Astrônomos encontram 1ª evidência de efeito quântico raro previsto há 80 anos

O ESO (Observatório Europeu do Sul, sigla em inglês) explicou nesta quarta-feira (30) que a polarização da luz emitida pela estrela RZ J1856.5-3754 “sugere que o espaço vazio ao redor” deste “corpo celeste de nêutrons está sujeito ao efeito quântico conhecido como birrefringência do vácuo”.

birrefringência do vácuo

birrefringência do vácuo

Um grupo de astrônomos acredita que se deparou, ao observar a luz emitida por uma estrela de nêutrons a 400 anos-luz da Terra, com a primeira prova empírica que demonstra um estranho efeito quântico teorizado há 80 anos.

Este fenômeno, que foi teorizado nos anos 1930 pelo cientista Werner Heisenberg, supõe que os campos magnéticos das estrelas de nêutrons são tão fortes que afetam inclusive o vácuo interestelar que as rodeia e que, apesar de seu nome, se sabe que conta com “partículas virtuais”.

Esses campos magnéticos “modificam” o entorno da estrela, o que “afeta a polarização da luz que o atravessa”, acrescentou o ESO no comunicado, que remete à teoria da eletrodinâmica quântica.

Um vácuo altamente magnetizado atua “como um prisma para a propagação da luz, um efeito conhecido como birrefringência do vácuo”, afirmou o responsável pela pesquisa, Roberto Mignani, do INAF (Instituto de Astrofísica Espacial e Física Cósmica) de Milão, na Itália.

A polarização linear detectada pelos astrônomos situa-se em torno de 16%, o que “possivelmente se deve ao efeito amplificador” deste fenômeno, comentou Mignani.

“É difícil de explicar a alta polarização linear que medimos com nossos modelos, a menos que incluamos os efeitos da birrefringência do vácuo”, acrescentou o cientista.

Este estranho efeito quântico só pode ser comprovado em estrelas de nêutrons por suas características peculiares e a RZ J1856.5-3754, apesar de sua distância, é uma das mais próximas de nosso planeta.

Estes objetos estelares, acrescentou a ESO, são o núcleo sobrevivente de estrelas massivas que explodiram como supernovas e que se caracterizam por serem extremamente densos e por terem campos magnéticos trilhões de vezes mais fortes que o do Sol.

“Este efeito só pode ser detectado na presença de campos magnéticos extremamente potentes, como os que rodeiam as estrelas de nêutrons. Isto demonstra, de novo, que as estrelas de nêutrons são laboratórios de um valor incalculável para o estudo das leis fundamentais da natureza”, afirmou Roberto Turolla, da Universidade de Pádua, na Itália.

As observações do grupo de cientistas foram possíveis graças ao telescópio VLT da ESO situado no deserto de Paranal, no Chile.

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