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Por que as pessoas acreditam em teorias da conspiração

O homem realmente pisou na Lua? George W. Bush orquestrou um plano para derrubar as Torres Gêmeas? As teorias da conspiração são mais difundidas do que você imagina.

A fotografia mostra Buzz Aldrin na Lua; a foto foi tirada por Neil Armstrong, cujo reflexo aparece no capacete — Foto: Divulgação
O homem realmente pisou na Lua? George W. Bush orquestrou um plano para derrubar as Torres Gêmeas? As teorias da conspiração são mais difundidas do que você imagina.

Hillary Clinton comandava uma rede global de tráfico de crianças de uma pizzaria em Washington? Não.

George W. Bush orquestrou um plano para derrubar as Torres Gêmeas e matar milhares de pessoas em 2001? Tampouco.

Mas por que algumas pessoas acreditam que sim? E o que as teorias da conspiração dizem sobre a maneira como vemos o mundo?

As teorias da conspiração estão longe de ser um fenômeno novo. Elas são uma presença constante nos bastidores há pelo menos 100 anos, diz o professor Joe Uscinski, autor do livro American Conspiracy Theories (“Teorias da Conspiração Americanas”, em tradução livre).

Elas também são mais difundidas do que você imagina.

“Todo mundo acredita em pelo menos uma e provavelmente em algumas”, diz ele. “E a razão é simples: há um número infinito de teorias da conspiração por aí. Se fôssemos fazer um questionário sobre todas elas, todo mundo vai assinalar algumas opções.”

O homem realmente pisou na Lua? George W. Bush orquestrou um plano para derrubar as Torres Gêmeas? As teorias da conspiração são mais difundidas do que você imagina.
Por que as pessoas acreditam em teorias da conspiração

Esse cenário não se restringe aos EUA. Em 2015, uma pesquisa da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, mostrou que a maioria dos britânicos marcava uma das opções quando apresentada a uma lista de cinco teorias – que variavam da existência de um grupo secreto que controlava eventos mundiais ao contato com extraterrestres.

Isso sugere que, ao contrário da crença popular, o típico teórico da conspiração não é um homem de meia-idade que vive no porão da casa da mãe usando um chapéu de papel alumínio (que protegeria contra o controle mental realizado por satélites do governo e extraterrestres).

“Quando você realmente olha para os dados demográficos, a crença em conspirações transpõe classes sociais, gênero e idade”, afirma o professor Chris French, psicólogo da Universidade Goldsmiths, em Londres.

Da mesma forma, seja você de esquerda ou direita, provavelmente vai acreditar em tramas contra você.

“Os dois lados são iguais em termos de pensamento conspiratório”, diz Uscinski.

“As pessoas que acreditam que Bush explodiu as Torres Gêmeas eram em sua maioria democratas. Já as pessoas que achavam que Obama tinha falsificado sua própria certidão de nascimento eram em sua maioria republicanas – mas eram números pares dentro de cada partido.”

Teorias da conspiração

Por que as pessoas acreditam em teorias da conspiração
O homem realmente pisou na Lua? George W. Bush orquestrou um plano para derrubar as Torres Gêmeas? As teorias da conspiração são mais difundidas do que você imagina.
  • A teoria de que o homem não pisou na Lua levou a explicações detalhadas refutando as alegações.
  • A tese de que o criminoso de guerra nazista Rudolf Hess foi substituído por um sósia na cadeia foram desmentidas pelo DNA fornecido por um parente distante dele.
  • Rumores sustentam a teoria de que os músicos Paul McCartney, Beyoncé e Avril Lavigne foram trocados por clones.
  • Algumas versões do mito dos Illuminati sugerem que celebridades e políticos são membros do grupo que controlaria o mundo.

Para entender por que somos tão atraídos pela noção de forças obscuras que controlam eventos políticos, precisamos focar na psicologia por trás das teorias da conspiração.

“Somos muito bons em reconhecer padrões e regularidades. Mas às vezes exageramos nisso – achamos que vemos sentido e significado quando realmente não há”, diz French.

“Nós também supomos que quando algo acontece, acontece porque alguém ou algo fez aquilo acontecer por um motivo.”

Basicamente, vemos algumas coincidências em torno de grandes eventos e, em seguida, inventamos uma história sobre eles.

Essa história se torna uma teoria da conspiração porque contém “mocinhos” e “vilões” – sendo estes últimos responsáveis por todas as coisas de que não gostamos.

Culpando políticos

Por que as pessoas acreditam em teorias da conspiração
Barack Obama apresentou sua certidão de nascimento em 2011 em resposta aos rumores de que ele havia nascido fora dos EUA — Foto: Reuters

Em muitos aspectos, é como a política cotidiana.

Costumamos culpar os políticos por acontecimentos negativos, mesmo quando esses eventos estão além do controle deles, diz o professor Larry Bartels, cientista político da Universidade Vanderbilt, nos EUA.

“As pessoas vão recompensar ou punir cegamente o governo por bons ou maus momentos sem realmente ter uma compreensão clara de se ou como as políticas do governo contribuíram para esses resultados”, acrescenta.

Isso é verdade mesmo quando eventos que parecem pouco relacionados ao governo dão errado.

“Um exemplo que analisamos em detalhes foi uma série de ataques de tubarão na costa de Nova Jersey em 1916”, afirma Bartels.

“Esta foi a base, bem mais tarde, para o filme Tubarão. Descobrimos que houve uma queda muito significativa no apoio ao presidente [Woodrow] Wilson nas áreas que foram mais afetadas pelos ataques de tubarão.”

O papel de “nós” e “eles” nas teorias da conspiração também pode ser encontrado em grupos políticos mais tradicionais.

No Reino Unido, o referendo sobre a saída da União Europeia deu origem a dois grupos praticamente do mesmo tamanho: um a favor e outro contra a permanência no bloco.

“As pessoas sentem que pertencem ao grupo, mas isso também significa que as pessoas sentem um certo antagonismo em relação a quem faz parte do outro grupo”, diz a professora Sara Hobolt, da Universidade London School of Economics (LSE), em Londres.

Os grupos contra e a favor do Brexit às vezes interpretam o mundo de maneira diferente. Por exemplo, confrontados com fatos econômicos idênticos, os que eram a favor da permanência no bloco são mais propensos a dizer que a economia está tendo um desempenho ruim, enquanto aqueles que defendiam a saída afirmam que ela está tendo um desempenho favorável.

Por que as pessoas acreditam em teorias da conspiração
Por que as pessoas acreditam em teorias da conspiração

As teorias da conspiração são apenas mais uma parte disso.

“No período que antecedeu o referendo, aqueles que defendiam a saída acreditavam estar no lado que sairia derrotado e eram mais propensos a pensar que o referendo poderia ser fraudado”, sinaliza Hobolt.

“E isso realmente mudou depois que saiu o resultado do referendo, porque naquele momento quem estava no lado perdedor era o grupo a favor da permanência.”

Sem solução

Pode não ser muito animador saber que as teorias da conspiração estão tão inseridas no pensamento político. Mas não deveria ser surpreendente.

“Muitas vezes, o caso é que estamos construindo nossas crenças de maneira que sustentem o que queremos que seja verdade”, diz Bartels.

E ter mais informações ajuda pouco.

“As pessoas mais sujeitas a essas distorções são as que estão prestando mais atenção”, diz ele.

Para muita gente, há poucas razões para acertar os fatos políticos, já que seu voto individual não afetará a política do governo.

“Não há nenhum custo por estar errado sobre suas convicções políticas”, completa Bartels.

“Se me faz sentir bem pensar que Woodrow Wilson deveria ter sido capaz de prevenir os ataques de tubarão, então o retorno psicológico de manter essas opiniões provavelmente será muito maior do que qualquer penalidade que eu possa sofrer se as opiniões estiverem erradas.”

No fim das contas, queremos nos sentir confortáveis, e não certos.

É por isso que as teorias conspiratórias vêm e vão, mas também por que a conspiração sempre será parte das histórias que contamos sobre eventos políticos.

*Esta análise foi encomendada pela BBC a um especialista que trabalha para uma organização externa. James Tilley é professor de política e membro do Jesus College da Universidade de Oxford, no Reino Unido. Seu programa Conspiracy Politics (“Conspiração Política”, em tradução livre) foi transmitido pela BBC Radio 4 no dia 11 de fevereiro e pode ser ouvido aqui (em inglês).

https://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2019/02/12/por-que-as-pessoas-acreditam-em-teorias-da-conspiracao.ghtml

Olavo de Carvalho questiona se Terra orbita o Sol; o que diz a ciência?

Em vídeo, Olavo de Carvalho contestou teorias consolidadas da física
Em vídeo, Olavo de Carvalho contestou teorias consolidadas da física

No fim do século passado, uma dupla de cientistas, Mitchelson e Morley, disse o seguinte: se de fato a Terra se move ao redor do Sol, então deve haver diferenças na velocidade da luz em vários pontos da Terra conforme as várias estações do ano.

E eles mediram isso milhares e milhares de vezes e viram que não mudava nada. Então, das duas, uma. Ou a Terra não se move ou é preciso modificar a física inteira”, disse o filósofo Olavo de Carvalho em um de seus vídeos, repercutido nas redes sociais nesta semana – o original é de 2012, em uma palestra de lançamento de livro.

Na gravação, ele ainda contesta o heliocentrismo (que diz que o Sol é o centro do sistema solar, com planetas em sua órbita) e a origem da teoria da relatividade, de Albert Einstein. “Então um cidadão chamado Albert Einstein viu isso e achou que era preferível modificar a física inteira só para não admitir que não havia provas do heliocentrismo”, afirma. “O fato é que, no confronto entre geocentrismo (Terra como centro) e heliocentrismo não existe uma prova definitiva de um lado, nem de outro”. Em outro vídeo, ele admite não ter estudado o assunto com profundidade, mas se mostra cético na escolha de uma ou outra opção.

Teria ele razão?

Astrônomos dizem que a ciência já provou o heliocentrismo há séculos e as teorias de Einstein vêm sendo corroboradas por várias pesquisas atuais, embora admitam que o entendimento de resultados científicos nem sempre é de fácil compreensão.

Um exemplo é o experimento de Michelson e Morley, que não foi comprovado e foi uma das inspirações de teoria da relatividade.

“O que esse experimento tentou fazer era detectar a velocidade da luz no éter. Imaginavam que a luz precisava de um meio para se propagar”, conta Gustavo Rojas, astrônomo da UFSCar (Universidade Federal de São Carlos). “Como já se sabia que a Terra gira em torno do Sol, se esperava que haveria uma diferença na velocidade da propagação da luz. Esse experimento foi realizado inúmeras vezes. A conclusão óbvia é que a velocidade da luz é independente do movimento do observador.”

Questionamentos sobre os achados de Albert Einstein são igualmente infundados. Cassio Barbosa, professor do departamento de física do Centro Universitário FEI, explica:

A relatividade tem sido provada tem mais de 100 anos. Todo mundo que inventa um teste para derrubar a relatividade tem falhado

“Isso é mais do que assentado. Ela está sendo testada em limites que nem o próprio Einstein tinha pensado e está sendo comprovada experimentalmente”, diz ele.

Barbosa afirma que cientistas pensam em modelos alternativos, mas a “simplicidade e beleza das equações” mostra que a relatividade se destaca como o melhor caminho, segundo a navalha de Occan –princípio lógico que defende que qualquer fenômeno deve assumir o menor número possível de premissas.

“A relatividade explica vários fenômenos da maneira mais simples possível e de forma encadeada”, diz Barbosa.

A detecção de ondas gravitacionais é um fato que corrobora com a teoria de Einstein. “Se fosse uma teoria inconsistente, esses subprodutos não seriam verificados. Subprodutos que ele nem tinha pensado estão sendo descobertos”, completou o professor da FEI.

Como provaram o heliocentrismo?

As comprovações sobre o heliocentrismo, por outro lado, antecedem a Einstein. Gustavo Rojas lembrou evidências apontadas pelos astrônomos Galileu Galilei, no século 17, e James Bradley, no século 18. O italiano observou as diferentes fases de Vênus, explicadas pela rotação da Terra e de Vênus em torno do Sol, sendo que Vênus está posicionado antes da Terra.

Já Bradley descobriu o fenômeno da aberração da luz, que também indica a órbita da Terra. “Bradley viu que a posição das estrelas muda em um ângulo muito minúsculo de uma característica periódica. A posição oscila. Essa variação chama aberração da luz, que acontece por causa justamente do movimento da Terra ao redor do Sol. A Luz está chegando da estrela, mas por causa do movimento da Terra, isso causa uma pequena variação que resulta em uma mudança na posição dela no céu. Se a Terra estivesse parada, não haveria aberração da luz”, descreve Rojas.

O astrônomo explicou ainda a paralaxe, que é a mudança da posição de uma estrela no céu por estar em um ponto diferente da órbita. “As estrelas que estão mais próximas mudam mais do que as que estão mais distantes”, diz Rojas.

Os dois cientistas compreendem, no entanto, que essas descobertas de astrônomos são de difícil entendimento. “As pessoas precisam ter uma base para entender. Quanto mais tempo passa, maior fica esse edifício de conhecimento, então parece que é uma coisa imposta”, afirma o astrônomo da Ufscar:

Ninguém está sentindo a Terra girar, nem ao redor do sol, nem de si mesmo. Quem comprova isso é a natureza, é a aberração da luz, a paralaxe

Para Cassio, saber o que é o método científico é fundamental para uma compreensão mínima das descobertas e avanços do ramo: “Quando você conhece o método, começa a entender como as coisas progridem no campo da ciência. Você não falando o jargão da área, não consegue entender. É relatividade, tem um ramo inteiro da física que estuda isso. Mas a partir do momento que você compreende o método e como se chegou a essa conclusão da relatividade, você começa a perceber como as coisas são feitas pela ciência e não vai se deixar enganar por falácias.”

Declaração dos Direitos Humanos, 70 anos, é muito xingada, mas pouco lida.

A importância dos direitos humanos rivaliza apenas com a ignorância de parte da sociedade sobre eles.

Há um naco considerável de brasileiros que acredita que “direitos humanos” são um grupo de pessoas que ficam, de um lado para o outro, defendendo bandidos.

Roupas de refugiados venezuelanos são queimadas durante conflito com moradores de Pacaraima (RR). Foto: Avener Prado/Folhapress

Declaração dos Direitos Humanos, 70 anos, é muito xingada, mas pouco lida

Essa é a consequência de anos de programas sensacionalistas na TV e no rádio que venderam a ideia de que essas organizações resumem os tais “direitos humanos”. Ideia, diga-se de passagem, distorcida. Porque tais entidades querem que sejam cumpridas todas as leis, como as que dizem que o Estado não pode torturar e matar como fazem alguns bandidos.

Ou que direitos humanos são uma coisa de “comunista”. Ignoram que o texto da Declaração Universal dos Direitos Humanos, o principal documento norteador desses princípios, teve forte influência das democracias liberais. E incluiu até o direito à propriedade privada, sob críticas dos países socialistas.

Esse preconceito também existe pela falta de tratamento sobre direitos humanos na sala de aula. Por ser um parâmetro curricular nacional deveria estar presente na educação básica de forma transversal – ou seja, tratado em todas as disciplinas.

Mas raramente está. E não é porque causa do equívoco chamado Escola Sem Partido, mas por conta da Escola Sem Recursos, da Escola Sem Formação Continuada dos Professores, da Escola Sem Salários Decentes, da Escola Sem Alunos Motivados, da Escola Sem Livros, entre outros movimentos que dão muito certo por aqui desde sempre.

O que são direitos humanos, afinal? Grosso modo, é aquele pacote básico de dignidade que você deve ter acesso simplesmente por ter nascido. Independentemente de raça, sexo, nacionalidade, etnia, idioma, religião ou qualquer condição.

Se esse pacote básico fosse respeitado, não haveria fome, crianças trabalhando, idosos deixados para morrer à própria sorte, pessoas vivendo sem um teto. Não teríamos uma taxa pornográfica de quase de 64 mil homicídios por ano, nem exploração sexual de crianças e adolescentes, muito menos trabalho escravo. Aos migrantes pobres seria garantida a mesma dignidade conferida a migrantes ricos. Todas as crenças seriam respeitadas – e a não-crença também. A liberdade de expressão seria defendida, mas os incitadores de crimes contra a dignidade seriam responsabilizados. Se direitos humanos fossem efetivados, não teríamos mulheres sendo estupradas, negros ganhando menos do que brancos e pessoas morrendo por amar alguém do mesmo sexo. Teríamos a garantia de ar respirável e água potável.

É claro que os direitos humanos não começam com o documento que completa 70 anos, nesta segunda (10). É uma longa caminhada pela história da humanidade, em que fomos pressionando governantes a não tolherem direitos civis e políticos, mas também para que o Estado agisse a fim de garantir direitos sociais, econômicos, culturais, ambientais.

Criança é obrigada a trabalhar na produção de tijolos no Paquistão

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BONDED (SLAVE) CHILD LABOURER POUNDING CLAY INTO A BRICK FORM. THE BRICKS BEHIND HER REPRESENT A DAYS WORK.
© Robin Romano / Stolen Childhoods
THOUSANDS OF BRICK KILNS LINE LINE THE RIVERBANKS IN BENGAL AND THE SURROUNDING STATES OF INDIA. MOST OF THE WORKERS HERE ARE BONDED (SLAVE) LABORERS. THE FAMILIES THAT WORK HERE ARE EXPLOITED 12-16 HOURS A DAY, 7 DAYS A WEEK. THEIR WORLD CONSISTS ONLY OF THESE MUD HOLES, DRYING FIELDS AND KILNS. AT NIGHT THEY SLEEP IN THE OPEN OR IN MAKESHIFT SHANTYS WHERE SANITARY CONDITIONS ARE NONEXISTENT. THERE ARE NO SCHOOLS HERE, AND FOR MANY OF THE CHILDREN THERE AREN’T EVEN FAMILIES. OVER 1/4 OF THE CHILDREN WORKING HERE HAVE BEEN TRAFFICKED FROM OTHER AREAS WHERE THEIR PARENTS HAVE BEEN FORCED TO EITHER SELL THEM INTO DEBT BONDAGE (SLAVERY) OR, IF THEY ARE LUCKY ENOUGH NOT TO BE BONDED, ARE DEPENDENT ON THE MEAGER WAGES THAT THESE CHILDREN CAN PROVIDE.
THE WORK IS EXTREMELY BRUTAL, HAZARDOUS, ABUSIVE AND SOMETIMES LETHAL. WORKING ALL DAY IN THE HOT SUN WHERE TEMPERATURES REGULARLY CLIMB ABOVE 100F (37C), THEY CARRY WELL OVER A TON OF CLAY A DAY AND CROUCH FOR HOURS AS THEY FABRICATE THOUSANDS OF BRICKS IN OLD FASHION MOLDS. THE PAY, IF THERE IS ANY, AND CONDITIONS FALL WELL BELOW MINIMUM LEVELS REQUIRED BY LAW AND ARE ILLEGAL FOR CHILDREN. NONETHELES THE KIDS COME, DRIVEN BY NECESSITY, OFTEN UNAWARE OF WHAT THEY ARE GETTING INTO AND SOMETIMES TRICKED OR VIRTUALLY KIDNAPPED BY UNSCRUPULOUS AGENTS AND MIDDLEMEN. FOR MANY, THEIR DEBT ACTUALLY INCREASES OVER TIME DUE TO DISHONEST ACCOUNTING.
THE POOR PAY AND HARD WORK ARE JUST THE BEGINNING. BRICK KILN CHILDREN TEND TO BE CHRONICALLY TIRED FROM THE LONG HOURS AND IRREGULAR REST, INCREASING THE PROBABILITY OF ACCIDENTS, INJURIES AND DEFORMITY. DISEASE, MALNUTRITION AND PERMANENT SKELETAL INJURY ARE THE COMMON LOT.
UNABLE TO RECEIVE THE EDUCATION TO WHICH THEY ARE ENTITLED BY LAW, THEY ARE POWERLESS TO ACT, AND TRAPPED IN A CONTINUAL CYCLE OF GRINDING POVERTY.
Bonded Labour, slave labour, CHILD LABOUR TRAVAIL DES ENFANTS Trabajo infantil Kinderarbeit
CHILDREN Kids ENFANTS Niños Kinder
SLAVERY ESCLAVAGE Esclavitud Sklaverei

Mas tratemos da Declaração, nosso documento mais relevante. O mundo, ainda em choque com os horrores da Segunda Guerra Mundial, produziu a Declaração Universal dos Direitos Humanos para tentar evitar que esses horrores se repetissem. De certa forma, com o mesmo objetivo, o Brasil, ainda olhando para as feridas de 21 anos de ditadura militar, sentou-se para escrever a Constituição Federal de 1988. Ambos não são documentos perfeitos, longe disso. Mas, com todos seus defeitos, ousam proteger a dignidade e a liberdade de uma forma que, se hoje sentássemos para formulá-los, não conseguiríamos.

É depois de grandes momentos de dor que estamos mais abertos para olhar o futuro e desejar que o sofrimento igual nunca mais se repita. Desde então, não vivemos uma guerra como aquela entre 1939 e 1945, muito menos um período de exceção quanto 1964 e 1985. Acabamos nos acostumando. E esquecendo. E banalizando.

E, por isso, ao completar 70 anos de sua proclamação pela Assembleia Geral das Nações Unidas, a Declaração Universal dos Direitos Humanos tem sido vítima de ataques. Tal como a Constituição, que completou 30 anos em outubro. Elegemos líderes ao redor do mundo que chamam os direitos humanos de ultrapassados ou fake news quando, em verdade. E, por conta disso, esses princípios são mais necessários do que nunca.

Minha geração herdou esses textos – um de nossos avós e outro de nossos pais. Agora, precisamos ensinar à geração de nossos filhos sua própria história sob o risco de que o espírito presente em 1948 e 1988 se perca por desconhecimento.

Discursos misóginos, homofóbicos, fundamentalistas e violentos têm atraído rapazes que, acreditando serem revolucionários e contestadores, na verdade agem de forma a manter as coisas como sempre foram. Creem que estão sendo subversivos lutando contra a “ditadura do politicamente correto” – que, na prática, se tornou uma forma pejorativa de se referir aos direitos básicos que temos por termos nascido humanos.

Parte dos jovens também abraça esses discursos como reação às tentativas de inclusão de grupos historicamente excluídos, como mulheres, negros, população LGBTT. Há rapazes que veem na luta por direitos iguais por parte de suas colegas de classe ou de coletivos feministas uma perda de privilégios que hoje nós, os homens, temos. Nesse contexto, influenciadores digitais, formadores de opinião e guias religiosos ajudam a fomentar, com seus discursos violentos e irresponsáveis, uma resposta agressiva dos rapazes à luta das jovens mulheres e outras minorias pelo direito básico a não sofrerem violência.

É exatamente nesses momentos de dificuldade que precisamos nos lembrar da caminhada que nos trouxe até aqui. Para ter a clareza de que, mais importante do que reinventar todas as regras, é tirar do papel, pela primeira vez, a sociedade que um dia imaginamos frente aos horrores da guerra ou da ditadura. O que só se fará com muito diálogo e a promessa de garantia desse quinhão mínimo de dignidade.

Infelizmente, para algumas pessoas politica e economicamente poderosas, os direitos humanos, do alto de seus 70 anos, são vistos como um problema incômodo a ser imolado no altar do crescimento econômico ou em nome de Deus e da chamada “tradição”.

Portanto, devemos encarar todas as conquistas nessa área, desde 10 de dezembro de 1948, como portas que, depois de muito sacrifício, conseguimos abrir no muro da opressão e da injustiça. Portas que, se não forem monitoradas bem de perto, se fecharão novamente na nossa cara.

Corpos de trabalhadores no Hospital de Redenção, no Pará após a Chacina de Pau D'Arco. Foto: Repórter Brasil

Declaração dos Direitos Humanos, 70 anos, é muito xingada, mas pouco lida

E o trabalho começa por explicar a toda pessoa que xinga os direitos humanos que, ao fazer isso, ela chama a si mesma de lixo.

https://blogdosakamoto.blogosfera.uol.com.br/2018/12/10/declaracao-dos-direitos-humanos-70-anos-e-muito-xingada-mas-pouco-lida/

Por que este psicólogo americano diz que o jornalismo está sendo destruído pela internet

“O jornalismo está sendo destruído pela internet, e isso nos leva a um futuro incerto e muito perigoso.” Esta é a visão do psicólogo Robert Epstein, doutor pela Universidade de Harvard que se dedica a estudar a atuação nas redes sociais das gigantes de tecnologia e defende uma interferência direta nessas empresas.

Por que este psicólogo americano diz que o jornalismo está sendo destruído pela internet

Por que este psicólogo americano diz que o jornalismo está sendo destruído pela internet

Segundo ele, as pessoas não têm mais como discernir o verdadeiro do falso, porque “a informação vem de todos os lados, sem os filtros, que eram os processos de apuração do jornalismo”. “Um impacto como esse (das redes sociais) jamais existiu na história humana.”

Em entrevista à BBC News Brasil, o atual diretor do Cambridge Center for Behavioral Studies, dos EUA, defendeu que haja uma intervenção direta nas empresas que controlam as redes sociais, para que a disseminação de notícias falsas – as chamadas “fake news” – não interfiram em processos eleitorais.

Em 2015, Epstein publicou um polêmico artigo classificando os sites de busca na internet, e o Google em especial, como uma séria ameaça aos sistemas democráticos de governo.

Ele acusava a empresa de ter difundido notícias favoráveis à candidata democrata Hillary Clinton no começo da campanha para as eleições presidenciais americanas em 2016. Hillary acabou derrotada pelo atual presidente, Donald Trump.

O então diretor de pesquisa do Google, Amit Singhal, rejeitou as alegações e disse que a empresa “nunca interferiu na ordenação de resultados de buscas feitas sobre temas políticos ou algum outro assunto, com o objetivo de manipular a opinião de seus usuários.”

Epstein insiste, porém, que o setor de tecnologia precisa de mais monitoramento, sem o qual a atuação dessas corporações gigantescas pode ser extremamente nociva à democracia.

Para ele, “ninguém, nenhuma empresa, nenhuma entidade deve ter tanto poder concentrado, e ficar imune ao monitoramento.”

Acho que estamos indo numa direção muito perigosa', adverte Epstein

Acho que estamos indo numa direção muito perigosa’, adverte Epstein

A premissa de Epstein é que empresas como Google, Facebook e WhatsApp são “forças do caos”, que não prestam contas de suas metas e processos a ninguém. “Elas são as forças mais poderosas do mundo atual e, com elas, todas as redes sociais.”

Epstein acredita que, atualmente, uma das maneiras mais eficazes de exercer influência política, por exemplo, é “doar dinheiro a um candidato para que ele use a tecnologia para garantir sua vitória nas urnas.”

Ele disse não ter se surpreendido com a proliferação de mensagens falsas durante a campanha eleitoral no Brasil, que para muitos foi um dos fatores determinantes do resultado das eleições, apesar de pesquisa do Ibope ter indicado que a influência das redes sociais não foi tão grande quanto imaginado.

“Hoje cria opiniões quem gritar mais alto e falar aos medos de segmentos e ideias pré-concebidas do público. Sem controle, sem processos, sem prestar contas a ninguém. Isso é um futuro bom? De jeito nenhum. Acho que estamos indo numa direção muito perigosa.”

Há seis anos, Epstein se dedica a estudar a operação do Facebook e principalmente a do Google, a maior plataforma de busca do mundo.

“Já existia um bom volume de textos científicos sobre como os resultados de buscas na internet influenciavam as escolhas e compras dos usuários. Especificamente, a ordem em que as respostas às buscas eram apresentadas acabava por determinar a decisão final do usuário.”

Fascinado pela quantidade de informação disponível, Epstein reuniu num pequeno grupo alunos e amigos, e com eles começou a fazer testes.

Em vez de “compras”, Epstein propôs testar a influência da ordem de apresentação dos resultados de buscas em questões políticas durante a campanha eleitoral.

Baseado em pesquisas semelhantes, Epstein esperava um impacto entre 2% e 4%.

“No primeiro teste, a ordem de apresentação de resultado da busca alterou em 48% a intenção de voto”, ele diz.

“No segundo teste, a alteração foi de 63%.”

“Fiquei horrorizado”, ele diz.

“Algo aparentemente tão simples tinha um impacto tão vasto, tão profundo, era capaz de mudar as opiniões das pessoas sobre os candidatos numa escala enorme.”

Em 2014, Epstein levou seu laboratório de pesquisa para a Índia. Ele queria repetir os testes na eleição que elegeu o novo parlamento da “maior democracia do mundo”, com 815 milhões de eleitores.

“Os resultados foram idênticos aos dos Estados Unidos”, Epstein diz. “Os eleitores indianos foram igualmente afetados pelo modo e ordem em que os candidatos eram apresentados em buscas.”

“Estas são questões muito sérias”, Epstein continua, “quem controla essas empresas? Como funcionam internamente? A quem eles respondem? O impacto de empresas como essas jamais existiu na história humana.”

“Vivemos numa era de profundas transformações e de poderes que jamais acreditamos ser capazes de influenciar o modo que pensamos e que agimos”, acrescenta ele.

“E o pior ainda vem por aí”, ele diz – os “realfakes” ou “deepfakes”, aplicativos capazes de criar fotos e vídeos colocando uma pessoa em qualquer cenário ou situação, fazendo e dizendo algo que nunca teria feito ou dito na vida real.

“Vamos começar a ver esse tipo de fakes muito em breve sendo usado em larga escala”, ele alerta.

“A manipulação dos resultados de busca pela alteração do algoritmo e pela criação de “eventos efêmeros, a capacidade de plataformas de eliminar contas sumariamente e divulgar, através de conteúdo fornecido por terceiros, informações falsas – como se viu recentemente no Brasil, com o WhatsApp -, acontecem porque nossas instituições ainda estão vivendo num mundo onde nada disso existe”, diz Epstein.

O pesquisador está, neste momento, desenvolvendo um sistema de monitoramento de plataformas online que, segundo ele, pode ser a única saída para conter a disseminação de informação manipulada.

“A única solução viável que vejo são sistemas de monitoramento capazes de captar imediatamente distorções e conteúdo falso, e fornecer provas de ambos”, diz Epstein.

“Provas substanciais, capazes de apoiar um processo legal, um litígio e outras medidas legais.”

A meta a longo prazo, ele diz, é “tornar plataformas online mais responsáveis e dar mais apoio ao jornalismo, restaurando sua capacidade de disseminar informação.”

Mas, ele acrescenta, “um sistema desses é caro. É preciso investimento para isso. Mas, para enfrentar a tecnologia, só mais tecnologia”.