Category Archives: Astrobiologia

Nasa se prepara para descobrir a origem do universo em nova missão.

A Nasa anunciou o seu mais novo objetivo: encontrar respostas certeiras sobre como o universo surgiu e quais são os ingredientes para a vida dos sistemas planetários dentro da nossa galáxia.

A agência espacial norte-americana deseja lançar uma nova missão espacial em 2023 e os investimentos destinados para isso chegam a US$ 242 milhões — sem incluir os custos de lançamento.

Telescópio espacial SPHEREx será o responsável pela missão
Nasa se prepara para descobrir a origem do universo em nova missão.

Na missão, denominada SPHEREx, a Nasa usará um observatório espacial para coletar dados na Via Láctea. A jornada será feita em meio a 300 milhões de galáxias quando estiver em órbita. Além de tudo isso, ele terá que se deparar com 100 milhões de estrelas.

Durante o “passeio”, o SPHEREx vai procurar água e moléculas orgânicas, essenciais para a vida como conhecemos. Localizar as regiões onde as estrelas nascem também será parte da missão. Segundo a Nasa, os discos ao redor das estrelas podem ser o local em que novos planetas podem se formar.

“Esta incrível missão será um tesouro de dados únicos para os astrônomos. Ela fornecerá um mapa galáctico sem precedentes contendo ‘impressões digitais’ desde os primeiros momentos da história do universo. E teremos novas pistas para um dos maiores mistérios da ciência: O que fez o universo expandir tão rapidamente menos do que um nanossegundo depois do big bang?”, afirmou Thomas Zurbuchen, administrador associado do Diretório de Missões Científicas da Nasa.

No final de tudo, a missão vai ser capaz de criar um mapa de todo o céu. Os astrônomos poderão então explorar opções para novos estudos.

Quer morar em Marte? Não vai rolar tão cedo, diz brasileiro da Nasa

Ainda existem problemas técnicos gigantescos, como produzir oxigênio. É uma viagem que demora entre oito e nove meses. Não sei dizer quanto tempo falta, mas imagino umas duas ou três décadas. Depende muito do investimento.

Ivair Gontijo foi um dos líderes do projeto que culminou na ida do robô Curiosity para Marte
Ainda existem problemas técnicos gigantescos, como produzir oxigênio. É uma viagem que demora entre oito e nove meses. Não sei dizer quanto tempo falta, mas imagino umas duas ou três décadas. Depende muito do investimento.

Se a humanidade já conseguiu de alguma forma desvendar alguns aspectos de Marte, o brasileiro Ivair Gontijo é um dos responsáveis. O cientista da Nasa, formado pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), foi um dos líderes do projeto que culminou com a ida do veículo Curiosity para o planeta vermelho no início da década. Hoje ele mora na Califórnia (EUA) e trabalha no projeto que levará a próxima sonda para o planeta vizinho, então aproveitamos uma rápida passagem dele pelo país para perguntar ao físico: quanto tempo falta para podermos morar em Marte?

E as notícias não são animadoras. Ele jogou um balde de água fria em quem já planejava juntar um dinheirinho para comprar uma passagem no foguete de Elon Musk:

Além de achar um jeito de produzir oxigênio para a longa viagem, o brasileiro cita como empecilhos técnicos a dificuldade de armazenar comida para os astronautas fazerem o longo percurso até chegar a Marte e o espaço pequeno destinado a humanos dentro dos foguetes já usados para ir ao planeta vermelho.  Gontijo sequer arrisca uma data para pisarmos em solo marciano, até por não estar diretamente ligado ao projeto que visa levar humanos ao planeta. O que ele sabe, por trabalhar no grupo que vai lançar um novo robô para o planeta “vizinho”, é que estamos muito mais preparados para descobrir vida por lá

Estamos muito mais preparados para procurar por vida. Temos equipamentos melhores, técnicas mais sofisticadas e entendemos mais de sequenciamento de DNA. O equipamento de hoje é completamente diferente do de vinte, trinta ou cinquenta anos atrás.

A pesquisa vai coletar amostras e procurar por material orgânico em Marte, algo vital para descobrirmos se há ou houve vida ali em algum momento. Confira a entrevista completa com o cientista, que esteve no Brasil para a Campus Party 2019:
O que você está fazendo atualmente na Nasa? Em qual projeto está trabalhando?

Ivair Gontijo: Estou trabalhando no projeto Mars 2020, a próxima missão que vai para Marte entre julho e agosto do ano que vem. É parecida com a Curiosity –um veículo parecido, mas com um conjunto diferente de instrumentos e um sistema coletor de amostras. A ideia é mandarmos a melhor tecnologia e os melhores instrumentos para procurar material orgânico em Marte. Quando acharmos rochas com material orgânico dentro, vamos coletar amostras e colocar em tubos metálicos, que serão deixados na superfície de Marte para em uma missão futura robotizada trazer para a Terra.

Ivair Gontijo foi um dos líderes do projeto que culminou na ida do robô Curiosity para Marte … – Veja mais em https://noticias.uol.com.br/ciencia/ultimas-noticias/redacao/2019/02/14/existem-problemas-gigantescos-para-irmos-a-marte-diz-brasileiro-da-nasa.htm?cmpid=copiaecola

Por que precisa trazer para a Terra? Não pode ser analisado por lá?

Gontijo: Aqui temos o sequenciamento de DNA e técnicas de biologia e física que enchem um edifício inteiro. Não dá para fazer uma versão miniatura disso e mandar para Marte, por isso temos que trazer as amostras para estudar aqui. Sou o engenheiro responsável pelas interfaces entre o veículo e os instrumentos, como o laser para vaporizar rocha em Marte e fazer medidas de elementos químicos. São esses instrumentos que nos permitem fazer medidas remotas e saber quais materiais interessantes trazer para cá. Toda forma de vida na Terra que a gente conhece é feita de carbono, então buscamos material orgânico que indique se Marte já teve ou tem vida. Se a gente continuar insistindo, uma hora vamos responder essa pergunta.

Quando falta para irmos para Marte?

Gontijo: Ainda existem problemas técnicos gigantescos, como produzir oxigênio e comida para uma viagem que demora entre oito e nove meses. O Curiosity foi para Marte em um foguete onde só cabia uma coisa de quatro metros e meio, é espaço é muito pequeno para humanos. Coube apenas um veículo de 900 kg dentro. Mas os problemas técnicos, se continuarmos insistindo, vamos resolver. Só não sei dizer quanto tempo falta, mas imagino umas duas ou três décadas. Depende muito do investimento.

Quer morar em Marte? Não vai rolar tão cedo, diz brasileiro da Nasa.

Por que é tão importante chegarmos lá? O que a humanidade pode ganhar com isso?

Gontijo: O que a gente sabe é que o ser humano é um bicho curioso. Buscamos o conhecimento científico, interessa saber porque Marte se modificou tanto. Em um passado distante era um planeta muito parecido com a Terra e hoje é super frio e árido. O que aconteceu? A gente não sabe. Não sabemos o resultado que uma tecnologia vai produzir. Há pouco mais de 100 anos tinha um brasileiro que era rico, morava em Paris e gastou dinheiro fazendo uma máquina pesada que se mantinha no ar. Para que serve isso? Não acho que Santos Dumont poderia ter investido melhor, é o maior investimento da humanidade.
As coisas evoluem dessa forma. As aplicações vêm depois, desenvolvemos primeiro ideias e conceitos científicos.

Qual vai ser nosso primeiro passo em Marte? O que poderemos fazer que os robôs ainda não fizeram?

Gontijo: Com seres humanos, podemos fazer mais. Podemos ter mais informações sobre o planeta, informações quase subjetivas que o robô não teria como captar para nós. E também podemos começar a desenvolver todo um processo de colonização, podemos começar a plantar e fazer coisas que o robô não faz.

Quais as próximas fronteiras? O que vem de novo por aí que nos permitirá mais conhecimento?

Gontijo: Muita coisa. Tem exploração robótica do Sistema Solar, tem Marte, tem a lua de Júpiter. Europa é uma lua coberta de gelo cheio de fratura. Se tem fratura, é porque tem movimento. A gente tem indícios de que esse gelo tem 30 km de espessura e abaixo tem um oceano global, existe mais água em Europa do que na Terra, então o lugar é interessante para procurar vida. São várias missões acontecendo e vários outros corpos no Sistema Solar sendo estudados. E tem a astronomia em geral, estudo das estrelas, estudo das galáxias… Têm muitas perguntas a serem respondidas, por exemplo os pulsos de raio gama no Espaço que não se sabe de onde vêm. Tudo isso é estudado, a estrutura do universo inteiro, como as estrelas evoluem…


Estamos mais preparados para encontrar alguma forma de vida fora da Terra?

Gontijo: Com certeza, melhorou demais. Estamos muito mais preparados para procurar por vida, temos equipamentos melhores e técnicas mais sofisticadas. Entendemos mais de sequenciamento de DNA. Os equipamentos de hoje são completamente diferentes do que havia vinte, trinta ou cinquenta anos atrás.

Buscamos uma forma de vida que já existe na Terra ou algo diferente?

Gontijo: A gente faz medidas de estrelas em galáxias inteiras e planetas, por exemplo de Marte, e encontramos os mesmos elementos químicos da Terra. É magnésio, silício, carbono… os elementos da tabela periódica.
O carbono é quase mágico. Nós temos uma química inteira só do carbono, a orgânica, e a química inorgânica que trata dos outros. O carbono junta com oxigênio, hidrogênio e forma moléculas enormes que são o DNA e dá para decodificar a vida. Se esses elementos são abundantes, é muito mais fácil pensar que são por elementos parecidos. Não precisa ser humanoide com dois braços e pernas, mas uma vida baseada em molécula de DNA. Pode ser que não seja DNA também, mas é uma boa apostar no carbono. O silício também forma moléculas grandes, mas o carbono tem suas vantagens. Agora, se existe outra forma de vida completamente diferente, é baseada no quê? Se não for matéria, se não for químico, não teria nem como se comunicar. Não é científico. Eu acho que apostar em vida formada de carbono é a melhor aposta.

NASA apresenta Marte em vídeo 360º

A missão Curiosity gravou imagens de uma área identificada como Rock Hall e do piso da Cale Crater.

A missão Curiosity gravou imagens de uma área identificada como Rock Hall e do piso da Cale Crater.


Depois de mais de um ano a explorar a mesma região de Marte, o rover Curiosity da NASA mudou recentemente de lugar. Novas imagens mostram a “passagem” entre um local e outro.
O veículo de exploração espacial Curiosity já desceu de Vera Rubin Ridge, o pico central da cratera marciana Gale, em Mount Sharp, por onde “passeou” por mais de ano, mas, antes de partir, registou algumas imagens.

Da montagem das fotos panorâmicas resultou uma animação vídeo que mostra a área onde o rover andou a “apalpar terreno” no último ano, conhecida como Rock Hall, mas também do local por onde vai andar a partir de agora por tempo idêntico: a zona argilosa de Cale Crater.

As imagens foram captadas a 19 de dezembro último, informa a NASA, embora o vídeo tenha sido divulgado há poucos dias.

agência espacial norte americana NASA divulgou este domingo imagens 360º do pico central da cratera marciana Gale – Vera Rubin Ridge. O vídeo foi captado pelo rover (veículo de exploração espacial) Curiosity.

NASA APRESENTA MARTE EM VÍDEO 360º

Embora as imagens só estejam a ser divulgadas agora, foram captadas a 19 de dezembro do ano passado. E trata-se de uma montagem de várias fotografias de uma área identificada como Rock Hall e do próximo destino da Curiosity, o piso da Cale Crater, uma zona argilosa. Equipamentos do rover detetaram a presença de hematite, um mineral rico em ferro que existe apenas em locais onde geralmente há água.

“Nós já tivemos a nossa quota-parte de surpresas. E estamos a ficar com uma perspetiva diferente da que tínhamos da cordilheira”, explicou o Abigail Fraeman, envolvido no projeto, citado pelo Daily Mail.

A missão Curiosity começou a 26 de novembro de 2011 na estação da Força Aérea Americana na Flórida. Na altura, estava planeada para durar apenas dois anos, mas já está ativa há mais de dois mil dias e continua no espaço graças ao sucesso das informações obtidas sobre o planeta Marte. Os seus principais objetivos são contribuir para estudos geológicos e geoquímicos, estudar a atmosfera, o clima e procurar indícios da presença de água.

Sonda Insight Mars, da Nasa, faz a primeira selfie em Marte

A imagem revela a condição da espaçonave – sem avarias – e permite que os envolvidos na missão saibam que a sonda está realizando operações e funcionando normalmente.

A imagem revela a condição da espaçonave – sem avarias – e permite que os envolvidos na missão saibam que a sonda está realizando operações e funcionando normalmente.

Sonda Insight Mars, da Nasa, faz a primeira selfie em Marte

A sonda Insight Mars, da Nasa, fez a sua primeira selfie no planeta vermelho após o pouso que ocorreu em 26 de novembro. Para fazer a selfie, a espaçonave usou uma câmera instalada em seu braço robótico.

A sonda Insght Mars é uma nave espacial não tripulada que percorreu 482 milhões de Km até chegar ao planeta vermelho. Sua missão é “olhar para dentro” de Marte: seus instrumentos permitem detectar atividades sísmicas no interior do planeta.

Concepção artística mostra como a InSight deverá estudar o interior de Marte — Foto: NASA

Sonda Insight Mars, da Nasa, faz a primeira selfie em Marte

Selfie em Marte

A foto enviada pela Insgiht é, na verdade, um mosaico com 11 imagens. Nelas é possível ver o painel solar da sonda e todo o seu deck, incluindo os instrumentos científicos.

A imagem revela a condição da espaçonave – sem avarias – e permite que os envolvidos na missão saibam que a sonda está realizando operações e funcionando normalmente.

Os integrantes da equipe responsável pela missão também receberam o primeiro registro completo no “espaço de trabalho” da InSight – uma área de 4 por 2 metros de altura, em frente à espaçonave. Esta imagem é também um mosaico composto por 52 fotos individuais.

Sonda Insight Mars, da Nasa, faz a primeira selfie em Marte

Insight Mars também enviou imagem do seu ‘espaço de trabalho’: registro é um mosaico de 52 fotos sobrepostas — Foto: Nasa/JPL-Caltech

O que está por vir

Nas próximas semanas, cientistas e engenheiros deverão decidir onde, neste espaço de trabalho, os instrumentos da espaçonave devem ser colocados.

Eles então comandarão o braço robótico da InSight para definir cuidadosamente o sismômetro (chamado de Experimento Sísmico para Estrutura Interna, ou SEIS) e a sonda de fluxo de calor (conhecida como Pacote de Fluxo de Calor e Propriedades Físicas, ou HP3) nos locais escolhidos. Ambos funcionam melhor em terreno plano e os engenheiros querem evitar colocá-los em rochas maiores que 1,3 cm.

Sonda Insight Mars, da Nasa, faz a primeira selfie em Marte

A imagem revela a condição da espaçonave – sem avarias – e permite que os envolvidos na missão saibam que a sonda está realizando operações e funcionando normalmente.

“A quase ausência de rochas, colinas e buracos significa que será extremamente seguro para nossos instrumentos”, disse Bruce Banerdt, do Laboratório de Propulsão a Jato da NASA em Pasadena, Califórnia.

“Isso pode parecer um pedaço de terra bem simples se não estivesse em Marte, mas ficamos felizes em ver isso.”

Insight Mars registra a primeira 'selfie' no planeta vermelho — Foto: Nasa/JPL-Caltech

Missão da Nasa quer descobrir as características do interior do planeta vermelho — Foto: Roberta Jaworski/G1

A equipe de pouso da InSight escolheu uma região para o pouso da sonda, em Elysium Planitia, que é relativamente livre de rochas. Mesmo assim, o local de aterrissagem é ainda melhor do que eles esperavam.

A espaçonave fica no que parece ser uma “cavidade” quase livre de rochas – uma depressão criada por um impacto de meteoro que se encheu de areia. Isso deve tornar mais fácil para um dos instrumentos da InSight, a sonda de fluxo de calor, atingir sua meta de 5 metros abaixo da superfície.

Marte pode ter oxigênio suficiente para abrigar vida, afirma estudo

A água salina no subsolo de Marte pode ter oxigênio suficiente para abrigar vida, relata um novo estudo realizado por um grupo de pesquisadores do Instituto de Tecnologia da Califórnia.

A nova descoberta foi possibilitada por óxidos de manganês encontrados pela sonda Curiosity, da Nasa - NASA/AFP/Arquivos

A nova descoberta foi possibilitada por óxidos de manganês encontrados pela sonda Curiosity, da Nasa – NASA/AFP/Arquivos

O estudo foi publicado na revista Nature Geoscience nesta segunda-feira (22).

Os cientistas desenvolveram um modelo da suposta composição da água salina para calcular a quantidade de oxigênio presente no subsolo de Marte.

 

Em alguns locais, a quantidade de oxigênio disponível poderia até mesmo manter vivo um animal primitivo multicelular como uma esponja, escreveram na revista científica Nature Geosciences.

“Nós descobrimos que a salmoura” – água com altas concentrações de sal – “em Marte pode conter oxigênio suficiente para que micróbios possam respirar”, afirmou Vlada Stamenkovic, principal autor do estudo, físico teórico do Laboratório de Propulsão a Jato da Califórnia.

“Isto revoluciona completamente nossa compreensão do potencial da vida em Marte, hoje e no passado”, declarou à AFP.

Até agora, presumia-se que a quantidade de oxigênio em Marte fosse insuficiente para sustentar a vida microbiana.

“Nós nunca pensamos que o oxigênio poderia desempenhar um papel para a vida em Marte devido à sua escassez na atmosfera, de cerca de 0,14%”, afirmou Stamenkovic.

Comparativamente, a concentração deste gás no ar que respiramos é de 21%.

Na Terra, as formas de vida aeróbicas – ou seja, que respiram oxigênio – evoluíram juntamente com a fotossíntese, que converte CO2 (gás carbônico) em O2 (oxigênio), gás que teve um papel crítico na emergência de formas de vida complexas, sobretudo após o denominado Grande Evento de Oxigenação, há cerca de 2,35 bilhões de anos.

Mas nosso planeta também abriga micróbios no fundo dos oceanos, em gêiseres, que sobrevivem em ambientes privados de oxigênio.

O novo estudo começou com a descoberta pela sonda Mars Curiosity, da Nasa, de óxidos de manganês, que são compostos químicos que só podem ser produzidos com grandes quantidades de oxigênio.

A Curiosity, juntamente com os orbitadores de Marte, também estabeleceram a presença de depósitos de salmoura, com variações nos elementos que continham.

“É por isso que sempre que pensamos na vida em Marte, nós estudamos o potencial de vida anaeróbica”, afirmou Stamenkovic.

– Vida em Marte? –

 

Um conteúdo de alta salinidade permite que a água se mantenha líquida – uma condição necessária para a dissolução do oxigênio – em temperaturas muito baixas, transformando a salmoura em ambientes favoráveis para a vida microbiana.

Dependendo da região, da estação e do momento do dia, as temperaturas no Planeta Vermelho podem variar entre -195ºC e +20ºC.

 

Um conteúdo de alta salinidade permite que a água se mantenha líquida – uma condição necessária para a dissolução do oxigênio – em temperaturas muito baixas, transformando a salmoura em ambientes favoráveis para a vida microbiana.

Dependendo da região, da estação e do momento do dia, as temperaturas no Planeta Vermelho podem variar entre -195ºC e +20ºC.

Juntos, os cálculos demostraram quais regiões do Planeta Vermelho são mais propensas a produzir oxigênio baseado em salmoura, dado que pode ajudar a determinar o posicionamento de sondas futuras.

“As concentrações de oxigênio (em Marte) são em ordens de grandeza” – algumas centenas de vezes – “maiores do que o necessário para micróbios aeróbicos ou que respiram oxigênio”, concluiu o estudo.

“Nossos resultados não sugerem que haja vida em Marte”, alertou Stamenkovic. “Mas eles mostram como a habitabilidade marciana é afetada pelo potencial de oxigênio dissolvido”.

Os pesquisadores desenvolveram um primeiro modelo para descrever como o oxigênio se dissolve na água salgada em temperaturas abaixo do congelamento.

Um segundo modelo estimou as mudanças climáticas em Marte nos últimos 20 milhões de anos e projetou como seriam nos próximos 10 milhões de anos.

 

 

 

 

Segundo a pesquisa, a composição da água poderia sustentar a vida de micróbios aeróbicos, enquanto em algumas regiões do Planeta Vermelho a concentração de oxigênio pode ser tão alta que permita até mesmo a sobrevivência de animais simples como esponjas.

“Ninguém pensou que essas concentrações de oxigênio dissolvido, necessárias para a respiração aeróbica, pudessem teoricamente existir em Marte”, disse a cientista do Laboratório de Propulsão a Jato da NASA e autora principal da pesquisa, Vlada Stamenkovic.

Os resultados mostram a possibilidade de que “a vida aeróbica possa existir em Marte e em outros corpos planetários com fontes de O2, independente da fotossíntese”, ressalta o estudo.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O que é preciso para ter vida fora da Terra? Estudo define mais um critério

Cientistas acreditam ter dado mais um passo na busca de vida fora da Terra. Em um universo com trilhões de milhões de planetas observáveis, é preciso definir filtros para direcionar a procura

O que é preciso para ter vida fora da Terra? Estudo define mais um critério

O que é preciso para ter vida fora da Terra? Estudo define mais um critério

– e um estudo publicado nesta quarta-feira (1º) propõe um critério para essa seleção: planetas com superfície rochosa, que recebam radiação ultravioleta (UV) suficiente para desencadear reações químicas como as que aconteceram por aqui.

Nos debates astronômicos atuais, já se fala em necessidade de água e de moléculas de carbono. Os pesquisadores agora defendem que se leve em conta também a quantidade de energia que o planeta recebe de seu sol para a produção de moléculas fundamentais para a vida.

Este trabalho nos permite ‘afunilar’ quais são os melhores lugares para procurar vida

Paul Rimmer, do Laboratório do Conselho de Pesquisa Médica de Biologia Molecular

Publicado na edição de hoje na revista científica Science Advances, o estudo foi desenvolvido por dois institutos do Reino Unido: o Laboratório do Conselho de Pesquisa Médica de Biologia Molecular e a Universidade de Cambridge.

O trabalho foi desenvolvido depois que Rimmer teve contato com as pesquisas do químico John Sutherland, que estuda como teriam ocorrido as reações responsáveis pelo surgimento da vida na Terra há bilhões de anos.

Sutherland e seu grupo acreditam que o carbono presente em meteoritos que se chocaram com o planeta interagiu com o nitrogênio da atmosfera. Na presença da luz UV proveniente do Sol, o cianeto que se formou passou a reagir com outros elementos da sopa primordial, como é chamada a mistura de compostos orgânicos da qual acredita-se que a vida se originou.

“O cianeto (HCN) tem três dos seis elementos que consideramos mais importantes, que seriam carbono, hidrogênio, oxigênio, nitrogênio, fósforo e enxofre, e ter uma estrutura como essa poderia contribuir para a formação de moléculas mais complexas”, disse ao UOL Fabio Rodrigues, professor do Instituto de Química da USP.

A partir dessas reações, teriam se formado os compostos necessários para a produção do RNA, que, por conseguir catalisar reações e se auto-replicar, é tido como a primeira fonte de informação genética.

Para testar essa hipótese, os pesquisadores recriaram as reações em laboratório usando lâmpadas UV e verificaram a formação de precursores de lipídios, aminoácidos e nucleotídeos.

Rimmer soube do estudo e ficou intrigado com o tipo de luz empregada. Ele, então, começou a medir a quantidade de energia emitida pelas lâmpadas dos testes de Sutherland e decidiu fazer comparações com a radiação de estrelas.

Planetas que correspondam aos critérios

O grupo passou a medir em laboratório o tempo para que as reações acontecessem na presença ou na ausência da luz UV. Notou-se que, no escuro, formavam-se compostos inertes, incapazes de gerar as moléculas que compõem as células. Certos de que a luz era necessária, os cientistas passaram então a fazer comparações em busca de estrelas que emitiam a luz necessária e pesquisaram planetas que as orbitavam.

O grupo descobriu que estrelas com a mesma temperatura do Sol – aproximadamente 5,5 mil graus Celsius na superfície – emitiam luz suficiente para a formação das moléculas fundamentais para a vida na superfície de seus planetas.

Com conhecimento disso e da necessidade de água, eles determinaram um rol de planetas com as características necessárias para a presença de vida. Nessa lista estão exoplanetas descobertos por meio do telescópio Kepler, entre eles o Kepler-425b, identificado em 2015 e apelidado de “primo” da Terra.

Os cientistas afirmam que as características necessárias podem não ser suficientes para a formação de organismos – pode haver outros fatores no processo –, mas esperam que o estudo ajude a indicar os locais com maiores possibilidades.

Acharam vida?

Os pesquisadores esperam que o estudo ajude a indicar os locais com maiores possibilidades de presença de vida, mas reforçam que as características necessárias podem não ser suficientes para formar organismos.

“Ainda não se sabe o que é suficiente. Ter todas as condições necessárias pode não ser o bastante. Posso colocar todos os elementos necessários e, mesmo após muitos anos, nunca ter vida”, comenta Rodrigues.

Ele também afirma que outras formas de energia podem ser consideradas na busca pelos cenários capazes de abrigar organismos. “O que sabemos é que é mais provável que as estruturas tenham se desenvolvido em formas sequenciais, primeiro um sistema, depois outro, e que é preciso haver uma fonte de calor. A energia da estrela pode ser essa fonte, mas não é a única. Se pensarmos na Terra, por exemplo, temos as fontes hidrotermais do fundo do mar”.

“Um cenário baseado em UV gera um grupo de interesse, um cenário com vulcões pode gerar outro e assim vamos conhecendo melhor e tentando selecionar quais planetas são mais interessantes de estudar e quais teriam condições para o desenvolvimento de moléculas orgânicas. Daí, se vai haver vida, é outra pergunta”, finaliza.

Astrônomos captam imagem detalhada do aglomerado estelar a 5.500 anos luz da Terra

Foto mostra o aglomerado de estrelas RCW 38 e suas nuvens de gás brilhantes

Astrônomos captam imagem detalhada do aglomerado estelar a 5.500 anos luz da Terra

Uma equipe de astrônomos conseguiu captar uma imagem detalhada e colorida do aglomerado de estrelas RCW 38, situado na constelação de Vela, a 5.500 anos luz de distância da Terra, com ajuda do sistema de ondas infravermelhas HAWK-I, informou o Observatório Europeu do Sul (ESO, na sigla em inglês).

O dispositivo de ondas infravermelhas, instalado no telescópio de longo alcance (VLT, na sigla em inglês) situado em Paranal, no Chile, permitiu uma imagem nítida que mostra o aglomerado estelar jovem cercado de nuvens de gás, intensamente brilhante e detalhado, junto com traços de poeira escura em formato de videira em torno do núcleo.

A imagem revela uma região central tingida de azul e habitada por várias estrelas jovens, quentes e massivas, assim como estrelas que ainda estão em formação.

A radiação que as estrelas emitem faz com que o gás circundante brilhe de forma intensa, em contraste com as correntes de pó cósmico, mais frio, que atravessam a região e brilham em tons escuros de vermelho e laranja.

Apesar de existirem imagens anteriores dessa região, estas foram obtidas mediante longitudes de onda da categoria visível, o que proporciona imagens com menos corpos estelares, pois a poeira e o gás bloqueiam a visão do aglomerado.

O HAWK-I, pelo contrário, permite olhar através das camadas de poeira por intermédio de observações com infravermelho, o mesmo sistema utilizado para obter imagens de galáxias próximas, grandes nebulosas, estrelas individuais e exoplanetas.

Para conseguir uma imagem nítida, teve papel importante o módulo de óptica adaptativa GRAAL, que projeta quatro raios laser no céu noturno que atuam como estrelas artificiais de referência para corrigir os efeitos da turbulência atmosférica.

A imagem foi captada como parte de um conjunto de observações de teste, conhecido como verificação científica, de ambos os dispositivos, instalados no telescópio de longo alcance.

O Observatório Europeu do Sul é uma organização intergovernamental de ciência e tecnologia e opera a partir de três lugares que se destacam por sua qualidade para a observação no Deserto do Atacama chileno: La Silla, Paranal e Chajnantor.

O VLT é um conjunto de quatro “telescópios unitários”, cada um com um espelho primário de 8,2 metros de diâmetro, com os quais é possível obter imagens de corpos celestes apenas visíveis a uma magnitude de 30, o que equivale a ver objetos cuja luminosidade é 4 bilhões de vezes mais fraca que daqueles que podem ser vistos a olho nu.

Escudo térmico em sonda para Marte em 2020 é danificado em teste; data de lançamento não é afetada

Lançamento da missão segue programado para 17 de julho de 2020, segundo informações da NASA.

Escudo térmico em sonda para Marte em 2020 é danificado em teste; data de lançamento não é afetada

Marte é um planeta de condições extremas: as temperaturas vão de -80°C a 20°C (Foto: Nasa)

Um escudo térmico usado em uma sonda da Nasa projetada para enviar um veículo de seis rodas à Marte em 2020 sofreu uma avaria “inesperada” durante um teste estrutural neste mês, levando a agência espacial a montar um substituto, disse a agência espacial norte-americana.

“A situação não afetará a data de prontidão do lançamento da missão em 17 de julho de 2020”, disse a Nasa em um comunicado.

A avaria ocorreu perto da borda externa do escudo e abrange a circunferência do componente, segundo a Nasa.

A missão de US$ 2 bilhões (cerca de R$ 6,9 bilhões) colocará o veículo de exploração espacial em Marte, onde ele perfurará pedras e o solo em busca de sinais de vida microbiana passada. A missão também procurará formas de apoiar uma missão tripulada ao planeta.

O momento do lançamento é fundamental. Em julho e agosto de 2020 as posições da Terra e de Marte estarão alinhadas de uma forma que significará que menos energia será necessária para alcançar o planeta vermelho em comparação com outras épocas.

O escudo térmico da sonda Marte 2020 atingirá temperaturas de cerca de 2.100 graus Celsius, com velocidades de mais de 19.550 km/h em direção à superfície de Marte, disse a Nasa.

 

 

 

 

 

Existe vida fora da Terra? Conheça o satélite que vai ao espaço em busca desta resposta

A busca por terrenos cósmicos está prestes a começar renovada.

Por volta de 18h32 do dia 16 de abril, nos termos quebrados da NASA, uma pequena espaçonave conhecida como Transiting Exoplanet Survey Satellite, ou Tess, com câmeras espetadas e muita ambição, será lançada em um foguete Falcon 9 da SpaceX, em uma trilha de fumaça e fogo, da antiga plataforma de lançamento da Apollo, e vai estabelecer sua longa residência entre a Lua e a Terra.

O satélite é composto por quatro câmeras pequenas, cada uma com um campo de visão de 24º.

Tess é a nova aposta da Nasa em busca de mundos alienígenas.

Lá, irá passar pelo menos os próximos dois anos examinando o céu em busca de mundos alienígenas.

Tess é a tentativa mais recente de responder perguntas que têm intrigado os humanos por milênios e que dominaram a astronomia durante as últimas três décadas: será que estamos sozinhos? Existem outros planetas Terras? Qualquer que fosse a prova de um único micróbio em qualquer outro lugar da galáxia, já seria suficiente para chacoalhar a ciência.

Não faz muito tempo que os astrônomos descobriram que havia outros planetas fora do nosso sistema solar ou mesmo que pudessem ser encontrados. Mas, desde 1995, quando descobriu-se um planeta circulando algo que se assemelhava a uma estrela solar, a 51 Pegasi, houve uma revolução.

A nave espacial Kepler da NASA, lançada em 2009, encontrou quase 4.000 possíveis planetas em uma pequena área da Via Láctea, perto da constelação Cygnus. A Kepler continuou por mais um curto período o levantamento de outros campos estelares até que o sistema responsável pelo direcionamento de seu telescópio quebrou. Depois de nove anos no espaço, a sonda está quase sem combustível.

Graças a esforços como o da Kepler, astrônomos agora acreditam que existam bilhões de planetas potencialmente habitáveis em nossa galáxia, o que significa que o mais próximo pode estar a uma distância de 10 ou 15 anos-luz daqui.

E assim, a tocha é passada: agora é trabalho de Tess encontrar esses planetas próximos, aqueles perto o bastante para serem observados com telescópios, ou até mesmo para receber a visita de um robô interestelar.

“A maior parte das estrelas com planetas está muito longe”, disse Sara Seager, cientista planetária no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) e membro da equipe da Tess, referindo-se aos dados da Kepler. “A Tess irá trazer informações sobre os planetas ao redor de estrelas próximas.”

George Ricker, pesquisador do MIT e o líder da equipe de Tess, espera encontrar cerca de 500 planetas semelhantes à Terra em tamanho dentro de 300 anos-luz daqui, perto o suficiente para que uma próxima geração de telescópios na Terra e no espaço examinem o potencial de ser habitado – ou talvez até mesmo habitantes.

Mas haverá mais do que planetas no universo, de acordo com Tess.

“Tess vai ser muito divertida. São 20 milhões de estrelas para observarmos, além de galáxias e núcleos galácticos ativos”, disse Ricker acrescentando que a nave será capaz de fazer medições precisas do brilho de cada luz no espaço.

A missão do Tess começa em 16 de abril, data do seu lançamento.

Existe vida fora da Terra? Conheça o satélite que vai ao espaço em busca desta resposta.

A maior parte dos exoplanetas estará orbitando estrelas chamadas anãs vermelhas, muito menores e mais frias do que o sol. Elas compõem a grande maioria das estrelas na nossa vizinhança (e no universo) e presumivelmente reivindicam a maioria dos planetas.

Como a Kepler, a Tess vai caçar esses planetas por meio do monitoramento da luz das estrelas e pela detecção de mergulhos ligeiros e momentâneos, indicando que um planeta passou na frente de sua estrela.

Aqueles que planejam a missão esperam eventualmente chegar a catalogar 20 mil novos exoplanetas, candidatos de todas as formas e tamanhos. Em particular, prometeram fazer levantamento das massas e órbitas de 50 novos planetas com até quatro vezes o tamanho da Terra.

A maioria dos planetas do universo está nesse intervalo –entre os tamanhos da Terra e de Netuno. Mas uma vez que não existem exemplos como este no nosso próprio sistema solar, como observa Seager, “não sabemos nada sobre eles”.

Será que serão chamados de superTerras, principalmente rochas com um véu de atmosfera, ou miniNetunos, com pequenos núcleos enterrados em extensas bolhas de gás?

Dados da Kepler e de astrônomos sugerem que a diferença está na massa: rochas férteis frequentemente não passam de uma vez e meia o tamanho da Terra, enquanto nuvens de gelo estéreis, muitas vezes, são maiores. Por onde a linha realmente passa e quantos planetas caem de um lado ou de outro, pode determinar quantos mundos lá fora são bolas de vapor de gelo ou jardins em potencial.

“Precisamos fazer medições precisas”, disse David Latham do Centro de Astrofísica de Harvard-Smithsonian, responsável por organizar os astrônomos para acompanhar as observações da Tess.

Para este fim, a equipe conseguiu 80 noites de observação por ano, pelos próximos cinco anos em um espectrógrafo chamado Harps Norte, que reside em um telescópio italiano na ilha de La Palma, nas Ilhas Canárias, pertencentes à Espanha, ao largo da costa da África.

HARPS – sigla para High Accuracy Radial velocity Planet Searcher – pode medir a massa de um planeta por meio do quanto ele faz sua estrela mãe balançar enquanto percorre sua órbita. Tais medições, se suficientemente precisas, poderiam ajudar a distinguir a composição e a estrutura desses corpos.

A Tess é uma das menores missões da NASA, com um orçamento de US$ 200 milhões (cerca de R$ 664 milhões); em comparação, a sonda Kepler tinha um orçamento de aproximadamente US$ 650 milhões (cerca de R$ 2 bilhões).

Recentemente, Tess, parcialmente revestida em papel alumínio brilhante, com resistentes painéis solares cobrindo sua lateral, estava em um pedestal redondo dentro de uma tenda de plástico. A tenda ocupava um canto da cavernosa “sala limpa” em um edifício remoto aqui nos arredores do centro espacial, em meio a palmeiras, canais e bandos de cormorões.

A nave é do tamanho de uma geladeira volumosa e com forma estranha, enfeitada não com ímãs, mas com conectores e bocais misteriosos. Quatro pares de pernas azuis saíam debaixo do pedestal, como se mecânicos de alta tecnologia estivessem trabalhando debaixo de um carro.

Os engenheiros colavam placas na base da nave, incluindo um chip de memória com desenhos de crianças, que desenharam suas fantasias sobre como seriam exoplanetas.

O satélite é composto por quatro câmeras pequenas, cada uma com um campo de visão de 24º.

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Ao lado, em uma “roupa de coelho” de material protetor que deixava apenas seus olhos visíveis, Ricker olhava para dentro da tenda para ver sua nova nave, como se estivesse vendo seu carro ser consertado, enquanto trocava figurinha com os engenheiros que projetaram e construíram a Tess.

Ricker é um cientista de foguetes, construiu satélites astronômicos que foram lançados no espaço durante quase toda sua carreira como pesquisador do Instituto Kavli de Astrofísica e Pesquisas Espaciais no MIT.

A maioria de seus projetos anteriores envolvia a medição de raios-X ou raios gama de várias pressões, crepitações que apareciam no cosmos, o mais recente sendo o satélite High Energy Transient Explorer, usado para estudar os cataclismos conhecidos como explosões de raios gama.

Questionado sobre se os planetas representavam um ponto de partida para ele, Ricker deu de ombros: “Nem tanto”. Todo o seu trabalho envolve medições delicadas de coisas em constante mudança, o que chamou de “domínio do tempo na astronomia”.

A chave para este trabalho é manter detectores muito estáveis e sensíveis – os chips de imagens que são parentes de elite dos sensores em seu smartphone – para que possam gravar com confiança as alterações no brilho, apenas poucas partes por milhões, que dá o sinal que um planeta está passando por sua estrela.

Ricker disse que ele e seus colegas tinham começado a “garimpar” para a missão de encontrar um planeta em 2006. Depois que perderam a concorrência para o programa de pequenos exploradores da NASA, que são missões mais baratas, os cientistas tentaram entrar em uma nova competição para uma missão maior em 2010 –e ganharam.

Eles foram longe para conseguir projetar uma nave espacial compacta o suficiente para se encaixar nos foguetes da NASA usados para pequenos exploradores e ficaram surpresos quando a agência selecionou o Falcon 9 da SpaceX, que pode transportar um volume muito maior, para iniciar a missão de Tess.

Esta é a primeira vez que a NASA envia uma de suas missões científicas em um passeio espacial com a SpaceX, a empresa de foguetes dirigida por Elon Musk. Toda a atenção estará voltada à base de lançamento, tendo em vista o histórico da SpaceX de às vezes garantir desfechos infelizes, se não espetaculares, para as missões.

Um relatório divulgado este mês pela NASA mostrou que a agência espacial e a SpaceX ainda discordam sobre o que exatamente ocorreu há três anos, quando uma missão para reabastecer a Estação Espacial Internacional se desintegrou em pleno voo. Em outro incidente, um Falcon 9 explodiu durante um teste em uma plataforma de lançamento em 2016, destruindo um satélite de comunicações, que tinha o Facebook como um de seus clientes.

Sem desistir, a SpaceX e seu fundador, Musk, passaram a trabalhar mais duro com 22 lançamentos de seu Falcon e também um voo inaugural em fevereiro do Falcon Heavy, o foguete mais poderoso do mundo, que lançou um dos carros da Tesla, outra empresa de Musk, para além de Marte, na órbita solar.

“Tess parece um brinquedinho dentro do Falcon 9”, disse Ricker. Mas um brinquedo com grande potencial.

Em cima da nave estão acopladas quatro câmeras pequenas, cada uma com um campo de visão de 24º , um trecho de céu mais ou menos do tamanho da constelação de Orion.

As câmeras irão focar em seções adjacentes do céu por 27 dias de cada vez, passando depois para o próximo ponto. No decorrer do primeiro ano, os pesquisadores farão um levantamento de todo o hemisfério sul do céu; no segundo ano, vão juntar o hemisfério norte do céu. Se a missão for estendida para além dos dois anos, irão repetir o percurso.

Ricker e seus colegas prepararam uma lista de 200 mil estrelas nas proximidades cujo brilho será medido e relatado a cada dois minutos, no que chamam de “modo selo postal” da nave espacial. Enquanto isso, imagens de todo os 24 º de trechos de céu serão gravados a cada meia hora.

Essa cadência é perfeita para encontrar e estudar os favoritos na corrida pela localização de exoplanetas habitáveis, nomeadamente aqueles circulando as onipresentes estrelas anãs vermelhas, ou anãs M, no jargão astronômico. “Esta é a era da anã M”, disse Seager.

Porque elas são muito mais frias e menos luminosas que o sol, suas zonas habitáveis –onde, em princípio, há possibilidade de existir água em estado líquido– estão a apenas alguns milhões de quilômetros de distância de cada estrela, ao invés dos 150 milhões de quilômetros que separam a Terra do Sol.

Com a distância mais curta, um ano na vida de um planeta de uma anã vermelha fica entre 10 e 30 dias. Se a Tess observa aquele pedaço de céu durante 27 dias seguidos, poderá assistir a três mergulhos no brilho por conta dos trânsitos, o suficiente para se certificar de que o planeta pode ser um candidato real e, assim, começar a investigar sua realidade.

Mas essa realidade, como Seager observou, talvez não seja a habitabilidade, pelo menos não para o nosso frágil gosto. As anãs vermelhas são muito instáveis e dadas a violentas erupções solares, disse ela.

Analisando dados de uma observação do sistema Trappist feita em 80 dias pela Kepler, envolvendo pelo menos sete planetas do tamanho da Terra firmemente instalados em torno de uma estrela a cerca de 40 anos-luz daqui, astrônomos húngaros contaram 42 erupções solares expelindo radiação letal sobre o pequeno sistema planetário.

Pelo menos um, Seager salientou, foi tão forte quanto uma labareda solar famosa chamada de Carrington, que ocorreu em 1859 e foi responsável pela destruição do serviço de telégrafo na Terra, além de também enviar auroras boreais até países mais ao sul, como o Equador.

“Pessoalmente, vou continuar em busca do verdadeiro gêmeo da Terra, algum planeta onde possamos perceber um parentesco bem próximo”, disse Seager, referindo-se a um planeta como o nosso que circunde uma grande estrela como o sol.

Para iniciar sua aventura, a Tess será posta em uma órbita incomum, que irá levar o satélite até a Lua por um caminho mais distante. A interação gravitacional com nosso satélite natural vai manter Tess em uma órbita estável de 13,7 dias, por algo em torno de mil anos, disse Ricker.

O grande apogeu, a maior distância da Terra, irá minimizar a interferência e a obstrução causadas por nosso planeta. A nave irá enviar por rádio os dados coletados quando ficar mais perto da Terra, cerca de 108 mil quilômetros acima.

Latham chamou de “uma órbita descolada”. Mas vai demorar quase dois meses e muitos foguetes para chegar lá e começar a fazer ciência. Se tudo correr bem, isso seria no meio de junho.

Em algum momento durante o processo, segundo Ricker, a equipe vai virar as câmeras da nave para a Terra, buscando dar uma última olhada para nosso planeta.

Ao ser questionado se estava pronto para ser o Sr. Exoplaneta, Ricker estremeceu. “Eu estou ansioso mesmo é por conseguir alguns bons dados para analisarmos”, pontuou.

Telescópio de R$ 30 bi revestido com ouro promete a melhor imagem do espaço

Batizado de James Webb, telescópio da Nasa já consumiu cerca de R$ 30 bilhões

A Nasa (Agência Espacial Norte-Americana) faz os últimos ajustes para lançar seu melhor telescópio espacial. O equipamento permitirá a observação de estrelas através de um espelho revestido com uma fina camada de ouro puro, formado por 18 segmentos. Batizado de James Webb, o telescópio já custou por volta de R$ 30 bilhões à agência e promete oferecer visões sem precedentes do espaço.

Batizado de James Webb, telescópio da Nasa já consumiu cerca de R$ 30 bilhões.

Batizado de James Webb, telescópio da Nasa já consumiu cerca de R$ 30 bilhões.

“O Webb irá resolver mistérios do nosso sistema solar, olhar através de mundos distantes e ao redor das estrelas, e desvendar as estruturas misteriosas e origens de nosso universo e nosso lugar nele”, afirmou Lee Feinberg, diretor do Elemento Óptico do Telescópio da Nasa em entrevista ao canal “CNN”.

O telescópio é desenvolvido como um sucessor aprimorado do Hubble, lançado em 1990. Mas diferente dele, que orbitava a Terra numa altitude de aproximadamente 550 quilômetros, o Webb será lançado a mais de 1 milhão de quilômetros no espaço. O telescópio ficará em um local específico onde a gravidade da Terra e do Sol se equilibram de uma maneira que qualquer objeto fica em uma posição fixa em relação a esses dois corpos celestes.

Engenheiro da Nasa observa hexágono que forma espelho do telescópio espacial sucessor do Hubble.

Engenheiro da Nasa observa hexágono que forma espelho do telescópio espacial sucessor do Hubble.

Engenheiro da Nasa observa hexágono que forma espelho do telescópio espacial sucessor do Hubble

Essa localidade também é muita fria, exatamente como os cientistas da Nasa queriam. O James Webb conseguirá ter uma visão mais profunda do espaço pois usa radiação infravermelha, que emite bastante calor. Portanto, o espelho do telescópio precisa estar resfriado para que não ocorra nenhuma interferência nas observações.

Para se proteger do calor do Sol, o espelho ficará em um escudo solar de aproximadamente 20 metros – do tamanho de uma quadra de tênis – feito de um material resistente ao calor. O equipamento, que se parece com uma pipa gigante, deve manter o espelho a uma temperatura de -223º C, quase três vezes mais frio do que a temperatura mais fria já registrada na Terra.

Concepção artística de como o telescópio James Webb ficará no espaço.

Concepção artística de como o telescópio James Webb ficará no espaço.

Cada um dos 18 segmentos do espelho pesa 20 quilos e tem 1.3 metros de comprimento. Para caber todo esse equipamento no foguete que lançará o telescópio, no entanto, ele precisa ser dobrado, o que explica o formato de hexágono. “A forma hexagonal permite que os segmentos sejam dobrados e encaixem perfeitamente, sem lacunas”, explicou Feinberg.

Após estar em órbita, o maior desafio será fazer os espelhos focarem corretamente nas galáxias distantes. Só para desdobrar, esfriar e posicionar todos os segmentos de forma certa, deve demorar dois meses. Para isso, a equipe que trabalho na construção.

O Telescópio James Webb foi nomeado em homenagem a um funcionário da Nasa que trabalhou no projeto Apollo nos anos 60. O equipamento já está totalmente construído e passa por testes na Califórnia. O lançamento, que já foi adiado várias vezes, está previsto para 2020.

 

 

A aparência de seus espelhos chama a atenção pela beleza e simetria. O telescópio já foi fonte inspiração, inclusive, para artistas que desenvolveram joias e pinturas. “Nós desenhamos e chegamos nessa estética do espelho por razões de engenharia, a fim de alcançar nossos objetivos científicos”, finalizou Feinberg.