Monthly Archives: julho 2018

Pesquisadores confirmam teoria da relatividade de Einstein ao estudar estrela orbitando em buraco negro

É a primeira vez que a teoria é confirmada na região perto de um buraco negro supermassivo. Medição foi feita por “super” telescópio no Chile.

Ilustração mostra trajetória da estrela nos últimos meses ao redor do buraco negro (Foto: M. KORNMESSER/ESO)

Ilustração mostra trajetória da estrela nos últimos meses ao redor do buraco negro (Foto: M. KORNMESSER/ESO)

ma única estrela, girando em torno do enorme buraco negro no centro da Via Láctea, forneceu aos astrônomos uma nova prova de que Albert Einstein estava certo sobre a gravidade.

Há mais de 100 anos, a teoria geral da relatividade de Einstein revelou que a gravidade é o resultado da curvatura espaço-tempo, criada pela presença de massa e energia. Agora, em um artigo publicado nesta quinta-feira (26) na “Astronomy & Astrophysics”, uma equipe de pesquisadores relata a observação de uma característica da relatividade geral conhecida como redshift gravitacional.

Observações feitas com o telescópio conhecido como “Very Large Telescope” (telescópio muito grande, em tradução livre), do Observatório do Sul Europeu (ESO), revelaram pela primeira vez os efeitos previstos pela relatividade geral de Einstein sobre o movimento de uma estrela que passa pelo campo gravitacional perto do buraco negro supermassivo no centro da Via Láctea. Este resultado representa o ponto alto de uma campanha de observação de 26 anos usando os telescópios do ESO no Chile.

Buraco negro

Obscurecido pelas densas nuvens de poeira absorvente, o buraco negro supermassivo mais próximo da Terra está a 26.000 anos-luz de distância, no centro da Via Láctea. Com uma massa de quatro milhões de vezes a do Sol, o buraco negro é cercado por um pequeno grupo de estrelas que orbitam em torno dele em alta velocidade.

Esse ambiente extremo – o campo gravitacional mais forte de nossa galáxia – o torna o local perfeito para explorar a física gravitacional e, particularmente, testar a teoria geral da relatividade de Einstein.

A medição é a primeira vez que a relatividade geral foi confirmada na região perto de um buraco negro supermassivo.

À medida que a luz escapa de uma região com um forte campo gravitacional, suas ondas são esticadas, tornando a luz mais vermelha, em um processo conhecido como redshift gravitacional. Os cientistas, uma equipe conhecida como a colaboração GRAVITY, usaram o Very Large Telescope, localizado no deserto de Atacama, no Chile, para demonstrar que a luz da estrela foi deslocada para o vermelho pela quantidade prevista pela relatividade geral.

Os cientistas já tinha observado o redshift gravitacional antes. Na verdade, os satélites de GPS não funcionariam corretamente se o redshift gravitacional não fosse levado em consideração. Mas tais efeitos nunca foram vistos nas proximidades de um buraco negro, onde a gravidade é mais forte.

“Isso é completamente novo, e acho que é isso que torna emocionante – fazer esses mesmos experimentos não na Terra ou no sistema solar, mas perto de um buraco negro”, diz o físico Clifford Will da Universidade da Flórida em Gainesville.
A estrela S2
No “coração” da Via Láctea, esconde-se um enorme buraco negro supermassivo, com uma massa de cerca de 4 milhões de vezes a do sol. Muitas estrelas giram em torno deste buraco negro. Os pesquisadores se concentraram em uma estrela, conhecida como S2, que completa uma órbita elíptica ao redor do buraco negro a cada 16 anos.

Órbita é uma trajetória fechada que um astro faz em torno de outro. Órbita elíptica é o tipo de órbita feita, e nesse caso, a elipse é como um círculo achatado (e não circular). A órbita de todos os planetas do Sistema Solar é elíptica.

É a primeira vez que a teoria é confirmada na região perto de um buraco negro supermassivo. Medição foi feita por "super" telescópio no Chile.

Pesquisadores confirmam teoria da relatividade de Einstein ao estudar estrela orbitando em buraco negro

Em maio de 2018, a estrela ficou mais próxima do buraco negro, atingindo 3% da velocidade da luz – extremamente rápida para uma estrela. Nesse ponto, a estrela estava a apenas 20 bilhões de quilômetros do buraco negro. O que pode parecer distante, mas é apenas quatro vezes a distância entre o sol e Netuno.

Por que cientistas dizem que a astrologia não funciona?

Virginiano é metódico. Quem nasceu sob aquário é visionário – traços de personalidade como esses, segundo a astrologia, são resultado da influência das constelações que estavam no céu no momento em que nascemos. O embasamento científico disso? Nenhum.

Por que cientistas dizem que a astrologia não funciona?

Por que cientistas dizem que a astrologia não funciona?

Estudos conduzidos por vários ramos da ciência, da astronomia à estatística, concluíram que não há relação de causa e efeito comprovada, até o momento, entre os movimentos dos astros e o comportamento humano. Além disso, as referências zodiacais utilizadas estão desatualizadas, alerta a astronomia.

Segundo os astrônomos, que estudam a movimentação de planetas, estrelas e outros corpos no universo, os signos do horóscopo não correspondem mais à posição atual das constelações.

Isso porque, com o passar do tempo, a direção do eixo da Terra se altera, o que faz com que o movimento aparente do Sol pelas constelações do Zodíaco também mude. Assim, se você nasceu entre 21 de junho e 22 de julho, a astrologia diz que seu signo é Câncer. Mas, segundo os mapas atuais, na data do seu aniversário, na verdade o Sol está passando pela constelação de Gêmeos.

“Uma das premissas da ciência é que as ideias mudam quando asseguradas pela evidência. A astrologia não mudou suas ideias em resposta a evidências contraditórias

Boletim ‘Astrology, is it scientific?’, da Universidade de Berkley, nos Estados Unidos

A astrologia se defende dizendo que o uso do céu é simbólico, e a falta de correspondência não é um problema.

Momento da criação de novas estrelas a partir de uma nuvem de gás

Momento da criação de novas estrelas a partir de uma nuvem de gás.

Momento da criação de novas estrelas a partir de uma nuvem de gás.

Causa e consequência

Levantamentos estatísticos tentaram identificar correlações entre características pessoais e data de nascimento em grandes amostras populacionais. E não conseguiram.

Em 2007, o sociólogo britânico David Voas publicou um estudo avaliando dez milhões de casais – vinte milhões de pessoas – entrevistados pelo Censo da Inglaterra e País de Gales, em 2001. Ele analisava a hipótese de que alguns signos solares são mais compatíveis para relacionamentos amorosos. O resultado contrariou as previsões astrológicas: os casais não se formaram de acordo com compatibilidade do horóscopo.

Na década de 1980, o físico norte-americano Shawn Carlson também havia tentado comprovar, com método científico, o funcionamento da astrologia.

Em um estudo publicado que veio a ser publicado na revista Nature, sua equipe pediu que 28 astrólogos, recrutados de Estados Unidos e Europa, identificassem, entre três questionários de personalidade, qual deles correspondia, por exemplo, ao de uma pessoa de sagitário. E o teste foi repetido para 116 pessoas.

A taxa de acerto foi de 34% – ou seja, um em três possibilidades. Com isso, o estudo concluiu que a astrologia tem a mesma chance de acerto do acaso.

No divã

A psicologia cognitiva tem uma teoria que explica por que tanta gente vê sentido nas previsões astrológicas.

“É um fenômeno chamado de viés de confirmação. É a nossa tendência em afirmar aquilo que já sabemos ou acreditamos. Ele atua sobre diferentes mecanismos cognitivos da mente humana, influenciando aquilo que nos chama atenção, bem como as reconstruções que nossa memória faz de eventos ou situações pelas quais passamos”, diz o psicólogo e professor da Universidade de Brasília (UnB), Ronaldo PIlati, autor do livro Ciência Pseudociência.

“A crença na astrologia é um bom exemplo. Em geral, as descrições astrológicas são genéricas e feitas de uma forma a não maltratar uma visão positiva que nutrimos por nós mesmos. Essa combinação é um prato cheio para a atuação do viés de confirmação”, diz.

Para minimizar os efeitos do viés da confirmação, sugere Pllati, é preciso “refletir sobre o que julgamos saber e concentrar nossa atenção naquilo que as explicações falham em acertar, ou seja, buscar informações que possam tornar falsa a explicação”.

*Carlos Orsi é autor de O Livro da Astrologia – Um olhar cético sobre a arte milenar

Físicos tentam comprovar existência de quinta dimensão

Os físicos continuam estudando e fazendo experimentos para tentar descobrir a existência de uma quinta dimensão

“Qual é a 5ª dimensão? Eu sei que a primeira é a altura, a segunda é a largura, a terceira é a profundidade e a quarta, o tempo. Mas ninguém parece saber o que é a quinta!”.

Os físicos continuam estudando e fazendo experimentos para tentar descobrir a existência de uma quinta dimensão.

Físicos tentam comprovar existência de quinta dimensão

Essa foi a pergunta que Lena Komaier-Peeters, uma menina de 12 anos, enviou para os investigadores da BBC, o geneticista Adam Rutherford e a matemática Hannah Fry, da série Os Casos Curiosos de Rutherford e Fry. Eles foram a Genebra, na Suíça, para responder essa questão.

Lá, eles visitaram o lugar onde se realiza aquele que é provavelmente o mais incrível experimento com tempo e espaço, o Cern (Centro Europeu de Pesquisa Nuclear), e pediram ajuda à física de partículas Rakhi Mahbubani nessa tarefa.

“Imagine um canal estreito e comprido, com barcos de diferentes tamanhos navegando nele. Se você tem um navio de cruzeiro enorme que ocupa quase toda a largura, você só pode se mover ao longo do canal, você não tem a possibilidade de se mover dos lados, na largura, então a partir da perspectiva daquele cruzeiro o canal tem apenas uma dimensão”, diz Mahbubani.

“Se o que você tem é um veleiro, você pode ziguezaguear. Do ponto de vista do veleiro, o canal tem duas dimensões. Já se você viajar em um submarino, você experimentaria tanto o comprimento quanto a largura e também a profundidade. A partir dessa perspectiva, o mesmo canal tem três dimensões.”

Por que cientistas insistem que existem outras dimensões?

“Uma razão muito convincente é que realmente não entendemos por que a força da gravidade é muito mais fraca do que as outras forças fundamentais que experimentamos. Se eu te der um ímã de geladeira e uma chave qualquer, o ímã levantará a chave com muita facilidade. A força magnética desse pequeno ímã supera a força da gravidade da Terra, que é enorme, que puxa a chave na direção oposta”, diz a física Mahbubani.

É verdade, mas por que isso implica que existem outras dimensões?

“A hipótese é que a gravidade, assim como o submarino no canal, pode experimentar dimensões adicionais, enquanto nós não temos essa capacidade. E ela se dissipa nessas outras dimensões e é por isso que sentimos que ela é muito fraca.”

Então, a força da gravidade seria diluída.

Um conceito com uma longa quarta dimensão

O conceito de dimensões adicionais pode parecer futurista, mas essa ideia existe há muito tempo. Se tornou popular no mundo da matemática quando o alemão Bernhardt Riemann demonstrou em 1854 que poderia haver mais de três dimensões na geometria.

Mais tarde, no mesmo século, o matemático britânico Charles Howard Hinton, um fanático por ficção científica, projetou um hipercubo de quatro dimensões chamado tesserato.

Físicos tentam comprovar existência de quinta dimensão

Um tesserato é um análogo de 4 dimensões de um cubo, assim como um cubo é um análogo tridimensional de um quadrado.

Um tesserato é um análogo de 4 dimensões de um cubo, assim como um cubo é um análogo tridimensional de um quadrado

Junto com a ciência veio a arte, e o conceito de dimensões adicionais apareceu em obras de Oscar Wilde, Marcel Proust e HG Wells (e o tesserato ganha papel de destaque nos quadrinhos da Marvel). Ele também inspirou artistas cubistas como Picasso, que tentou representar mais dimensões em suas pinturas.

No entanto, até agora, ninguém foi capaz de provar que essas dimensões realmente existem.

Este é o trabalho que os físicos agora tentam fazer no Cern, e, para testar teorias, é preciso experimentos.

Como descobrir a misteriosa quinta dimensão

Primeiro, você precisa de um objeto enorme para encontrar as menores partículas fundamentais do Universo.

O que está em uso no Cern é chamado Grande Colisor de Hádrons ou LHC (na sigla em inglês), um acelerador próton-próton de 27 km de circunferência. Com essa máquina, os feixes de partículas são disparados quase à velocidade da luz, de modo que, quando dois prótons colidem, eles criam todos os tipos de outras partículas.

Se as teorias atuais estiverem corretas, há a pequena probabilidade de que uma das partículas subatômicas nessa colisão seja a que foi batizada de gráviton.

A física quântica nos diz que cada força tem uma partícula relacionada que a transporta. Por exemplo, a luz é transportada por fótons. Então, a gravidade deveria teoricamente ser transportada por grávitons, só que a gente nunca os observou.

Mas eles podem ser a chave para desvendar dimensões ocultas.

É por isso que os cientistas do Cern não pararam de procurá-los durante 14 anos.

O Grande Colisor de Hádrons é um acelerador de prótons usado na busca por minipartículas fundamentais do Universo.

O Grande Colisor de Hádrons é um acelerador de prótons usado na busca por minipartículas fundamentais do Universo.

O Grande Colisor de Hádrons é um acelerador de prótons usado na busca por minipartículas fundamentais do Universo

E eles não perdem a esperança.

Mesmo assim, há outros físicos teóricos que não são tão otimistas, como Sean Carroll, do Caltech, o Instituto de Tecnologia da Califórnia.

“Temos certeza de que os grávitons existem, o que não temos certeza é que eles podem ser descobertos com o Grande Colisor de Hádrons. Na verdade, é o oposto: você tem que ser muito, muito, muito sortudo por poder encontrar grávitons nessa máquina”, diz Carroll. “Existem teorias e estamos testando-as, mas se os grávitons estivessem lá, poderíamos tê-los visto facilmente e não os vimos, então as probabilidades são mínimas.”

Mesmo assim, ele opina, vale a pena continuar a procurar por essas outras dimensões, porque se elas forem encontradas, “tudo o que pensarmos sobre as leis fundamentais da natureza mudará: seria uma descoberta transcendental”.

“Se nós não as vemos, isso não significa que elas não estão lá, mas que nossos experimentos ainda não são bons o suficiente. Se continuarmos tentando, vamos achar algum dia.”

E se algum chegarmos à conclusão que essas dimensões realmente existem? Como elas seriam?

Dimensões escondidas

Segundo o físico Carroll, elas existem e estão em todas as partes.

“Você precisa entrar na mentalidade dos físicos para entender a que eles se referem quando falam a palavra ‘dimensão’. Nós tendemos a acreditar que uma outra dimensão é um lugar aonde você vai e é possuído por criaturas estranhas”, fala.

“E uma dimensão é simplesmente uma direção no espaço. Neste momento, nós conhecemos três, que poderíamos chamar de ‘para cima-para baixo’, ‘para a esquerda e para a direita’ e ”para a frente e para trás’.

Segundo ele, não faz sentido algum dizer “Onde está a dimensão para cima-para baixo?”, porque ela “está em todo o lugar”, assim como as outras.

“O que sabemos com certeza é que elas estão escondidas de alguma forma, então podem ser muito, muito, muito pequenas, tanto que nunca as veremos – essa é a maneira mais fácil de se esconderem”, afirma.

Ou há outras duas possibilidades. “Uma é que são meio pequenas, com um milímetro ou um décimo de milímetro. E a outra é que as dimensões são infinitamente grandes, mas não podemos alcançá-las porque estamos presos em um subespaço da dimensão inferior do Universo.”

Carroll explica que isso é algo que os físicos chamam de Teoria de Branas (ou das Cordas). É uma maneira estranha de dizer membranas, como aquelas que limitam nosso Universo de quatro dimensões dentro de um espaço de dimensionalidade superior chamado ‘bulk’.

“Se isso for verdade, pode haver múltiplas branas, múltiplos subespaços de bi, tri, tetra e penta dimensionais paralelos. Nesse sentido, poderia haver mundos paralelos incorporados nessas outras dimensões”, diz ele.

Algo que parece ser verdade, afinal, é que os físicos provaram sem dúvida a existência de uma dimensão maravilhosa: a da imaginação, o ponto de partida de tantas grandes descobertas.

Trump está em guerra com o Ocidente?

Apenas um dia depois de seus comentários impressionantes em Helsinque, o presidente Trump tentou recuar. Na capital finlandesa, ao lado do presidente russo, Vladimir Putin, durante uma coletiva de imprensa, ele duvidou das conclusões das agências de inteligência norte-americanas de que a Rússia interferiu na eleição de 2016. De volta à Casa Branca na terça-feira, entretanto, Trump argumentou que ele havia simplesmente tinha se expressado mal; ele leu uma declaração dizendo que, de fato, aceitou que Moscou tentasse influenciar a votação. Pelo menos por um momento.

Os governos Putin e Trump podem estar em desacordo, mas os próprios dois homens, argumentou o jornalista Leonid Ragozin, estão “do mesmo lado da divisão”. Eles representam “a mesma linhagem de uma cultura global em ascensão: a dos tabloides viciosamente xenófobos”, TV de infoentretenimento politicamente tendenciosa, showbiz brega, populismo irresponsável, nativismo raivoso e cleptocracia oligárquica”, escreveu ele para o BuzzFeed News.

Os governos Putin e Trump podem estar em desacordo, mas os próprios dois homens, argumentou o jornalista Leonid Ragozin, estão “do mesmo lado da divisão”. Eles representam “a mesma linhagem de uma cultura global em ascensão: a dos tabloides viciosamente xenófobos”, TV de infoentretenimento politicamente tendenciosa, showbiz brega, populismo irresponsável, nativismo raivoso e cleptocracia oligárquica”, escreveu ele para o BuzzFeed News.

“Poderia ser outras pessoas também”, acrescentou ele na frase seguinte. “Muitas pessoas lá fora.”

Poucos em Washington foram convencidos pela reviravolta de Trump. Desde que assumiu o cargo, Trump repetidamente questionou as investigações de seu próprio governo sobre a interferência do Kremlin e descartou o crescente corpo de evidências que ligam essa invasão à sua vitória eleitoral – incluindo um comentário do próprio Putin na segunda-feira. Desde as observações em Helsinque, além disso, ele havia sido entrevistado pela Fox News e não fez menção a mal-entendidos. Mesmo sua tentativa de esclarecimento na terça-feira aparentemente foi auto-editada em algo mais desafiador.

Trump também não disse nada na segunda-feira sobre a anexação da Crimeia pela Rússia em 2014 ou o seu papel em reforçar os excessos violentos do regime sírio. Essa timidez estava em contraste com sua crítica aos aliados da OTAN em Bruxelas na semana passada. Para muitos críticos de Trump, suas atuações nas duas cidades encerraram um ano e meio de ataques tácitos e evidentes à aliança transatlântica.

O comportamento de Trump foi “de um homem que quer que a aliança fracasse”, escreveu o colunista do New York Times, David Brooks. “Sua aceitação de Putin na segunda-feira foi uma dança da vitória no túmulo euro-americano”.

“O presidente russo recebeu efetivamente um passe livre de um presidente dos EUA para continuar sua guerra híbrida contra o Ocidente”, escreveu Guy Verhofstadt, um ex-primeiro-ministro belga. Ele pediu aos liberais europeus que se unam contra o Trumpismo e seus representantes, apontando para os esforços de um ex-assessor de Trump para impulsionar os populistas de extrema direita no continente. “A batalha agora está em curso para derrotar o sonho doentio de Steve Bannon de uma revolução populista de direita na Europa e um recuo para o nacionalismo assassino do passado da Europa”, escreveu ele.

Vale a pena perguntar, mesmo agora, quem Trump vê como seu inimigo. Sua campanha política foi redigida na retórica nativista contra o “globalismo”, um eufemismo para um mundo de liberais multiculturais e elites empresariais e políticas que ele alegou não ter em mente os interesses dos Estados Unidos. Desde que assumiu o poder, ele concentrou esses ataques em instituições reais – o Partido Democrata e funcionários públicos que ele chama de “o Estado profundo” em casa, e blocos multilaterais como a OTAN e a União Europeia no exterior.

Mais amplamente, ele demonstrou uma apatia consistente pela ordem mundial construída pelos EUA que garantiu a supremacia dos americanos por décadas. “No mundo pós-guerra, a política dos EUA tinha quatro características atraentes: tinha valores centrais atraentes; era leal aos aliados que compartilhavam esses valores; acreditava em mercados abertos e competitivos; e sustentou esses mercados com regras institucionalizadas”, escreveu Martin Wolf, do Financial Times. “Esse sistema sempre foi incompleto e imperfeito. Mas foi uma abordagem altamente original e atraente para o negócio de comandar o mundo”.

Wolf sugere que Trump está inclinado a rejeitar esse sistema, que muitas vezes é o que estamos invocando quando nos referimos agora ao “Ocidente”: “Para aqueles que acreditam que a humanidade deve transcender suas pequenas diferenças, esses princípios foram um começo. No entanto, hoje o presidente dos EUA parece hostil aos valores centrais da democracia, da liberdade e do estado de direito; ele não sente lealdade aos aliados; ele rejeita mercados abertos; e ele despreza as instituições internacionais. E ele acredita que isso pode dar certo.

“Trump pode ter diminuído a liderança dos EUA no mundo”, disse o analista russo Maxim Suchkov ao Today’s WorldView em Moscou na semana passada, “mas ele ainda quer dominação”.

Essa visão de mundo leva muitos analistas a sugerir que Trump tem mais em comum com autocratas como Putin do que com os líderes eleitos das principais democracias da Europa. Para os críticos da hegemonia americana, que há muito argumentam que seus valores declarados têm pouco a ver com suas ações geopolíticas, Trump confirmou suas crenças.

“Isso reduz os EUA de serem o líder do mundo livre a ser apenas mais uma grande potência”, disse Daniel Fried, ex-diplomata e companheiro do Conselho Atlântico, aos meus colegas David Nakamura e Carol Morello. Ele “desfaz 100 anos da grande estratégia da América”, acrescentou, “o que funcionou bem para nós. Ganhou a Guerra Fria porque as pessoas por trás da Cortina de Ferro foram inspiradas por nossas ideias e ideais.”

Em vez disso, Trump defende outra visão. Como já escrevemos antes, a concepção de Trump do Ocidente é cultural, não política. Está ancorada na retórica do sangue e do solo e na raiva contra a imigração. Na semana passada, ele argumentou em Bruxelas que as novas chegadas de migrantes são “muito ruins para a Europa” porque estão “mudando a cultura”.

Trump está em guerra com o Ocidente?

Os governos Putin e Trump podem estar em desacordo, mas os próprios dois homens, argumentou o jornalista Leonid Ragozin, estão “do mesmo lado da divisão”. Eles representam “a mesma linhagem de uma cultura global em ascensão: a dos tabloides viciosamente xenófobos”, TV de infoentretenimento politicamente tendenciosa, showbiz brega, populismo irresponsável, nativismo raivoso e cleptocracia oligárquica”, escreveu ele para o BuzzFeed News.

Uma multidão de políticos europeus tradicionais discordaria, assim como a maioria de suas populações. Uma nova pesquisa do Pew com oito países da Europa Ocidental, publicada este mês, descobriu que 66% dos entrevistados acreditam que os imigrantes fortalecem suas sociedades.

Mas Trump vê essa abertura – e a perspectiva de uma Europa mais integrada e diversificada – como uma fraqueza. Aqui, novamente, ele se torna um espírito afim com Putin, outro estranho de pé, cético, à porta do liberal Ocidente. “Até 2014, a Rússia costumava se ver como o ponto mais oriental do mundo ocidental”, disse Dmitri Trenin, diretor do Centro Carnegie de Moscou, ao Wall Street Journal. “Desde então, houve uma mudança fundamental e a Rússia se voltou para dentro. A elite russa e seu líder, Putin, chegaram à conclusão de que tentar se tornar parte do Ocidente não levará aos resultados desejados.”

Isso envolve uma tentativa de virar para o leste e cultivar laços mais profundos com a Ásia. Mas também viu o Kremlin construir ligações com os mesmos populistas europeus de extrema-direita que Trump celebrou. Matteo Salvini, ministro do Interior da Itália e líder da extrema direita, está pressionando pelo fim da UE e das sanções à Rússia. Putin, enquanto isso, cultivou uma imagem global como líder nacionalista cristão proeminente e é aplaudido pelos supremacistas brancos nos Estados Unidos.

Os governos Putin e Trump podem estar em desacordo, mas os próprios dois homens, argumentou o jornalista Leonid Ragozin, estão “do mesmo lado da divisão”. Eles representam “a mesma linhagem de uma cultura global em ascensão: a dos tabloides viciosamente xenófobos”, TV de infoentretenimento politicamente tendenciosa, showbiz brega, populismo irresponsável, nativismo raivoso e cleptocracia oligárquica”, escreveu ele para o BuzzFeed News.

E seus adversários desorientados, agora liderados por uma Europa oprimida, estão lutando para lidar com a situação.

FONTE: Washington Post

Lixo espacial equivale à estrutura de metal da Torre Eiffel, diz Agência Espacial Europeia

A Agência Espacial Europeia (ESA, na sigla em inglês) contabilizou no fim do ano passado 19.894 objetos de lixo espacial, que circulavam ao redor da Terra, cuja massa conjunta é de, pelo menos, 8.135 toneladas, “mais que toda a estrutura de metal da Torre Eiffel”.

Lixo espacial equivale à estrutura de metal da Torre Eiffel, diz Agência Espacial Europeia

A ESA publicou nesta sexta-feira um novo relatório sobre lixo espacial, que inclui fatos, números e gráficos que mostram uma imagem detalhada de como evoluiu a quantidade de lixo que orbita o nosso planeta.

“O lixo espacial inclui todos os objetos criados pelo ser humano que não funcionam e estão em órbita sobre a Terra. Alguns deles entram regularmente na atmosfera”, disse a ESA.

A era espacial começou em 4 de outubro de 1957 com o lançamento do Sputnik 1 pela União Soviética, o primeiro satélite artificial da história. Desde então, o lixo espacial em órbita foi crescendo de forma contínua.

Primeiro, eram só partes superiores de foguetes e satélites obsoletos em órbita, mas depois, foram acrescidos pequenos objetos que geraram explosões e colisões.

O relatório anual revisa como o entorno espacial evoluiu no último ano e também como mudou desde o envio dos primeiros satélites.

Há muito tempo, a ESA adverte que o lixo espacial aumenta de forma preocupante e representa um grave perigo para os satélites operacionais.

Além disso, os objetos maiores poderiam voltar a entrar na atmosfera e cair na superfície terrestre, em áreas que poderiam estar povoadas.

O relatório assegura que o número de objetos, sua massa total e a área que ocupam aumentou ao longo do tempo até 2017.

Por isso, 60 anos depois do início da era espacial, as agências espaciais começaram a implementar opções de para o fim da vida útil dos instrumentos lançados ao espaço.

Por exemplo, a iniciativa da ESA “Espaço Limpo” procura formas para limpar o espaço e evitar a criação de mais lixo espacial.

Agora, com a tecnologia CubeSat de design de satélites pequenos e de baixo custo, o espaço em torno do planeta está ficando cada vez mais cheio e esses objetos podem danificar outras missões, por isso a ESA diz que é necessário limpar o espaço para assegurar um futuro sustentável.

No início dos anos 1960, as pesquisas realizadas nos EUA já alertavam para o problema, mas demorou bastante tempo até que a preocupação chegasse à comunidade internacional.

Em uma conferência no centro de controle de operações na cidade de Darmstadt, na Alemanha, a ESA alertou no ano passado que grandes companhias como Google e Oneweb querem lançar uma grande quantidade de satélites pequenos ao espaço, a órbitas baixas, que podem pôr em perigo as missões de satélites grandes e muito caros das agências espaciais.

A companhia Oneweb quer criar uma grande constelação de satélites para proporcionar um serviço de internet de banda larga a todo o mundo.

Para isso, será necessário colocar em órbita baixa cerca de 700 satélites nos próximos anos.

Esses satélites seriam lançados a partir de dezembro 2018 através de um foguete russo Soyuz ST, mas o primeiro lançamento foi adiado ontem para março de 2019, segundo a agência de notícias russa “Sputnik”.

Astrônomos captam imagem detalhada do aglomerado estelar a 5.500 anos luz da Terra

Foto mostra o aglomerado de estrelas RCW 38 e suas nuvens de gás brilhantes

Astrônomos captam imagem detalhada do aglomerado estelar a 5.500 anos luz da Terra

Uma equipe de astrônomos conseguiu captar uma imagem detalhada e colorida do aglomerado de estrelas RCW 38, situado na constelação de Vela, a 5.500 anos luz de distância da Terra, com ajuda do sistema de ondas infravermelhas HAWK-I, informou o Observatório Europeu do Sul (ESO, na sigla em inglês).

O dispositivo de ondas infravermelhas, instalado no telescópio de longo alcance (VLT, na sigla em inglês) situado em Paranal, no Chile, permitiu uma imagem nítida que mostra o aglomerado estelar jovem cercado de nuvens de gás, intensamente brilhante e detalhado, junto com traços de poeira escura em formato de videira em torno do núcleo.

A imagem revela uma região central tingida de azul e habitada por várias estrelas jovens, quentes e massivas, assim como estrelas que ainda estão em formação.

A radiação que as estrelas emitem faz com que o gás circundante brilhe de forma intensa, em contraste com as correntes de pó cósmico, mais frio, que atravessam a região e brilham em tons escuros de vermelho e laranja.

Apesar de existirem imagens anteriores dessa região, estas foram obtidas mediante longitudes de onda da categoria visível, o que proporciona imagens com menos corpos estelares, pois a poeira e o gás bloqueiam a visão do aglomerado.

O HAWK-I, pelo contrário, permite olhar através das camadas de poeira por intermédio de observações com infravermelho, o mesmo sistema utilizado para obter imagens de galáxias próximas, grandes nebulosas, estrelas individuais e exoplanetas.

Para conseguir uma imagem nítida, teve papel importante o módulo de óptica adaptativa GRAAL, que projeta quatro raios laser no céu noturno que atuam como estrelas artificiais de referência para corrigir os efeitos da turbulência atmosférica.

A imagem foi captada como parte de um conjunto de observações de teste, conhecido como verificação científica, de ambos os dispositivos, instalados no telescópio de longo alcance.

O Observatório Europeu do Sul é uma organização intergovernamental de ciência e tecnologia e opera a partir de três lugares que se destacam por sua qualidade para a observação no Deserto do Atacama chileno: La Silla, Paranal e Chajnantor.

O VLT é um conjunto de quatro “telescópios unitários”, cada um com um espelho primário de 8,2 metros de diâmetro, com os quais é possível obter imagens de corpos celestes apenas visíveis a uma magnitude de 30, o que equivale a ver objetos cuja luminosidade é 4 bilhões de vezes mais fraca que daqueles que podem ser vistos a olho nu.

Astrônomos captam a primeira imagem de um planeta recém-nascido

– Astrônomos alemães capturaram o exato momento em que um planeta nasce em torno da jovem estrela anã PDS 70. O planeta está visível como um ponto brilhante à direita do centro da imagem.

Astrônomos captam a primeira imagem de um planeta recém-nascido

Uma equipe de astrônomos, liderada por um grupo do Instituto Max Planck de Astronomia de Heidelberg, na Alemanha, captou a primeira imagem de um planeta jovem, chamado PDS 70b, formado ao redor do círculo de gás e pó de uma estrela.

A descoberta, publicada na revista “Astronomy & Astrophysics” e realizada com o telescópio de comprimento alcance (VLT) do Observatório Austral Europeu (ESO), conseguiu modelar o planeta através da matéria que circunda a estrela, e a partir da qual estes astros costumam se formar.

A detecção foi possível graças ao instrumento SPHERE instalado no VLT, que serve para estudar este tipo de corpos celestes com uma técnica de imagem de alto contraste.

Este método, junto com a ajuda de um cronógrafo – uma máscara que bloqueia a luz cegante da estrela central e permite detectar objetos planetários ao redor – facilitou a captação e medição do brilho do planeta, o que por sua vez permitiu conhecer melhor suas propriedades atmosféricas.

A imagem resultante reflete um ponto brilhante à direita de um centro escuro – consequência do uso do cronógrafo, situado aproximadamente a 3 bilhões de quilômetros da estrela central, uma distância equivalente à que há entre Urano e o sol.

A análise mostra ainda que o PDS 70b é um planeta gigante formado por gás com uma massa algumas vezes maior que a de Júpiter e uma temperatura na superfície de cerca de 1000 graus centígrados, muito mais quente que a de qualquer planeta do Sistema Solar.

“Depois de mais de uma década de enorme esforço para construir esta máquina de alta tecnologia, agora o SPHERE nos permite colher os frutos com a descoberta de planetas recém-nascidos!”, lembrou Thomas Henning, diretor do Instituto Max Planck de Astronomia e chefe das equipes.

Para Miriam Keppler, líder da equipe após a descoberta, apesar de os círculos das estrelas jovens serem os lugares onde nascem os planetas, “até agora apenas algumas observações tinham detectado indícios de planetas recém-nascidos neles”.

“Precisávamos de observar um planeta no disco de uma estrela jovem para compreender realmente os processos de formação planetária”, comentou outro dos autores, André Müller.

A descoberta já permitiu aprofundar os estudos a partir das observações iniciais, ao ponto de obter um espectro do planeta, o que permitiu concluir que sua atmosfera era turva.

Com os resultados obtidos e a análise das propriedades atmosféricas e físicas do planeta, os astrônomos poderão avançar nas explicações teóricas sobre o fenômeno da formação planetária no espaço.

Cientistas criam método para reduzir testes em animais de laboratório

Com novo método, cerca de 57% dos testes podem ser feitos sem o uso de animais

Pesquisadores norte-americanos revelaram nesta quarta-feira (11) a descoberta de um método utilizando big data (um grande volume de dados) que pode reduzir em quase 60% a necessidade de testes químicos nos quase 4 milhões de animais utilizados todos os anos pela ciência.

Cientistas criam método para reduzir testes em animais de laboratório.

Trata-se de uma ferramenta informatizada construída com base em um enorme banco de dados de estruturas moleculares. Quando combinadas, essas informações não só substituem o uso animal como, às vezes, apresentam resultados melhores do que os testes em bichos. São citados como exemplos casos de sensibilização da pele e irritação nos olhos, segundo relatam os pesquisadores na revista especializada “Toxicological  Sciences”.

“Estamos entusiasmados com o potencial desse modelo”, diz a toxicóloga Nicole Kleinstreuer, vice-diretora de um centro que avalia alternativas ao teste em animais no NIEHS (Instituto Nacional de Ciências da Saúde Ambiental) em Durham, Carolina do Norte (EUA). A pesquisadora, que não esteve envolvida no trabalho, diz que usar “big data […] é uma via extremamente promissora para reduzir e substituir os testes em animais”.

A maioria dos países exigem que novos produtos químicos só entrem no mercado depois de passarem por alguns testes de segurança. Mas a prática de expor coelhos, ratos e outros animais a produtos químicos para avaliar esses riscos vem enfrentando objeções públicas cada vez maiores, especialmente por parte de entidades de defesa dos animais.

Em 2016, o Congresso dos Estados Unidos aprovou uma lei de segurança química que obriga as agências reguladoras federais a tomarem medidas para reduzir o número de animais utilizados pelas empresas em testes de segurança.

Uma das sugestões é usar o que já se sabe sobre alguns compostos existentes para prever os riscos apresentados em novos produtos químicos com estruturas semelhantes. Há dois anos, uma equipe liderada por Thomas Hartung, da Escola Bloomberg de Saúde Pública Johns Hopkins, em Baltimore, Maryland (EUA), deu um passo em direção a essa meta ao reunir dados de 9.800 testes em produtos químicos regulamentados pela ECHA (Agência Europeia de Produtos Químicos).

Cientistas criam método para reduzir testes em animais de laboratório.

Cientistas criam método para reduzir testes em animais de laboratório.

No artigo publicado hoje, a equipe de Hartung explica como chegou ao resultado: os pesquisadores expandiram seu banco de dados para 10 milhões de estruturas químicas ao adicionar as informações do banco de dados público PubChem e do Programa Nacional de Toxicologia dos Estados Unidos.

Em seguida, compararam as estruturas e propriedades toxicológicas, gerando um total de 50 trilhões de comparações e criando um vasto mapa de similaridade que agrupa compostos por estrutura e efeito. Finalmente, os cientistas testaram o modelo: eles pediram para prever o grau toxicológico de um produto químico escolhido aleatoriamente e compararam os resultados a seis testes em animais realizados com o mesmo composto.

Em média, a ferramenta computacional reproduziu em 87% os resultados dos testes em animais. O percentual é maior do que os próprios testes em animais, diz Hartung. Na revisão da literatura, seu grupo descobriu que os testes repetidos em ratos e coelhos reproduzem os resultados anteriores em apenas 81% dos casos. “Esta é uma descoberta importante”, afirma o pesquisador. “Nossos dados mostram que podemos substituir seis testes comuns –que respondem por 57% dos testes toxicológicos em animais do mundo– e obter resultados mais confiáveis.”

O resultado poderia ajudar a acabar com a repetição desnecessária de testes. A equipe descobriu, por exemplo, que 69 produtos químicos foram testados pelo menos 45 vezes no chamado “teste de coelho de Draize” –um método que gerou protestos da opinião pública por envolver o uso de um produto químico no olho de um coelho.

Mas o sistema de big data não é perfeito. Embora possa prever efeitos simples, como irritação na pele, casos mais complexos, como câncer, ainda estão fora de alcance, diz Mike Rasenberg, chefe da unidade de Avaliação e Disseminação Computacional da ECHA. “Esse não será o fim dos testes em animais”, prevê, “mas é um conceito útil para reduzi-los”.

A questão agora é como as agências reguladoras vão reagir ao novo método. Rasenberg diz acreditar que os europeus o aceitarão para testes simples porque atende a seus critérios de validação. Nos Estados Unidos, o centro NIEHS está trabalhando na validação do método.

Depois disso, a EPA poderá revisar os resultados da avaliação para determinar como e se eles podem ser usados. Se a avaliação for favorável, esses modelos poderão ser usados em conjunto com outras ferramentas para classificar um grande número de substâncias.

Hartung espera que o método de rastreamento também seja de interesse para os países que estão se preparando para implementar novas leis químicas, como a Turquia e a Coreia do Sul.

Novas observações astronômicas reforçam teoria da relatividade

Novas observações astronômicas apresentaram provas adicionais que reforçam uma das premissas da teoria geral da relatividade, que dita que todos os objetos em queda livre em um campo gravitacional se aceleram de forma idêntica, segundo um trabalho publicado nesta quarta-feira na revista Nature.

Novas observações astronômicas reforçam teoria da relatividade

A teoria, desenvolvida por Albert Einstein em 1915, diz que a aceleração deve ser a mesma com independência do próprio campo gravitacional dos corpos que caem, inclusive se forem objetos tão maciços como uma estrela de nêutrons.

O princípio que Einstein usou na sua teoria já tinha sido defendido antes por cientistas como Galileu Galilei, no século 16, e diversos experimentos o demonstraram em vários ambientes.

Em 1971, o astronauta americano David Scott protagonizou uma das experiências mais conhecidas, ao deixar cair sobre a superfície da lua um martelo e uma pluma, que chegaram ao solo ao mesmo tempo.

Para pôr a toda prova esse prognóstico em um ambiente mais extremo, um grupo do Instituto Holandês de Radioastronomia (ASTRON) liderado por Anne Archibald estudou o movimento de um sistema estelar triplo, formado por uma estrela de nêutrons orbitada por uma anã branca, que por sua vez mantêm outra anã branca orbitando a uma distância maior.

Os físicos analisaram como a atração da estrela mais distante afeta o sistema binário interior, que também conta com um potente campo gravitacional.

Teoria quântica vence Einstein mais uma vez em estudo holandês

Os autores do estudo publicado na Nature calcularam que a diferença entre as acelerações detectadas na anã branca e a estrela de nêutrons é da ordem de apenas 2,6 milionésimos, o que apoia o princípio de equivalência postulado pela relatividade geral.

As observações de Archibald aprimoram as obtidas até o momento em testes similares, que tinham chegado a uma resolução de milésimos.

“Se a estrela de nêutrons e a anã branca interna caíssem com diferentes acelerações para a anã branca do exterior, seria perceptível uma ligeira deformação na órbita do sistema interior”, afirma o físico Clifford Will, da Universidade da Flórida, em artigo na “Nature” que acompanha o estudo do grupo holandês.

“Archibald e seus colegas apresentam uma análise baseada em cerca de seis anos de coleta de dados na qual não há provas dessa deformação”, descreve Will.