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Pedras fundamentais de Stonehenge não foram obra de humanos diz pesquisador

Pedras fundamentais de Stonehenge não foram obra de humanos diz pesquisador
Segundo arqueólogo, a localização do monumento não foi escolhida ao acaso, mas por um fenômeno naquela posição específica

Stonehenge à noite

Segundo arqueólogo, a localização do monumento não foi escolhida ao acaso, mas por um fenômeno naquela posição específica

eito em algum ponto entre 5 mil e 4 mil anos atrás, Stonehenge é desses lugares com uma aura de mistério. Como pedras de até 50 toneladas foram carregadas para lá, de uma pedreira a 30 km de distância, como foram empilhadas e por quê?

Essas perguntas tem respostas hipotéticas (veja ao final). Mas uma outra acaba de ser respondida a contento: por que foi feito onde foi? E não, digamos, convenientemente perto das pedreiras?

O arqueológo independente Mike Pitts, que fez extensas escavações no local no fim dos anos 70, acaba de publicar um estudo que, acredita, responde a isso. Numa longa matéria no Journal of British Archaeology (“Journal de Arqueologia Britâniica), argumenta que as partes mais fundamentais de Stonhenge sempre estiveram lá.

Ao lado das chamadas Pedra do Calcanhar e a Pedra 16, havia indícios de covas naturais. O que, segundo ele, indica o local onde as pedras estavam originalmente, por possivelmente muitos milhões de anos. Elas simplesmente foram escavadas e levantadas numa nova posição.

As duas pedras projetam uma sombra alinhada ao centro do monumento nos solstícios de verão e inverno. Como essas sombras parecem ter sido absolutamente fundamentais no funcionamento do monumento, a ideia é que as pessoas do neolítico notaram isso, as tornaram um ponto de reverência, e o monumento surgiu em volta delas. A Pedra do Calcanhar, inclusive, não foi trabalhada, mas mantida ao natural.

Pedras fundamentais de Stonehenge não foram obra de humanos diz pesquisador

Na ilustração do arqueólogo, a Pedra do Calcanhar (heelstone) aparece no canto superior direito, a Pedra 16 (Stone 16), no inferior esquerdo. Borrões vermelhos indicam as covas Mike Pitts

Pitts afirma que não tem certeza absoluta de que sejam essas duas pedras as que estavam nas covas — testes químicos serão necessários para provar que elas não vieram da mesma pedreira que as outras, ou que não há outras pedras originais. Mas se mantém firme na teoria de que já havia algo no local de Stonehenge antes de Stonehenge.

“Nada disso quer dizer que Stonehenge é uma criação mesolítica, de caçadores-coletores, e não povos agrícolas”, afirma Pitts em seu blog. “Stonehenge em si continua, pelas evidências atuais, sendo algo que começou por volta do ano 3000 a.C. O que estou sugerindo é que, quando isso aconteceu, o local já estava atraindo as pessoas por provavelmente uma variedade de razões.”

Assim como as pirâmides, Stonehenge não é um mistério tão grande assim. Testes práticos confirmaram algumas hipóteses principais, de que era possível, sim, fazê-lo com tecnologia neolítica. O mais aceito é que as pedras foram levadas com trenós ou troncos, empilhadas através de cordas, hastes e rampas, e o local era um templo com significado astronômico ligado ao solstício de inverno — um sentido que, de acordo com uma teoria mais recente, pode ser até sexual.

O que os historiadores dizem sobre a real aparência de Jesus

Foram séculos e séculos de eurocentrismo – tanto na arte quanto na religião – para que se sedimentasse a imagem mais conhecida de Jesus Cristo: um homem branco, barbudo, de longos cabelos castanhos claros e olhos azuis. Apesar de ser um retrato já conhecido pela maior parte dos cerca de 2 bilhões de cristãos no mundo, trata-se de uma construção que pouco deve ter tido a ver com a realidade.

O que os historiadores dizem sobre a real aparência de Jesus

O Jesus histórico, apontam especialistas, muito provavelmente era moreno, baixinho e mantinha os cabelos aparados, como os outros judeus de sua época.

A dificuldade para se saber como era a aparência de Jesus vem da própria base do cristianismo: a Bíblia, conjunto de livros sagrados cujo Novo Testamento narra a vida de Jesus – e os primeiros desdobramentos de sua doutrina – não faz qualquer menção que indique como era sua aparência.

“Nos evangelhos ele não é descrito fisicamente. Nem se era alto ou baixo, bem-apessoado ou forte. A única coisa que se diz é sua idade aproximada, cerca de 30 anos”, comenta a historiadora neozelandesa Joan E. Taylor, autora do recém-lançado livro What Did Jesus Look Like? e professora do Departamento de Teologia e Estudos Religiosos do King’s College de Londres.

“Essa ausência de dados é muito significativa. Parece indicar que os primeiros seguidores de Jesus não se preocupavam com tal informação. Que para eles era mais importante registrar as ideias e os papos desse cara do que dizer como ele era fisicamente”, afirma o historiador André Leonardo Chevitarese, professor do Instituto de História da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e autor do livro Jesus Histórico – Uma Brevíssima Introdução.

Em 2001, para um documentário produzido pela BBC, o especialista forense em reconstruções faciais britânico Richard Neave utilizou conhecimentos científicos para chegar a uma imagem que pode ser considerada próxima da realidade. A partir de três crânios do século 1, de antigos habitantes da mesma região onde Jesus teria vivido, ele e sua equipe recriaram, utilizando modelagem 3D, como seria um rosto típico que pode muito bem ter sido o de Jesus.

O que os historiadores dizem sobre a real aparência de Jesus

Ilustração feita por especialista Richard Neave para documentário da BBC em 2001

Esqueletos de judeus dessa época mostram que a altura média era de 1,60 m e que a grande maioria deles pesava pouco mais de 50 quilos. A cor da pele é uma estimativa.

Taylor chegou a conclusões semelhantes sobre a fisionomia de Jesus. “Os judeus da época eram biologicamente semelhantes aos judeus iraquianos de hoje em dia. Assim, acredito que ele tinha cabelos de castanho-escuros a pretos, olhos castanhos, pele morena. Um homem típico do Oriente Médio”, afirma.

“Certamente ele era moreno, considerando a tez de pessoas daquela região e, principalmente, analisando a fisionomia de homens do deserto, gente que vive sob o sol intenso”, comenta o designer gráfico brasileiro Cícero Moraes, especialista em reconstituição facial forense com trabalhos realizados para universidades estrangeiras. Ele já fez reconstituição facial de 11 santos católicos – e criou uma imagem científica de Jesus Cristo a pedido da reportagem.

“O melhor caminho para imaginar a face de Jesus seria olhar para algum beduíno daquelas terras desérticas, andarilho nômade daquelas terras castigadas pelo sol inclemente”, diz o teólogo Pedro Lima Vasconcellos, professor da Universidade Federal de Alagoas e autor do livro O Código da Vinci e o Cristianismo dos Primeiros Séculos.

Outra questão interessante é a cabeleira. Na Epístola aos Coríntios, Paulo escreve que “é uma desonra para o homem ter cabelo comprido”. O que indica que o próprio Jesus não tivesse tido madeixas longas, como costuma ser retratado.

“Para o mundo romano, a aparência aceitável para um homem eram barbas feitas e cabelos curtos. Um filósofo da antiguidade provavelmente tinha cabelo curto e, talvez, deixasse a barba por fazer”, afirma a historiadora Joan E. Taylor.

O que os historiadores dizem sobre a real aparência de Jesus

O ator Jim Caviezel interpretou Jesus no filme ‘A Paixão de Cristo’, de 2004, dirigido por Mel Gibson

Chevitarese diz que as primeiras iconografias conhecidas de Jesus, que datam do século 3, traziam-no como um jovem imberbe e de cabelos curtos. “Era muito mais a representação de um jovem filósofo, um professor, do que um deus barbudo”, pontua ele.

“No centro da iconografia paleocristã, Cristo aparece sob diversas angulações: com o rosto barbado, como um filósofo ou mestre; ou imberbe, com o rosto apolíneo; com o pálio ou a túnica; com o semblante do deus Sol ou de humilde pastor”, contextualiza a pesquisadora Wilma Steagall De Tommaso, professora da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e do Museu de Arte Sacra de São Paulo e membro da Sociedade Brasileira de Teologia e Ciências da Religião.

Imagens

Joan acredita que as imagens que se consolidaram ao longo dos séculos sempre procuraram retratar o Cristo, ou seja, a figura divina, de filho de Deus – e não o Jesus humano. “E esse é um assunto que sempre me fascinou. Eu queria ver Jesus claramente”, diz.

A representação de Jesus barbudo e cabeludo surgiu na Idade Média, durante o auge do Império Bizantino. Como lembra o professor Chevitarese, eles começaram a retratar a figura de Cristo como um ser invencível, semelhante fisicamente aos reis e imperadores da época.

“Ao longo da história, as representações artísticas de Jesus e de sua face raras vezes se preocuparam em apresentar o ser humano concreto que habitou a Palestina no início da era cristã”, diz o sociólogo Francisco Borba Ribeiro Neto, coordenador do Núcleo Fé e Cultura da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).

“Nas Igrejas Católicas do Oriente, o ícone de Cristo deve seguir uma série de regras para que a imagem transmita essa outra percepção da realidade de Cristo. Por exemplo, a testa é alta, com rugas que normalmente se agrupam entre os olhos, sugerindo a sabedoria e a capacidade de ver além do mundo material, nas cenas com várias pessoas ele é sempre representado maior, indicando sua ascendência sobre o ser humano normal, e na cruz é representado vivo e na glória, indicando, desde aí, a sua ressurreição.”

Joaquin Phoenix interpretou Jesus no filme 'Maria Madalena', de 2018

Joaquin Phoenix interpretou Jesus no filme ‘Maria Madalena’, de 2018

Como a Igreja ocidental não criou tais normas, os artistas que representaram Cristo ao longo dos séculos criaram-no a seu modo. “Pode ser uma figura doce ou até fofa em muitas imagens barrocas ou um Cristo sofrido e martirizado como nas obras de Caravaggio ou Goya”, pontua Ribeiro Neto.

“O problema da representação fiel ao personagem histórico é uma questão do nosso tempo, quando a reflexão crítica mostrou as formas de dominação cultural associadas às representações artísticas”, prossegue o sociólogo. “Nesse sentido, o problema não é termos um Cristo loiro de olhos azuis. É termos fiéis negros ou mulatos, com feições caboclas, imaginando que a divindade deve se apresentar com feições europeias porque essas representam aqueles que estão ‘por cima’ na escala social.”

Essa distância entre o Jesus “europeu” e os novos fiéis de países distantes foi reduzida na busca por uma representação bem mais aproximada, um “Jesus étnico”, segundo o historiador Chevitarese. “Retratos de Jesus em Macau, antiga colônia portuguesa na China, mostram-no de olhos puxados, com a forma de se vestir própria de um chinês. Na Etiópia, há registros de um Jesus com feições negras.”

No Brasil, o Jesus “europeu” convive hoje com imagens de um Cristo mais próximo dos fiéis, como nas obras de Cláudio Pastro (1948-2016), considerado o artista sacro mais importante do país desde Aleijadinho. Responsável por painéis, vitrais e pinturas do interior do Santuário Nacional de Aparecida, Pastro sempre pintou Cristo com rostos populares brasileiros.

Para quem acredita nas mensagens de Jesus, entretanto, suas feições reais pouco importam. “Nunca me ocupei diretamente da aparência física de Jesus. Na verdade, a fisionomia física de Jesus não tem tanta importância quanto o ar que transfigurava de seu olhar e gestos, irradiando a misericórdia de Deus, face humana do Espírito que o habitava em plenitude. Fisionomia bem conhecida do coração dos que nele creem”, diz o teólogo Francisco Catão, autor do livro Catecismo e Catequese, entre outros.

DNA de esqueleto indica existência de britânicos negros e de olhos azuis há 10 mil anos

O Homem de Cheddar nada tem a ver com o queijo de sabor forte e, por vezes, cor amarelada. É, na verdade, um dos mais antigos britânicos de que se tem registro. E agora, também objeto de uma nova descoberta.

DNA de esqueleto indica existência de britânicos negros e de olhos azuis há 10 mil anos

Com base nos dados, cientistas reconstruíram o que acreditam ter sido o rosto do Homem de Cheddar

Uma análise recente do fóssil encontrado em 1903 em uma gruta de Cheddar, desfiladeiro repleto de cavernas localizado em Somerset, no Reino Unido, indicou que ele tinha olhos azuis, cabelo crespo e pele escura.

A análise contraria a imagem anterior projetada a partir do fóssil. Inicialmente, acreditava-se que ele tinha olhos escuros, pele clara e cabelos lisos.

Uma equipe de cientistas não só identificou o novo fenótipo atribuído ao britânico de 10 mil anos atrás como também fez uma reconstrução detalhada de seu rosto.

Avaliações anteriores já indicavam que ele era mais baixo que a média e que provavelmente morreu por volta dos 20 anos.

DNA de esqueleto indica existência de britânicos negros e de olhos azuis há 10 mil anos

DNA de esqueleto indica existência de britânicos negros e de olhos azuis há 10 mil anos

Fraturas na superfície do crânio sugerem que ele pode ter morrido de maneira violenta. Não se sabe como o corpo chegou à caverna, mas é possível que tenha sido colocado lá por indivíduos da tribo.

Extração do DNA

Os pesquisadores do Museu de História Natural de Londres extraíram o DNA de uma parte do crânio, próxima ao ouvido, conhecida como osso petroso.

Inicialmente, Ian Barnes e Selina Brace, que fazem parte da instituição e integram o projeto, não tinham certeza se conseguiriam algum DNA do fóssil.

Mas eles tiveram sorte: não só o DNA foi preservado, como também produziu a maior cobertura (uma medida da precisão de sequenciamento) para um genoma na Europa desse período de Pré-história – conhecido como Mesolítico ou Idade da Pedra Média.

Análise do DNA foi feita a partir do crânio, mais precisamento do osso petroso

DNA de esqueleto indica existência de britânicos negros e de olhos azuis há 10 mil anos

Os pesquisadores do museu se juntaram a cientistas da universidade londrina UCL (University College London) para analisar os resultados, incluindo variantes genéticas associadas com cabelo, olhos e cor da pele.

A descoberta indica ainda que os genes da pele mais clara se difundiu na Europa mais tarde do que se pensava, e que a cor da pele não é necessariamente referência de origem geográfica, como normalmente é vista hoje em dia.

Como a pele mudou

A pele clara provavelmente chegou à Grã-Bretanha há cerca de 6 mil anos, com uma migração de pessoas do Oriente Médio.

Essa população tinha pele clara e olhos castanhos. Acredita-se que tenha acabado absorvendo características de grupos como o do Homem de Cheddar.

Não se sabe ao certo, contudo, por que a pele clara acabou se sobressaindo entre os habitantes da região. Mas acredita-se que a dieta à base de cereais provavelmente era deficiente em vitamina D – isso exigiria que agricultores processassem esse nutriente por meio da exposição à luz solar, que é mais escassa onde fica o Reino Unido.

“Podem haver outros fatores causando menor pigmentação da pele ao longo do tempo nos últimos 10 mil anos. Mas essa é a grande explicação à qual a maioria dos cientistas se fia”, disse Mark Thomas, geneticista da UCL.

Fóssil foi encontrado em 1903 numa caverna em Cheddar, no condado de Somerset

DNA de esqueleto indica existência de britânicos negros e de olhos azuis há 10 mil anos

Para Tom Booth, arqueólogo do Museu de História Natural em Londres e integrante do projeto que desvendou as características do Homem de Cheddar, a análise mostra como as categorias raciais são construções modernas ou muito recentes. “Elas realmente não se aplicam ao passado”, disse ao jornal britânico The Guardian.

Yoan Diekmann, biólogo especializado em estudos da computação na universidade londrina UCL e também parte da equipe, concorda com o colega. Afirma que a conexão comumente estabelecida entre “britanidade” e brancura “não é uma verdade imutável”. “Sempre mudou e sempre mudará”, declarou à mesma publicação.

A análise genética também sugere que o Homem Cheddar não bebia leite na idade adulta – algo que só se espalharia entre os humanos muito mais tarde, na Idade do Bronze, iniciada em alguns lugares há cerca de 5 mil anos.

Chegadas e partidas

As análises também indicam que os europeus dos tempos atuais mantiveram, em média, apenas 10% das características de ancestrais como o britânico de Cheddar.

Acredita-se que os humanos chegaram no que hoje é o Reino Unido há 40 mil anos, mas um período de frio extremo conhecido como o Último Máximo Glacial teria os forçado a migrar dali 10 mil anos depois.

Também já foram coletadas evidências em cavernas de que humanos caçadores-coletores voltaram quando as condições climáticas melhoraram. Mas acabaram sendo surpreendidos pelo frio – marcas nos ossos sugerem que esse grupo canibalizou seus mortos.

O território hoje conhecido como Grã-Bretanha foi ocupado novamente há 11 mil anos e, desde então, permanece habitado, segundo os pesquisadores.

O Homem de Cheddar é parte dessa onda migratória que teria caminhado pela chamada Doggerland – que, naquele período, ligava a ilha ao continente, mas posteriormente acabou coberta pelo aumento do nível do mar.

Nos anos 1990, outra análise do DNA já havia identificado possíveis 'parentes do Homem de Cheddar'

Nos anos 1990, outra análise do DNA já havia identificado possíveis ‘parentes do Homem de Cheddar’

Essa não é a primeira tentativa de análise genética do Homem de Cheddar. No final dos anos 1990, o geneticista Brian Sykes já havia sequenciado o DNA mitocondrial de um dos molares do fóssil.

A sequência, transmitida exclusivamente da mãe para os filhos, foi comparada com 20 residentes vivos do povoado em Cheddar.

Duas dessas pessoas tinham mostras similares – uma delas era o professor de história Adrian Targett.

A atual descoberta feita por pesquisadores do Museu de História Natural e da UCL vai ser detalhada em um documentário para a televisão britânica com o título The First Brit: Secrets of the 10,000 Year Old Man (“O primeiro britânico: segredos do homem de 10 mil anos de idade”), feito pela Plimsoll Productions e a ser exibido pelo Channel 4. Também vai virar, é claro, artigo acadêmico.

DNA de esqueleto indica existência de britânicos negros e de olhos azuis há 10 mil anos

DNA de esqueleto indica existência de britânicos negros e de olhos azuis há 10 mil anos

O professor Chris Stringer, que lidera os estudos sobre origens humanas no museu, se dedica a estudar o esqueleto do Homem de Cheddar há 40 anos.

Ele se impressionou ao ver a reconstrução que pode ter revelado o rosto de seu objeto de estudo.

“Ficar cara a cara com a imagem de como esse homem pode ter parecido – a combinação impressionante de cabelo, rosto, cor dos olhos e pele escura – é algo que não poderíamos imaginar alguns anos atrás. Mas é que os dados científicos mostram.”

http://www.bbc.com/portuguese/geral-42973059

Homo sapiens existiram 100 mil anos antes do que pensávamos

Uma equipe de pesquisa internacional liderada por Jean-Jacques Hublin, do Instituto Max Planck de Antropologia Evolutiva, na Alemanha, e Abdelouahed Ben-Ncer, do Instituto Nacional de Arqueologia e Patrimônio (INSAP), do Marrocos, descobriu ossos fósseis de Homo sapiens juntamente com ferramentas de pedra e ossos de animais em Jebel Irhoud, no Marrocos. Os achados datam de cerca de 300 mil anos atrás e representam a evidência fóssil mais antiga e segura de nossa própria espécie. Esta data é 100 mil anos anterior aos fósseis mais antigos de homo sapiens encontrados anteriormente. As descobertas revelam uma história evolutiva complexa da humanidade que provavelmente envolveu todo o continente africano.

Homo sapiens existiram 100 mil anos antes do que pensávamos

Evolução humana: 10 ancestrais essenciais

Tanto os dados genéticos dos seres humanos atuais quanto os registros fósseis apontam para uma origem africana de nossa própria espécie, o Homo sapiens. Anteriormente, os fósseis de Homo sapiens mais antigos conhecidos eram os do sítio arqueológico de Omo Kibish, na Etiópia, datados de 195 mil anos atrás. Em Herto, também na Etiópia, outro fóssil de Homo sapiens é datado de 160 mil anos atrás. Até agora, a maioria dos pesquisadores acreditava que todos os seres humanos que vivem hoje descendiam de uma população que vivia na África Oriental há cerca de 200 mil anos. “Nós costumávamos pensar que havia um berço da humanidade há 200 mil anos atrás no leste da África, mas nossos novos dados revelam que o Homo sapiens se espalhou por todo o continente africano há cerca de 300 mil anos. Muito antes da dispersão para fora da África do Homo sapiens, houve dispersão na África”, diz o paleoantrotropólogo Jean-Jacques Hublin.

O sítio marroquino de Jebel Irhoud tem sido bem conhecido desde a década de 1960 por seus fósseis humanos e por seus artefatos da Idade da Pedra. No entanto, a interpretação dos hominídios de Irhoud tem sido complicada por incertezas persistentes em torno de sua idade geológica. O novo projeto de escavação, que começou em 2004, resultou na descoberta de novos fósseis de Homo sapiens, aumentando seu número de seis para 22. Esses achados confirmam a importância de Jebel Irhoud como o mais antigo e mais rico local da Idade da Pedra Africana para a documentação de um estágio inicial de nossa espécie.

Origem mais antiga

Os restos fósseis de Jebel Irhoud compreendem crânios, dentes e ossos longos de pelo menos cinco indivíduos. Para fornecer uma cronologia precisa para essas descobertas, os pesquisadores usaram o método de datação de termoluminescência em pedras aquecidas encontradas nos mesmos depósitos. Esses testes mostraram uma idade de cerca de 300 mil anos atrás e, portanto, colocam as origens de nossa espécie 100 mil anos antes do que acreditávamos anteriormente.

“Os locais bem datados desta época são excepcionalmente raros na África, mas tivemos a sorte de que tantos artefatos de pedra de Jebel Irhoud tenham sido aquecidos no passado”, diz o especialista em geocronologia Daniel Richter, do Instituto Max Planck. Richter explica: “Isso nos permitiu aplicar métodos de datação de termoluminescência nos artefatos e estabelecer uma cronologia consistente para os novos fósseis”. Além disso, a equipe foi capaz de recalcular a idade direta de três mandíbulas encontradas em Jebel Irhoud na década de 1960.

Estas mandíbulas tinham sido anteriormente datadas de 160 mil anos atrás por um método especial de datação de ressonância elétrica de giro. Usando novas medidas da radioatividade dos sedimentos de Jebel Irhoud e como resultado de melhorias metodológicas, a idade recém calculada deste fóssil está de acordo com as idades de termoluminescência, muito mais antigas do que as encontradas anteriormente. “Nós empregamos métodos de datação de última geração e adotamos as abordagens mais conservadoras para determinar com precisão a idade”, acrescenta Richter.

Homo sapiens existiram 100 mil anos antes do que pensávamos

Os 10 maiores mistérios da evolução humana

O crânio dos seres humanos modernos possui uma combinação de características que nos distingue de nossos parentes e antepassados ​​fósseis: um rosto pequeno e fino e uma cicatriz globular. Os fósseis de Jebel Irhoud exibem um rosto e dentes de aparência moderna, e uma crânio grande, mas mais arcaico. Hublin e sua equipe usaram varreduras computacionais micro-técnicas de última geração e análise de formas estatísticas baseadas em centenas de medidas 3D para mostrar que a forma facial dos fósseis de Jebel Irhoud é quase indistinguível daquela dos seres humanos modernos.

Em contraste com a sua moderna morfologia facial, no entanto, os crânios de Jebel Irhoud retém uma forma arcaica bastante alongada. “A forma interna do crânio reflete a forma do cérebro”, explica o paleontrofilósofo Philipp Gunz, do Instituto Max Planck de Antropologia Evolutiva. “Nossas descobertas sugerem que a moderna morfologia facial humana foi estabelecida no início da história de nossa espécie, e que a forma do cérebro e, possivelmente, a função cerebral, evoluíram dentro da linhagem Homo sapiens”, acredita.

Recentemente, as comparações de DNA antigo extraído de Neanderthais e do Hominídeo de Denisova com o DNA dos humanos do presente revelaram diferenças nos genes que afetam o cérebro e o sistema nervoso. As mudanças de forma evolutiva do crânio são, portanto, provavelmente relacionadas a uma série de mudanças genéticas que afetam a conectividade cerebral, organização e desenvolvimento que distinguem o Homo sapiens de nossos antepassados ​​e parentes extintos.

Evolução em todo o continente

A morfologia e a idade dos fósseis de Jebel Irhoud também corroboram a interpretação de um crânio parcial enigmático de Florisbad, África do Sul, como representante inicial dos Homo sapiens. Os primeiros fósseis de Homo sapiens foram encontrados em todo o continente africano: Jebel Irhoud, Marrocos (300 mil anos), Florisbad, África do Sul (260 mil anos) e Omo Kibish, Etiópia (195 mil anos). Isso indica uma história evolutiva complexa de nossa espécie, possivelmente envolvendo todo o continente africano.

10 comparações entre humanos e nossos parentes vivos mais próximos

“A África do Norte tem sido negligenciada nos debates em torno da origem de nossa espécie. As descobertas espetaculares de Jebel Irhoud demonstram as estreitas conexões do Magrebe (região noroeste da África) com o resto do continente africano no momento do surgimento do Homo sapiens”, diz Abdelouahed Ben -Ncer.

Os fósseis foram encontrados em depósitos contendo ossos de animais, que foram caçados caçados, sendo a espécie mais frequente a gazela. As ferramentas de pedra associadas a estes fósseis pertencem à Idade Média da Pedra. Os artefatos de Jebel Irhoud mostram o uso de técnica Levallois, e as formas pontudas são as mais comuns. A maioria das ferramentas de pedra foram feitas de pederneira de alta qualidade levadas para o local. Bifaces, ferramentas comumente encontrada em sítios mais antigos, não estão presentes no Jebel Irhoud. As montagens de artefatos da Idade Média da Pedra, como as recuperadas em Jebel Irhoud, são encontradas em toda a África neste momento e provavelmente mostram uma adaptação que permitiu que o Homo sapiens se dispersasse por todo o continente.

“Os artefatos de pedra de Jebel Irhoud parecem muito semelhantes aos de depósitos de idade similar no leste da África e no sul da África”, diz a arqueóloga do Instituto Max Planck Shannon McPherron. “É provável que as inovações tecnológicas da Idade Média da Padra na África estejam ligadas ao surgimento do Homo sapiens”. As novas descobertas de Jebel Irhoud elucidam a evolução do Homo sapiens e mostram que nossa espécie evoluiu muito antes do que se pensava anteriormente. A dispersão do Homo sapiens em toda a África em torno de 300 mil anos é o resultado de mudanças biológicas e comportamentais.

 

 

Esta é a face de um brasileiro de 10 mil anos

Reconstrução recente joga mais lenha no debate da imigração para a América

Parece um parente de Luzia, a paleolíndia brasileira que, ao ser reconstruída em 1999, pelo especialista forense britânico Richard Neave, causou um rebuliço na imprensa e na comunidade internacional.

A face de uma grande polêmica arqueólogica | Crédito: Cicero Moraes

A reconstrução não se parecia em nada com os índios atuais, mas com uma pessoa de características negroides, como os africanos subsaarianos ou os melanésios e aborígenes australianos. Achada em 1975, em Lagoa Santa, Minas Gerais, ela foi datada de 11500 anos atrás, então o mais antigo fóssil humano conhecido nas Américas. Ela continua polêmica, como veremos, mas perdeu esse trono: fósseis mais antigos foram encontrados.

O imponente busto de Apiúna / Cícero Moraes

O imponente busto de Apiúna / Cícero Moraes

Nosso amigo acima não é nenhuma celebridade (ao menos até agora). Apelidado de Apiúna, ele viveu há “meros” 10 mil anos – separado de Luzia por mais ou menos a mesma distância temporal que nós temos com o fim do Império Romano. Foi encontrado pelo arqueólogo húngaro-brasileiro Mihaly Banyai, no Parque Estadual do Sumidouro, em Lagoa Santa, e está no Museu Arqueológico da Lapinha, dirigido por sua filha, Erika.

A pedido dela, o designer 3D Cícero Moraes deu a ela o mesmo tratamento que Richard Neave deu a Luzia há quase 20 anos. No mesmo trabalho, ele reconstruiu outro esqueleto, batizado de Diarum (veja abaixo). Mais jovem, ele veio de outro sítio de Lagoa Santa. A pedido da diretora do museu, o designer resolveu experimentar uma outra variação de cabelo possível.

Segundo Erika, Banyai Diarum quer dizer "onça poderosa" / Cícero Moraes

Segundo Erika, Banyai Diarum quer dizer “onça poderosa” / Cícero Moraes

Em 1999, Neave decidiu que Luzia era negra através da análise do formato de seu crânio. Cícero decidiu por um teste cego. “Os crânios digitalizados foram enviados ao Dr. Marcos Paulo Salles Machado, Perito Legista do IML do Rio de Janeiro, que não tinha informação alguma acerca da origem do material”, afirma, em entervista à AH. “Ele examinou e nos forneceu os dados: homem, africano, 40-50 anos.” Cícero continuou a partir daí.

Tirando termos um paleoíndio com um visual completamente diferente dos índios, qual é a polêmica, então? Isso muda tudo o que é (ou tem sido) consenso sobre a colonização das Américas. Vestígios fósseis e testes de DNA (com uma exceção, veja abaixo) indicam que os índios do continente inteiro são descendentes de levas de migrantes vindos da Sibéria, através do Estreito de Bering, há cerca de 14 mil anos. E isso aparece em seu fenótipo, com características similares às dos leste-asiáticos. Se Luzia e Apiúna são mesmo africanos ou austronésios, a história da ocupação humana da América precisa ser reescrita. O continente foi colonizado mais de uma vez.

As etapas da reconstrução / Cícero Moraes

As etapas da reconstrução / Cícero Moraes

E, sim, existe um “se” aqui. A cor, a textura dos cabelos, o formato exato do nariz, nada disso pode ser tirado diretamente de um fóssil. O que Neave a agora Marcus Paulo Machado fizeram foi pegar um crânio e agir como um especialista forense moderno confrontado diante de um caso policial. Pelo formato, eles dizem “negro”, “branco”, “asiático”. Esse método sofreu várias críticas de antropólogos, que afirmam que a técnica forense se baseia em velhas ideias racialistas e os crânios em Lagoa Santa são compatíveis com o fenótipo dos paleoíndios que vieram da Sibéria.

Apiúna e Diarum no museu / Erika Banyai

Estariam então a reconstruções equivocadas? Fiquemos com isso para terminar: em 2015, um teste genético revelou que algumas tribos da Amazônia – e só elas – tem marcadores de DNA típicos de aborígenes e melanésios – e também siberianos. Terá o povo de Luzia e Apiúna tido o mesmo fim que os neandertais, absorvidos e extintos?

Cinco equívocos que se afirma sobre a teoria da evolução

Quando o tema são buracos negros, os estranhos hábitos sexuais dos insetos ou se o que tem na sua geladeira causa/cura câncer, não tem polêmica: quase todo mundo solta um “uau, a ciência é fantástica, não, minha gente?”. Mas é falar em teoria da evolução, de Charles Darwin, e metade do público parece entrar em pânico, no modo “não é bem assim, minha gente”.

 Cinco equívocos que se afirma sobre a teoria da evolução


Cinco equívocos que se afirma sobre a teoria da evolução

O fato é que Hollywood, os quadrinhos e os videogames também fazem um baita trabalho em deseducar as pessoas sobre a teoria mais importante da biologia. A seguir, algumas das bobagens que pipocam em qualquer conversa sobre evolução – e já passaram da hora de serem enterradas.

 

 

1) É só uma teoria

Sim, a evolução é “só” uma teoria. Assim como a relatividade, a ideia de que a Terra gira em torno do Sol (heliocentrismo) e a teoria dos germes, que diz que doenças podem ser causadas por bactérias e vírus.

Teoria, em ciência, não é o mesmo que a “teoria” do dono do boteco de que jogadores de futebol de canelas grossas são piores que os de canelas finas. Uma teoria científica é uma explicação abrangente e amplamente aceita para fatos sólidos e bem conhecidos. No caso da moderna teoria da seleção natural, esse fato é a evolução.

Pois é, fato. Já se sabia da evolução muito antes de Darwin – a primeira teoria da evolução, o lamarckismo, surgiu no ano de seu nascimento, em 1809. O que torna a evolução um fato observável é que os animais de hoje não são iguais aos do passado, o que sabemos pelo registro fóssil, e que não existiam animais como os de hoje no passado. Isso quer dizer que os animais se modificaram. Evoluíram. Darwin só explicou como.

Outra variação desse argumento é dizer que não é “lei”, como a da gravidade. Leis, na verdade, são menores que teorias. Elas descrevem o que se esperar de uma situação muito específica – por exemplo, um objeto caindo. Teorias explicam o porquê, e contém as leis.

2) Evolução é contra a religião

A evolução pode não bater com o literalismo bíblico, acreditar que as coisas foram palavra por palavra como no Livro do Gênesis e o resto da Bíblia. Mas até aí, também não batem com isso a geologia, a genética, a astronomia, a arqueologia, a paleontologia, a história… enfim, com todo o respeito à fé de cada um, a realidade.

A maioria dos cristãos – inclusive a maioria dos brasileiros – não é assim. Eles não enxergam problema nenhum em acreditar em Deus e Darwin ao mesmo tempo, lendo a Bíblia mais como uma metáfora. De fato, essa é a posição oficial da Igreja Católica desde o papa Pio XII, e foi bastante reforçada por João Paulo II e seus sucessores. Para o fiel, a evolução pode ser entendida como o plano de Deus. Sem crise.

3) A evolução é a lei do mais forte

A seleção natural – cujo resultado é a evolução, não vamos confundir as duas coisas – favorece o mais apto. E mais apto significa quem se reproduz melhor e deixa mais descendentes, nada além disso. Quando a comida é escassa, por exemplo, ser menor (e gastar menos energia) pode ser uma vantagem. De nada adianta ser grandalhão e malvado e morrer de fome – isso não gera descendentes.

Não que a seleção natural não seja implacável de outra maneira. Pela amplamente aceita teoria do gene egoísta, ela trata pura e exclusivamente da reprodução num nível genético, não de espécie e nem de indivíduo. O indivíduo que se lixe. É por isso que existem coisas como genes letais, que fazem com que vários animais morram após se reproduzirem. Passou o gene, venceu.

4) Organismos ficam “mais avançados” com a evolução

Assim como a seleção natural pode fazer mal aos indivíduos, se isso ajudar os genes, ela não necessariamente leva a seres que acharíamos mais complexos, interessantes, bonitos, inteligentes – enfim, mais como a gente. Não existe plano na evolução. Animais que um dia foram capazes de voar – o que tem algo de poético para nós – deixam de ser quando não existe mais pressão seletiva para que isso aconteça.

Um caso interessantíssimo é o dos tunicados, seres marinhos às vezes bem bonitos, lembrando vasos de flores. Eles basicamente não tem cérebro ou órgãos dos sentidos e vivem como esponjas, os seres multicelulares mais simples que existem, fixos ao solo marinho e filtrando plâncton. Só que eles têm um segredo – são parentes distantes de nós. Em seu passado evolutivo, eles se pareciam com peixes e tinham cérebro, nadando livremente. De fato, eles ainda são assim em sua fase larval, o que faz com que sejam chamados de “animal que come o próprio cérebro”. No caso deles, a evolução decidiu que o cérebro era dispensável.

Pesquisa de Darwin não concluiu que evolução é a lei do mais forte

Pesquisa de Darwin não
concluiu que evolução
é a lei do mais forte

O ser humano que se cuide, aliás: desde a Idade da Pedra, nosso cérebro vem diminuindo.

5) Alguns animais – e gente – pararam de evoluir

Não corremos mais do leão nem precisamos matar uma mamute com a força dos próprios braços. Podemos passar o dia inteiro em frente à TV e ainda assim levar adiante os nossos genes. Sem essa pressão, será que a evolução parou?

Enquanto algumas pessoas tiverem mais filhos que as outras, não. Cientistas discutem em qual direção estamos evoluindo agora, com alguns apontando coisas como uma menopausa mais tardia. O que é certeza é que não estamos criando um cabeção alienígena supergênio. Só seria assim se gente como Stephen Hawking e Neil DeGrasse Tyson fossem os maiores ricardões do planeta.

Outra coisa interessante: os ditos “fósseis vivos”, bichos que praticamente não mudaram por milhões de anos. O fascinante neles é que não mudam porque a evolução não parou. Mutações acontecem o tempo todo – se um bicho mantém a mesma forma, é porque a evolução está filtrando essas mutações fora. Evitando que mude. Por isso que não existe bicho mais ou menos evoluído. Em time que está ganhando, não se mexe.

Menino de 15 anos testa teoria própria e descobre cidade maia

O canadense William Gadoury, de 15 anos, pode feito história ao descobrir uma cidade maia até então desconhecida a partir da observação das estrelas e com a ajuda doGoogle Maps.

Segundo o Journal de Montréal, o morador da província de Quebec (Canadá) estudou 22 constelações, reproduziu todas elas em um mapa e, ao analisá-lo, percebeu que elas correspondiam às coordenadas geográficas de 117 cidades maias espalhadas pelo México, Guatemala, Honduras e El Salvador.

Ao aplicar sua teoria a uma 23º constelação, sempre usando dados da Agência Espacial Canadense, e checar a localização no Google Maps, William encontrou vestígios de uma nova cidade na Península de Iucatã, no México.

O canadense William Gadoury, de 15 anos, pode feito história ao descobrir uma cidade maia até então desconhecida a partir da observação das estrelas e com a ajuda do Google Maps.

A descoberta do menino é única porque, em todos esses anos, nenhum cientista relacionou as constelações à localização de regiões maias.

“Eu não entendia porque os maias construíram suas cidades longe dos rios, em terras marginais e nas montanhas. Eles tinham outra razão. Como eles adoravam as estrelas, tive a ideia de verificar minha hipótese”, conta William ao jornal Positivr. “Fiquei realmente surpreso e animado quando percebi que a posição das estrelas estava combinando com as maiores cidades maias”.

 

 

O canadense William Gadoury, de 15 anos, pode feito história ao descobrir uma cidade maia até então desconhecida a partir da observação das estrelas e com a ajuda do Google Maps.

Segundo o Journal de Montréal, o morador da província de Quebec (Canadá) estudou 22 constelações, reproduziu todas elas em um mapa e, ao analisá-lo, percebeu que elas correspondiam às coordenadas geográficas de 117 cidades maias espalhadas pelo México, Guatemala, Honduras e El Salvador.
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Ao aplicar sua teoria a uma 23º constelação, sempre usando dados da Agência Espacial Canadense, e checar a localização no Google Maps, William encontrou vestígios de uma nova cidade na Península de Iucatã, no México.
“Eu não entendia porque os maias construíram suas cidades longe dos rios, em terras marginais e nas montanhas. Eles tinham outra razão. Como eles adoravam as estrelas, tive a ideia de verificar minha hipótese”, conta William ao jornal Positivr. “Fiquei realmente surpreso e animado quando percebi que a posição das estrelas estava combinando com as maiores cidades maias”.

O canadense William Gadoury, de 15 anos, pode feito história ao descobrir uma cidade maia até então desconhecida a partir da observação das estrelas e com a ajuda do Google Maps.

A descoberta do menino é única porque, em todos esses anos, nenhum cientista relacionou as constelações à localização de regiões maias.

A descoberta do menino é única porque, em todos esses anos, nenhum cientista relacionou as constelações à localização de regiões maias.

Especialistas acreditam que os 30 pequenos prédios e a pirâmide de 86 metros sejam parte da quarta maior cidade maia, com 80 e 120 km², e já foi batizada pelo estudante como “K’aak Chi” (Boca de Fogo).

Agora, uma expedição está sendo organizada para chegar até a região, que é de difícil acesso. William, que ganhou uma medalha da Agência Espacial Canadense, deseja ver a descoberta, feita de dentro de seu quarto, com os próprios olhos. “Seria a culminação de meus três anos de trabalho e o sonho da minha vida”, define o menino, que começou a se interessar pela civilazação antiga após as previsões de que o mundo acabaria em 2012.

No ano que vem, o jovem virá ao Brasil para participar de uma feira de ciências internacional.

Quinze mudanças que nos fizeram humanos

Os humanos são provavelmente a espécie mais curiosa que já existiu.

Temos cérebros muito maiores que os de outros animais e que nos permitem construir utensílios, entender conceitos abstratos e usar a linguagem.

Mas também temos poucos pelos, mandíbulas fracas e demoramos para dar à luz.
Como a evolução explica essa criatura extravagante?

Mudanças genéticas em ancestrais humanos determinaram "vantagens" na vida moderna.

Mudanças genéticas em ancestrais humanos determinaram “vantagens” na vida moderna.

 

1. Viver em grupo

Há 30-60 milhões de anos

Há 30-60 milhões de anos

Os primeiros primatas, grupo que inclui macacos e humanos, surgiram pouco depois do desaparecimento dos dinossauros. Muitos começaram rapidamente a viver em grupos para melhor se defenderem de predadores, e isso exigiu de cada animal “negociar” uma rede de amizades, hierarquias e inimizades.

Sendo assim, viver em grupo pode ter impulsionado um aumento da capacidade intelectual.

 

2. Mais sangue no cérebro

Há 10-15 milhões de anos

Há 10-15 milhões de anos

Humanos, chimpanzés e gorilas descendem todos de uma espécie desconhecida e extinta de hominídeo.

Neste ancestral, um gene chamado RNF213 evoluiu rapidamente e pode ter estimulado o fluxo de sangue para o cérebro ao ampliar a artéria carótida.

Nos humanos, as mutações do RNF213 causam a doença de Moyamoya – um estreitamento da carótida que leva ao deterioramento da capacidade cerebral por conta da pouca irrigação do cérebro.

3. A divisão dos primatas

Há 7-13 milhões de anos

Há 7-13 milhões de anos

Nossos ancestrais se separaram de seus parentes parecidos com os chimpanzés há cerca de 7 milhões de anos. No início, tinham uma aparência bem similar, mas por dentro suas células estavam em marcha.

Os genes ASPM e ARHGAP11B entraram em mutação, assim como um segmento do genoma humano chamado HAR1.

Ainda não está claro o que provocou essas modificações, mas o ARHGAP11B e o HAR1 estão associados ao crescimento do córtex cerebral

4. ‘Picos’ de açúcar

Há menos de sete milhões de anos

Há menos de sete milhões de anos

Depois que a linha evolutiva humana se separou da linha dos chimpanzés, dois genes sofreram mutações.

O SLC2A1 e o SLC2A4 formam proteínas que transportam glicose para dentro e para fora das células.

Essas modificações podem ter desviado glicose dos músculos para o cérebro de hominídeos primitivos e é possível que tenha estimulado o crescimento do órgão.

5. Mãos mais hábeis

Nossas mãos são incrivelmente hábeis e nos permitem construir ferramentas ou escrever, entre outras atividades.

Há menos de 7 milhões de anos

Há menos de 7 milhões de anos

Isso pode se dever em parte a um fragmento de DNA chamando HACNS1, que evoluiu rapidamente desde que nossos ancestrais e os ancestrais dos chimpanzés se dividiram.
Não se sabe o que o HACNS1 faz exatamente, mas ele contribuiu para o desenvolvimento de nossos braços e mãos.

6. Mandíbulas fracas: mais espaço para o cérebro

Em comparação com outros primatas, os humanos não podem morder com muita força porque têm músculos mais fracos em volta da mandíbula, bem como mandíbulas menores.

Há 2,4 - 5,3 milhões de anos

Há 2,4 – 5,3 milhões de anos

Isso parece se dever a uma mutação do gene MYH16, que controla a produção de tecido muscular.
A mutação ocorreu há pelo menos 5 milhões de anos. Mandíbulas pequenas podem ter liberado espaço para o crescimento do cérebro.

7. Dieta variada

Nossos ancestrais primatas mais antigos comiam principalmente frutas, mas espécies posteriores como o Australopithecus ampliaram seu cardápio.

Há 1,8 - 3,5 milhões de anos

Há 1,8 – 3,5 milhões de anos

Além de se alimentar com uma variedade maior de plantas, como ervas, comiam mais carne e inclusive a cortavam com ferramentas de pedra.

Mais carne levou ao consumo de mais calorias e menos tempo de mastigação.

8. Pelado, nu com a mão no bolso

Os humanos são quase pelados. Não se sabe a razão, mas isso ocorreu entre 3 e 4 milhões de anos atrás.

Há 3,3 milhões de anos

Há 3,3 milhões de anos

Suspeita-se que a perda de pelos tenha ocorrido em resposta à evolução de parasitas como carrapatos. Exposta ao sol, a pele humana escureceu e a partir de então todos nossos ancestrais foram negros até que alguns humanos modernos deixaram os trópicos.

9. Um gene de inteligência

Um gene chamado SRGAP2 foi duplicado três vezes em nossos ancestrais e, como resultado, células cerebrais teriam desenvolvido mais conexões.

Há 3,2 milhões de anos

Há 3,2 milhões de anos

 

 

 

 

 

10. Cérebros maiores: primatas pensantes

Os humanos pertencem a um grupo ou gênero de animais conhecido como Homo. O fóssil mais antigo de Homo foi escavado na Etiópia e tem 2,8 milhões de anos.

Há 2,8 milhões de anos

Há 2,8 milhões de anos

A primeira espécie foi possivelmente o Homo habilis, embora cientistas discordem deste argumento.

Em comparação com seus ancestrais, esses novos hominídeos tinham cérebros muito maiores.

 

11. Parto complicado: uma cabeça muito grande

Para os humanos, o parto é mais difícil e perigoso.

Há pelo menos 200 mil anos

Há pelo menos 200 mil anos

Diferentemente de outros primatas, as mães quase sempre precisa de ajuda.

Caminhar sobre duas pernas fez com que as fêmeas humanas tenham um canal pélvico mais estreito e passagem de um bebê humano com a cabeça maior de seus ancestrais ficou dificultada.

Para compensar esse “problema logístico”, bebês humanos nascem pequenos e indefesos.

12. Controle do fogo

Ninguém sabe quando os humanos aprenderam a controlar o fogo.

 

Há 1 milhão de anos

Há 1 milhão de anos

A evidência mais antiga do uso do fogo está na Caverna de Wonderwerk, na África do Sul, que contém cinzas fossilizadas e ossos queimados datando de um milhão de anos.

Mas alguns especialistas afirmam que o fato de homem já ser capaz de processar alimentos há mais tempo do que isso poderia incluir o ato de cozinhar.

13. O dom da fala

Todos os grandes hominídeos têm sacos de ar em seus tractos vocais, o que lhes permite emitir fortes gritos.

 

Há 600 mil - 1,6 milhão de anos

Há 600 mil – 1,6 milhão de anos

Mas não os humanos, porque essas bolsas fazem impossível produzir diferentes sons.

Nossos ancestrais aparentemente perderam os sacos de ar antes de se separar em termos evolucionários da espécie Neanderthal, o que sugere que eles também podiam falar.

 

14. Um gene para a linguagem

Algumas pessoas têm uma mutação em um gene chamado FOXP2.

 

Há meio milhão de anos

Há meio milhão de anos

 

Como resultado, custa a elas entender gramática e pronunciar palavras.

Isso sugere que o FOXP2 é crucial para aprender o uso da linguagem.

15. Saliva reforçada para comer carboidratos

A saliva humana contém uma enzima chamada amilasa, fabricada pelo gene AMY1, e que digere amidos.

 

Humanos descendentes de agricultores têm mais cópias do gene AMY1

Humanos descendentes de agricultores têm mais cópias do gene AMY1

 

Os humanos modernos cujos ancestrais foram agricultores têm mais cópias do AMY1 que aqueles cujos ancestrais era caçadores, por exemplo.

Este reforço digestivo pode ter ajudado a dar início ao cultivo, aos povoados e às sociedades modernas.

Jacaré pré-histórico do Acre tinha tamanho de um ônibus e mordia mais forte que um tiranossauro

Maior que um ônibus e com a mordida mais forte que a de um tiranossauro. Parece inimaginável, mas existiu. E, mais ainda, viveu no Brasil, mais especificamente na região que fica atualmente o Acre. O Purussaurus brasiliensis foi totalmente detalhado por pesquisadores, que já o conheciam há tempos, mas nunca tiveram informações mais detalhadas.

Jacaré pré-histórico do Acre tinha tamanho de um ônibus e mordia mais forte que um tiranossauro

Jacaré pré-histórico do Acre tinha tamanho de um ônibus e mordia mais forte que um tiranossauro


Entre as características expostas do réptil aquático, três se destacam. A primeira é a potência da mordida dele: nada menos do que 70 mil newtons, ou se você preferir, 7 toneladas de pressão. Para se ter ideia, valor é dez vezes a mordida de um leão. O segundo é seu tamanho, de 12,5m. Colocando o efeito de comparação, o jacaré era do tamanho de um ônibus de linha comum. Por fim, em terceiro lugar, está o peso. Toda essa força consumia 40kg de comida por dia para manter esbeltas 8,5 toneladas.

Os 40kg de alimentos consumidos pelo P. brasiliensis significavam muito problema para os animais que estavam no mesmo ecossistema. Isso porque, por conta do formato dos dentes, os especialistas afirmam que ele era carnívoro. Considerando que a Amazônia na época era um superpantanal, circulavam por lá animais como roedores de quase uma tonelada, o que facilitava o trabalho do réptil.

Tão gigante e poderoso, esse animal dominou a região por muito tempo. Cientistas estimam que sua extinção tenha sido causada pelas mudanças bruscas no ecossistema. Afinal, com esse tamanho, ele não se locomovia muito para caçar. Com as transformações na região, passou a não ter mais presas e simplesmente sumiu. Sorte de quem mora hoje na região.

Do que falavam os humanos quando começaram a falar?

Um estudo de uma equipe internacional de pesquisadores sugere que as primeiras conversas entre seres humanos aconteceram entre 1,8 e 2,5 milhões de anos atrás, quando os humanos começaram a fabricar as primeiras ferramentas.
Segundo a nova pesquisa, estas primeiras trocas verbais teriam facilitado a transmissão do conhecimento sobre como fabricar ferramentas de pedra para cortar a carne dos animais.
“Se alguém está tentando aprender uma habilidade nova que requer muita sutileza, ajuda ter um professor que possa te corrigir”, diz o psicólogo Thomas Morgan, da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, o principal autor do estudo publicado na revista Nature Communications.
“A pessoa aprende muito mais rápido quando alguém diz a ela o que é preciso fazer.”
O momento em que a linguagem surgiu na evolução humana e o motivo de seu surgimento são temas de intenso debate na comunidade científica.
Agora, os pesquisadores tentam desvendar também o “assunto” dos primeiros diálogos.
“O mais importante que alguém que ensina tem a dizer a quem aprende são coisas como onde bater”, disse à BBC Natalie Uomini, pesquisadora do Instituto Max Planck de Antropologia Evolutiva, na Alemanha.

Cientistas dividiram 184 estudantes em cinco grupos que com instruções diferentes para aprender a fazer uma ferramenta de pedra

Cientistas dividiram 184 estudantes em cinco grupos que com instruções diferentes para aprender a fazer uma ferramenta de pedra

“Há um lugar específico na pedra onde é preciso bater, a um ângulo de 70º.”
Enquanto as outras coisas podem ser aprendidas por imitação, “o conceito de ângulo é muito difícil de explicar sem recorrer à linguagem”, segundo Uomini.
“Palavras como ‘sim’ ou ‘não’ também teriam sido importantes.”
O ovo ou a galinha
No estudo, os cientistas dividiram 184 estudantes em cinco grupos, e em cada um deles foram dadas instruções diferentes para que uns ensinassem aos outros como criar uma ferramenta de pedra semelhante aos utensílios olduvaienses, os primeiros que acredita-se terem sido fabricados por humanos.

Em alguns grupos era permitido usar a comunicação verbal, enquanto que em outros só era permitido fazer gestos ou imitar as ações do outro.
Dessa forma, eles observaram que os grupos que usavam a linguagem produziam um volume maior de ferramentas, em menos tempo e desperdiçando menos material.
Na avaliação dos pesquisadores, o experimento mostra que a linguagem efetivamente ajuda a criar as ferramentas. No entanto, ainda não é possível provar se isso realmente foi o que deu origem à linguagem humana, de acordo com Uomini.
“Nunca saberemos com certeza o que aconteceu no passado, mas este é simplesmente um elemento que indica que a linguagem esteve envolvida e, de alguma maneira, conectada com a origem da fabricação de ferramentas.”

A evolução dos utensílios criados pelo homem e da linguagem caminham de mãos dadas, segundo cientistas

A evolução dos utensílios criados pelo homem e da linguagem caminham de mãos dadas, segundo cientistas

Com base no estudo, a equipe internacional acredita que uma forma primitiva de linguagem, ou protolinguagem, começou a evoluir lentamente há 1,7 milhão de anos, quando ocorreu uma mudança no tipo de ferramentas produzidas pelo homem.
A evolução de ambos (ferramentas e linguagem) estaria assim interconectada, mesmo que seja impossível saber qual deles evoluiu primeiro e qual foi o motor da evolução do outro.
Por outro lado, cabe questionar como é possível determinar a origem da linguagem em um experimento realizado com pessoas que, mesmo que não possam falar durante a atividade, dominam uma linguagem.
“Seria interessante estudar este processo em pessoas de outras culturas para ver se há diferenças ou em chimpanzés, para comparar os resultados”, admite omini.
“Mas nosso experimento mostra que a linguagem é o que marca a diferença. E ela tem a ver mais com a atividade em si do que com as pessoas que estão realizando essa atividade.”