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Um Deus que poderia ser Real no universo científico – Parte 1

“Deus” é uma palavra. Se nós o definirmos, mesmo inconscientemente, como algo que não pode existir no nosso universo, vamos banir a ideia de Deus da nossa realidade e jogar fora toda possibilidade de incorporar uma potente metáfora espiritual em uma panorama verdadeiramente coerente. Mas se levarmos a sério os confiáveis — e, então, inestimáveis — conhecimentos científicos e históricos, que agora possuímos, nós podemos redefinir um Deus de uma forma radicalmente nova e poderosa que expande o nosso pensamento e poderia ajudar a motivar e unir-nos em uma era perigosa que a humanidade está adentrando.
Um Deus que poderia ser Real no universo científico - Parte 1

Um Deus que poderia ser Real no universo científico – Parte 1

Por mais de 30 anos, ocorreu uma das mais emocionantes revoluções científicas do nosso tempo, a revolução na cosmologia. Na década de 1970, o grande mistério cosmológico foi este: se o Big Bang foi simétrico em todas as direções, por que o universo em expansão hoje não é apenas uma sopa maior de partículas? Em vez disso, lindas galáxias elípticas e espirais estão espalhadas, mas não aleatoriamente; Elas posicionam-se ao longo de filamentos invisíveis, como glitter jogado em linhas de cola. Onde se cruzam vários filamentos grandes, formaram-se grandes aglomerados de galáxias. Mas por que? O que aconteceu com a sopa primordial? De onde veio toda essa estrutura?
Joel R. Primack, é um dos criadores da teoria da matéria escura fria, que responde a essas perguntas, dizendo-nos que tudo o que os astrônomos vêem — incluindo todas as estrelas, planetas e brilhantes nuvens em nossa galáxia e todas as galáxias distantes de gás — é menos da metade de 1% do conteúdo do universo. O universo acaba por ser quase inteiramente feito de duas presenças dinâmicas, invisíveis, desconhecidas e inimagináveis até o século XX: Matéria escura (matéria invisível que não é feita de átomos ou as partes de átomos) e de energia escura (a energia, causando a aceleração da expansão do Universo). Elas estiveram em competição uma com a outra por bilhões de anos, com a gravidade da matéria escura puxando matéria comum (atômica, bariônica) e a energia escura arremessando espaço separados, em um jogo de empurra e puxa. Sua interação cósmica com a matéria comum tem tecendo as galáxias visíveis e, assim, criado a possibilidade para a evolução dos planetas e a vida.
Ao longo das décadas, a medida que dados estavam surgindo, confirmando essa história com telescópios e satélites, surgia uma pergunta: o que significa para nós seres humanos não estamos vivendo no universo que pensávamos que estávamos vivendo?Hoje, os astrônomos em todo o mundo aceitam a teoria dupla escura como a história moderna do universo, mas eles não responderam a esta questão.
Deus tem de fazer parte de nossa compreensão do universo?Não. Mas se os cientistas disserem ao público que eles têm de escolher entre Deus e a ciência, a maioria das pessoas vão escolher a Deus, que conduz à negação, hostilidade para com a ciência e a incoerência mental profundamente perigosa na sociedade moderna que promove depressão e conflito. Enquanto isso, muitos daqueles que escolhem ciência encontram-se sem nenhuma forma de pensar que pode dar-lhes acesso ao seu próprio potencial espiritual. O que precisamos é uma panorama coerente que é totalmente consistente — e até mesmo inspirado — com a ciência, que forneça uma maneira poderosa de repensar em um Deus que traz benefícios humanos e sociais sem a tal da fantasia.

Como conseguimos isso?
A ciência pode nunca nos dizer com certeza o que é Deus na verdade, já que há sempre a possibilidade de que algumas descobertas futuras irão descartá-lo. Mas a ciência pode muitas vezes nos dizer com certeza que não é verdade. Ela pode descartar o impossível. Galileu, por exemplo, mostrou, com seu telescópio, que a imagem medieval da Terra como o centro das esferas celestiais de cristal não podia ser verdadeiro, mesmo que ele não pudesse provar que a Terra se move em torno do sol.Sempre que os cientistas produzem as provas que convincentemente eliminam o impossível, não adianta mais discutir. Está tudo acabado. A graça está em aceitar e recalcular. É assim que a ciência avança.
E se nós pensarmos assim com Deus? E se nós levarmos a evidência de uma nova realidade cósmica a sério e tornarmos dispostos a descartar o impossível? O que restaria?
Podemos ter um verdadeiro Deus se pudermos largar o que o torna irreal. Só serei interessado em Deus se este for real. Se não for real, não há nada para falar. Mas não digo real como uma tabela, ou um sentimento, uma pontuação de teste ou uma estrela. Estes são reais na experiência normal na Terra. Digo real no quadro científico do nosso universo duplo escuro, nosso planeta, nossa biologia e nosso momento na história.
Estas são características de um Deus que não podem ser verdadeiras:
  1. Deus existia antes do universo;
  2. Deus criou o universo;
  3. Deus sabe de tudo;
  4. Deus controla tudo o que acontece;
  5. Deus pode optar por violar as leis da natureza.
A autora Nancy Ellen Abrams explica em seu livro, Um Deus que poderia ser Real, que fisicamente cada um desses itens acima é impossível (emboras leitores científicos deste blog precisam saber disso. O ponto que a autora quer fazer aqui é que esta lista praticamente concorda com razões por que a maioria dos ateus dispensa  a existência de Deus.  Nós apenas declaramos que o que Deus não pode ser. Não pensamos aindao que Deus poderia ser.A autora ainda continua:
“Nós todos crescemos tão mergulhados em alguma tradição religiosa,  que nós já aceitamos. É difícil de entender que a oportunidade de redefinir Deus realmente está em nossas mãos. Mas é, e a maneira como fazemos isso desempenhará um papel de liderança na definição do futuro do nosso planeta.
 
Para mim, esta é a pergunta chave: poderia realmente existir neste universo algo que seja digno de ser chamado de Deus? Minha resposta é sim.”

Nasa prevê descoberta de vida alienígena até 2025

Cientista-chefe da agência espacial americana diz que haverá registros de seres de outros planetas na próxima década.

Existe vida fora da Terra? Aparentemente sim, e poderíamos descobrir sua existência na próxima década. Segundo a cientista-chefe da Nasa, Ellen Stofan, teremos registros de alienígenas que vivem em outros planetas até 2025.
Stofan acredita que serão encontrados sinais de vida fora da Terra em até 10 anos, e provas definitivas disso em até 20 anos. “Nós sabemos onde procurar. Então sabemos como procurar”, disse, em um debate transmitido na Nasa TV sobre a possibilidade de encontrar outros “mundos habitáveis”.
“Na maiorida dos casos, nós temos a tecnologia e estamos no processo de implementá-la. Então acreditamos que estamos definitivamente no caminho certo para isso.”
O que e onde?
As primeiras descobertas de vida fora da Terra provavelmente estão mais perto do que imaginamos, mas não serão homenzinhos verdes em naves espaciais e, sim, alguma espécie de plâncton ou de alga.

Cientistas acreditam que luas de Júpiter e de Saturno podem ter ambientes propícios para a formação de vida; ilustração mostra quatro maiores luas de Júpiter (Foto: Nasa/Divulgação)

Cientistas acreditam que luas de Júpiter e de Saturno podem ter ambientes propícios para a formação de vida; ilustração mostra quatro maiores luas de Júpiter (Foto: Nasa/Divulgação)

Existe muita água no Sistema Solar. É quase certo que existam oceanos de água salgada sob as conchas geladas das luas de Júpiter, Europa e Ganymede, assim como na lua de Saturno, Enceladus.
A água é mantida líquida pela gravidade intensa dos planetas gigantes onde as luas orbitam, que os deforma e contribui para o aquecimento de seus núcleos.
Acredita-se que Enceladus tenha atividade vulcânica nas profundezas de seu oceano, o que manteria a água aquecida a uma temperatura de 93º.
Acredita-se que todas as três luas têm mais água em seus oceanos do que todos os oceanos da Terra juntos. Ainda não é possível saber se há vida lá, mas são ótimos lugares para começar a procurar.
E também há Marte, é claro. É quase certo que o planeta vermelho teve oceanos algum dia, e há evidências fotográficas sugerindo que ainda existe muita água escondida sob a superfície. Às vezes ela borbulha e forma rios temporários.
O rover Curiosity da Nasa – veículo destinado a explorar a superfície de Marte – recentemente descobriu “moléculas orgânicas que contêm carbono”. Isso significaria “blocos de vida em construção”. É deles que nós somos feitos.
No entanto, água e moléculas não significam vida.

Missões a Marte pretendem explorar melhor a superfície do planeta em busca da resposta sobre a possibilidade de vida no planeta; foto divulgada pela NASA em 23 de junho mostra autorretrato do robô Curiosity em Marte (Foto: AP Photo/NASA, JPL-Caltech, MSSS, File)

Missões a Marte pretendem explorar melhor a superfície do planeta em busca da resposta sobre a possibilidade de vida no planeta; foto divulgada pela NASA em 23 de junho mostra autorretrato do robô Curiosity em Marte (Foto: AP Photo/NASA, JPL-Caltech, MSSS, File)

Confiança na descoberta
O próximo rover que será lançado com direção à Marte em 2020 irá buscar sinais de que pode ter existido vida no planeta.
A Nasa também tem como objetivo enviar astronautas para Marte em 2030, um passo que cientistas como Ellen Stofan acreditam que será “chave” para procurar sinais de vida, porque mesmo com câmeras ultratecnológicas, encontrar fósseis usando o veículo é muito difícil – às vezes é preciso procurar embaixo da pedra, não nela em si.
“Sou uma geóloga. Eu saio a campo e abro rochas para procurar por fósseis”, disse Stofan no painel.
“Isso é difícil de encontrar. Então eu acredito fortemente que será necessário, em algum momento, colocar humanos na superfície de Marte – geólogos, astrobiólogos, químicos – para buscar provas da existência de vida que eles possam trazer de volta para a Terra para cientistas analisarem.”
A Nasa também está planejando uma missão para a Europa, uma das luas de Júpiter, que deverá ser lançada em 2022.
O principal objetivo dessas missões,que custarão cerca de US$ 2,1 bilhões (R$ 6,4 bilhões), é estudar se a lua congelada tem potencial habitável e, ao fazer isso, procurar também sinais de vida nas nuvens de vapor de água que aparentemente irrompem do polo sul da Europa.
E a vida em torno de outras estrelas? O telescópio espacial James Webb, que será lançado em 2018 e custará US$ 8,8 bilhões (R$ 26,8 bilhões), é tão poderoso que pode analisar gases na atmosfera de planetas em volta de outras estrelas, buscando sinais de vida.
Missões a Marte pretendem explorar melhor a superfície do planeta em busca de resposta sobre a possibilidade de vida no planeta

Um dos maiores sonhos da humanidade é descobrir se há, ou não, vida extraterrestre. E tem sido também essa a grande demanda da NASA. Numa conferência realizada esta terça-feira, os especialistas da agência espacial dos EUA afirmaram que, dentro de 20 ou 30 anos, será encontrada vida fora da Terra.

planetas

No final da conferência, a geóloga da NASA Ellen Stofan, que analisa as rochas e sedimentos de outros planetas, afirmou, de forma categórica, que o Homem “está muito perto de encontrar vida fora da Terra”.

“Acho que vamos ter fortes vestígios de que há vida fora da Terra dentro de uma década e vamos ter provas definitivas dentro de 20 ou 30 anos. Temos as ferramentas necessárias e sabemos onde procurar”, disse a cientista.

Quinze mudanças que nos fizeram humanos

Os humanos são provavelmente a espécie mais curiosa que já existiu.

Temos cérebros muito maiores que os de outros animais e que nos permitem construir utensílios, entender conceitos abstratos e usar a linguagem.

Mas também temos poucos pelos, mandíbulas fracas e demoramos para dar à luz.
Como a evolução explica essa criatura extravagante?

Mudanças genéticas em ancestrais humanos determinaram "vantagens" na vida moderna.

Mudanças genéticas em ancestrais humanos determinaram “vantagens” na vida moderna.

 

1. Viver em grupo

Há 30-60 milhões de anos

Há 30-60 milhões de anos

Os primeiros primatas, grupo que inclui macacos e humanos, surgiram pouco depois do desaparecimento dos dinossauros. Muitos começaram rapidamente a viver em grupos para melhor se defenderem de predadores, e isso exigiu de cada animal “negociar” uma rede de amizades, hierarquias e inimizades.

Sendo assim, viver em grupo pode ter impulsionado um aumento da capacidade intelectual.

 

2. Mais sangue no cérebro

Há 10-15 milhões de anos

Há 10-15 milhões de anos

Humanos, chimpanzés e gorilas descendem todos de uma espécie desconhecida e extinta de hominídeo.

Neste ancestral, um gene chamado RNF213 evoluiu rapidamente e pode ter estimulado o fluxo de sangue para o cérebro ao ampliar a artéria carótida.

Nos humanos, as mutações do RNF213 causam a doença de Moyamoya – um estreitamento da carótida que leva ao deterioramento da capacidade cerebral por conta da pouca irrigação do cérebro.

3. A divisão dos primatas

Há 7-13 milhões de anos

Há 7-13 milhões de anos

Nossos ancestrais se separaram de seus parentes parecidos com os chimpanzés há cerca de 7 milhões de anos. No início, tinham uma aparência bem similar, mas por dentro suas células estavam em marcha.

Os genes ASPM e ARHGAP11B entraram em mutação, assim como um segmento do genoma humano chamado HAR1.

Ainda não está claro o que provocou essas modificações, mas o ARHGAP11B e o HAR1 estão associados ao crescimento do córtex cerebral

4. ‘Picos’ de açúcar

Há menos de sete milhões de anos

Há menos de sete milhões de anos

Depois que a linha evolutiva humana se separou da linha dos chimpanzés, dois genes sofreram mutações.

O SLC2A1 e o SLC2A4 formam proteínas que transportam glicose para dentro e para fora das células.

Essas modificações podem ter desviado glicose dos músculos para o cérebro de hominídeos primitivos e é possível que tenha estimulado o crescimento do órgão.

5. Mãos mais hábeis

Nossas mãos são incrivelmente hábeis e nos permitem construir ferramentas ou escrever, entre outras atividades.

Há menos de 7 milhões de anos

Há menos de 7 milhões de anos

Isso pode se dever em parte a um fragmento de DNA chamando HACNS1, que evoluiu rapidamente desde que nossos ancestrais e os ancestrais dos chimpanzés se dividiram.
Não se sabe o que o HACNS1 faz exatamente, mas ele contribuiu para o desenvolvimento de nossos braços e mãos.

6. Mandíbulas fracas: mais espaço para o cérebro

Em comparação com outros primatas, os humanos não podem morder com muita força porque têm músculos mais fracos em volta da mandíbula, bem como mandíbulas menores.

Há 2,4 - 5,3 milhões de anos

Há 2,4 – 5,3 milhões de anos

Isso parece se dever a uma mutação do gene MYH16, que controla a produção de tecido muscular.
A mutação ocorreu há pelo menos 5 milhões de anos. Mandíbulas pequenas podem ter liberado espaço para o crescimento do cérebro.

7. Dieta variada

Nossos ancestrais primatas mais antigos comiam principalmente frutas, mas espécies posteriores como o Australopithecus ampliaram seu cardápio.

Há 1,8 - 3,5 milhões de anos

Há 1,8 – 3,5 milhões de anos

Além de se alimentar com uma variedade maior de plantas, como ervas, comiam mais carne e inclusive a cortavam com ferramentas de pedra.

Mais carne levou ao consumo de mais calorias e menos tempo de mastigação.

8. Pelado, nu com a mão no bolso

Os humanos são quase pelados. Não se sabe a razão, mas isso ocorreu entre 3 e 4 milhões de anos atrás.

Há 3,3 milhões de anos

Há 3,3 milhões de anos

Suspeita-se que a perda de pelos tenha ocorrido em resposta à evolução de parasitas como carrapatos. Exposta ao sol, a pele humana escureceu e a partir de então todos nossos ancestrais foram negros até que alguns humanos modernos deixaram os trópicos.

9. Um gene de inteligência

Um gene chamado SRGAP2 foi duplicado três vezes em nossos ancestrais e, como resultado, células cerebrais teriam desenvolvido mais conexões.

Há 3,2 milhões de anos

Há 3,2 milhões de anos

 

 

 

 

 

10. Cérebros maiores: primatas pensantes

Os humanos pertencem a um grupo ou gênero de animais conhecido como Homo. O fóssil mais antigo de Homo foi escavado na Etiópia e tem 2,8 milhões de anos.

Há 2,8 milhões de anos

Há 2,8 milhões de anos

A primeira espécie foi possivelmente o Homo habilis, embora cientistas discordem deste argumento.

Em comparação com seus ancestrais, esses novos hominídeos tinham cérebros muito maiores.

 

11. Parto complicado: uma cabeça muito grande

Para os humanos, o parto é mais difícil e perigoso.

Há pelo menos 200 mil anos

Há pelo menos 200 mil anos

Diferentemente de outros primatas, as mães quase sempre precisa de ajuda.

Caminhar sobre duas pernas fez com que as fêmeas humanas tenham um canal pélvico mais estreito e passagem de um bebê humano com a cabeça maior de seus ancestrais ficou dificultada.

Para compensar esse “problema logístico”, bebês humanos nascem pequenos e indefesos.

12. Controle do fogo

Ninguém sabe quando os humanos aprenderam a controlar o fogo.

 

Há 1 milhão de anos

Há 1 milhão de anos

A evidência mais antiga do uso do fogo está na Caverna de Wonderwerk, na África do Sul, que contém cinzas fossilizadas e ossos queimados datando de um milhão de anos.

Mas alguns especialistas afirmam que o fato de homem já ser capaz de processar alimentos há mais tempo do que isso poderia incluir o ato de cozinhar.

13. O dom da fala

Todos os grandes hominídeos têm sacos de ar em seus tractos vocais, o que lhes permite emitir fortes gritos.

 

Há 600 mil - 1,6 milhão de anos

Há 600 mil – 1,6 milhão de anos

Mas não os humanos, porque essas bolsas fazem impossível produzir diferentes sons.

Nossos ancestrais aparentemente perderam os sacos de ar antes de se separar em termos evolucionários da espécie Neanderthal, o que sugere que eles também podiam falar.

 

14. Um gene para a linguagem

Algumas pessoas têm uma mutação em um gene chamado FOXP2.

 

Há meio milhão de anos

Há meio milhão de anos

 

Como resultado, custa a elas entender gramática e pronunciar palavras.

Isso sugere que o FOXP2 é crucial para aprender o uso da linguagem.

15. Saliva reforçada para comer carboidratos

A saliva humana contém uma enzima chamada amilasa, fabricada pelo gene AMY1, e que digere amidos.

 

Humanos descendentes de agricultores têm mais cópias do gene AMY1

Humanos descendentes de agricultores têm mais cópias do gene AMY1

 

Os humanos modernos cujos ancestrais foram agricultores têm mais cópias do AMY1 que aqueles cujos ancestrais era caçadores, por exemplo.

Este reforço digestivo pode ter ajudado a dar início ao cultivo, aos povoados e às sociedades modernas.

Espessura do gelo na Antártica reduz 18% em 18 anos

Washington – A espessura do gelo em torno da Antártica sofreu uma redução de 18% entre 1994 e 2012, revela um estudo publicado nesta quinta-feira.

O estudo, baseado em informações de satélites, foi realizado pela Agência Espacial Europeia entre 1994 e 2012 e revela como o gelo antártico reage à mudança climática.

Pinguins em bloco de gelo perto da base brasileira Comandante Ferraz na Antártica em 10 de março de 2014

Pinguins em bloco de gelo perto da base brasileira Comandante Ferraz na Antártica em 10 de março de 2014


O trabalho foi publicado no site da revista Science.

Os paredões de gelo têm uma espessura média de entre 400 e 500 metros e podem se estender por centenas de quilômetros na costa antártica.

Quando o paredão sofre uma redução drástica de sua espessura, placas de gelo caem no oceano e começam a derreter, elevando o nível do mar.

Os pesquisadores concluíram que o volume total de gelo antártico se alterou pouco entre 1994 e 2003, mas a partir de então o derretimento se acelerou de forma pronunciada.

“Uma redução de 18% durante um período de 18 anos é realmente algo substancial”, disse Fernando Paolo, cientista da Universidade da Califórnia, em San Diego.

“Em geral, mostramos não apenas que o volume total de gelo está decrescendo, mas também que houve uma aceleração na última década”.

Se o ritmo do derretimento prosseguir, as geleiras poderão perder a metade de seu volume nos próximos 200 anos, segundo os pesquisadores.

Para o professor Andrew Shepherd, diretor do Centro para a Observação Polar da Universidade de Leeds, a tendência do derretimento é “uma verdadeira preocupação, porque estes níveis de derretimento não podem ser mantidos por muito tempo”.

As geleiras do Mar de Amundsen, no oeste da Antártica, estão perdendo gelo mais rapidamente do que em qualquer outra parte do continente e são as que mais contribuem para a elevação do nível do mar, disseram os investigadores.

Biohackers conseguem “injetar” visão noturna em humanos

Um grupo de biohackers americanos afirma ter descoberto uma forma de fazer o olho humano ser capaz de enxergar no escuro, gerando uma espécie de visão noturna natural.

Gabriel Lucina recebeu 50 ml da substância em seus olhos; após uma hora, os efeitos começaram a aparecer e ele reconheceu formas e símbolos que estavam a 10 metros de distância no escuro

Gabriel Lucina recebeu 50 ml da substância em seus olhos; após uma hora, os efeitos começaram a aparecer e ele reconheceu formas e símbolos que estavam a 10 metros de distância no escuro

Para fazer isso, o grupo Science for the Masses usou uma espécie de substância análoga à clorofila chamada Chlorin e6 (ou Ce6), encontrada em peixes que vivem em profundidades abissais e que é usada para tratar de cegueira noturna, a dificuldade que algumas pessoas têm de enxergar em locais com luminosidade reduzida.

A substância é usada de forma intravenosa desde os anos 1960 para tratar diferentes tipos de câncer e alguns estudos já injetaram o Ce6 em ratos para entender quais os efeitos na visão desses animais.

Um dos pesquisadores do grupo serviu de cobaia para o experimento. Gabriel Lucina recebeu 50 ml de Ce6 no seu saco conjuntival, uma bolsa que fica na parte inferior dos olhos. Essa estrutura carrega a substância química até a retina.

Após uma hora, o efeito começou a aparecer. Colocado em um campo escuro, Lucina inicialmente começou a reconhecer formas e símbolos que estavam a 10 metros de distância. Com o tempo, ele enxergou pessoas que estavam a 50 metros distância, entre algumas árvores.

Nos testes, Licina acertou o que era o objeto enxergado em 100% das vezes. O grupo de controle, que não recebeu o Ce6, acertou apenas um terço das vezes. A visão do cobaia voltou ao normal após 20 dias, sem efeitos colaterais mais graves.

O experimento precisa ser feito mais vezes e em testes científicos mais rigorosos, para ser considerado um sucesso. Para os cientistas que o realizaram, porém, já é possível dizer que ele funcionou.

“Mostramos que isso pode ser feito. Se conseguimos fazer isso em nossa garagem, outras pessoas podem fazer também”, afirma Jeffrey Tibbets, diretor médico do grupo.

Nasa usa astronautas gêmeos para estudar gravidade no corpo humano

Os astronautas gêmeos Scott e Mark Kelly estão prontos para participar de uma experiência inédita da Nasa. Scott embarca nesta sexta-feira (27) para a Estação Espacial Internacional (ISS), onde vai ficar por um ano, submetido à gravidade zero. Mark, que já é aposentado, vai ficar aqui na Terra, como grupo de controle. Os dois serão acompanhados por pesquisadores até o fim da experiência. O objetivo é analisar o efeito da gravidade zero e de voos espaciais no corpo e na mente do ser humano.

Nasa usa astronautas gêmeos para estudar gravidade no corpo humano

Nasa usa astronautas gêmeos para estudar gravidade no corpo humano


Scott Kelly, 50, será o primeiro norte-americano a ficar tanto tempo em órbita ao lado do russo Mikhail Kornienko que também vai passar um ano na ISS. Eles só voltam em março de 2016. Este estudo servirá como preparação para que a Nasa possa mandar humanos cada vez mais longe. Os norte-americanos têm em mente as viagens à Marte.

Porém o experimento não é perfeito. Mark não irá se alimentar com a comida espacial que o irmão estará comendo e também não terá a mesma rotina. Scott Kelly disse à agência AFP estar preocupado com o efeito das radiações e da microgravidade, e também porque a estadia prolongada afeta o sistema imunológico, reduz a densidade óssea e atrofia os músculos. A falta de gravidade também afeta a visão. “Espero que isto não seja muito difícil e que possamos continuar vivendo e trabalhando no espaço durante períodos mais longos”, disse.

Também serão feitos exames genéticos para determinar a forma como um voo prolongado ao espaço pode afetar o organismo, afirmou Julie Robinson, uma das cientistas responsáveis pelo programa, também à agência AFP.

Robinson afirmou ainda que a agência espacial russa havia colocado à disposição todos os dados coletados durante as missões humanas de longa duração no espaço na estação Mir.

“Com a ISS vamos descobrir se os exercícios físicos intensivos durante as estadias orbitais são eficazes para proteger os astronautas”, explicou a cientista.

Assim como em suas estadias anteriores a bordo da ISS, Scott Kelly vai passar uma parte de seu tempo lendo e vendo jogos de basquete e hóquei na televisão. Além disso, ele tem a intenção de levar um diário onde vai registrar suas experiências e impressões. Kelly disse que sentirá muita falta de sua família. É divorciado e tem dois filhos.

Zoo de SP tem fruta em gelo, tinta e bola para evitar tédio entre animais

Enquanto a elefanta africana Terezita balança de um lado para o outro em seu pátio de terra batida no Zoológico de São Paulo, o urso pardo anda em círculos dentro de sua caverna, o gato-mourisco é visto indo e voltando de sua vitrine e o babuíno segue imóvel, com a testa apoiada em um degrau. Morrer de tédio não é mera força de expressão na criação de bichos em cativeiro. O problema diminui o apetite dos animais e a resistência deles a doenças e os deixa debilitados. Pesquisas mostram que o tédio do confinamento faz os níveis de corticosterona (o hormônio do estresse) no sangue dispararem.

Desenvolver atividades para combater o marasmo é um dos desafios do zoológico paulistano, que está completando 57 anos em março.

Urso pardo Dingo é seguido por urubus aonde quer que vá

Urso pardo Dingo é seguido por urubus aonde quer que vá

Para quebrar a rotina de verdade, as atividades devem ser variadas. Para cada animal, um repertório de 30 a 40 estímulos diferentes é bolado.

A maioria dos bichos recebe frutas em cubos de gelo e alimentos escondidos. A comida pode ser colocada em caixas, entre folhagens ou em uma bola de plástico com buracos, o que faz o animal ter de manipulá-la para conseguir se alimentar.

Com uma forte paixão por areia, a elefanta Terezita recebe meio caminhão em seu recinto a cada dois meses. “Ela deita, fica com as pernas para cima, faz uma verdadeira esfoliação”, diverte-se o biólogo Oriel Nogali, responsável pelo programa “antitédio” do zoológico paulistano.

Pintura é outro hobby da paquiderme. Com tintas feitas à base de farinha, água e corantes comestíveis, ela pinta olhos, orelhas e testa, usando a tromba como pincel.

A atividade é mais sensorial do que artística. “A tromba do elefante é muito tátil. Pegar aquela pasta e esfregar no corpo deve dar uma sensação diferente para ela”, conta Oriel.

Chimpanzé se diverte com brincadeiras criadas pela "equipe anti-tédio" da instituição

Chimpanzé se diverte com brincadeiras criadas pela “equipe anti-tédio” da instituição

Também são muito utilizados os estímulos de cheiro, os preferidos do urso pardo, um dos animais que precisam de atividades todos os dias.

Dingo adora descobrir de onde vem o odor de temperos como curry e pimenta do reino que a equipe do zoo espalha pelo seu recinto. Também gosta de se esfregar nos aromas, para que fiquem impregnados em seu corpo.

“É um animal que veio de circo, desnutrido. Quando chegou, tinha um comportamento de esfregar a cabeça na parede até esfolá-la”, conta Oriel. Atualmente, o urso parou de machucar a si próprio, mas continua a apresentar o chamado “pacing” (mania de caminhar constantemente).

Gato-mourisco atrás de suas grades no zoológico

Gato-mourisco atrás de suas grades no zoológico

DIFICULDADES

O programa de enriquecimento comportamental e ambiental do Zoológico de São Paulo foi implantado em 2004 e atualmente conta com oito funcionários para os cerca de 3.200 animais. Para especialistas da área, ainda é considerado abaixo da excelência que os setores de nutrição e veterinária da instituição já alcançaram.

O biólogo Oriel Nogali, responsável pelo programa, diz que eles ainda precisam “melhorar muito”, especialmente em relação à formação dos técnicos, o que acontece a longo prazo.

Outro entrave, afirma ele, é a burocracia para adquirir os itens necessários —como as compras têm de passar pela aprovação do governo do Estado, podem demorar um pouco. Por exemplo: um dos acessórios que Oriel planeja importar são bolas feitas de borracha maciça, que custam o equivalente a R$ 710 nos Estados Unidos, onde são fabricadas.

De acordo com Oriel, esse tipo de bola poderia ajudar a entreter elefantes, rinocerontes, tigres e outros animais. Hoje, há apenas uma dessas bolas especiais no zoo, doada por uma pesquisadora estrangeira em visita à instituição.

Onça-pintada se diverte com brincadeiras criadas pela "equipe anti-tédio" da instituição.

Onça-pintada se diverte com brincadeiras criadas pela “equipe anti-tédio” da instituição.

DANÇA DA SOLIDÃO

A vinda de um companheiro também pode ajudar a aplacar o tédio, mas a tarefa é das mais difíceis. Para o babuíno Babu, não há muita esperança depois de tantos anos.

Ele era o mais jovem de seu grupo, mas os companheiros foram morrendo um a um. Uma fêmea chegou a ser trazida para se juntar ao símio anos atrás, mas o romance acabou não emplacando.

Pelo contrário, ele a atacou. “Tivemos de costurar a fêmea inteira”, lembra Mara Marques, bióloga do departamento técnico do zoo.

Terezita é uma elefanta (pintora)

Terezita é uma elefanta (pintora)

Existe uma lista de intercâmbio de animais entre os zoos, mas normalmente as trocas só ocorrem para programas de conservação de espécies ou de educação, com grupos de animais que já estão habituados entre si. Isso porque os custos envolvidos com transporte e adaptação podem ser muito altos, e as chances de sucesso, baixas para justificar um pareamento apenas por questões de companhia. “É preciso muito estudo antes de se tomar uma decisão dessas”, afirma a bióloga.

Quando os chimpanzés que estão atualmente em exibição em São Paulo foram trazidos de Lisboa, um tratador veio junto para que os animais pudessem se desvincular aos poucos. Além dos gastos com transporte, que envolveram também contratação de seguro, foi preciso pagar a estadia do profissional.

Justamente por causa do estresse a que os animais acabam sendo submetidos, há diversas entidades que se colocam contra os zoológicos.

É o caso do Projeto GAP Internacional, que tem foco em grandes primatas. Segundo seu presidente, Pedro Ynterian, além de solidão e tédio, a exposição também é uma fonte de angústia para os bichos.

“Eles são submetidos ao assédio do público, o que perturba muito, especialmente os primatas. E os animais são trancados à noite. É antinatural”, afirma Ynterian.

Orangotango encara menino por meio de vidro do zoológico

Orangotango encara menino por meio de vidro do zoológico

Essa percepção negativa é desafiadora para os zoológicos, que dependem de verbas de bilheteria e de repasses do governo. Se as instituições são vistas negativamente, essas receitas diminuem, diz a bióloga Mara Marques.

No Zoológico de São Paulo, em 2013, ano do último relatório disponível, a instituição recebeu a visita de 1,2 milhão de pagantes, o que gerou uma receita de R$ 20,7 milhões —a maior parte dos R$ 24,9 milhões arrecadados se somadas as verbas vindas do governo e de atividades e investimentos do próprio zoo.

Os animais do zoológico não são tirados da natureza. Normalmente, são resgatados do tráfico, de zoológicos que fecharam ou de circos, explica o biológo Carlos Alberts, pesquisador da Unesp de Assis (SP).

Além disso, hoje os zoos desenvolvem programas de conservação, que podem ajudar a salvar espécies ameaçadas de extinção.

Leão no zoológico de paris.

Leão no zoológico de paris.

“É ingênuo pensar que na natureza o bicho está sempre bem. Eles passam fome, brigam. No zoo, um leão vive 30 anos. Na natureza, dez.”

4 fatos chocantes que você precisa saber sobre a carne suína

A vasta maioria das embalagens e propagandas sobre a carne suína no Brasil omite qualquer informação sobre como esses produtos são originados. Enquanto muito se diz sobre qualidade e sabor dos diferentes cortes, presuntos, bacons, salsichas e linguiças, nada se fala sobre como os cerca de 36 milhões de porcos abatidos todos os anos no Brasil são criados.

4 fatos chocantes que você precisa saber sobre a carne suína

4 fatos chocantes que você precisa saber sobre a carne suína

Por isso, o Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal (FNPDA) preparou uma lista que revela fatos chocantes, mas reais, sobre como a maioria dos porcos são criados e tratados em sistemas industriais. Respire fundo e prepare-se para entender por que as indústrias da produção e do marketing estrategicamente fazem questão de esconder isso de você.

1. Leitões têm seus dentes cortados
Com menos de sete dias de vida, leitões – fêmeas e machos – têm seus dentes cortados ou lixados. Na maioria das vezes, os animais gritam e agonizam de dor, pois esse procedimento é feito sem nenhum tipo de anestesia ou medicações que aliviem a dor e o estresse.

Os dentes dos leitões são inervados e estudos científicos já demonstraram que o corte pode causar dor aguda e sentimento de angústia no momento e nos minutos seguintes ao procedimento. O corte de dentes também pode causar dor e complicações mais duradouras, de até 120 dias após o corte – como aberturas de cavidades, fraturas, hemorragias, infiltrações e abscessos.

Essa prática cruel ainda impera no Brasil sob a desculpa de que ela é necessária para prevenir ferimentos nas mamas das porcas parideiras, embora evidências científicas provem que isso não é necessariamente verdade. Desde 2003, a prática de cortar ou lixar dentes de leitões de forma rotineira já foi proibida em todos os países da União Europeia.

2. Leitões têm suas caudas esmagadas ou cortadas
Também logo após nascerem, antes de completarem sete dias de vida, os leitões em sistemas industriais têm suas caudas esmagadas ou cortadas. Embora o procedimento seja inquestionavelmente estressante e doloroso para os animais, o uso de anestésicos e analgésicos é geralmente dispensado pelos produtores.

Porcos são animais extremamente inteligentes e ativos, que passam a maioria do seu tempo explorando o ambiente em que vivem. O corte de caudas é feito porque em sistemas de confinamento tradicional – que são predominantes no Brasil – eles vivem em baias de concreto superlotadas que não proveem nenhum tipo de enriquecimento ambiental. O estresse e o tédio gerados por esse sistema de produção os levam a explorar e morder as caudas dos companheiros de baia, o que às vezes também resulta em infecções graves e surtos de canibalismo.

Estudos científicos são vastos e claros: porcos criados em sistemas abertos, ou com uso de enriquecimento e espaço suficiente, não desenvolvem o comportamento anormal de morder caudas e assim a prática extremamente cruel de cortá-las ou esmagá-las não é “necessária”. Assim como para o corte de dentes, a União Europeia também já proibiu o corte rotineiro de caudas.

3. Leitões são castrados sem anestesia
Como se não bastasse, também antes de atingir o sétimo dia de vida, os leitões machos têm seus sacos escrotais cortados e os testículos removidos, sem o uso de medicação para anestesiar ou aliviar a dor. Esse procedimento desumano é feito para evitar o odor forte dos hormônios masculinos na carne de animais abatidos.

No entanto, países como Dinamarca e Alemanha já usam analgésicos rotineiramente. Suíça e Holanda já abandonaram a prática totalmente, usando métodos alternativos, como abater animais mais jovens ou separar carcaças com odor forte. A União Europeia como um todo já está trabalhando para que a prática de castração sem anestesia seja abolida e negociações atuais com a indústria e o varejo indicam que isso pode acontecer já em 2018.

4. Porcas parideiras vivem em gaiolas minúsculas
De acordo com artigos da indústria, cerca de 99% das porcas usadas para parir leitões de engorda na produção industrial de carne suína do Brasil são confinadas por praticamente toda a vida em gaiolas de gestação e parição.

Essas gaiolas são tão pequenas que as porcas não podem sequer se virar dentro delas, ou dar mais do que um passo para frente ou para trás. A prática de confinar porcas em gaiolas por toda a vida é tão cruel que já foi proibida em todos os países da União Europeia, Canadá e Nova Zelândia – e associações de produtores na Austrália e África do Sul já se comprometeram a abandoná-la de forma gradual.

Porcos são um dos animais mais inteligentes do planeta, até mais do que os cães, e não é exagerado dizer que o sofrimento das porcas reprodutoras confinadas dessa forma é um dos piores dentre os animais criados para consumo.

No Brasil, a pressão do Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal e outras ONGs de proteção animal já levou a BRF, maior produtora nacional e dona das marcas Sadia e Perdigão, a declarar que acabará com esse sistema de confinamento. Agora, nós estamos pedindo que a JBS, segunda maior produtora e dona da marca Seara, faça o mesmo. Se você se importa com a forma como os animais são tratados na produção de alimentos, clique aqui e assine a petição que pede que a JBS ouça essa demanda.

E não se esqueça: esse é apenas um primeiro passo para que a produção de carne suína se torne um pouco menos cruel. Dados todos os demais abusos que reportamos aqui, a decisão mais sensata é não consumir carne suína, recusando presuntos, bacons, salsichas e linguiças em embalagens pomposas promovidas por celebridades que nada dizem sobre como eles são produzidos.

Qual ser vivo domina a Terra?

Nós, humanos, temos a tendência de achar que mandamos na Terra. Com nossas habilidades físicas, linguísticas e cognitivas avançadas e com nosso status de superpredadores, estamos convencidos de que somos a forma de vida dominante no planeta. Mas será verdade?
Existem seres vivos que são muito mais numerosos, estão mais espalhados pela superfície da Terra e representam uma parcela maior da biomassa do planeta do que nós.
Certamente nós causamos enormes impactos em todos os cantos do globo e em seus outros habitantes. Mas será que existem seres vivos com uma influência maior e mais significativa? Quem, afinal, domina o planeta?

Existem 400 mil espécies de besouros catalogadas, cada uma com funções bem específicas

Existem 400 mil espécies de besouros catalogadas, cada uma com funções bem específicas

Se a resposta for apenas uma questão numérica, nenhuma espécie pode se comparar aos colêmbolos (Collembola), criaturas de seis patas que mais parecem com minúsculos camarões, medindo entre 0,25 e 10 milímetros. Em cada metro quadrado de terra há cerca de 10 mil desses animais, mas em alguns lugares essa concentração pode chegar a 200 mil por metro quadrado.
As 6 mil espécies dessa ordem de artrópodes podem ser encontradas em todos os habitats do mundo, de praias tropicais às geleiras da Antártida.
Assim como os fungos, os colêmbolos aceleram a transformação de plantas mortas em nutrientes reutilizáveis. Sua importância nesse processo varia de acordo com cada habitat, mas estima-se que eles sejam responsáveis por até 20% da decomposição de matéria orgânica morta em alguns lugares.
Outro animal campeão, em termos quantitativos, é a formiga. Cientistas calculam que existam de 10 quatrilhões a 1 septilhão (um milhão de quatrilhões) delas no planeta. É o inseto mais numeroso do mundo.
E, apesar de representarem uma população menor que a dos colêmbolos, as formigas têm muito mais capacidade de influenciar o ambiente onde vivem.
“As formigas controlam cada milímetro da superfície da Terra que habitam, o que quer dizer a maioria dos lugares”, afirma Mark Moffett, entomologista do Instituto Smithsonian, em Washington, e autor do livro Adventures Among Ants (Aventuras entre formigas, na tradução livre). “Elas administram esses territórios alterando ou removendo elementos para seu próprio benefício.”
O controle das formigas ocorre de várias maneiras: ao revolverem mais terra do que as minhocas, ao removerem seus mortos para reduzir a transmissão de doenças e ao travarem verdadeiras guerras com populações inimigas. As formigas são também capazes de cultivar fungos como alimentos e até usar um pesticida bacteriano para aumentar a produtividade desses cultivos.
Elas ainda “domesticam” afídios (ou piolhos-de-plantas) com a finalidade de extrair deles uma substância chamada de melada, da qual as formigas também se alimentam.

Colêmbolos são menores que a cabeça de um alfinete e estão por toda parte

Colêmbolos são menores que a cabeça de um alfinete e estão por toda parte

Mas talvez alguns seres vivos maiores sejam capazes de dominar os menores de uma maneira menos evidente.
Não podemos nos esquecer das plantas. A biomassa das espécies vegetais existentes no planeta é cerca de mil vezes maior que a dos animais. E, enquanto outras formas de vida podem ser mais numerosas, mais diversificadas e claramente mais assertivas, a vasta maioria não existiria sem o oxigênio liberado pela vegetação através da fotossíntese.
As angiospermas, capazes de dar flores, representam quase 90% de todas as espécies de plantas no planeta. Elas também estão na base da grande maioria dos ecossistemas terrestres.
Só que isso não quer dizer que elas mandam na Terra. Afinal, a dominação também pode ser uma questão de diversidade e especialização.
E nenhum outro ser vivo tem mais estratificações especializadas do que os besouros. Cientistas já catalogaram cerca de 400 mil espécies desses insetos – ou seja, eles representam de 20% a 33% de todas as formas de vida já reconhecidas no mundo.
“Os besouros são o grupo dominante nos ecossistemas terrestres”, afirma Max Barclay, diretor da coleção de besouros do Museu de História Natural de Londres. “Eles dividiram o mundo em pequenas partes para se especializaram em diferentes tarefas, conseguindo coexistir sem entrarem em competição”.
Não é só a capacidade de adaptação que coloca os besouros na lista de possíveis “reis do mundo”. Eles também exercem um papel fundamental na maioria dos ecossistemas, liberando nutrientes para outros seres vivos – ao se alimentarem de madeira ou esterco, por exemplo.
E se os insetos não existissem (e 40% deles são besouros), a maioria das plantas não seria polinizada e não estaria no planeta para produzir o oxigênio de que tanto precisamos.

Formigas são capazes de modificar o ambiente para seu próprio benefício

Formigas são capazes de modificar o ambiente para seu próprio benefício

Mas até aqui estamos adotando uma abordagem totalmente centrada no Homem. Se o famoso cientista americano Stephen Jay Gould estivesse vivo, ele certamente reclamaria de termos até agora ignorado uma forma de vida comprovadamente mais adaptável, indestrutível e espantosamente diversificada: as bactérias.
As do gênero Wolbachia são um exemplo particularmente bom da dominância imperceptível desses microrganismos. Extremamente engenhosas e bem espalhadas, essas bactérias vivem nas células de cerca de 60% de todos os insetos e outros artrópodes, como as aranhas e os ácaros.
Elas são transmitidas de uma espécie a outra através dos óvulos das fêmeas hospedeiras, e por isso conseguem manipular esses organismos para aumentar suas próprias chances de sobrevivência. Isso inclui táticas como induzir mudanças para transformar em fêmeas os machos de borboletas, cupins e crustáceos.
Essas bactérias também conseguem fazer alterações nos cromossomos de abelhas e formigas para que elas consigam se reproduzir sem a necessidade de um macho. Elas ainda são capazes de matar embriões machos em espécies onde existe muita competição por recursos entre filhotes.
“Pela maneira como manipulam e alteram seus hospedeiros, as Wolbachia podem ter sido o principal motor de mudanças evolucionárias em muitas espécies”, afirma John Werren, professor de biologia da Universidade de Rochester, nos Estados Unidos.
Não é de se espantar que essa bactéria seja uma forte candidata ao posto de ser vivo mais dominante do mundo.

Bactérias do gênero Wolbachia são capazes de manipular cromossomos de insetos

Bactérias do gênero Wolbachia são capazes de manipular cromossomos de insetos

Mas não podemos esquecer que nem só de terra firme vive a Terra, e que nem tudo o que produz oxigênio é planta.
A verdade é que a atmosfera terrestre continha pouquíssimo oxigênio até o advento das cianobactérias, que evoluíram para se tornarem os primeiros organismos fotossintéticos, há 2,5 bilhões de anos.
Essa mudança na atmosfera foi o que abriu caminho para a biodiversidade que temos hoje no planeta.
A cianobactéria forma uma sequência móvel de células que podem se destacar de suas colônias para formar novas. Podem ser encontradas em quase todos os habitats terrestres e aquáticos, vivendo entre fungos, plantas e animais e formando a gigante massa visível azul-esverdeada dos oceanos.

As cianobactérias foram os primeiros organismos a liberar oxigênio na atmosfera

As cianobactérias foram os primeiros organismos a liberar oxigênio na atmosfera

Além de gerar oxigênio, elas exercem um papel fundamental com sua capacidade de converter o nitrogênio atmosférico em nitrato orgânico ou amônia, nutrientes essenciais que as plantas retiram do solo para crescerem.
Essas funções e sua onipresença em todos os habitats fizeram muitos cientistas argumentarem que as cianobactérias são os mais importantes e mais bem-sucedidos microoganismos da Terra.
Mas para Moffett, do Smithsonian, a melhor maneira de definir quem domina o planeta é pensar em diferentes escalas físicas. “Se levarmos em consideração os tamanhos dos seres vivos, poderíamos dizer que os micróbios dominam sua escala, o Homem domina sua escala e as formigas tendem a dominar tudo o que está no meio”, diz.
Já Sandy Knapp, diretora do setor de plantas do Museu de História Natural de Londres, acredita que é impossível se chegar a uma resposta para essa pergunta porque os seres vivos são interdependentes. “É a mesma coisa que perguntar qual das quatro pilastras sustentando uma casa é a mais importante”, afirma. “Se você tirar uma delas, verá que tudo vai desmoronar.”