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Quer morar em Marte? Não vai rolar tão cedo, diz brasileiro da Nasa

Ainda existem problemas técnicos gigantescos, como produzir oxigênio. É uma viagem que demora entre oito e nove meses. Não sei dizer quanto tempo falta, mas imagino umas duas ou três décadas. Depende muito do investimento.

Ivair Gontijo foi um dos líderes do projeto que culminou na ida do robô Curiosity para Marte
Ainda existem problemas técnicos gigantescos, como produzir oxigênio. É uma viagem que demora entre oito e nove meses. Não sei dizer quanto tempo falta, mas imagino umas duas ou três décadas. Depende muito do investimento.

Se a humanidade já conseguiu de alguma forma desvendar alguns aspectos de Marte, o brasileiro Ivair Gontijo é um dos responsáveis. O cientista da Nasa, formado pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), foi um dos líderes do projeto que culminou com a ida do veículo Curiosity para o planeta vermelho no início da década. Hoje ele mora na Califórnia (EUA) e trabalha no projeto que levará a próxima sonda para o planeta vizinho, então aproveitamos uma rápida passagem dele pelo país para perguntar ao físico: quanto tempo falta para podermos morar em Marte?

E as notícias não são animadoras. Ele jogou um balde de água fria em quem já planejava juntar um dinheirinho para comprar uma passagem no foguete de Elon Musk:

Além de achar um jeito de produzir oxigênio para a longa viagem, o brasileiro cita como empecilhos técnicos a dificuldade de armazenar comida para os astronautas fazerem o longo percurso até chegar a Marte e o espaço pequeno destinado a humanos dentro dos foguetes já usados para ir ao planeta vermelho.  Gontijo sequer arrisca uma data para pisarmos em solo marciano, até por não estar diretamente ligado ao projeto que visa levar humanos ao planeta. O que ele sabe, por trabalhar no grupo que vai lançar um novo robô para o planeta “vizinho”, é que estamos muito mais preparados para descobrir vida por lá

Estamos muito mais preparados para procurar por vida. Temos equipamentos melhores, técnicas mais sofisticadas e entendemos mais de sequenciamento de DNA. O equipamento de hoje é completamente diferente do de vinte, trinta ou cinquenta anos atrás.

A pesquisa vai coletar amostras e procurar por material orgânico em Marte, algo vital para descobrirmos se há ou houve vida ali em algum momento. Confira a entrevista completa com o cientista, que esteve no Brasil para a Campus Party 2019:
O que você está fazendo atualmente na Nasa? Em qual projeto está trabalhando?

Ivair Gontijo: Estou trabalhando no projeto Mars 2020, a próxima missão que vai para Marte entre julho e agosto do ano que vem. É parecida com a Curiosity –um veículo parecido, mas com um conjunto diferente de instrumentos e um sistema coletor de amostras. A ideia é mandarmos a melhor tecnologia e os melhores instrumentos para procurar material orgânico em Marte. Quando acharmos rochas com material orgânico dentro, vamos coletar amostras e colocar em tubos metálicos, que serão deixados na superfície de Marte para em uma missão futura robotizada trazer para a Terra.

Ivair Gontijo foi um dos líderes do projeto que culminou na ida do robô Curiosity para Marte … – Veja mais em https://noticias.uol.com.br/ciencia/ultimas-noticias/redacao/2019/02/14/existem-problemas-gigantescos-para-irmos-a-marte-diz-brasileiro-da-nasa.htm?cmpid=copiaecola

Por que precisa trazer para a Terra? Não pode ser analisado por lá?

Gontijo: Aqui temos o sequenciamento de DNA e técnicas de biologia e física que enchem um edifício inteiro. Não dá para fazer uma versão miniatura disso e mandar para Marte, por isso temos que trazer as amostras para estudar aqui. Sou o engenheiro responsável pelas interfaces entre o veículo e os instrumentos, como o laser para vaporizar rocha em Marte e fazer medidas de elementos químicos. São esses instrumentos que nos permitem fazer medidas remotas e saber quais materiais interessantes trazer para cá. Toda forma de vida na Terra que a gente conhece é feita de carbono, então buscamos material orgânico que indique se Marte já teve ou tem vida. Se a gente continuar insistindo, uma hora vamos responder essa pergunta.

Quando falta para irmos para Marte?

Gontijo: Ainda existem problemas técnicos gigantescos, como produzir oxigênio e comida para uma viagem que demora entre oito e nove meses. O Curiosity foi para Marte em um foguete onde só cabia uma coisa de quatro metros e meio, é espaço é muito pequeno para humanos. Coube apenas um veículo de 900 kg dentro. Mas os problemas técnicos, se continuarmos insistindo, vamos resolver. Só não sei dizer quanto tempo falta, mas imagino umas duas ou três décadas. Depende muito do investimento.

Quer morar em Marte? Não vai rolar tão cedo, diz brasileiro da Nasa.

Por que é tão importante chegarmos lá? O que a humanidade pode ganhar com isso?

Gontijo: O que a gente sabe é que o ser humano é um bicho curioso. Buscamos o conhecimento científico, interessa saber porque Marte se modificou tanto. Em um passado distante era um planeta muito parecido com a Terra e hoje é super frio e árido. O que aconteceu? A gente não sabe. Não sabemos o resultado que uma tecnologia vai produzir. Há pouco mais de 100 anos tinha um brasileiro que era rico, morava em Paris e gastou dinheiro fazendo uma máquina pesada que se mantinha no ar. Para que serve isso? Não acho que Santos Dumont poderia ter investido melhor, é o maior investimento da humanidade.
As coisas evoluem dessa forma. As aplicações vêm depois, desenvolvemos primeiro ideias e conceitos científicos.

Qual vai ser nosso primeiro passo em Marte? O que poderemos fazer que os robôs ainda não fizeram?

Gontijo: Com seres humanos, podemos fazer mais. Podemos ter mais informações sobre o planeta, informações quase subjetivas que o robô não teria como captar para nós. E também podemos começar a desenvolver todo um processo de colonização, podemos começar a plantar e fazer coisas que o robô não faz.

Quais as próximas fronteiras? O que vem de novo por aí que nos permitirá mais conhecimento?

Gontijo: Muita coisa. Tem exploração robótica do Sistema Solar, tem Marte, tem a lua de Júpiter. Europa é uma lua coberta de gelo cheio de fratura. Se tem fratura, é porque tem movimento. A gente tem indícios de que esse gelo tem 30 km de espessura e abaixo tem um oceano global, existe mais água em Europa do que na Terra, então o lugar é interessante para procurar vida. São várias missões acontecendo e vários outros corpos no Sistema Solar sendo estudados. E tem a astronomia em geral, estudo das estrelas, estudo das galáxias… Têm muitas perguntas a serem respondidas, por exemplo os pulsos de raio gama no Espaço que não se sabe de onde vêm. Tudo isso é estudado, a estrutura do universo inteiro, como as estrelas evoluem…


Estamos mais preparados para encontrar alguma forma de vida fora da Terra?

Gontijo: Com certeza, melhorou demais. Estamos muito mais preparados para procurar por vida, temos equipamentos melhores e técnicas mais sofisticadas. Entendemos mais de sequenciamento de DNA. Os equipamentos de hoje são completamente diferentes do que havia vinte, trinta ou cinquenta anos atrás.

Buscamos uma forma de vida que já existe na Terra ou algo diferente?

Gontijo: A gente faz medidas de estrelas em galáxias inteiras e planetas, por exemplo de Marte, e encontramos os mesmos elementos químicos da Terra. É magnésio, silício, carbono… os elementos da tabela periódica.
O carbono é quase mágico. Nós temos uma química inteira só do carbono, a orgânica, e a química inorgânica que trata dos outros. O carbono junta com oxigênio, hidrogênio e forma moléculas enormes que são o DNA e dá para decodificar a vida. Se esses elementos são abundantes, é muito mais fácil pensar que são por elementos parecidos. Não precisa ser humanoide com dois braços e pernas, mas uma vida baseada em molécula de DNA. Pode ser que não seja DNA também, mas é uma boa apostar no carbono. O silício também forma moléculas grandes, mas o carbono tem suas vantagens. Agora, se existe outra forma de vida completamente diferente, é baseada no quê? Se não for matéria, se não for químico, não teria nem como se comunicar. Não é científico. Eu acho que apostar em vida formada de carbono é a melhor aposta.

A resposta dos cientistas a Trump, que questionou o aquecimento global em meio a onda de frio nos EUA.

‘Se o mundo está ficando mais quente, por que, então, está fazendo tanto frio nos EUA’ perguntou presidente, que vê como exageradas as preocupações com o aumento médio de temperaturas no mundo

Em meio a notícias sobre a frente extraordinariamente fria que atinge várias regiões dos Estados Unidos, voltaram à tona nas redes sociais comentários questionando o fenômeno do aquecimento global, que boa parte da comunidade científica diz ser causado pela ação humana.

A resposta dos cientistas a Trump, que questionou o aquecimento global em meio a onda de frio nos EUA.

ENTENDA O AQUECIMENTO GLOBAL.

“Se o mundo está ficando mais quente, por que, então, está fazendo tanto frio nos EUA”? é uma pergunta que tem sido feito em particular por pessoas que acreditam ser exagerada ou mesmo falsa a preocupação com o aumento da temperatura média do planeta – creditada ao aumento de produção de gases causadores do efeito estufa.

O próprio presidente dos Estados Unidos, que retirou o país do Acordo de Paris – que prevê ações pela redução de emissões -, tuitou a pergunta em tom irônico.

O termo aquecimento global é usado para explicar que a temperatura média da Terra está subindo de maneira preocupante – e o que muitos talvez não saibam é que isso cria condições para eventos meteorológicos extremos, incluindo ondas de frio massacrantes.

Dúvidas como a de Trump surgem em geral por causa da confusão entre dois conceitos: clima e tempo, que têm significados diferentes na meteorologia.

ENTENDA O AQUECIMENTO GLOBAL.

A resposta dos cientistas a Trump, que questionou o aquecimento global em meio a onda de frio nos EUA.

O tempo se refere às condições atmosféricas registradas em um período de tempo curto – o forte calor que faz na maior parte do Brasil nesta semana, por exemplo, e o frio na América do Norte.

O clima, por outro lado, é um panorama mais prolongado e completo dos padrões de tempo. Ele se refere às condições que prevalecem em uma região ou em toda a Terra, e pode ser estudado com uma análise das tendências históricas. Já o tempo varia no dia a dia.

Por exemplo, no Brasil há diversos tipos de climas diferentes: o clima subtropical úmido na região da cidade de São Paulo, o clima tropical semiúmido em Fortaleza, etc.

Quando falam em clima do planeta, os cientistas estão se referindo à situação do planeta todo, ao longo do tempo. Ou seja, mesmo que esteja fazendo mais frio que a média em uma região específica, o mundo como um todo está, na média, mais quente – é isso que apontam centenas de estudos feitos por cientistas no mundo todo ao longo de décadas.

Em sua página na internet voltada para crianças, a Agência Espacial Americana (Nasa) dá um exemplo simples para deixar clara a diferença entre os dois conceitos: um dia chuvoso na cidade de Phoenix não muda o fato de que o Estado do Arizona tem um clima seco.

A Nasa também explica que devemos esperar tempos frios mesmo que as temperaturas do planeta estejam aumentando de forma geral.

“O caminho até um mundo mais quente terá muitos episódios de tempos extremamente quentes e extremamente frios”, diz o site da agência.

Isso porque as mudanças climáticas alteram a forma como correntes marítimas, correntes de vento e outros fenômenos meteorológicos funcionam ao redor do mundo, gerando eventos meteorológicos extremos – tanto de frio quanto de calor.

O aquecimento do Ártico, por exemplo, pode fazer com que as correntes de vento polar gelado se desloquem para o sul, causando ondas de frios em lugares onde elas não costumavam ocorrer.

A frente fria nos EUA, por exemplo, já tinha sido prevista por cientistas, que apontaram para o aquecimento do Ártico como causa.

Esse aquecimento, dizem, leva o oceano, livre de gelo, a liberar mais calor. Isso, em contrapartida, enfraquece a circulação de ar frio sobre o Ártico e permite que ele escape para o sul.

“Quando o Ártico está quente, tanto temperaturas frias como fortes nevascas são mais frequentes comparadas com quando o Ártico está frio”, disse um estudo publicado na Natures Communications o ano passado.

“Também descobrimos que, durante o período de aquecimento acelerado, quando o calor do Ártico chega à troposfera superior e parte inferior da estratosfera entre o meio e o final do inverno, o tempo severo de inverno tem se intensificado.”

O deslocamento para o sul de ar gelado polar, conhecido como vórtice polar, já vinha sendo noticiado por estudos anteriores. “Em vez de circular sobre o hemisfério norte em uma trajetória regular e previsível, esse vento de alta altitude ziguezaguear sobre os Estados Unidos, o Atlântico e a Europa”, diz um estudo publicado em Phys.Org em 2013.

A resposta dos cientistas a Trump, que questionou o aquecimento global em meio a onda de frio nos EUA.

ENTENDA O AQUECIMENTO GLOBAL.

Entenda o aquecimento global

O papel do aquecimento global na intensificação das ondas de calor, como as que atingiram a Europa no ano passado, é algo já confirmado, diz Ben Webber, climatologista da Unidade de Pesquisa Climática da Universidade de East Anlia, nos Estados Unidos.

No entanto, estudos ainda são necessários para atribuir essas ondas de frio ao aquecimento já que há outras forças que também geram variabilidade do tempo.

“O aquecimento global pode aumentar a intensidade das ondas de frio, mas esse é um assunto que precisa de estudos mais aprofundados”, diz Webber à BBC.

Uma das causas apontadas para explicar de eventos meteorológicos extremos no Brasil, por exemplo, é o El Niño (o aquecimento das águas no Pacífico) e que, pelo que sabemos, não está relacionado ao aquecimento global.

Nova sonda em Marte vai fazer uma espécie de ‘ultrassom’ do planeta

Os sete meses de espera finalmente estão chegado ao fim! No final da tarde hoje a sonda Insight da agência espacial americana NASA vai iniciar seus procedimentos para pousar em Marte e o leitor incauto pode se perguntar: mas de novo?

Pois é, de novo Marte, mas desta vez a ideia é um pouco diferente. Ao invés de observar as coisas acontecendo da superfície marciana para cima, por assim dizer, a InSight vai “olhar” para dentro de Marte!

A NASA tem dito que esta será a primeira missão espacial a fazer um verdadeiro checkup médico de um planeta, registrando pulsação, temperatura e fazendo um ‘ultrassom’ planetário. A missão Insight visa obter dados do interior de Marte para construir um cenário de como teria sido sua evolução desde que o Sistema Solar foi formado. Essa missão em específico não tem o propósito de procurar pistas sobre possíveis formas de vida, seja atualmente, seja no passado.

O carro chefe da missão é um instrumento construído em parceria com a França para medir abalos sísmicos em Marte. Trata-se de um sismógrafo ultrassensível que pretende registrar os abalos provocados até pelo choque de micrometeoritos com a superfície marciana. O objetivo de tomar dados tão sensíveis assim é o de usar a propagação das ondas sísmicas através do interior do planeta para se construir sua estrutura interna. Esse é o ultrassom marciano que eu mencionei.

O procedimento é semelhante ao exame usual que volta e meia precisamos fazer em uma clínica, mas neste caso são utilizadas ondas sonoras em alta frequência. Como o corpo humano tem diversos órgãos com estruturas e densidades diferentes, as ondas sonoras se propagam de maneira diferente ao atravessar ou refletir quando encontra um tecido diferente. Com isso, é possível processar os sinais que são refletidos (ou não) de maneiras diferentes para reconstruir uma imagem da estrutura que provocou as diferenças entre o sinal gerado e o recebido.

Em Marte serão usadas as ondas sísmicas provocadas por movimentações de terreno. Não que se espere martemotos gerados por deslocamentos de placas tectônicas, como ocorrem na Terra, mas por exemplo desabamento de cavernas ou mesmo avalanches em encostas de desfiladeiros, como já foi detectado. Aliás, não se espera tectonismo em Marte, mas se ocorrerem movimentações de placas tectônicas, o SEIS (sigla em inglês para Experimento Sísmico para Estrutura Interior) vai detectá-las. Outro “gerador” de ondas sísmicas é a queda de meteoritos na superfície marciana. O choque do meteorito com o solo gera perturbações que serão captadas à distância. O instrumento é tão sensível que poderá captar até mesmo as perturbações geradas pelos redemoinhos marcianos, os famosos ‘dust devils’.

Aliás, essa alta sensibilidade causou um problema no desenvolvimento da missão. Durante um tempinho os técnicos que construíram os sismógrafos ficavam encafifados que havia sempre um ruído de fundo durante os testes. Eram injetados sinais sutis para se testar sua eficiência, mas ao terminarem os testes, o instrumento continuava a registrar algum sinal. Levou um tempo para que se descobrisse que o sinal vinha da movimentação de sinos de uma torre na universidade, a uma distância de quase 500 metros!

Essa história me foi contata por Ivair Gontijo, engenheiro brasileiro que trabalha no JPL da NASA na integração dos instrumentos do próximo jipe marciano, o Mars 2020. Gontijo foi o responsável por projetar os radares que controlaram o pouso do jipe Curiosity em 2012. Por ser tão sensível é que o sismógrafo vai ser depositado gentilmente por um braço robótico ao lado da sonda. Gontijo me explicou que os sismógrafos embarcados nas sondas Viking na década de 1970, mais precisamente nas pernas da sonda, falharam em registrar sismos porque os ventos marcianos faziam a estrutura toda oscilar e isso mascarava qualquer sinal vindo do subsolo.

Essa é uma foto do módulo de engenharia da InSight que eu tirei na sala limpa do JPL em Pasadena, Califórnia, durante uma visita em julho deste ano. Esse módulo é uma réplica funcional da sonda que deverá pousar daqui a pouco em Marte, apenas sem seus painéis solares. O propósito de se manter uma réplica como essa é testar algum procedimento que seja necessário fazer em Marte. Se a InSight tiver algum problema, uma solução será testada nesse módulo antes de ser enviada a Marte. Logo depois de pousar, a sonda deverá enviar imagens da região à sua volta para que sua cercania seja replicada no ‘Jardim Marciano’, o campo de testes das sondas com destino a Marte, lá mesmo em Pasadena. O terreno e a disposição das pedras serão usados para planejar a melhor maneira de depositar o sismógrafo no solo.

Aliás o pouso da InSight também está sendo chamado de ‘6 minutos de terror’ (com a Curiosity foram 7). A massa destas sondas e suas velocidades de entrada são muito grandes para que apenas um mecanismo de pouso possa ser usado. Assim que a sonda inicia sua entrada, ela é freada pela própria atmosfera com um escudo térmico para proteção. Quando a velocidade cai o suficiente, um paraquedas gigantesco é ejetado. Só que a atmosfera marciana representa algo como 1% da atmosfera terrestre e isso impede que a sonda reduza a velocidade de queda para níveis adequados. Já próximo à superfície, a sonda se livra do paraquedas e dispara retrofoguetes que finalmente vão desacelera-la a níveis seguros para pousar.

Além do sismógrafo, a InSight carrega também um termômetro e um sensor de posição. O termômetro não é um termômetro qualquer, mas na verdade uma barra de aproximadamente 5 metros que será enterrada no solo marciano. Marte já foi escavado em outras expedições, mas nada além de uns poucos centímetros, dessa vez o buraco é mais embaixo, literalmente. O objetivo deste instrumento é ver como é a transmissão e dissipação do calor no subsolo e com isso ter uma ideia de como Marte foi se esfriando ao longo de bilhões de anos de existência.

Já o sensor de posição vai permitir, usar as transmissões dos satélites em órbita de Marte para triangular a posição da sonda com altíssima precisão. O objetivo é medir variações sutis de sua posição em 3 dimensões para registrar o movimento de “bamboleio” que ele executa junto com sua revolução (no meu tempo chamada de translação) e rotação. E o interesse em se ter essa medida com precisão muito alta é determinar a natureza do interior de Marte. Se o interior de Marte tiver um núcleo líquido, os bamboleios serão diferentes, assim como a propagação das ondas sísmicas. E se tiver mesmo, qual a extensão dele? Qual o tamanho desse núcleo em relação ao resto? Você pode ver um infográfico muito legal nesta reportagem aqui.

Se tudo der certo, a Insight deve pousar às 17:54 (horário de Brasília) e seu primeiro sinal de vida deverá ser emitido às 18:01. Vai levar pelo menos 8 minutos para esse sinal chegar à Terra e só aí saberemos se de fato ela está viva. Logo em seguida ao pouso a sonda deverá abrir seus painéis solares, mas essa informação só poderá ser confirmada de fato às 23:35, quando a sonda Mars Odyssey sobrevoar a área do pouso. É possível que a primeira imagem da InSight em solo só chegue amanhã.

(ATUALIZAÇÃO: o pouso foi realizado com sucesso e uma imagem foi enviada após o pouso)

Mas também é possível que algumas imagens da sonda entrando na atmosfera de Marte sejam enviadas quase em tempo real (descontados os 8 minutos de distância). É que a sonda está sendo seguida por dois cubesats do tamanho de uma valise de mão. Os dois cubesats vão fotografar essa etapa da missão e vão enviar as imagens de volta para a Terra.

Apesar do grande sucesso da NASA em conseguir pousar suas sondas nos tempos recentes, é bom lembrar que o índice de sucesso, quando falamos do planeta vermelho, é da ordem de 40%. Por isso, toda torcida é bem-vinda!

https://g1.globo.com/ciencia-e-saude/blog/cassio-barbosa/post/2018/11/26/nova-sonda-em-marte-vai-fazer-uma-especie-de-ultrassom-do-planeta.ghtml

SONDA INSIGHT MARS, DA NASA, FAZ A PRIMEIRA SELFIE EM MARTE

NASA CAPTURA ÁUDIO DO VENTO DE MARTE EM MISSÃO NO PLANETA

Nova sonda em Marte vai fazer uma espécie de ‘ultrassom’ do planeta

 

 

Sonda Insight Mars, da Nasa, faz a primeira selfie em Marte

A imagem revela a condição da espaçonave – sem avarias – e permite que os envolvidos na missão saibam que a sonda está realizando operações e funcionando normalmente.

A imagem revela a condição da espaçonave – sem avarias – e permite que os envolvidos na missão saibam que a sonda está realizando operações e funcionando normalmente.

Sonda Insight Mars, da Nasa, faz a primeira selfie em Marte

A sonda Insight Mars, da Nasa, fez a sua primeira selfie no planeta vermelho após o pouso que ocorreu em 26 de novembro. Para fazer a selfie, a espaçonave usou uma câmera instalada em seu braço robótico.

A sonda Insght Mars é uma nave espacial não tripulada que percorreu 482 milhões de Km até chegar ao planeta vermelho. Sua missão é “olhar para dentro” de Marte: seus instrumentos permitem detectar atividades sísmicas no interior do planeta.

Concepção artística mostra como a InSight deverá estudar o interior de Marte — Foto: NASA

Sonda Insight Mars, da Nasa, faz a primeira selfie em Marte

Selfie em Marte

A foto enviada pela Insgiht é, na verdade, um mosaico com 11 imagens. Nelas é possível ver o painel solar da sonda e todo o seu deck, incluindo os instrumentos científicos.

A imagem revela a condição da espaçonave – sem avarias – e permite que os envolvidos na missão saibam que a sonda está realizando operações e funcionando normalmente.

Os integrantes da equipe responsável pela missão também receberam o primeiro registro completo no “espaço de trabalho” da InSight – uma área de 4 por 2 metros de altura, em frente à espaçonave. Esta imagem é também um mosaico composto por 52 fotos individuais.

Sonda Insight Mars, da Nasa, faz a primeira selfie em Marte

Insight Mars também enviou imagem do seu ‘espaço de trabalho’: registro é um mosaico de 52 fotos sobrepostas — Foto: Nasa/JPL-Caltech

O que está por vir

Nas próximas semanas, cientistas e engenheiros deverão decidir onde, neste espaço de trabalho, os instrumentos da espaçonave devem ser colocados.

Eles então comandarão o braço robótico da InSight para definir cuidadosamente o sismômetro (chamado de Experimento Sísmico para Estrutura Interna, ou SEIS) e a sonda de fluxo de calor (conhecida como Pacote de Fluxo de Calor e Propriedades Físicas, ou HP3) nos locais escolhidos. Ambos funcionam melhor em terreno plano e os engenheiros querem evitar colocá-los em rochas maiores que 1,3 cm.

Sonda Insight Mars, da Nasa, faz a primeira selfie em Marte

A imagem revela a condição da espaçonave – sem avarias – e permite que os envolvidos na missão saibam que a sonda está realizando operações e funcionando normalmente.

“A quase ausência de rochas, colinas e buracos significa que será extremamente seguro para nossos instrumentos”, disse Bruce Banerdt, do Laboratório de Propulsão a Jato da NASA em Pasadena, Califórnia.

“Isso pode parecer um pedaço de terra bem simples se não estivesse em Marte, mas ficamos felizes em ver isso.”

Insight Mars registra a primeira 'selfie' no planeta vermelho — Foto: Nasa/JPL-Caltech

Missão da Nasa quer descobrir as características do interior do planeta vermelho — Foto: Roberta Jaworski/G1

A equipe de pouso da InSight escolheu uma região para o pouso da sonda, em Elysium Planitia, que é relativamente livre de rochas. Mesmo assim, o local de aterrissagem é ainda melhor do que eles esperavam.

A espaçonave fica no que parece ser uma “cavidade” quase livre de rochas – uma depressão criada por um impacto de meteoro que se encheu de areia. Isso deve tornar mais fácil para um dos instrumentos da InSight, a sonda de fluxo de calor, atingir sua meta de 5 metros abaixo da superfície.

Terra daqui a 200 milhões de anos: cientistas mostram ‘supercontinente’ do futuro

Dentro de 200-250 milhões de anos, nosso planeta terá um aspecto totalmente distinto do que vemos hoje, ao juntar todos os continentes atuais em um novo supercontinente, descobriram os investigadores Mattias Green (da Universidade de Bangor, Reino Unido), Hannah Sophia Davies e João C. Duarte (da Universidade de Lisboa, Portugal).

No artigo, publicado no portal The Conversation, os cientistas explicam que as placas tectônicas que formam a crosta terrestre estão em movimento constante, deslocando-se a uma velocidade de poucos centímetros por ano. Em termos geológicos, isso faz com que, de vez em quando, os continentes se juntem em um supercontinente que se mantém unido durante centenas de milhões de anos antes de se dividir novamente.

O último supercontinente Pangeia, que existiu entre 200 a 540 milhões de anos atrás, durante a era Paleozoica, começou a se separar há aproximadamente 180 milhões de anos. Espera-se que o próximo seja formado em cerca de 200 a 250 milhões de anos. A ruptura de Pangeia levou a formação do oceano Atlântico que ainda está se ampliando, enquanto o oceano Pacífico está se estreitando.

Segundo os autores do estudo, há quatro cenários fundamentais para a formação do próximo supercontinente: Novopangea, Pangeia Última, Aurica e Amasia.

Novopangea

Se mantiverem as condições atuais — com o Atlântico a se ampliar e o Pacífico a diminuir — o novo supercontinente se formaria na parte oposta à antiga Pangeia, indicam especialistas. As Américas se colidiriam com a Antártida, que continuaria se movendo ao norte e, em seguida, com a África e Eurásia já unidas, para criar a chamada Novopangea.

Pangeia Última

Se a expansão do Atlântico começar a se interromper, seus dois pequenos arcos de subducção poderiam se estender ao longo da costa oriental das Américas, o que levaria a uma recreação de Pangeia. Os continentes voltariam a se unir em um supercontinente chamado Pangeia Última, que estaria rodeado por um superoceano Pacífico.

Aurica

No caso de aparecerem novas zonas de subducção no Atlântico, ambos os oceanos poderiam se fechar e criar uma bacia oceânica. Neste cenário, a rachadura pan-asiática, que atualmente atravessa a Ásia, iria se abrir para formar um novo oceano. O resultado disso seria a formação do supercontinente Aurica, em cujo centro estaria a Austrália.

Amasia

O quarto cenário supõe um “destino completamente diferente para a Terra futura”, segundo os pesquisadores. É destacado que várias placas tectônicas, inclusive a África e Ásia, estão se movendo atualmente ao norte. É possível que todos os continentes, exceto a Antártida, continuem avançando ao norte até se unir ao redor desse Polo em um supercontinente, nomeado de Amasia.

De acordo com as avaliações dos cientistas, o cenário da Novopangea é o mais provável, sendo uma progressão lógica das tendências atuais, enquanto os outros três precisam da intervenção de processos adicionais.

Marte pode ter oxigênio suficiente para abrigar vida, afirma estudo

A água salina no subsolo de Marte pode ter oxigênio suficiente para abrigar vida, relata um novo estudo realizado por um grupo de pesquisadores do Instituto de Tecnologia da Califórnia.

A nova descoberta foi possibilitada por óxidos de manganês encontrados pela sonda Curiosity, da Nasa - NASA/AFP/Arquivos

A nova descoberta foi possibilitada por óxidos de manganês encontrados pela sonda Curiosity, da Nasa – NASA/AFP/Arquivos

O estudo foi publicado na revista Nature Geoscience nesta segunda-feira (22).

Os cientistas desenvolveram um modelo da suposta composição da água salina para calcular a quantidade de oxigênio presente no subsolo de Marte.

 

Em alguns locais, a quantidade de oxigênio disponível poderia até mesmo manter vivo um animal primitivo multicelular como uma esponja, escreveram na revista científica Nature Geosciences.

“Nós descobrimos que a salmoura” – água com altas concentrações de sal – “em Marte pode conter oxigênio suficiente para que micróbios possam respirar”, afirmou Vlada Stamenkovic, principal autor do estudo, físico teórico do Laboratório de Propulsão a Jato da Califórnia.

“Isto revoluciona completamente nossa compreensão do potencial da vida em Marte, hoje e no passado”, declarou à AFP.

Até agora, presumia-se que a quantidade de oxigênio em Marte fosse insuficiente para sustentar a vida microbiana.

“Nós nunca pensamos que o oxigênio poderia desempenhar um papel para a vida em Marte devido à sua escassez na atmosfera, de cerca de 0,14%”, afirmou Stamenkovic.

Comparativamente, a concentração deste gás no ar que respiramos é de 21%.

Na Terra, as formas de vida aeróbicas – ou seja, que respiram oxigênio – evoluíram juntamente com a fotossíntese, que converte CO2 (gás carbônico) em O2 (oxigênio), gás que teve um papel crítico na emergência de formas de vida complexas, sobretudo após o denominado Grande Evento de Oxigenação, há cerca de 2,35 bilhões de anos.

Mas nosso planeta também abriga micróbios no fundo dos oceanos, em gêiseres, que sobrevivem em ambientes privados de oxigênio.

O novo estudo começou com a descoberta pela sonda Mars Curiosity, da Nasa, de óxidos de manganês, que são compostos químicos que só podem ser produzidos com grandes quantidades de oxigênio.

A Curiosity, juntamente com os orbitadores de Marte, também estabeleceram a presença de depósitos de salmoura, com variações nos elementos que continham.

“É por isso que sempre que pensamos na vida em Marte, nós estudamos o potencial de vida anaeróbica”, afirmou Stamenkovic.

– Vida em Marte? –

 

Um conteúdo de alta salinidade permite que a água se mantenha líquida – uma condição necessária para a dissolução do oxigênio – em temperaturas muito baixas, transformando a salmoura em ambientes favoráveis para a vida microbiana.

Dependendo da região, da estação e do momento do dia, as temperaturas no Planeta Vermelho podem variar entre -195ºC e +20ºC.

 

Um conteúdo de alta salinidade permite que a água se mantenha líquida – uma condição necessária para a dissolução do oxigênio – em temperaturas muito baixas, transformando a salmoura em ambientes favoráveis para a vida microbiana.

Dependendo da região, da estação e do momento do dia, as temperaturas no Planeta Vermelho podem variar entre -195ºC e +20ºC.

Juntos, os cálculos demostraram quais regiões do Planeta Vermelho são mais propensas a produzir oxigênio baseado em salmoura, dado que pode ajudar a determinar o posicionamento de sondas futuras.

“As concentrações de oxigênio (em Marte) são em ordens de grandeza” – algumas centenas de vezes – “maiores do que o necessário para micróbios aeróbicos ou que respiram oxigênio”, concluiu o estudo.

“Nossos resultados não sugerem que haja vida em Marte”, alertou Stamenkovic. “Mas eles mostram como a habitabilidade marciana é afetada pelo potencial de oxigênio dissolvido”.

Os pesquisadores desenvolveram um primeiro modelo para descrever como o oxigênio se dissolve na água salgada em temperaturas abaixo do congelamento.

Um segundo modelo estimou as mudanças climáticas em Marte nos últimos 20 milhões de anos e projetou como seriam nos próximos 10 milhões de anos.

 

 

 

 

Segundo a pesquisa, a composição da água poderia sustentar a vida de micróbios aeróbicos, enquanto em algumas regiões do Planeta Vermelho a concentração de oxigênio pode ser tão alta que permita até mesmo a sobrevivência de animais simples como esponjas.

“Ninguém pensou que essas concentrações de oxigênio dissolvido, necessárias para a respiração aeróbica, pudessem teoricamente existir em Marte”, disse a cientista do Laboratório de Propulsão a Jato da NASA e autora principal da pesquisa, Vlada Stamenkovic.

Os resultados mostram a possibilidade de que “a vida aeróbica possa existir em Marte e em outros corpos planetários com fontes de O2, independente da fotossíntese”, ressalta o estudo.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Nasa vai lançar nave para escavar o solo de Marte e estudar origem do planeta

Sonda espacial vai medir sinais vitais de Marte

Sonda espacial vai medir sinais vitais de Marte

Os instrumentos da Insight permitirão medir os “sinais vitais” de Marte.[Imagem: JPL/NASA]

A missão InSight, da Nasa, enviará a Marte a primeira sonda capaz de perfurar o solo e estudar o interior do Planeta Vermelho. O lançamento da sonda está programado para ocorrer neste sábado (5) às 6h05 da manhã. Segundo a Nasa, há uma probabilidade de 20% de que as condições meteorológicas permitam o lançamento.

A missão Exploração Interior com uso de Investigação Sísmica, Geodésia e Transporte de Calor (InSitght, sigla em inglês) colocará um módulo de pouso geofísico em Marte para estudar o interior do planeta.

Mas, segundo a Nasa, seu objetivo vai além disso: a sonda também estudará questões fundamentais da ciência dos planetas e do Sistema Solar, para que os pesquisadores compreendam os processos que levaram à formação dos planetas rochosos do Sistema Solar Interno – entre eles a Terra – há mais de 4 bilhões de anos.

Segundo a Nasa, missões anteriores enviadas a Marte investigaram a história da superfície do planeta a partir da análise de características de seus cânions, vulcões, rochas, montanhas e solo. Mas, até agora, nenhuma missão analisou a evolução inicial do planeta, que só pode ser estudada observando o subsolo.

Utilizando instrumentos geofísicos sofisticados, o módulo escavará a superfície marciana para detectar pela primeira vez as marcas dos processos de formação dos planetas rochosos e para medir os “sinais vitais” de Marte: seu “pulso” (sismologia), “temperatura” (fluxos de calor) e “reflexos” (rastreamento de precisão).

Para estudar o solo marciano, a InSight é equipada com diversos instrumentos operados por um braço robótico, incluindo sismômetros – que medem as ondas sísmicas provocadas por impactos de meteoros e por “martemotos” – e uma broca com uma sonda térmica, que irá perfurar o solo em até 5 metros e medir os fluxos de calor no interior do planeta.

Como Marte é geologicamente menos ativo que a Terra – ele não possui placas tectônicas, por exemplo -, o planeta mantém um registro mais completo de sua história em sua crosta, seu manto e seu núcleo. Ao estudar essas características, os cientistas poderão descobrir mistérios sobre os processos evolutivos de todos os planetas rochosos.

Antes da InSight, 14 missões já haviam sido enviadas a Marte. Nove delas foram lançadas pelos Estados Unidos, sendo que duas fracassaram, em 1999. Das demais missões – todas fracassadas – três foram lançadas pela União Soviética, uma pelo Reino Unido e uma por uma parceria entre as agências espaciais da Europa e da Rússia.

Costa Oeste

Pela primeira vez uma missão planetária será lançada a partir da costa oeste dos Estados Unidos. Em vez da tradicional base de lançamento do Centro Espacial Kennedy, na Flórida, a InSight será enviada a partir da Base Vandenberg da Força Aérea Americana, localizada na região de Santa Bárbara, na Califórnia.

No lançamento, será utilizado o foguete Atlas V, da United Launch Alliance, uma joint venture das empresas Lockheed Martin e Boeing. Além da InSight, o foguete levará ao espaço também o experimento tecnológico Mars Cube One (MarCO).

Composto por duas miniespaçonaves, o MarCO testará pela primeira vez no espaço profundo uma tecnologia de CubeSat, termo que remete às palavras “cubo” e “satélite” em inglês. Esse tipo de satélite miniaturizado – ou nanossatélite – é em geral utilizado para pesquisas espaciais acadêmicas. Os dois pequenos equipamentos foram desenvolvidos para testar novas tecnologias de comunicação e navegação para missões espaciais.

A missão InSight é parte do Programa Descoberta, da Nasa. A nave – incluindo o estágio de cruzeiro e o módulo de pouso – foi construída e testada pela Lockeed Martin Space, em Denver, Nos Estados Unidos. O programa tem participação de várias instituições europeias, como a Agência Espacial Francesa, o Centro Nacional de Estudos Espaciais da França e o Centro Aeroespacial da Alemanha.

Pedras fundamentais de Stonehenge não foram obra de humanos diz pesquisador

Pedras fundamentais de Stonehenge não foram obra de humanos diz pesquisador
Segundo arqueólogo, a localização do monumento não foi escolhida ao acaso, mas por um fenômeno naquela posição específica

Stonehenge à noite

Segundo arqueólogo, a localização do monumento não foi escolhida ao acaso, mas por um fenômeno naquela posição específica

eito em algum ponto entre 5 mil e 4 mil anos atrás, Stonehenge é desses lugares com uma aura de mistério. Como pedras de até 50 toneladas foram carregadas para lá, de uma pedreira a 30 km de distância, como foram empilhadas e por quê?

Essas perguntas tem respostas hipotéticas (veja ao final). Mas uma outra acaba de ser respondida a contento: por que foi feito onde foi? E não, digamos, convenientemente perto das pedreiras?

O arqueológo independente Mike Pitts, que fez extensas escavações no local no fim dos anos 70, acaba de publicar um estudo que, acredita, responde a isso. Numa longa matéria no Journal of British Archaeology (“Journal de Arqueologia Britâniica), argumenta que as partes mais fundamentais de Stonhenge sempre estiveram lá.

Ao lado das chamadas Pedra do Calcanhar e a Pedra 16, havia indícios de covas naturais. O que, segundo ele, indica o local onde as pedras estavam originalmente, por possivelmente muitos milhões de anos. Elas simplesmente foram escavadas e levantadas numa nova posição.

As duas pedras projetam uma sombra alinhada ao centro do monumento nos solstícios de verão e inverno. Como essas sombras parecem ter sido absolutamente fundamentais no funcionamento do monumento, a ideia é que as pessoas do neolítico notaram isso, as tornaram um ponto de reverência, e o monumento surgiu em volta delas. A Pedra do Calcanhar, inclusive, não foi trabalhada, mas mantida ao natural.

Pedras fundamentais de Stonehenge não foram obra de humanos diz pesquisador

Na ilustração do arqueólogo, a Pedra do Calcanhar (heelstone) aparece no canto superior direito, a Pedra 16 (Stone 16), no inferior esquerdo. Borrões vermelhos indicam as covas Mike Pitts

Pitts afirma que não tem certeza absoluta de que sejam essas duas pedras as que estavam nas covas — testes químicos serão necessários para provar que elas não vieram da mesma pedreira que as outras, ou que não há outras pedras originais. Mas se mantém firme na teoria de que já havia algo no local de Stonehenge antes de Stonehenge.

“Nada disso quer dizer que Stonehenge é uma criação mesolítica, de caçadores-coletores, e não povos agrícolas”, afirma Pitts em seu blog. “Stonehenge em si continua, pelas evidências atuais, sendo algo que começou por volta do ano 3000 a.C. O que estou sugerindo é que, quando isso aconteceu, o local já estava atraindo as pessoas por provavelmente uma variedade de razões.”

Assim como as pirâmides, Stonehenge não é um mistério tão grande assim. Testes práticos confirmaram algumas hipóteses principais, de que era possível, sim, fazê-lo com tecnologia neolítica. O mais aceito é que as pedras foram levadas com trenós ou troncos, empilhadas através de cordas, hastes e rampas, e o local era um templo com significado astronômico ligado ao solstício de inverno — um sentido que, de acordo com uma teoria mais recente, pode ser até sexual.

Robô Curiosity, da Nasa, completa 2 mil dias caminhando na superfície de Marte

Cientistas que participaram da missão de exploração de Marte dizem quais são suas imagens favoritas do planeta vermelho, e explicam o porquê.

Um ciclo completo do MRO em torno do planeta vermelho determina um “dia marciano”, chamado pelos pesquisadores de “sol”.

A primeira imagem enviada pela Rover é uma fotografia granulada, feita pela câmera Front Hazard, do local conhecido como monte Sharp. Esta câmera geralmente é usada pelos controladores do aparelho para evitar obstáculos nos deslocamentos.

Robô Curiosity, da Nasa, completa 2 mil dias caminhando na superfície de Marte

Cientistas que participaram da missão de exploração de Marte dizem quais são suas imagens favoritas do planeta vermelho, e explicam o porquê.

Seixos de rio: Quando começamos a dirigir, cerca de 16 “sóis” depois da aterrissagem, logo nos deparamos com esses “seixos” no terreno. O formato arredondado dessas pedras sugeriam que elas tinham se formado em um antigo riacho, que corria de um terreno elevado para o local conhecido como cratera Gale. A imagem capturada pela Mastcam mostra essas crateras em close.

Ao contrário do que esperávamos antes do pouso do Curiosity, a imagem não mostrava pedras de basalto primitivo e escuro, e sim uma formação rochosa mais variada e complexa. Os seixos desse antigo rio marciano nos fizeram repensar o que acreditávamos sobre o processo de formação geológica de Marte.

Local chamado Baía de Yellowknife é formado por camadas de areia fina e lama seca (Foto: NASA/JPL-CALTECH)

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Lago ancestral: Antes da aterrissagem e nos primeiros momentos da missão, nossa equipe não tinha certeza sobre o que eram os terrenos identificados nas fotos de satélite feitas pelo MRO. Algumas áreas poderiam tanto ser fluxos de lava vulcânica quanto sedimentos acumulados no leito de lagos secos.

Sem imagens feitas do solo, era impossível saber com certeza. Esta imagem resolveu a questão e representou um avanço para a exploração de Marte.

Descobrimos, assim, que o local chamado Baía de Yellowknife é formado por camadas de areia fina e lama seca, que foram depositadas ali por rios que corriam para um lago formado na Cratera Gale. Extraímos as primeiras 16 amostras de solo do local no “dia marciano” de número 182 – fizemos isso para levar o solo e as rochas até os espectômetros que estão dentro do robô. Os resultados, que incluíam argila, material orgânico e compostos que continham nitrogênio, mostraram que aquele local já habitável para vida microbiana. A pergunta seguinte – já houve vida em Marte? – continua sem resposta.

Aparelho encontrou rochas formadas por sedimentos de lama (Foto: NASA/JPL-CALTECH/MSSS)

Aparelho encontrou rochas formadas por sedimentos de lama (Foto: NASA/JPL-CALTECH/MSSS)

Águas profundas: O Curiosity chegou às colinas Pahrump no “dia marciano” de número 753. O que encontramos lá foi fundamental para explicar o passado da Cratera Gale. O aparelho encontrou rochas formadas por sedimentos de lama, criadas quando esse material se decantou lentamente no fundo do lago.

Ou seja: o lago da Cratera Gale foi um corpo d’água perene, que existiu durante bastante tempo, e era bastante profundo.

Cientistas que participaram da missão de exploração de Marte dizem quais são suas imagens favoritas do planeta vermelho, e explicam o porquê.

Robô também encontrou grossa formação de arenito (Foto: NASA/JPL-CALTECH/MSSS)

Uma inconformidade: No local conhecido como Monte Stimson, o Curiosity encontrou uma grossa formação de arenito (rocha formada por areia) na borda do lago seco, separada deste pela formação geológica chamada “inconformidade”.

O que são os estranhos clarões vistos na Terra a partir do espaço

Fenômeno, que há anos é registrado por satélites, foi desvendado em recente estudo científico.

Apartir do espaço, a milhões de quilômetros da Terra, satélites há anos registram curiosos flashes brilhantes de luz, observados tanto sobre áreas de terra quanto sobre oceanos.

Mas o que são esses clarões e por que se formam? Essas perguntas foram respondidas por recentes estudos da Nasa, a agência espacial americana.

O que são os estranhos clarões vistos na Terra a partir do espaço

No centro do círculo observa-se um dos curiosos clarões investigados pelos cientistas
Foto: Nasa

“Esses lampejos de luz provêm de cristais de gelo”, explica Alexander Marshak, pesquisador do Centro Espacial Goddard da Nasa e autor de um estudo recém-publicado sobre o assunto no periódico Geophysical Research Letters .

Quando os minúsculos cristais de gelo que flutuam quase horizontalmente nas nuvens de grande altitude, refletem a luz do sol, explica Marshak.

A descoberta resulta da análise de dados coletados por um ano sobre latitudes dos clarões, dos ângulos de observação e da absorção de oxigênio.

Posição exata

Esses lampejos já haviam chamado a atenção do astrônomo e cientista Carl Sagan, em 1993.

Analisando as imagens captadas pela sonda Galileo, que rumava a Júpiter, Sagan concluiu inicialmente que se tratavam de reflexos criados pela superfície do mar.

Fenômeno, que há anos é registrado por satélites, foi desvendado em recente estudo científico.

Carl Sagan

Mas Marshak, agora, trabalhou com mais imagens da Terra, obtidas pelo satélite Dscovr (sigla em inglês para Deep Space Climate Observatory), lançado em 2015 para estudar tanto a Terra como o Sol.

As imagens do Dscovr mostraram mais de 860 clarões, todos em determinadas latitudes do planeta.

Isso permitiu aos cientistas concluir que sua visualização dependia do ângulo criado entre o Sol, a Terra e o satélite.

Uma nova medição permitiu determinar que os lampejos coincidiam com a localização de nuvens chamadas cirrus, que são finas, brancas, estão a mais de 5 km de altitude e são formadas por microcristais de gelo.

O que são os estranhos clarões vistos na Terra a partir do espaço

Nuvens do tipo cirrus

E, quando a equipe da Nasa voltou a analisar as imagens feitas pela Galileo, comprovou que os clarões também apareciam sobre áreas de terra, a despeito do que havia concluído Sagan anteriormente.

Portanto, segundo Marshak, são os cristais, quando posicionados horizontalmente, que geram os flashes de luz.

As conclusões não apenas resolvem um mistério de muitos anos como também abrem novas possibilidades de investigação.

O satélite Dscovr identificou centenas de lampejos no intervalo de um ano Foto: Nasa

O satélite Dscovr identificou centenas de lampejos no intervalo de um ano
Foto: Nasa

Os instrumentos de satélites como o Dscovr, diz Marshak, podem ajudar nas buscas por lampejos de água na atmosfera de exoplanetas, que sinalizaria a existência de vida nesses locais.