalhar com os europeus num projeto que pode elevar as ambições do Brasil a um outro patamar”, diz Fonseca, que tem ampla experiência em missões de ciência planetária. Antes de iniciar o atual projeto, ele trabalhou no desenvolvimento da Rosetta, espaçonave da ESA que realizou o primeiro pouso em um cometa, em 2014.

No lançamento europeu, diversos cubesats – dentre eles o brasileiro – serão levados à órbita lunar por uma nave-mãe, que também fornecerá o serviço de comunicação com a Terra e permitirá a coleta de dados por pelo menos seis meses.

Para o Brasil, é uma grande novidade. E o pessoal da Garatéa quer que todo mundo se envolva. Por isso, você pode deixar seu nome no site da missão, para que ele seja enviado à Lua na memória da sonda.

A estrutura interna da pequena Garatéa-L. É praticamente uma caixa de sapato espacial, com 30 cm por 20 cm. (Crédito: Garatéa Space)

A estrutura interna da pequena Garatéa-L. É praticamente uma caixa de sapato espacial, com 30 cm por 20 cm. (Crédito: Garatéa Space)

“BUSCA VIDAS”
A Garatéa-L tem um forte componente de astrobiologia – o estudo do surgimento e da evolução da vida no Universo. Em seu interior, viajarão até a órbita da Lua diversas colônias de microrganismos vivos e moléculas de interesse biológico, que serão expostas à radiação cósmica por diversos meses.

O experimento, coordenado por Douglas Galante, do Laboratório Nacional de Luz Síncrotron, em Campinas, e Fábio Rodrigues, do Instituto de Química da USP, em São Paulo, tem por objetivo investigar os efeitos do ambiente espacial interplanetário sobre diferentes formas de vida.

O esforço é um passo adiante com relação a experimentos realizados na estratosfera com balões meteorológicos, que expuseram diversas amostras aos raios ultravioleta solares sem a filtragem da camada de ozônio terrestre.

“A busca por vida fora da Terra necessariamente passa por entender como ela pode lidar – e eventualmente sobreviver – a ambientes de muito estresse, como é o caso da órbita lunar”, diz Galante. “O conhecimento obtido com a missão sem dúvida ajudará a compor esse difícil quebra-cabeça.”

É a astrobiologia também o que dá nome à missão: Garatéa, na língua tupi-guarani, significa “busca vidas”. (O L é de Lunar.)

Um instrumento embarcado também fará a medição dos níveis de radiação em órbita cislunar – resultado que terá importância para planos internacionais futuros de missões tripuladas de longa duração à Lua. Amostras de células humanas serão embarcadas também, em experimento coordenado por Thais Russomanno, do Centro de Pesquisa em Microgravidade (MicroG) da PUC-RS, para verificar que efeitos o ambiente radiativo extremo, longe da proteção da atmosfera e distante do campo magnético terrestre, poderia causar em astronautas durante missões de longa duração além da órbita terrestre baixa – pesquisa importante para futuros planos de missões tripuladas à Lua ou mesmo a Marte.

OBSERVAÇÃO LUNAR
Além dos experimentos com viés astrobiológico, a Garatéa-L também fará estudos da Lua em si. A sonda será colocada numa órbita polar altamente excêntrica, que permitirá a coleta de imagens multiespectrais da bacia Aitken, localizada no lado afastado da Lua e de alto interesse científico. As especificações da câmera estão a cargo do INPE.

A órbita elíptica polar da Garatéa, em contraste com a de sua nave-mãe britânica (Crédito: Garatéa Space)

A órbita elíptica polar da Garatéa, em contraste com a de sua nave-mãe britânica (Crédito: Garatéa Space)

O custo estimado do projeto é de R$ 35 milhões, que já começaram a ser levantados junto a órgãos de fomento à pesquisa e a patrocinadores privados. “É um modelo novo de missão, com os olhos para o futuro, que pode trazer muitos benefícios para o país”, diz Fonseca. “Isso sem falar no impacto educacional de inspirar uma nova geração a olhar para o céu e acreditar que nada é realmente impossível, se você tem foco e dedicação.”

A espaçonave precisa estar pronta para voar até setembro de 2019 – mesmo ano em que se completa o cinquentenário do primeiro pouso do homem na Lua.

APRESENTAÇÃO PÚBLICA DA MISSÃO
29 de novembro de 2016, terça-feira, das 19h às 22h
Anfiteatro Jorge Caron
Escola de Engenharia de São Carlos da USP
R. Miguel Petroni, 168-178
Jardim Bandeirantes, São Carlos – SP

SITE DA MISSÃO
https://www.garatea.space/

https://mensageirosideral.blogfolha.uol.com/2016/11/29/grupo-anuncia-projeto-para-lancar-a-primeira-sonda-brasileira-a-orbita-da-lua/

Matemática, música e bullying: como é a vida de crianças superdotadas no Brasil

João Gabriel do Nascimento, de 10 anos, executa, com razoável desenvoltura, Águas de Março, de Tom Jobim, ao violino. Com dores no pescoço, diz, em tom de brincadeira, que está se sentindo como o astrofísico inglês Stephen Hawking. Filho de uma diarista e um pizzaiolo, João mora no Morro do Cerro Corá, no Cosme Velho, Rio de Janeiro; estuda na Escola Municipal José de Alencar, em Laranjeiras, e aprendeu a ler, sozinho, aos quatro anos. Quando crescer, ainda não sabe se vai ser escritor ou goleiro do Flamengo.

 

João Gabriel do Nascimento toca 'Águas de Março' no violino

João Gabriel do Nascimento toca ‘Águas de Março’ no violino

Gustavo Torres da Silva, de 18 anos, é aluno de Engenharia Física na Universidade de Stanford, nos EUA. Nascido no Capão Redondo, bairro pobre da periferia de São Paulo, Gustavo foi aprovado em duas instituições brasileiras – USP, em Engenharia Elétrica, e UFSCar, em Engenharia Física – e cinco americanas: Columbia, Duke, MIT, Harvard e Stanford. Na infância, gostava de ver o pai, técnico de eletrônica, montar e desmontar os eletrodomésticos que trazia para casa.

O que os dois têm em comum? São alunos com altas habilidades, mais conhecidos como superdotados.

Para ser considerado um superdotado, explica a pedagoga Maria Clara Sodré, PhD em Educação pela Universidade de Columbia (EUA), o aluno precisa apresentar, entre outras características, precocidade ou alto potencial em pelo menos uma das sete inteligências definidas pelo psicólogo americano Howard Gardner em sua Teoria das Inteligências Múltiplas.

Em outras palavras: ele precisa ter uma habilidade muito acima da esperada para a sua idade.

No caso de João, sua inteligência é a musical. Como Sivuca e Hermeto Paschoal, dois dos mais virtuosos artistas brasileiros, o menino consegue extrair timbres e sons de qualquer instrumento – musical ou não.

Já a inteligência do Gustavo é a lógico-matemática. Incentivado por seu pai, Adalberto, o garoto gostava de desparafusar o joystick do videogame para ver como funcionava por dentro.

“Alunos superdotados são como diamantes brutos. Se você não lapidá-los, eles terão seus talentos desperdiçados”, alerta Maria Clara Sodré.

Garimpando talentos

Na maioria das vezes, quem “garimpa” esses diamantes brutos é a própria família. É o caso de Gustavo, que atribui todo o mérito de suas conquistas acadêmicas ao esforço incansável dos pais.

“Se eles não me tivessem dado livros para ler, quebra-cabeças para montar e cursos para estudar, eu não teria chegado tão longe”, reconhece o rapaz.

Em alguns casos, é o professor, em sala de aula, o primeiro a detectá-los.

Professora detectou talento de Tauat dos Santos Lara para matemática

Professora detectou talento de Tauat dos Santos Lara para matemática

Foi o que aconteceu com Tauat dos Santos Lara, de 14 anos. Quando estudava na Escola Municipal Minas Gerais, na Urca, Zona Sul do Rio, era sempre o primeiro a terminar os exercícios.

“Um dia, a professora de Matemática me indicou livros mais avançados. E até sugeriu que eu pulasse de série”, recorda Tauat. Hoje aluno do 9º ano do Colégio Pedro 2º, Tauat é tricampeão nas Olimpíadas de Matemática das escolas públicas.

Em casa ou no colégio, os sinais são sempre os mesmos.

“Aprendem com rapidez, gostam de fazer perguntas, têm excelente memória, apresentam rico vocabulário e tiram notas boas”, enumera a psicóloga Cristina Delou, doutora em Educação pela PUC-SP e professora da Universidade Federal Fluminense (UFF).

Desde 2014, Delou já capacitou 200 professores da rede pública do Rio de Janeiro para reconhecer superdotados.

Os alunos que se destacam dos demais, por terem pensamento lógico, facilidade de aprendizado ou senso de justiça, entre outros atributos, são avaliados por um psicólogo ou um psicopedagogo, através de testes específicos de conhecimento.

Feito o diagnóstico, o estudante é encaminhado a um instituto especializado para aprimorar seu talento.

“Os mitos relacionados à superdotação são incontáveis: uns dizem que eles são gênios, outros, que são bons em tudo e outros, ainda, que não precisam de ajuda. Sem orientação adequada, muitos deles perdem o interesse nos estudos e abandonam a escola”, explica Inês França, gerente de projetos do instituto Ismart, que atua auxiliando superdotados do Rio.

Bullying

Segundo o Censo Escolar de 2014, o Brasil tem hoje 13.308 alunos superdotados na Educação Básica – um número 17 vezes maior que o registrado em 2000. Mas, pelos cálculos da OMS, esse número pode chegar a 2,4 milhões de estudantes.

Shaft Novakoski Gutemberg, 13, e Francisco Gomes de Castro, 10, se enfrentam no xadrez em uma sala para alunos com altas habilidades na Escola Municipal José de Alencar, no Rio de Janeiro

Shaft Novakoski Gutemberg, 13, e Francisco Gomes de Castro, 10, se enfrentam no xadrez em uma sala para alunos com altas habilidades na Escola Municipal José de Alencar, no Rio de Janeiro

Desses 13 mil alunos, pelo menos 12, do 1º ao 9º ano, estudam na Escola Municipal José de Alencar, na Zona Sul do Rio. Na chamada sala de recursos, os estudantes com altas habilidades não aprendem regras gramaticais, fatos históricos ou equações matemáticas. Lá, eles são orientados a desenvolver as habilidades que fazem deles alunos superdotados.

Enquanto João mostra a música nova que tirou no violino, Shaft Novakoski Gutemberg, de 13 anos, e Francisco Gomes de Castro, de 10 anos, se enfrentam no xadrez.

“Mais do que transmitir conhecimento, quero prepará-los para a vida. São eles que, no futuro, vão ajudar a resolver os problemas do Brasil e do mundo”, acredita a psicóloga Cláudia Feijó, que trabalha há 25 anos com superdotados, sendo 15 na José de Alencar.

Um dos desafios a serem enfrentados hoje pelos superdotados é o bullying. Por serem diferentes dos demais, costumam ser alvo da implicância dos colegas.

“Em alguns casos, alunos com altas habilidades chegam a esconder seu talento para não serem hostilizados dentro e fora de sala de aula”, denuncia Susana Pérez, presidente do Conselho Brasileiro para Superdotação (ConBraSD).

Mãe de superdotados

Não por acaso, a advogada Cláudia Hakim, 41, prefere manter em sigilo a identidade dos filhos: de 12 e 15 anos. A mais velha começou a falar quando tinha um ano, aprendeu a ler por volta dos três e já estava alfabetizada aos quatro.

“Enquanto os demais alunos estavam começando a aprender o alfabeto, minha filha já escrevia uma pequena redação, sem erros de ortografia”, orgulha-se Hakim.

Cláudia Feijó trabalha com superdotados há 25 anos, há 15 apenas na EM José de Alencar

Cláudia Feijó trabalha com superdotados há 25 anos, há 15 apenas na EM José de Alencar

No Ensino Fundamental, os dois tiveram que ser “acelerados” de turma: a primogênita pulou do primeiro para o terceiro ano e o caçula do pré para o segundo ano.

Hoje, a menina é aluna do segundo ano do Ensino Médio e o garoto estuda no oitavo ano do Fundamental. Hakim, por sua vez, formou-se em Direito Educacional, criou o blog Mãe de Crianças Superdotadas em 2010 e lançou o livro Superdotação e Dupla Excepcionalidade em 2016.

Para os pais que desconfiam da inteligência acima da média dos filhos, Hakim dá uma dica: procure estimular essas habilidades de forma lúdica e na medida do interesse deles, sem forçar a barra.

“A superdotação é apenas um aspecto do comportamento de seu filho e não é o único. Por essa razão, é importante respeitar as fases do desenvolvimento da criança, deixá-la vivenciar sua infância e lembrar que, antes de ser superdotada, ela é uma criança e precisa ser tratada como tal”, recomenda.

A NASA lançou um desafio e está a oferecer cerca de 28 mil euros a quem encontrar uma solução criativa para resolver o problema dos dejetos humanos nos fatos dos astronautas.

De acordo com o astronauta Rick Mastracchio, nem todos os aspetos da viagens espaciais são sempre fascinantes e agradáveis. Durante uma viagem ao espaço, os astronautas podem estar mais de dez horas com o fato vestido. No entanto, a NASA espera, no futuro, prolongar as missões espaciais por vários dias e estima que os astronautas possam ficar 144 horas (seis dias) sem acesso à casa de banho.

NASA recompensa quem encontrar solução para excrementos espaciais

NASA recompensa quem encontrar solução para excrementos espaciais

NASA recompensa quem encontrar solução para excrementos espaciais

NASA recompensa quem encontrar solução para excrementos espaciais

NASA recompensa quem encontrar solução para excrementos espaciais

NASA recompensa quem encontrar solução para excrementos espaciais

NASA recompensa quem encontrar solução para excrementos espaciais

NASA recompensa quem encontrar solução para excrementos espaciais

Segundo afirma a NASA no site do desafio, atualmente os astronautas têm utilizado fraldas, uma solução que não é adequada, por motivos de saúde, para viagens que durem mais do que um dia.

A agência espacial norte-americana procura, com o desafio, que os participantes inventem um sistema mãos-livres que recolha os resíduos e os mantenha afastados do corpo do astronauta, por um período de seis dias.

Os interessados têm até ao dia 20 de dezembro para apresentarem uma ideia e tentarem ganhar o prémio de cerca de 28 mil euros. As melhores ideias vão ser testadas, para serem implementadas dentro de três anos.

Nasa dá 1º passo para criar conexão de internet no espaço

Foi dado o passo inicial para se criar a primeira conexão de internet no espaço, um sistema inovador que poderá colocar em comunicação satélites, estações espaciais e, quem sabe um dia, humanos habitando outros planetas, por todo o Sistema Solar.

Nasa dá 1º passo para criar conexão de internet no espaço

Nasa dá 1º passo para criar conexão de internet no espaço

A Agência Espacial Norte-Americana (Nasa) acaba de instalar na Estação Espacial Internacional (ISS) uma tecnologia que é a base para uma conexão de internet, a DTN (Delay/Disruption Tolerant Networking).

A tecnologia consta em um sistema que envia uma informação em determinados “pacotes” independentes de dados que se unem na sua destinação final, conseguindo assim transmitir uma mensagem.

O DTN é bem útil para o espaço já que ele consegue lidar bem com períodos duradouros de interrupções de conectividade, o que se torna ideal para, por exemplo, receber informações de uma sonda na órbita de Plutão ou de um rover em uma das luas de Saturno sem se preocupar com possíveis interrupções de sinal e bloqueios de comunicação devido ao trânsito de outros planetas e corpos celestes.

A ação da Nasa é apenas um começo para a criação de uma rede de internet. Para que o espaço fique conectado, é necessário que a tecnologia seja instalada em outros lugares além da ISS. Quanto maior o número de nichos onde o DTN estiver funcionando, maior será a rede e melhor será a conexão.

O mistério do objeto mais esférico já encontrado no Universo

Se tem algo raro de se encontrar no Universo, é uma esfera perfeita.

Os planetas e as estrelas não são. As forças centrífugas a que são submetidos fazem com que sejam “esmagados” nos pólos.

O mistério do objeto mais esférico já encontrado no Universo

O mistério do objeto mais esférico já encontrado no Universo

Mas, a 5.000 anos-luz da Terra, está Kepler 11.145.123 (ou KIC 11145123), cuja esfera parece desafiar as leis da física. Trata-se do objeto mais esférico encontrado no espaço até agora.

A sua esfera está tão perfeitamente intacta que pesquisadores do Instituto Max Planck para o Sistema Solar e da Universidade de Gottingen, na Alemanha, estão intrigados em descobrir o que leva o objeto a ser alheio às turbulências do espaço.

“Kepler 11145123 é o objeto natural mais esférico que já medimos, é muito mais redondo do que o Sol”, disse o astrônomo Laurent Gizon, chefe do estudo.

Para chegar a esta conclusão, os pesquisadores usaram uma técnica conhecida como sismologia, ou asterosismologia estelar, que estuda a estrutura interna das estrelas e determina a esfericidade do objeto.

Passo de tartaruga

Ao girar em seus eixos, as luas, planetas e estrelas são submetidos a forças centrífugas que achatam seus pólos.

O nosso Sol tem um ciclo de rotação de 27 dias e o raio da sua circunferência é 10 quilômetros maior na sua linha do equador do que nos pólos. No caso da Terra, essa diferença é de 21 quilômetros.

Já a KIC 11145123 apresenta uma diferença de apenas 3 quilômetros, incrivelmente pequena se considerarmos que esta estrela tem um raio de 1,5 milhões de quilômetros, duas vezes maior do que o Sol.

Embora os especialistas não tenham uma resposta conclusiva sobre a razão deste fenômeno, eles dão alguns palpites:

“A rotação desta estrela é surpreendentemente mais lenta, três vezes mais devagar do que o Sol, e não sabemos exatamente o motivo”, disse Gizon à BBC.

“Mas, ao girar mais devagar, deforma menos”, acrescentou.

Além disso, seu centro gira mais lentamente do que suas camadas externas.

Campo magnético

O especialista afirma que a rotação não é, no entanto, o único fator que determina a forma de uma estrela.

Também existe o campo magnético.

“Nós percebemos que esta estrela parecia um pouco mais arredondada do que previa sua rotação”, diz o especialista.

“É por isso que também atribuimos sua forma à presença do campo magnético”.

“Nós sugerimos que seu fraco campo magnético (muito mais fraco do que o do Sol) seja uma possível explicação para a sua esfericidade”, relataram os autores do estudo, publicado na revista Science Advances.

Para os cientistas, a forma da estrela KIC 11145123 traz à tona dúvidas sobre a origem dos campos magnéticos.

“Este trabalho é um primeiro passo no estudo de formas estelares com a asterosismologia”, conclui.

É o fim? Stephen Hawking define data limite para humanidade — e não é longe

Quantos filmes retratam o fim do mundo? Inúmeros. Podemos dizer o mesmo de quadrinhos, livros, séries, quadros e vários tipos de arte. A humanidade tem uma obsessão em retratar o próprio fim. Porém, Stephen Hawking, físico célebre que não exige introduções, não está fugindo desse barco e praticamente definiu um limite para existirmos no planeta Terra: 1 mil anos.

É o fim? Stephen Hawking define data limite para humanidade — e não é longeDurante um evento na Oxford Union, antes de comentar sobre o derradeiro fim, Hawking disse que “o fato de que nós, humanos, que somos partículas meramente fundamentais na natureza, pudemos chegar tão perto de compreender as leis que nos governam e o universo é certamente um triunfo”.

Sobre as últimas décadas, o físico de 74 anos disse este é “um tempo glorioso para estar vivo e realizar pesquisas em física teórica (…) Talvez, um dia sejamos capazes de usar as ondas gravitacionais para olhar diretamente no coração do Big Bang”.
“Mas nós precisamos continuar indo ao espaço para o futuro da humanidade. Eu não acho que sobreviveremos mais 1 mil anos sem escapar e ir além de nosso frágil planeta”, definiu Hawking.

“É preciso se lembrar de olhar para as estrelas e não para baixo dos pés”

É preciso se lembrar de olhar para as estrelas e não para baixo dos pés

É o fim? Stephen Hawking define data limite para humanidade — e não é longe

Segundo o professor, os próximos 100 anos serão os preocupantes, porque devem definir as nossas atitudes “espaciais” — e ele ainda não acredita que teremos colônias em Marte antes disso. Ainda, atualmente, Hawking acredita que devemos ter mais medo do capitalismo do que de robôs.

Antes de ir embora, após jogar esse “pensamento bomba”, Stephen Hawking disse que ainda assim é preciso “se lembrar de olhar para as estrelas e não para baixo dos pés”. “Tente dar sentido ao que você vê, pergunte sobre o que faz o universo existir. Seja curioso. No mais difícil que a vida possa parecer, sempre há algo que você pode fazer e ter sucesso. O mais importante é que você não desista”.

Como ver a chuva de meteoros da constelação de Leão

Os amantes de astronomia podem reclamar de tudo, menos de que novembro é um mês entediante. Depois de superlua (que para muita gente foi uma superdecepção), os terráqueos terão outra chance para apreciar mais um fenômeno celeste.

Na noite de 17 de novembro, quem olhar para o céu na direção da constelação de Leão poderá ver uma chuva com ao menos 15 meteoros por hora.

Segundo o professor de Física e Astronomia da Univap Irapuan Rodrigues, esta é uma das melhores chuvas de meteoros para observação. A partir da meia noite do dia 17, será possível até registrar o evento com câmera fotográfica — dependendo, é claro, do nível de poluição luminosa. Quanto mais afastado das luzes dos grandes centros, melhor.

Como ver a chuva de meteoros da constelação de Leão

Como ver a chuva de meteoros da constelação de Leão

Não são necessários equipamentos especiais para observação, basta olhar para o céu na direção da constelação de Leão. Aplicativos como o Stellarium e o Sky Map podem ajudar a se localizar no céu.

De acordo com Rodrigues, uma chuva de meteoro ocorre quando a Terra atravessa o rastro de poeira e rochas (os meteoroides) que se desprendem da cauda de algum cometa na sua trajetória pelo sistema solar. No caso da chuva de meteoros Leonídeas, o cometa em questão é o 55P/Tempel-Tuttle.

Quando um destes meteoroides atravessam a atmosfera do nosso planeta, temos uma estrela cadente. E, se ele conseguir chegar são e salvo ao solo, resistindo à fricção do ar, passa a ser chamado de meteorito.

Para não se decepcionar, é bom saber: segundo a NASA, as chuvas da constelação de Leão são modestas, no geral, e podem ser ofuscadas pelo brilho da Lua.

É possível acompanhar por aqui a trasmissão ao vivo do evento, com narração em ingles.

 

Exoplanetas: o que são e como procurá-los

O exoplaneta Proxima b, cuja descoberta foi anunciada nesta quarta-feira por pesquisadores, pode engrossar as fileiras de uma dúzia de outros planetas localizados em “zonas habitáveis”, onde “todas as formas de vida são possíveis”, estima Jean Schneider, astrofísico do CNRS em Paris.

Exoplanetas: o que são e como procurá-los

Exoplanetas: o que são e como procurá-los

Pergunta: O que é um exoplaneta?

Resposta: Um exoplaneta é um planeta orbitando uma estrela fora do Sistema Solar. Ele não possui mais do que algumas dezenas de vezes a massa de Júpiter, o maior planeta do nosso sistema solar. Até o momento, encontramos quase 3.500 exoplanetas confirmados entre vários milhares de candidatos que requerem uma análise adicional. Proxima b, se a sua existência for confirmada, é mais interessante do que os outros, porque se encontra em torno da estrela mais próxima de nós, o que nos dá esperança de chegarmos lá um dia.

P: Como detectá-los?

R: Há três técnicas para detectá-los. A mais evidente, é fotografar o exoplaneta. É o método mais promissor, sobre o qual há mais pessoas trabalhando.

O segundo método, é aquele utilizado para encontrar o Proxima b. Se o movimento de uma estrela é perturbado significa que há um planeta que a perturba sob o efeito das leis da gravidade. Esta era a técnica mais rentável até 2010.

E depois há o telescópio americano Kepler. Ele utiliza um outro método: o do trânsito. Se a órbita do planeta estiver corretamente inclinada no céu em relação a nós, periodicamente o planeta passa em frente a sua estrela. Neste momento, produz um pequeno eclipse, que também chamamos de trânsito. Com este método, Kepler detectou milhares de planetas.

P: Existe alguma chance de encontrarmos vida nesses exoplanetas?

R: Dos milhares de exoplanetas confirmados, apenas algumas dezenas, como Proxima b, se encontram em uma zona habitável, ou seja, a área em torno da estrela onde um planeta tem uma temperatura compatível com a presença de água no estado líquido.

A temperatura é um critério suficiente para que seja habitável, mas isso não significa que ela seja habitado, que haja realmente organismos biológicos. Mas a partir daí, todas as formas de vida são possíveis. A gama é extremamente ampla.

As propriedades da atmosfera podem também desempenhar um papel. Para Proxima b, vamos verificar se a densidade de sua atmosfera é suficiente para proteger o planeta dos fortes raios-x da estrela. Ou então devemos pensar em uma forma de vida que se adapte aos raio-x! Precisamos ser extremamente abertos sobre o que chamamos de vida.

Já na Terra, há uma grande biodiversidade. A vida se adapta a quase todas as circunstâncias. Encontramos organismos biológicos na Antártica, bactérias sobrevivem em usinas nucleares, enquanto em outros planetas, pode haver muitas coisas mais.

 

Astrônomos espanhóis descobrem “super-Terra” a 33 anos-luz de distância

Pesquisadores do Instituto de Astrofísica das Ilhas Canárias (IAC), na Espanha, descobriram um planeta do tipo super-Terra a pouco menos de 33 anos-luz da Terra, que orbita em torno de uma estrela e que é um forte candidato para ter sua atmosfera estudada, informou nesta terça-feira esta instituição.

O descobrimento foi feito por um estudante de doutorado do IAC e da Universidade de La Laguna, Alejandro Suárez Mascareño, e seus orientadores, os pesquisadores Rafael Rebolo e Jonay Isaí González Hernández, e o estudo foi aceito pela revista especializada “Astronomy & Astrophysics”.

Astrônomos espanhóis descobrem "super-Terra" a 33 anos-luz de distância

Astrônomos espanhóis descobrem “super-Terra” a 33 anos-luz de distância

A super-Terra tem cerca de de 5,4 massas terrestres e orbita em torno de uma estrela próxima muito brilhante, a GJ 536

O curto período orbital do planeta extrassolar – 8,7 dias – e o brilho de sua estrela (uma anã vermelha relativamente fria e próxima de nosso Sol) o transformam em um candidato atrativo para que a composição de sua atmosfera seja investigada, explicou o IAC em comunicado.

Durante essa pesquisa, também foi descoberta a presença de um ciclo de atividade magnética na estrela similar ao do Sol, mas com um período inferior a 3 anos.

Alejandro Suárez explicou que, até agora, só foi detectada a super-Terra GJ 536 b, mas que já existem planos de continuar com o monitoramento da estrela para buscar outros possíveis astros extrassolares, e acrescentou que os planetas rochosos costumam aparecer em grupos, especialmente em estrelas deste tipo.

Os investigadores do IAC acreditam que vão encontrar outros planetas de baixa massa (outras super-Terras) a órbitas mais distantes, com períodos de aproximadamente 100 dias a até alguns anos, e Alejandro Suárez acrescentou que está sendo preparado um programa de busca de trânsito deste novo exoplaneta para poder determinar seu raio e densidade média.

Jonay Isaí González afirmou, por sua vez, que este exoplaneta rochoso orbita uma estrela muito menor e mais fria que o Sol, mas suficientemente próxima e brilhante.

Além disso, é observável de ambos os hemisférios do nosso planeta, por isso se apresenta como um candidato muito interessante para os presentes e futuros espectrógrafos de alta estabilidade, em particular para a possível detecção de outro planeta rochoso na zona habitável da estrela, acrescentou González.

Para detectar o planeta, de acordo com o investigador Rafael Rebolo, diretor do IAC, foi medida a velocidade da estrela com precisão da ordem de metros por segundo.

Com a construção do novo instrumento ESPRESSO coliderado pelo IAC, haverá uma melhora da precisão em um fator de dez e a busca se estenderá para planetas com condições muito similares a da Terra nesta e em muitas outras estrelas próximas, destacou Rebolo.

Este planeta foi detectado em um esforço conjunto entre o IAC e o Observatório de Genebra, usando os espectrógrafos HARPS (sigla em inglês para Buscador de Planetas por Velocidade Radial de Alta Precisão) do Telescópio ESO de 3,6 metros de diâmetro, no Observatório de La Silla (Chile), e HARPS Norte, situado no Telescópio Nacional Galileu (TNG), do Observatório del Roque de los Muchachos, em Garafía (La Palma), nas Ilhas Canárias.