Category Archives: Biologia

Cientistas obtêm visão inédita de início da vida em embriões

Cientistas obtêm visão inédita de início da vida em embriões

Estudo conseguiu cultivar embriões em laboratório até estágio nunca antes observado – o momento crucial de autorreorganização de células para a configuração de ser humano.

Cientistas obtêm visão inédita de início da vida em embriões

Cientistas obtêm visão inédita de início da vida em embriões

Cientistas anunciaram um avanço no desenvolvimento de embriões humanos em laboratório que pode melhorar tratamentos de infertilidade e revolucionar nosso conhecimento sobre os primeiros estágios da vida.

Pela primeira vez, embriões atingiram uma etapa além do ponto em que normalmente são implantados no útero.

A pesquisa realizada no Reino Unido e nos Estados Unidos foi interrompida logo antes dos embriões atingirem o limite legal de 14 dias de vida para o desenvolvimento de embriões em experimentos científicos.

Mas alguns cientistas já pedem que este limite seja alterado, uma demanda que levanta diversas questões éticas.

Mistério
Os primeiros estágios da vida humana ainda permanecem um mistério, mas, no estudo publicado pelas revistasNature e Nature Cell Biology , os pesquisadores conseguiram estudar embriões por um tempo maior do que já havia sido feito antes.

O prazo de uma semana costumava ser o limite, com cientistas sendo capazes de cultivar um óvulo fertilizado até o momento em que normalmente são implantados no útero.

Mas os autores do estudo encontraram uma nova forma de imitar quimicamente o ambiente de um útero para que um embrião continuasse a se desenvolver até atingir a segunda semana.

Isso requer uma combinação de um meio rico em nutrientes e uma estrutura na qual o embrião pode se “implantar”.

Os experimentos foram encerrados propositalmente no 13º dia, pouco antes de ser atingido o limite legal, mas bem além do que havia sido conseguido anteriormente.

Momento crucial
A pesquisa já está permitindo vislumbrar como um embrião dá início ao processo de autorreorganização para se tornar um ser humano.

Trata-se de um momento crucial, no qual muitos embriões apresentam defeitos em seu desenvolvimento ou não conseguem se implantar no útero.

O estudo permitiu, por exemplo, que pesquisadores observassem em embriões com dez dias a formação do epiblasto, uma aglomeração bem pequena e crucial de células que formam um ser humano, enquanto as células ao seu redor se encarregam da criação da placenta e do saco vitelínico.

Magdalena Zernicka Goetz, da Universidade de Cambridge, disse que “nunca esteve tão feliz” como quando cultivar de forma bem-sucedida estes embriões.

“Isso nos permite entender os primeiros estágios de nosso desenvolvimento e o momento em que o embrião se reroganiza pela primeira vez para formar o que no futuro será um corpo”, disse ela à BBC.

“Não conhecíamos estes estágios antes, então, isso terá um impacto enorme nas tecnologias de reprodução.”

Dilema ético
Um acordo internacional determina que embriões não devem ser desenvolvidos além de 14 dias em pesquisas científicas. O novo estudo chega perto deste limite, e alguns cientistas já argumentam que ele deve ser revisto.

“Em minha opinião, já havia motivos para permitir a cultura de embriões além de 14 dias antes desta pesquisa aparecer”, diz o geneticista Azim Surani, do instituto de pesquisa Gurdon, da Universidade de Cambridge, no Reino Unido.

O prazo máximo foi estabelecido há décadas. Acredita-se que, neste ponto, o embrião torna-se um “indivíduo” já que não é mais possível que ele forme um gêmeo.

Daniel Brison, professor de embriologia e células tronco da Universidade de Manchester, no Reino Unido, também argumenta que talvez seja necessário reconsiderá-lo.

“Dado os possíveis benefícios para novas pesquisas sobre infertilidade, a melhoria de métodos de reprodução assistida e para evitar abortos precoces e outros problemas na gravidez, pode haver motivos para rever este limite no futuro”, afirma.

Adão e Eva: o planeta poderia ser povoado a partir de apenas um casal?

Se sobrasse apenas um casal na Terra, ele seria capaz de povoá-la? Se você já se fez essa pergunta, não é o único. Cientistas de diversas épocas já questionaram o assunto, que permanece controverso, pois, obviamente, não será possível fazer a experiência na prática.

Adão e Eva: o planeta poderia ser povoado a partir de apenas um casal?

Adão e Eva: o planeta poderia ser povoado a partir de apenas um casal?

O pesquisador de genética de populações da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Waldir Stefano, acredita que é possível, mas lembra que a primeira condição para que isso ocorra é que o casal seja fértil. “É possível, mas não é fácil”, ressalta.

Isso porque o casal teria pouca variabilidade genética, o que está relacionado com diversos problemas. Um estudo feito com crianças nascidas na Tchecoslováquia entre 1933 e 1970 mostrou que quase 40% daquelas cujos pais eram parentes de primeiro-grau tinham graves deficiências –14% morreram por conta de alguma delas.

Segundo Stefano, com o passar do tempo, essa variabilidade aumentaria, mas tudo depende de para que lado iria o processo de seleção natural. Ele explica que ao longo dos anos, mutações ocorrem no DNA dos descendentes e, caso as mutações vantajosas para a sobrevivência prevaleçam, a chance de povoar o planeta novamente é grande.

Existem exemplos de colonização com pequenas populações iniciais, como a do Havaí, em que havia muita consanguinidade e foi bem-sucedida

Waldir Stefano, professor de genética

E quando há problemas?
No entanto, as mutações que aparecem podem trazer desvantagens para os indivíduos. Há casos, como algumas famílias reais europeias, em que as mutações desvantajosas chegaram a causar esterilidade nos descendentes.

Stefano cita o livro “As Sete Filhas de Eva”, escrito por Bryan Sykes, professor de genética da Universidade de Oxford. “A obra mostra o estudo do DNA mitocondrial, que é herdado da mãe. Os pesquisadores chegam a sete grandes matrizes de ascendentes na Rússia”, diz. “Antes dessas sete, provavelmente havia menos ainda”.

Ele explica que, como o gameta feminino (óvulo) é muito maior que o gameta masculino (espermatozoide), quando o zigoto é formado, as mitocôndrias (responsável por “fabricar” a energia das células) são iguais às da mãe. O professor lembra que há doenças transmitidas geneticamente pelas mitocôndrias, como a doença de Leber, que provoca cegueira entre os 40 e 50 anos.

Quanto tempo seria necessário
Na grande parte das vezes, as variações do material genético não trazem grande efeito no fenótipo (características visíveis, como cor dos cabelos e dos olhos) e não são percebidas de imediato. Se trouxerem vantagens maiores para a sobrevivência dos descendentes, serão passadas adiante. “A grande questão é em que período de tempo isso poderia acontecer”, disse referindo-se a quantos anos seriam necessários para que os descendentes de um casal gerassem uma população de 7 bilhões de pessoas.

Em 2002, o antropólogo John Moore publicou um estudo pela Nasa em que estima que seriam necessárias 160 pessoas para dar início a uma população estável para um novo planeta. O estudo partiu do modelo de pequenos grupos migratórios antigos da humanidade.

Ele recomendava começar com casais jovens sem filhos e sem genes recessivos perigosos. No caso, o número usado no cálculo vale para uma viagem no espaço permite 200 anos de isolamento antes da volta à Terra, quando as pessoas teriam novamente contato com maior variabilidade genética.

Stefano lembra ainda que o próprio Charles Darwin, no livro ‘A Origem das Espécies’, brincou com uma conta parecida à de Adão e Eva. Se nada causasse a morte de um casal de elefantes enquanto eles vivessem, quantos descendentes eles teriam em 700 milhões de anos? Além disso, os descendentes também não poderiam morrer logo, ou seja, trata-se de uma conta bem hipotética. A gestação de um elefante dura dois anos e a expectativa de vida desses animais é de cem anos. Assim, Darwin calculou 19 mil descendentes daquele casal no período de tempo avaliado.

Apesar da seleção natural, você carrega sinais da evolução em seu corpo

Você já deve ter notado, ao flexionar a mão para dentro, que “salta” do punho um tendão minúsculo, um feixe cartilaginoso com pouco mais de três centímetros entre o punho o antebraço.

Essa é a parte visível do músculo palmar longo, que já foi muito útil para que nossos ancestrais subissem ou se pendurassem em árvores mas que hoje não tem utilidade funcional – a ponto de 1 bilhão de pessoas no mundo simplesmente não ostentarem o músculo na sua estrutura óssea, sem qualquer prejuízo à sua vida. (Lembrando que somos mais de 7 bilhões no mundo).

Esse músculo salta no seu braço?

Esse músculo salta no seu braço?

Assim como o palmar longo, outros “vestígios” da evolução podem ser facilmente encontrados em qualquer corpo humano: o músculo eretor dos pelos que nos provoca arrepios, os dentes de siso (conhecidos como terceiros molares), o apêndice, o tubérculo de Darwin, o músculo plantar. Todos aparentemente sem utilidade, mas que um dia foram importantes para ancestrais do homem.

Mas, se não têm mais utilidade, por que os órgãos vestigiais, como a Ciência denomina essas estruturas, não desapareceram do corpo humano

O professor Nélson Rosa Fagundes, do departamento de Genética da UFRGS, prefere atribuir a esses elementos uma característica “neutra” – e não desvantajosa. O pesquisador explica que a evolução se preocupa mais com o sucesso reprodutivo do que com a qualidade de vida dos indivíduos, ou seja, a seleção natural favorece a produção de uma prole fértil em detrimento de uma vida feliz.

“No jargão da biologia evolutiva, adaptação e reprodução são virtualmente sinônimos. Então, o fato de que não se use ou, ao contrário, se use mais determinadas estruturas não faz com que elas se modifiquem, a menos que seja via seleção natural”, explica. Elas mudam quando as variações morfológicas, cientificamente tratadas como fenotípicas, apresentam uma vantagem adaptativa para os indivíduos.

Tubérculo de Darwin é essa parte da sua orelha, que algumas pessoas conseguem até mexer

Tubérculo de Darwin é essa parte da sua orelha, que algumas pessoas conseguem até mexer

Nesse caso, é evidente que o fenótipo vantajoso será transmitido naturalmente para as gerações futuras, desde que haja uma base genética capaz dessa transmissão. Mas, no segundo caso, a seleção natural não tem muito o que fazer com o futuro da população. Aí entram alguns órgãos vestigiais: como não apresentam vantagem competitiva, são menos afetados pelo processo de seleção natural. Por serem neutras, não são afetadas.

 

“O principal fator capaz de mudar o perfil fenotípico, quando não há vantagem aparente, é o acaso. Ter ou não ter pelos no corpo, ou siso, não afeta a adaptação do indivíduo ao meio e, portanto, não afeta a maneira como se reproduz. Aqui é importante observar: evolução não é apenas seleção natural ou adaptação. Essas características “inócuas” estão sendo afetadas por processos evolutivos, como a deriva genética, que são fruto do acaso”, sustenta.

A coluna vertebral é um bom exemplo de como a seleção natural se processa. Nosso bipedalismo é anterior à espécie humana e foi uma pré-adaptação à transformação das florestas africanas em savanas – com as mãos livres e sem necessidade de subir em árvores, sobreviveu quem se adaptou a esse ambiente.

Em quase cinco milhões de anos, a anatomia tratou de adaptar a estrutura óssea da coluna humana para suportar a pressão de andar sobre as patas traseiras – o formato em S e a ossatura pélvica reforçada, por exemplo.

Apêndice

Apêndice

Mas problemas modernos decorrentes dessa condição, como a hérnia de disco, não foram tratados pela evolução. “O fato de estarmos totalmente bípedes há ‘apenas’ alguns milhões de anos certamente tem algum impacto sobre a coluna, mas para que a evolução atue teríamos que pensar que existem pessoas mais ou menos resistentes às dores, que isso pode ser herdável e, mais importante, que as pessoas com menos dores, que seriam as mais adaptadas, sejam aquelas que têm mais filhos”, argumenta o professor.

Como essas condições não estão presentes, continuamos sentindo a genérica “dor nas costas”. Da mesma forma, não existe nenhum bom motivo pra garantir que cada vez menos gente tenha o siso. “Existe quem não tem nenhum, quem tem os quatro e todas as variantes possíveis. Por quê? Porque dificilmente isso irá afetar a sobrevivência e a reprodução. O siso só vai desaparecer se esperarmos tempo suficiente e se a deriva genética causar essa modificação. Isso é tão provável quanto, por acaso, todos voltarmos a ter os quatro sisos”, completa.

Outro vestígio evolutivo são os milhões de músculos eretores dos pelos humanos. O pesquisador em biomedicina e especialista em evolução da Universidade Tiradentes, José Carneiro Ribeiro Neto, explica que o Homo ergaster – ancestral do homem que viveu até cerca de 250 mil anos trás – foi um dos primeiros hominídeos a perder a pelagem para se adaptar aos ambientes quentes e úmidos da África. Isso há cerca de 1,5 milhão de anos.

“Mesmo em temperaturas altíssimas, o ergaster percorria grandes distâncias a uma boa velocidade porque desenvolveu o melhor sistema de arrefecimento até então, composto por um nariz longo que umedecia o ar e um corpo com poucos pelos que deixava o calor escapar facilmente. Enquanto outros hominídeos se sentavam à sombra para suportar o clima, nosso ancestral pelado podia andar em busca de alimento”, explica.

Mas os músculos eritores, mesmo com a drástica diminuição dos pelos, continuam presentes no corpo humano. Funcionam, a ponto de nos arrepiar em situações de medo ou nos dias de muito frio. Só que, para solucionar esse problema, a cultura inventou o agasalho.20

Alguns vestígios da evolução

  • Músculo palmar longo – se estende do ombro até metade da mão e, em ancestrais humanos, servia para escalar árvores e se locomover entre galhos. Hoje, 12% das pessoas já nascem sem ele, sem prejuízo algum à qualidade de vida
  • Músculo eretor dos pelos – cada pelo do nosso corpo está ligado a um músculo, que servia, entre ancestrais humanos mais peludos que nós, para eriçá-los em busca de isolamento térmico ou para intimidar predadores e outros inimigos
  • Dentes de siso (ou terceiro molar) – serviam para mastigar e triturar estruturas alimentares mais rígidas, como raízes, e reduzir o impacto do alimento na digestão. Atualmente, apenas cerca de 5% da população nasce com os quatro sisos
  • Apêndice – preso ao intestino, é um pequeno tubo que atualmente fabrica uma pequena quantidade de células brancas para o organismo. No passado ancestral, era o local da digestão da celulose – ingerida em abundância por espécies precursoras do homem
  • Músculos extrínsecos do pavilhão auricular – Normalmente encontrado em cães e coelhos, é um vestígio importante de como a audição era um sentido importante entre ancestrais. Permite mover as orelhas, melhorando a capacidade auditiva. Menos de 5% da população consegue hoje ter controle sobre essa musculatura
  • Músculo plantar – vai do joelho até o pé e ajudava nossos descendentes antigos a manipular objetos com os pés. Sem utilidade, atualmente é muito usado para reconstrução de tecido muscular. Cerca de 9% da população nasce sem ele

 

 

Por que civilizações antigas não reconheciam a cor azul?

Nenhum dos textos sagrados gregos, hindus, islandeses, judaicos ou islâmicos menciona o azul, apesar da descrição do céu ser um dos seus temas favoritos.
Em sua investigação sobre como a linguagem afeta a maneira como vemos o mundo, o linguista Guy Deutscher dedicou-se a um tema específico: a ausência de referências à cor azul nos textos de diversas civilizações antigas.

Nenhum dos textos sagrados gregos, hindus, islandeses, judaicos ou islâmicos menciona o azul, apesar da descrição do céu ser um dos seus temas favoritos.

Nenhum dos textos sagrados gregos, hindus, islandeses, judaicos ou islâmicos menciona o azul, apesar da descrição do céu ser um dos seus temas favoritos.

O primeiro intelectual a notar essa curiosidade foi o britânico William Ewart Gladstone (1809-1898), que não apenas foi quatro vezes primeiro-ministro como também um apaixonado pela obra do poeta Homero.

Apesar das maravilhosas descrições feitas por ele nos relatos A Ilíada e A Odisseia, que incluíam frases como “a aurora com seus dedos rosados”, em nenhum momento o autor pintava algo de celeste, índigo ou anil.

Gladstone repassou todo os dois textos, prestando atenção às cores mencionadas. Descobriu que, enquanto o branco era mencionado cem vezes e o preto, quase 200, as outras cores não tinham tanto destaque. O vermelho era citado menos de 15 vezes e o verde e o amarelo, menos de dez.

Ele leu, então, outros escritos gregos e confirmou que o azul nunca aparecia. Concluiu que a civilização grega não tinha à época um senso de cor desenvolvido e vivia em um mundo preto e branco, com algumas pinceladas de vermelho e de brilhos metálicos.

“Eles entendiam o azul com a mente, mas não com a alma”, afirma o pesquisador.

Em parte alguma
Como descrever esta cena sem usar a palavra ‘azul’?

A pesquisa de Gladstone inspirou o filósofo e linguista alemão Lazarus Geiger, que se perguntou se o fenômeno se repetia em outras culturas.

Ele descobriu que sim: no Alcorão, em antigas histórias chinesas, em versões antigas da Bíblia em hebraico, nas sagas islandesas e até nas escrituras hindus, as Vedas.

“Esses hinos de mais de dez mil linhas estão cheios de descrições do céu. Quase nenhum tema é tratado com tanta frequência. O sol e o início da madrugada, o dia e a noite, as nuvens e os relâmpagos, o ar e o éter, tudo isso é contado”, afirma Geiger.

“Mas uma coisa que ninguém poderia sabia por meio dessas canções é que o céu é azul.”

Geiger também notou que houve uma sequência comum para o surgimento da descrição de cores nas línguas antigas. Primeiro, aparecem as palavras para preto e branco ou escuro e claro – do dia e da noite -; logo, vem o vermelho – do sangue -; depois, é a vez do amarelo e do verde e, só ao final, surge o azul.

Mas por que o azul não apareceu antes?

“E por que deveria?”, questiona o psicólogo Jules Davidoff, diretor do Centro para Cognição, Computação e Cultura da Universidade de Londres. “Por que precisariam do azul para descrever algo? Quem disse que o mar e o céu são azuis? Por acaso, eles têm a mesma cor?”

Cognição
Além de não ser um objeto, o mar não é sempre azul, apesar de ser tradicionalmente representado assim

Davidoff dedica-se à neuropsicologia cognitiva e a investigar a forma como reconhecemos objetos, cores e nomes. Ele fez experimentos com uma tribo da Namíbia, na África, cuja linguagem não tem uma palavra para o azul, mas possui várias para diferentes tipos de verde.

Quando mostrou a integrantes da tribo 11 quadrados verdes e um azul, não puderam achar qual era diferente, mas, se em vez de azul, o quadrado fosse de um tom de verde levemente diferente e dificilmente notado pela maioria das pessoas, era destacado imediatamente.

Na verdade, poucas coisas na natureza são azuis: uma ou outra flor de orquídea, as asas de algumas borboleta, as plumas de certas aves, a safira e a pedra luz.

No entanto, Homero estava na Grécia, um lugar que para muitos é mercado pelo azul do céu e do mar. Como podiam ignorar essa cor?

Em seus estudos, Deutscher recorreu à filha, Alma, que estava aprendendo a falar na época. Como qualquer outro pai, ele brincava com ela e a ensinava o nome de diferentes cores.

Teve, então, uma ideia para verificar o quão natural é o azul na linguagem e entender como as civilizações antigas, especialmente as que viviam no Mar Mediterrâneo, não deram um nome para a cor do céu.

Ele ensinou a Alma todas as cores, inclusive azul, mas fez com que ninguém lhe dissesse de que cor era o céu. “Quando tive certeza de que sabia usar a palavra ‘azul’ para os objetos, sai com elas em dias de céu azul e perguntei qual era sua cor.”

Por muito tempo, Alma não respondeu. “Ela respondia imediatamente a tudo mais, mas, com o céu, olhava e parecia não entender do que eu estava falando”, conta Deutscher.

“Certa vez, quando já estava muito segura e confortável com todas as cores, ela me respondeu, dizendo primeiro ‘branco’. Foi só depois de muito tempo e após ver cartões-postais em que o céu aparecia azul que usou essa cor para descrevê-lo.”

Necessidade
Foi assim que sua filha ensinou a ele que nada é tão óbvio quanto pensamos. “Entendi com meu coração, observando uma pessoa, não lendo livros ou pensando em povos de um passado remoto”, afirma o pesquisador.

“E Alma nem sequer estava na mesma situação dos povos antigos: ela conhecia a palavra azul e, no entanto, não a usou para o céu. Compreendi que não é uma necessidade de primeira ordem dar um nome para a cor do céu. Não se trata de um objeto.”

O mesmo ocorre com o mar: assim como o céu, não tem sempre a mesma cor e, acima de tudo, não é um objeto, por isso não há motivo para “pintá-lo” com uma palavra.

“Nada mudou em nossa visão. Há séculos, somos capazes de ver diferentes tons, mas não temos as mesmas necessidades”, afirma o especialista. “Era perfeitamente normal dizer que o mar era preto, porque, quando está azul escuro, parece preto, e isso é suficiente nesta época. Uma sociedade funciona bem com o preto, o branco e um pouco de vermelho.”

Então, por que começamos a dizer que determinadas coisas são azuis?

“Conforme as sociedades avançam tecnologicamente, mais se desenvolve a gama de nomes para cores. Com uma maior capacidade de manipulá-las e com a disponibilidade de novos pigmentos, surge a necessidade de uma terminologia mais refinada”, afirma Deutscher.

“A cor azul é a última, porque, além de não ser encontrada tão comumente na natureza, levou muito tempo para fazer este pigmento.”

Os egípcios antigos tinham o pigmento azul e uma palavra para nomeá-lo, por exemplo, pois se tratava de uma “sociedade sofisticada”.

“O que importa não é tanto a época em que viveram, mas seu nível de progresso tecnológico. É aí que está a correlação com o volume do vocabulário para cores.”

Mas não há no hebraico bíblico a palavra “kajol”, que significa azul?

“Sim, mas essa palavra significava ‘preto’. Tem a mesma raiz da palavra álcool, e o ‘kohol’ era um cosmético em pó feito com antimônio que as mulheres usavam para pintar os olhos e era preto.”

Pouco a pouco, o termo foi mudando até assumir o significado que tem hoje no hebraico moderno. E este não é único caso, segundo o especialista.

“O mesmo aconteceu com a palavra ‘kuanos’ em grego. Homero a usa, mas significa preto ou escuro. Foi só depois que passou a significar ‘azul’.”

O que são e por que existem aquelas manchinhas flutuantes na nossa visão?

Eu devia ter uns 12 anos, em um almoço de família na casa da minha avó, quando decidi perguntar o que eram “aquelas coisinhas que eu via flutuando diante dos meus olhos”. Eu era só uma criança curiosa, não sabia explicar muito bem o que eu tava enxergando e não existia nenhuma forma de demonstrar o formato daquelas coisinhas….
Se eu pegasse um papel e um lápis pra desenhar, provavelmente pensariam que eu estava com uma doença gravíssima na visão, inclusive até hoje eu lembro da cara que todos meus familiares fizeram, tentando entender do que eu estava falando e me julgando como se eu fosse uma criança x-men, cogitaram até me levar no médico, mas como isso nunca aconteceu, vivi até hoje sem saber do que se tratavam as coisinhas flutuantes…

Mais de uma década depois, esse mundo mágico chamado internet me trouxe a resposta tão esperada: moscas volantes. É assim que chamam essas coisinhas que passaram a vida sambando nos meus olhos sem eu saber exatamente o que elas eram!!
No vídeo abaixo (ative as legendas do youtube), você vai entender melhor o que são essas coisinhas:

Quantas bactérias vivem no seu corpo? Apenas 40 trilhões, segundo estudo

Existem muitas bactérias dentro e fora dos nossos corpos — isso é o que chamamos de nosso microbioma. Calcular exatamente quantos micróbios cada pessoa carrega não é uma tarefa fácil e o número mais citado tanto na literatura científica quanto na popular muito provavelmente está errado.

Em 1972, Thomas D. Luckey publicou um artigo na revista científica The American Journal of Clinical Nutrition, no qual escreveu que um homem adulto carrega cerca de 100 trilhões de bactérias no sistema digestivo, além de mais um trilhão sobre a pele. O texto não explicava como havia chegado a esses números.

Quantas bactérias vivem no seu corpo? Apenas 40 trilhões, segundo estudo

Quantas bactérias vivem no seu corpo? Apenas 40 trilhões, segundo estudo

Outro cientista, D.C. Savage, citou Luckey em uma revisão escrita em 1977, afirmando que “o organismo humano normal é composto por mais de 1014 células, das quais apenas 10 por cento são células animais”. Então ele utilizou o número de Luckey, 100 trilhões, para o total de bactérias, e acrescentou que um décimo desse total — ou 10 trilhões — seriam de fato células humanas.

Esse valor arredondado ganhou força e a frase “10 vezes mais células microbianas do que células humanas” passou a ser muito repetida, como pode ser visto no site do Projeto do Microbiota Humano dos Institutos Nacionais de Saúde, onde presumivelmente eles entendem alguma coisa sobre o microbioma.

Uma estimativa recente calcula que o total de células humanas seja de 37,2 trilhões, mas ainda assim a proporção proposta por Savage sobreviveu. Utilizando a fórmula do 10 para 1, o número estimado de bactérias seria de 372 trilhões, e foi aí que a história parou.

Mas um novo grupo de cientistas israelenses concluiu que 372 trilhões não pode estar certo. A nova análise foi publicada na edição de 28 de janeiro a revista Cell, com mais detalhes e cálculos disponíveis online.

Utilizando um micrômetro cúbico como o volume de uma única bactéria, eles fizeram sua estimativa com base nos órgãos que contêm os micróbios, bem como na provável concentração de bactérias em cada lugar. Os pesquisadores estimam que no intestino grosso, onde vive a maior parte do nosso microbioma, existam 39 trilhões de células bacterianas. Outros lugares – a pele, a boca, o intestino delgado e o estômago — contêm poucas bactérias, que correspondem a uma parte bem pequena do total.

Por que esse conhecimento é relevante? “Às vezes não se pode responder a essa pergunta, mas é importante se habituar a usar os números mais precisos. Se podemos fazer uma estimativa melhor hoje do que há 10 anos, esse esforço vale a pena”, afirmou Shai Fuchs, um dos autores.

Fuchs e os coautores do trabalho, Ron Milo e Ron Sender, escreveram a análise quando ele cursava o doutorado no Instituto Weizmann de Ciências em Israel.

Naturalmente, isso ainda é apenas uma estimativa, levando-se em conta o corpo de um homem de 20 a 30 anos, 70 quilos e 1,70 metro. O tamanho do microbioma varia com a idade, o sexo, a altura e o peso da pessoa, além de mudanças de uma hora do dia para a outra: a cada vez que uma pessoa defeca ela libera cerca de um terço das bactérias presentes no cólon.

Contudo, concluíram os pesquisadores, a estimativa realista da quantidade de micróbios que vive no corpo humano é de cerca de 40 trilhões — um número similar ao de células humanas.

Os peixes bebem água?

Eles não precisam se preocupar em tomar 2 litros de água por dia, mas fazem muito xixi

“Beber água” talvez não seja o termo mais adequado para explicar porque os peixes –de água doce ou salgada– ingerem o líquido.

Diferente do que acontece com os seres humanos, a água absorvida pelos peixes é usada principalmente para respiração e trocas gasosas com o ambiente externo em que vivem.

Apenas uma quantidade mínima do líquido é realmente ingerida, junto com os alimentos, assim como acontece com outros animais que vivem fora da água.

Os peixes bebem água?

Na respiração dos peixes, a água chega até as brânquias para que as trocas gasosas aconteçam. É por meio deste órgão que o oxigênio é absorvido e o gás carbônico eliminado –o que nos seres humanos acontece nos alvéolos pulmonares.

Entra e sai de água e sal

Os peixes mantêm constante troca com a água em que estão para que haja um equilíbrio entre a quantidade de sais presentes no ambiente e no organismo do animal. Assim, o peixe elimina ou absorve mais água de acordo com o ambiente onde vive.

Nos peixes de água doce, a concentração de sais é maior no organismo do que na água que o cerca. Por isso, a água entra de forma passiva no corpo dos peixes (pelas células), em um processo conhecido por osmose. É como se ela fosse “atraída” para o corpo. Por absorverem muita água, os peixes de água doce têm rins mais desenvolvidos e excretam uma urina bem diluída e em bastante quantidade.

Já nos peixes de água salgada, o processo é inverso. O alto teor de sal dos oceanos faz com que a água “saia” do organismo por osmose, por isso o animal precisa constantemente “beber” água para manter suas funções. Como a água do mar é muito salgada, os peixes que vivem ali precisam expulsar o excesso de sal por um mecanismo especial nas brânquias.

Quando o peixe ingere a água, a boca fecha e ossos bem pequenos (opérculos) obstruem as brânquias. Com isso, há uma pressão que empurra a água para os filamentos branquiais, responsáveis pela respiração. Após o processo, o peixe volta a abrir a boca e elimina a água.

Tubarões e arraias

E ainda tem os peixes cartilaginosos, como os tubarões e as arraias, que fazer essa troca de outra maneira.

Neles, o equilíbrio osmótico acontece por causa da produção de uma substância chamada ureia que, ao ser secretada pelos rins na corrente sanguínea desses animais, consegue controlar a quantidade de sais no corpo.

A Probabilidade de vida extraterrestre em 500 bilhões de galáxias

A Probabilidade de vida extraterrestre em 500 bilhões de galáxias

A Probabilidade de vida extraterrestre em 500 bilhões de galáxias

Carl Sagan disse que “afirmações extraordinárias exigem provas extraordinárias.” Em uma exibição impressionante da lógica matemática vs senso comum, David Spiegel, da Universidade de Princeton e Edwin Turner, da Universidade de Tóquio publicaram um artigo em 2012 que transforma a equação de Drake de cabeça para baixo usando o raciocínio Bayesian para mostrar que nao e só porque nós evoluímos na Terra, que significa que a mesma ocorrência poderia necessariamente acontecer em outros lugares; “usando a evidência de nossa própria existência não mostra nada”, dizem eles, “diferente do fato de estarmos aqui.”

As recentes descobertas do telescópio Spacial Kepler de planetas semelhantes à Terra em tamanho e proximidade com seus respectivos sóis provocaram entusiasmo científico e público sobre a possibilidade de também encontrar vida semelhante a da Terra nesses mundos.
Mas os pesquisadores da Universidade de Princeton descobriram que a expectativa de que a vida – das bactérias aos seres sencientes – tem ou vai se desenvolver em outros planetas como na Terra pode ter sido baseado mais no otimismo do que a evidência científica.

Professor de ciências Astrophysical Turner e principal autor Spiegel analisaram o que se sabe sobre a probabilidade de vida em outros planetas, em um esforço para separar os fatos da mera expectativa de que existe vida fora da Terra. Os pesquisadores usaram uma análise Bayesiana – que pesa o quanto de uma conclusão científica resulta de dados reais e quanto vem dos pressupostos anteriores dos cientistas – para determinar a probabilidade de vida extraterrestre uma vez que a influência desses pressupostos é minimizado.

Brasil ganha 4 medalhas em olimpíada internacional de biologia

Brasil ganha 4 medalhas em olimpíada internacional de biologia

Composta por quatro estudantes, a delegação brasileira teve 100% de aproveitamento e conseguiu quatro medalhas, sendo três de prata e uma de bronze, na Oiab (Olimpíada Ibero-Americana de Biologia) de 2015, evento que terminou no domingo em El Salvador e reuniu estudantes de 13 países.

Brasil ganha 4 medalhas em olimpíada internacional de biologia

Brasil ganha 4 medalhas em olimpíada internacional de biologia

Durante a programação da Oiab, os jovens enfrentaram uma prova teórica e quatro provas práticas envolvendo os temas biologia celular, anatomia e fisiologia vegetal, anatomia e fisiologia animal, etologia, genética, ecologia e biossistemática.

O torneio reuniu 43 estudante de 13 países de línguas portuguesa e espanhola, entre eles Portugal e Espanha. Os estudantes cearenses Arthur Feitosa, 17, e Gerardo Albino, 16, e o paulista Michael Sato, 17, ganharam as medalhas de prata, enquanto o cearense Lucas Magalhães, 17, levou bronze.

No total, foram distribuídas seis medalhas de ouro, nove de prata e 13 de bronze, dadas de acordo com o desempenho dos estudantes. “Só por ter chegado à etapa internacional, me considerava um vencedor. A medalha, que foi inesperada, só aumentou a alegria o sentimento de missão cumprida”, disse Lucas.

Daniel Berto, um dos professores que acompanharam os estudantes, conta que o Brasil participa de torneios internacionais desde 2005 e que foi a primeira vez que todos os alunos brasileiros foram premiados. Para ele, a coalizão de forças foi o diferencial brasileiro.

“O bom desempenho do Brasil deve-se ao esforço dos alunos e à ajuda de seus respectivos colégios, bem como das instituições que lhes ofereceram treinamento prático e, é claro, da coordenação da OBB”.
Seleção

Chefe da delegação brasileira, o professor José Carlos Pelielo de Matos, da Uerj (Universidade Estadual do Rio de Janeiro), ressalta que, com investimentos em laboratórios de ponta em mais escolas, os resultados podem ser ainda melhores.

“Sabemos que ainda falta condição laboratorial em muitas escolas, e esse deve ser um caminho para conseguirmos melhorar ainda mais nossa atuação”, disse.”Tradicionalmente, somos bem melhores na teoria do que na prática. E isso é reflexo de uma política educacional, não só na biologia como em todas as outras disciplinas.”

Antes de viajar para El Salvador, 15 jovens, selecionados entre 70 mil estudantes que participaram da OBB (Olimpíada Brasileira de Biologia), passaram por um treinamento intensivo de duas semanas. A programação contou com aulas práticas e teóricas em instituições de ensino no Rio de Janeiro e em São Paulo. Entre eles, quatro foram escolhidos para representar o País na Oiab.

Rubens Oda, coordenador nacional da OBB, a importância maior do evento é estreitar a ponte entre a universidade e o ensino médio, contribuindo para a divulgação de novas descobertas e para a aprendizagem científica.
Próximos passos

A próxima Oiab será promovida em Brasília, em 2016. Os interessados em participar da seleção, que acontece através da OBB, devem estar cursando o ensino médio e ter, no máximo, 19 anos até o dia 1º de julho do ano que vem. Caso já tenha concluído o ensino médio, o participante não pode ter matrícula em instituição de ensino superior.