Monthly Archives: fevereiro 2018

Físicos buscam realidade além de matéria, energia, espaço e tempo

Embora provavelmente não tivesse a intenção de provocar algo tão chocante, Nicolau Copérnico, em um tratado do século 16, deu origem à ideia de que os seres humanos não ocupam um lugar especial no céu. Quase 500 anos depois, passamos a nos ver apenas como uma espécie a mais em um planeta orbitando em torno de uma estrela no universo que chamamos de lar. E este pode ser apenas um dos muitos universos.

Físicos buscam realidade além de matéria, energia, espaço e tempo
GEORGE JOHNSON
DO “NEW YORK TIMES”

Apesar dos sucessivos rebaixamentos, continuamos confiantes de que nosso bando de primatas dispõe do que é necessário para entender o cosmos.
É quase dado como certo que tudo, da física à biologia, passando pela mente, se resume afinal de contas a quatro conceitos fundamentais: matéria e energia interagindo em uma arena de espaço e tempo.

Mas alguns céticos desconfiam que esteja faltando uma peça essencial. Não há razão para crer que, neste século em particular, o Homo sapiens já tenha juntado todas as peças necessárias para uma teoria de tudo. Ao deslocar a humanidade de uma posição privilegiada, o princípio copernicano se aplica não apenas a onde estamos no espaço, mas a onde estamos no tempo.

Desde que foi publicado, em 2012, “Mind and Cosmos” (mente e cosmos), do filósofo Thomas Nagel, tem causado muita polêmica. Nagel rejeita a ideia de que o universo se resume a matéria e forças físicas. Ele também duvida de que as leis da evolução possam ter produzido algo tão excepcional como a vida senciente.

Nagel, que é ateu, acredita que as respostas ainda podem ser encontradas por meio da ciência, mas somente se ela for expandida. “Os seres humanos são viciados na esperança de um acerto de contas final”, escreveu, “mas a humildade intelectual exige que resistamos à tentação de pressupor que o tipo de ferramentas que temos agora são, em princípio, suficientes para entender o universo como um todo”.

Nagel considera surpreendente que o cérebro humano tenha desenvolvido uma ciência e uma matemática tão em sintonia com o cosmos, o que torna possível prever e explicar tantas coisas. Os neurocientistas acreditam que tais faculdades mentais de alguma forma decorrem da sinalização elétrica dos neurônios. Mas ninguém conseguiu chegar perto da explicação de como isso ocorre. Isso, como propõe Nagel, pode exigir outra revolução: mostrar que a mente, em conjunto com a matéria e a energia, é “um princípio fundamental da natureza” -e que vivemos em um universo preparado para “gerar seres capazes de compreendê-lo”. Em vez de ser uma série de mutações aleatórias, a evolução teria uma direção, talvez até mesmo um propósito.

Nagel não está sozinho ao defender tais ideias. O biólogo Stuart Kauffman sugeriu que a teoria darwinista precisa ser ampliada para explicar o surgimento de criaturas inteligentes. E o filósofo David Chalmers pediu aos cientistas que considerem seriamente o “pampsiquismo” -a ideia de que algum tipo de consciência, ainda que rudimentar, permeia as coisas do universo.

Agora, um novo livro do físico Max Tegmark sugere que um ingrediente diferente -a matemática- precisa ser incorporado à ciência como uma das partes irredutíveis da natureza.

Tegmark, em seu livro “Our Mathematical Universe: My Quest for the Ultimate Nature of Reality” (nosso universo matemático: minha busca pela natureza suprema da realidade), diz que o universo é uma estrutura matemática.

Mas os números, apesar de todo o poder, seriam realmente a raiz da realidade? Ou são um produto da mente humana? O matemático Edward Frenkel observou, ao resenhar o livro, que apenas uma pequena parte do vasto oceano da matemática parece descrever o mundo real. O resto parece dizer respeito apenas a ela própria.

Em última análise, pode ser que, daqui a milênios, a ciência na Terra por volta de 2014 pareça ter sido apenas bom começo, e nada mais que isso.

GEORGE JOHNSON
DO “NEW YORK TIMES”

ONDE ESTÁ O TESLA DE ELON MUSK? ACOMPANHA-O NESTE SITE

À DATA EM QUE ESCREVEMOS ESTE ARTIGO, O TESLA DE ELON MUSK JÁ ESTAVA A MAIS DE 3 MILHÕES QUILÓMETROS DA TERRA.

À DATA EM QUE ESCREVEMOS ESTE ARTIGO, O TESLA DE ELON MUSK JÁ ESTAVA A MAIS DE 3 MILHÕES QUILÓMETROS DA TERRA.

À DATA EM QUE ESCREVEMOS ESTE ARTIGO, O TESLA DE ELON MUSK JÁ ESTAVA A MAIS DE 3 MILHÕES QUILÓMETROS DA TERRA.

O foguetão descolou levando consigo um carro cuidadosamente preparado para a missão espacial (e mediática) de se tornar o primeiro em órbita. Um Tesla Roadster vermelho, com um astronauta perfeitamente equipado e banda sonora a condizer com a subida, tornaram-se dois elementos novos na história da astronomia, num acontecimento que não se podia esgotar no próprio dia.

É por esse motivo que Ben Pearson, um especialista em astronomia e amante de satélites, criou o WhereIsRoadster.com, um site que, cruzando informações baseadas em dados fornecidos pela NASA, pelo programa JPL, e os seus cálculos de simulação, determina a posição do Tesla, acompanhando-o na sua jornada pelo Espaço.

Em WhereIsRoadster.com podemos ver a evolução em tempo real da quilometragem concluída pelo veículo eléctrico, mas não só. Para tornar a experiência mais interessante, Pearson juntou alguns dados curiosos. Como por exemplo, o número de vezes que este Tesla já expirou a sua garantia por passar o limite dos 57 mil quilómetros (36 mil milhas) ou a velocidade média do veículo — 32 km/s.

ONDE ESTÁ O TESLA DE ELON MUSK? ACOMPANHA-O NESTE SITE

ONDE ESTÁ O TESLA DE ELON MUSK? ACOMPANHA-O NESTE SITE

À data em que escrevemos este artigo, o carro de Musk já estava a 3 mil milhões quilómetros da Terra, mais precisamente a 3 435 167 km. Recorde-se que a ideia era deixar o Tesla Roadster na órbita de Marte, mas o lançamento acabou por ser demasiado potente.

Noutra das secções do site, Ben Pearson faz ainda uma lista dos pontos alto da vida do carro, prevendo as suas passagens da proximidade de outros corpos celestes até 2020 — embora o carro se possa desintegrar totalmente antes.

Entrevistado pelo The Verge, o engenheiro amante do Espaço confessou que esta sua paixão já dura desde o terceiro ano de escolaridade, adiantando ainda que é fã de Musk e das loucuras em que este se mete.

Quando ao retorno do eléctrico à Terra, Pearson calcula que a primeira passagem nas imediações possa ser já em 2019, mas que, se o carro sobreviver em 2091, fará a órbita mais próxima do nosso planeta.

Sophia já consegue andar: conheça a robô que está aprendendo a ser “humana

Em um de seus primeiros vídeos, ela se apresenta com um timbre de voz gelado. “Oi, aqui é Sophia. Não sei bem o que realmente significa ser humana. Acho que vai levar algum tempo para entender todos vocês. Talvez vocês me ensinem como ser humana ao longo do caminho”.

Sophia já consegue andar: conheça a robô que está aprendendo a ser "humana"

Sophia já consegue andar: conheça a robô que está aprendendo a ser “humana”

Esse foi um dos vislumbres da robô Sophia, que “nasceu” (digo, foi ativada) em 19 de abril de 2015, segundo a empresa criadora, a Hanson Robotics. Seu último avanço ocorreu nesta segunda (8) na feira de tecnologia CES, em Las Vegas, quando ganhou pernas e andou pela primeira vez – antes só se movia com rodinhas.

Sophia é considerada a melhor robô de interações pessoais da atualidade. Ela é dotada de um rosto sintético inspirado na atriz Audrey Hepburn (de “Bonequinha de Luxo”) e na esposa de seu criador, David Hanson, presidente da companhia que leva seu nome. Também possui a tecnologia chamada de aprendizado de máquina, que faz com que ela “fique mais inteligente” ao vivenciar experiências.

O rosto de Sophia é capaz de pelo menos 62 expressões faciais e de pescoço. Ela tem câmeras nos olhos para conseguir “ler” as reações faciais dos interlocutores para que isso a ajude a falar e se expressar melhor. A careca Sophia expõe seu cérebro eletrônico no crânio com um material transparente.

Esse cérebro contém três configurações: uma plataforma de pesquisa em inteligência artificial, que responde perguntas simples como “A porta está aberta ou fechada?”; um programa robô que recita frases pré-carregadas; e um “chatbot” que “olha” para as pessoas, ouve o que eles dizem e escolhe uma resposta apropriada, além de dar dados da internet de interesse geral, como o preço do bitcoin.

Sophia pop star

Sophia vem sendo alvo de muita atenção da mídia nesses dois anos de vida. Em poucos meses ela ganhou cidadania na Arábia Saudita, discursou na ONU, fez gracinhas em um dos talk shows mais famosos dos EUA e disse que quer destruir a humanidade mas também ter uma família. Em meio a tudo isso, causou algumas polêmicas também.

 Em um de seus primeiros vídeos, ela se apresenta com um timbre de voz gelado. "Oi, aqui é Sophia. Não sei bem o que realmente significa ser humana. Acho que vai levar algum tempo para entender todos vocês. Talvez vocês me ensinem como ser humana ao longo do caminho".

Em um de seus primeiros vídeos, ela se apresenta com um timbre de voz gelado. “Oi, aqui é Sophia. Não sei bem o que realmente significa ser humana. Acho que vai levar algum tempo para entender todos vocês. Talvez vocês me ensinem como ser humana ao longo do caminho”.

Robô Sophia em sua primeira aparição no festival South by Southwest, Austin, em 2016, ao lado de seu criador, David Hanson

Vem aí um Einstein e “Blade Runner”

A trajetória de Sophia se confunde com a da Hanson Robotics, companhia criada em 2013 em Hong Kong e que tem como fundador o americano David Hanson, ex-funcionário de animatrônicos –robôs de parques temáticos– da Disney e um dos maiores entusiastas da robótica da atualidade.

Desde 2005 ele trabalha em pelo menos outros oito robôs, incluindo versões com os rostos artificiais do físico Albert Einstein e do escritor Philip K. Dick. Esse último é autor do livro de ficção científica que inspirou o filme “Blade Runner”, que, veja só, fala em humanos artificiais trabalhando –e se rebelando– contra os humanos.

Mas como temos visto, Sophia é a menina dos olhos da Hanson. Na visão dele, o objetivo da robô é ajudar crianças e idosos em cuidados de saúde, educação e serviços de atendimento ao consumidor. Isso, claro, quando ela estiver pronta, pois seu “pai” ainda pensa nela como um bebê em constante aprendizado.

“É parte máquina, parte criança, ainda que tenha todas essas capacidades cognitivas e o vocabulário de um adulto”

Hanson à CNET

Sophia já consegue andar: conheça a robô que está aprendendo a ser "humana"

Sophia já consegue andar: conheça a robô que está aprendendo a ser “humana”

Sophia “sorri” no evento Further Future, em Las Vegas, em 2016

Afinal, é a robô mais evoluída?

Existem duas grandes polêmicas envolvendo a robô favorita do mundo atualmente. A primeira é se ela é realmente o robô mais perfeito já criado para a interação humana, como dão a entender. A segunda é se não estamos dando atenção demais a isso, dando a Sophia direitos que nem certos humanos conquistaram ainda.

As aparições públicas de Sophia dividem opiniões; muitos acham espantosa a sua capacidade de ter um mínimo de conversação com adultos e falar sobre diversos temas, mas outros apontam que a robô tem muitas limitações que vem sendo maquiadas pelo estilo marqueteiro da Hanson Robotics.

Sophia já discursou ou conversou com muitas pessoas em diversas ocasiões, mas ela normalmente traz muitas respostas prontas e poucas interações mais desafiadoras, além de sempre ser solicitada a contar piadas bobas, como se precisasse seguir um roteiro.

Na entrevista à “Elle”, por exemplo, a editora disse que em alguns momentos recebeu “respostas nonsense”, falando sozinha ou sem dizer nada. Ela ainda quis perguntar sobre Donald Trump, mas foi alertada “para não entrar em assuntos políticos” (religião e sexo também são assuntos proibidos).

Ela também já foi criticada por sua inteligência artificial limitada e por suas expressões faciais meio esquisitas e artificiais.

Sophia em uma festa estranha com gente esquisita

Sophia já consegue andar: conheça a robô que está aprendendo a ser "humana"

Sophia já consegue andar: conheça a robô que está aprendendo a ser “humana”

“Sua aparência ainda não é tão convincente. Diria que ela está no “vale da estranheza'”, diz o professor de robótica do ICMC-USP Fernando Osório, referindo-se à teoria que diz que robôs que se comportam de forma muito parecida, mas não idêntica, aos seres humanos causam repulsa.

Até mesmo Ben Goertzel, cientista-chefe da Hanson Robotics, admite que o sistema de Sophia é bem parecido ao que vemos há anos na assistente pessoal da Apple, a Siri e que não acha “ideal” o entendimento geral que ela possui AGI, isto é, inteligência geral artificial (o termo da indústria equivalente à inteligência humana).

Outro tema polêmico, mas na seara mais política, foi quando a robô ganhou cidadania saudita, sendo a primeira do gênero a alcançar tal feito. Nas redes sociais, foi levantado o fato de que, assim, ela ganhou mais direitos que as mulheres no país, considerado um dos Estados mais opressivos do mundo para as mulheres.

Ainda há também controvérsias se é sequer o robô pessoal mais avançado da atualidade. Afinal, há bons concorrentes por aí, como o Asimo da Honda, que tem mais de 15 anos de estrada e os da LG que interagem com passageiros de aeroportos; Fora os que malham, que dão saltos mortais, e robôs assistentes como Jibo e Kuri.

“O Asimo não tem desenvoltura nem expressão facial, mas pode receber a ordem de várias pessoas e saber qual pessoa está falando com ele pela percepção de áudio” 

Adam Henrique Pinto, membro do grupo de pesquisa e competição em robótica Warthog

Mas a questão que perdura é: queremos mesmo que Sophia, ou qualquer outro robô, seja tão perfeita assim?

O criador David Hanson diz que acredita no dia que robôs serão indistinguíveis de humanos, mas prefere que eles tenham aparência próxima, mas não igual, à humana. E nomes como Stephen Hawking e Elon Musk já se opõem a robôs definitivos, o que gerou até uma resposta jocosa de Sophia (ver arte abaixo).

“Não vamos chegar ao ponto de sermos dominados. Os robôs existem para nos ajudar e a inteligência artificial existe para facilitar a nossa vida. E a robótica não é mais uma área isolada da tecnologia. Ela está caminhando com as ciências humanas e levando em conta fatores éticos em seu desenvolvimento”, defende o doutorando em robótica do ICMC-USP Daniel Todazore.

Inteligência artificial redefine o humano, diz estudioso em “Blade Runner

Você pode nunca ter ouvido falar do autor americano Philip K. Dick (1928-1982), mas certamente já se divertiu com alguma de suas ideias. Suas histórias inspiraram filmes como “Blade Runner” e “Minority Report” e séries como “The Man in the High Castle” e “Electric Dreams”. Seu trabalho foi adaptado ao cinema e à TV mais do que qualquer outro autor de ficção científica, e um de seus maiores estudiosos acredita que suas histórias foram o pontapé para um debate sobre como robôs e inteligências artificiais nos obrigarão a redefinir o que significa ser humano.

Cena de "Blade Runner" (1982), clássico do cinema baseado em conto de Philip K. Dick...

Cena de “Blade Runner” (1982), clássico do cinema baseado em conto de Philip K. Dick…

Invenções assim são capazes de alterar radicalmente nossa realidade. É esse “papo-cabeça” que o físico espanhol Salvador Bayarri pretende trazer para São Paulo, durante a palestra que dará na quinta-feira (1º), na Campus Party 2018.

O físico, escritor e estudioso da obra de Philip K. Dick, o espanhol Salvador Bayarri.

Inteligência artificial redefine o humano, diz estudioso em “Blade Runner.

“Ele estava bem à frente de seu tempo. A maior parte da ficção nos anos 1950 e 1960 era sobre alienígenas e aventuras espaciais”, conta ele, que estuda a obra de Dick há mais de 15 anos. “Suas ideias influenciaram o movimento cyberpunk e filmes populares como ‘Matrix’ e programas de TV como ‘Westworld’ e ‘Black Mirror'”.

"Minority Report" (2002), dirigido por Steven Spielberg e estrelado por Tom Cruise.

“Minority Report” (2002), dirigido por Steven Spielberg e estrelado por Tom Cruise.

UOL – Como Philip K. Dick inspirou a ciência atual?

SB – Há duas áreas em que a visão de Dick é relevante para a ciência. Primeiro, ele podia ver que androides e inteligência artificial nos obrigariam a redefinir o que significa ser humano. Sua resposta foi que a empatia é o ingrediente-chave, independentemente da base física ou biológica.

Algoritmos superam as pessoas em jogos e resolvem problemas complexos, mas ainda estão longe de passar em um teste de empatia realista.

Uma IA (inteligência artificial) mais empática é essencial para aplicações como veículos autônomos ou sistemas de cuidados de saúde, em que a comunicação com as pessoas é importante e as decisões sobre vida e morte devem ser feitas.

A segunda área em que Dick deve ser uma inspiração é a consideração da realidade virtual como um conceito que deve abranger não só a tecnologia da informação, mas também a ciência social e cerebral. Na visão de Dick, a realidade é uma construção produzida como uma alucinação compartilhada, preenchida com memórias ou crenças verdadeiras ou falsas, crenças, sonhos e medos. Não se trata apenas de exibições montadas na cabeça, mas sobre como os dados e as interpretações que recebemos são filtrados e manipulados.

Inteligência artificial redefine o humano, diz estudioso em "Blade Runner.

Cena de “Blade Runner 2049”, continuação do clássico de 1982

UOL – O que acha dos recentes avanços em inteligência artificial e robótica? Precisamos de mais controle dos governos sobre isso?

Acho que estamos atingindo um estágio crítico e é importante pensar sobre o uso dessas tecnologias. Do mesmo modo que proibimos armas biológicas e químicas e tentamos controlar arsenais nucleares,

os esforços para proibir o uso ou “robôs assassinos” e outras armas autônomas são necessários antes que o uso desses aparelhos se espalhe para todos os tipos de mãos.

As aplicações de inteligência artificial estão crescendo exponencialmente. Algoritmos agora aprendem com outros algoritmos e podem evoluir por si mesmos. Não é algo que podemos parar, porque precisamos destas tecnologias, mas é uma boa ideia pensar sobre o que pode dar errado e tentar evitar.

A Comissão dos Assuntos Jurídicos do Parlamento Europeu
apresentou um relatório sobre as regras de direito civil em robótica, inspirado nas Três Regras da Asimov. A importante discussão que devemos ter não é apenas sobre “robôs assassinos”, mas também sobre como os empregos e decisões automáticos vão mudar a economia e como os impostos, as normas trabalhistas e todo o contrato social precisam se adaptar a essa transformação.

Inteligência artificial redefine o humano, diz estudioso em "Blade Runner.

Série da Amazon “Electric Dreams” também se inspira em contos de Philip K. Dick.

Série da Amazon “Electric Dreams” também se inspira em contos de Philip K. Dick

UOL – Acha que estamos perto de obter o mesmo nível de excelência dos replicantes do Blade Runner?

SB – Replicantes –“androides” era o termo original usado por Dick– são seres biológicos aprimorados com memórias e sentimentos artificiais. Estamos longe de projetar e construir algo como eles, seja biológico ou mecânico. No entanto, como queremos prolongar nossas vidas e também precisamos nos adaptar à vida no espaço e às mudanças no ambiente da Terra, é provável que a raça humana evolua para subespécies híbridas combinando órgãos e componentes artificiais e reforçados.

UOL – Stephen Hawking e outros cientistas estão certos de ter medo dos futuros robôs?

SB – Penso que eles estão certos em se preocupar e empenhar as nações a pensar sobre isso. Como Stanislaw Lem e outros autores de ficção científica sugeriram, as IAs evoluirão mais rapidamente do que nós. Em algum momento, será difícil para nos comunicar e entender esses sistemas complexos. Precisamos ter cuidado, adicionando salvaguardas às IAs da mesma forma que adicionamos verificações de segurança e de emergência em usinas nucleares. Nossa melhor chance, como Dick pode dizer, é construir empatia nesses “seres”, para torná-los tão humanos quanto somos, ou mais.

Série da Amazon "The Man in the High Castle", baseada em conto de Philip K. Dick, retrata como seria o mundo se o nazismo tivesse vencido...

Série da Amazon “The Man in the High Castle”, baseada em conto de Philip K. Dick, retrata como seria o mundo se o nazismo tivesse vencido…

Série da Amazon “The Man in the High Castle”, baseada em conto de Philip K. Dick, retrata como seria o mundo se o nazismo tivesse vencido

UOL – As previsões de Dick estão se tornando realidade?

SB – A ficção científica não tenta prever o futuro. É uma maneira de imaginar o que poderia acontecer e talvez nos ajude a aprender algo antes disso. Mas o futuro nunca se realiza como imaginamos. Hoje, vemos como nossa realidade pode ser moldada, pelas redes sociais ou por forças determinadas a influenciar nossas corações e mentes para seus interesses. Confirmar nossas crenças pela escolha das fontes “corretas” é um mecanismo de distorção tão poderoso quanto as drogas e “feixes de informação” que Dick usou em suas histórias.

Cena de "O Vingador do Futuro" (1990), estrelado por Arnold Schwarzenegger.

Cena de “O Vingador do Futuro” (1990), estrelado por Arnold Schwarzenegger.

UOL – Qual é a sua adaptação favorita das histórias de Dick para outra mídia?
Crescendo nos anos oitenta, para mim, os originais “Blade Runner” e “O Vingador do Futuro” estabeleceram um padrão muito alto, não porque fossem completamente fieis, mas porque conseguiram tirar os elementos mais profundos da visão de Dick e aprimorá-los. Muitas vezes, a ação adicional e os efeitos especiais ocultam grande parte das ideias básicas, como em “Minority Report”. Estou gostando muito da série de TV ”

Inteligência artificial redefine o humano, diz estudioso em “Blade Runner.

 

 

 

 

 

 

7 plataformas e conselhos para quem quer estudar online

Opções como Udacity, Coursera e edX oferecem os conteúdos mais inovadores produzidos no mundo para quem quer se atualizar. Mas a escolha requer alguns cuidados

Nos próximos anos, a qualificação em áreas tecnológicas será um dos pré-requisitos básicos para quem deseja conquistar novas oportunidades de trabalho. De acordo com o relatório divulgado pela consultoria McKinsey em dezembro de 2017, 15 milhões de pessoas vão perder o emprego até 2030, somente no Brasil, devido à evolução da inteligência artificial e da automação.

A mesma pesquisa afirma, no entanto, que um número ainda maior de profissões será criado. Os profissionais capazes de atuar nelas são aqueles que priorizaram a educação e o desenvolvimento de suas habilidades, uma vez que todas essas mudanças que estão acontecendo vão acelerar o mercado de trabalho — podendo ser enxergadas não como risco, mas como oportunidade.

Nesse contexto, as plataformas digitais vêm ganhando cada vez mais destaque como opção para quem quer se capacitar e encontrar melhores oportunidades de trabalho.

“Aprender o tempo todo, independentemente do estágio de maturidade da carreira, é fundamental para que a gente não se torne obsoleto. Temos que ser capazes de estudar e trabalhar ao mesmo tempo, e isso é facilitado pela experiência que as plataformas online oferecem”, destaca Carlos Souza, diretor-geral para América Latina da Udacity, empresa que oferece cursos online em parceria com gigantes como Google, Facebook e Amazon.

Uma característica fundamental das plataformas digitais é que elas possibilitam um ritmo de lançamento e atualização de cursos de forma rápida, garantindo que os conteúdos estejam sempre atualizados e alinhados às inovações que surgem no mundo todo. O ensino a distância também oferece maior praticidade ao permitir que as pessoas aprendam a qualquer hora e lugar.

Muitos cursos online são desenvolvidos em parceria com especialistas e empresas que estão construindo as principais inovações do mundo. Aprender com eles é dominar o que existe de mais quente em sua área, reforça Carlos.

Conheça 7 opções de plataformas digitais para se qualificar:

Udacity — Conhecida como Universidade do Vale do Silício, oferece mais de 20 cursos nas áreas de tecnologia e negócios como marketing digital, ciência de dados, machine learning, redes neurais e realidade virtual – todos em português. O preço varia de R$ 399,00 a R$ 3.399,00 e inclui mentoria, revisão de projetos por especialistas e certificado. Também estão disponíveis cursos gratuitos que podem ser iniciados a qualquer momento. www.udacity.com.br

Coursera — Em parceria com universidades e instituições de ensino no mundo todo, disponibiliza cursos nas áreas de negócios, tecnologia da informação, desenvolvimento pessoal, etc. Há diversas opções ministradas em português e o aluno pode receber seu certificado mediante o pagamento de uma taxa que varia conforme o curso. pt.coursera.org

edX — Fundada por Harvard University e MIT em 2012, seus cursos cobrem as áreas de negócios, engenharia, economia, ciência da computação, etc. Dentre as mais de 1800 opções, apenas três são oferecidas em português. www.edx.org

Veduca — A plataforma brasileira oferece cursos ministrados por professores de reconhecidas instituições de ensino parceiras, como a USP. Ao optar pelo curso certificado, no valor de R$ 79,00, o aluno tem a oportunidade de fazer a avaliação do curso e receber um certificado digital. veduca.org

FGV Online — Lançada em 2000 pela Fundação Getúlio Vargas, disponibiliza opções das mais diversas áreas, como gestão empresarial, marketing, direito e até relações internacionais. Seus cursos são gratuitos, abertos a todos e sem pré-requisitos.www.fgv.br/fgvonline

Sebrae — Os cursos a distância são totalmente gratuitos e estão divididos de acordo com o perfil e necessidade de quem deseja abrir um negócio: finanças, vendas, empreendedorismo, planejamento, inovação, pessoas e leis são alguns dos principais temas.www.sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/ead/

Eduk — A plataforma oferece mais de 1200 cursos e tutoriais, do básico ao avançado, para quem quer aprender com especialistas premiados, autores de livros e empreendedores. Há opções nas áreas de artesanato, estética, moda, design, gastronomia e fotografia — e os valores vão de R$ 238,80 a R$ 358,80 anuais. www.eduk.com.br

Cuidados na escolha
Certos cuidados também devem ser tomados antes da escolha da instituição e do curso a ser realizado. É preciso estar atento a certos aspectos na hora da tomada da decisão, para não haver arrependimentos. E, lembre-se, acreditar que este tipo de curso dispensa dedicação é um mito.

Confira, a seguir, algumas dicas de especialistas ouvidos pela CIO para quem deseja se preparar por meio desta modalidade de estudo:

1- Pesquise sobre a instituição
Antes de se matricular, é importante conhecer a instituição escolhida. A tradição e idoneidade são essenciais. Verifique se ela está devidamente cadastrada nos órgão regulares e se possui o credenciamento necessário para oferecer tais cursos. Aproveite também para saber sobre a validade do certificado no mercado e o seu reconhecimento.

2- Se possível, conheça o estabelecimento
Visitar as sedes e polos ajuda a conhecer a estrutura da escola e a maneira como está organizada, se possui laboratórios à disposição dos alunos e as suas instalações. Além disso, procure saber se a escola possui aulas presenciais e, caso seja possível, assista a uma dessas apresentações, pois assim será uma maneira de conhecer os métodos de ensino.

3- Avalie a qualidade do material
Para quem realiza um curso de educação a distância, a qualidade do conteúdo do material didático é essencial. Informe-se sobre como ele está disponível (online, para impressão ou enviado no domicílio), se o seu valor está incluso no preço do curso, como ele é preparado, se possui erros e se está adequado à modalidade de curso pretendida.

4- Verifique se há meios de contato com a instituição e professor
Além do material didático e da estrutura da escola, o aluno deve se preocupar com os meios de comunicação que a instituição oferece. É importante que as ferramentas para obter informações ou tirar dúvidas sejam acessíveis, ágeis e eficientes. Cheque também quais são as opções de contato entre aluno e professor, se há chats e reuniões online, encontros e ou livre comunicação via telefone ou e-mail.

5- Acesse a grade curricular
Nem sempre pelo nome do curso é possível saber todos os assuntos abordados. É imprescindível analisar a grade curricular do ensino, conhecer as disciplinas, o que será abordado em cada aula e ver se o foco ensinado condiz com aquele que o aluno precisa para obter uma preparação satisfatória.

6- Analise currículo dos professores
É essencial conhecer o potencial do quadro de professores da instituição. Procure saber sobre a formação e capacitação técnica, bem como a experiência dos profissionais em relação ao ensino a distância. Os educadores devem possuir uma formação sólida e que corresponda às necessidades dos alunos.

7- Converse com atuais e ex-aluno da instituição
O contato com alunos que estão realizando ou que já concluíram um curso na instituição pode dar subsídios para a tomada de decisão. Pesquise também órgãos de atendimento ao consumidor, que podem trazer registros de reclamações e a condução para a resolução das mesmas.

 

Caça da Boeing que faria Brasil-Japão em 3h só será viável em 10 a 20 anos.

Caça da Boeing que faria Brasil-Japão em 3h só será viável em 10 a 20 anos.

Conceito do novo caça hipersônico, que poderá atingir 6.120 km/h (Divulgação)

Conceito do novo caça hipersônico, que poderá atingir 6.120 km/h (Divulgação)

A Boeing iniciou os estudos para o desenvolvimento de um novo caça hipersônico, capaz de voar a cinco vezes a velocidade do som, o equivalente a 6.120 km/h. O novo avião, no entanto, ainda deve demorar de 10 a 20 anos para se tornar viável, afirmou a Boeing em comunicado enviado ao blog Todos a Bordo. Caso realmente seja desenvolvido, o novo caça deverá ser o avião mais rápido já produzido na história da aviação.

Teoricamente conseguiria viajar entre São Paulo e Tóquio (Japão) em três horas. A fabricante norte-americana, no entanto, ainda não divulgou qual seria a autonomia de voo do avião em velocidade hipersônica nem se ele seria capaz de voar por três horas a essa velocidade.

O projeto do caça hipersônico foi apresentado no início do mês durante o fórum do Instituto Americano de Aeronáutica e Astronáutica, realizado em Orlando, nos Estados Unidos. “Recentemente, desenvolvemos o design conceitual de uma aeronave de demonstração hipersônica. Uma versão operacional do conceito de aeronave poderia ser usada para inteligência, vigilância, reconhecimento e missões de ataque”, afirma a empresa.

A Boeing tem investido em novas tecnologias para desenvolver o caça hipersônico, especialmente em questões aerodinâmicas e no funcionamento dos motores para conseguir atingir velocidades cinco vezes maior que a do som. Na parte aerodinâmica, por exemplo, as principais mudança estão no desenho da fuselagem, das asas e da cauda do avião.

“Vemos a forma da fuselagem sendo projetada com ângulos de baixo impacto. As asas e as caudas terão bordas de ataque que avançarão em direção ao trecho traseiro do veículo em ângulos relativamente grandes. Ambas as características reduzem o arrasto aerodinâmico [resistência do ar]”, diz a empresa.

Motores inovadores

A Boeing também trabalha em um sistema de funcionamento dos motores chamado de ciclo combinado baseado em turbina (TBCC). O novo conceito abandona a propulsão baseada em foguete para utilizar motores scramjet, que permite funcionar em velocidades hipersônicas.

Com isso, no estágio inicial do voo, os motores usariam o sistema tradicional de turbinas. Após atingir a velocidade do som, o avião adotaria um sistema que trabalha com o ar a velocidades supersônicas dentro do motor do avião. Na desaceleração para o pouso, o caça voltaria a usar o sistema tradicional de turbinas.

A Boeing também trabalha em um sistema de funcionamento dos motores chamado de ciclo combinado baseado em turbina (TBCC). O novo conceito abandona a propulsão baseada em foguete para utilizar motores scramjet, que permite funcionar em velocidades hipersônicas.

Com isso, no estágio inicial do voo, os motores usariam o sistema tradicional de turbinas. Após atingir a velocidade do som, o avião adotaria um sistema que trabalha com o ar a velocidades supersônicas dentro do motor do avião. Na desaceleração para o pouso, o caça voltaria a usar o sistema tradicional de turbinas.

Ainda não há dinheiro disponível.

Uma imagem divulgada pela própria Boeing mostra como deverá ser o novo avião. No entanto, apesar dos avanços nas pesquisas, ainda não há recursos disponíveis dentro da empresa para a criação do caça hipersônico. A empresa ainda estuda novas tecnologias que poderão ser agregadas ao projeto.

“Um demonstrador de avião hipersônico reutilizável não está sendo construído atualmente e não há planos concretos ou recursos alocados para fazê-lo, mas continuamos buscando mais oportunidades de pesquisa junto a agências parceiras a fim de avançar no design e nas tecnologias que darão origem a um eventual demonstrador de aeronave hipersônica reutilizável. Seria prematuro especular quando um veículo de voo hipersônico operacional poderá se uma tornar realidade, mas é justo dizer que poderia ser viável dentro de 10 a 20 anos”, diz a Boeing.

A Boeing já teve um avião experimental não-tripulado que superou em 5,1 vezes a velocidade do som (6.242 km/h). O X-51 Waverider foi lançado de um caça bombardeiro B-52 Stratofortress e voou a essa velocidade por 3,5 minutos antes de cair no mar já sem combustível.

Como seria o mundo se a Terra fosse realmente plana, segundo a ciência… – Veja mais

A Terra é redonda ou plana?

A Terra é redonda ou plana?

Conceito de uma Terra plana com o Polo Norte no centro e a Antártida nas periferias é defendido por alguns.

Essa pergunta pode parecer ridícula para muitas pessoas, e sua resposta, óbvia. Ou talvez não?

A teoria de que a Terra é plana ganhou adeptos nos últimos anos, com a primeira conferência de “terraplanistas” realizada no fim do ano passado nos Estados Unidos. Há inclusive celebridades de Hollywood que a defendem. E, apesar de haver muitas provas (gráficas e físicas) de que o nosso planeta é redondo, o debate ressurge com frequência.

Por isso, a fim de acabar com as especulações, o geofísico James Davis, da Universidade de Columbia, em Nova York, membro do Observatório Terrestre Lamont-Doherty, idealizou um cenário de como seria a Terra se ela fosse de fato plana, tendo como base pressupostos dos terraplanistas.

1. A gravidade

Quem acredita que a Terra tem a forma de um disco parte do pressuposto de que a gravidade exerceria sua força diretamente para baixo, mas não é assim que funciona esse fenômeno. Davis esclarece que, segundo o que sabemos sobre a força gravitacional, ela puxa tudo para o centro.

Então, quanto mais longe do centro do disco, mais a gravidade puxaria as coisas horizontalmente. Isso teria efeitos estranhos, como sugar toda a água do mundo para o centro do disco, e fazer com que árvores e outras plantas crescessem diagonalmente, já que elas se desenvolvem na direção oposta à da gravidade.

Caminhar também seria uma tarefa complicada, com uma força que nos empurraria rumo ao centro quando tentássemos chegar à borda do disco. Seria como subir uma encosta muito inclinada.

2. O Sistema Solar

O modelo de Sistema Solar que prevalece hoje situa o Sol no centro deste conjunto, onde a Terra circula ao redor da estrela – graças a uma órbita que nos aproxima e nos distancia desse astro de acordo com a época do ano.

Os terraplanistas colocam a Terra no centro do Universo, onde o Sol opera como uma lâmpada que irradia luz e calor de lado a outro do planeta, mas não falam de uma órbita.

Davis acredita que, sem essa órbita ou a força gravitacional do Sol, nada impediria que o planeta fosse expelido para fora do Sistema Solar.

Uma Terra plana teria outra incongruência. Se o Sol e a Lua circulam sobre o planeta, seria possível haver dias e noites, mas não as estações, eclipses e outros fenômenos astronômicos que dependem do formato esférico da Terra.

Além disso, o Sol teria que ser menor do que a Terra, caso contrário poderia nos queimar ou cair sobre nós. Davis destaca, no entanto, haver medições suficientes que mostram que o Sol tem 100 vezes o diâmetro da Terra.

3. Campo magnético

As leis da física que conhecemos hoje em dia estabelecem que o núcleo da Terra gera seu campo magnético.

Em um planeta plano, segundo os defensores desse modelo, esse campo não existe. Sendo assim, diz o especialista, não haveria uma atmosfera, o que faria com que o ar e os mares fossem parar no espaço. É o que ocorreu em Marte quando o planeta perdeu seu campo magnético.

4. Atividade tectônica

O movimento das placas tectônicas e os movimentos sísmicos são explicados apenas com uma Terra redonda. “Só em uma esfera as placas se encaixam de uma forma sensata”, diz Davis.

Os movimentos das placas de um lado da Terra afetam os movimentos no outro lado. As áreas da Terra que criam formações para cima da crosta terrestre, como a Cordilheira dos Andes, são contrabalanceadas por outras que formam depressões, como os vales.

Nada disso seria explicado adequadamente com uma Terra plana. Não seria possível entender por que existem montanhas ou terremotos.

Também teria de haver uma explicação para o que acontece com as placas na borda do mundo. Poderíamos imaginar que elas cairiam, mas os terraplanistas defendem que existe um “muro de gelo” na borda, criado pela Antártida, algo muito difícil de acreditar, opina Davis.

Para concluir, diz o especialista, se vivêssemos em uma Terra plana, não teríamos nenhuma dúvida disso, porque tudo seria muito diferente de como conhecemos hoje.

NASA faz primeiros testes de reator nuclear que pode servir de fonte de energia em Marte

Se os humanos têm qualquer esperança de ficar em Marte por mais do que alguns dias, vão precisar de alguma forma de energia para se sustentar. Um teste bem-sucedido feito em Nevada, nos Estados Unidos, demonstrou que essa energia pode ser nuclear.

NASA faz primeiros testes de reator nuclear que pode servir de fonte de energia em Marte

NASA faz primeiros testes de reator nuclear que pode servir de fonte de energia em Marte

A NASA e o Departamento de Energia dos EUA realizaram, com sucesso, seus testes iniciais com um sistema de energia nuclear em miniatura e vão fazer mais um teste desenvolvido em março. Segundo a Reuters:

Os testes de meses de duração começaram em novembro, no departamento de energia do Nevada National Security Site, visando fornecer energia para futuras missões astronáuticas e robóticas no espaço e na superfície de Marte, Lua ou outros destinos no Sistema Solar.

Talvez você se lembre que astronautas humanos andaram sobre a Lua apenas algumas vezes nas décadas de 1960 e 1970, nunca por mais do que três dias consecutivos. Missões mais longas planejadas para Marte, como a retratada no filme Perdido em Marte, de Andy Weir, exigiriam um sistema de energia que pudesse lidar com as noites gélidas, as tempestades de poeira e o Sol a uma distância maior do que no caso da Terra.

Esses são problemas que o projeto Kilopower, da NASA, espera resolver com um reator de fissão nuclear compacto que usa um núcleo de reator de urânio-235 “aproximadamente do tamanho de um rolo de papel toalha”, conta a Reuters. O reator forneceria 10 quilowatts por hora, “suficiente para abastecer duas casas médias… continuamente por pelo menos dez anos”, segundo comunicado da NASA. Seriam necessárias quatro unidades para operar um posto avançado, acrescenta o texto.

Um modelo de uma base marciana com reatores nucleares (Imagem: NASA)

NASA faz primeiros testes de reator nuclear que pode servir de fonte de energia em Marte

Recentemente, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou um plano para a NASA enviar humanos novamente à Lua. Um reator de fissão em miniatura poderia funcionar em outros ambientes extremos, incluindo a Lua, disse Lee Mason, tecnólogo principal da NASA para armazenamento de energia, em um comunicado.

A NASA não tem datas exatas para o teste completo do Kilopower, além deste que será feito na segunda metade de março. Mas ainda existe mais trabalho a ser feito. “(Um teste bem-sucedido) Seria a operação na potência máxima, com condições que batam com nossas previsões analíticas”, Mason contou ao Gizmodo por email. “Se continuarmos o projeto em direção a um sistema de voo, seriam necessários mais desenvolvimentos e testes de hardware.”

DNA de esqueleto indica existência de britânicos negros e de olhos azuis há 10 mil anos

O Homem de Cheddar nada tem a ver com o queijo de sabor forte e, por vezes, cor amarelada. É, na verdade, um dos mais antigos britânicos de que se tem registro. E agora, também objeto de uma nova descoberta.

DNA de esqueleto indica existência de britânicos negros e de olhos azuis há 10 mil anos

Com base nos dados, cientistas reconstruíram o que acreditam ter sido o rosto do Homem de Cheddar

Uma análise recente do fóssil encontrado em 1903 em uma gruta de Cheddar, desfiladeiro repleto de cavernas localizado em Somerset, no Reino Unido, indicou que ele tinha olhos azuis, cabelo crespo e pele escura.

A análise contraria a imagem anterior projetada a partir do fóssil. Inicialmente, acreditava-se que ele tinha olhos escuros, pele clara e cabelos lisos.

Uma equipe de cientistas não só identificou o novo fenótipo atribuído ao britânico de 10 mil anos atrás como também fez uma reconstrução detalhada de seu rosto.

Avaliações anteriores já indicavam que ele era mais baixo que a média e que provavelmente morreu por volta dos 20 anos.

DNA de esqueleto indica existência de britânicos negros e de olhos azuis há 10 mil anos

DNA de esqueleto indica existência de britânicos negros e de olhos azuis há 10 mil anos

Fraturas na superfície do crânio sugerem que ele pode ter morrido de maneira violenta. Não se sabe como o corpo chegou à caverna, mas é possível que tenha sido colocado lá por indivíduos da tribo.

Extração do DNA

Os pesquisadores do Museu de História Natural de Londres extraíram o DNA de uma parte do crânio, próxima ao ouvido, conhecida como osso petroso.

Inicialmente, Ian Barnes e Selina Brace, que fazem parte da instituição e integram o projeto, não tinham certeza se conseguiriam algum DNA do fóssil.

Mas eles tiveram sorte: não só o DNA foi preservado, como também produziu a maior cobertura (uma medida da precisão de sequenciamento) para um genoma na Europa desse período de Pré-história – conhecido como Mesolítico ou Idade da Pedra Média.

Análise do DNA foi feita a partir do crânio, mais precisamento do osso petroso

DNA de esqueleto indica existência de britânicos negros e de olhos azuis há 10 mil anos

Os pesquisadores do museu se juntaram a cientistas da universidade londrina UCL (University College London) para analisar os resultados, incluindo variantes genéticas associadas com cabelo, olhos e cor da pele.

A descoberta indica ainda que os genes da pele mais clara se difundiu na Europa mais tarde do que se pensava, e que a cor da pele não é necessariamente referência de origem geográfica, como normalmente é vista hoje em dia.

Como a pele mudou

A pele clara provavelmente chegou à Grã-Bretanha há cerca de 6 mil anos, com uma migração de pessoas do Oriente Médio.

Essa população tinha pele clara e olhos castanhos. Acredita-se que tenha acabado absorvendo características de grupos como o do Homem de Cheddar.

Não se sabe ao certo, contudo, por que a pele clara acabou se sobressaindo entre os habitantes da região. Mas acredita-se que a dieta à base de cereais provavelmente era deficiente em vitamina D – isso exigiria que agricultores processassem esse nutriente por meio da exposição à luz solar, que é mais escassa onde fica o Reino Unido.

“Podem haver outros fatores causando menor pigmentação da pele ao longo do tempo nos últimos 10 mil anos. Mas essa é a grande explicação à qual a maioria dos cientistas se fia”, disse Mark Thomas, geneticista da UCL.

Fóssil foi encontrado em 1903 numa caverna em Cheddar, no condado de Somerset

DNA de esqueleto indica existência de britânicos negros e de olhos azuis há 10 mil anos

Para Tom Booth, arqueólogo do Museu de História Natural em Londres e integrante do projeto que desvendou as características do Homem de Cheddar, a análise mostra como as categorias raciais são construções modernas ou muito recentes. “Elas realmente não se aplicam ao passado”, disse ao jornal britânico The Guardian.

Yoan Diekmann, biólogo especializado em estudos da computação na universidade londrina UCL e também parte da equipe, concorda com o colega. Afirma que a conexão comumente estabelecida entre “britanidade” e brancura “não é uma verdade imutável”. “Sempre mudou e sempre mudará”, declarou à mesma publicação.

A análise genética também sugere que o Homem Cheddar não bebia leite na idade adulta – algo que só se espalharia entre os humanos muito mais tarde, na Idade do Bronze, iniciada em alguns lugares há cerca de 5 mil anos.

Chegadas e partidas

As análises também indicam que os europeus dos tempos atuais mantiveram, em média, apenas 10% das características de ancestrais como o britânico de Cheddar.

Acredita-se que os humanos chegaram no que hoje é o Reino Unido há 40 mil anos, mas um período de frio extremo conhecido como o Último Máximo Glacial teria os forçado a migrar dali 10 mil anos depois.

Também já foram coletadas evidências em cavernas de que humanos caçadores-coletores voltaram quando as condições climáticas melhoraram. Mas acabaram sendo surpreendidos pelo frio – marcas nos ossos sugerem que esse grupo canibalizou seus mortos.

O território hoje conhecido como Grã-Bretanha foi ocupado novamente há 11 mil anos e, desde então, permanece habitado, segundo os pesquisadores.

O Homem de Cheddar é parte dessa onda migratória que teria caminhado pela chamada Doggerland – que, naquele período, ligava a ilha ao continente, mas posteriormente acabou coberta pelo aumento do nível do mar.

Nos anos 1990, outra análise do DNA já havia identificado possíveis 'parentes do Homem de Cheddar'

Nos anos 1990, outra análise do DNA já havia identificado possíveis ‘parentes do Homem de Cheddar’

Essa não é a primeira tentativa de análise genética do Homem de Cheddar. No final dos anos 1990, o geneticista Brian Sykes já havia sequenciado o DNA mitocondrial de um dos molares do fóssil.

A sequência, transmitida exclusivamente da mãe para os filhos, foi comparada com 20 residentes vivos do povoado em Cheddar.

Duas dessas pessoas tinham mostras similares – uma delas era o professor de história Adrian Targett.

A atual descoberta feita por pesquisadores do Museu de História Natural e da UCL vai ser detalhada em um documentário para a televisão britânica com o título The First Brit: Secrets of the 10,000 Year Old Man (“O primeiro britânico: segredos do homem de 10 mil anos de idade”), feito pela Plimsoll Productions e a ser exibido pelo Channel 4. Também vai virar, é claro, artigo acadêmico.

DNA de esqueleto indica existência de britânicos negros e de olhos azuis há 10 mil anos

DNA de esqueleto indica existência de britânicos negros e de olhos azuis há 10 mil anos

O professor Chris Stringer, que lidera os estudos sobre origens humanas no museu, se dedica a estudar o esqueleto do Homem de Cheddar há 40 anos.

Ele se impressionou ao ver a reconstrução que pode ter revelado o rosto de seu objeto de estudo.

“Ficar cara a cara com a imagem de como esse homem pode ter parecido – a combinação impressionante de cabelo, rosto, cor dos olhos e pele escura – é algo que não poderíamos imaginar alguns anos atrás. Mas é que os dados científicos mostram.”

http://www.bbc.com/portuguese/geral-42973059