Category Archives: Astronomia

Astrônomos encontram o que pode ser uma das estrelas mais antigas do Universo

Uma pequena estrela localizada a cerca de 1.590 anos-luz da Terra pode ter até 13,53 bilhões de anos, o que faria dela uma das estrelas mais antigas já descobertas.

Astrônomos encontram o que pode ser uma das estrelas mais antigas do Universo

A pequena estrela “ultrapobre em metais” se chama 2MASS J18082002–5104378 B — aqui abreviada para J1808-5104 — e foi descoberta por uma equipe de astrônomos liderada por Kevin C. Schlaufman, da Universidade Johns Hopkins. Estimada em 13,53 bilhões de anos de idade, ela está entre a primeira geração de estrelas a terem aparecido depois do Big Bang, que aconteceu 13,7 bilhões de anos atrás. Não apenas ela é uma das estrelas mais antigas da Via Láctea como também pode estar entre as estrelas mais antigas de todo o Universo. Os detalhes dessa descoberta devem ser publicados em uma edição futura do periódico Astrophysical Journal, mas uma versão de pré-impressão foi publicada no arXiv.

“Esta estrela talvez seja uma em dez milhões”, disse Schlaufman em um comunicado. “Ela nos diz algo muito importante sobre as primeiras gerações de estrelas.”

De fato, a descoberta está desafiando noções preconcebidas de como eram as estrelas mais antigas e de onde elas estão localizadas.

A primeira geração de estrelas a aparecer depois do Big Bang era composta exclusivamente por elementos como hidrogênio, hélio e vestígios de lítio. Quando essas estrelas primordiais explodiram como supernovas, elas salpicaram o cosmos com elementos mais pesados, que foram incorporados na geração seguinte de estrelas. Portanto, o teor de metal, ou metalicidade, das estrelas aumentou à medida que o ciclo de morte e nascimento continuou ao longo das eras.

Até hoje, astrônomos já detectaram cerca de 30 estrelas antigas pobres em metais, que tendem a ser tão massivas quanto o Sol. Mas a J1808-5104 tem apenas 14% da massa do Sol, o que leva Schlaufman e seus colegas a especular que se trata de uma anã vermelha.

A estrela recém-descoberta, que os astrônomos analisaram com os telescópios Magalhães, o Observatório Las Campanas e o Observatório Gemini, é excepcionalmente pobre em metais. E, de fato, ela tem a menor quantidade de elementos pesados já observados em uma estrela, em torno do mesmo teor de elementos pesados que o planeta Mercúrio. A quantidade de elementos pesados na J1808-5104 é tão baixa que os pesquisadores dizem que ela pode estar a apenas uma geração do Big Bang. Antes da nova descoberta, a estrela de Caffau era considerada a mais pobre em metais — uma estrela apenas um pouco menor que o nosso sol.

Astrônomos encontram o que pode ser uma das estrelas mais antigas do Universo

A nova estrela tem apenas 14% da massa do Sol, contendo o menor complemento de elementos pesados entre qualquer estrela conhecida. Imagem: Kevin Schlaufman/JHU

Estrelas do tamanho do Sol vivem por cerca de dez bilhões de anos, mas estrelas com massas baixas como essa, em teoria, poderiam queimar por trilhões de anos.

“Estrelas diminutas como essas tendem a brilhar por muito tempo”, disse Schlaufman. “Essa estrela envelheceu bem. Tem a mesma aparência hoje que tinha quando se formou, 13,5 bilhões de anos atrás.”

A localização desta estrela na Via Láctea também é estranha; a J1808-5104 faz parte do “disco fino” da galáxia, que é onde o Sol também está localizado. Estrelas antigas e pobres em metais não deveriam estar localizadas ali, uma área ativa e lotada que contém estrelas muito mais jovens. A descoberta sugere que o disco fino da Via Láctea seja cerca de três bilhões de anos mais velho do que se pensava anteriormente.

A J1808-5104 é o membro menor de um sistema de duas estrelas. Medindo a “oscilação” da estrela maior, que é causada pela influência gravitacional da estrela menor, os astrônomos foram capazes de inferir a massa da J1808-5104. Foi usada espectroscopia óptica de alta resolução para identificar elementos como carbono, oxigênio, ferro e outros.

Embora fascinantes, essas descobertas são estranhas e inesperadas. Portanto, a pesquisa precisará ser replicada por outros astrônomos para garantir que Schlaufman e sua equipe não cometeram algum tipo de erro. Além disso, a descoberta da J1808-5104 sugere a presença de estrelas ainda mais antigas na Via Láctea. Conforme mais estrelas antigas são descobertas, podemos aprender ainda mais sobre o Universo durante seu período inicial.

[The Astrophysical Journal]

https://gizmodo.uol.com.br/astronomos-encontram-estrela-antiga-universo/

Objeto que cruzou sistema solar pode ser nave alienígena, diz estudo de Harvard

Astrônomos levantam possibilidade de corpo rochoso apelidado de Oumuamua ter sido enviado por civilização alienígena

Objeto que cruzou sistema solar pode ser nave alienígena, diz estudo de Harvard

Astrônomos levantam possibilidade de corpo rochoso apelidado de Oumuamua ter sido enviado por civilização alienígena

Um misterioso objeto rochoso em formato de charuto que cruzou nosso sistema solar no ano passado pode ser uma espaçonave alienígena, sugeriram astrônomos da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos.

Batizado de Oumuamua, que significa “mensageiro de muito longe que chega primeiro” em havaiano, o objeto espacial foi o primeiro a viajar de outro sistema planetário para o nosso. Foi descoberto pelo telescópio Pan-STARRS 1, instalado no Havaí, em outubro de 2017.

Desde a sua passagem, os cientistas têm dificuldade em explicar suas características incomuns e sua origem precisa. Inicialmente, os pesquisadores o classificaram como um cometa e, depois, como asteroide, antes de finalmente considerá-lo um novo tipo de “objeto interestelar”.

Agora, um novo estudo de pesquisadores do Harvard Smithsonian Center for Astrophysics, da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, levanta a possibilidade de o objeto ter uma “origem artificial”.

“Oumuamua pode ser uma sonda totalmente operacional enviada intencionalmente à vizinhança terrestre por uma civilização alienígena”, escreveram os astrônomos no artigo, que foi submetido ao jornal científico americano Astrophysical Journal Letters.

Os autores da tese são Abraham Loeb, professor de astronomia, e Shmuel Bialy, um pós-doutor, ambos estudiosos de Harvard.

A teoria baseia-se na “aceleração excessiva” do objeto ou em seu aumento inesperado de velocidade, segundo os pesquisadores. A estrutura escura chegou a alcançar 315.000 quilômetros por hora e saiu do nosso sistema solar em janeiro de 2018.

Além disso, Oumuamua apresenta uma rotação rápida e uma variação de brilho de até dez vezes, bem mais intensa do que qualquer outra já observada.

Ainda segundo os astrônomos, a suposta nave espacial tem um formato semelhante ao da nave LightSail-1, um projeto de vela solar desenvolvido pela Sociedade Planetária, com sede nos Estados Unidos, e que se assemelha a uma pipa.

“A tecnologia light-sail pode ser usada de forma abundante para o transporte de cargas entre planetas ou entre estrelas”, dizem os cientistas.

Outro estudo publicado em maio por cientistas do Brasil e da França sugere uma tese diferente sobre a origem do Oumuamua. Com base em uma simulação computacional, a publicação indicou que ele foi formado naturalmente em outro sistema e capturado por forças gravitacionais quando nosso sistema solar se formou de uma nuvem de gás e poeira, há cerca de 4,5 bilhões de anos.

“Este é um forte candidato a objeto mais velho no sistema solar”, disse o astrônomo Fathi Namouni, do Observatório de Côte d’Azur, na França.

O estudo foi publicado na revista científica Monthly Notices of the Royal Astronomical Society: Letters. A pesquisa foi realizada por Fathi Namouni e Helena Morais, da Universidade Estadual Paulista (Unesp) em Rio Claro.

Segundo Morais, o Oumuamua não se instalou permanentemente na órbita solar porque sua velocidade é tão alta que a atração do Sol foi suficiente apenas para curvar sua trajetória, tornando sua órbita um pouco mais hiperbólica. “Precisaria ter vindo com menos velocidade para que a trajetória se tornasse elíptica e fosse assim capturado pelo sistema solar”, afirmou a cientista.

O asteroide com trajetória retrógrada teria sido atraído para o campo gravitacional de Júpiter no final da época de formação dos planetas.

“Esta descoberta nos conta que o sistema solar provavelmente pode ser lar de mais asteroides extrassolares e cometas capturados mais cedo em sua história. Alguns destes objetos podem ter colidido com a Terra no passado, possivelmente carregando água, biomoléculas ou até mesmo matéria orgânica”, acrescentou Morais.

Cientistas encontram luz misteriosa no espaço e não sabem identificá-la

Cientistas encontram luz misteriosa no espaço e não sabem identificá-la

Irradiada de estrela de nêutrons, iluminação pode ser um disco de poeira ou a presença de um vento energético

Cientistas encontram luz misteriosa no espaço e não sabem identificá-la

Com o auxílio do Telescópio Espacial Hubble, da NASA, pesquisadores da Universidade Estadual da Pensilvânia, nos Estados Unidos, detectaram uma estranha luz infravermelha emergindo de uma região ao redor da estrela de nêutrons RX J0806.4-4123. Eles acreditam que isso pode indicar a existência de características nunca antes vistas.

“Essa estrela de nêutrons pertence a um grupo de sete pulsares de raios-X próximos, apelidados de ‘os Sete Magníficos’, que são mais quentes do que deveriam ser, se considerarmos suas idades e reservatórios de energia disponíveis, fornecidos pela perda de energia de rotação”, disse em comunicado Bettina Posselt, líder do estudo. “Observamos uma extensa área de emissão de infravermelho ao redor desta estrela, cujo tamanho total se traduz em cerca de 200 unidades astronômicas na distância presumida do pulsar”.

Em um artigo publicado no Astrophysical Journal, os astrônomos propõem duas explicações para a misteriosa emissão infravermelha. A primeira é que há um disco de material, possivelmente feito de poeira, cercando a estrela. “Pode haver o que é conhecido como um ‘disco de retorno’ de material que se aglutinou ao redor da estrela de nêutrons após a supernova”, explicou Posselt. “Tal disco seria composto de matéria da estrela maciça progenitora. Sua interação subsequente com a estrela de nêutrons poderia ter aquecido o pulsar e retardado sua rotação.”

Segundo a pesquisadora, se essa hipótese for confirmada, isso poderá mudar a compreensão da astronomia de como as estrelas de nêutrons evoluíram.

A segunda explicação é que há um vento energético soprando da estrela de nêutrons que interage com o gás no espaço interestelar, criando uma característica conhecida como “nebulosa do vento pulsar”. Ventos pulsares são gerados quando as partículas são aceleradas no campo elétrico que é produzido pela rápida rotação de estrelas de nêutrons com um forte campo magnético.

Estrelas de nêutrons são produzidas quando estrelas massivas chegam ao fim de suas vidas e passam por supernovas, que expelem as camadas externas de material. Se a massa da estrela que explode é insuficiente para produzir um buraco negro, a região central que sobrou entra em colapso sob a força da gravidade e é espremida a tal ponto que prótons e elétrons se combinam para formar nêutrons.

Devido à densidade extremamente alta, elas também possuem poderosos campos gravitacionais. O campo gravitacional na superfície de uma estrela de nêutrons é em torno de 200 bilhões de vezes o da Terra. As estrelas também podem girar rapidamente, até centenas de vezes por segundo. Algumas estrelas de nêutrons, como a RX J0806.4-4123, por exemplo, emitem raios intensos de radiação, parecidos com os faróis interestelares.

Esses feixes tendem a ser estudados no espectro de raios-X, raios gama e ondas de rádio, mas para as últimas pesquisas, a equipe usou a visão infravermelha do Hubble para observar RX J0806.4-4123 – que foi a primeira estrela de nêutrons na qual um sinal estendido foi visto apenas em luz infravermelha.

Comissão conclui que falha da Soyuz foi provocada por “deformação” na montagem.

Uma falha nos foguetes de propulsão obriga a Soyuz a realizar um pouso de emergência

O recente fracasso no lançamento de uma nave Soyuz rumo à Estação Espacial Internacional (ISS) foi provocado por uma “deformação” de uma peça durante a montagem do foguete no cosmódromo de Baikonur, de acordo com as conclusões da comissão de investigação.

Uma falha nos foguetes de propulsão obriga a Soyuz a realizar um pouso de emergência

Comissão conclui que falha da Soyuz foi provocada por “deformação” na montagem.

As autoridades russas prometeram em uma entrevista coletiva punir os culpados pelo fracasso embaraçoso para o setor espacial russo. Ao mesmo tempo, afirmaram que todos os funcionários da base espacial são qualificados e insistiram que a Soyuz continua sendo a nave de lançamento “mais confiável” em operação.

O problema que provocou a falha foi motivado por uma “deformação da vaste do sensor” durante a montagem no cosmódromo de Baikonur”, anunciou Oleg Skorobatov, um dos coordenadores da comissão, criada após a decolagem frustrada que obrigou os dois tripulantes da nave (o russo Aleksey Ovchinin e o americano Nick Hague) a fazer um pouso de emergência.

O diretor executivo da Roscosmos (Agência Espacial Russa), Serguei Krikaliov, explicou na quarta-feira que o acidente foi provocado pela falha do sensor responsável por controlar a separação dos primeiros níveis da Soyuz.

“Uma das paredes laterais não se afasto de modo suficiente e atingiu um tanque de combustível do segundo nível, o que provocou uma explosão”, afirmou.

Skorobatov pediu nesta quinta-feira um “controle rígido” destes sensores e descartou a hipótese do problema ter origem na fábrica que produz as peças.

Ele indicou que as próximas naves Soyuz que devem decolar de Baikonur e do centro espacial francês de Kuru (Guiana) devem passar por revisões.

“Elaboramos propostas e recomendações para revisar os lançadores”, afirmou o diretor da Roscosmos. O procedimento exigirá desmontar e voltar a montar alguns blocos e a testar os sensores.

Dmitri Baranov, executivo da empresa RKK Energia, que projeta e produz as naves, garantiu que as Soyuz são “as naves mais confiáveis” que existem.

Apesar do acidente e de uma série de problemas técnicos que abalaram a imagem do setor espacial russo, as naves Soyuz mantêm uma taxa muito elevada de sucesso nos lançamentos. Além disso, o sistema de segurança que permitiu o retorno com vida dos astronautas em 11 de outubro funcionou de modo perfeito.

Sonda Parker, da NASA, acaba de quebrar dois recordes em um só dia

A missão histórica da NASA para “tocar o Sol” acaba de alcançar dois importantes marcos: ela agora detém o recorde de maior aproximação do Sol feita por um objeto construído por humanos — e também o recorde de espaçonave mais rápida já enviada ao espaço.

Lançada em 12 de agosto de 2018, a sonda Parker (ou Parker Solar Probe) está agora entrando nos primeiros estágios de sua missão.

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Às 14h04 (horário de Brasília) desta segunda-feira (29), a espaçonave chegou a menos de 42,7 milhões de quilômetros da superfície do Sol — um novo recorde para um objeto construído por humanos. O antigo pertencia à espaçonave alemã Helios 2, que alcançou o feito em abril de 1976. A partir de agora, cada centímetro que a sonda avance em direção ao Sol será um novo recorde de distância, com uma aproximação de 6,16 milhões de quilômetros prevista para 2024.

“Faz apenas 78 dias que a Parker Solar Probe foi lançada, e agora chegamos mais próximo de nossa estrela do que qualquer outra espaçonave na história”, disse o gerente de projeto da sonda, Andy Driesman, em um comunicado da NASA. “É um momento de orgulho para a equipe, embora sigamos focados em nosso primeiro encontro solar.”

Menos de dez horas depois, a espaçonave estabeleceu outro recorde. Alcançando e depois ultrapassando uma velocidade de 246.960 quilômetros por hora, a sonda Parker se tornou o objeto construído por humanos mais rápido de todos os tempos em relação ao Sol. O recorde anterior também havia sido alcançado pela missão Helios 2. Até 2024, espera-se que a espaçonave alcance velocidades superiores a 692.000 quilômetros por hora (ou 0,0006% a velocidade da luz).

Para calcular a velocidade e a distância da Parker Solar Probe, a agência espacial utiliza sua Deep Space Network, ou DSN. A NASA explica:

A DSN envia um sinal para a espaçonave, que então o retransmite de volta para a DSN, permitindo à equipe determinar a velocidade e a posição da espaçonave com base no timing e nas características do sinal. A velocidade e a posição da Parker Solar Probe foram calculadas usando medidas de DSN feitas em 24 de outubro, e a equipe usou essa informação, junto com forças orbitais conhecidas, para calcular a velocidade e a posição da espaçonave a partir desse ponto.

Em sua atual distância para o Sol, a sonda precisa de 150 dias para fazer uma órbita completa. Ela alcançará o primeiro dos 26 eventos de periélio (ponto mais próximo do Sol) em 6 de novembro de 2018. Nos próximos seis anos, o comprimento orbital da sonda diminuirá gradativamente, permitindo que ela se aproxime do Sol. À medida que se aproxima da superfície da estrela, a sonda enfrentará calor e radiação formidáveis, dos quais ela se defenderá com um escudo manobrável sempre apontado para a estrela no centro do nosso Sistema Solar.

Os sensores a bordo da Parker Solar Probe farão medições, fornecendo novos dados sem precedentes para cientistas. Aprendendo mais sobre o Sol, teremos uma melhor compreensão de como ele afeta a Terra e outros planetas, possivelmente melhorando nossa previsão do tempo espacial. Saber como e quando o Sol produz tempestades solares massivas, por exemplo, pode ajudar a reduzir danos na Terra.

Telescópio Kepler enfim dá adeus, depois de mais de nove anos de missão

O venerado telescópio espacial Kepler, da NASA, que descobriu aproximadamente 2.700 exoplanetas em sistemas estelares distantes, foi oficialmente aposentado depois de, por fim, ficar sem combustível, conforme escreveu a agência espacial norte-americana em um comunicado nesta terça-feira (30). Quando foi lançado em 2009, o telescópio foi aparelhado com “a maior câmera digital equipada para observações no espaço sideral da época”, descreveu a NASA, e os cientistas na Terra tinham um conhecimento muito limitado dos planetas além do alcance do Sistema Solar.

Telescópio Kepler enfim dá adeus, depois de mais de nove anos de missão

Telescópio Kepler não está mais operando, anuncia NASA

Apesar de um defeito no sistema de direção e dos baixos níveis de combustível, a espaçonave de US$ 600 milhões permaneceu em ação por nove anos, fazendo 19 campanhas de observação — muito mais tempo do que sua missão prevista inicialmente, que duraria quatro anos. De acordo com o Verge, o Kepler agora está esperando um comando nas próximas duas semanas para desativar seu transmissor e outros instrumentos. Depois disso, ele irá silenciosamente se deslocar em uma órbita segura em torno da Terra (a uma distância de 151 milhões de quilômetros, embora essa distância deva aumentar ao longo do tempo).

Os cientistas da missão chegaram a se preocupar que a espaçonave pudesse ter ficado irreparavelmente ineficaz depois de um problema no sistema de direção em 2012, embora eles tenham, por fim, encontrado uma solução engenhosa em 2013, usando a pressão gerada pelos raios do Sol para compensar uma roda de reação falha, mirando-a em alvos de observação. Essa solução não restaurou a funcionalidade completa — o Kepler acabava conseguindo se direcionar por cerca de 83 dias por vez —, mas possibilitou o começo de outra fase de operações.

O telescópio também passou por problemas com um de seus propulsores por volta da época em que começou sua 19ª campanha de observação no fim de agosto deste ano e entrou em modo de hibernação, embora a NASA tenha conseguido trazê-lo de volta a serviço em setembro.

“Um dos oito propulsores mostrou desempenho não confiável, mas a equipe estimou que simplesmente remover o propulsor de uso durante disparos de precisão poderia resultar em um desempenho aceitável do sistema”, disse Alison Hawkes, porta-voz do Centro de Pesquisas Ames, da NASA, ao SpaceNews no mês passado. “Como resultado, as mudanças foram feitas, e a Campanha 19 foi, por assim dizer, iniciada”.

REPRESENTAÇÃO ARTÍSTICA DO TELESCÓPIO KEPLER (FOTO: NASA AMES/ W STENZEL/WIKIMEDIA COMMONS)

Telescópio Kepler não está mais operando, anuncia NASA

A nave funcionou mais ou menos com pouquíssimo combustível nos últimos meses. De acordo com o Space.com, a equipe da missão confirmou que suas reservas foram gastas duas semanas atrás.

“Como primeira missão de caça de planetas da NASA, o Kepler excedeu todas as nossas expectativas e abriu caminho para nossa exploração e busca de vida no Sistema Solar e além”, disse Thomas Zurbuchen, administrador associado da Diretoria de Missão Científica da NASA em Washington D.C., em comunicado da NASA. “Não só ele nos mostrou quantos planetas poderiam estar por aí como também desencadeou um campo de pesquisa totalmente novo e robusto que tomou a comunidade científica. Suas descobertas lançaram uma nova luz sobre o nosso lugar no universo e iluminaram os mistérios e as possibilidades tentadoras entre as estrelas.”

“Agora, por causa do Kepler, o que pensamos sobre o universo mudou”, disse o diretor da divisão de astrofísica da NASA, Paul Hertz, em entrevista ao Verge. “O Kepler abriu o portão para a exploração do cosmos.”

O sucessor do telescópio, o muito mais potente Transiting Exoplanet Survey Satellite (TESS), foi lançado em abril deste ano a bordo de um foguete Falcon 9, da SpaceX, e foi projetado para descobrir mais de 20 mil novos exoplanetas. Em algum momento, o TESS ganhará a companhia do telescópio espacial James Webb, que, apesar de estar uma bagunça agora, deve ser lançado em 2021.

Adeus, Kepler. E, embora você possa estar se encaminhando para uma escuridão a milhões de quilômetros de seu mundo natal, você mostrou que o cosmos pode não ser tão solitário, e suas contribuições não serão esquecidas. E vai saber… Talvez, um dia, alguém vá te buscar.

https://gizmodo.uol.com.br/adeus-telescopio-kepler/

De quantas estações espaciais este planeta precisa?

Em uma extremidade da fábrica da Bigelow Aerospace fica uma maquete de uma casa gigantesca para futuros astronautas. Com um design único – que poderia ser embalada em um foguete e, em seguida, desembrulhada no espaço – ela comporta confortavelmente doze pessoas; ou pode servir como um bloco de construção para uma base lunar.

A estação espacial de Mir

De quantas estações espaciais este planeta precisa?

“Vai ser uma espaçonave monstruosa para o padrão atual”, disse em uma coletiva de imprensa em fevereiro Robert T. Bigelow, o fundador da empresa.

Ela é Olympus, batizada em homenagem à morada mitológica dos deuses gregos e uma demonstração das ambições de Bigelow para a construção de assentamentos no espaço.

Em um nível abaixo do chão da fábrica está uma estrutura longa e fina de metal. Ela é um protótipo da espinha de um módulo B330 mais modesto, que a empresa realmente planeja construir. Em uma escala menor, se comparada à Olympus, ainda seria muito menos apertada do que as latas de metal que compõem a Estação Espacial Internacional.

Bigelow diz que está empenhado em ter duas B330s prontas para lançamento em 2021, uma etapa que pode ser um prenúncio da mudança de meio século de exploração espacial humana pelo monopólio de agências governamentais, como a NASA, para um modelo capitalista, “livre para todos”. A administração de Trump quer acelerar essa transição e chegar ao fim do financiamento federal direto de estações espaciais depois de 2024.

De quantas estações espaciais este planeta precisa?

Um modelo da estação espacial Olympus em Bigelow Aerospace, em Las Vegas…

“Nós também queremos inúmeros fornecedores que possam competir em custo e inovação. Gostaríamos de ver a NASA se tornar uma das agências do ramo dentre tantas outras”, disse na semana passada Jim Bridenstine, o administrador da NASA.

Se as estações comerciais tiverem operações mais baratas, a NASA terá mais dinheiro para se dedicar a outros objetivos, como enviar astronautas para a Lua e para Marte, disse Bridenstine.

Mas apostar centenas de milhões de dólares em negócios que ainda não existem poderia ser uma maneira rápida de perder uma fortuna. E a viagem espacial continua sendo uma ocupação perigosa, que pode matar seus viajantes.

Bigelow, que fez sua fortuna ao fundar a Budget Suites of America, admitiu no início deste ano que não tem certeza se será capaz de encontrar clientes para sua B330s.

Se não houver mercado, “então faremos uma pausa. Se o negócio simplesmente não existisse, os funcionários estariam sentados no chão à espera do desemprego”, disse.

Home Office em órbita

Hoje, a Estação Espacial Internacional é o único lugar onde as pessoas – não mais de seis por vez – vivem longe da terra. É uma proeza tecnológica e a coisa mais cara que a humanidade já construiu. As 15 nações envolvidas, lideradas pelos Estados Unidos e pela Rússia, gastaram bem mais de US$ 100 bilhões ao longo de mais de duas décadas. Os Estados Unidos gastam entre US$ 3 bilhões e US$ 4 bilhões a cada ano.

Continuamente ocupada por quase 18 anos, a estação serve como teste para estudar os efeitos em longo prazo da radiação e da falta de gravidade sobre os astronautas. A NASA se especializou na manutenção da estação, em grande parte eliminando avarias como banheiros entupidos, sistemas de resfriamento travados e falhas computacionais.

Talvez o fato mais notável é que a vida na Estação Espacial Internacional tornou-se normal: é um home office, mesmo estando a mais de 320 quilômetros acima da Terra e viajando a 27 mil km/h, onde os astronautas trabalham, comem, dormem, se exercitam, fazem experiências, executam tarefas.

Apenas ocasionalmente a tripulação realiza atividades, como uma caminhada espacial, que realmente parece algo que não é deste mundo.

A possibilidade de aposentar a Estação Espacial Internacional, parte do pedido de orçamento da administração, assustou a muitos. Falta alguns anos para empresas como a Bigelow lançarem estações espaciais, e estes projetos caros e paradigmáticos normalmente escorregam no cronograma.

Os críticos se preocupam que a Estação Espacial Internacional possa ser descartada antes que suas sucessoras estejam prontas. Um espaço de tempo sem estações espaciais perturbaria os estudos da NASA, bem como empreendimentos comerciais emergentes. As novas companhias de estações espaciais poderiam parar se os clientes que são esperados demorarem a aparecer.

Algumas empresas já estão pagando para realizar experimentos modestos na estação espacial, mas são fortemente subsidiadas pelo governo. A NASA, por exemplo, atualmente arrecada o custo de envio e retorno de experimentos espaciais.

NASA/NYT

O astronauta Valeri Polyakov a bordo da estação espacial de Mir.

O astronauta Valeri Polyakov a bordo da estação espacial de Mir.

O astronauta Valeri Polyakov a bordo da estação espacial de Mir

O fracasso de um foguete russo Soyuz este mês, que levava dois astronautas para a estação espacial, ilustra como os empreendimentos espaciais podem ser minados por eventos fora de seu controle, tornando os investimentos de longo prazo de tais empresas arriscados.

Os astronautas foram levados para um lugar seguro, mas agora a estação espacial está com falta de pessoal e muitos experimentos talvez precisem ser negligenciados. Se os russos não resolverem rapidamente o problema, a estação pode ficar sem astronautas a partir de janeiro.

O lixo espacial de hoje é o habitat do espaço de amanhã

Há quase duas décadas, existiu uma estação espacial comercial por um breve período de tempo. Era russa e um americano chamado Jeffrey Manber a operava. Talvez pudesse ter sido bem-sucedida, mas a NASA a matou.

“Se você queria trabalhar com os capitalistas no espaço na década de 1990, você trabalhava com os russos. Se você queria trabalhar com os socialistas, você trabalhava para a NASA”, disse Manber.

Após o fim da União Soviética, o programa espacial russo foi pego pela necessidade de dinheiro, o que deu disposição para considerar ideias que poderiam ter soado como malucas para um país que deixava de ser comunista. A Mir, a estação espacial russa, foi vista como tosca e datada, prestes a ser substituída pela melhor e maior Estação Espacial Internacional.

Mas Manber e outros empresários nos Estados Unidos viram a Mir, condenada à destruição, mais como uma casa em ruínas à venda. A Energia, fabricante da Mir, concordou em fazer parceria com os americanos para criar a MirCorp, uma empresa comercial que arrendou a estação do governo russo.

O passo inicial da Energia foi a utilização da estação de pesquisa especialmente para produtos farmacêuticos. Manber sabia que a possibilidade era uma das melhores em anos.

“Rapidamente, fui para o lado do mercado que existia, que era entretenimento e mídia, e podíamos fazer isso, porque estávamos no controle”.

A MirCorp conseguiu o primeiro turista espacial, Dennis Tito, que iria para a Mir. Ele vendeu a ideia de um reality show para a NBC. Mark Burnett, o produtor que criou “Survivor”, “O Aprendiz” e “Shark Tank”, foi escolhido para realizá-lo. (Tito foi de fato o primeiro turista espacial, em 2001, mas acabou indo para a Estação Espacial Internacional.)

Mas os russos se renderam à insistência da NASA em encerrar Mir, que foi retirada de órbita e caiu no Pacífico em 2001.

Hoje, Manber esculpiu um nicho de sucesso no ecossistema da estação espacial como chefe executivo da NanoRacks, uma pequena startup com sede em Houston. A NanoRacks simplificou o processo de envio de experimentos para a estação espacial e também lança pequenos satélites conhecidos como CubeSats da estação.

Alex Wroblewski/NYT

De quantas estações espaciais este planeta precisa?

De quantas estações espaciais este planeta precisa?

Jeffrey Manber, chefe da NanoRacks em Washington

Há dois anos, Manber pediu aos seus engenheiros que investigassem uma ideia peculiar que a NASA tinha descartado anteriormente: as partes dos foguetes deixados em órbita depois do lançamento poderiam ser convertidas em uma estação espacial de baixo custo?

Com os avanços na robótica, as perspectivas de fazer isso pareciam mais promissoras.

A Nanoracks, em colaboração com a United Launch Alliance, uma fusão entre a Boeing e a Lockheed Martin, ganhou um contrato da NASA para explorar a ideia, concentrando-se na segunda etapa do foguete Atlas 5 da ULA.

A ideia é adicionar um pequeno módulo robótico entre o segundo estágio, conhecido como Centaur, e o satélite.

Tipicamente, quando o Centaur lança o satélite para a órbita desejada, ele é queimado na atmosfera. Com o plano da NanoRacks, uma vez que o Centaur realize sua missão principal, a peça robótica corta buracos, sela compartimentos e converte os tanques de combustível em alojamentos vivos.

Eles chamaram o conceito de um foguete estágio-habitat Ixion, em homenagem ao avô dos Centaurs.

Com um pouco mais de pesquisa da mitologia grega, perceberam que não era o melhor nome. Ixion era um personagem desagradável – assassinou seu sogro e mais tarde tentou seduzir a esposa de Zeus.

Agora, o conceito é chamado de NanoRacks Space Outpost Program e a empresa espera anexar um dos postos para a Estação Espacial Internacional.

A NanoRacks enxerga o turismo espacial de novo como um mercado precoce. Manber acha que a NASA e os entusiastas do espaço costumam ter uma visão muito estreita do que as empresas podem desenvolver.

“Eu gostaria de organizar os primeiros casamentos no espaço. Acho que as estações espaciais são extraordinariamente interessantes e não acho que tenham sido exploradas”, disse ele.

Para Manber, a chave é a flexibilidade.

“O mercado vai nos dizer qual o mercado. Então vamos com ele. Estamos surfando”, finalizou.

Inúmeras razões para privatizar

O terceiro grande participante na corrida da estação espacial privada é a Axiom Space, também sediada em Houston. É liderada por Michael T. Suffredini, que coordenou a parte que cabia à NASA da Estação Espacial Internacional até sua aposentadoria, em 2015.

Suffredini disse que uma estação Axiom com tecnologias modernas custaria cerca de US$ 50 milhões por ano para ser operada, uma pequena fração dos custos da Estação Espacial Internacional.

“Há inúmeras razões para fazermos isso. Tivemos muito trabalho para validar esse número, que é chocante para nós, também”, disse Suffredini.

Custos mais baixos abrem a possibilidade de lucro. “Acho que é um mercado de mais de US$ 1 bilhão”, disse ele.

Suffredini não descreveu em detalhes todos os mercados possíveis que prevê, mas o negócio incluiria o envio dos ricos em viagens turísticas – Philippe Starck, o designer francês, está projetando o interior do módulo Axiom – e a oferta de espaço para fábricas para quem quiser produzir materiais que podem ser feitos somente no espaço.

“Estou absolutamente certo de que podemos realizar nosso plano de negócios”, disse Suffredini.

Ele acha que tem uma vantagem significativa sobre as outras empresas: realmente operou uma estação espacial e manteve as pessoas vivas no espaço.

Enquanto Axiom, Bigelow e NanoRacks visam um dia substituir a Estação Espacial Internacional, em um curto prazo, as três empresas esperam se tornar uma parte maior da estação atual.

Bigelow atualmente tem um modesto puxadinho encaixado na estação espacial que serve como um armário e demonstra que a tecnologia funciona. A NASA está se preparando para lançar uma competição no início do próximo ano para um módulo comercial maior no porto de encaixe. Bigelow irá sugerir a adição de um B330. A NanoRacks quer um de seus Centaurs convertidos.

Joe Buglewicz/NYT

Um modelo da estação espacial B330 em Bigelow Aerospace, em Las Vegas

E ainda, a NanoRacks está convencendo a NASA a adicionar uma central que acomodaria três módulos comerciais, permitindo que diferentes empresas ofereçam diferentes capacidades para diferentes clientes – hotéis espaciais, fábricas autônomas de fibra ótica, laboratórios para investigação farmacêutica. Com o tempo, poderiam se expandir para várias estações em órbitas diferentes.

“Você não pode bancar e apostar em apenas uma empresa e uma peça de hardware”, disse ele.

Mas nem todos estão convencidos de que as contas fecham.

Paul K. Martin, inspetor geral da NASA, este ano emitiu um relatório enfatizando estas preocupações.

“Especificamente, questionamos se existe uma gama suficiente de negócios na qual as empresas privadas poderão desenvolver um negócio autossustentável e lucrativo independentemente do financiamento federal nos próximos seis anos”, disse ele.

O Congresso também se mantém cético – e às vezes até hostil – à ideia de aposentar a estação espacial.

Os líderes das três empresas também apontam para um perigo de concorrência – da NASA e da China. Se a NASA continuar a subsidiar a pesquisa na estação, então as empresas comerciais podem não ser capazes de competir, mesmo se forem mais baratas.

“Como podemos ter certeza de que seja um campo competitivo?”, disse Manber.

A China planeja terminar sua própria estação espacial no início dos anos 2020, e autoridades garantiram que ficaria disponível aos pesquisadores ao redor do mundo. A Rússia também falou em reter sua metade da Estação Espacial Internacional se os americanos se retirarem.

Especialistas em política espacial, mesmo aqueles que esperam de forma entusiástica que a NASA tenha uma abordagem mais comercial, hesitam em prever quando será possível mandar pessoas para o espaço de forma economicamente viável para uma empresa privada.

“Há algo faltando para que os negócios comerciais funcionem”, disse Charles Miller, ex-funcionário da NASA que agora é presidente da NexGen Space.

Em 2025, Miller espera que haja três estações espaciais em órbita: a Estação Espacial Internacional, a estação chinesa e o início de uma de caráter comercial.

“Ainda teremos debates violentos sobre o futuro da Estação Espacial Internacional”, disse ele.

Já tentou desligar e ligar de novo? NASA conserta giroscópio do telescópio Hubble de maneira simples

Se você já trabalhou com TI, sabe que a maior parte dos problemas tem soluções estupidamente simples. Um, verifique se o aparelho está ligado na tomada.

Já tentou desligar e ligar de novo? NASA conserta giroscópio do telescópio Hubble de maneira simples

Dois, desligue e ligue novamente o dispositivo. Três, faça outras coisas. Parece que esse tipo de pensamento serve também para o telescópio Espacial Hubble, que entrou em modo de segurança há duas semanas depois de uma falha do giroscópio.

Diz o comunicado à imprensa da NASA:

Na tentativa de corrigir as velocidades erroneamente altas produzidas pelo giroscópio reserva, a equipe de operações do Hubble executou uma reinicialização do giroscópio em 16 de outubro. Esse procedimento desligou a peça por um segundo e depois a reiniciou antes que a roda girasse. A intenção era eliminar quaisquer falhas que possam ter ocorrido durante a inicialização em 6 de outubro, após o giroscópio estar desativado por mais de 7 anos e meio.

Em 18 de outubro, a equipe de operações do Hubble comandou uma série de manobras, ou curvas, de espaçonave em direções opostas para tentar limpar qualquer bloqueio que pudesse ter causado o desalinhamento do flutuador e produzido velocidades extremamente altas. Durante cada manobra, o giroscópio foi mudado do modo alto para o modo baixo de forma a desalojar qualquer bloqueio que possa ter se acumulado ao redor do flutuador.

Grande parte da minha experiência profissional fora do jornalismo envolveu resolver problemas de software e instalar impressoras. Apesar de a explicação da NASA parecer técnica, esta série de manobras parece como o que eu falaria para alguém que estivesse tentando fazer uma impressora funcionar. Primeiro, reinicia. Depois, tente de novo e tire qualquer coisa que venha a atolar. E, voilà, tudo pronto e funcionando.

O Hubble, uma ferramenta crucial usada por astrônomos em todo o mundo, entrou no modo de segurança no início deste mês. O telescópio conta com três giroscópios sensíveis a movimento para se manter estável. Um dos mais velhos falhou depois de superar em seis meses sua duração prevista. Mas, quando a equipe tentou ligar um reserva, ele não funcionou direito.

Apesar de o telescópio ter planos reservas para funcionar com menos giroscópios, eles podem limitar para onde ele consegue apontar e quanto tempo demora para mudar de alvos.

“O Hubble passar a usar apenas um giroscópio iria dificultar nossos esforços para caracterizar as atmosferas de planetas extra-solares nos próximos anos, até o lançamento do Telescópio James Webb”, diz a cientista Jessie Christiansen, do Instituto de Ciências Exoplanetárias da NASA, ao Gizmodo. “Então, é um alívio e tanto!”

Os giroscópios do telescópio são rodas motorizadas dentro de um cilindro cheio de fluídos, que sente as mudanças no movimento do Hubble. A roda estava rodando rápido de mais, talvez porque o cilindro estava desalinhado. A equipe desligou e ligou o giroscópio, mexeu o Hubble para lá e para cá, e ficou alternando entre os dois modos da peça. Agora, ela parece estar funcionando corretamente.

Eu tenho certeza que os cientistas que trabalham com o Hubble vão me dar uma bronca e me dizer que a manobra é um pouco mais complicada do que o que eu estou falando, mas é engraçado pensar que você consegue consertar um telescópio de mais de um bilhão de dólares da mesma maneira que literalmente qualquer outro produto tecnológico. Outros também disseram a mesma coisa.

Mais testes precisam ser feitos antes de o telescópio voltar a ficar online, mas, ainda bem, a expectativa é de que ele retorne a funcionar normalmente.

Há muito para falar sobre o envelhecimento da infraestrutura espacial dos EUA. Pelo menos, ainda temos o Hubble. Por enquanto.

https://gizmodo.uol.com.br/nasa-giroscopio-hubble-desligar-ligar/

 

 

 

 

 

 

Marte pode ter oxigênio suficiente para abrigar vida, afirma estudo

A água salina no subsolo de Marte pode ter oxigênio suficiente para abrigar vida, relata um novo estudo realizado por um grupo de pesquisadores do Instituto de Tecnologia da Califórnia.

A nova descoberta foi possibilitada por óxidos de manganês encontrados pela sonda Curiosity, da Nasa - NASA/AFP/Arquivos

A nova descoberta foi possibilitada por óxidos de manganês encontrados pela sonda Curiosity, da Nasa – NASA/AFP/Arquivos

O estudo foi publicado na revista Nature Geoscience nesta segunda-feira (22).

Os cientistas desenvolveram um modelo da suposta composição da água salina para calcular a quantidade de oxigênio presente no subsolo de Marte.

 

Em alguns locais, a quantidade de oxigênio disponível poderia até mesmo manter vivo um animal primitivo multicelular como uma esponja, escreveram na revista científica Nature Geosciences.

“Nós descobrimos que a salmoura” – água com altas concentrações de sal – “em Marte pode conter oxigênio suficiente para que micróbios possam respirar”, afirmou Vlada Stamenkovic, principal autor do estudo, físico teórico do Laboratório de Propulsão a Jato da Califórnia.

“Isto revoluciona completamente nossa compreensão do potencial da vida em Marte, hoje e no passado”, declarou à AFP.

Até agora, presumia-se que a quantidade de oxigênio em Marte fosse insuficiente para sustentar a vida microbiana.

“Nós nunca pensamos que o oxigênio poderia desempenhar um papel para a vida em Marte devido à sua escassez na atmosfera, de cerca de 0,14%”, afirmou Stamenkovic.

Comparativamente, a concentração deste gás no ar que respiramos é de 21%.

Na Terra, as formas de vida aeróbicas – ou seja, que respiram oxigênio – evoluíram juntamente com a fotossíntese, que converte CO2 (gás carbônico) em O2 (oxigênio), gás que teve um papel crítico na emergência de formas de vida complexas, sobretudo após o denominado Grande Evento de Oxigenação, há cerca de 2,35 bilhões de anos.

Mas nosso planeta também abriga micróbios no fundo dos oceanos, em gêiseres, que sobrevivem em ambientes privados de oxigênio.

O novo estudo começou com a descoberta pela sonda Mars Curiosity, da Nasa, de óxidos de manganês, que são compostos químicos que só podem ser produzidos com grandes quantidades de oxigênio.

A Curiosity, juntamente com os orbitadores de Marte, também estabeleceram a presença de depósitos de salmoura, com variações nos elementos que continham.

“É por isso que sempre que pensamos na vida em Marte, nós estudamos o potencial de vida anaeróbica”, afirmou Stamenkovic.

– Vida em Marte? –

 

Um conteúdo de alta salinidade permite que a água se mantenha líquida – uma condição necessária para a dissolução do oxigênio – em temperaturas muito baixas, transformando a salmoura em ambientes favoráveis para a vida microbiana.

Dependendo da região, da estação e do momento do dia, as temperaturas no Planeta Vermelho podem variar entre -195ºC e +20ºC.

 

Um conteúdo de alta salinidade permite que a água se mantenha líquida – uma condição necessária para a dissolução do oxigênio – em temperaturas muito baixas, transformando a salmoura em ambientes favoráveis para a vida microbiana.

Dependendo da região, da estação e do momento do dia, as temperaturas no Planeta Vermelho podem variar entre -195ºC e +20ºC.

Juntos, os cálculos demostraram quais regiões do Planeta Vermelho são mais propensas a produzir oxigênio baseado em salmoura, dado que pode ajudar a determinar o posicionamento de sondas futuras.

“As concentrações de oxigênio (em Marte) são em ordens de grandeza” – algumas centenas de vezes – “maiores do que o necessário para micróbios aeróbicos ou que respiram oxigênio”, concluiu o estudo.

“Nossos resultados não sugerem que haja vida em Marte”, alertou Stamenkovic. “Mas eles mostram como a habitabilidade marciana é afetada pelo potencial de oxigênio dissolvido”.

Os pesquisadores desenvolveram um primeiro modelo para descrever como o oxigênio se dissolve na água salgada em temperaturas abaixo do congelamento.

Um segundo modelo estimou as mudanças climáticas em Marte nos últimos 20 milhões de anos e projetou como seriam nos próximos 10 milhões de anos.

 

 

 

 

Segundo a pesquisa, a composição da água poderia sustentar a vida de micróbios aeróbicos, enquanto em algumas regiões do Planeta Vermelho a concentração de oxigênio pode ser tão alta que permita até mesmo a sobrevivência de animais simples como esponjas.

“Ninguém pensou que essas concentrações de oxigênio dissolvido, necessárias para a respiração aeróbica, pudessem teoricamente existir em Marte”, disse a cientista do Laboratório de Propulsão a Jato da NASA e autora principal da pesquisa, Vlada Stamenkovic.

Os resultados mostram a possibilidade de que “a vida aeróbica possa existir em Marte e em outros corpos planetários com fontes de O2, independente da fotossíntese”, ressalta o estudo.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O que é a ‘pasta nuclear’, material mais duro já descoberto no Universo

Material de estrutura única e considerado o mais forte até agora faz parte da composição das chamadas estrelas de neutrôns

Existe um material 10 bilhões de vezes mais resistente que o aço.

É o que aponta um estudo que calculou a dureza do material encontrado no interior da crosta das estrelas de nêutrons.

Material de estrutura única e considerado o mais forte até agora faz parte da composição das chamadas estrelas de neutrôns.

O que é a ‘pasta nuclear’, material mais duro já descoberto no Universo

Essas estrelas são aquelas que surgem quando as estrelas “convencionais” chegam a certa idade e então estouram e colapsam em uma massa de nêutrons.

O que os cientistas descobriram é que o material debaixo da superfície delas – batizado como pasta nuclear – é o mais forte do Universo.

‘Lasanha e espaguete’

O pesquisador Matthew Caplan, da Universidade McGill, no Canadá, e colegas da Universidade de Indiana e do Instituto de Tecnologia da Califórnia, nos Estados Unidos, realizaram juntos as mais importantes simulações de computador já feitas sobre as crostas de estrelas de nêutrons.

Ilustração da pasta nuclear com estrutura em formato semelhante ao do espaguete, waffle e lasanha

Ilustração da pasta nuclear com estrutura em formato semelhante ao do espaguete, waffle e lasanha

Material de estrutura única e considerado o mais forte até agora faz parte da composição das chamadas estrelas de neutrôns.

As estrelas de nêutrons nascem como resultado de uma implosão que comprime um objeto do tamanho do Sol para aproximadamente o tamanho da cidade de Montreal, tornado-o “10 bilhões de vezes mais denso do que qualquer coisa na Terra”, explica Caplan em um comunicado da Universidade McGill.

Esta alta densidade faz com que o material que forma uma estrela como essas – a pasta nuclear – tenha uma estrutura única.

Sob a crosta das estrelas, prótons e nêutrons se unem em formas semelhantes a tipos de massa, como lasanha ou espaguete. Daí o nome “pasta nuclear”.

As enormes densidades e formas estranhas tornam essa massa incrivelmente rígida.

E ela poderia ser útil para os seres humanos?

“A pasta nuclear só existe graças à enorme pressão proporcionada pela gravidade da estrela de nêutrons. Se você retirar essa pasta da estrela, ela se decompõe e explode como uma bomba nuclear. É por isso que os seres humanos provavelmente não podem construir nada a partir dela no curto prazo”, diz Caplan à BBC News Mundo, serviço em espanhol da BBC.

E qual é a cor ou textura deste material?

“Se você pudesse segurar um punhado de pasta nuclear em sua mão, não conseguiria ver as diferentes formas, pois elas são muito menores que um átomo. O material estaria tão quente que brilharia em tom de vermelho vivo como a superfície do Sol. Além disso, explodiria”, acrescenta o especialista.

Descoberta importante

Para descobrir a pasta nuclear, foram necessários dois milhões de horas de processamento em simulações de computador ou o equivalente a 250 anos em um laptop com uma única unidade de processamento gráfico (GPU, da sigla em inglês) – usada principalmente para gerenciar e melhorar o desempenho de vídeos e gráficos.

Com estas simulações, os cientistas conseguiram esticar e deformar o material encontrado nas profundezas da crosta das estrelas de nêutrons.

Caplan afirma que esses resultados “são valiosos para os astrônomos que estudam as estrelas de nêutrons”.

“Sua camada externa é a parte que geralmente observamos, por isso é fundamental conhecer o interior, para interpretar as observações astronômicas dessas estrelas.”

As descobertas também poderiam ajudar os astrofísicos a entenderem melhor as ondas gravitacionais, porque os novos resultados sugerem que estrelas de nêutrons solitárias poderiam gerar pequenas ondas gravitacionais.