Author Archives: midNight SkyWalker

Artista usa Assistente do Google para disparar arma e atiça debate inexistente

Em todas as áreas do conhecimento há uma separação entre quem é da área e quem é de fora, com percepções diferentes da realidade. A parte de inteligência artificial talvez seja a que mais gere uma percepção totalmente fora da realidade, com pessoas de fora achando que estamos a dois ou três updates do Chrome de criar a Skynet, e que robôs como o Atlas da Boston Dynamics estão prestes a quebrar seus grilhões e dominar o mundo.

Artista usa Assistente do Google para disparar arma e atiça debate inexistente

Artista usa Assistente do Google para disparar arma e atiça debate inexistente

Isso explica a reação geral a uma bobagem peça artística de Alexander Reben, um daqueles artistas modernos que diferem de acumuladores por de vez em quando se livrarem de parte de sua coleção por preços exorbitantes. Ele construiu uma trapizonga onde dá um comando de voz para o Assistente do Google, o equipamento reconhece o comando, aciona um solenóide, dispara uma arma de airsoft e mata uma maçã. Eis o vídeo:

Note que ele usou uma daquelas tomadas inteligentes e nem se preocupou em acionar momentaneamente o gatilho, depois do disparo o solenóide continua ativado, mas isso não importa.

O artista diz que usou peças que tinha jogadas pelo seu estúdio (não falei?) e que

“Parte da mensagem para mim inclui as consequências não-planejadas da tecnologia e a futilidade de considerar cada caso de uso”

Ele se apressou em explicar que usou uma arma mas o equipamento poderia perfeitamente acionar uma cadeira de massagem ou uma máquina de sorvete.

A discussão, nos comentários e em outros sites enveredou sobre quem seria responsável se a arma fosse de verdade e estivesse apontada para um humano. A rigor a culpa é óbvia, ele comandou o disparo, mas e se fosse algo aleatório, que a própria máquina decide?

O pessoal que faz campanha contra drones em geral não entende a tecnologia, acham que há autonomia ali, mas não reclamam de um avião convencional com um piloto. Na verdade os “drones” são aviões de controle-remoto glorificados, ao invés de um piloto estressado com medo de um talibã em seu dia de sorte com um míssil Igla, temos dois sujeitos num escritório refrigerado em Nevada, tomando refrigerante e selecionando os alvos com calma, sem stress.

Claro, de vez em quando eles se confundem e bombardeiam um casamento árabe mas quer saber? Nem dá pra culpar.

Drones no futuro terão autonomia? provavelmente, mas eu vou contar um segredo: Já era. Esse barco já partiu. Já temos máquinas que matam pra gente sem NENHUMA preocupação ética. O pesadelo dos luditas, máquinas assassinas que se rebelam e se tornam uma ameaça a todos os humanos foram criadas na China, no Século III provavelmente ou no X com mais certeza, foram as antepassadas dessas belezinhas aqui:

Artista usa Assistente do Google para disparar arma e atiça debate inexistente

Artista usa Assistente do Google para disparar arma e atiça debate inexistente

 

 

Minas terrestres continuam a matar décadas depois que os conflitos para os quais foram instaladas já foram esquecidos. Assim como foram as 73500 vítimas civis entre 1999 e 2009, gente de países pobres, crianças brincando ou indo pra escola, agricultores tentando tirar seu sustento da terra. Só no Vietnã a área interditada daria pra alimentar 12 mil famílias.

Aí vem um playboy de Internet dizer que medo mesmo tem de um robô com um software cheio de salvaguardas pra garantir que só acertará os caras maus?

Ah sim existe outra máquina que mata indiscriminadamente, sem intervenção humana: Arame farpado.

Artista usa Assistente do Google para disparar arma e atiça debate inexistente

Artista usa Assistente do Google para disparar arma e atiça debate inexistente

Em um mundo lindo e fofinho não precisaríamos matar ninguém, viveríamos em paz, de mãos dadas cantando Kumbaya, mas no mundo real todo mundo precisa se defender, e a tecnologia está cada vez mais eficiente. Ter medo dos avanços é crueldade, é dizer que você prefere mortes indiscriminadas. Hoje pulveriza-se um prédio enquanto as casas em volta no máximo perdem algumas janelas. Para conseguir os resultados do último grande ataque à Síria na Segunda Guerra seria preciso destruir a cidade inteira. Dessa vez foram 3 ou 4 prédios e zero vítimas civis.

Inteligência Artificial, sistemas especialistas, machine learning, têm se mostrado melhores do que humanos em um monte de tarefas, incluindo diagnosticar câncer de pele. Por quê o medo de usar a mesma tecnologia pra diferenciar amigos de inimigos? As chances de fogo amigo ou mortes de inocentes cairão bastante.

Artista usa Assistente do Google para disparar arma e atiça debate inexistente

Artista usa Assistente do Google para disparar arma e atiça debate inexistente

Exceto se a IA for desenvolvida pelas Indústrias Hammer.

A questão da responsabilidade? Isso foi decidido séculos atrás, se um escravo causa danos ou mata alguém, a responsabilidade é de seu dono, e as máquinas são (por enquanto) nossas escravas, vide a etimologia do termo “robô”.

Quando e SE robôs se tornarem sencientes, quando e SE robôs ganharam status legal de indivíduos, de novo o problema estará resolvido, a responsabilidade será deles. Só que aí eles decidirão se querem participar de nossas guerras ou não.

Cientistas descobrem qual será o fim do Sol quando morrer

Tudo um dia morre, inclusive o Sol –que já tem até o seu prazo de validade previsto. Restam-lhe 5 bilhões de anos de vida. Mas o que será de nossa estrela maior depois disso? A resposta foi revelada por uma equipe internacional de cientistas e divulgada nesta segunda-feira (7) na revista Nature Astronomy.

Cientistas descobrem qual será o fim do Sol quando morrer

Cientistas descobrem qual será o fim do Sol quando morrer

Usando um novo modelo de computador, os astrônomos descobriram que, quando ficar sem combustível, em vez de simplesmente desaparecer–como se pensava anteriormente–, o Sol se transformará em uma nebulosa planetária massiva.

“Visível por milhões de anos-luz até mesmo em galáxias a 2 milhões de anos-luz de distância”, disse Albert Zijlstra, professor de astrofísica da Universidade de Manchester, no Reino Unido, em uma entrevista ao jornal britânico “The Guardian”.

Com 5 bilhões de anos, o Sol está na metade da sua existência. Seu fim será marcado pela falta de hidrogênio em seu núcleo, que provocará um colapso em seu centro. Essas reações nucleares fazem com que o Sol inche em uma gigante vermelha que eventualmente pode engolir Mercúrio e Vênus. Mas este não é o fim da história.

Ao se formar em um gigante vermelho, segundo os pesquisadores, o Sol perderá cerca de metade de sua massa e as suas camadas externas serão expulsas a cerca de 20 km por segundo. Seu núcleo irá aquecer rapidamente, fazendo irradiar luz ultravioleta e raios-x que alcançam as camadas externas e as transformam em um anel de plasma brilhante.

Os astrônomos calculam que essa nebulosa planetária brilhe por cerca de 10 mil anos.

A Terra vai sobreviver à morte do Sol? Aparentemente o planeta continuará a existir, mas a vida terrestre já terá acabado muito antes disso. À medida que o sol envelhece, ele se tornará cada vez mais brilhante, e nos próximos 2 bilhões de anos poderá ficar quente o suficiente para ferver os oceanos. “Não será um lugar muito agradável”, enfatiza Zijlstra.

Nasa vai lançar nave para escavar o solo de Marte e estudar origem do planeta

Sonda espacial vai medir sinais vitais de Marte

Sonda espacial vai medir sinais vitais de Marte

Os instrumentos da Insight permitirão medir os “sinais vitais” de Marte.[Imagem: JPL/NASA]

A missão InSight, da Nasa, enviará a Marte a primeira sonda capaz de perfurar o solo e estudar o interior do Planeta Vermelho. O lançamento da sonda está programado para ocorrer neste sábado (5) às 6h05 da manhã. Segundo a Nasa, há uma probabilidade de 20% de que as condições meteorológicas permitam o lançamento.

A missão Exploração Interior com uso de Investigação Sísmica, Geodésia e Transporte de Calor (InSitght, sigla em inglês) colocará um módulo de pouso geofísico em Marte para estudar o interior do planeta.

Mas, segundo a Nasa, seu objetivo vai além disso: a sonda também estudará questões fundamentais da ciência dos planetas e do Sistema Solar, para que os pesquisadores compreendam os processos que levaram à formação dos planetas rochosos do Sistema Solar Interno – entre eles a Terra – há mais de 4 bilhões de anos.

Segundo a Nasa, missões anteriores enviadas a Marte investigaram a história da superfície do planeta a partir da análise de características de seus cânions, vulcões, rochas, montanhas e solo. Mas, até agora, nenhuma missão analisou a evolução inicial do planeta, que só pode ser estudada observando o subsolo.

Utilizando instrumentos geofísicos sofisticados, o módulo escavará a superfície marciana para detectar pela primeira vez as marcas dos processos de formação dos planetas rochosos e para medir os “sinais vitais” de Marte: seu “pulso” (sismologia), “temperatura” (fluxos de calor) e “reflexos” (rastreamento de precisão).

Para estudar o solo marciano, a InSight é equipada com diversos instrumentos operados por um braço robótico, incluindo sismômetros – que medem as ondas sísmicas provocadas por impactos de meteoros e por “martemotos” – e uma broca com uma sonda térmica, que irá perfurar o solo em até 5 metros e medir os fluxos de calor no interior do planeta.

Como Marte é geologicamente menos ativo que a Terra – ele não possui placas tectônicas, por exemplo -, o planeta mantém um registro mais completo de sua história em sua crosta, seu manto e seu núcleo. Ao estudar essas características, os cientistas poderão descobrir mistérios sobre os processos evolutivos de todos os planetas rochosos.

Antes da InSight, 14 missões já haviam sido enviadas a Marte. Nove delas foram lançadas pelos Estados Unidos, sendo que duas fracassaram, em 1999. Das demais missões – todas fracassadas – três foram lançadas pela União Soviética, uma pelo Reino Unido e uma por uma parceria entre as agências espaciais da Europa e da Rússia.

Costa Oeste

Pela primeira vez uma missão planetária será lançada a partir da costa oeste dos Estados Unidos. Em vez da tradicional base de lançamento do Centro Espacial Kennedy, na Flórida, a InSight será enviada a partir da Base Vandenberg da Força Aérea Americana, localizada na região de Santa Bárbara, na Califórnia.

No lançamento, será utilizado o foguete Atlas V, da United Launch Alliance, uma joint venture das empresas Lockheed Martin e Boeing. Além da InSight, o foguete levará ao espaço também o experimento tecnológico Mars Cube One (MarCO).

Composto por duas miniespaçonaves, o MarCO testará pela primeira vez no espaço profundo uma tecnologia de CubeSat, termo que remete às palavras “cubo” e “satélite” em inglês. Esse tipo de satélite miniaturizado – ou nanossatélite – é em geral utilizado para pesquisas espaciais acadêmicas. Os dois pequenos equipamentos foram desenvolvidos para testar novas tecnologias de comunicação e navegação para missões espaciais.

A missão InSight é parte do Programa Descoberta, da Nasa. A nave – incluindo o estágio de cruzeiro e o módulo de pouso – foi construída e testada pela Lockeed Martin Space, em Denver, Nos Estados Unidos. O programa tem participação de várias instituições europeias, como a Agência Espacial Francesa, o Centro Nacional de Estudos Espaciais da França e o Centro Aeroespacial da Alemanha.

Pesquisadores encontram a estrela mais distante do universo

Uma equipe internacional de pesquisadores encontrou a estrela mais distante já vista, a nove bilhões de anos-luz da Terra, segundo um estudo publicado nesta segunda-feira pela revista “Nature Astronomy”.

ESTRELA MAIS DISTANTE - Pesquisadores encontram a estrela mais distante já vista, a nove bilhões de anos-luz da Terra, que foi batizada de Icarus (um fenômeno conhecido como lente gravitacional, no qual um objeto amplia a luz dos

Pesquisadores encontram a estrela mais distante do universo.

Enquanto os astrônomos observavam com o Telescópio Espacial Hubble o aglomerado de galáxias MACS J1149+2223, a cinco bilhões de anos-luz de distância, notaram uma luz ao fundo da imagem.

A equipe, liderada pelo pesquisador Patrick Kelly da Universidade de Berkeley (Califórnia), nomeou a estrela supergigante azul de Icarus, cujo brilho foi ampliado duas mil vezes pela gravidade do aglomerado de galáxias.

Essa gravidade reduziu o espaço-tempo para magnificar a imagem de Icarus, um fenômeno conhecido como lente gravitacional, no qual um objeto amplia a luz dos objetos cósmicos situados diretamente atrás deles.

A descoberta é interessante porque as estrelas individuais, ao contrário das galáxias, são difíceis de serem detectadas devido à luz fraca.

Além disso, o descobrimento de Icarus é importante para os pesquisadores que estudam a matéria escura porque sua interação com a matéria tem um efeito considerável no padrão de estrelas ampliadas.

A partir do padrão de estrelas magnificadas neste estudo, a equipe de cientistas, formada também por pesquisadores da Universidade de Tóquio, puderam excluir a possibilidade que a matéria escura seja formada principalmente por uma grande quantidade de buracos negros com massas dezenas de vezes maiores que o Sol.

Os astrônomos determinaram que ainda descobrirão muitas estrelas magnificadas quando entrar em funcionamento o Telescópio James Webb, propriedade da Nasa, da Agência Espacial Europeia e da Agência Espacial do Canadá.

Hélio é encontrado pela primeira vez em exoplaneta gigante

Uma equipe internacional de cientistas detectou a presença de hélio na atmosfera de um exoplaneta gigante, revela um estudo publicado nesta quarta-feira (2) pela revista “Nature”.

Hélio é encontrado pela primeira vez em exoplaneta gigante.

Hélio é encontrado pela primeira vez em exoplaneta gigante.

A pesquisa, liderada pelo Departamento de Física e Astronomia da Universidade de Exeter, no Reino Unido, confirma, pela primeira vez, a existência desse elemento em um planeta extrassolar gasoso.

O hélio, conforme lembraram os especialistas, é o segundo elemento mais comum no universo, depois do hidrogênio, assim como um dos componentes principais dos grandes planetas gasosos de nosso sistema solar.

A maioria dos exoplanetas identificados, que são mais de 3.500, também são gigantes gasosos, mas a busca por hélio em suas atmosferas não tinha dado resultados satisfatórios até agora.

O estudo de suas atmosferas, explicaram os cientistas, acontece, normalmente, através da observação da passagem do planeta em questão em frente a suas estrelas, o que permite medir a absorção de luz por parte das áreas mais externas de sua atmosfera.

O método, segundo os cientistas, quantifica a absorção de luz no espectro ultravioleta, mas apresenta dificuldades devido às limitações tecnológicas atuais e só é viável para o estudo de planetas mais próximos.

Para superar essas dificuldades, os responsáveis pela nova pesquisa optaram por observar com o telescópio espacial Hubble a absorção de luz no espectro infravermelho próximo do exoplaneta WASP-107b, um gigante gasoso que orbita ao redor de uma pequena estrela laranja.

Assim, os astrônomos detectaram a presença de hélio em um comprimento de onda de 10.833 angstrom.

A amplitude do sinal também indicou que a atmosfera de WASP-107b tem uma taxa de expansão de entre 0,1% e 4% de sua massa total a cada 1 bilhão de anos.

Apesar de ter um tamanho similar a Júpiter, este exoplaneta é um dos menos densos conhecidos e sua atração gravitacional, consequentemente, não é forte o suficiente para reter sua atmosfera.

Além disso, as emissões de radiação ultravioleta de sua estrela, segundo os especialistas, aquecem seus gases atmosféricos, o que provoca sua rápida saída para o espaço como se fosse vento.

A busca por outras atmosferas extrassolares ricas em hélio, destacaram os cientistas, poderia abrir novos caminhos para explorar a formação e evolução dos exoplanetas.

Escudo térmico em sonda para Marte em 2020 é danificado em teste; data de lançamento não é afetada

Lançamento da missão segue programado para 17 de julho de 2020, segundo informações da NASA.

Escudo térmico em sonda para Marte em 2020 é danificado em teste; data de lançamento não é afetada

Marte é um planeta de condições extremas: as temperaturas vão de -80°C a 20°C (Foto: Nasa)

Um escudo térmico usado em uma sonda da Nasa projetada para enviar um veículo de seis rodas à Marte em 2020 sofreu uma avaria “inesperada” durante um teste estrutural neste mês, levando a agência espacial a montar um substituto, disse a agência espacial norte-americana.

“A situação não afetará a data de prontidão do lançamento da missão em 17 de julho de 2020”, disse a Nasa em um comunicado.

A avaria ocorreu perto da borda externa do escudo e abrange a circunferência do componente, segundo a Nasa.

A missão de US$ 2 bilhões (cerca de R$ 6,9 bilhões) colocará o veículo de exploração espacial em Marte, onde ele perfurará pedras e o solo em busca de sinais de vida microbiana passada. A missão também procurará formas de apoiar uma missão tripulada ao planeta.

O momento do lançamento é fundamental. Em julho e agosto de 2020 as posições da Terra e de Marte estarão alinhadas de uma forma que significará que menos energia será necessária para alcançar o planeta vermelho em comparação com outras épocas.

O escudo térmico da sonda Marte 2020 atingirá temperaturas de cerca de 2.100 graus Celsius, com velocidades de mais de 19.550 km/h em direção à superfície de Marte, disse a Nasa.

 

 

 

 

 

Seria a misteriosa matéria escura formada por buracos negros

Sabe tudo que existe? Você, sua mãe, o Sol, a constelação de Órion e os bons bilhões de galáxias que não são a Via Láctea? Pois é, essa porção de coisas – que em conjunto é chamada pelos físicos de “matéria bariônica” – corresponde a só 15% da massa do Universo. O resto é uma substância misteriosa chamada “matéria escura”. Ela não interage com a matéria normal. Não emite radiação detectável nem reflete a radiação que a atinge. Inclusive, pode ser que haja um pouquinho dela debaixo do seu nariz nesse exato momento. Tanto faz.

 A ideia de que um anel de buracos negros possa explicar o movimento das galáxias é improvável – mas não impossível

Seria a misteriosa matéria escura formada por buracos negros?

Só sabemos que ela está lá porque, se não fosse sua influência gravitacional, as galáxias simplesmente não poderiam girar da maneira como giram. A matéria escura existe para justificar um dos únicos descompassos entre as previsões teóricas da elegante Relatividade Geral de Einstein e o que acontece no espaço de verdade.

A maior parte dos especialistas concorda que, se a matéria escura existe mesmo, então ela é algo diferente dos prótons, nêutrons e elétrons que nos compõem. Algo que ainda está além do alcance da ciência. Mas um pequeno grupo de dissidentes acha que ela é composta de velhos conhecidos nossos: buracos negros. Montes deles.

Essa hipótese não é nova – afinal, astros tão pesados que engolem até a luz são bons candidatos a formar coisas invisíveis, capazes de influenciar a rotação de galáxias inteiras. Mas da década de 1970 pra cá, diversas observações, simulações de computador e modelos teóricos foram na contramão dessa hipótese. Ela só voltou a ser popular no mainstream científico em 2015, quando o observatório LIGO detectou pela primeira vez ondas gravitacionais oriundas de um choque entre dois buracos negros – cada um deles com dezenas de vezes a massa do Sol.

Não é que a colisão tenha invalidado tudo que se sabia sobre matéria escura até então: a teoria continua tão sólida quanto sempre foi. Mas a percepção de que há choques entre buracos negros ocorrendo com frequência a bilhões de anos-luz daqui reacendeu em alguns físicos cabeça aberta a esperança de que esses monstros cósmicos sejam mais comuns do que parece – de que sua população seja grande o suficiente para justificar uma teoria alternativa sobre o inexplicável equilíbrio gravitacional de aglomerados de estrelas como a Via Láctea.

Essa alternativa à matéria escura vai assim: para dar o empurrãozinho que corresponde às observações – que reconciliaria Einstein com o Universo real, como já explicado há alguns parágrafos –, todas as galáxias precisariam estar assentadas em uma espécie de cama (um halo) formada por milhares de buracos negros primordiais. Um buraco negro primordial não é um dos comuns, formado quando uma estrela de altíssima massa explode ao final de sua vida. Ele é uma singularidade que nasceu na juventude do Universo, provavelmente por causa do “desabamento” de enormes nuvens de gás hidrogênio – sem antes passar pelo estágio de estrela.

Esse halo de buracos primordiais teria densidade e outras características diferentes de um halo formado por partículas da misteriosa matéria escura, o que permitiria um desempate entre as duas ideias. Para ver se essas diferenças poderiam ser medidas por nós, daqui da Terra, a equipe do astrônomo Qirong Zhu, da Universidade Estadual da Pensilvânia, rodou uma simulação de computador para descobrir como, exatamente, galáxias anãs seriam afetadas pelo fenômeno. Galáxias anãs têm pouco brilho e os corpos que as compõem estão mais sujeitos a serem influenciados visivelmente pela presença de corpos invisíveis em seu entorno, o que as tornam bons laboratórios para especulações cósmicas.

Eles concluíram que sim, que buracos negros são uma alternativa viável à matéria escura, e que nós conseguiríamos notar as diferenças entre os dois. Basta que as singularidades tenham algo entre 2 e 14 vezes a massa do Sol, o que é bem aceitável. Mas isso não significa, é claro, que o mistério esteja resolvido: ainda estamos muito, muito longe de saber a identidade de 85% do Universo. Há mais coisas no vão entre uma galáxia e outra do que imagina nossa vã filosofia.

 

 

Pela 1ª vez, cientistas observam mega fusão de 14 galáxias ao mesmo tempo

Feito foi publicado nesta quarta-feira (25) na revista ‘Nature’. Algumas das 14 galáxias estão formando estrelas até 1.000 vezes mais rápido que a Via Láctea.

ILUSTRAÇÃO DAS 14 GALÁXIAS IDENTIFICADAS PELOS CIENTISTAS (FOTO: NRAO/AUI/NSF; S. DAGNELLO)

Pela 1ª vez, cientistas observam mega fusão de 14 galáxias ao mesmo tempo
Feito foi publicado nesta quarta-feira (25) na revista ‘Nature’. Algumas das 14 galáxias estão formando estrelas até 1.000 vezes mais rápido que a Via Láctea.

Uma equipe internacional de cientistas descobriu uma concentração de 14 galáxias que estão prestes a se fundir. A megafusão foi publicada nesta quarta-feira (25) na revista “Nature” e está localizada a 12,4 bilhões de anos-luz de distância. Pela 1ª vez, cientistas conseguiram observar o processo em formação.

A aglomeração deve se tornar um dos elementos mais massivos do universo moderno, sendo 10 trilhões de vezes superior à massa do Sol. Ainda, galáxias dentro do aglomerado estão produzindo estrelas a um ritmo incrível, relatam os autores. Algumas das 14 galáxias estão formando estrelas até 1.000 vezes mais rápido do que a Via Láctea.

“Com o tempo, as 14 galáxias que observamos irão parar de formar estrelas e se aglutinar em uma única galáxia gigantesca”, afirmou Scott Chapman, astrofísico da Universidade Dalhousie (Canadá), em nota.

“O fato de que isso está acontecendo tão cedo na história do universo representa um desafio para a nossa compreensão atual do modo como as estruturas se formam”, continuou o especialista.

Cientistas pontuam que, na história do universo, a matéria começou a se aglomerar em concentrações cada vez maiores, dando origem às galáxias. Já as aglomerações de galáxias, por sua vez, são conhecidas como “protoclusters” e modelos computacionais atuais indicavam que aglomerados tão grandes quanto os observados agora poderiam ter demorado muito mais para evoluir.

“Como essa galáxia ficou tão grande tão rapidamente é um mistério”, diz Tim Miller, candidato a doutorado na Universidade de Yale (EUA) e coautor do estudo, em nota.

Os astrônomos perceberam que as galáxias estão em processo de fusão pela alta massa em um espaço confinado. Um outro ponto é a alta taxa de formação de estrelas, que fornece evidências para a fusão.

Importância do achado

A observação desses processos no universo podem fornecer descobertas interessantes para a ciência. É sabido, por exemplo, que esses aglomerados de galáxias transbordam um gás superaquecido que pode atingir temperaturas de 1 milhão de graus celsius.

 

Uma hipótese apresentada para o porquê de haver esse gás é que, com a velocidade de formação das estrelas nesse aglomerado, há a emissão de gás quente. Como esse gás não é denso o suficiente para formar estrelas, ele acaba sendo emitido dentre os espaços vazios nas galáxias.

A observação do aglomerado de galáxias foi possível com a utilização do radiotelescópio ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array). Localizado no deserto do Atacama (Chile), o instrumento foi construído por meio de uma colaboração internacional e é atualmente o maior radiotelescópio do mundo.

Foto dos 28 anos do Hubble traz a pergunta: cores são falsas?

A Nasa celebra nesta semana o 28° aniversário do glorioso Telescópio Espacial Hubble. Para comemorar, a agência sempre produz uma nova imagem espetacular, e a deste ano é de tirar o fôlego: admire em toda a sua glória a Nebulosa da Lagoa.

http://mensageirosideral.blogfolha.uol.com.br/2018/04/23/astronomia-o-show-do-hubble-e-mesmo-tudo-photoshop/

To celebrate its 28th anniversary in space the NASA/ESA Hubble Space Telescope took this amazing and colourful image of the Lagoon Nebula. The whole nebula, about 4000 light-years away, is an incredible 55 light-years wide and 20 light-years tall. This image shows only a small part of this turbulent star-formation region, about four light-years across. This stunning nebula was first catalogued in 1654 by the Italian astronomer Giovanni Battista Hodierna, who sought to record nebulous objects in the night sky so they would not be mistaken for comets. Since Hodierna’s observations, the Lagoon Nebula has been photographed and analysed by many telescopes and astronomers all over the world. The observations were taken by Hubble’s Wide Field Camera 3 between 12 February and 18 February 2018.

Ou melhor, admire parcialmente a glória de um pedaço pequeno e especialmente bonito da Nebulosa da Lagoa. Trata-se de um vasto berçário estelar a uns 4.000 anos-luz daqui, na constelação de Sagitário. Lá, nuvens de gás estão gestando estrelas neste exato momento.

A nebulosa inteira tem uns 55 anos-luz de largura, dos quais apenas 4 saíram na foto. E o que normalmente se fala diante das incríveis imagens do Hubble é: as cores são verdadeiras ou tudo não passa de Photoshop?

Para responder, cabe seguir as sábias palavras do mestre jedi Obi-Wan Kenobi: as cores são verdadeiras… “de um certo ponto de vista”.

O que são cores? Seria errado dizer que são uma propriedade da luz. Na verdade, elas são interpretações feitas pelo nosso cérebro de uma propriedade da luz.

Partículas luminosas, os chamados fótons, têm vários níveis de energia. Essa é a diferença entre vermelho e verde. Energia. Nossos olhos têm células especializadas em detectar certas faixas de energia apenas, e aí nosso cérebro “faz o photoshop”, combinando-as numa imagem colorida.

A exemplo dos nossos olhos, o Hubble também tem sensores especializados, mas em número muito maior. Os astrônomos podem comandar o telescópio a “enxergar” apenas “cores” muito específicas, como a que é emitida pelos átomos de hidrogênio numa dada circunstância. É quase um superpoder: “visão de H-alfa”.

No fim, basta combinar observações feitas com vários filtros como esse numa imagem colorida para que possamos perceber com nossos olhos todas as nuances dos fenômenos astronômicos com a mesma eficiência que o próprio Hubble, mesmo sem enxergarmos tão bem quanto ele.

 http://mensageirosideral.blogfolha.uol.com.br/2018/04/23/astronomia-o-show-do-hubble-e-mesmo-tudo-photoshop/

A Terra não é plana, mas o Universo pode ser

Apesar de algumas pessoas sustentarem teorias de que a Terra seria plana, basta uma busca na internet para encontrar registros de satélites que mostram como o nosso planeta é esférico –além das muitas pesquisas e cálculos matemáticos que chegaram ao mesmo resultado.

Ou seja, o Universo seria plano.

Ou seja, o Universo seria plano.

Mas qual seria a forma do Universo? Nesse caso, as respostas são um pouco mais complicadas e o consenso é recente.

Se os filósofos gregos já apontavam para a possibilidade de a Terra ser esférica, o que pode ser comprovado pela primeira fotografia tirada do espaço em 1972, até o início dos anos 2000 eram três as principais teorias a respeito do formato do Universo:

Plano,

Fechado (como a superfície de uma bola) e

Aberto (como a sela de um cavalo).

As três hipóteses de formato do Universo:

A Terra não é plana, mas o Universo pode ser

eram três as principais teorias a respeito do formato do Universo: plano, fechado (como a superfície de uma bola) e aberto (como a sela de um cavalo)

Aberto, Plano e Esférico

A dúvida existia porque a partir da Terra não conseguimos fazer registros completos do Universo. Foi preciso então esperar o lançamento de satélites especializados, para conseguir fazer novas observações e encontrar as respostas.

Em 2001, a Nasa (agência espacial norte-americana) enviou para o espaço a missão WMAP, que no fim de 2012 apresentou seus resultados. Um dos mais importantes é que eles conseguiram calcular a curvatura do Universo: 0,4%. Ou seja, o Universo seria plano.

“No passado, a gente conhecia menos sobre o Universo, por isso existiram várias teorias”, diz Thaisa  Storchi-Bergmann, astrofísica e professora do Instituto de Física da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul). “Hoje sabemos que, se ele fosse bem curvo, poderíamos observar um objeto em diferentes épocas, o que não acontece”, afirma a pesquisadora, que é membro da Academia Brasileira de Ciências.

Ou seja, o Universo seria plano.

A Terra não é plana, mas o Universo pode ser

Imagem feita pela Nasa mostra a radiação liberada após o Big Bang

“O que sabemos é que, se o Universo nasceu plano, ele vai continuar plano. E o modelo mais aceito é dos cientistas que mostraram que ele se comporta de acordo com as equações de Einsten”, explica a professora.

Se a teoria mais aceita atualmente é de que o universo é plano, seu formato exato ainda não tem uma resposta. “Não há um limite conhecido, porque tem Universo além do que podemos ver”, diz a pesquisadora da UFRGS.

Medir o formato é difícil porque, desde o Big Bang, que aconteceu há quase 14 bilhões de anos, o universo está em um processo de expansão. Por isso, estima-se que sua distância seja de aproximadamente 46 bilhões de anos-luz.

Outro enigma que inquieta os cientistas é a composição do Universo.

Segundo o mapeamento da WMAP, 71,4% dele é formado de, 24% de matéria escura e 4,6% de átomos. Como os cientistas só sabem como estes últimos se comportam, 95% da Universo permanece como um grande mistério.