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Escudo térmico em sonda para Marte em 2020 é danificado em teste; data de lançamento não é afetada

Lançamento da missão segue programado para 17 de julho de 2020, segundo informações da NASA.

Escudo térmico em sonda para Marte em 2020 é danificado em teste; data de lançamento não é afetada

Marte é um planeta de condições extremas: as temperaturas vão de -80°C a 20°C (Foto: Nasa)

Um escudo térmico usado em uma sonda da Nasa projetada para enviar um veículo de seis rodas à Marte em 2020 sofreu uma avaria “inesperada” durante um teste estrutural neste mês, levando a agência espacial a montar um substituto, disse a agência espacial norte-americana.

“A situação não afetará a data de prontidão do lançamento da missão em 17 de julho de 2020”, disse a Nasa em um comunicado.

A avaria ocorreu perto da borda externa do escudo e abrange a circunferência do componente, segundo a Nasa.

A missão de US$ 2 bilhões (cerca de R$ 6,9 bilhões) colocará o veículo de exploração espacial em Marte, onde ele perfurará pedras e o solo em busca de sinais de vida microbiana passada. A missão também procurará formas de apoiar uma missão tripulada ao planeta.

O momento do lançamento é fundamental. Em julho e agosto de 2020 as posições da Terra e de Marte estarão alinhadas de uma forma que significará que menos energia será necessária para alcançar o planeta vermelho em comparação com outras épocas.

O escudo térmico da sonda Marte 2020 atingirá temperaturas de cerca de 2.100 graus Celsius, com velocidades de mais de 19.550 km/h em direção à superfície de Marte, disse a Nasa.

 

 

 

 

 

Existe vida fora da Terra? Conheça o satélite que vai ao espaço em busca desta resposta

A busca por terrenos cósmicos está prestes a começar renovada.

Por volta de 18h32 do dia 16 de abril, nos termos quebrados da NASA, uma pequena espaçonave conhecida como Transiting Exoplanet Survey Satellite, ou Tess, com câmeras espetadas e muita ambição, será lançada em um foguete Falcon 9 da SpaceX, em uma trilha de fumaça e fogo, da antiga plataforma de lançamento da Apollo, e vai estabelecer sua longa residência entre a Lua e a Terra.

O satélite é composto por quatro câmeras pequenas, cada uma com um campo de visão de 24º.

Tess é a nova aposta da Nasa em busca de mundos alienígenas.

Lá, irá passar pelo menos os próximos dois anos examinando o céu em busca de mundos alienígenas.

Tess é a tentativa mais recente de responder perguntas que têm intrigado os humanos por milênios e que dominaram a astronomia durante as últimas três décadas: será que estamos sozinhos? Existem outros planetas Terras? Qualquer que fosse a prova de um único micróbio em qualquer outro lugar da galáxia, já seria suficiente para chacoalhar a ciência.

Não faz muito tempo que os astrônomos descobriram que havia outros planetas fora do nosso sistema solar ou mesmo que pudessem ser encontrados. Mas, desde 1995, quando descobriu-se um planeta circulando algo que se assemelhava a uma estrela solar, a 51 Pegasi, houve uma revolução.

A nave espacial Kepler da NASA, lançada em 2009, encontrou quase 4.000 possíveis planetas em uma pequena área da Via Láctea, perto da constelação Cygnus. A Kepler continuou por mais um curto período o levantamento de outros campos estelares até que o sistema responsável pelo direcionamento de seu telescópio quebrou. Depois de nove anos no espaço, a sonda está quase sem combustível.

Graças a esforços como o da Kepler, astrônomos agora acreditam que existam bilhões de planetas potencialmente habitáveis em nossa galáxia, o que significa que o mais próximo pode estar a uma distância de 10 ou 15 anos-luz daqui.

E assim, a tocha é passada: agora é trabalho de Tess encontrar esses planetas próximos, aqueles perto o bastante para serem observados com telescópios, ou até mesmo para receber a visita de um robô interestelar.

“A maior parte das estrelas com planetas está muito longe”, disse Sara Seager, cientista planetária no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) e membro da equipe da Tess, referindo-se aos dados da Kepler. “A Tess irá trazer informações sobre os planetas ao redor de estrelas próximas.”

George Ricker, pesquisador do MIT e o líder da equipe de Tess, espera encontrar cerca de 500 planetas semelhantes à Terra em tamanho dentro de 300 anos-luz daqui, perto o suficiente para que uma próxima geração de telescópios na Terra e no espaço examinem o potencial de ser habitado – ou talvez até mesmo habitantes.

Mas haverá mais do que planetas no universo, de acordo com Tess.

“Tess vai ser muito divertida. São 20 milhões de estrelas para observarmos, além de galáxias e núcleos galácticos ativos”, disse Ricker acrescentando que a nave será capaz de fazer medições precisas do brilho de cada luz no espaço.

A missão do Tess começa em 16 de abril, data do seu lançamento.

Existe vida fora da Terra? Conheça o satélite que vai ao espaço em busca desta resposta.

A maior parte dos exoplanetas estará orbitando estrelas chamadas anãs vermelhas, muito menores e mais frias do que o sol. Elas compõem a grande maioria das estrelas na nossa vizinhança (e no universo) e presumivelmente reivindicam a maioria dos planetas.

Como a Kepler, a Tess vai caçar esses planetas por meio do monitoramento da luz das estrelas e pela detecção de mergulhos ligeiros e momentâneos, indicando que um planeta passou na frente de sua estrela.

Aqueles que planejam a missão esperam eventualmente chegar a catalogar 20 mil novos exoplanetas, candidatos de todas as formas e tamanhos. Em particular, prometeram fazer levantamento das massas e órbitas de 50 novos planetas com até quatro vezes o tamanho da Terra.

A maioria dos planetas do universo está nesse intervalo –entre os tamanhos da Terra e de Netuno. Mas uma vez que não existem exemplos como este no nosso próprio sistema solar, como observa Seager, “não sabemos nada sobre eles”.

Será que serão chamados de superTerras, principalmente rochas com um véu de atmosfera, ou miniNetunos, com pequenos núcleos enterrados em extensas bolhas de gás?

Dados da Kepler e de astrônomos sugerem que a diferença está na massa: rochas férteis frequentemente não passam de uma vez e meia o tamanho da Terra, enquanto nuvens de gelo estéreis, muitas vezes, são maiores. Por onde a linha realmente passa e quantos planetas caem de um lado ou de outro, pode determinar quantos mundos lá fora são bolas de vapor de gelo ou jardins em potencial.

“Precisamos fazer medições precisas”, disse David Latham do Centro de Astrofísica de Harvard-Smithsonian, responsável por organizar os astrônomos para acompanhar as observações da Tess.

Para este fim, a equipe conseguiu 80 noites de observação por ano, pelos próximos cinco anos em um espectrógrafo chamado Harps Norte, que reside em um telescópio italiano na ilha de La Palma, nas Ilhas Canárias, pertencentes à Espanha, ao largo da costa da África.

HARPS – sigla para High Accuracy Radial velocity Planet Searcher – pode medir a massa de um planeta por meio do quanto ele faz sua estrela mãe balançar enquanto percorre sua órbita. Tais medições, se suficientemente precisas, poderiam ajudar a distinguir a composição e a estrutura desses corpos.

A Tess é uma das menores missões da NASA, com um orçamento de US$ 200 milhões (cerca de R$ 664 milhões); em comparação, a sonda Kepler tinha um orçamento de aproximadamente US$ 650 milhões (cerca de R$ 2 bilhões).

Recentemente, Tess, parcialmente revestida em papel alumínio brilhante, com resistentes painéis solares cobrindo sua lateral, estava em um pedestal redondo dentro de uma tenda de plástico. A tenda ocupava um canto da cavernosa “sala limpa” em um edifício remoto aqui nos arredores do centro espacial, em meio a palmeiras, canais e bandos de cormorões.

A nave é do tamanho de uma geladeira volumosa e com forma estranha, enfeitada não com ímãs, mas com conectores e bocais misteriosos. Quatro pares de pernas azuis saíam debaixo do pedestal, como se mecânicos de alta tecnologia estivessem trabalhando debaixo de um carro.

Os engenheiros colavam placas na base da nave, incluindo um chip de memória com desenhos de crianças, que desenharam suas fantasias sobre como seriam exoplanetas.

O satélite é composto por quatro câmeras pequenas, cada uma com um campo de visão de 24º.

Existe vida fora da Terra? Conheça o satélite que vai ao espaço em busca desta resposta.

Ao lado, em uma “roupa de coelho” de material protetor que deixava apenas seus olhos visíveis, Ricker olhava para dentro da tenda para ver sua nova nave, como se estivesse vendo seu carro ser consertado, enquanto trocava figurinha com os engenheiros que projetaram e construíram a Tess.

Ricker é um cientista de foguetes, construiu satélites astronômicos que foram lançados no espaço durante quase toda sua carreira como pesquisador do Instituto Kavli de Astrofísica e Pesquisas Espaciais no MIT.

A maioria de seus projetos anteriores envolvia a medição de raios-X ou raios gama de várias pressões, crepitações que apareciam no cosmos, o mais recente sendo o satélite High Energy Transient Explorer, usado para estudar os cataclismos conhecidos como explosões de raios gama.

Questionado sobre se os planetas representavam um ponto de partida para ele, Ricker deu de ombros: “Nem tanto”. Todo o seu trabalho envolve medições delicadas de coisas em constante mudança, o que chamou de “domínio do tempo na astronomia”.

A chave para este trabalho é manter detectores muito estáveis e sensíveis – os chips de imagens que são parentes de elite dos sensores em seu smartphone – para que possam gravar com confiança as alterações no brilho, apenas poucas partes por milhões, que dá o sinal que um planeta está passando por sua estrela.

Ricker disse que ele e seus colegas tinham começado a “garimpar” para a missão de encontrar um planeta em 2006. Depois que perderam a concorrência para o programa de pequenos exploradores da NASA, que são missões mais baratas, os cientistas tentaram entrar em uma nova competição para uma missão maior em 2010 –e ganharam.

Eles foram longe para conseguir projetar uma nave espacial compacta o suficiente para se encaixar nos foguetes da NASA usados para pequenos exploradores e ficaram surpresos quando a agência selecionou o Falcon 9 da SpaceX, que pode transportar um volume muito maior, para iniciar a missão de Tess.

Esta é a primeira vez que a NASA envia uma de suas missões científicas em um passeio espacial com a SpaceX, a empresa de foguetes dirigida por Elon Musk. Toda a atenção estará voltada à base de lançamento, tendo em vista o histórico da SpaceX de às vezes garantir desfechos infelizes, se não espetaculares, para as missões.

Um relatório divulgado este mês pela NASA mostrou que a agência espacial e a SpaceX ainda discordam sobre o que exatamente ocorreu há três anos, quando uma missão para reabastecer a Estação Espacial Internacional se desintegrou em pleno voo. Em outro incidente, um Falcon 9 explodiu durante um teste em uma plataforma de lançamento em 2016, destruindo um satélite de comunicações, que tinha o Facebook como um de seus clientes.

Sem desistir, a SpaceX e seu fundador, Musk, passaram a trabalhar mais duro com 22 lançamentos de seu Falcon e também um voo inaugural em fevereiro do Falcon Heavy, o foguete mais poderoso do mundo, que lançou um dos carros da Tesla, outra empresa de Musk, para além de Marte, na órbita solar.

“Tess parece um brinquedinho dentro do Falcon 9”, disse Ricker. Mas um brinquedo com grande potencial.

Em cima da nave estão acopladas quatro câmeras pequenas, cada uma com um campo de visão de 24º , um trecho de céu mais ou menos do tamanho da constelação de Orion.

As câmeras irão focar em seções adjacentes do céu por 27 dias de cada vez, passando depois para o próximo ponto. No decorrer do primeiro ano, os pesquisadores farão um levantamento de todo o hemisfério sul do céu; no segundo ano, vão juntar o hemisfério norte do céu. Se a missão for estendida para além dos dois anos, irão repetir o percurso.

Ricker e seus colegas prepararam uma lista de 200 mil estrelas nas proximidades cujo brilho será medido e relatado a cada dois minutos, no que chamam de “modo selo postal” da nave espacial. Enquanto isso, imagens de todo os 24 º de trechos de céu serão gravados a cada meia hora.

Essa cadência é perfeita para encontrar e estudar os favoritos na corrida pela localização de exoplanetas habitáveis, nomeadamente aqueles circulando as onipresentes estrelas anãs vermelhas, ou anãs M, no jargão astronômico. “Esta é a era da anã M”, disse Seager.

Porque elas são muito mais frias e menos luminosas que o sol, suas zonas habitáveis –onde, em princípio, há possibilidade de existir água em estado líquido– estão a apenas alguns milhões de quilômetros de distância de cada estrela, ao invés dos 150 milhões de quilômetros que separam a Terra do Sol.

Com a distância mais curta, um ano na vida de um planeta de uma anã vermelha fica entre 10 e 30 dias. Se a Tess observa aquele pedaço de céu durante 27 dias seguidos, poderá assistir a três mergulhos no brilho por conta dos trânsitos, o suficiente para se certificar de que o planeta pode ser um candidato real e, assim, começar a investigar sua realidade.

Mas essa realidade, como Seager observou, talvez não seja a habitabilidade, pelo menos não para o nosso frágil gosto. As anãs vermelhas são muito instáveis e dadas a violentas erupções solares, disse ela.

Analisando dados de uma observação do sistema Trappist feita em 80 dias pela Kepler, envolvendo pelo menos sete planetas do tamanho da Terra firmemente instalados em torno de uma estrela a cerca de 40 anos-luz daqui, astrônomos húngaros contaram 42 erupções solares expelindo radiação letal sobre o pequeno sistema planetário.

Pelo menos um, Seager salientou, foi tão forte quanto uma labareda solar famosa chamada de Carrington, que ocorreu em 1859 e foi responsável pela destruição do serviço de telégrafo na Terra, além de também enviar auroras boreais até países mais ao sul, como o Equador.

“Pessoalmente, vou continuar em busca do verdadeiro gêmeo da Terra, algum planeta onde possamos perceber um parentesco bem próximo”, disse Seager, referindo-se a um planeta como o nosso que circunde uma grande estrela como o sol.

Para iniciar sua aventura, a Tess será posta em uma órbita incomum, que irá levar o satélite até a Lua por um caminho mais distante. A interação gravitacional com nosso satélite natural vai manter Tess em uma órbita estável de 13,7 dias, por algo em torno de mil anos, disse Ricker.

O grande apogeu, a maior distância da Terra, irá minimizar a interferência e a obstrução causadas por nosso planeta. A nave irá enviar por rádio os dados coletados quando ficar mais perto da Terra, cerca de 108 mil quilômetros acima.

Latham chamou de “uma órbita descolada”. Mas vai demorar quase dois meses e muitos foguetes para chegar lá e começar a fazer ciência. Se tudo correr bem, isso seria no meio de junho.

Em algum momento durante o processo, segundo Ricker, a equipe vai virar as câmeras da nave para a Terra, buscando dar uma última olhada para nosso planeta.

Ao ser questionado se estava pronto para ser o Sr. Exoplaneta, Ricker estremeceu. “Eu estou ansioso mesmo é por conseguir alguns bons dados para analisarmos”, pontuou.

Telescópio de R$ 30 bi revestido com ouro promete a melhor imagem do espaço

Batizado de James Webb, telescópio da Nasa já consumiu cerca de R$ 30 bilhões

A Nasa (Agência Espacial Norte-Americana) faz os últimos ajustes para lançar seu melhor telescópio espacial. O equipamento permitirá a observação de estrelas através de um espelho revestido com uma fina camada de ouro puro, formado por 18 segmentos. Batizado de James Webb, o telescópio já custou por volta de R$ 30 bilhões à agência e promete oferecer visões sem precedentes do espaço.

Batizado de James Webb, telescópio da Nasa já consumiu cerca de R$ 30 bilhões.

Batizado de James Webb, telescópio da Nasa já consumiu cerca de R$ 30 bilhões.

“O Webb irá resolver mistérios do nosso sistema solar, olhar através de mundos distantes e ao redor das estrelas, e desvendar as estruturas misteriosas e origens de nosso universo e nosso lugar nele”, afirmou Lee Feinberg, diretor do Elemento Óptico do Telescópio da Nasa em entrevista ao canal “CNN”.

O telescópio é desenvolvido como um sucessor aprimorado do Hubble, lançado em 1990. Mas diferente dele, que orbitava a Terra numa altitude de aproximadamente 550 quilômetros, o Webb será lançado a mais de 1 milhão de quilômetros no espaço. O telescópio ficará em um local específico onde a gravidade da Terra e do Sol se equilibram de uma maneira que qualquer objeto fica em uma posição fixa em relação a esses dois corpos celestes.

Engenheiro da Nasa observa hexágono que forma espelho do telescópio espacial sucessor do Hubble.

Engenheiro da Nasa observa hexágono que forma espelho do telescópio espacial sucessor do Hubble.

Engenheiro da Nasa observa hexágono que forma espelho do telescópio espacial sucessor do Hubble

Essa localidade também é muita fria, exatamente como os cientistas da Nasa queriam. O James Webb conseguirá ter uma visão mais profunda do espaço pois usa radiação infravermelha, que emite bastante calor. Portanto, o espelho do telescópio precisa estar resfriado para que não ocorra nenhuma interferência nas observações.

Para se proteger do calor do Sol, o espelho ficará em um escudo solar de aproximadamente 20 metros – do tamanho de uma quadra de tênis – feito de um material resistente ao calor. O equipamento, que se parece com uma pipa gigante, deve manter o espelho a uma temperatura de -223º C, quase três vezes mais frio do que a temperatura mais fria já registrada na Terra.

Concepção artística de como o telescópio James Webb ficará no espaço.

Concepção artística de como o telescópio James Webb ficará no espaço.

Cada um dos 18 segmentos do espelho pesa 20 quilos e tem 1.3 metros de comprimento. Para caber todo esse equipamento no foguete que lançará o telescópio, no entanto, ele precisa ser dobrado, o que explica o formato de hexágono. “A forma hexagonal permite que os segmentos sejam dobrados e encaixem perfeitamente, sem lacunas”, explicou Feinberg.

Após estar em órbita, o maior desafio será fazer os espelhos focarem corretamente nas galáxias distantes. Só para desdobrar, esfriar e posicionar todos os segmentos de forma certa, deve demorar dois meses. Para isso, a equipe que trabalho na construção.

O Telescópio James Webb foi nomeado em homenagem a um funcionário da Nasa que trabalhou no projeto Apollo nos anos 60. O equipamento já está totalmente construído e passa por testes na Califórnia. O lançamento, que já foi adiado várias vezes, está previsto para 2020.

 

 

A aparência de seus espelhos chama a atenção pela beleza e simetria. O telescópio já foi fonte inspiração, inclusive, para artistas que desenvolveram joias e pinturas. “Nós desenhamos e chegamos nessa estética do espelho por razões de engenharia, a fim de alcançar nossos objetivos científicos”, finalizou Feinberg.

Stephen Hawking pode ter solucionado paradoxo sobre buracos negros

BURACO NEGRO PRÓXIMO A CENTAURO: SERÁ QUE UM DIA APRENDEREMOS TODOS OS SEUS MISTÉRIOS? (FOTO: WIKIMEDIA)

BURACO NEGRO PRÓXIMO A CENTAURO: SERÁ QUE UM DIA APRENDEREMOS TODOS OS SEUS MISTÉRIOS? (FOTO: WIKIMEDIA)

No ano passado, o físico teórico (e celebridade pop) Stephen Hawking anunciou que estava trabalhando em um artigo que poderia solucionar um mistério científico: o paradoxo da informação em buracos negros. De acordo com a Teoria Geral da Relatividade de Einstein, toda informação que cruza a fronteira do buraco negro, chamada horizonte de eventos, é perdida para sempre. Nem mesmo a luz é exceção a isso.

Em 1970, Hawking propôs que o Universo seria cheio de “partículas virtuais” que, de acordo com o que sabemos sobre mecânica quântica, aparecem e desaparecem simultaneamente, além de aniquilarem umas às outras quando entram em contato – a não ser que estejam em diferentes extremidades de um horizonte de eventos de um buraco negro. Nesse cenário, teoricamente, uma das partículas seria engolida – e a outra sobreviveria, radioativa. Essa radiação que escapou, em tese, tiraria uma certa quantidade de energia do buraco; logo, ele estaria fadado a desaparecer também. De acordo com o cálculo de Hawking, escreveu Devin Powella única informação que fica para trás de um buraco negro é radiação – e ela não contém nenhuma informação sobre como o buraco negro se formou. Logo, essa informação também se perdeu para sempre, o que é um problemão para a mecânica quântica, que afirma que informação simplesmente não desaparece. Esse é o paradoxo que Hawking vem tentando esmiuçar – e aparentemente, está mais perto da resposta.

Depois da publicação de Hawking, os estudiosos da física quântica se dividiram. Alguns passaram a defender a teoria de que buracos negros têm “cabelo”: na verdade, seriam deformidades de minutos no espaço-tempo, que poderiam conter essas informações de alguma forma. Hawking sempre foi um defensor da teoria dos “cabelos” e, agora, essa seria a solução do paradoxo. Em agosto de 2015, Hawking fez uma palestra onde dizia que as deformidades não se encontravam dentro do buraco negro, mas na fronteira mencionada ali em cima, o horizonte de eventos. “Buracos negros não são prisões eternas como pensávamos. Coisas podem escapar do buraco negro por qualquer um dos lados – e talvez saiam em outro Universo”, explicou na ocasião.

Agora, Hawking – acompanhado de seus colegas Malcolm J. Perry e Andrew Strominger – está tentando aprofundar sua linha de raciocínio e encontrar provas “palpáveis” . Strominger anunciou à Scientific American que quando uma partícula carregada entra dentro de um buraco negro, adiciona um tipo de fóton a ele, gerando os tais “cabelos”. Essas partículas deixam uma espécie de impressão holográfica e bidimensional no horizonte de eventos. Tudo que é físico desaparece por completo no buraco negro, menos essas “impressões” que foram deixadas; logo, as informações sobre o buraco negro – como o que ele comeu, por exemplo – não morrem.

Mas as partículas de informação não ficam ali, paradas, na fronteira do buraco negro. Por conta de um fenômeno apelidado de “radiação de Hawking”, elas são expelidas com toda a força para longe dali. “A informação está ali, mas toda misturada e caótica”, explicou Hawking. Isso resolve o mistério da informação que não pode desaparecer – mas ainda não é uma resposta definitiva.

Agora que o artigo está online, comentários da comunidade científica são encorajados e já estão aparecendo. Há quem diga que o artigo está incompleto, uma vez que não traz uma solução para a perda de informação caso o buraco negro desapareça – afinal, se tudo depende dos tais “cabelos”, que irão desaparecer com a morte do buraco negro, onde fica a informação armazenada quando tudo acabar? E qual o limite de armazenamento de informação dos “cabelos”? Perry, outro colega de Hawking, admitiu que ainda não estão totalmente seguros de todas as respostas, mas chegando mais perto. “É um passo na direção correta”, comentou o físico.

 

 

 

 

 

 

 

Robô Curiosity, da Nasa, completa 2 mil dias caminhando na superfície de Marte

Cientistas que participaram da missão de exploração de Marte dizem quais são suas imagens favoritas do planeta vermelho, e explicam o porquê.

Um ciclo completo do MRO em torno do planeta vermelho determina um “dia marciano”, chamado pelos pesquisadores de “sol”.

A primeira imagem enviada pela Rover é uma fotografia granulada, feita pela câmera Front Hazard, do local conhecido como monte Sharp. Esta câmera geralmente é usada pelos controladores do aparelho para evitar obstáculos nos deslocamentos.

Robô Curiosity, da Nasa, completa 2 mil dias caminhando na superfície de Marte

Cientistas que participaram da missão de exploração de Marte dizem quais são suas imagens favoritas do planeta vermelho, e explicam o porquê.

Seixos de rio: Quando começamos a dirigir, cerca de 16 “sóis” depois da aterrissagem, logo nos deparamos com esses “seixos” no terreno. O formato arredondado dessas pedras sugeriam que elas tinham se formado em um antigo riacho, que corria de um terreno elevado para o local conhecido como cratera Gale. A imagem capturada pela Mastcam mostra essas crateras em close.

Ao contrário do que esperávamos antes do pouso do Curiosity, a imagem não mostrava pedras de basalto primitivo e escuro, e sim uma formação rochosa mais variada e complexa. Os seixos desse antigo rio marciano nos fizeram repensar o que acreditávamos sobre o processo de formação geológica de Marte.

Local chamado Baía de Yellowknife é formado por camadas de areia fina e lama seca (Foto: NASA/JPL-CALTECH)

Cientistas que participaram da missão de exploração de Marte dizem quais são suas imagens favoritas do planeta vermelho, e explicam o porquê.

Lago ancestral: Antes da aterrissagem e nos primeiros momentos da missão, nossa equipe não tinha certeza sobre o que eram os terrenos identificados nas fotos de satélite feitas pelo MRO. Algumas áreas poderiam tanto ser fluxos de lava vulcânica quanto sedimentos acumulados no leito de lagos secos.

Sem imagens feitas do solo, era impossível saber com certeza. Esta imagem resolveu a questão e representou um avanço para a exploração de Marte.

Descobrimos, assim, que o local chamado Baía de Yellowknife é formado por camadas de areia fina e lama seca, que foram depositadas ali por rios que corriam para um lago formado na Cratera Gale. Extraímos as primeiras 16 amostras de solo do local no “dia marciano” de número 182 – fizemos isso para levar o solo e as rochas até os espectômetros que estão dentro do robô. Os resultados, que incluíam argila, material orgânico e compostos que continham nitrogênio, mostraram que aquele local já habitável para vida microbiana. A pergunta seguinte – já houve vida em Marte? – continua sem resposta.

Aparelho encontrou rochas formadas por sedimentos de lama (Foto: NASA/JPL-CALTECH/MSSS)

Aparelho encontrou rochas formadas por sedimentos de lama (Foto: NASA/JPL-CALTECH/MSSS)

Águas profundas: O Curiosity chegou às colinas Pahrump no “dia marciano” de número 753. O que encontramos lá foi fundamental para explicar o passado da Cratera Gale. O aparelho encontrou rochas formadas por sedimentos de lama, criadas quando esse material se decantou lentamente no fundo do lago.

Ou seja: o lago da Cratera Gale foi um corpo d’água perene, que existiu durante bastante tempo, e era bastante profundo.

Cientistas que participaram da missão de exploração de Marte dizem quais são suas imagens favoritas do planeta vermelho, e explicam o porquê.

Robô também encontrou grossa formação de arenito (Foto: NASA/JPL-CALTECH/MSSS)

Uma inconformidade: No local conhecido como Monte Stimson, o Curiosity encontrou uma grossa formação de arenito (rocha formada por areia) na borda do lago seco, separada deste pela formação geológica chamada “inconformidade”.

NASA escolhe finalistas para missão espacial

Confira quais as prováveis missões criadas por civis que irão ao espaço pelos próximos anos

A NASA divulgou hoje os finalistas da competição que escolherá um projeto voltado na área da robótica para uma futura missão em nosso Sistema Solar. A competição faz parte de um programa chamado New Frontiers.

Um dos escolhidos promete retornar uma amostra de cometa para a Terra enquanto que o outro deseja explorar diferentes partes da lua Titã de Saturno (e assim ver se ela pode hospedas vida).

 

A primeira missão, encabeçada pelo professor Steve Squyres da Cornell University, batizada de CAESAR, ou Comet Astrobiology Exploration Sample Return (Exploração Astrobiológica de Retorno de Amostra de Cometa) envolverá o envio de uma nave espacial ao cometa Churyumov-Gerasimenko, aquele mesmo cometa que recentemente foi explorado pela Agência Espacial Europeia. Na ocasião eles conseguiram o surpreendente feito de pousar uma sonda no corpo celeste enquanto ele passava pela Terra e tinha uma velocidade aproximada de 135 mil km/h. O objetivo dessa nova missão é coletar pelo menos 100 gramas de amostras da superfície e depois trazê-las de volta à Terra.

Tal coleta será focada nos compostos orgânicos que constituem todos os seres vivos e assim tentar entender como as cometas contribuíram para a vida na Terra. “Os cometas estão entre os objetos mais importantes do ponto de vista científico no Sistema Solar, mas também estão entre os mais mal compreendidos”, disse Squyres em uma coletiva de imprensa. “Eu acho que vai produzir uma revolução na ciência nas próximas décadas”.

Confira quais as prováveis missões criadas por civis que irão ao espaço pelos próximos anos

NASA escolhe finalistas para missão espacial

A segunda missão, liderada por Elizabeth Turtle do Johns Hopkins Applied Physics Laboratory, chama-se Dragonfly e envolverá o envio de um robô-drone para a superfície de Titã, uma das luas de Saturno. Titã é considerado um dos melhores candidatos para a vida fora da Terra por uma série de fatores.

A missão Dragonfly propõe um quadricóptero duplo (um drone com 4 pares de hélices), que irá se mover de um local para outro e assim fazer diversas medições, incluindo do que a superfície é feita, como são dispostas suas camadas e quais as condições atmosféricas do satélite.

O programa New Frontiers da NASA tem como objetivo desenvolver missões que busquem explorar planetas e corpos no Sistema Solar. As missões concebidas através do programa são consideradas de “classe intermediária”, o que significa que elas não são tão caras quanto as grandes missões da agência, e que chegam a custar bilhões de dólares, como o rover Curiosity enviado a Marte.

Ainda assim, essas missões de classe média geralmente tem o orçamento em torno de US$1 bilhão, tornando-os um pouco mais caros do que as missões menores de descoberta da agência espacial – como a nave espacial Dawn que está orbitando o planeta anão Ceres – que custam algo em torno de menos de 500 milhões de dólares.

Até hoje, três missões foram criadas através do programa New Frontiers que, aliás, estão neste momento explorando o Sistema Solar: a nave espacial New Horizons que sobrevoou Plutão, a sonda Juno que foi até a órbita de Júpiter e a nave espacial OSIRIS-REx, que está a caminho de pegar amostras do asteroide Bennu.

A NASA começou a aceitar propostas para uma quarta missão em dezembro do ano passado, e todas as envios tiveram que ser enviadas até 28 de abril. As propostas tiveram que seguir seis diferentes temas de exploração que foram considerados prioridade pela comunidade científica:

  1. Trazer de volta as amostras de uma cometa
  2. Trazer de volta amostras do polo sul da Lua
  3. Viajar para Titan ou Enceladus para entender se essas luas de Saturno podem hospedar a vida
  4. Descobrir a composição da atmosfera de Saturno
  5. Alcançar os asteroides na órbita de Júpiter
  6. Estudar a atmosfera e a crosta de Vênus

 

Além da apresentação dos finalistas, a NASA também anunciou a seleção de duas outras missões que ainda se encontram em fase conceitual. Um chama-se Enceladus Life Signatures and Habitability e visa desenvolver técnicas para evitar que uma nave espacial proveniente da Terra contamine outros planetas para a qual for enviada. O segundo, chamado Invasão Venus In situ, visa melhorar o instrumento necessário para estudar rochas nas condições severas de Vênus.

As finalistas foram escolhidas pela NASA em um conjunto inicial de 12 propostas. Os finalistas terão agora um ano para aprimorar sua ideia, avaliar os riscos e então chegar a uma proposta final.

A NASA escolherá o vencedor em julho de 2019, e as missões serão lançadas até o final de 2025.

Onde foi parar a água de Marte? Resposta pode estar nas rochas

O que aconteceu com toda a água que outrora preenchia lagos e oceanos em Marte? Boa parte, sugeriram pesquisadores nesta quarta-feira (20), pode estar presa em rochas.

Esta é a imagem mostra o Marte moderno (esquerdo) seco e estéril, em comparação com a mesma cena há mais de 3,5 bilhões de anos coberto de água (à direita)

Estudos anteriores concluíram que a água foi varrida para o espaço por potentes ventos solares quando o campo magnético do planeta entrou em colapso, enquanto uma parte foi capturada no gelo sob a superfície.

Mas essa teoria não explicava toda a água que estava faltando no planeta.

Para tentar rastrear o resto, uma equipe internacional de pesquisadores colocou o modelo científico à prova.

“Os resultados revelaram que as rochas de basalto em Marte podem conter aproximadamente 25% mais de água do que as da Terra e, como resultado, estas puxaram a água da superfície marciana para o seu interior”, destacou uma declaração da Universidade de Oxford, cujos cientistas participaram do estudo, publicado na revista Nature.

Mas as rochas marcianas fazem isso muito melhor que as da Terra, devido a uma composição diferente.
Essas rochas teriam reagido com a água superficial de Marte, bloqueando parte dela em sua estrutura mineral, disse Wade em um e-mail.

“Não é mais líquida, mas fisicamente ligada ao mineral”, afirmou, o que significa que a única maneira de liberar a água seria derretendo a rocha.

Em uma Terra recém-nascida, as rochas permeáveis formadas de uma maneira semelhante teriam flutuado na superfície super-quente do planeta até derreteram, liberando água de volta à superfície, como fizeram.

Mas em Marte, nem todas as rochas teriam derretido, e parte da água teria permanecido presa nas rochas que afundavam direto para o manto.

“Marte estava condenada pela sua geoquímica!”, disse Wade.
A água líquida é um pré-requisito para a vida como a conhecemos. E apesar do vizinho da Terra estar seco e empoeirado hoje, acredita-se que já foi um planeta molhado.

Em 2015, a Nasa disse que quase metade do hemisfério norte de Marte já havia sido um oceano, atingindo profundidades superiores a 1,6 quilômetro.

Mais tarde naquele ano, um estudo anunciou a descoberta de “água” remanescente no planeta, na forma de fluxos de salmoura.

Objeto alienígena que visita o Sistema Solar é coberto por isolamento orgânico

Em outubro, cientistas descobriram um objeto para lá de misterioso visitando o Sistema Solar, proveniente de outras regiões no espaço. Com um formato pontiagudo bizarro, o objeto batizado de Oumuamua vem sendo estudado arduamente para que se descubra não somente sua origem, mas do que ele se trata, efetivamente.

Objeto alienígena que visita o Sistema Solar é coberto por isolamento orgânico

Há quem suspeite que o objeto seja um artefato alienígena enviado para nos estudar, mas tudo indica que o Oumuamua seja, mesmo, somente um objeto natural e inusitado para os nossos padrões. Contudo, ainda se sabe muito pouco a seu respeito para tirar qualquer conclusão do tipo.

Agora, os pesquisadores descobriram que o Oumuamua é coberto por uma espécie de camada de isolamento composta por elementos orgânicos, deixando a coisa ainda mais misteriosa, até porque este é o primeiro objeto já descoberto no Sistema Solar que não é proveniente do nosso quintal espacial.

Há quem suspeite que o objeto seja um artefato alienígena enviado para nos estudar, mas tudo indica que o Oumuamua seja, mesmo, somente um objeto natural e inusitado para os nossos padrões. Contudo, ainda se sabe muito pouco a seu respeito para tirar qualquer conclusão do tipo.

Os estudos iniciais revelaram que a rocha possa ter vindo de um corpo congelado no espaço, não se tratando de um cometa, mas, sim, tendo água congelada em seu interior. “Nosso estudo diz que esse objeto poderia ser de natureza gelada, mas não detectamos esse gelo devido ao fato de ele ter sido assado por radiação energética entre as estrelas por centenas de milhões de anos, ou mesmo bilhões de anos”, explicou Alan Fitzsimmons da Queen’s University Belfast, principal autor de um dos estudos que estão em andamento sobre o Oumuamua.

Quanto ao revestimento orgânico, ele foi detectado por meio da espectroscopia, que analisa a luz sendo refletida a partir de sua superfície, sendo dividida em comprimentos de onda. Então, ao analisar essas medidas, os cientistas descobrem a composição do objeto. Já sobre sua origem, como o Oumuamua não se assemelha com nenhum objeto espacial já descoberto no Sistema Solar, é natural partir do princípio de que ele tenha vindo de fora, uma vez que cometas e asteróides foram comprovadamente expulsos do nosso sistema estelar quando ele foi formado. Portanto, é razoável assumir que a mesma coisa aconteça em outros sistemas.

No momento, a rocha segue sendo observada durante seu trajeto pelo Sistema Solar, e os cientistas esperam descobrir a existência de outros corpos do tipo para ampliar os estudos.

 

Ratos, peixes, moscas: para que serve o pequeno zoológico do espaço?

No espaço, os animais como ratos, peixes e moscas são usados para fazer com que a pesquisa médica avança, explica à AFP a bióloga Julie Robinson, cientista-chefe da Nasa para a Estação Espacial Internacional (ISS).

Ratos, peixes, moscas: para que serve o pequeno zoológico do espaço?

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P: Em nossa época, é concebível enviar cães, gatos ou macacos ao espaço como nas primeiras décadas da conquista espacial?

R: Não temos previsto fazer isso por uma série de motivos. Um deles é que não temos os mesmos objetivos de quando enviávamos animais ao espaço.

No início, usamos estas espécies porque temíamos que os mamíferos em geral não fossem capazes de sobreviver na ausência de gravidade. Acreditávamos que os humanos corriam o risco, por exemplo, de se asfixiar. Não tínhamos sequer ideia do que ia acontecer.

Agora sabemos que os humanos sobrevivem no espaço. Por isso, não precisamos recorrer a este tipo de animais.

Hoje em dia enviamos ao espaço animais pequenos, em grande quantidade, para a pesquisa biomédica.

Usamos roedores, moscas drosófilas, peixes, vermes. Queremos dispor de amplas amostras. Tentamos ter entre 20 e 40 animais para realizar estudos estatisticamente válidos.

Cada um desse estudos está destinado a resolver um tema médico em particular, geralmente com o objetivo de avançar no âmbito da saúde dos seres humanos.

P: Estes animais pequenos são treinados antes de partir e como se adaptam no espaço?

R: Para cada experimento realizado no espaço, os astronautas devem treinar e a mesma coisa acontece com os animais. Devem aprender como atuar em seu habitat e como devem realizar as atividades previstas.

Os roedores vivem em jaulas especiais, onde têm água e comida.

Os peixes nadam em aquários que têm a parte alta fechada para que a água não saia devido à falta de gravidade. Eles se adaptam muit rápido à vida no espaço.

Os ratos experimentam algo parecido com a tripulação. Quando chegam à ISS e começam a flutuar, se surpreendem, mas aprendem logo a utilizar seu habitat, a beber, comer, dormir de uma forma bastante normal.

O lançamento é uma experiência estressante para eles, como é para os astronautas. Mas, uma vez no espaço, vivem uma experiência relativamente tranquila. Eles se adaptam muito bem.

No futuro temos previsto enviar ratos à estação.

P: Por que continuam estudando esses animais? São tomadas precauções para seu bem-estar?

R: As pesquisas realizadas com ratos na ISS são parecidas com as feitas na Terra com esses animais.

Abarcam os âmbitos os quais tentamos melhorar a saúde dos humanos, em particular a osteoporose e a perda muscular.

Na estação espacial, onde se encontram em condição de microgravidade, esses pequenos animais flutuam como os humanos e se não fazem exercício, perdem a densidade óssea. Seus músculos se debilitam.

Nos ratos, esses processos se desencadeiam rapidamente e seu estudo pode permitir o desenvolvimento de tratamentos para atuar contra a perda da densidade óssea nos seres humanos.

Nossas pesquisas geralmente perseguem um duplo objetivo. Queremos reduzir os riscos para os astronautas que participarão nas futuras explorações espaciais além da órbita terrestre.

Mas também queremos que nosso trabalho tenha um impacto na Terra. Porque estes processos de perda óssea e muscular acontecem com o envelhecimento.

Todos estes experimentos são extremamente importantes.

Cuidamos muitos para que sejam cumpridos os critérios estipulados pela lei sobre o uso de animais. Um comitê independente se assegura de que tudo seja feito com ética e que as pesquisas sejam úteis.

8,8 bilhões de planetas habitáveis ​​da Terra-tamanho existem somente na Via Láctea

O espaço é vasto, mas pode não ser tão solitário afinal: um estudo descobriu que a Via Láctea está repleta de bilhões de planetas que são do tamanho da Terra, orbitam estrelas como nosso sol e existem na zona Goldilocks – Não muito quente e não muito frio para a vida.

8,8 bilhões de planetas habitáveis ​​da Terra-tamanho existem somente na Via Láctea

A interpretação deste artista proporcionada pela NASA mostra Kepler-69c, um super terra na zona habitável de uma estrela como o nosso sol, localizado a cerca de 2.700 anos-luz da Terra na constelação Cygnus. Os astrônomos que usam dados da NASA calculam que em nossa galáxia só há pelo menos 8,8 bilhões de planetas do tamanho da Terra que não são muito quentes ou não muito frios e estrelas circulares que são como nosso sol, de acordo com um estudo publicado segunda-feira.

Os astrónomos que utilizam dados da NASA calcularam pela primeira vez que apenas na nossa galáxia existem pelo menos 8,8 mil milhões de estrelas com planetas do tamanho da Terra na zona de temperatura habitável.

O estudo foi publicado segunda-feira na revista Proceedings da National Academy of Sciences.

Para a perspectiva, isso é mais planetas parecidos com a Terra do que há pessoas na Terra.

Quanto ao que diz sobre as chances de que haja vida em algum lugar lá fora, significa “apenas na nossa Via Láctea galáxia sozinho, que é 8,8 bilhões de possibilidades”, disse o co-autor do estudo Geoff Marcy, um caçador de planeta de longa data A Universidade da Califórnia em Berkeley.

O próximo passo, dizem os cientistas, é procurar atmosferas nesses planetas com poderosos telescópios espaciais que ainda não foram lançados. Isso traria mais pistas sobre se algum desses planetas, de fato, abrigam a vida.

Os resultados também levantar uma pergunta estridente, Marcy disse: Se não estamos sozinhos, por que “há um silêncio ensurdecedor na nossa Via Láctea galáxia de civilizações avançadas?”

Na Via Láctea, cerca de 1 em 5 estrelas, que são como o nosso sol em tamanho, cor e idade, têm planetas que são mais ou menos do tamanho da Terra e estão na zona habitável onde água pode ser líquida, de acordo com cálculos baseados em quatro Anos de observações do telescópio de Kepler da NASA.

Se as pessoas na Terra só pudessem viajar no espaço profundo, “você provavelmente veria muitos engarrafamentos”, brincou Bill Borucki, cientista chefe da Nasa, Kepler.

O telescópio Kepler observou 42.000 estrelas, examinando apenas uma pequena fatia de nossa galáxia para ver quantos planetas como a Terra estão lá fora. Os cientistas então extrapolaram essa figura para o resto da galáxia, que tem centenas de bilhões de estrelas.

Pela primeira vez, os cientistas calcularam – não estimou – que porcentagem de estrelas que são como nosso sol têm planetas semelhantes à Terra: 22%, com uma margem de erro de mais ou menos 8 pontos percentuais.

A cientista de Kepler, Natalie Batalha, disse que ainda há mais dados a serem examinados antes que isso possa ser considerado um número final.

Existem cerca de 200 bilhões de estrelas em nossa galáxia, com 40 bilhões deles como nosso sol, disse Marcy. Um de seus co-autores colocou o número de estrelas parecidas com o sol mais próximo de 50 bilhões, significando que haveria pelo menos 11 bilhões de planetas como o nosso.

Baseado na estimativa de 1 em 5, o planeta mais próximo da Terra, que está na zona de temperatura habitável e circunda uma estrela parecida com o sol, está provavelmente a 70 trilhões de milhas da Terra, disse Marcy.

E a figura de 8,8 bilhões de planetas do tamanho da Terra é apenas um começo. Isso é porque os cientistas estavam olhando somente estrelas do sol-como, que não são as estrelas as mais comuns.

Um estudo anterior descobriu que 15% das estrelas anãs vermelhas mais comuns têm planetas do tamanho da Terra que estão próximos o suficiente para estarem na zona de cachoeiras douradas não muito quente e não muito fria.

Coloque esses juntos e isso é provavelmente 40 bilhões de planetas de tamanho certo, lugar certo, Marcy disse.

E isso é apenas a nossa galáxia. Existem bilhões de outras galáxias.

Cientistas de uma conferência científica de Kepler disseram ter encontrado 833 novos planetas candidatos com o telescópio espacial, trazendo o total de planetas que mancharam para 3.538, mas a maioria não é candidata à vida.

Kepler identificou apenas 10 planetas que são sobre o tamanho da Terra circundando estrelas solares e estão na zona habitável, incluindo um chamado Kepler 69-c.

Porque provavelmente existem centenas de planetas perdidos para cada um encontrado, o estudo fez intrincadas extrapolações para chegar à figura de 22% – um cálculo que, segundo cientistas, é justo.

“Tudo o que eles fizeram parece legítimo”, disse a astrónoma do MIT, Sara Seager.