Monthly Archives: novembro 2018

Pitágoras não é o autor do teorema matemático que carrega seu nome

Embora seja o matemático mais conhecido do público, pouco se sabe sobre a vida e a obra de Pitágoras. Pior, as escassas informações de que dispomos são contraditórias. Foi pioneiro genial que deu os primeiros passos na transformação da matemática em ciência rigorosa? Ou místico obcecado com temas esotéricos, como reencarnação e regras peculiares, como a proibição de comer feijões? Parte da confusão se deve aos seus partidários terem se dividido com sua morte, transmitindo visões antagônicas de suas ideias.

Ao que sabemos, Pitágoras nasceu na ilha grega de Samos, por volta de 560 a.C., e morreu no sul da Itália, cerca de 480 a.C.. Na juventude, viajou por Egito e Babilônia, absorvendo conhecimento matemático. Por volta de 530 a.C., fixou-se na colônia grega de Crotona, onde fundou uma sociedade filosófica e religiosa que exerceu influência política considerável na Magna Grécia, o conjunto das colônias gregas no sul da Itália.

Há pouca informação sobre vida do matemático e seus seguidores espalharam versões distintas de ideias

Pitágoras não é o autor do teorema matemático que carrega seu nome

Pitágoras não é o autor do teorema matemático que carrega seu nome

Pitágoras dividia seus seguidores em “akousmatikoi” (ouvintes), que estavam proibidos de falar e só podiam memorizar as palavras do mestre; e “mathematikoi” (matemáticos, ou aprendizes), os mais avançados, que podiam perguntar e até expressar opiniões. Só transmitia seus princípios com clareza aos últimos. Os “akousmatikoi” recebiam só esboços vagos e misteriosos.

Depois que morreu, os dois grupos teriam evoluído para facções rivais, transmitindo versões distintas dos ensinamentos: mística e esotérica, pelos “akousmatikoi”, racional e científica, para os “mathematikoi”. Mas é possível que a distinção não fosse tão estrita.

O alicerce da filosofia pitagórica era a ideia de que tudo é número. Ela estava baseada na descoberta de que as harmonias musicais podem ser expressas mediante números. Harmonias mais bonitas são dadas por notas cujas frequências estão em relações simples, tais como (2:1) ou (3:2).

Outro fundamento de sua crença estava na astronomia, que Pitágoras aprendera com os babilônios. Acreditava que os movimentos periódicos dos planetas estariam relacionados de alguma forma com os intervalos musicais, sugerindo que o movimento dos corpos celestes produz uma espécie de harmonia nos céus, a “música das estrelas”.

Sua contribuição científica mais conhecida é o teorema de Pitágoras: num triângulo retângulo, a soma dos quadrados dos catetos é igual ao quadrado da hipotenusa.

Mas vestígios arqueológicos comprovam que o teorema já era conhecido dos babilônios na época do rei Hamurabi, cerca de 1800 a.C.. Também parece duvidoso que Pitágoras tenha dado a primeira prova rigorosa, como acreditaram alguns historiadores.

Seu papel parece ter sido o de apresentar o teorema ao mundo grego e, dessa forma, a toda a civilização ocidental.

 

https://www1.folha.uol.com.br/colunas/marceloviana/2018/11/pitagoras-nao-e-o-autor-do-teorema-matematico-que-carrega-seu-nome.shtml

A REVOLUÇÃO DOS IDIOTAS E A DITADURA DO MERCADO

Basta criticar o capitalismo ou Bolsonaro, que uma enxurrada de agressões surgem no sistema de comentários. Termos como “essa mamata vai acabar”, “o PT foi varrido” e mais um monte de bla-bla-bla nazista e “anticomunista” surgem como tivessem vindos da guerra fria. O anacronismo do discurso, característico de uma onda de estupidez, não se caracteriza por algo momentâneo somente mas, fruto de um atraso mental provocado pelo atraso social e educacional oriundos, justamente do período militar, quando a didática crítica era proibida pelo regime. Fato que é facilmente comprovado pela velharia que sai às ruas, em manifestações pró-fascismo.

A REVOLUÇÃO DOS IDIOTAS E A DITADURA DO MERCADO

Obviamente, outra característica importante desse momento, a naturalização da violência na sociedade brasileira, trouxe a periferia à identificação com o discurso de Bolsonaro. Há, ainda, o crescimento das igrejas neopentecostais e a forte adesão à teologia da prosperidade, por parte das camadas mais pobres e, principalmente, da classe média.

Aliás, a classe média merece uma análise destacada das demais. Na medida em o consumismo avançou nos discursos dos governos pelo mundo, como forma de manter o crescimento “infinito” das economias, tendo a dissolução da União Soviética, enterrado a dialética entre sistemas, que fazia o capitalismo dar concessões à questões sociais, a classe média substituiu a valorização do conhecimento, pela pura estratificação social baseada no bem de consumo. Essa substituição foi a bomba atômica na intelectualização dessa parcelada sociedade, perdendo sua identidade e a capacidade de se reconhecer como seres coletivos, se tornando burra, idiotizada, anacrônica, mas, cheirando a perfume Chanel.

Perdidos em seus pensamento egoístas, a ditadura da felicidade impôs ao sujeito a lógica do burro motivado, trazendo a mistura tóxica entre ignorância, consumo, capitalismo radical, exploração, ódio e individualismo extremo. O resultado desse cenário foi a desconsideração do outro e a exclusão do que é diferente, nesse sentido a classe média deixou de reconhecer como ser humano, os mais pobres, os negros, os homoafetivos e outros que não reconheçam como iguais aos que são. Bolsonaro passa a representá-los, não só na moda mas, no pensamento, incluindo a burrice, a religiosidade pateta e as demais características pastichetas e apaspalhadas.

Talvez, a derrocada do próximo governo consiga alterar o triste destino em direção ao abismo intelectual, digno de uma “idiocracia”. Mas, que não se subestime a capacidade dos idiotas, mesmo que um presidente completamente equivocado e despreparado encontre a tragédia social e econômica, ainda assim, por identidade, os apalermados continuarão culpando o “comunismo” petista, anos depois da fome encontrar a classe média.

https://www.focuscosmus.com/10-dez-primeiros-dias-da-eleicao-do-bolsonaro/

https://www.apostagem.com.br/2018/11/25/a-revolucao-dos-idiotas-e-a-ditadura-do-mercado/

A matemática, que nada sabe de observação

O filósofo Auguste Comte (1798-1857), fundador do Positivismo, acreditava que a ciência é a “investigação da realidade”. E colocava a matemática no topo: “É pelo estudo da matemática, e somente por esse meio, que se pode formar uma ideia correta e aprofundada do que se entende por ciência”.

Estátua “O Pensador” do escultor Aguste Rodin, em frente ao Instituto de Artes de Detroit, em Michigan.

De onde vêm as ideias matemáticas: do mundo real ou da dedução pura?

Esse ponto de vista, que faz do método matemático o modelo e objetivo de toda investigação científica, é recebido de modo distinto por cientistas. Matemáticos tendem a repeti-lo sempre que possível (como acabo de fazer); colegas de outras áreas têm menor entusiasmo.

Um dos críticos mais ferozes foi o biólogo Thomas H. Huxley (1825-1895), autodidata e debatedor temível. Tendo aderido às ideias de Charles Darwin (1809-1882) sobre a evolução, defendeu-as com tanto vigor e paixão que acabou conhecido como o “buldogue de Darwin”.

Os dois naturalistas também tinham em comum o fato de saberem quase nada de matemática. Enquanto Darwin lamentava a ignorância (“Lamento não ter avançado o suficiente para entender os grandes princípios da matemática, pois pessoas com esse conhecimento parecem possuir um sentido extra”), Huxley se irritava com menções à disciplina que não dominava.

Seu ataque a Comte foi demolidor. Em artigo na revista Fortnightly Reviews, Huxley apresentou uma visão caricatural: “O matemático começa com algumas afirmações tão óbvias que são chamadas autoevidentes, e o resto do trabalho consiste em deduções sutis a partir delas”. E ridicularizou Comte: “Quer dizer que o único estudo que pode dar ‘uma ideia correta e aprofundada do que se entende por ciência’ é justamente esse (a matemática) que não sabe nada sobre observação, experimentação, indução ou causalidade?”.

A refutação a Huxley ficou a cargo do matemático inglês James J. Sylvester (1814-1897), em palestra em 1869 perante a Sociedade Britânica para o Progresso da Ciência. Sylvester começou por afirmar a admiração por Huxley, o qual “se tivesse dedicado seus extraordinários poderes de raciocínio à matemática, teria se tornado tão grande como matemático quanto é como biólogo”. Mas pessoas inteligentes também erram ao falar do que não entendem, continuou. Sobre o artigo de Huxley, intitulado “Notas de um discurso após o jantar”, ponderou, com ironia, que talvez tivesse sido mais prudente fazer o discurso antes da refeição…

Sylvester não chega a explicar satisfatoriamente de onde vêm as ideias matemáticas: do mundo real ou da dedução pura? No primeiro caso, como pode a matemática ser rigorosa? No segundo, como pode descrever a realidade? O Nobel da física Eugene Wigner (1902-1995) debruçou-se sobre essas questões no famoso ensaio “A efetividade nada razoável da matemática nas ciências naturais”, de 1960. As respostas intrigam os pensadores até os nossos dias.

 

 

 

O que a nova missão da Nasa deve revelar sobre Marte

A Nasa, a agência espacial americana, conseguiu fazer pousar com sucesso nesta segunda-feira um robô que investigará o interior de Marte em uma incursão inédita. Apesar do êxito, o desembarque da sonda InSight foi precedido por sete minutos dramáticos.

Descida da sonda foi acompanhada com apreensão pela equipe da missão – que respirou aliviada após a notícia do desembarque bem-sucedido.

O que a nova missão da Nasa deve revelar sobre Marte

O que a nova missão da Nasa deve revelar sobre Marte

A confirmação do pouso veio pouco depois das 19h50 GMT (17h50 no horário de Brasília).

O projeto de incursão nas profundezas do “planeta vermelho” torna-o o único a ser examinado desta maneira.

O pouso, considerado arriscado, deixou a equipe da agência ansiosa ao longo dos sete minutos em que a máquina transmitia informações sobre sua descida. Mas, quando ficou evidente de que a InSight estava segura, o controle da missão da Nasa na Califórnia explodiu de alegria.

A sonda desembarcou em uma planície conhecida como Elysium Planitia, perto do equador marciano.

Engenheiros aguardam agora um relatório do estado do robô e as primeiras fotos capturadas por ele. Essas informações devem chegar à Terra nas próximas horas.

O que aconteceu no pouso?

Com o histórico de tentativas anteriores de pouso em Marte, a descida da InSight – a primeira tentativa desde 2012 – foi tensa.

A InSight adentrou a atmosfera de Marte mais rápido que uma bala de alta velocidade e usou uma combinação de escudo térmico, paraquedas e foguetes para fazer uma aterrisagem suave.

Agora, um ponto-chave para a sobrevivência da InSight nas condições severas da superfície de Marte são seus painéis solares.

O robô deve começar a gerar energia para operar seus sistemas e aquecer equipamentos em meio às temperaturas abaixo de zero que persistem planeta.

Somente quando essas demandas imediatas forem solucionadas, a Nasa poderá começar a pensar sobre o aprofundamento da missão.

O que há de diferente nessa missão?

Esta será a primeira sonda a dedicar-se à compreensão sobre o interior de Marte.

Os cientistas querem saber como são as profundezas do planeta – do seu núcleo à crosta. A InSight tem três planos principais para atingir esse objetivo.

O primeiro envolve um pacote de sismógrafos franco-britânicos que buscarão ouvir “Marsquakes” (em tradução livre, uma analogia ao nome dos terremotos em inglês, “Earthquakes”; ou seja, indica tremores localizados em Marte). Essas vibrações revelarão onde estão as camadas rochosas e de que são feitas.

Em outra frente, uma “toupeira” alemã escavará até 5 metros no solo para medir a temperatura do planeta. Isso dará uma ideia do quanto Marte ainda é ativo.

E um terceiro experimento usará transmissões de rádio para determinar com muita precisão como o planeta está oscilando em seu eixo. A cientista adjunta do projeto, Suzanne Smrekar, usa uma analogia: “Se você pegar um ovo cru e um ovo cozido e girá-los, eles balançam diferentemente por causa da distribuição de líquido no interior. E hoje nós realmente não sabemos se o núcleo de Marte é líquido ou sólido, e quão grande é esse núcleo. A InSight nos dará essa informação.”

Por que precisamos saber disso?

Os cientistas entendem muito bem como o interior da Terra está estruturado e têm alguns bons modelos para descrever o início dessa formação no nascimento do Sistema Solar, há mais de 4,5 bilhões de anos. Investigações sobre Marte poderão dar aos pesquisadores uma perspectiva diferente sobre como o planeta rochoso pode ter se estruturado e evoluído ao longo do tempo.

“Os pequenos detalhes sobre como os planetas evoluem são o que pensamos fazer a diferença entre um lugar como a Terra, onde você pode sair de férias e se bronzear, e um lugar como Vênus, em que você será queimado em uma questão de segundos. Ou um lugar como Marte, em que você congelaria”, explica o cientista-chefe da InSight, Bruce Banerdt.

Nova sonda em Marte vai fazer uma espécie de ‘ultrassom’ do planeta

Os sete meses de espera finalmente estão chegado ao fim! No final da tarde hoje a sonda Insight da agência espacial americana NASA vai iniciar seus procedimentos para pousar em Marte e o leitor incauto pode se perguntar: mas de novo?

Sonda Insight em centro da Nasa — Foto: Cássio Barbosa/

O que a nova missão da Nasa deve revelar sobre Marte

Pois é, de novo Marte, mas desta vez a ideia é um pouco diferente. Ao invés de observar as coisas acontecendo da superfície marciana para cima, por assim dizer, a InSight vai “olhar” para dentro de Marte!

A NASA tem dito que esta será a primeira missão espacial a fazer um verdadeiro checkup médico de um planeta, registrando pulsação, temperatura e fazendo um ‘ultrassom’ planetário. A missão Insight visa obter dados do interior de Marte para construir um cenário de como teria sido sua evolução desde que o Sistema Solar foi formado. Essa missão em específico não tem o propósito de procurar pistas sobre possíveis formas de vida, seja atualmente, seja no passado.

O carro chefe da missão é um instrumento construído em parceria com a França para medir abalos sísmicos em Marte. Trata-se de um sismógrafo ultrassensível que pretende registrar os abalos provocados até pelo choque de micrometeoritos com a superfície marciana. O objetivo de tomar dados tão sensíveis assim é o de usar a propagação das ondas sísmicas através do interior do planeta para se construir sua estrutura interna. Esse é o ultrassom marciano que eu mencionei.

O procedimento é semelhante ao exame usual que volta e meia precisamos fazer em uma clínica, mas neste caso são utilizadas ondas sonoras em alta frequência. Como o corpo humano tem diversos órgãos com estruturas e densidades diferentes, as ondas sonoras se propagam de maneira diferente ao atravessar ou refletir quando encontra um tecido diferente. Com isso, é possível processar os sinais que são refletidos (ou não) de maneiras diferentes para reconstruir uma imagem da estrutura que provocou as diferenças entre o sinal gerado e o recebido.

Em Marte serão usadas as ondas sísmicas provocadas por movimentações de terreno. Não que se espere martemotos gerados por deslocamentos de placas tectônicas, como ocorrem na Terra, mas por exemplo desabamento de cavernas ou mesmo avalanches em encostas de desfiladeiros, como já foi detectado. Aliás, não se espera tectonismo em Marte, mas se ocorrerem movimentações de placas tectônicas, o SEIS (sigla em inglês para Experimento Sísmico para Estrutura Interior) vai detectá-las. Outro “gerador” de ondas sísmicas é a queda de meteoritos na superfície marciana. O choque do meteorito com o solo gera perturbações que serão captadas à distância. O instrumento é tão sensível que poderá captar até mesmo as perturbações geradas pelos redemoinhos marcianos, os famosos ‘dust devils’.

O que a nova missão da Nasa deve revelar sobre Marte

O que a nova missão da Nasa deve revelar sobre Marte

Aliás, essa alta sensibilidade causou um problema no desenvolvimento da missão. Durante um tempinho os técnicos que construíram os sismógrafos ficavam encafifados que havia sempre um ruído de fundo durante os testes. Eram injetados sinais sutis para se testar sua eficiência, mas ao terminarem os testes, o instrumento continuava a registrar algum sinal. Levou um tempo para que se descobrisse que o sinal vinha da movimentação de sinos de uma torre na universidade, a uma distância de quase 500 metros!

Essa história me foi contata por Ivair Gontijo, engenheiro brasileiro que trabalha no JPL da NASA na integração dos instrumentos do próximo jipe marciano, o Mars 2020. Gontijo foi o responsável por projetar os radares que controlaram o pouso do jipe Curiosity em 2012. Por ser tão sensível é que o sismógrafo vai ser depositado gentilmente por um braço robótico ao lado da sonda. Gontijo me explicou que os sismógrafos embarcados nas sondas Viking na década de 1970, mais precisamente nas pernas da sonda, falharam em registrar sismos porque os ventos marcianos faziam a estrutura toda oscilar e isso mascarava qualquer sinal vindo do subsolo.

Essa é uma foto do módulo de engenharia da InSight que eu tirei na sala limpa do JPL em Pasadena, Califórnia, durante uma visita em julho deste ano. Esse módulo é uma réplica funcional da sonda que deverá pousar daqui a pouco em Marte, apenas sem seus painéis solares. O propósito de se manter uma réplica como essa é testar algum procedimento que seja necessário fazer em Marte. Se a InSight tiver algum problema, uma solução será testada nesse módulo antes de ser enviada a Marte. Logo depois de pousar, a sonda deverá enviar imagens da região à sua volta para que sua cercania seja replicada no ‘Jardim Marciano’, o campo de testes das sondas com destino a Marte, lá mesmo em Pasadena. O terreno e a disposição das pedras serão usados para planejar a melhor maneira de depositar o sismógrafo no solo.

Aliás o pouso da InSight também está sendo chamado de ‘6 minutos de terror’ (com a Curiosity foram 7). A massa destas sondas e suas velocidades de entrada são muito grandes para que apenas um mecanismo de pouso possa ser usado. Assim que a sonda inicia sua entrada, ela é freada pela própria atmosfera com um escudo térmico para proteção. Quando a velocidade cai o suficiente, um paraquedas gigantesco é ejetado. Só que a atmosfera marciana representa algo como 1% da atmosfera terrestre e isso impede que a sonda reduza a velocidade de queda para níveis adequados. Já próximo à superfície, a sonda se livra do paraquedas e dispara retrofoguetes que finalmente vão desacelera-la a níveis seguros para pousar.

Além do sismógrafo, a InSight carrega também um termômetro e um sensor de posição. O termômetro não é um termômetro qualquer, mas na verdade uma barra de aproximadamente 5 metros que será enterrada no solo marciano. Marte já foi escavado em outras expedições, mas nada além de uns poucos centímetros, dessa vez o buraco é mais embaixo, literalmente. O objetivo deste instrumento é ver como é a transmissão e dissipação do calor no subsolo e com isso ter uma ideia de como Marte foi se esfriando ao longo de bilhões de anos de existência.

Já o sensor de posição vai permitir, usar as transmissões dos satélites em órbita de Marte para triangular a posição da sonda com altíssima precisão. O objetivo é medir variações sutis de sua posição em 3 dimensões para registrar o movimento de “bamboleio” que ele executa junto com sua revolução (no meu tempo chamada de translação) e rotação. E o interesse em se ter essa medida com precisão muito alta é determinar a natureza do interior de Marte. Se o interior de Marte tiver um núcleo líquido, os bamboleios serão diferentes, assim como a propagação das ondas sísmicas. E se tiver mesmo, qual a extensão dele? Qual o tamanho desse núcleo em relação ao resto? Você pode ver um infográfico muito legal nesta reportagem aqui.

Se tudo der certo, a Insight deve pousar às 17:54 (horário de Brasília) e seu primeiro sinal de vida deverá ser emitido às 18:01. Vai levar pelo menos 8 minutos para esse sinal chegar à Terra e só aí saberemos se de fato ela está viva. Logo em seguida ao pouso a sonda deverá abrir seus painéis solares, mas essa informação só poderá ser confirmada de fato às 23:35, quando a sonda Mars Odyssey sobrevoar a área do pouso. É possível que a primeira imagem da InSight em solo só chegue amanhã.

(ATUALIZAÇÃO: o pouso foi realizado com sucesso e uma imagem foi enviada após o pouso)

Mas também é possível que algumas imagens da sonda entrando na atmosfera de Marte sejam enviadas quase em tempo real (descontados os 8 minutos de distância). É que a sonda está sendo seguida por dois cubesats do tamanho de uma valise de mão. Os dois cubesats vão fotografar essa etapa da missão e vão enviar as imagens de volta para a Terra.

Apesar do grande sucesso da NASA em conseguir pousar suas sondas nos tempos recentes, é bom lembrar que o índice de sucesso, quando falamos do planeta vermelho, é da ordem de 40%. Por isso, toda torcida é bem-vinda!

“Ninguém criou o universo”: Stephen Hawking explica por que Deus não existe

Existe vida inteligente fora da Terra? É possível prever o futuro? E fazer uma viagem no tempo? Sobreviveremos no nosso planeta? Deveríamos tentar colonizar outros cantos do universo? A inteligência artificial vai nos superar? Deus existe?

“Ninguém criou o universo”: Stephen Hawking explica por que Deus não existe

“Ninguém criou o universo”: Stephen Hawking explica por que Deus não existe

Respostas para essas perguntas nada fáceis que Stephen Hawking nos oferece em “Breves Respostas Para Grandes Questões”, livro póstumo que acaba de chegar às livrarias pela Intrínseca. Hawking, que morreu no último mês de março aos 76 anos, foi um dos pesquisadores mais respeitados e conhecidos de nossa história recente. Dominando a matemática, a física e a cosmologia, preocupou-se em não deixar seu conhecimento limitado à academia e atingiu o grande público ao lançar obras como “Uma Breve História do Tempo” e “O Universo Numa Casca de Noz”.

“A maioria das pessoas acredita que ciência de verdade é difícil e complicada demais. Não concordo com isso. Pesquisar sobre as leis fundamentais que governam o universo exigiria uma disponibilidade de tempo que a maioria não tem; o mundo acabaria parando se todos tentassem estudar física teórica. Mas a maioria pode compreender e apreciar as ideias básicas, se forem apresentadas de maneira clara e sem equações, algo que acredito ser possível e que sempre gostei de fazer”, escreve o cientista.

Hawking segue essa linha de divulgação científica para leigos em “Breves Respostas Para Grandes Questões”, que reúne um material descoberto em seus arquivos logo após sua morte. Quem tem o livro em mãos só não deve achar, no entanto, que as respostas breves do autor se limitem a poucos parágrafos – estamos diante de temas que rendem pesquisas profundas, que muitas vezes chegam a conclusões ou possibilidades diferentes, vale lembrar.

Para falar a respeito da existência ou não de algum deus, por exemplo, ao longo de 12 páginas o cientista passa por questões de linguagem, pelas leis da natureza, equações científicas básicas e dá uma aula sobre energia negativa que eu não me meterei a reproduzir, tudo para embasar o parecer. Passa ainda pela história, lembrando que a ciência explicou quase todos os fenômenos anteriormente atribuídos a divindades, restando apenas o momento da criação do universo como um cantinho onde algum deus ainda poderia estar escondido.

“Ninguém criou o universo”: Stephen Hawking explica por que Deus não existe

“Ninguém criou o universo”: Stephen Hawking explica por que Deus não existe

“As leis da natureza nos dizem que não só o universo pode ter surgido sem ajuda, como um próton, e não ter exigido nada em termos de energia, como também é possível que nada tenha causado o Big Bang. Nada. […] À medida que viajamos de volta no tempo em direção ao momento do Big Bang, o universo fica cada vez menor e continua diminuindo até finalmente chegar a um ponto em que se torna um espaço tão ínfimo que na verdade se trata de um único buraco negro infinitesimalmente pequeno e denso. E, assim como acontece com os buracos negros que hoje flutuam pelo espaço, as leis da natureza ditam algo verdadeiramente extraordinário. Elas nos dizem que aí também o próprio tempo tem que parar. Não podemos voltar a um tempo anterior ao Big Bang porque não havia tempo antes do Big Bang. Finalmente encontramos algo que não possui uma causa, porque não havia tempo para permitir a existência de uma. Para mim, isso significa que não existe a possibilidade de um criador, porque ainda não existia o tempo para que nele houvesse um criador”, escreve Hawking, que depois deixa sua posição ainda mais clara:

“Quando me perguntam se um deus criou o universo, digo que a pergunta em si não faz sentido. O tempo não existia antes do Big Bang, assim não existe tempo no qual deus produziu o universo. É como perguntar onde fica a borda da Terra. A Terra é uma esfera e não tem borda; procurá-la é um exercício fútil. […] Se eu tenho fé? Cada um é livre para acreditar no que quiser. Na minha opinião, a explicação mais simples é que deus não existe. Ninguém criou o universo e ninguém governa nosso destino. Isso me levou a perceber uma implicação profunda: provavelmente não há céu nem um além-túmulo. Acho que acreditar em vida após a morte não passa de ilusão. Não existe evidência confiável disso e a ideia vai contra tudo que sabemos em ciência. Acho que, quando morremos, voltamos ao pó. Mas, em certo sentido, continuamos a viver: na influência que deixamos, nos genes que passamos adiante para nossos filhos. Temos apenas esta vida para apreciar o grande plano do universo, e sou extremamente grato por isso”.

Dentre os muitos momentos interessantes do livro, também merece destaque a resposta que Hawking dá para a pergunta “Qual é a maior ameaça ao futuro do planeta?”. Para ele, a mudança climática descontrolada deveria ser nossa principal preocupação para que o mundo não vire um forno. “Uma elevação na temperatura do oceano derreteria as calotas polares e causaria a liberação de grandes quantidades de dióxido de carbono. Ambos os efeitos poderiam deixar nosso clima como o de Vênus, mas com uma temperatura de 250ºC”. Fica mais esse alerta para quem acha que aquecimento global é uma mentira – ou que é mera vontade de deus.

Missão BepiColombo: as tecnologias revolucionárias criadas para resistir às temperaturas extremas de Mercúrio

Trata-se de uma missão espacial tão ambiciosa que 85% de sua tecnologia é inédita.

O objetivo é chegar a Mercúrio, o planeta menos estudado do Sistema Solar. Segundo a Agência Espacial Europeia, entrar na atmosfera do planeta é como entrar em um forno de temperaturas extremas – elas vão de -173 ºC a 426 ºC.

Missão BepiColombo: as tecnologias revolucionárias criadas para resistir às temperaturas extremas de Mercúrio

BepiColombo vai demorar sete anos para chegar a Mercúrio

Na noite da última sexta-feira (19), foi lançada a missão BepiColombo, cujo nome homenageia Guiseppe “Bepi” Colombo (1920-1984), o matemático, engenheiro e físico italiano que dedicou grande parte de sua vida ao estudo de Mercúrio. Colombo trabalhou com a NASA (a agência espacial americana) em uma missão anterior ao planeta.

A missão BepiColombo é um projeto das agências espaciais da Europa e do Japão com cooperação da Rússia e dos Estados Unidos. É a terceira enviada a Mercúrio.

“Ir até Mercúrio é muito complicado; é preciso mais energia do que para ir até Plutão”, afirma Mauro Casalo, chefe de desenvolvimento do setor científico da missão.

Missão fará manobras ao redor de Venus para chegar a Mercúrio na velocidade correta.

Missão BepiColombo: as tecnologias revolucionárias criadas para resistir às temperaturas extremas de Mercúrio

Missão fará manobras ao redor de Venus para chegar a Mercúrio na velocidade correta

Será necessária uma complexa manobra de freios e sobrevoos a vários planetas para chegar à órbita de Mercúrio.

Estudar o planeta a partir da Terra é muito difícil. “As observações a partir da Terra são quase impossíveis, porque Mercúrio está tão próximo do Sol que a estrela o oculta totalmente”, explica Casale.

A tecnologia que não existia

Mais de 80 empresas de 12 países desenvolveram a tecnologia de ponta necessária para a missão.

“Não existia a tecnologia para sobreviver às condições extremas de Mercúrio, especialmente para as temperaturas”, explica Santa Martínez, coordenadora de processamento científico da BepiColombo.

E não são apenas as temperaturas que são extremas. “A radiação solar no planeta tem dez vezes a intensidade da radiação solar que temos na Terra”, diz Martínez. “As radiações infravermelha e ultravioleta também são muito elevadas e há ventos solares que podem chegar a 400 km por segundo.”

Missão BepiColombo: as tecnologias revolucionárias criadas para resistir às temperaturas extremas de Mercúrio

Camadas de isolamento térmido são aplicadas à mão

Camadas de isolamento térmido são aplicadas à mão

A nova tecnologia inclui os painéis solares dos três componentes da missão, dos satélites e orbitadores e um módulo de transferência que usa propulsão elétrica para impulsioná-los.

“O painel solar do orbitador europeu tem uma mistura de célular solares e refletores para que não esquente tanto”, afirma Martínez.

A pintura da antena também é especial, com o objetivo de conservar o calor branco para uma máxima reflexividade, e há condutores especiais que dissipam o calor.

“Outra coisa que foi desenvolvida especialmente para a missão é uma manta de isolamento com muitas camadas, que em inglês se chama multilayered insulatio. Todas as partes do satélite são recobertas com esse tipo de material para haver isolamento térmico”, afirma a cientista.

Nove sobrevoos

A viagem a Mercúrio demoraria seis meses se fosse feita sem escalas, mas a BepiColombo fará uma série de manobras e vai demorar 7 anos para chegar ao planeta.

“Se fizéssemos um voo direto, chegaríamos tão rápido que não seríamos capazes de colocar os satélites em órbita ao redor do planeta”, afirma Sara de la Fuente, coordenadora de planejamento científico e de operações da BepiColombo.

“Primeiro, teremos uma órbita muito semelhante à da Terra, teremos que reduzi-la e desacelerar o satélite também, até chegar a uma velocidade de quase zero em relação ao planeta”, explica.

Missão tem três componentes: o módulo de transferência (esq.) usa propulsão elétrica para impulsionar os satélites e orbitadores (dir.)

BepiColombo vai demorar sete anos para chegar a Mercúrio

As primeiras missões não chegaram tão perto quanto a BepiColombo deve chegar.

A Mariner 10 passou por Mercúrio, mas não chegou a orbitá-lo.

A Messenger foi lançada em 2004, chegou ao planeta em 2011 e o orbitou até 2015, quando, então, acabou seu combustível. O satélite ficou a uma distância de 15 mil km de Mercúrio.

Já a BepiColombo deve conseguir explorar outras regiões do planeta a uma distância bem mais próxima: de 1,5 mil km.

Para poder colocar os satélites em órbita, a missão vai precisar fazer manobras de sobrevoo usando as gravidades dos planetas. Serão nove sobrevoos: um da Terra, dois de Vênus e seis de Mercúrio.

Assim que estiver em órbita, o satélite vai se dedicar principalmente a estudar o entorno de Mercúrio e seu campo magnético.

Já o satélite europeu vai se dedicar a estudar mais o planeta em si mesmo, a superfície e sua morfologia.

Para Sara de la Fuente, essa é uma oportunidade “única porque vamos poder obter o que chamamos de medições de dois pontos, com ambos os satélites a diferentes distâncias”.

Missão recebeu nome do cientista italiano Giuseppe Colombo

Missão BepiColombo: as tecnologias revolucionárias criadas para resistir às temperaturas extremas de Mercúrio

Mistérios

Mercúrio é um dos planetas menos conhecidos do Sistema Solar. Os pesquisadores esperam que a BepiColombo ajude a decifrar alguns dos muitos mistérios em torno do planeta.

“É um planeta muito peculiar. Como está muito perto do Sol, tem características que os outros planetas do Sistema Sola não têm”, diz Casale.

“Ele tem, por exemplo, um campo magnético, como a Terra, que não existem Marte ou em Vênus. Isso significa que a estrutura interna do planeta tem características que se pensava não serem compatíveis com a proximidade com o Sol, porque precisa de um componente líquido que não achávamos que existia”, afirma a cientista.

O campo magnético de Mercúrio é muito pequeno, só 1% do da Terra, e é deslocado em relação ao centro do planeta, algo que não acontece no nosso planeta, segundo Casale.

A missão Messenger detectou a presença de gelo nos polos de Mercúrio. Uma das tarefas de BepiColombo será confirmar esses depósitos e determinar sua quantidade e composição, além de descobrir se eles vêm de cometas ou se têm outra natureza.

Encolhido

“Há muitas outras características de Mercúrio que são muito especiais. É um planeta que encolheu, que perdeu parte do seu tamanho ao esfriar”, afirma Casale. “Pense em um planeta em sua forma inicial como uma bola de fogo que pouco a pouco esfriou e perdeu parte de seu volume. É algo que ainda não entendemos bem.”

“Também detectamos uma quantidade de material volátil que parece ser incompatível com a proximidade de Mercúrio ao Sol. Isso parece indicar que o planeta se formou em um lugar muito mais longe do Sol e depois se movimentou de forma misteriosa ao local onde está atualmente. Tudo isso deve ser pesquisado.”

O estudo de Mercúrio é também a chave para entender a evolução do Sistema Solar e de seus planetas, incluindo a Terra.

“E podemos extrapolar esse conhecimento para o que passa nos planetas fora do Sistema Solar, já que há muitos que estão a uma distância de seu sol muito parecida com a de Mercúrio e o Sol”, afirma Casale.

“O fato de que Mercúrio ter um campo magnético é fundamental para procurar por planetas onde possa haver vida como a conhecemos, porque esse campo magnético é o único mecanismo que nos protege do vento solar.”

A missão tem um custo estimado de cerca de 1,65 bilhões de euros (R$ 7 bilhões) e vai ser concluída com a colisão dos módulos em Mercúrio em 2027 ou 2028.

Conheça detalhes da “casa de força” que levará o homem a 96 mil km além da Lua

A europeia Airbus entregou nesta sexta-feira a “casa de força” da nova espaçonave Orion da Nasa, que levará astronautas à Lua e além nos próximos anos, um marco que deve dar ensejo a centenas de milhões de dólares de encomendas futuras.

Conheça detalhes da "casa de força" que levará o homem a 96 mil km além da Lua

Conheça detalhes da “casa de força” que levará o homem a 96 mil km além da Lua

Equipe da Airbus prepara o European Service Module para a espaçonave norte-americana “Orion”, em Bremen, Alemanha

Na quinta-feira os engenheiros da fábrica da Airbus instalada em Bremen, na Alemanha, acondicionaram a espaçonave cuidadosamente em um contêiner especial que voará a bordo de um gigantesco avião de carga Antonov até o Centro Espacial Kennedy da Nasa no Estado norte-americano da Flórida, um primeiro passo em sua jornada ao espaço sideral.

Na Flórida, a estrutura será unida ao módulo da tripulação da Orion, construído pela Lockheed Martin, e submetido a mais de um ano de testes intensivos antes da primeira missão de três semanas na órbita da Lua, que será lançada em 2020, mas sem tripulação.

A produção futura do Orion e do módulo europeu pode resultar em bilhões de dólares de novas encomendas para as empresas envolvidas nos próximos anos, disse Bill Gerstenmaier, administrador associado para exploração humana e operações da Agência Aeroespacial dos Estados Unidos.

“Este é o sistema que permitirá aos humanos se movimentarem de forma sustentável no espaço profundo… e deixar o sistema Terra-Lua pela primeira vez na história”, afirmou.

Os planos atuais almejam uma primeira missão tripulada em 2022, e em seguida a Nasa e a Agência Espacial Europeia (ESA) pretendem lançar uma missão tripulada por ano, tornando o projeto Orion importante política e economicamente em um momento no qual a China e outros países estão correndo para se lançar ao espaço.

O Módulo de Serviço Europeu da Airbus fornecerá propulsão, energia, controle térmico e combustíveis não-renováveis à tripulação do módulo da Orion ? a primeira vez em que a Nasa utilizará um sistema fabricado na Europa como elemento essencial para impulsionar uma espaçonave norte-americana.

“Este é um passo muito grande. A entrega e o voo à América são só o começo de uma jornada que eventualmente nos levará 96 mil quilômetros além da Lua, mais longe do que qualquer humano já voou antes”, disse Oliver Juckenhoefel, vice-presidente de serviços orbitais e exploração da Airbus, à Reuters.

A Orion é parte de um empenho crescente de levar humanos de volta à Lua, onde a descoberta inesperada de água empolgou cientistas.

rotor artificial mais rápido do mundo

Pesquisadores criaram o rotor artificial mais rápido do mundo, que acreditam que os ajudará a estudar mecânica quântica.

 rotor artificial mais rápido do mundo

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Com mais de 60 bilhões de rotações por minuto, esta máquina é mais de 100.000 vezes mais rápida que uma furadeira de alta velocidade. Os resultados foram publicados na revista Physical Review Letters.

“Este estudo tem muitas aplicações, incluindo a ciência dos materiais. Nós podemos estudar as diferentes condições em que os materiais conseguem existir”, afirmou Tongcang Li, professor assistente da Universidade Purdue.

A equipe de Li sintetizou um minúsculo haltere de sílica e o levitou em alto vácuo usando um laser. O laser pode trabalhar em linha reta ou em um círculo – quando é linear, o haltere vibra e, quando é circular, o haltere gira.

Um haltere que gira funciona como um rotor, enquanto um haltere que vibra funciona como um instrumento para medir pequenas forças e torques.Esses dispositivos foram utilizados para estudar a constante gravitacional e a densidade da Terra, mas Li espera que elas se tornem mais avançadas e que permitam o estudo da mecânica quântica e das propriedades do vácuo.

“As pessoas dizem que não há nada no vácuo, mas na física, sabemos que o vácuo não é realmente vazio”, disse Li. “Há muitas partículas virtuais que podem sobrevivem por um curto período de tempo e depois desaparecer. Queremos saber o que realmente acontece ali, e é por isso que queremos um medidor de equilíbrio de torque mais sensível possível”, explica o pesquisador.

Ao observar este minúsculo spin do haltere mais rápido do que qualquer outra coisa, a equipe de Li também pode aprender coisas sobre o atrito e a gravidade no vácuo. Entender esses mecanismos é uma meta essencial para a geração moderna da física, disse Li.

Os pesquisadores de Purdue, da Universidade de Pequim, da Universidade de Tsinghua e do Centro de Inovação Colaborativa da Quantum Matter, em Pequim, também contribuíram para esse trabalho. O primeiro autor deste trabalho é Jonghoon Ahn, um estudante de pós-graduação do grupo de pesquisa de Li. A pesquisa de Li foi financiada pela National Science Foundation e pelo Office of Naval Research.

Artigo cientifico publicado na revista Physical Review Letters:

https://goo.gl/6hgVAa

Fonte: https://goo.gl/5jcfaE

Rússia provoca Elon Musk e promete chegar a Marte usando foguete nuclear

Parece que a corrida espacial dos tempos da Guerra Fria está ensaiando um retorno. A Roscosmos, agência espacial federal da Rússia, apresentou nesta semana um foguete nuclear que promete levar humanos a Marte no futuro, aproveitando a deixa para provocar o bilionário Elon Musk.

Rússia provoca Elon Musk e promete chegar a Marte usando foguete nuclear

Rússia provoca Elon Musk e promete chegar a Marte usando foguete nuclear

Musk, que é sul-africano, é fundador da empresa norte-americana SpaceX, que também tem planos de levar humanos a Marte em seus próprios foguetes. Mas segundo Vladimir Koshlakov, chefe do Centro de Pesquisas Keldysh, da Rússia, a tecnologia dos Estados Unidos já está ultrapassada.

“Elon Musk está usando a tecnologia existente, desenvolvida há muito tempo”, disse ele à imprensa local (via RT). “Ele é um homem de negócios: pegou uma solução que já existia e a aplicou com sucesso. Notavelmente, ele também está fazendo seu trabalho com a ajuda do governo.”

Foguetes que usam reatores nucleares como propulsão não são novidade: a Nasa (agência espacial dos EUA) e a própria Rússia experimentaram esta tecnologia nas décadas de 1970 e 1960, no auge da corrida espacial. Mas os russos garantem que o sistema usado agora é o mais inovador desde 2009.

O novo foguete, ainda em estágio de desenvolvimento, “vai ultrapassar o nível existente de desenvolvimento tecnológico e científico”. E o objetivo da Rússia é o mesmo da SpaceX: poder reutilizar foguetes para baratear e dar mais agilidade às viagens ao espaço.

“Devemos desenvolver motores que não precisem ser ajustados ou reparados mais de uma vez a cada dez voos. Além disso, 48 horas após o foguete retornar do espaço, ele deve estar pronto para ser usado novamente. É isso que o mercado exige”, afirmou Koshlakov.

Por enquanto, não há previsão concreta de quando os russos pretendem ir ao planeta vermelho. “Uma missão a Marte é possível em um futuro muito próximo, mas isso não é um objetivo em si. Nossos motores podem ser a base para toda uma gama de missões espaciais que atualmente parecem ficção científica”, disse Koshlakov.