Category Archives: Geologia

Nasa vai lançar nave para escavar o solo de Marte e estudar origem do planeta

Sonda espacial vai medir sinais vitais de Marte

Sonda espacial vai medir sinais vitais de Marte

Os instrumentos da Insight permitirão medir os “sinais vitais” de Marte.[Imagem: JPL/NASA]

A missão InSight, da Nasa, enviará a Marte a primeira sonda capaz de perfurar o solo e estudar o interior do Planeta Vermelho. O lançamento da sonda está programado para ocorrer neste sábado (5) às 6h05 da manhã. Segundo a Nasa, há uma probabilidade de 20% de que as condições meteorológicas permitam o lançamento.

A missão Exploração Interior com uso de Investigação Sísmica, Geodésia e Transporte de Calor (InSitght, sigla em inglês) colocará um módulo de pouso geofísico em Marte para estudar o interior do planeta.

Mas, segundo a Nasa, seu objetivo vai além disso: a sonda também estudará questões fundamentais da ciência dos planetas e do Sistema Solar, para que os pesquisadores compreendam os processos que levaram à formação dos planetas rochosos do Sistema Solar Interno – entre eles a Terra – há mais de 4 bilhões de anos.

Segundo a Nasa, missões anteriores enviadas a Marte investigaram a história da superfície do planeta a partir da análise de características de seus cânions, vulcões, rochas, montanhas e solo. Mas, até agora, nenhuma missão analisou a evolução inicial do planeta, que só pode ser estudada observando o subsolo.

Utilizando instrumentos geofísicos sofisticados, o módulo escavará a superfície marciana para detectar pela primeira vez as marcas dos processos de formação dos planetas rochosos e para medir os “sinais vitais” de Marte: seu “pulso” (sismologia), “temperatura” (fluxos de calor) e “reflexos” (rastreamento de precisão).

Para estudar o solo marciano, a InSight é equipada com diversos instrumentos operados por um braço robótico, incluindo sismômetros – que medem as ondas sísmicas provocadas por impactos de meteoros e por “martemotos” – e uma broca com uma sonda térmica, que irá perfurar o solo em até 5 metros e medir os fluxos de calor no interior do planeta.

Como Marte é geologicamente menos ativo que a Terra – ele não possui placas tectônicas, por exemplo -, o planeta mantém um registro mais completo de sua história em sua crosta, seu manto e seu núcleo. Ao estudar essas características, os cientistas poderão descobrir mistérios sobre os processos evolutivos de todos os planetas rochosos.

Antes da InSight, 14 missões já haviam sido enviadas a Marte. Nove delas foram lançadas pelos Estados Unidos, sendo que duas fracassaram, em 1999. Das demais missões – todas fracassadas – três foram lançadas pela União Soviética, uma pelo Reino Unido e uma por uma parceria entre as agências espaciais da Europa e da Rússia.

Costa Oeste

Pela primeira vez uma missão planetária será lançada a partir da costa oeste dos Estados Unidos. Em vez da tradicional base de lançamento do Centro Espacial Kennedy, na Flórida, a InSight será enviada a partir da Base Vandenberg da Força Aérea Americana, localizada na região de Santa Bárbara, na Califórnia.

No lançamento, será utilizado o foguete Atlas V, da United Launch Alliance, uma joint venture das empresas Lockheed Martin e Boeing. Além da InSight, o foguete levará ao espaço também o experimento tecnológico Mars Cube One (MarCO).

Composto por duas miniespaçonaves, o MarCO testará pela primeira vez no espaço profundo uma tecnologia de CubeSat, termo que remete às palavras “cubo” e “satélite” em inglês. Esse tipo de satélite miniaturizado – ou nanossatélite – é em geral utilizado para pesquisas espaciais acadêmicas. Os dois pequenos equipamentos foram desenvolvidos para testar novas tecnologias de comunicação e navegação para missões espaciais.

A missão InSight é parte do Programa Descoberta, da Nasa. A nave – incluindo o estágio de cruzeiro e o módulo de pouso – foi construída e testada pela Lockeed Martin Space, em Denver, Nos Estados Unidos. O programa tem participação de várias instituições europeias, como a Agência Espacial Francesa, o Centro Nacional de Estudos Espaciais da França e o Centro Aeroespacial da Alemanha.

Pedras fundamentais de Stonehenge não foram obra de humanos diz pesquisador

Pedras fundamentais de Stonehenge não foram obra de humanos diz pesquisador
Segundo arqueólogo, a localização do monumento não foi escolhida ao acaso, mas por um fenômeno naquela posição específica

Stonehenge à noite

Segundo arqueólogo, a localização do monumento não foi escolhida ao acaso, mas por um fenômeno naquela posição específica

eito em algum ponto entre 5 mil e 4 mil anos atrás, Stonehenge é desses lugares com uma aura de mistério. Como pedras de até 50 toneladas foram carregadas para lá, de uma pedreira a 30 km de distância, como foram empilhadas e por quê?

Essas perguntas tem respostas hipotéticas (veja ao final). Mas uma outra acaba de ser respondida a contento: por que foi feito onde foi? E não, digamos, convenientemente perto das pedreiras?

O arqueológo independente Mike Pitts, que fez extensas escavações no local no fim dos anos 70, acaba de publicar um estudo que, acredita, responde a isso. Numa longa matéria no Journal of British Archaeology (“Journal de Arqueologia Britâniica), argumenta que as partes mais fundamentais de Stonhenge sempre estiveram lá.

Ao lado das chamadas Pedra do Calcanhar e a Pedra 16, havia indícios de covas naturais. O que, segundo ele, indica o local onde as pedras estavam originalmente, por possivelmente muitos milhões de anos. Elas simplesmente foram escavadas e levantadas numa nova posição.

As duas pedras projetam uma sombra alinhada ao centro do monumento nos solstícios de verão e inverno. Como essas sombras parecem ter sido absolutamente fundamentais no funcionamento do monumento, a ideia é que as pessoas do neolítico notaram isso, as tornaram um ponto de reverência, e o monumento surgiu em volta delas. A Pedra do Calcanhar, inclusive, não foi trabalhada, mas mantida ao natural.

Pedras fundamentais de Stonehenge não foram obra de humanos diz pesquisador

Na ilustração do arqueólogo, a Pedra do Calcanhar (heelstone) aparece no canto superior direito, a Pedra 16 (Stone 16), no inferior esquerdo. Borrões vermelhos indicam as covas Mike Pitts

Pitts afirma que não tem certeza absoluta de que sejam essas duas pedras as que estavam nas covas — testes químicos serão necessários para provar que elas não vieram da mesma pedreira que as outras, ou que não há outras pedras originais. Mas se mantém firme na teoria de que já havia algo no local de Stonehenge antes de Stonehenge.

“Nada disso quer dizer que Stonehenge é uma criação mesolítica, de caçadores-coletores, e não povos agrícolas”, afirma Pitts em seu blog. “Stonehenge em si continua, pelas evidências atuais, sendo algo que começou por volta do ano 3000 a.C. O que estou sugerindo é que, quando isso aconteceu, o local já estava atraindo as pessoas por provavelmente uma variedade de razões.”

Assim como as pirâmides, Stonehenge não é um mistério tão grande assim. Testes práticos confirmaram algumas hipóteses principais, de que era possível, sim, fazê-lo com tecnologia neolítica. O mais aceito é que as pedras foram levadas com trenós ou troncos, empilhadas através de cordas, hastes e rampas, e o local era um templo com significado astronômico ligado ao solstício de inverno — um sentido que, de acordo com uma teoria mais recente, pode ser até sexual.

Robô Curiosity, da Nasa, completa 2 mil dias caminhando na superfície de Marte

Cientistas que participaram da missão de exploração de Marte dizem quais são suas imagens favoritas do planeta vermelho, e explicam o porquê.

Um ciclo completo do MRO em torno do planeta vermelho determina um “dia marciano”, chamado pelos pesquisadores de “sol”.

A primeira imagem enviada pela Rover é uma fotografia granulada, feita pela câmera Front Hazard, do local conhecido como monte Sharp. Esta câmera geralmente é usada pelos controladores do aparelho para evitar obstáculos nos deslocamentos.

Robô Curiosity, da Nasa, completa 2 mil dias caminhando na superfície de Marte

Cientistas que participaram da missão de exploração de Marte dizem quais são suas imagens favoritas do planeta vermelho, e explicam o porquê.

Seixos de rio: Quando começamos a dirigir, cerca de 16 “sóis” depois da aterrissagem, logo nos deparamos com esses “seixos” no terreno. O formato arredondado dessas pedras sugeriam que elas tinham se formado em um antigo riacho, que corria de um terreno elevado para o local conhecido como cratera Gale. A imagem capturada pela Mastcam mostra essas crateras em close.

Ao contrário do que esperávamos antes do pouso do Curiosity, a imagem não mostrava pedras de basalto primitivo e escuro, e sim uma formação rochosa mais variada e complexa. Os seixos desse antigo rio marciano nos fizeram repensar o que acreditávamos sobre o processo de formação geológica de Marte.

Local chamado Baía de Yellowknife é formado por camadas de areia fina e lama seca (Foto: NASA/JPL-CALTECH)

Cientistas que participaram da missão de exploração de Marte dizem quais são suas imagens favoritas do planeta vermelho, e explicam o porquê.

Lago ancestral: Antes da aterrissagem e nos primeiros momentos da missão, nossa equipe não tinha certeza sobre o que eram os terrenos identificados nas fotos de satélite feitas pelo MRO. Algumas áreas poderiam tanto ser fluxos de lava vulcânica quanto sedimentos acumulados no leito de lagos secos.

Sem imagens feitas do solo, era impossível saber com certeza. Esta imagem resolveu a questão e representou um avanço para a exploração de Marte.

Descobrimos, assim, que o local chamado Baía de Yellowknife é formado por camadas de areia fina e lama seca, que foram depositadas ali por rios que corriam para um lago formado na Cratera Gale. Extraímos as primeiras 16 amostras de solo do local no “dia marciano” de número 182 – fizemos isso para levar o solo e as rochas até os espectômetros que estão dentro do robô. Os resultados, que incluíam argila, material orgânico e compostos que continham nitrogênio, mostraram que aquele local já habitável para vida microbiana. A pergunta seguinte – já houve vida em Marte? – continua sem resposta.

Aparelho encontrou rochas formadas por sedimentos de lama (Foto: NASA/JPL-CALTECH/MSSS)

Aparelho encontrou rochas formadas por sedimentos de lama (Foto: NASA/JPL-CALTECH/MSSS)

Águas profundas: O Curiosity chegou às colinas Pahrump no “dia marciano” de número 753. O que encontramos lá foi fundamental para explicar o passado da Cratera Gale. O aparelho encontrou rochas formadas por sedimentos de lama, criadas quando esse material se decantou lentamente no fundo do lago.

Ou seja: o lago da Cratera Gale foi um corpo d’água perene, que existiu durante bastante tempo, e era bastante profundo.

Cientistas que participaram da missão de exploração de Marte dizem quais são suas imagens favoritas do planeta vermelho, e explicam o porquê.

Robô também encontrou grossa formação de arenito (Foto: NASA/JPL-CALTECH/MSSS)

Uma inconformidade: No local conhecido como Monte Stimson, o Curiosity encontrou uma grossa formação de arenito (rocha formada por areia) na borda do lago seco, separada deste pela formação geológica chamada “inconformidade”.

O que são os estranhos clarões vistos na Terra a partir do espaço

Fenômeno, que há anos é registrado por satélites, foi desvendado em recente estudo científico.

Apartir do espaço, a milhões de quilômetros da Terra, satélites há anos registram curiosos flashes brilhantes de luz, observados tanto sobre áreas de terra quanto sobre oceanos.

Mas o que são esses clarões e por que se formam? Essas perguntas foram respondidas por recentes estudos da Nasa, a agência espacial americana.

O que são os estranhos clarões vistos na Terra a partir do espaço

No centro do círculo observa-se um dos curiosos clarões investigados pelos cientistas
Foto: Nasa

“Esses lampejos de luz provêm de cristais de gelo”, explica Alexander Marshak, pesquisador do Centro Espacial Goddard da Nasa e autor de um estudo recém-publicado sobre o assunto no periódico Geophysical Research Letters .

Quando os minúsculos cristais de gelo que flutuam quase horizontalmente nas nuvens de grande altitude, refletem a luz do sol, explica Marshak.

A descoberta resulta da análise de dados coletados por um ano sobre latitudes dos clarões, dos ângulos de observação e da absorção de oxigênio.

Posição exata

Esses lampejos já haviam chamado a atenção do astrônomo e cientista Carl Sagan, em 1993.

Analisando as imagens captadas pela sonda Galileo, que rumava a Júpiter, Sagan concluiu inicialmente que se tratavam de reflexos criados pela superfície do mar.

Fenômeno, que há anos é registrado por satélites, foi desvendado em recente estudo científico.

Carl Sagan

Mas Marshak, agora, trabalhou com mais imagens da Terra, obtidas pelo satélite Dscovr (sigla em inglês para Deep Space Climate Observatory), lançado em 2015 para estudar tanto a Terra como o Sol.

As imagens do Dscovr mostraram mais de 860 clarões, todos em determinadas latitudes do planeta.

Isso permitiu aos cientistas concluir que sua visualização dependia do ângulo criado entre o Sol, a Terra e o satélite.

Uma nova medição permitiu determinar que os lampejos coincidiam com a localização de nuvens chamadas cirrus, que são finas, brancas, estão a mais de 5 km de altitude e são formadas por microcristais de gelo.

O que são os estranhos clarões vistos na Terra a partir do espaço

Nuvens do tipo cirrus

E, quando a equipe da Nasa voltou a analisar as imagens feitas pela Galileo, comprovou que os clarões também apareciam sobre áreas de terra, a despeito do que havia concluído Sagan anteriormente.

Portanto, segundo Marshak, são os cristais, quando posicionados horizontalmente, que geram os flashes de luz.

As conclusões não apenas resolvem um mistério de muitos anos como também abrem novas possibilidades de investigação.

O satélite Dscovr identificou centenas de lampejos no intervalo de um ano Foto: Nasa

O satélite Dscovr identificou centenas de lampejos no intervalo de um ano
Foto: Nasa

Os instrumentos de satélites como o Dscovr, diz Marshak, podem ajudar nas buscas por lampejos de água na atmosfera de exoplanetas, que sinalizaria a existência de vida nesses locais.

Terra entrou em uma nova era geológica, segundo cientistas

As provas de que a Terra entrou em uma nova era geológica devido ao impacto da atividade humana já são “arrasadoras”, segundo um novo estudo elaborado por uma equipe internacional de cientistas liderada pela Universidade de Leicester (Inglaterra).

A entrada nesta nova era geológica, batizada de Antropoceno, pode ter acontecido em meados do século passado e foi marcada pelo consumo em massa de materiais como alumínio, concreto, plástico e pelas consequências dos testes nucleares em todo o planeta, segundo a pesquisa publicada na revista “Science”.

As provas de que a Terra entrou em uma nova era geológica devido ao impacto da atividade humana já são "arrasadoras", segundo um novo estudo elaborado por uma equipe internacional de cientistas liderada pela Universidade de Leicester (Inglaterra).

Terra entrou em uma nova era geológica, segundo cientistas

A isso é preciso somar o aumento das emissões de gases que provocaram o efeito estufa, assim como uma invasão sem precedentes de espécies em ecossistemas diferentes do seu.

Os cientistas levantam em seu estudo até que ponto as ações humanas registradas são mensuráveis nas camadas geológicas e até que ponto esta nova era geológica se diferencia da anterior, o Holoceno, que começou há 11.700 anos, quando aconteceu o retrocesso das geleiras após a última glaciação.

No Holoceno as sociedades humanas aumentaram a produção de alimentos com o desenvolvimento da agricultura, construíram assentamentos urbanos e aproveitaram os recursos hídricos, minerais e energéticos do planeta.

Por outro lado, o Antropoceno é uma época de rápidas mudanças ambientais provocadas pelo impacto de um aumento da população e pelo consumo, sobretudo após a chamada “grande aceleração” de meados do século 20, segundo os pesquisadores.

“Os humanos estão há algum tempo afetando o meio ambiente, mas recentemente aconteceu uma rápida propagação mundial de novos materiais como alumínio, concreto e plásticos, que estão deixando sua marca nos sedimentos”, disse no estudo o professor Colin Waters, do Instituto Geológico Britânico.

Jan Zalasiewicz, cientista da Universidade de Leicester que é um dos líderes do grupo de trabalho, afirmou que a queima de combustíveis fósseis disseminou pelo ar partículas de cinzas por todo o mundo, ao que é preciso somar os radionuclídeos dispersados pelos testes de armas nucleares.

“Tudo isto demonstra que há uma realidade subjacente no conceito Antropoceno”, declarou Zalasiewicz, também diretor do chamado Grupo de Trabalho Antropoceno, integrado por 24 cientistas.

Segundo o estudo, os humanos mudaram em tal medida o sistema da Terra que deixaram uma série de sinais nos sedimentos e no gelo dos polos, suficientemente diferentes para justificar o reconhecimento da passagem para uma nova época geológica.

O Grupo de Trabalho Antropoceno quer este ano reunir mais provas desta mudança para ver se pode formalizar esta nova época e estabelecer recomendações.

As provas de que a Terra entrou em uma nova era geológica devido ao impacto da atividade humana já são "arrasadoras", segundo um novo estudo elaborado por uma equipe internacional de cientistas liderada pela Universidade de Leicester (Inglaterra).

Terra entrou em uma nova era geológica, segundo cientistas

Desperdício de água: 10 dicas de uma brasileira na Austrália

A oceanógrafa brasileira Giselle Firme, de 41 anos, vive em Sydney, na Austrália, desde 2006.
Casada com um australiano e mãe de dois filhos, ela conta como viver em um dos países mais secos do mundo mudou seus hábitos.
Na Austrália, o setor agrícola – bem como no Brasil – é o principal consumidor de água (cerca de 52% em 2010). O consumo direto, no entanto, também faz diferença e é alvo de constantes campanhas.
“Quando cheguei aqui, fazia tudo errado: escovava os dentes com a torneira aberta, deixava o chuveiro ligado para esquentar a água, tomava banhos demorados e usava a máquina de lavar roupa todo dia. Não demorou muito para eu perceber que, aqui, a escassez é grave, e é preciso mudar hábitos e economizar água”, disse à BBC Brasil.

Desperdício de água: 10 dicas de uma brasileira na Austrália

Desperdício de água: 10 dicas de uma brasileira na Austrália

Viver em um dos países mais secos do mundo mudou os hábitos da oceanógrafa Giselle Firme

Viver em um dos países mais secos do mundo mudou os hábitos da oceanógrafa Giselle Firme

Algumas das mudanças, descritas abaixo, podem espantar brasileiros acostumados com água em abundância. Mas, como explica Giselle, “a pressão social para se usar esses métodos mais ‘econômicos’ é forte” no país.
1. Eu me lembro da bronca do meu marido quando me viu escovando os dentes enquanto a água escorria pela torneira. Agora, molho a pasta, fecho a torneira e só abro novamente para bochechar.
2. Aqui, não existe isso de lavar banheiros ou lavar cozinha jogando água de balde. Nao se acha nem rodo, nem pano de chão para vender. Limpa-se com um esfregão (que chamamos de mop) molhado.
3. Banhos devem durar, no máximo, cinco minutos. Essa é a orientação geral. Cada minuto com o chuveiro ligado gasta de 6 a 25 litros de água dependendo da eficiência do chuveiro. A minha vizinha, outro dia, me contou toda feliz que era dia de lavar o cabelo (eles não lavam todo dia) – muito diferente do nosso hábito de todo dia passar xampu e creme, com a água rolando ralo abaixo. Ainda não perdi o hábito, mas desligo o chuveiro nesses momentos – o que já tinha aprendido em cruzeiros oceanográficos, onde a água também é racionada.

4. É comum na Austrália que os banheiros tenham descargas com sistema duplo. E não só isso: em épocas de seca, ouve-se muito o conselho: “If it’s yellow, leave it mellow”, que pode ser traduzido por: “Se for amarelo, deixe estar”. Fica a critério de cada um. Mas é importante, que se saiba que um sistema antigo chega a gastar 12 litros por descarga.
5. Há uma técnica especial para se lavar louça. Enche-se a pia de água com detergente e usa-se essa mesma água para toda a louça. É preciso, portanto, fazer uma pré-limpeza de restos de comida para não sujar demais a água. É uma técnica radical para uma brasileira, então, opto pela máquina de lavar louça que, segundo estudos, usa ainda menos água.
6. Em épocas de escassez, quando há punições para quem gasta demais, você pode ser denunciado por vizinhos se estiver lavando carro com água corrente. Na melhor das hipóteses, vai ficar mal com a vizinhança. Quando vou ao Brasil e vejo aquela cena de porteiros lavando calçadas com mangueiras por longos períodos, me lembro do conselho aqui para se varrer e não lavar a calçada.
7. Muita gente tem nos jardins tanques para acumular água da chuva. Em épocas de extrema seca, não se pode usar mangueira para regar plantas.
8. É comum também encontrar casas que deixam um balde no banheiro para usar a água acumulada na banheira para outros fins.
9. As crianças aprendem a lavar as mãos esfregando sabão líquido nas mãos secas e só depois ligando a água para enxaguar.
10. É preciso ficar atento à certificação de máquinas de lavar roupa e louça, bem como de torneiras e chuveiros. A diferença de consumo pode ser muito grande.