Category Archives: Genética

Cinco equívocos que se afirma sobre a teoria da evolução

Quando o tema são buracos negros, os estranhos hábitos sexuais dos insetos ou se o que tem na sua geladeira causa/cura câncer, não tem polêmica: quase todo mundo solta um “uau, a ciência é fantástica, não, minha gente?”. Mas é falar em teoria da evolução, de Charles Darwin, e metade do público parece entrar em pânico, no modo “não é bem assim, minha gente”.

 Cinco equívocos que se afirma sobre a teoria da evolução


Cinco equívocos que se afirma sobre a teoria da evolução

O fato é que Hollywood, os quadrinhos e os videogames também fazem um baita trabalho em deseducar as pessoas sobre a teoria mais importante da biologia. A seguir, algumas das bobagens que pipocam em qualquer conversa sobre evolução – e já passaram da hora de serem enterradas.

 

 

1) É só uma teoria

Sim, a evolução é “só” uma teoria. Assim como a relatividade, a ideia de que a Terra gira em torno do Sol (heliocentrismo) e a teoria dos germes, que diz que doenças podem ser causadas por bactérias e vírus.

Teoria, em ciência, não é o mesmo que a “teoria” do dono do boteco de que jogadores de futebol de canelas grossas são piores que os de canelas finas. Uma teoria científica é uma explicação abrangente e amplamente aceita para fatos sólidos e bem conhecidos. No caso da moderna teoria da seleção natural, esse fato é a evolução.

Pois é, fato. Já se sabia da evolução muito antes de Darwin – a primeira teoria da evolução, o lamarckismo, surgiu no ano de seu nascimento, em 1809. O que torna a evolução um fato observável é que os animais de hoje não são iguais aos do passado, o que sabemos pelo registro fóssil, e que não existiam animais como os de hoje no passado. Isso quer dizer que os animais se modificaram. Evoluíram. Darwin só explicou como.

Outra variação desse argumento é dizer que não é “lei”, como a da gravidade. Leis, na verdade, são menores que teorias. Elas descrevem o que se esperar de uma situação muito específica – por exemplo, um objeto caindo. Teorias explicam o porquê, e contém as leis.

2) Evolução é contra a religião

A evolução pode não bater com o literalismo bíblico, acreditar que as coisas foram palavra por palavra como no Livro do Gênesis e o resto da Bíblia. Mas até aí, também não batem com isso a geologia, a genética, a astronomia, a arqueologia, a paleontologia, a história… enfim, com todo o respeito à fé de cada um, a realidade.

A maioria dos cristãos – inclusive a maioria dos brasileiros – não é assim. Eles não enxergam problema nenhum em acreditar em Deus e Darwin ao mesmo tempo, lendo a Bíblia mais como uma metáfora. De fato, essa é a posição oficial da Igreja Católica desde o papa Pio XII, e foi bastante reforçada por João Paulo II e seus sucessores. Para o fiel, a evolução pode ser entendida como o plano de Deus. Sem crise.

3) A evolução é a lei do mais forte

A seleção natural – cujo resultado é a evolução, não vamos confundir as duas coisas – favorece o mais apto. E mais apto significa quem se reproduz melhor e deixa mais descendentes, nada além disso. Quando a comida é escassa, por exemplo, ser menor (e gastar menos energia) pode ser uma vantagem. De nada adianta ser grandalhão e malvado e morrer de fome – isso não gera descendentes.

Não que a seleção natural não seja implacável de outra maneira. Pela amplamente aceita teoria do gene egoísta, ela trata pura e exclusivamente da reprodução num nível genético, não de espécie e nem de indivíduo. O indivíduo que se lixe. É por isso que existem coisas como genes letais, que fazem com que vários animais morram após se reproduzirem. Passou o gene, venceu.

4) Organismos ficam “mais avançados” com a evolução

Assim como a seleção natural pode fazer mal aos indivíduos, se isso ajudar os genes, ela não necessariamente leva a seres que acharíamos mais complexos, interessantes, bonitos, inteligentes – enfim, mais como a gente. Não existe plano na evolução. Animais que um dia foram capazes de voar – o que tem algo de poético para nós – deixam de ser quando não existe mais pressão seletiva para que isso aconteça.

Um caso interessantíssimo é o dos tunicados, seres marinhos às vezes bem bonitos, lembrando vasos de flores. Eles basicamente não tem cérebro ou órgãos dos sentidos e vivem como esponjas, os seres multicelulares mais simples que existem, fixos ao solo marinho e filtrando plâncton. Só que eles têm um segredo – são parentes distantes de nós. Em seu passado evolutivo, eles se pareciam com peixes e tinham cérebro, nadando livremente. De fato, eles ainda são assim em sua fase larval, o que faz com que sejam chamados de “animal que come o próprio cérebro”. No caso deles, a evolução decidiu que o cérebro era dispensável.

Pesquisa de Darwin não concluiu que evolução é a lei do mais forte

Pesquisa de Darwin não
concluiu que evolução
é a lei do mais forte

O ser humano que se cuide, aliás: desde a Idade da Pedra, nosso cérebro vem diminuindo.

5) Alguns animais – e gente – pararam de evoluir

Não corremos mais do leão nem precisamos matar uma mamute com a força dos próprios braços. Podemos passar o dia inteiro em frente à TV e ainda assim levar adiante os nossos genes. Sem essa pressão, será que a evolução parou?

Enquanto algumas pessoas tiverem mais filhos que as outras, não. Cientistas discutem em qual direção estamos evoluindo agora, com alguns apontando coisas como uma menopausa mais tardia. O que é certeza é que não estamos criando um cabeção alienígena supergênio. Só seria assim se gente como Stephen Hawking e Neil DeGrasse Tyson fossem os maiores ricardões do planeta.

Outra coisa interessante: os ditos “fósseis vivos”, bichos que praticamente não mudaram por milhões de anos. O fascinante neles é que não mudam porque a evolução não parou. Mutações acontecem o tempo todo – se um bicho mantém a mesma forma, é porque a evolução está filtrando essas mutações fora. Evitando que mude. Por isso que não existe bicho mais ou menos evoluído. Em time que está ganhando, não se mexe.

Cientistas obtêm visão inédita de início da vida em embriões

Cientistas obtêm visão inédita de início da vida em embriões

Estudo conseguiu cultivar embriões em laboratório até estágio nunca antes observado – o momento crucial de autorreorganização de células para a configuração de ser humano.

Cientistas obtêm visão inédita de início da vida em embriões

Cientistas obtêm visão inédita de início da vida em embriões

Cientistas anunciaram um avanço no desenvolvimento de embriões humanos em laboratório que pode melhorar tratamentos de infertilidade e revolucionar nosso conhecimento sobre os primeiros estágios da vida.

Pela primeira vez, embriões atingiram uma etapa além do ponto em que normalmente são implantados no útero.

A pesquisa realizada no Reino Unido e nos Estados Unidos foi interrompida logo antes dos embriões atingirem o limite legal de 14 dias de vida para o desenvolvimento de embriões em experimentos científicos.

Mas alguns cientistas já pedem que este limite seja alterado, uma demanda que levanta diversas questões éticas.

Mistério
Os primeiros estágios da vida humana ainda permanecem um mistério, mas, no estudo publicado pelas revistasNature e Nature Cell Biology , os pesquisadores conseguiram estudar embriões por um tempo maior do que já havia sido feito antes.

O prazo de uma semana costumava ser o limite, com cientistas sendo capazes de cultivar um óvulo fertilizado até o momento em que normalmente são implantados no útero.

Mas os autores do estudo encontraram uma nova forma de imitar quimicamente o ambiente de um útero para que um embrião continuasse a se desenvolver até atingir a segunda semana.

Isso requer uma combinação de um meio rico em nutrientes e uma estrutura na qual o embrião pode se “implantar”.

Os experimentos foram encerrados propositalmente no 13º dia, pouco antes de ser atingido o limite legal, mas bem além do que havia sido conseguido anteriormente.

Momento crucial
A pesquisa já está permitindo vislumbrar como um embrião dá início ao processo de autorreorganização para se tornar um ser humano.

Trata-se de um momento crucial, no qual muitos embriões apresentam defeitos em seu desenvolvimento ou não conseguem se implantar no útero.

O estudo permitiu, por exemplo, que pesquisadores observassem em embriões com dez dias a formação do epiblasto, uma aglomeração bem pequena e crucial de células que formam um ser humano, enquanto as células ao seu redor se encarregam da criação da placenta e do saco vitelínico.

Magdalena Zernicka Goetz, da Universidade de Cambridge, disse que “nunca esteve tão feliz” como quando cultivar de forma bem-sucedida estes embriões.

“Isso nos permite entender os primeiros estágios de nosso desenvolvimento e o momento em que o embrião se reroganiza pela primeira vez para formar o que no futuro será um corpo”, disse ela à BBC.

“Não conhecíamos estes estágios antes, então, isso terá um impacto enorme nas tecnologias de reprodução.”

Dilema ético
Um acordo internacional determina que embriões não devem ser desenvolvidos além de 14 dias em pesquisas científicas. O novo estudo chega perto deste limite, e alguns cientistas já argumentam que ele deve ser revisto.

“Em minha opinião, já havia motivos para permitir a cultura de embriões além de 14 dias antes desta pesquisa aparecer”, diz o geneticista Azim Surani, do instituto de pesquisa Gurdon, da Universidade de Cambridge, no Reino Unido.

O prazo máximo foi estabelecido há décadas. Acredita-se que, neste ponto, o embrião torna-se um “indivíduo” já que não é mais possível que ele forme um gêmeo.

Daniel Brison, professor de embriologia e células tronco da Universidade de Manchester, no Reino Unido, também argumenta que talvez seja necessário reconsiderá-lo.

“Dado os possíveis benefícios para novas pesquisas sobre infertilidade, a melhoria de métodos de reprodução assistida e para evitar abortos precoces e outros problemas na gravidez, pode haver motivos para rever este limite no futuro”, afirma.

Adão e Eva: o planeta poderia ser povoado a partir de apenas um casal?

Se sobrasse apenas um casal na Terra, ele seria capaz de povoá-la? Se você já se fez essa pergunta, não é o único. Cientistas de diversas épocas já questionaram o assunto, que permanece controverso, pois, obviamente, não será possível fazer a experiência na prática.

Adão e Eva: o planeta poderia ser povoado a partir de apenas um casal?

Adão e Eva: o planeta poderia ser povoado a partir de apenas um casal?

O pesquisador de genética de populações da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Waldir Stefano, acredita que é possível, mas lembra que a primeira condição para que isso ocorra é que o casal seja fértil. “É possível, mas não é fácil”, ressalta.

Isso porque o casal teria pouca variabilidade genética, o que está relacionado com diversos problemas. Um estudo feito com crianças nascidas na Tchecoslováquia entre 1933 e 1970 mostrou que quase 40% daquelas cujos pais eram parentes de primeiro-grau tinham graves deficiências –14% morreram por conta de alguma delas.

Segundo Stefano, com o passar do tempo, essa variabilidade aumentaria, mas tudo depende de para que lado iria o processo de seleção natural. Ele explica que ao longo dos anos, mutações ocorrem no DNA dos descendentes e, caso as mutações vantajosas para a sobrevivência prevaleçam, a chance de povoar o planeta novamente é grande.

Existem exemplos de colonização com pequenas populações iniciais, como a do Havaí, em que havia muita consanguinidade e foi bem-sucedida

Waldir Stefano, professor de genética

E quando há problemas?
No entanto, as mutações que aparecem podem trazer desvantagens para os indivíduos. Há casos, como algumas famílias reais europeias, em que as mutações desvantajosas chegaram a causar esterilidade nos descendentes.

Stefano cita o livro “As Sete Filhas de Eva”, escrito por Bryan Sykes, professor de genética da Universidade de Oxford. “A obra mostra o estudo do DNA mitocondrial, que é herdado da mãe. Os pesquisadores chegam a sete grandes matrizes de ascendentes na Rússia”, diz. “Antes dessas sete, provavelmente havia menos ainda”.

Ele explica que, como o gameta feminino (óvulo) é muito maior que o gameta masculino (espermatozoide), quando o zigoto é formado, as mitocôndrias (responsável por “fabricar” a energia das células) são iguais às da mãe. O professor lembra que há doenças transmitidas geneticamente pelas mitocôndrias, como a doença de Leber, que provoca cegueira entre os 40 e 50 anos.

Quanto tempo seria necessário
Na grande parte das vezes, as variações do material genético não trazem grande efeito no fenótipo (características visíveis, como cor dos cabelos e dos olhos) e não são percebidas de imediato. Se trouxerem vantagens maiores para a sobrevivência dos descendentes, serão passadas adiante. “A grande questão é em que período de tempo isso poderia acontecer”, disse referindo-se a quantos anos seriam necessários para que os descendentes de um casal gerassem uma população de 7 bilhões de pessoas.

Em 2002, o antropólogo John Moore publicou um estudo pela Nasa em que estima que seriam necessárias 160 pessoas para dar início a uma população estável para um novo planeta. O estudo partiu do modelo de pequenos grupos migratórios antigos da humanidade.

Ele recomendava começar com casais jovens sem filhos e sem genes recessivos perigosos. No caso, o número usado no cálculo vale para uma viagem no espaço permite 200 anos de isolamento antes da volta à Terra, quando as pessoas teriam novamente contato com maior variabilidade genética.

Stefano lembra ainda que o próprio Charles Darwin, no livro ‘A Origem das Espécies’, brincou com uma conta parecida à de Adão e Eva. Se nada causasse a morte de um casal de elefantes enquanto eles vivessem, quantos descendentes eles teriam em 700 milhões de anos? Além disso, os descendentes também não poderiam morrer logo, ou seja, trata-se de uma conta bem hipotética. A gestação de um elefante dura dois anos e a expectativa de vida desses animais é de cem anos. Assim, Darwin calculou 19 mil descendentes daquele casal no período de tempo avaliado.

Apesar da seleção natural, você carrega sinais da evolução em seu corpo

Você já deve ter notado, ao flexionar a mão para dentro, que “salta” do punho um tendão minúsculo, um feixe cartilaginoso com pouco mais de três centímetros entre o punho o antebraço.

Essa é a parte visível do músculo palmar longo, que já foi muito útil para que nossos ancestrais subissem ou se pendurassem em árvores mas que hoje não tem utilidade funcional – a ponto de 1 bilhão de pessoas no mundo simplesmente não ostentarem o músculo na sua estrutura óssea, sem qualquer prejuízo à sua vida. (Lembrando que somos mais de 7 bilhões no mundo).

Esse músculo salta no seu braço?

Esse músculo salta no seu braço?

Assim como o palmar longo, outros “vestígios” da evolução podem ser facilmente encontrados em qualquer corpo humano: o músculo eretor dos pelos que nos provoca arrepios, os dentes de siso (conhecidos como terceiros molares), o apêndice, o tubérculo de Darwin, o músculo plantar. Todos aparentemente sem utilidade, mas que um dia foram importantes para ancestrais do homem.

Mas, se não têm mais utilidade, por que os órgãos vestigiais, como a Ciência denomina essas estruturas, não desapareceram do corpo humano

O professor Nélson Rosa Fagundes, do departamento de Genética da UFRGS, prefere atribuir a esses elementos uma característica “neutra” – e não desvantajosa. O pesquisador explica que a evolução se preocupa mais com o sucesso reprodutivo do que com a qualidade de vida dos indivíduos, ou seja, a seleção natural favorece a produção de uma prole fértil em detrimento de uma vida feliz.

“No jargão da biologia evolutiva, adaptação e reprodução são virtualmente sinônimos. Então, o fato de que não se use ou, ao contrário, se use mais determinadas estruturas não faz com que elas se modifiquem, a menos que seja via seleção natural”, explica. Elas mudam quando as variações morfológicas, cientificamente tratadas como fenotípicas, apresentam uma vantagem adaptativa para os indivíduos.

Tubérculo de Darwin é essa parte da sua orelha, que algumas pessoas conseguem até mexer

Tubérculo de Darwin é essa parte da sua orelha, que algumas pessoas conseguem até mexer

Nesse caso, é evidente que o fenótipo vantajoso será transmitido naturalmente para as gerações futuras, desde que haja uma base genética capaz dessa transmissão. Mas, no segundo caso, a seleção natural não tem muito o que fazer com o futuro da população. Aí entram alguns órgãos vestigiais: como não apresentam vantagem competitiva, são menos afetados pelo processo de seleção natural. Por serem neutras, não são afetadas.

 

“O principal fator capaz de mudar o perfil fenotípico, quando não há vantagem aparente, é o acaso. Ter ou não ter pelos no corpo, ou siso, não afeta a adaptação do indivíduo ao meio e, portanto, não afeta a maneira como se reproduz. Aqui é importante observar: evolução não é apenas seleção natural ou adaptação. Essas características “inócuas” estão sendo afetadas por processos evolutivos, como a deriva genética, que são fruto do acaso”, sustenta.

A coluna vertebral é um bom exemplo de como a seleção natural se processa. Nosso bipedalismo é anterior à espécie humana e foi uma pré-adaptação à transformação das florestas africanas em savanas – com as mãos livres e sem necessidade de subir em árvores, sobreviveu quem se adaptou a esse ambiente.

Em quase cinco milhões de anos, a anatomia tratou de adaptar a estrutura óssea da coluna humana para suportar a pressão de andar sobre as patas traseiras – o formato em S e a ossatura pélvica reforçada, por exemplo.

Apêndice

Apêndice

Mas problemas modernos decorrentes dessa condição, como a hérnia de disco, não foram tratados pela evolução. “O fato de estarmos totalmente bípedes há ‘apenas’ alguns milhões de anos certamente tem algum impacto sobre a coluna, mas para que a evolução atue teríamos que pensar que existem pessoas mais ou menos resistentes às dores, que isso pode ser herdável e, mais importante, que as pessoas com menos dores, que seriam as mais adaptadas, sejam aquelas que têm mais filhos”, argumenta o professor.

Como essas condições não estão presentes, continuamos sentindo a genérica “dor nas costas”. Da mesma forma, não existe nenhum bom motivo pra garantir que cada vez menos gente tenha o siso. “Existe quem não tem nenhum, quem tem os quatro e todas as variantes possíveis. Por quê? Porque dificilmente isso irá afetar a sobrevivência e a reprodução. O siso só vai desaparecer se esperarmos tempo suficiente e se a deriva genética causar essa modificação. Isso é tão provável quanto, por acaso, todos voltarmos a ter os quatro sisos”, completa.

Outro vestígio evolutivo são os milhões de músculos eretores dos pelos humanos. O pesquisador em biomedicina e especialista em evolução da Universidade Tiradentes, José Carneiro Ribeiro Neto, explica que o Homo ergaster – ancestral do homem que viveu até cerca de 250 mil anos trás – foi um dos primeiros hominídeos a perder a pelagem para se adaptar aos ambientes quentes e úmidos da África. Isso há cerca de 1,5 milhão de anos.

“Mesmo em temperaturas altíssimas, o ergaster percorria grandes distâncias a uma boa velocidade porque desenvolveu o melhor sistema de arrefecimento até então, composto por um nariz longo que umedecia o ar e um corpo com poucos pelos que deixava o calor escapar facilmente. Enquanto outros hominídeos se sentavam à sombra para suportar o clima, nosso ancestral pelado podia andar em busca de alimento”, explica.

Mas os músculos eritores, mesmo com a drástica diminuição dos pelos, continuam presentes no corpo humano. Funcionam, a ponto de nos arrepiar em situações de medo ou nos dias de muito frio. Só que, para solucionar esse problema, a cultura inventou o agasalho.20

Alguns vestígios da evolução

  • Músculo palmar longo – se estende do ombro até metade da mão e, em ancestrais humanos, servia para escalar árvores e se locomover entre galhos. Hoje, 12% das pessoas já nascem sem ele, sem prejuízo algum à qualidade de vida
  • Músculo eretor dos pelos – cada pelo do nosso corpo está ligado a um músculo, que servia, entre ancestrais humanos mais peludos que nós, para eriçá-los em busca de isolamento térmico ou para intimidar predadores e outros inimigos
  • Dentes de siso (ou terceiro molar) – serviam para mastigar e triturar estruturas alimentares mais rígidas, como raízes, e reduzir o impacto do alimento na digestão. Atualmente, apenas cerca de 5% da população nasce com os quatro sisos
  • Apêndice – preso ao intestino, é um pequeno tubo que atualmente fabrica uma pequena quantidade de células brancas para o organismo. No passado ancestral, era o local da digestão da celulose – ingerida em abundância por espécies precursoras do homem
  • Músculos extrínsecos do pavilhão auricular – Normalmente encontrado em cães e coelhos, é um vestígio importante de como a audição era um sentido importante entre ancestrais. Permite mover as orelhas, melhorando a capacidade auditiva. Menos de 5% da população consegue hoje ter controle sobre essa musculatura
  • Músculo plantar – vai do joelho até o pé e ajudava nossos descendentes antigos a manipular objetos com os pés. Sem utilidade, atualmente é muito usado para reconstrução de tecido muscular. Cerca de 9% da população nasce sem ele

 

 

Dez sinais de câncer frequentemente ignorados

Uma pesquisa da organização Cancer Research UK listou dez sintomas de câncer que muitas vezes são ignorados pelos cidadãos britânicos. A ONG diz que isso pode atrasar possíveis diagnósticos da doença.

Pacientes não procuram médicos temendo serem taxados de hipocondríacos, dizem especialistas

Pacientes não procuram médicos temendo serem taxados de hipocondríacos, dizem especialistas

Veja abaixo os sintomas e a que tipo de câncer eles podem estar relacionados:

  • Tosse e rouquidão (câncer de pulmão)
  • Aparição de caroços pelo corpo (dependendo da região do corpo, pode indicar câncer)
  • Mudança na rotina intestinal (câncer no intestino)
  • Alteração no hábito de urinar (câncer na bexiga)
  • Perda de peso inexplicável (pode estar ligada a diversas variações da doença)
  • Dor inexplicável (pode indicar vários tipos de câncer)
  • Sangramento inexplicável (pode estar ligado a cânceres no intestino, na medula ou na vulva)
  • Ferida que não cicatriza (por estar ligada a diversas variações da doença)
  • Dificuldade de engolir (câncer no esôfago)
  • Mudança na aparência de uma verruga (câncer de pele)

De acordo com a Cancer Research UK, muitas pessoas tendem a achar que sintomas como esses são triviais e, por isso, não procuram seus médicos.

Outro fator que motivaria os britânicos a não procurar ajuda seria o receio de “desperdiçar” o tempo dos médicos com esse tipo de suspeitas.

Os pesquisadores da entidade entrevistaram 1.700 pessoas com mais de 50 anos de idade. Mais da metade (52%) afirmou ter sentido ao menos um dos sintomas nos três meses anteriores à pesquisa.

Em um estudo qualitativo mais aprofundado, a Cancer Research UK se concentrou no caso de 50 das pessoas que tiveram os sintomas. Foi constatado que 45% delas não procuraram ajuda médica após senti-los.

Uma das pacientes relatou não ter ido fazer exames após sentir dores abdominais. “Algumas vezes eu pensei que era grave… mas depois, quando a dor melhorou, você sabe, pareceu não valer a pena investigar”, disse ela.

Um homem, que percebeu mudanças na rotina na hora de urinar, disse aos pesquisadores: “Você só tem que seguir em frente. Ir muito ao médico pode ser visto como um sinal de fraqueza e podem pensar que você não é forte o suficiente para lidar com seus problemas”.

A pesquisadora Katrina Whitaker, ligada à University College London, afirmou: “Muitas das pessoas que entrevistamos tinham os sintomas que dão o alerta vermelho, mas elas pensavam que os sintomas eram triviais e por isso não precisavam de assistência médica, especialmente se não sentiam dor ou se ela era intermitente.”

Pesquisa aponta para sintomas que podem indicar desenvolvimento de células cancerígenas

Pesquisa aponta para sintomas que podem indicar desenvolvimento de células cancerígenas

Ela disse ainda que muitos pacientes só procuraram médicos depois que tiveram contato com campanhas de conscientização ou receberam conselhos de amigos ou de familiares.

Segundo o médico Richard Roope, na dúvida, é sempre melhor procurar um médico. Ele disse que muitos desses sintomas não são causados pelo câncer – mas se forem, o rápido diagnóstico aumenta as chances do paciente no tratamento da doença.

Ele afirmou que atualmente cerca da metade dos pacientes diagnosticados conseguiriam sobreviver por mais de dez anos.

Alarme falso

Uma outra pesquisa, também financiada pela Cancer Research UK, constatou que um “alarme falso” pode desestimular os britânicos a continuarem investigando possíveis sintomas da doença.

Para essa pesquisa, a University College London analisou 19 estudos científicos pré-existentes.

A pesquisa constatou que cerca de 80% das pessoas que são submetidas a exames para checar a existência do câncer após a manifestação de sintomas descobrem que não sofrem da doença.

Esse grupo tenderia a ficar desestimulado a voltar a investigar eventuais novos sintomas. Entre as principais razões para isso, segundo a organização, estariam a falta de orientação recebida dos médicos durante os exames anteriores e o temor de ser visto como “hipocondríaco”.

“Pacientes que vão a seus médicos com os sintomas obviamente ficam aliviados ao saber que não têm câncer. Mas como nosso levantamento mostra, é importante que eles não sintam uma falsa sensação de segurança e entendam que ainda devem procurar ajuda se perceberem sintomas novos ou recorrentes”, afirmou Cristina Renzi, uma das pesquisadoras envolvidas no estudo.

Todas as pessoas de olhos azuis são descendentes do mesmo ser humano

Olhos azuis correspondem a 8% da população da Terra, cerca de 600 milhões de pessoas. Uma pesquisa realizada pelo geneticista dinamarquês Hans Eiberg com DNA mitocondrial revelou um dado curioso: todas as pessoas com olhos azuis descendem do mesmo ser humano. De acordo com o estudo, uma única mutação genética transformou o olho castanho em azul.

Olhos Azuis

Olhos Azuis

Eiberg localizou essa mudança na coloração da íris com exatidão de tempo e espaço: esse humano de olho mutante vivia na região do Mar Negro (sul da Europa), cerca de 7 mil anos atrás. A mutação foi seguindo geração em geração e se manteve nas características humanas até os dias atuais – 300 gerações depois, segundo o site Mind Unleashed.
A descoberta pode ser a explicação para a alta concentração de olhos azuis no Velho Continente, especialmente no Leste Europeu: na Ucrânia, 53% das pessoas têm olhos azuis. Depois, a mutação se espalhou para a América do Norte e Oceania. “Uma alteração no gene OCA2, criou um ‘interruptor’, que literalmente ‘desligou’ o fenótipo de olhos castanhos”, explica Eiberg.
Geneticistas explicam que o gene OCA2 controla a produção de melanina, pigmento regulador da cor da pele, cabelos e olhos. A produção de melanina não foi totalmente bloqueada (isso causaria albinismo), criando humanos com olhos azuis. Antes dessa mutação, toda a humanidade tinha olhos escuros. Uma bela surpresa da natureza, né?

Dna De Esqueleto Pré-histórico Indica Base Genética Do Europeu Moderno

Um estudo de uma equipe internacional de pesquisadores sequenciou o DNA de quase 40 esqueletos antigos encontrados na região central da Europa e sugere que o patrimônio genético moderno do continente foi formado entre 4 mil e 2 mil anos a.C., no período neolítico. Um estudo de uma equipe internacional de pesquisadores sequenciou o DNA de quase 40 esqueletos antigos encontrados na região central da Europa e sugere que o patrimônio genético moderno do continente foi formado entre 4 mil e 2 mil anos a.C., no período neolítico.dna

Décadas de estudo dos padrões de DNA dos europeus modernos indicam que dois grandes eventos pré-históricos afetaram a paisagem genética do continente: o povoamento inicial da Europa pelos caçadores e coletores da era paleolítica (cerca de 35 mil anos atrás) e uma onda de imigração de fazendeiros vindos do leste, há cerca de 6 mil anos, no começo do período neolítico.
Agora, a análise de DNA de restos mais recentes no centro e norte da Europa parece mostrar que o legado genético dos caçadores e coletores foi apagado por imigrações posteriores, incluindo os fazendeiros pioneiros do neolítico, mas possivelmente também por outras ondas de imigrantes.
A mais recente pesquisa revela que os eventos ocorridos algum tempo depois da imigração inicial de fazendeiros para a Europa tiveram grande impacto no patrimônio genético atual.
Os pesquisadores se concentraram no DNA mitocondrial, o material genético passado quase sem mudanças da mãe para os filhos.
Ao estudar as mutações nas sequências de DNA mitocondrial, os pesquisadores conseguem investigar as histórias das mães de diferentes populações humanas e conseguem até fazer uma árvore genealógica das ancestrais maternas. Os cientistas também conseguiram formar grupos de linhagens de DNA mitocondrial baseados em mutações em comum.
A pesquisa foi divulgada na publicação científica Nature Communications.
Haplogrupo HPara a nova pesquisa, os cientistas se concentraram em um destes grupos, conhecido como haplogrupo H.
O haplogrupo H domina a variação do DNA mitocondrial na Europa. Atualmente, mais de 40% dos europeus fazem parte deste “clã”, e a frequência deste grupo é bem maior no oeste do que no leste do continente.
A equipe de pesquisadores selecionou 39 restos humanos da região de Mitelelbe Saale, na Alemanha, todos deles pertencentes ao “clã” H. Esta área tem uma coleção bem preservada de esqueletos humanos, que formam um registro contínuo da habitação por meio de de culturas arqueológicas diferentes desde a era paleolítica.
Os restos investigados cobrem 3,5 mil anos da pré-história europeia, desde o início do neolítico até a Idade do Bronze.
Ao sequenciar o DNA mitocondrial destes 39 esqueletos, os cientistas revelaram mudanças dinâmicas nos padrões de DNA com o passar do tempo. A equipe descobriu que as assinaturas genéticas das pessoas do começo do neolítico são raras ou ausentes nas populações modernas.
E apenas cerca de 19% dos restos do começo do neolítico da Europa central pertenciam ao haplogrupo H.
Mas, a partir da metade do neolítico, os padrões de DNA se parecem mais com aqueles das pessoas que vivem na região atualmente, o que aponta para uma grande, e anteriormente desconhecida, agitação na população por volta de 4 mil a.C.
“O que intriga é que os marcadores genéticos desta primeira cultura pan-europeia, que claramente foi bem-sucedida, foram substituídos de repente há cerca de 4,5 mil anos, e não sabemos a razão”, afirma Alan Cooper, um dos autores da pesquisa, professor da Universidade de Adelaide, na Austrália.
“Algo grande aconteceu, e agora a caçada é para descobrir o que foi”, acrescenta.
O crescimento da população e a imigração da Europa Ocidental parecem tem aumentado a frequência de pessoas que carregam o DNA do haplogrupo H.
Onda imigratóriaUma contribuição importante parece ter sido feita no final do neolítico, por populações ligadas à chamada cultura arqueológica Bell Beaker. Subtipos do haplogrupo H comuns nos dias de hoje apareceram pela primeira vez nos povos da cultura Bell Beaker e a porcentagem geral de indivíduos que pertencem ao clã H aumentou muito neste período.
As origens do “povo Beaker” são debatidas. Apesar de terem sido encontrados em escavações na região de Mitelelbe Saale, os indivíduos deste grupo neste estudo mostraram semelhanças genéticas com os povos da Espanha e Portugal modernos.
Outros restos do final do neolítico, da cultura Unetice, têm ligações com populações mais ao leste.
“Estabelecemos que as fundações genéticas para a Europa moderna foram estabelecidas apenas no meio do neolítico, depois desta grande transição genética há cerca de 4 mil anos”, afirma Wolfang Haak, pesquisador que também participou do estudo.
Para Spencer Wells, diretor do Projeto Genográfico, responsável pelo estudo, a pesquisa dos esqueletos pode ser um complemento para a pesquisa do DNA de populações modernas.
“Assim como o DNA das pessoas vivas hoje pode revelar o resultado final das movimentações dos ancestrais mais antigos, para realmente entender a dinâmica de como os padrões genéticos modernos foram criados, precisamos estudar o material antigo também”, afirmou Wells.