Category Archives: Astronomia

Por que cientistas dizem que a astrologia não funciona?

Virginiano é metódico. Quem nasceu sob aquário é visionário – traços de personalidade como esses, segundo a astrologia, são resultado da influência das constelações que estavam no céu no momento em que nascemos. O embasamento científico disso? Nenhum.

Por que cientistas dizem que a astrologia não funciona?

Por que cientistas dizem que a astrologia não funciona?

Estudos conduzidos por vários ramos da ciência, da astronomia à estatística, concluíram que não há relação de causa e efeito comprovada, até o momento, entre os movimentos dos astros e o comportamento humano. Além disso, as referências zodiacais utilizadas estão desatualizadas, alerta a astronomia.

Segundo os astrônomos, que estudam a movimentação de planetas, estrelas e outros corpos no universo, os signos do horóscopo não correspondem mais à posição atual das constelações.

Isso porque, com o passar do tempo, a direção do eixo da Terra se altera, o que faz com que o movimento aparente do Sol pelas constelações do Zodíaco também mude. Assim, se você nasceu entre 21 de junho e 22 de julho, a astrologia diz que seu signo é Câncer. Mas, segundo os mapas atuais, na data do seu aniversário, na verdade o Sol está passando pela constelação de Gêmeos.

“Uma das premissas da ciência é que as ideias mudam quando asseguradas pela evidência. A astrologia não mudou suas ideias em resposta a evidências contraditórias

Boletim ‘Astrology, is it scientific?’, da Universidade de Berkley, nos Estados Unidos

A astrologia se defende dizendo que o uso do céu é simbólico, e a falta de correspondência não é um problema.

Momento da criação de novas estrelas a partir de uma nuvem de gás

Momento da criação de novas estrelas a partir de uma nuvem de gás.

Momento da criação de novas estrelas a partir de uma nuvem de gás.

Causa e consequência

Levantamentos estatísticos tentaram identificar correlações entre características pessoais e data de nascimento em grandes amostras populacionais. E não conseguiram.

Em 2007, o sociólogo britânico David Voas publicou um estudo avaliando dez milhões de casais – vinte milhões de pessoas – entrevistados pelo Censo da Inglaterra e País de Gales, em 2001. Ele analisava a hipótese de que alguns signos solares são mais compatíveis para relacionamentos amorosos. O resultado contrariou as previsões astrológicas: os casais não se formaram de acordo com compatibilidade do horóscopo.

Na década de 1980, o físico norte-americano Shawn Carlson também havia tentado comprovar, com método científico, o funcionamento da astrologia.

Em um estudo publicado que veio a ser publicado na revista Nature, sua equipe pediu que 28 astrólogos, recrutados de Estados Unidos e Europa, identificassem, entre três questionários de personalidade, qual deles correspondia, por exemplo, ao de uma pessoa de sagitário. E o teste foi repetido para 116 pessoas.

A taxa de acerto foi de 34% – ou seja, um em três possibilidades. Com isso, o estudo concluiu que a astrologia tem a mesma chance de acerto do acaso.

No divã

A psicologia cognitiva tem uma teoria que explica por que tanta gente vê sentido nas previsões astrológicas.

“É um fenômeno chamado de viés de confirmação. É a nossa tendência em afirmar aquilo que já sabemos ou acreditamos. Ele atua sobre diferentes mecanismos cognitivos da mente humana, influenciando aquilo que nos chama atenção, bem como as reconstruções que nossa memória faz de eventos ou situações pelas quais passamos”, diz o psicólogo e professor da Universidade de Brasília (UnB), Ronaldo PIlati, autor do livro Ciência Pseudociência.

“A crença na astrologia é um bom exemplo. Em geral, as descrições astrológicas são genéricas e feitas de uma forma a não maltratar uma visão positiva que nutrimos por nós mesmos. Essa combinação é um prato cheio para a atuação do viés de confirmação”, diz.

Para minimizar os efeitos do viés da confirmação, sugere Pllati, é preciso “refletir sobre o que julgamos saber e concentrar nossa atenção naquilo que as explicações falham em acertar, ou seja, buscar informações que possam tornar falsa a explicação”.

*Carlos Orsi é autor de O Livro da Astrologia – Um olhar cético sobre a arte milenar

Lixo espacial equivale à estrutura de metal da Torre Eiffel, diz Agência Espacial Europeia

A Agência Espacial Europeia (ESA, na sigla em inglês) contabilizou no fim do ano passado 19.894 objetos de lixo espacial, que circulavam ao redor da Terra, cuja massa conjunta é de, pelo menos, 8.135 toneladas, “mais que toda a estrutura de metal da Torre Eiffel”.

Lixo espacial equivale à estrutura de metal da Torre Eiffel, diz Agência Espacial Europeia

A ESA publicou nesta sexta-feira um novo relatório sobre lixo espacial, que inclui fatos, números e gráficos que mostram uma imagem detalhada de como evoluiu a quantidade de lixo que orbita o nosso planeta.

“O lixo espacial inclui todos os objetos criados pelo ser humano que não funcionam e estão em órbita sobre a Terra. Alguns deles entram regularmente na atmosfera”, disse a ESA.

A era espacial começou em 4 de outubro de 1957 com o lançamento do Sputnik 1 pela União Soviética, o primeiro satélite artificial da história. Desde então, o lixo espacial em órbita foi crescendo de forma contínua.

Primeiro, eram só partes superiores de foguetes e satélites obsoletos em órbita, mas depois, foram acrescidos pequenos objetos que geraram explosões e colisões.

O relatório anual revisa como o entorno espacial evoluiu no último ano e também como mudou desde o envio dos primeiros satélites.

Há muito tempo, a ESA adverte que o lixo espacial aumenta de forma preocupante e representa um grave perigo para os satélites operacionais.

Além disso, os objetos maiores poderiam voltar a entrar na atmosfera e cair na superfície terrestre, em áreas que poderiam estar povoadas.

O relatório assegura que o número de objetos, sua massa total e a área que ocupam aumentou ao longo do tempo até 2017.

Por isso, 60 anos depois do início da era espacial, as agências espaciais começaram a implementar opções de para o fim da vida útil dos instrumentos lançados ao espaço.

Por exemplo, a iniciativa da ESA “Espaço Limpo” procura formas para limpar o espaço e evitar a criação de mais lixo espacial.

Agora, com a tecnologia CubeSat de design de satélites pequenos e de baixo custo, o espaço em torno do planeta está ficando cada vez mais cheio e esses objetos podem danificar outras missões, por isso a ESA diz que é necessário limpar o espaço para assegurar um futuro sustentável.

No início dos anos 1960, as pesquisas realizadas nos EUA já alertavam para o problema, mas demorou bastante tempo até que a preocupação chegasse à comunidade internacional.

Em uma conferência no centro de controle de operações na cidade de Darmstadt, na Alemanha, a ESA alertou no ano passado que grandes companhias como Google e Oneweb querem lançar uma grande quantidade de satélites pequenos ao espaço, a órbitas baixas, que podem pôr em perigo as missões de satélites grandes e muito caros das agências espaciais.

A companhia Oneweb quer criar uma grande constelação de satélites para proporcionar um serviço de internet de banda larga a todo o mundo.

Para isso, será necessário colocar em órbita baixa cerca de 700 satélites nos próximos anos.

Esses satélites seriam lançados a partir de dezembro 2018 através de um foguete russo Soyuz ST, mas o primeiro lançamento foi adiado ontem para março de 2019, segundo a agência de notícias russa “Sputnik”.

Astrônomos captam imagem detalhada do aglomerado estelar a 5.500 anos luz da Terra

Foto mostra o aglomerado de estrelas RCW 38 e suas nuvens de gás brilhantes

Astrônomos captam imagem detalhada do aglomerado estelar a 5.500 anos luz da Terra

Uma equipe de astrônomos conseguiu captar uma imagem detalhada e colorida do aglomerado de estrelas RCW 38, situado na constelação de Vela, a 5.500 anos luz de distância da Terra, com ajuda do sistema de ondas infravermelhas HAWK-I, informou o Observatório Europeu do Sul (ESO, na sigla em inglês).

O dispositivo de ondas infravermelhas, instalado no telescópio de longo alcance (VLT, na sigla em inglês) situado em Paranal, no Chile, permitiu uma imagem nítida que mostra o aglomerado estelar jovem cercado de nuvens de gás, intensamente brilhante e detalhado, junto com traços de poeira escura em formato de videira em torno do núcleo.

A imagem revela uma região central tingida de azul e habitada por várias estrelas jovens, quentes e massivas, assim como estrelas que ainda estão em formação.

A radiação que as estrelas emitem faz com que o gás circundante brilhe de forma intensa, em contraste com as correntes de pó cósmico, mais frio, que atravessam a região e brilham em tons escuros de vermelho e laranja.

Apesar de existirem imagens anteriores dessa região, estas foram obtidas mediante longitudes de onda da categoria visível, o que proporciona imagens com menos corpos estelares, pois a poeira e o gás bloqueiam a visão do aglomerado.

O HAWK-I, pelo contrário, permite olhar através das camadas de poeira por intermédio de observações com infravermelho, o mesmo sistema utilizado para obter imagens de galáxias próximas, grandes nebulosas, estrelas individuais e exoplanetas.

Para conseguir uma imagem nítida, teve papel importante o módulo de óptica adaptativa GRAAL, que projeta quatro raios laser no céu noturno que atuam como estrelas artificiais de referência para corrigir os efeitos da turbulência atmosférica.

A imagem foi captada como parte de um conjunto de observações de teste, conhecido como verificação científica, de ambos os dispositivos, instalados no telescópio de longo alcance.

O Observatório Europeu do Sul é uma organização intergovernamental de ciência e tecnologia e opera a partir de três lugares que se destacam por sua qualidade para a observação no Deserto do Atacama chileno: La Silla, Paranal e Chajnantor.

O VLT é um conjunto de quatro “telescópios unitários”, cada um com um espelho primário de 8,2 metros de diâmetro, com os quais é possível obter imagens de corpos celestes apenas visíveis a uma magnitude de 30, o que equivale a ver objetos cuja luminosidade é 4 bilhões de vezes mais fraca que daqueles que podem ser vistos a olho nu.

Astrônomos captam a primeira imagem de um planeta recém-nascido

– Astrônomos alemães capturaram o exato momento em que um planeta nasce em torno da jovem estrela anã PDS 70. O planeta está visível como um ponto brilhante à direita do centro da imagem.

Astrônomos captam a primeira imagem de um planeta recém-nascido

Uma equipe de astrônomos, liderada por um grupo do Instituto Max Planck de Astronomia de Heidelberg, na Alemanha, captou a primeira imagem de um planeta jovem, chamado PDS 70b, formado ao redor do círculo de gás e pó de uma estrela.

A descoberta, publicada na revista “Astronomy & Astrophysics” e realizada com o telescópio de comprimento alcance (VLT) do Observatório Austral Europeu (ESO), conseguiu modelar o planeta através da matéria que circunda a estrela, e a partir da qual estes astros costumam se formar.

A detecção foi possível graças ao instrumento SPHERE instalado no VLT, que serve para estudar este tipo de corpos celestes com uma técnica de imagem de alto contraste.

Este método, junto com a ajuda de um cronógrafo – uma máscara que bloqueia a luz cegante da estrela central e permite detectar objetos planetários ao redor – facilitou a captação e medição do brilho do planeta, o que por sua vez permitiu conhecer melhor suas propriedades atmosféricas.

A imagem resultante reflete um ponto brilhante à direita de um centro escuro – consequência do uso do cronógrafo, situado aproximadamente a 3 bilhões de quilômetros da estrela central, uma distância equivalente à que há entre Urano e o sol.

A análise mostra ainda que o PDS 70b é um planeta gigante formado por gás com uma massa algumas vezes maior que a de Júpiter e uma temperatura na superfície de cerca de 1000 graus centígrados, muito mais quente que a de qualquer planeta do Sistema Solar.

“Depois de mais de uma década de enorme esforço para construir esta máquina de alta tecnologia, agora o SPHERE nos permite colher os frutos com a descoberta de planetas recém-nascidos!”, lembrou Thomas Henning, diretor do Instituto Max Planck de Astronomia e chefe das equipes.

Para Miriam Keppler, líder da equipe após a descoberta, apesar de os círculos das estrelas jovens serem os lugares onde nascem os planetas, “até agora apenas algumas observações tinham detectado indícios de planetas recém-nascidos neles”.

“Precisávamos de observar um planeta no disco de uma estrela jovem para compreender realmente os processos de formação planetária”, comentou outro dos autores, André Müller.

A descoberta já permitiu aprofundar os estudos a partir das observações iniciais, ao ponto de obter um espectro do planeta, o que permitiu concluir que sua atmosfera era turva.

Com os resultados obtidos e a análise das propriedades atmosféricas e físicas do planeta, os astrônomos poderão avançar nas explicações teóricas sobre o fenômeno da formação planetária no espaço.

Novas observações astronômicas reforçam teoria da relatividade

Novas observações astronômicas apresentaram provas adicionais que reforçam uma das premissas da teoria geral da relatividade, que dita que todos os objetos em queda livre em um campo gravitacional se aceleram de forma idêntica, segundo um trabalho publicado nesta quarta-feira na revista Nature.

Novas observações astronômicas reforçam teoria da relatividade

A teoria, desenvolvida por Albert Einstein em 1915, diz que a aceleração deve ser a mesma com independência do próprio campo gravitacional dos corpos que caem, inclusive se forem objetos tão maciços como uma estrela de nêutrons.

O princípio que Einstein usou na sua teoria já tinha sido defendido antes por cientistas como Galileu Galilei, no século 16, e diversos experimentos o demonstraram em vários ambientes.

Em 1971, o astronauta americano David Scott protagonizou uma das experiências mais conhecidas, ao deixar cair sobre a superfície da lua um martelo e uma pluma, que chegaram ao solo ao mesmo tempo.

Para pôr a toda prova esse prognóstico em um ambiente mais extremo, um grupo do Instituto Holandês de Radioastronomia (ASTRON) liderado por Anne Archibald estudou o movimento de um sistema estelar triplo, formado por uma estrela de nêutrons orbitada por uma anã branca, que por sua vez mantêm outra anã branca orbitando a uma distância maior.

Os físicos analisaram como a atração da estrela mais distante afeta o sistema binário interior, que também conta com um potente campo gravitacional.

Teoria quântica vence Einstein mais uma vez em estudo holandês

Os autores do estudo publicado na Nature calcularam que a diferença entre as acelerações detectadas na anã branca e a estrela de nêutrons é da ordem de apenas 2,6 milionésimos, o que apoia o princípio de equivalência postulado pela relatividade geral.

As observações de Archibald aprimoram as obtidas até o momento em testes similares, que tinham chegado a uma resolução de milésimos.

“Se a estrela de nêutrons e a anã branca interna caíssem com diferentes acelerações para a anã branca do exterior, seria perceptível uma ligeira deformação na órbita do sistema interior”, afirma o físico Clifford Will, da Universidade da Flórida, em artigo na “Nature” que acompanha o estudo do grupo holandês.

“Archibald e seus colegas apresentam uma análise baseada em cerca de seis anos de coleta de dados na qual não há provas dessa deformação”, descreve Will.

Astrônomos identificam origem de partícula que pode ajudar a contar a história do Universo

Equipe internacional de cientistas detecta fonte de neutrinos de alta energia; emissão das partículas subatômicas elementares encontradas no Polo Sul vem de um corpo celeste localizado a 3,7 bilhões de anos-luz da Terra, na Constelação de Órion.

Equipe internacional de cientistas detecta fonte de neutrinos de alta energia; emissão das partículas subatômicas elementares encontradas no Polo Sul vem de um corpo celeste localizado a 3,7 bilhões de anos-luz da Terra, na Constelação de Órion.

Astrônomos identificam origem de partícula que pode ajudar a contar a história do Universo

A cada segundo, cerca de 65 bilhões de neutrinos atravessam seu corpo e tudo o que está em volta na Terra sem deixar quase nenhum vestígio. Os cientistas já conheciam duas fontes dessa “partícula fantasma”: o Sol e as supernovas, que são as grandes explosões de estrelas gigantes. Agora, também foram detectados na Terra neutrinos vindos de um blazar –objeto celestial que concentra grande quantidade de energia e que está associado a um buraco negro.

Dois estudos publicados na revista Science nesta quinta-feira (12) trazem detalhes da descoberta. Os pesquisadores que participaram dos estudos analisaram dados coletados pelo observatório de neutrinos IceCube, localizado na Antártida.

Em 2013, o IceCube detectou um tipo de neutrino de alta energia. Os cientistas iniciaram então uma busca pela fonte dessa partícula. Em setembro de 2017, nova detecção revelou que a direção por onde chegavam os neutrinos na Terra é consistente com a posição do blazar TXS 0506+056. Esse objeto astronômico poderosamente energético produz um jato direcionado para a Terra enquanto seu material cai no buraco negro a ele associado.

Motivados por esta descoberta, os cientistas fizeram um levantamento de registros de neutrinos detectados pelo IceCube durante quase dez anos antes das recentes observações, encontrando diversos eventos vindos da direção onde está o blazar TXS 0506+056.

Partículas extremamente leves

Os neutrinos são partículas subatômicas muito mais leves que os elétrons e que interagem de maneira muito frágil com a matéria comum. Contudo, são abundantes no Universo. Além de se originarem no Sol, os neutrinos podem ser produzidos em reatores nucleares, em explosões atômicas e no decaimento de elementos radioativos.

No IceCube existem detectores de neutrinos enterrados em profundidades entre 1,5 km e 2,5 km. O estudo dos neutrinos é importante para que se possa entender questões fundamentais da composição do Universo, como sua massa, por exemplo.

Uma nova era de pesquisas especiais se inaugura nesta quinta-feira (12). Isso porque uma equipe internacional de astrônomos descobriu a fonte de neutrinos de alta energia encontrados no Polo Sul – e esta partícula misteriosa abre uma oportunidade para contar a história e esclarecer enigmas do próprio Universo.

A descoberta está na edição desta quinta da revista “Science” e foi divulgada em coletiva de imprensa na sede da National Science Foundation, em Alexandria, Virginia (EUA).

“Neutrinos de alta energia realmente nos fornecem uma nova janela para observar o Universo”, comenta o físico Darren Grant, da Universidade de Alberta, em entrevista à BBC News Brasil.

Astrônomos identificam origem de partícula que pode ajudar a contar a história do Universo

Cientistas acham fonte de “partículas fantasmas” que atravessam a Terra

Grant é um dos mais de 300 pesquisadores de 49 instituições que integram o grupo IceCube Collaboration – responsável pela descoberta. “As propriedades dos neutrinos fazem deles um mensageiro astrofísico quase ideal. Como eles viajam de seu ponto de produção praticamente desimpedidos, quando são detectados, podemos analisar que eles transportaram informações de sua origem.”

Os neutrinos são partículas subatômicas elementares, ou seja, não há qualquer indício de que possam ser divididas em partes menores. São emitidos por explosões estelares e se deslocam praticamente à velocidade da luz.

Instalado no Polo Sul e em operação desde 2010, o IceCube é considerado o maior telescópio do mundo – mede um quilômetro cúbico. Levou dez anos para ser construído e fica sob o gelo antártico.

O IceCube consiste em um conjunto de mais de 5 mil detectores de luz, dispostos em uma grade e enterrados no gelo. É um macete científico. Quando os neutrinos interagem com o gelo, produzem partículas que geram uma luz azul – e, então, o aparelho consegue detectá-los. Ao mesmo tempo, o gelo tem a propriedade de funcionar como uma espécie de rede, isolando os neutrinos, facilitando sua observação.

Partícula é segredo do Universo
Desde a concepção do projeto, os cientistas tinham a intenção de monitorar tais partículas justamente para descobrir sua origem. A ideia é que isso dê pistas sobre a origem do próprio Universo. E é justamente isso que eles acabam de conseguir.

Os pesquisadores já sabem que a origem de neutrinos observados na Antártica são um blazar, ou seja, um corpo celeste altamente energético associado a um buraco negro no centro de uma galáxia. Este corpo celeste está localizado a 3,7 bilhões de anos-luz da Terra, na Constelação de Órion.

“Eis a descoberta-chave”, explica Grant. “Trata-se das primeiras observações multimídia de neutrinos de alta energia coincidentes com uma fonte astrofísica, no caso, um blazar. Esta é a primeira evidência de uma fonte de neutrinos de alta energia. E fornece também a primeira evidência convincente de uma fonte identificada de raios cósmicos.”

Cientistas acham fonte de "partículas fantasmas" que atravessam a Terra

Astrônomos identificam origem de partícula que pode ajudar a contar a história do Universo

Conforme afirma o físico, a novidade é a introdução, no campo da astronomia, de uma nova habilidade para “ver” o universo. “Este é o primeiro passo real para sermos capazes de utilizar os neutrinos como uma ferramenta para visualizar os processos astrofísicos mais extremos do universo”, completa Grant.

“À medida que esse campo de pesquisa continua se desenvolvendo, também deveremos aprender sobre os mecanismos que impulsionam essa partículas. E, um dia, começaremos a estudar essa partícula fundamental da natureza em algumas das energias mais extremas imagináveis, muito além daquilo que podemos produzir na Terra.”

“Esta identificação lança um novo campo da astronomia de neutrinos de alta energia, e esperamos que traga avanços emocionantes em nossa compreensão do Universo e da física, incluindo como e onde essas partículas de energia ultra-alta são produzidas”, afirma o astrofísico Doug Cowen, da Universidade Penn State. “Por 20 anos, um dos nossos sonhos era identificar as fontes de neutrinos cósmicos de alta energia. Parece que finalmente conseguimos.”

Mapeando o desconhecido
Foram décadas em que astrônomos de todo o mundo procuraram detectar os chamados neutrinos cósmicos de alta energia, em tentativas frustradas de compreender onde e como essas partículas subatômicas são geradas com energias de milhares a milhões de vezes maiores do que as alcançadas no planeta Terra.

O IceCube conseguiu detectar pela primeira vez neutrinos do tipo em 2013. A partir de então, alertas eram disparados para a comunidade científica a cada nova descoberta. A partícula-chave, entretanto, só veio em 22 de setembro de 2017: o neutrino batizado de IceCube-170922A, com a impressionante energia de 300 trilhões de elétron-volts demonstrou aos cientistas uma trajetória.

“Apontando para um pequeno pedaço do céu na constelação de Órion”, relata a astrofísica Azadeh Keivani, da Universidade Penn State, coautora do artigo publicado pela Science. Tão logo a partícula foi identificada, de forma coordenada e automatizada, quatorze outros observatórios do mundo passaram a unir esforços para identificar sua origem, com telescópios de espectroscopia nuclear e observações de raio-X e ultravioleta.

Todos os dados gerados foram analisados pelo grupo internacional de cientistas até a conclusão de que a fonte era o buraco negro supermassivo a 3,7 bilhões de anos-luz da Terra.

Essa distância do planeta significa que as informações carregadas pelo neutrino são de 3,7 bilhões de anos atrás, supondo que o mesmo tenha viajado à velocidade da luz. Nesse ponto, compreender tais propriedades é como olhar para os confins do passado do Universo – atualmente, acredita-se que o Big Bang tenha ocorrido há 13,8 bilhões de anos.

Após concluir a origem do neutrino IceCube-170922A, os cientistas vasculharam os dados arquivados pelo detector de neutrinos e concluíram que outros 12 neutrinos identificados entre 2014 e 2015 também eram oriundos do mesmo blazar. Ou seja: há a possibilidade de comparar partículas com a mesma origem, aumentando assim a consistência da amostra.

De acordo com os cientistas do IceCube, essa detecção inaugura de forma incontestável a chamada “astronomia multimídia”, que combina a astronomia tradicional – em que os dados dependem da ação da luz – com novas ferramentas, como a análise dos neutrinos ou das ondas gravitacionais.

“É um campo novo, empolgante e veloz. Que proporciona aos pesquisadores novos insights sobre a maneira como o Universo funciona”, analisa o astrofísico Phil Evans, da Universidade de Leicester.

Cientistas descobrem qual será o fim do Sol quando morrer

Tudo um dia morre, inclusive o Sol –que já tem até o seu prazo de validade previsto. Restam-lhe 5 bilhões de anos de vida. Mas o que será de nossa estrela maior depois disso? A resposta foi revelada por uma equipe internacional de cientistas e divulgada nesta segunda-feira (7) na revista Nature Astronomy.

Cientistas descobrem qual será o fim do Sol quando morrer

Cientistas descobrem qual será o fim do Sol quando morrer

Usando um novo modelo de computador, os astrônomos descobriram que, quando ficar sem combustível, em vez de simplesmente desaparecer–como se pensava anteriormente–, o Sol se transformará em uma nebulosa planetária massiva.

“Visível por milhões de anos-luz até mesmo em galáxias a 2 milhões de anos-luz de distância”, disse Albert Zijlstra, professor de astrofísica da Universidade de Manchester, no Reino Unido, em uma entrevista ao jornal britânico “The Guardian”.

Com 5 bilhões de anos, o Sol está na metade da sua existência. Seu fim será marcado pela falta de hidrogênio em seu núcleo, que provocará um colapso em seu centro. Essas reações nucleares fazem com que o Sol inche em uma gigante vermelha que eventualmente pode engolir Mercúrio e Vênus. Mas este não é o fim da história.

Ao se formar em um gigante vermelho, segundo os pesquisadores, o Sol perderá cerca de metade de sua massa e as suas camadas externas serão expulsas a cerca de 20 km por segundo. Seu núcleo irá aquecer rapidamente, fazendo irradiar luz ultravioleta e raios-x que alcançam as camadas externas e as transformam em um anel de plasma brilhante.

Os astrônomos calculam que essa nebulosa planetária brilhe por cerca de 10 mil anos.

A Terra vai sobreviver à morte do Sol? Aparentemente o planeta continuará a existir, mas a vida terrestre já terá acabado muito antes disso. À medida que o sol envelhece, ele se tornará cada vez mais brilhante, e nos próximos 2 bilhões de anos poderá ficar quente o suficiente para ferver os oceanos. “Não será um lugar muito agradável”, enfatiza Zijlstra.

Nasa vai lançar nave para escavar o solo de Marte e estudar origem do planeta

Sonda espacial vai medir sinais vitais de Marte

Sonda espacial vai medir sinais vitais de Marte

Os instrumentos da Insight permitirão medir os “sinais vitais” de Marte.[Imagem: JPL/NASA]

A missão InSight, da Nasa, enviará a Marte a primeira sonda capaz de perfurar o solo e estudar o interior do Planeta Vermelho. O lançamento da sonda está programado para ocorrer neste sábado (5) às 6h05 da manhã. Segundo a Nasa, há uma probabilidade de 20% de que as condições meteorológicas permitam o lançamento.

A missão Exploração Interior com uso de Investigação Sísmica, Geodésia e Transporte de Calor (InSitght, sigla em inglês) colocará um módulo de pouso geofísico em Marte para estudar o interior do planeta.

Mas, segundo a Nasa, seu objetivo vai além disso: a sonda também estudará questões fundamentais da ciência dos planetas e do Sistema Solar, para que os pesquisadores compreendam os processos que levaram à formação dos planetas rochosos do Sistema Solar Interno – entre eles a Terra – há mais de 4 bilhões de anos.

Segundo a Nasa, missões anteriores enviadas a Marte investigaram a história da superfície do planeta a partir da análise de características de seus cânions, vulcões, rochas, montanhas e solo. Mas, até agora, nenhuma missão analisou a evolução inicial do planeta, que só pode ser estudada observando o subsolo.

Utilizando instrumentos geofísicos sofisticados, o módulo escavará a superfície marciana para detectar pela primeira vez as marcas dos processos de formação dos planetas rochosos e para medir os “sinais vitais” de Marte: seu “pulso” (sismologia), “temperatura” (fluxos de calor) e “reflexos” (rastreamento de precisão).

Para estudar o solo marciano, a InSight é equipada com diversos instrumentos operados por um braço robótico, incluindo sismômetros – que medem as ondas sísmicas provocadas por impactos de meteoros e por “martemotos” – e uma broca com uma sonda térmica, que irá perfurar o solo em até 5 metros e medir os fluxos de calor no interior do planeta.

Como Marte é geologicamente menos ativo que a Terra – ele não possui placas tectônicas, por exemplo -, o planeta mantém um registro mais completo de sua história em sua crosta, seu manto e seu núcleo. Ao estudar essas características, os cientistas poderão descobrir mistérios sobre os processos evolutivos de todos os planetas rochosos.

Antes da InSight, 14 missões já haviam sido enviadas a Marte. Nove delas foram lançadas pelos Estados Unidos, sendo que duas fracassaram, em 1999. Das demais missões – todas fracassadas – três foram lançadas pela União Soviética, uma pelo Reino Unido e uma por uma parceria entre as agências espaciais da Europa e da Rússia.

Costa Oeste

Pela primeira vez uma missão planetária será lançada a partir da costa oeste dos Estados Unidos. Em vez da tradicional base de lançamento do Centro Espacial Kennedy, na Flórida, a InSight será enviada a partir da Base Vandenberg da Força Aérea Americana, localizada na região de Santa Bárbara, na Califórnia.

No lançamento, será utilizado o foguete Atlas V, da United Launch Alliance, uma joint venture das empresas Lockheed Martin e Boeing. Além da InSight, o foguete levará ao espaço também o experimento tecnológico Mars Cube One (MarCO).

Composto por duas miniespaçonaves, o MarCO testará pela primeira vez no espaço profundo uma tecnologia de CubeSat, termo que remete às palavras “cubo” e “satélite” em inglês. Esse tipo de satélite miniaturizado – ou nanossatélite – é em geral utilizado para pesquisas espaciais acadêmicas. Os dois pequenos equipamentos foram desenvolvidos para testar novas tecnologias de comunicação e navegação para missões espaciais.

A missão InSight é parte do Programa Descoberta, da Nasa. A nave – incluindo o estágio de cruzeiro e o módulo de pouso – foi construída e testada pela Lockeed Martin Space, em Denver, Nos Estados Unidos. O programa tem participação de várias instituições europeias, como a Agência Espacial Francesa, o Centro Nacional de Estudos Espaciais da França e o Centro Aeroespacial da Alemanha.

Pesquisadores encontram a estrela mais distante do universo

Uma equipe internacional de pesquisadores encontrou a estrela mais distante já vista, a nove bilhões de anos-luz da Terra, segundo um estudo publicado nesta segunda-feira pela revista “Nature Astronomy”.

ESTRELA MAIS DISTANTE - Pesquisadores encontram a estrela mais distante já vista, a nove bilhões de anos-luz da Terra, que foi batizada de Icarus (um fenômeno conhecido como lente gravitacional, no qual um objeto amplia a luz dos

Pesquisadores encontram a estrela mais distante do universo.

Enquanto os astrônomos observavam com o Telescópio Espacial Hubble o aglomerado de galáxias MACS J1149+2223, a cinco bilhões de anos-luz de distância, notaram uma luz ao fundo da imagem.

A equipe, liderada pelo pesquisador Patrick Kelly da Universidade de Berkeley (Califórnia), nomeou a estrela supergigante azul de Icarus, cujo brilho foi ampliado duas mil vezes pela gravidade do aglomerado de galáxias.

Essa gravidade reduziu o espaço-tempo para magnificar a imagem de Icarus, um fenômeno conhecido como lente gravitacional, no qual um objeto amplia a luz dos objetos cósmicos situados diretamente atrás deles.

A descoberta é interessante porque as estrelas individuais, ao contrário das galáxias, são difíceis de serem detectadas devido à luz fraca.

Além disso, o descobrimento de Icarus é importante para os pesquisadores que estudam a matéria escura porque sua interação com a matéria tem um efeito considerável no padrão de estrelas ampliadas.

A partir do padrão de estrelas magnificadas neste estudo, a equipe de cientistas, formada também por pesquisadores da Universidade de Tóquio, puderam excluir a possibilidade que a matéria escura seja formada principalmente por uma grande quantidade de buracos negros com massas dezenas de vezes maiores que o Sol.

Os astrônomos determinaram que ainda descobrirão muitas estrelas magnificadas quando entrar em funcionamento o Telescópio James Webb, propriedade da Nasa, da Agência Espacial Europeia e da Agência Espacial do Canadá.

Hélio é encontrado pela primeira vez em exoplaneta gigante

Uma equipe internacional de cientistas detectou a presença de hélio na atmosfera de um exoplaneta gigante, revela um estudo publicado nesta quarta-feira (2) pela revista “Nature”.

Hélio é encontrado pela primeira vez em exoplaneta gigante.

Hélio é encontrado pela primeira vez em exoplaneta gigante.

A pesquisa, liderada pelo Departamento de Física e Astronomia da Universidade de Exeter, no Reino Unido, confirma, pela primeira vez, a existência desse elemento em um planeta extrassolar gasoso.

O hélio, conforme lembraram os especialistas, é o segundo elemento mais comum no universo, depois do hidrogênio, assim como um dos componentes principais dos grandes planetas gasosos de nosso sistema solar.

A maioria dos exoplanetas identificados, que são mais de 3.500, também são gigantes gasosos, mas a busca por hélio em suas atmosferas não tinha dado resultados satisfatórios até agora.

O estudo de suas atmosferas, explicaram os cientistas, acontece, normalmente, através da observação da passagem do planeta em questão em frente a suas estrelas, o que permite medir a absorção de luz por parte das áreas mais externas de sua atmosfera.

O método, segundo os cientistas, quantifica a absorção de luz no espectro ultravioleta, mas apresenta dificuldades devido às limitações tecnológicas atuais e só é viável para o estudo de planetas mais próximos.

Para superar essas dificuldades, os responsáveis pela nova pesquisa optaram por observar com o telescópio espacial Hubble a absorção de luz no espectro infravermelho próximo do exoplaneta WASP-107b, um gigante gasoso que orbita ao redor de uma pequena estrela laranja.

Assim, os astrônomos detectaram a presença de hélio em um comprimento de onda de 10.833 angstrom.

A amplitude do sinal também indicou que a atmosfera de WASP-107b tem uma taxa de expansão de entre 0,1% e 4% de sua massa total a cada 1 bilhão de anos.

Apesar de ter um tamanho similar a Júpiter, este exoplaneta é um dos menos densos conhecidos e sua atração gravitacional, consequentemente, não é forte o suficiente para reter sua atmosfera.

Além disso, as emissões de radiação ultravioleta de sua estrela, segundo os especialistas, aquecem seus gases atmosféricos, o que provoca sua rápida saída para o espaço como se fosse vento.

A busca por outras atmosferas extrassolares ricas em hélio, destacaram os cientistas, poderia abrir novos caminhos para explorar a formação e evolução dos exoplanetas.