Category Archives: Neurociências

Nasceu o primeiro “bebê” da inteligência artificial

Uma inteligência artificial desenvolvida por pesquisadores do Google teve seu primeiro “bebê” no final do ano passado. Esquisito? A gente tenta explicar. A AutoML, como foi chamada, foi criada para gerar outras inteligências artificiais, para simplificar o trabalho dos pesquisadores do Google Brain, o braço da empresa focado em pesquisas do tipo.

Nasceu o primeiro "bebê" da inteligência artificial

Nasceu o primeiro “bebê” da inteligência artificial

Para programar, eles eram obrigados a fazer manualmente as redes de aprendizado das máquinas, um trabalho complexo que demandava um tempo considerável de engenheiros e cientistas especializados no assunto. Ou seja, humanos sempre deveriam ajudar a máquina a aprender suas tarefas.

A solução foi criar um tipo de inteligência artificial capaz de propor modelos para novas inteligências artificiais. Os “bebês” então são treinados e avaliados pela “mãe” para suas próximas tarefas, sem a ajuda de humanos.

 

Após milhares de testes iniciais, o AutoML já havia desenvolvido modelos de reconhecimento de imagem com uma qualidade equivalente à dos frutos do trabalho dos especialistas.

Até que, em novembro, nasceu a NASNet, o primogênito. Ele surgiu com capacidades superiores a programas desenvolvidos e programado por humanos. E a NASNet tinha o comportamento parecido com o de uma criança: ficava testando soluções para seus problemas e era corrigido e guiado pela mãe AutoML

Nasceu o primeiro "bebê" da inteligência artificial

Inteligência reconhece pessoas, pipas e outros objetos em foto.

Inteligência reconhece pessoas, pipas e outros objetos em foto

Assim, o “bebê” é capaz de identificar imagens com um aproveitamento melhor do que o apresentado pelos modelos criados por humanos – com acerto de 82,7% em sua forma completa. Outra vantagem de ter uma inteligência artificial criada por outra máquina é que ela pode ser ajustada para plataformas móveis e continuar produzindo resultados 3% melhores do que os modelos mais modernos já criados por humanos.

Ainda assim, a AutoML não foi uma mãe completamente independente, e precisou de uma ajudinha dos pesquisadores. Ela passou por alguns ajustes em suas configurações de pesquisas e contou com uma busca manual em bancos de imagens. Desta forma, os pesquisadores adaptaram a AutoML para lidar com grandes bases de dados, algo que ela não estava preparada originalmente.

Após apresentar os resultados do projeto, o Google disponibilizou publicamente a NASNet a outros pesquisadores que trabalham com aprendizado de máquinas.

“Esperamos que a comunidade de aprendizado de máquinas será capaz de trabalhar em cima desses modelos para lidar com um grande número de problemas de visão computacional que podemos não ter imaginado”, publicou a empresa em seu blog.

Sophia já consegue andar: conheça a robô que está aprendendo a ser “humana

Em um de seus primeiros vídeos, ela se apresenta com um timbre de voz gelado. “Oi, aqui é Sophia. Não sei bem o que realmente significa ser humana. Acho que vai levar algum tempo para entender todos vocês. Talvez vocês me ensinem como ser humana ao longo do caminho”.

Sophia já consegue andar: conheça a robô que está aprendendo a ser "humana"

Sophia já consegue andar: conheça a robô que está aprendendo a ser “humana”

Esse foi um dos vislumbres da robô Sophia, que “nasceu” (digo, foi ativada) em 19 de abril de 2015, segundo a empresa criadora, a Hanson Robotics. Seu último avanço ocorreu nesta segunda (8) na feira de tecnologia CES, em Las Vegas, quando ganhou pernas e andou pela primeira vez – antes só se movia com rodinhas.

Sophia é considerada a melhor robô de interações pessoais da atualidade. Ela é dotada de um rosto sintético inspirado na atriz Audrey Hepburn (de “Bonequinha de Luxo”) e na esposa de seu criador, David Hanson, presidente da companhia que leva seu nome. Também possui a tecnologia chamada de aprendizado de máquina, que faz com que ela “fique mais inteligente” ao vivenciar experiências.

O rosto de Sophia é capaz de pelo menos 62 expressões faciais e de pescoço. Ela tem câmeras nos olhos para conseguir “ler” as reações faciais dos interlocutores para que isso a ajude a falar e se expressar melhor. A careca Sophia expõe seu cérebro eletrônico no crânio com um material transparente.

Esse cérebro contém três configurações: uma plataforma de pesquisa em inteligência artificial, que responde perguntas simples como “A porta está aberta ou fechada?”; um programa robô que recita frases pré-carregadas; e um “chatbot” que “olha” para as pessoas, ouve o que eles dizem e escolhe uma resposta apropriada, além de dar dados da internet de interesse geral, como o preço do bitcoin.

Sophia pop star

Sophia vem sendo alvo de muita atenção da mídia nesses dois anos de vida. Em poucos meses ela ganhou cidadania na Arábia Saudita, discursou na ONU, fez gracinhas em um dos talk shows mais famosos dos EUA e disse que quer destruir a humanidade mas também ter uma família. Em meio a tudo isso, causou algumas polêmicas também.

 Em um de seus primeiros vídeos, ela se apresenta com um timbre de voz gelado. "Oi, aqui é Sophia. Não sei bem o que realmente significa ser humana. Acho que vai levar algum tempo para entender todos vocês. Talvez vocês me ensinem como ser humana ao longo do caminho".

Em um de seus primeiros vídeos, ela se apresenta com um timbre de voz gelado. “Oi, aqui é Sophia. Não sei bem o que realmente significa ser humana. Acho que vai levar algum tempo para entender todos vocês. Talvez vocês me ensinem como ser humana ao longo do caminho”.

Robô Sophia em sua primeira aparição no festival South by Southwest, Austin, em 2016, ao lado de seu criador, David Hanson

Vem aí um Einstein e “Blade Runner”

A trajetória de Sophia se confunde com a da Hanson Robotics, companhia criada em 2013 em Hong Kong e que tem como fundador o americano David Hanson, ex-funcionário de animatrônicos –robôs de parques temáticos– da Disney e um dos maiores entusiastas da robótica da atualidade.

Desde 2005 ele trabalha em pelo menos outros oito robôs, incluindo versões com os rostos artificiais do físico Albert Einstein e do escritor Philip K. Dick. Esse último é autor do livro de ficção científica que inspirou o filme “Blade Runner”, que, veja só, fala em humanos artificiais trabalhando –e se rebelando– contra os humanos.

Mas como temos visto, Sophia é a menina dos olhos da Hanson. Na visão dele, o objetivo da robô é ajudar crianças e idosos em cuidados de saúde, educação e serviços de atendimento ao consumidor. Isso, claro, quando ela estiver pronta, pois seu “pai” ainda pensa nela como um bebê em constante aprendizado.

“É parte máquina, parte criança, ainda que tenha todas essas capacidades cognitivas e o vocabulário de um adulto”

Hanson à CNET

Sophia já consegue andar: conheça a robô que está aprendendo a ser "humana"

Sophia já consegue andar: conheça a robô que está aprendendo a ser “humana”

Sophia “sorri” no evento Further Future, em Las Vegas, em 2016

Afinal, é a robô mais evoluída?

Existem duas grandes polêmicas envolvendo a robô favorita do mundo atualmente. A primeira é se ela é realmente o robô mais perfeito já criado para a interação humana, como dão a entender. A segunda é se não estamos dando atenção demais a isso, dando a Sophia direitos que nem certos humanos conquistaram ainda.

As aparições públicas de Sophia dividem opiniões; muitos acham espantosa a sua capacidade de ter um mínimo de conversação com adultos e falar sobre diversos temas, mas outros apontam que a robô tem muitas limitações que vem sendo maquiadas pelo estilo marqueteiro da Hanson Robotics.

Sophia já discursou ou conversou com muitas pessoas em diversas ocasiões, mas ela normalmente traz muitas respostas prontas e poucas interações mais desafiadoras, além de sempre ser solicitada a contar piadas bobas, como se precisasse seguir um roteiro.

Na entrevista à “Elle”, por exemplo, a editora disse que em alguns momentos recebeu “respostas nonsense”, falando sozinha ou sem dizer nada. Ela ainda quis perguntar sobre Donald Trump, mas foi alertada “para não entrar em assuntos políticos” (religião e sexo também são assuntos proibidos).

Ela também já foi criticada por sua inteligência artificial limitada e por suas expressões faciais meio esquisitas e artificiais.

Sophia em uma festa estranha com gente esquisita

Sophia já consegue andar: conheça a robô que está aprendendo a ser "humana"

Sophia já consegue andar: conheça a robô que está aprendendo a ser “humana”

“Sua aparência ainda não é tão convincente. Diria que ela está no “vale da estranheza'”, diz o professor de robótica do ICMC-USP Fernando Osório, referindo-se à teoria que diz que robôs que se comportam de forma muito parecida, mas não idêntica, aos seres humanos causam repulsa.

Até mesmo Ben Goertzel, cientista-chefe da Hanson Robotics, admite que o sistema de Sophia é bem parecido ao que vemos há anos na assistente pessoal da Apple, a Siri e que não acha “ideal” o entendimento geral que ela possui AGI, isto é, inteligência geral artificial (o termo da indústria equivalente à inteligência humana).

Outro tema polêmico, mas na seara mais política, foi quando a robô ganhou cidadania saudita, sendo a primeira do gênero a alcançar tal feito. Nas redes sociais, foi levantado o fato de que, assim, ela ganhou mais direitos que as mulheres no país, considerado um dos Estados mais opressivos do mundo para as mulheres.

Ainda há também controvérsias se é sequer o robô pessoal mais avançado da atualidade. Afinal, há bons concorrentes por aí, como o Asimo da Honda, que tem mais de 15 anos de estrada e os da LG que interagem com passageiros de aeroportos; Fora os que malham, que dão saltos mortais, e robôs assistentes como Jibo e Kuri.

“O Asimo não tem desenvoltura nem expressão facial, mas pode receber a ordem de várias pessoas e saber qual pessoa está falando com ele pela percepção de áudio” 

Adam Henrique Pinto, membro do grupo de pesquisa e competição em robótica Warthog

Mas a questão que perdura é: queremos mesmo que Sophia, ou qualquer outro robô, seja tão perfeita assim?

O criador David Hanson diz que acredita no dia que robôs serão indistinguíveis de humanos, mas prefere que eles tenham aparência próxima, mas não igual, à humana. E nomes como Stephen Hawking e Elon Musk já se opõem a robôs definitivos, o que gerou até uma resposta jocosa de Sophia (ver arte abaixo).

“Não vamos chegar ao ponto de sermos dominados. Os robôs existem para nos ajudar e a inteligência artificial existe para facilitar a nossa vida. E a robótica não é mais uma área isolada da tecnologia. Ela está caminhando com as ciências humanas e levando em conta fatores éticos em seu desenvolvimento”, defende o doutorando em robótica do ICMC-USP Daniel Todazore.

Práticas religiosas ativam cérebro como amor, sexo e drogas

Momento espiritual liga áreas de recompensa e concentração, aponta estudo

Já há algum tempo a ciência vem se interessando em decifrar como as experiências espirituais e religiosas se manifestam no cérebro humano e afetam, por exemplo, a saúde das pessoas. Uma das descobertas mais recentes, de acordo com neurocientistas da Faculdade de Medicina da Universidade de Utah, nos Estados Unidos, e publicadas na revista “Neuroscience Social” é que essas práticas ativam áreas cerebrais ligadas à concentração e à recompensa, assim como acontece em situações em que há amor, sexo, drogas, música e jogos.

Crença. Estudo foi feito com mórmons, mas bem-estar é observado em outras religiões

Momento espiritual liga áreas de recompensa e concentração, aponta estudo

Para entender como o cérebro humano realiza essa atividade tão sutil, foram analisados 19 adultos jovens, com idades médias de 27 anos, sendo sete mulheres e 12 homens, e membros da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias (mais conhecidos como mórmons) durante a prática devocional.

Eles então foram submetidos a quatro tarefas em que esses sentimentos espirituais poderiam se manifestar, como citações de líderes religiosos mundiais, leituras de passagens, estímulos audiovisuais com vídeos produzidos pela igreja e descanso. Após o experimento, os participantes relataram ter identificado sentimentos de paz, sensações físicas de calor, batimento cardíaco mais acelerado e respiração mais intensa.

Já os exames de ressonância magnética funcional do cérebro mostraram exatamente a localização desse sentimento de fé na mente. Ao passar por essas experiências, foram ativados o núcleo accumbens – região responsável pelo processamento dos circuitos de recompensa –, o córtex pré-frontal medial – área ligada ao julgamento de raciocínio moral – e outras regiões ligadas a concentração e foco.

Ainda que o experimento tenha sido aplicado a devotos mórmons, o mesmo resultado de bem-estar possivelmente seria encontrado também em praticantes de outras religiões, segundo o professor de psiquiatria Alexander Moreira de Almeida, membro do Núcleo de Pesquisa em Espiritualidade e Saúde (Nupes) da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF).

A questão levanta, porém, diz o professor, duas hipóteses que ainda devem ser investigadas. Ele questiona se a ativação dessas áreas estaria levando a essas experiências espirituais ou o contrário, ou seja, se passar pelas experiências levaria à ativação dessas áreas no cérebro.

Segundo Almeida, outras pesquisas já demonstraram que, de modo geral, as pessoas com maior envolvimento religioso tendem a ter melhores níveis de felicidade, menos casos de depressão, suicídio e de uso de drogas, mas que também algumas formas de religiosidade podem ser deletérias.

Espiritismo. Alexander Moreira também pesquisou como o cérebro se comporta durante experiências espirituais, como a mediunidade e o sofrimento ligado a isso.

Para religiosos, a fé é algo que não precisa de comprovação

Momento espiritual liga áreas de recompensa e concentração, aponta estudo

O que é a fé?

O teólogo e padre José Cândido, da Paróquia São Sebastião, em Belo Horizonte, classifica os resultados de pesquisas como essas como “interessantes”, mas reitera que esses achados não são fundamentos para a fé.

“A objetividade do ato de fé e sua credibilidade não se fundamentam nesse tipo de pesquisa, mas unicamente numa pessoa, que é Cristo, e isso basta. Fé não é crença ou crendice, ela se baseia em uma revelação histórica. Acreditamos na história de que Deus nos revelou e se consuma em Cristo. Tudo o que vem além disso é interessante, mas não afeta a fé”, afirma.

Essa também é a opinião da gerente de comunicação e marketing do Hospital Evangélico, Ceci Gibram. “Para quem crê, a fé não é algo baseado no que se vê e se comprova. Não é científica, é da ordem sobrenatural, está além da dimensão da compreensão humana e terrena. Esse tipo de informação cientifica é irrelevante”.

Matemática, música e bullying: como é a vida de crianças superdotadas no Brasil

João Gabriel do Nascimento, de 10 anos, executa, com razoável desenvoltura, Águas de Março, de Tom Jobim, ao violino. Com dores no pescoço, diz, em tom de brincadeira, que está se sentindo como o astrofísico inglês Stephen Hawking. Filho de uma diarista e um pizzaiolo, João mora no Morro do Cerro Corá, no Cosme Velho, Rio de Janeiro; estuda na Escola Municipal José de Alencar, em Laranjeiras, e aprendeu a ler, sozinho, aos quatro anos. Quando crescer, ainda não sabe se vai ser escritor ou goleiro do Flamengo.

 

João Gabriel do Nascimento toca 'Águas de Março' no violino

João Gabriel do Nascimento toca ‘Águas de Março’ no violino

Gustavo Torres da Silva, de 18 anos, é aluno de Engenharia Física na Universidade de Stanford, nos EUA. Nascido no Capão Redondo, bairro pobre da periferia de São Paulo, Gustavo foi aprovado em duas instituições brasileiras – USP, em Engenharia Elétrica, e UFSCar, em Engenharia Física – e cinco americanas: Columbia, Duke, MIT, Harvard e Stanford. Na infância, gostava de ver o pai, técnico de eletrônica, montar e desmontar os eletrodomésticos que trazia para casa.

O que os dois têm em comum? São alunos com altas habilidades, mais conhecidos como superdotados.

Para ser considerado um superdotado, explica a pedagoga Maria Clara Sodré, PhD em Educação pela Universidade de Columbia (EUA), o aluno precisa apresentar, entre outras características, precocidade ou alto potencial em pelo menos uma das sete inteligências definidas pelo psicólogo americano Howard Gardner em sua Teoria das Inteligências Múltiplas.

Em outras palavras: ele precisa ter uma habilidade muito acima da esperada para a sua idade.

No caso de João, sua inteligência é a musical. Como Sivuca e Hermeto Paschoal, dois dos mais virtuosos artistas brasileiros, o menino consegue extrair timbres e sons de qualquer instrumento – musical ou não.

Já a inteligência do Gustavo é a lógico-matemática. Incentivado por seu pai, Adalberto, o garoto gostava de desparafusar o joystick do videogame para ver como funcionava por dentro.

“Alunos superdotados são como diamantes brutos. Se você não lapidá-los, eles terão seus talentos desperdiçados”, alerta Maria Clara Sodré.

Garimpando talentos

Na maioria das vezes, quem “garimpa” esses diamantes brutos é a própria família. É o caso de Gustavo, que atribui todo o mérito de suas conquistas acadêmicas ao esforço incansável dos pais.

“Se eles não me tivessem dado livros para ler, quebra-cabeças para montar e cursos para estudar, eu não teria chegado tão longe”, reconhece o rapaz.

Em alguns casos, é o professor, em sala de aula, o primeiro a detectá-los.

Professora detectou talento de Tauat dos Santos Lara para matemática

Professora detectou talento de Tauat dos Santos Lara para matemática

Foi o que aconteceu com Tauat dos Santos Lara, de 14 anos. Quando estudava na Escola Municipal Minas Gerais, na Urca, Zona Sul do Rio, era sempre o primeiro a terminar os exercícios.

“Um dia, a professora de Matemática me indicou livros mais avançados. E até sugeriu que eu pulasse de série”, recorda Tauat. Hoje aluno do 9º ano do Colégio Pedro 2º, Tauat é tricampeão nas Olimpíadas de Matemática das escolas públicas.

Em casa ou no colégio, os sinais são sempre os mesmos.

“Aprendem com rapidez, gostam de fazer perguntas, têm excelente memória, apresentam rico vocabulário e tiram notas boas”, enumera a psicóloga Cristina Delou, doutora em Educação pela PUC-SP e professora da Universidade Federal Fluminense (UFF).

Desde 2014, Delou já capacitou 200 professores da rede pública do Rio de Janeiro para reconhecer superdotados.

Os alunos que se destacam dos demais, por terem pensamento lógico, facilidade de aprendizado ou senso de justiça, entre outros atributos, são avaliados por um psicólogo ou um psicopedagogo, através de testes específicos de conhecimento.

Feito o diagnóstico, o estudante é encaminhado a um instituto especializado para aprimorar seu talento.

“Os mitos relacionados à superdotação são incontáveis: uns dizem que eles são gênios, outros, que são bons em tudo e outros, ainda, que não precisam de ajuda. Sem orientação adequada, muitos deles perdem o interesse nos estudos e abandonam a escola”, explica Inês França, gerente de projetos do instituto Ismart, que atua auxiliando superdotados do Rio.

Bullying

Segundo o Censo Escolar de 2014, o Brasil tem hoje 13.308 alunos superdotados na Educação Básica – um número 17 vezes maior que o registrado em 2000. Mas, pelos cálculos da OMS, esse número pode chegar a 2,4 milhões de estudantes.

Shaft Novakoski Gutemberg, 13, e Francisco Gomes de Castro, 10, se enfrentam no xadrez em uma sala para alunos com altas habilidades na Escola Municipal José de Alencar, no Rio de Janeiro

Shaft Novakoski Gutemberg, 13, e Francisco Gomes de Castro, 10, se enfrentam no xadrez em uma sala para alunos com altas habilidades na Escola Municipal José de Alencar, no Rio de Janeiro

Desses 13 mil alunos, pelo menos 12, do 1º ao 9º ano, estudam na Escola Municipal José de Alencar, na Zona Sul do Rio. Na chamada sala de recursos, os estudantes com altas habilidades não aprendem regras gramaticais, fatos históricos ou equações matemáticas. Lá, eles são orientados a desenvolver as habilidades que fazem deles alunos superdotados.

Enquanto João mostra a música nova que tirou no violino, Shaft Novakoski Gutemberg, de 13 anos, e Francisco Gomes de Castro, de 10 anos, se enfrentam no xadrez.

“Mais do que transmitir conhecimento, quero prepará-los para a vida. São eles que, no futuro, vão ajudar a resolver os problemas do Brasil e do mundo”, acredita a psicóloga Cláudia Feijó, que trabalha há 25 anos com superdotados, sendo 15 na José de Alencar.

Um dos desafios a serem enfrentados hoje pelos superdotados é o bullying. Por serem diferentes dos demais, costumam ser alvo da implicância dos colegas.

“Em alguns casos, alunos com altas habilidades chegam a esconder seu talento para não serem hostilizados dentro e fora de sala de aula”, denuncia Susana Pérez, presidente do Conselho Brasileiro para Superdotação (ConBraSD).

Mãe de superdotados

Não por acaso, a advogada Cláudia Hakim, 41, prefere manter em sigilo a identidade dos filhos: de 12 e 15 anos. A mais velha começou a falar quando tinha um ano, aprendeu a ler por volta dos três e já estava alfabetizada aos quatro.

“Enquanto os demais alunos estavam começando a aprender o alfabeto, minha filha já escrevia uma pequena redação, sem erros de ortografia”, orgulha-se Hakim.

Cláudia Feijó trabalha com superdotados há 25 anos, há 15 apenas na EM José de Alencar

Cláudia Feijó trabalha com superdotados há 25 anos, há 15 apenas na EM José de Alencar

No Ensino Fundamental, os dois tiveram que ser “acelerados” de turma: a primogênita pulou do primeiro para o terceiro ano e o caçula do pré para o segundo ano.

Hoje, a menina é aluna do segundo ano do Ensino Médio e o garoto estuda no oitavo ano do Fundamental. Hakim, por sua vez, formou-se em Direito Educacional, criou o blog Mãe de Crianças Superdotadas em 2010 e lançou o livro Superdotação e Dupla Excepcionalidade em 2016.

Para os pais que desconfiam da inteligência acima da média dos filhos, Hakim dá uma dica: procure estimular essas habilidades de forma lúdica e na medida do interesse deles, sem forçar a barra.

“A superdotação é apenas um aspecto do comportamento de seu filho e não é o único. Por essa razão, é importante respeitar as fases do desenvolvimento da criança, deixá-la vivenciar sua infância e lembrar que, antes de ser superdotada, ela é uma criança e precisa ser tratada como tal”, recomenda.

O que é ‘space brain’, o fenômeno que pode fazer missões a Marte fracassarem

Em uma viagem de ida e volta ao planeta vermelho, que pode durar até três anos, astronautas se expõem a um inimigo que pode causar danos irreparáveis ao cérebro.

Quais e quantas lembranças astronautas conseguiriam ter após uma viagem a Marte?
Parece uma pergunta irrelevante, mas é uma das maiores preocupações de especialistas. Isso se deve a um fenômeno conhecido como “space brain”, relacionado à exposição prolongada a raios cósmicos galácticos (GCR, na sigla em inglês).

Animação mostra aproximação da nave da SpaceX de Marte (Foto: Reprodução/Youtube/SpaceX)

O que é ‘space brain’, o fenômeno que pode fazer missões a Marte fracassarem

Esses raios carregam tanta energia que podem penetrar o casco de uma nave espacial. De acordo com cientistas da Universidade da Califórnia em Irvine (EUA), a exposição a partículas carregadas de alta energia pode causar danos de longo prazo ao cérebro.
Entre os efeitos desse fenômeno estão alterações cognitivas e demência. Possíveis danos causados pelos GCR ao corpo já eram conhecidos, mas acreditava-se que eram de curto prazo.

Em experimentos em ratos, porém, Charles Limoli e sua equipe descobriram que níveis de inflamação no cérebro continuavam significativos e danosos aos neurônios mesmo após seis meses, afetando comportamento, memória e aprendizagem.

“São más notícias para astronautas que embarcarem em uma viagem de ida e volta a Marte de dois ou três anos”, comentou Limoli, professor de radiação e oncologia da Escola de Medicina da Universidade da Califórnia em Irvine.

‘Extinção do medo’
“O ambiente espacial traz perigos únicos para os astronautas”, afirmou Limoli.

Para o especialista, entre outros possíveis problemas decorrentes do fenômeno do “space brain” estão a diminuição do rendimento, ansiedade, depressão e alterações na hora de tomar decisões. “Muitas dessas consequências adversas podem continuar e progredir ao longo da vida.”

Os pesquisadores também descobriram que a radiação afeta a “extinção do medo”, processo pelo qual o cérebro reprime experiências desagradáveis e estressantes do passado (por exemplo, quando alguém sofre uma queda de cavalo e volta a montar).

“O déficit na extinção do medo pode torná-los (astronautas) propensos à ansiedade”, assinalou Limoli. “Isso poderia ser problemático em uma viagem de três anos de ida e volta a Marte.”

Raios cósmicos descarregam muita energia ao se chocar com o corpo humano. Na Estação Espacial Internacional, astronautas estão protegidos porque se encontram na magnetosfera da Terra, que atua como escudo contra radiação. O mesmo não aconteceria em uma aventura rumo à Marte.

Construir naves espaciais com uma dupla capa protetora pode não ser útil, pois nada resiste a esses raios. Por isso, especialistas sugerem o desenvolvimento de tratamentos preventivos para proteção do cérebro.

Se os pesquisadores estiverem corretos, é possível que um astronauta que voltar de Marte tenha, portanto, dificuldades para recordar sua memorável experiência.

 

Do que é feito o Universo? De matemática, dizem cientistas…

Os cientistas há tempos utilizam a matemática para descrever as propriedades físicas do universo. Mas e se o próprio universo for a matemática? Isso é o que o cosmólogo Max Tegmark sugere.

Do que é feito o Universo? De matemática, dizem cientistas...

Do que é feito o Universo? De matemática, dizem cientistas…

Na visão de Tegmark, tudo no universo – incluindo os humanos – é parte de uma estrutura matemática. Toda a matéria é composta de partículas, que têm propriedades como carga e rotação, mas estas propriedades são puramente matemáticas, diz ele. E o próprio espaço tem propriedades, tais como dimensões, mas ainda assim não deixa de ser uma estrutura matemática.

“Se você aceita a ideia de que tudo no universo tem propriedades matemáticas, então a ideia deixa de ser absurda”, disse Tegmark em uma palestra no dia 15 de janeiro.

“Se a minha ideia estiver errada, a física toda é condenada”, disse Tegmar. Mas se o universo realmente for feito de matemática, ele acrescentou: “Não há nada que não podemos, em princípio, não entender.”

A natureza cheia de números

A ideia resulta da observação de que a natureza é cheia de padrões, tais como a sequência de Fibonacci – uma série de números em que cada um representa a soma dos dois números anteriores. Muitas formas naturais, desde alcachofras até galáxias, seguem esse padrão.

O mundo não vivo também se comporta de uma forma matemática. Se você jogar uma bola de beisebol no ar, ela segue uma trajetória aproximadamente parabólica. Planetas e outros corpos astrofísicos seguem órbitas elípticas.

“Há uma elegante simplicidade e beleza da natureza revelada por padrões e formas matemáticas que nossas mentes foram capazes de descobrir”, disse Tegmark, que gosta tanto de matemática que moldou imagens de equações famosas em sua sala de estar.

Uma conseqüência da natureza matemática do universo é que os cientistas poderiam, em teoria, prever cada observação ou medição física. Tegmark apontou que a matemática previu a existência do planeta Netuno, das ondas de rádio e do bóson de Higgs, que é pensado para explicar como outras partículas ganham sua massa.

Algumas pessoas argumentam que a matemática é apenas uma ferramenta inventada pelos cientistas para explicar o mundo natural. Mas Tegmark afirma que a estrutura matemática encontrada no mundo natural mostra que a matemática existe na realidade, e não apenas na mente humana.

E por falar em mente humana, poderíamos usar a matemática para explicar o cérebro?

Matemática da consciência

Alguns descreveram o cérebro humano como a estrutura mais complexa do universo. Na verdade, a mente humana tornou possível todos os grandes saltos na compreensão do nosso mundo.

Algum dia, Tegmark disse, os cientistas provavelmente serão capaz de descrever até mesmo a consciência usando a matemática. (Carl Sagan já dizia: “o cérebro é um lugar muito grande em um espaço muito pequeno”).

Ele ressaltou que muitos grandes avanços na física envolveram unificar duas coisas que se pensavam estar separadas: energia e matéria, espaço e tempo, eletricidade e magnetismo. Ele disse que suspeita que a mente acabará por ser unificada com o corpo, que é uma coleção de partículas em movimento.

Mas se o cérebro for apenas matemática, isso significa que o livre-arbítrio não existe, porque os movimentos das partículas podem ser calculados através de equações? Não necessariamente, disse ele.

Uma maneira de pensar sobre isso é que, se um computador tentar simular o que uma pessoa vai fazer, o cálculo levaria pelo menos a mesma quantidade de tempo que executar a ação. Por isso, algumas pessoas sugeriram que o que define o livre arbítrio é a incapacidade de prever o que vai acontecer antes de o evento de fato acontecer.

Mas isso não significa que os seres humanos sejam impotentes. Tegmark concluiu seu discurso com uma chamada à ação: “Os seres humanos têm o poder não só para entender nosso mundo, mas para moldar e melhora-lo.”

Análise de redes sociais, um texto introdutório

Quando falamos em análise de redes sociais, a primeira coisa que nos vem a mente são sites de relacionamento como o Facebook e o Twitter. Todavia, a análise de redes sociais está contida em ramos da ciência muito mais amplos, a sociologia em si, a análise de redes complexas e a teoria dos grafos. Este artigo aborda de maneira introdutória como tudo isso funciona. O que há para ser analisado. E como tais teorias servem tanto para vender produtos ou divulgar ideias e também para muitas outras aplicações, por vezes não tão obvias.

Uma rede representando websites e suas conexões por meio de hiperlinks.

Uma rede representando websites e suas conexões por meio de hiperlinks.

 

A força comercial da internet é inquestionável. Projeções apontam que em 2015 mais de um terço da população mundial irá se conectar à internet e interagir por meio de redes sociais de alguma maneira. Acompanhe os dados na tabela a seguir.

Rede social Número de usuários Data da informação Serviço criado em
Facebook 1,35 bilhão Setembro/2014 Fevereiro/2004
YouTube 1 bilhão Março/2013 Maio/2005
Google+ 540 milhões Outubro/2013 Junho/2011
Instagram 300 milhões Dezembro/2014 Outubro/2010
Twitter 284 milhões Outubro/2014 Março/2006
LinkedIn 187 milhões Abril/2014 Maio/2003
Pinterest 70 milhões Julho/2014 Março/2010
Vine 40 milhões Agosto/2013 Janeiro/2013

Tabela I.1 – Número de usuários aproximado das principais redes sociais
(Fonte: https://www.thesocialmediahat.com/active-users).

Com um alcance tão amplo é natural que o interesse de empresas em divulgar produtos e serviços nessas redes seja grande, e até mesmo que produtos e serviços, tais como jogos e aplicativos, sejam criados especificamente para atender este público. Talvez por isso haja uma certa confusão entre mídia social, marketing digital, publicidade e propaganda na internet e análise de redes sociais. Em certo ponto elas se fundem, se mesclam, caminham lado a lado, mas ainda assim, são coisas distintas.

É certo que uma boa agência de marketing digital e publicidade online trará a análise de redes sociais e estudos de redes complexas como ferramenta de trabalho. Com isso agregará valor ao serviços prestados aos seus clientes, infelizmente, parte destas anunciará o serviço pregando apenas dados vagos como número de likes e número de visitantes em sites.

Em uma palestra que assisti sobre e-commerce a seguinte questão foi direcionada para o público. “-Você acharia bom se em sua loja física houvessem mil pessoas, circulando, fazendo perguntas, tomando cafezinho, ocupando o tempo dos seus vendedores e não comprando nada? Provavelmente não! E porque vocês fazem isso com seus negócios virtuais?”.

A intenção da pergunta era instigar sobre qual público está sendo atraído para um negócio. Ele é relevante? Ele irá de fato consumir o produto ou serviço? Isso parece obvio até mesmo para quem não é especialista em Marketing, mas então porque tantas lojas, serviços e empresas insistem no volume de usuários e não nos usuários corretos? Seria para criar a impressão de sucesso? E o que tudo isso tem a ver com análise de redes sociais e teoria dos grafos?

Para responder a estas perguntas vamos até a raiz da história dos grafos, redes complexas e redes sociais. A teoria dos grafos é um ramo da matemática aplicada que se ocupa em resolver problemas relacionados aos grafos. Grafos são estruturas que podem representar diversos tipos de dados. Um conjunto de pontos também chamado de vértices unidos por linhas chamadas de arestas. Esta representação é bastante eficiente para representar relacionamentos entre indivíduos, logo, naturalmente foi adotada por cientistas destas áreas como meio para representar redes sociais.

Em 1736 o matemático Leonhard Euler criou uma representação matemática para provar a teoria de que não era possível atravessar as sete pontes existentes na cidade de Königsberg, Prússia, sem repetir a passagem por qualquer uma das pontes. A figura 1 mostra o grafo desenhado por Leonard Euler que deu origem a teoria dos grafos.

Figura 1 - Grafo desenhado por Leonard Euler.

Figura 1 – Grafo desenhado por Leonard Euler.

 

Esta representação matemática mostrou-se eficaz para resolver diversos problemas, muitos destes ligados a resolução de rotas, cálculo de caminhos mínimos, dentre outras coisas. Grafos também são eficientes para representar relações entre pessoas. Ou seja, modelar relacionamentos.

Um dos estudos mais famosos relacionados a interação social foi feito na década de 1960 por Stanley Milgram. Milgram desejava responder com seu experimento a quantos “saltos” eram necessários para se chegar a qualquer pessoa conhecida no planeta. Este estudo deu origem aos termos “Seis graus de separação” e também às redes de mundo pequeno. A teoria de Milgram tornou-se tão popular que deu origem à peça Six Degrees of Separation, de John Guare, adaptada para o cinema em 1993 pelo diretor Fred Schepisi em filme de mesmo nome, que foi produzido por Arnon Milchan.

A junção dos conhecimentos de sociologia com as teorias dos grafos deu origem a análise de redes sociais, uma ciência complexa, não exata, mais inclinada à heurísticas do que a soluções determinísticas, mas que ainda assim, segue padrões matemáticos conhecidos.

Bem, neste ponto você deve estar se perguntando: Mas e daí? O que tudo isso tem a ver com Facebook e Twiiter? E mais que isso, como essas teorias todas podem me ajudar?

Existem diversas respostas a estas perguntas, e as primeiras constatações podem partir sob o prisma sociológico. O homem prefere viver em sociedade. E de muitos estudos científicos descobriu-se, entre outras coisas, que preferimos nos relacionar com semelhantes. Nada de “os opostos se atraem”, talvez isso fique para o romantismo, mas na análise de redes sociais, são os iguais que tendem a estar juntos.

Pessoas que gostam de esportes tendem a se relacionar com pessoas que praticam esportes. O pessoal cinéfilo tende a socializar com pessoas que gostam de cinema. Isso parece bastante obvio não? E estas constatações podem ser extrapoladas para outros atributos e características da personalidade e aspectos sociais. Por exemplo, pessoas ricas tendem a frequentar os mesmos lugares e ter amigos afortunados. Ou em outras palavras, os seres humanos tendem a formar grupos com características em comum.

Também foi demonstrado que a probabilidade de tornar alguém se tornar amigo de pessoas que já fazem parte do seu circulo de amizades é maior, ou seja, o amigo do amigo tende a tornar-se meu amigo. E assim sucessivamente por vários níveis até que os laços tornem-se tão fracos que fiquem insignificantes.

Uma característica conhecida pela sociologia é que, os ricos tendem a ficar mais ricos, enquanto os pobres tendem a permanecer pobres. Isso é observado não somente do aspecto financeiro, mas em muitos outros aspectos. Por exemplo, uma pessoa que tem muitos amigos ou conhecidos tende a adicionar novas conexões ao seu circulo de amizades muito mais rapidamente que uma pessoa solitária. Em parte, por conta das conexões dos amigos já existentes, isso é mostrado pela teoria da ligação preferencial descrita por Barabási e Albert.

A junção de várias destas teorias sociológicas com a teoria dos grafos para representar redes complexas é a base da análise de redes sociais. Utilizando grafos para representar a organização social de um grupo, usualmente teremos pessoas representadas como vértices, ou nós da rede, e as ligações entre elas representadas por arestas. Ou seja, se fulano é amigo de beltrano, eles são representados por dois nós conectados por uma linha. Isso pode representar a amizade entre pessoas, preferências musicais, lojas que elas frequentam etc.

Utilizando as teorias e algoritmos de redes complexas é possível analisar uma rede social e extrair diversas métricas desta rede. Como por exemplo, o número de comunidades, ou grupos existentes nessas redes. Quais são os vértices (nós) mais importantes da rede. E a partir deste conhecimento direcionar esforços para os pontos mais importantes da rede, otimizando recursos e tempo. Observe o grafo a seguir.

 

É fácil de perceber qual é o vértice mais central da rede, e num senso de importância onde o número de conexões do um vértice reflete seu tamanho também podemos observar que o vértice mais central é também o mais conectado. Desta forma, uma informação entregue a esta rede por meio deste vértice tem maior probabilidade de chegar aos demais vértices da rede rapidamente do que escolhendo outro vértice ao acaso.

Também é intuitivo perceber que para um novo vértice se conectando a esta rede seria mais vantajoso fazer conexão com um vértice que já é bem sucedido como o caso deste vértice central do que com outros vértices de menor importância localizados na periferia da rede.

Nos próximos artigos serão abordadas ferramentas para análise de redes complexas e alguns exercícios para descoberta de comunidades em redes complexas.

Supercomputador leva 40 minutos para reproduzir 1s de atividade cerebral

Um supercomputador japonês fez a simulação mais precisa da atividade cerebral humana já realizada. A máquina precisou de 40 minutos para calcular o equivalente a 1 segundo do que acontece no cérebro humano.

Os pesquisadores utilizaram o K, considerado o quarto computador mais potente do planeta, para simular a atividade do cérebro humano.

Supercomputador leva 40 minutos para reproduzir 1s de atividade cerebral

Supercomputador leva 40 minutos para reproduzir 1s de atividade cerebral

O computador tem 705.024 processadores e 1,4 milhão de GB de memória RAM, mas ainda precisou de 40 minutos para processar as informações de um segundo da atividade cerebral.

O projeto, realizado pelo grupo de pesquisa japonês RIKEN, a Universidade de Ciência e Tecnologia de Okinawa e o Forschungszentrum Jülich, um centro de pesquisa interdisciplinar alemão, foi a maior simulação da rede neural já realizada.

Ele utilizou a ferramenta de código aberto Neural Simulation Technology (NEST) para reproduzir uma rede equivalente a 1,73 bilhões de neurônios unidos por 10,4 trilhões de sinapses.

Apesar de gigantesca no tamanho, a reprodução representa apenas 1% da rede neural no cérebro humano. O objetivo do projeto, mais do que realizar novas descobertas sobre o órgão, era testar os limites da tecnologia de simulação e as capacidades do computador K.

Os pesquisadores foram capazes de obter informações que irão ajudar na construção de um novo software de simulação. A pesquisa também irá oferecer a neurocientistas uma prévia do que poderá ser conseguido no futuro com a próxima geração de computadores, que irá usar os chamados processos de exoescala.

Os computadores de exoescala conseguem realizar um quintilhão de operações de pontos flutuantes por segundo, capacidade considerada equivalente à do cérebro humano. Espera-se que, com essas máquinas, a ciência consiga realizar uma simulação em tempo real da atividade cerebral.

 

Cientista prevê primeiro transplante de cabeça em dois anos

O primeiro transplante de cabeça da história poderia ocorrer em dois anos, segundo uma reportagem publicada nesta semana pela revista NewScientist.

Cientista prevê primeiro transplante de cabeça em dois anos

Cientista prevê primeiro transplante de cabeça em dois anos


É a possibilidade que estuda uma equipe liderada pelo cirurgião italiano Sergio Canavero, do Grupo de Neuromodulação Avançada de Turim. O grupo deve apresentar a proposta durante uma conferência médica nos Estados Unidos neste ano.
A técnica consistiria em implantar a cabeça de um paciente de doença grave no corpo de um doador que tenha tido morte cerebral.
Em entrevista à NewScientist, Canavero disse que a cirurgia poderia prolongar a vida de pessoas que sofrem de degeneração dos músculos e nervos ou que tenham câncer.
Ele disse, porém, estar ciente de que a proposta gera muita polêmica e que entraves éticos podem ser uma grande barreira. Canavero prevê ainda que sua equipe enfrenta dificuldades para conseguir autorização para desenvolver a técnica nos Estados Unidos.
“Se a sociedade não quiser isso, eu não vou fazer. Mas se as pessoas não quiserem nos Estados Unidos ou na Europa, não significa que não será feito em outro lugar. Estou tentando fazer da forma correta. Antes de você ir à lua, tem que ter certeza que as pessoas o seguirão”, disse Canavero à NewScience.
Técnica
O cirurgião italiano publicou neste mês uma lista de técnicas que tornariam o transplante possível.
Elas incluem procedimentos como resfriar a cabeça do receptor e o corpo do doador para evitar que as células morram sem oxigênio, cortar os tecidos do pescoço e conectar as veias e artérias maiores a tubos finos e seccionar os nervos da espinha.
Uma das partes mais complicadas da eventual cirurgia seria conectar os nervos da espinha do corpo aos nervos da cabeça. O cirurgião usaria uma substância química com polietileno para fazer as conexões e eletrodos para estimular as novas conexões nervosas.
Canavero disse também à NewScience que logo após a cirurgia o paciente passaria semanas em coma e inicialmente seria capaz de mover os músculos do rosto e falar com a mesma voz que tinha antes. Porém, seria necessário pelo menos um ano de fisioterapia para que pudesse andar.
Segundo ele, diversas pessoas já teriam se candidatado ao procedimento.
Segundo a NewScience, um procedimento similar foi testado em um macaco nos anos 1970 por outra equipe. O animal conseguia respirar com ajuda de aparelhos mas não podia se mover, pois sua cabeça não havia sido conectada aos nervos da espinha.
O animal morreu dias depois devido à rejeição de tecidos.
Chances
A revista ouviu diversos especialistas na área que se disseram céticos em relação à viabilidade da técnica. Alguns ressaltaram pontos técnicos difíceis de resolver, tais como a dificuldade de fazer o paciente passar pelo coma de forma saudável.
Outros levantaram dilemas éticos, como a possibilidade de que, se der certo, a cirurgia seja usada para fins cosméticos. Ou disseram que o procedimento pode até se tornar realidade, mas não em um prazo tão curto.

O cérebro humano mede o tempo por meio da observação dos movimentos.

Se alguém colocar você dentro de uma sala branca vazia, sem nenhuma mobília, sem portas ou janelas, sem relógio…. você começará a perder a noção do tempo.Por alguns dias, sua mente detectará a passagem do tempo sentindo as reações internas do seu corpo, incluindo os batimentos cardíacos, ciclos de sono, fome, sede e pressão sanguínea.
Isso acontece porque nossa noção de passagem do tempo deriva do movimento dos objetos, pessoas, sinais naturais e da repetição de eventos cíclicos, como o nascer e o pôr do sol.Compreendido este ponto, há outra coisa que você tem que considerar:Nosso cérebro é extremamente otimizado.

935692_352493584862376_295851152_nEle evita fazer duas vezes o mesmo trabalho. Se alguém colocar você dentro de uma sala branca vazia, sem nenhuma mobília, sem portas ou janelas, sem relógio…. você começará a perder a noção do tempo.Por alguns dias, sua mente detectará a passagem do tempo sentindo as reações internas do seu corpo, incluindo os batimentos cardíacos, ciclos de sono, fome, sede e pressão sanguínea.
Isso acontece porque nossa noção de passagem do tempo deriva do movimento dos objetos, pessoas, sinais naturais e da repetição de eventos cíclicos, como o nascer e o pôr do sol.Compreendido este ponto, há outra coisa que você tem que considerar:Nosso cérebro é extremamente otimizado.Ele evita fazer duas vezes o mesmo trabalho.
Um adulto médio tem entre 40 e 60 mil pensamentos por dia.Qualquer um de nós ficaria louco se o cérebro tivesse que processar conscientemente tal quantidade.Por isso, a maior parte destes pensamentos é automatizada e não aparece no índice de eventos do dia e portanto, quando você vive uma experiência pela primeira vez, ele dedica muitos recursos para compreender o que está acontecendo.É quando você se sente mais vivo.
Conforme a mesma experiência vai se repetindo, ele vai simplesmente colocando suas reações no modo automático e ‘apagando’ as experiências duplicadas.Se você entendeu estes dois pontos, já vai compreender porque parece que o tempo acelera, quando ficamos mais velhos e porque os Natais chegam cada vez mais rapidamente.Quando começamos a dirigir automóveis, tudo parece muito complicado, nossa atenção parece ser requisitada ao máximo.Então, um dia dirigimos trocando de marcha, olhando os semáforos, lendo os sinais ou até falando aocelular ao mesmo tempo.
Como acontece?
Simples: o cérebro já sabe o que está escrito nas placas (você não lê com os olhos, mas com a imagem anterior, na mente); O cérebro já sabe qual marcha trocar (ele simplesmente pega suas experiências passadas e usa , no lugar de repetir realmente a experiência).Ou seja, você não vivenciou aquela experiência, pelo menos para a mente. Aqueles críticos segundos de troca de marcha, leitura de placa são apagados de sua noção de passagem do tempo.Quando você começa a repetir algo exatamente igual, a mente apaga a experiência repetida.
Conforme envelhecemos as coisas começam a se repetir – as mesmas ruas, pessoas, problemas, desafios, programas de televisão, reclamações, -…. enfim… as experiências novas (aquelas que fazem a mente parar e pensar de verdade, fazendo com que seu dia pareça ter sido longo e cheio de novidades), vão diminuindo.
Até que tanta coisa se repete que fica difícil dizer o que tivemos de novidade na semana, no ano ou, para algumas pessoas, na década.Em outras palavras, o que faz o tempo parecer que acelera é a…ROTINA
A rotina é essencial para a vida e otimiza muita coisa, mas a maioria das pessoas ama tanto a rotina que, ao longo da vida, seu diário acaba sendo um livro de um só capítulo, repetido todos os anos.Felizmente há um antídoto para a aceleração do tempo: M & M (Mude e Marque).Mude, fazendo algo diferente e marque, fazendo um ritual, uma festa ou registros com fotos.
Mude de paisagem, tire férias com a família (sugiro que você tire férias sempre e, preferencialmente, para um lugar quente, um ano, e frio no seguinte) e marque com fotos, cartões postais e cartas.Tenha filhos (eles destroem a rotina) e sempre faça festas de aniversário para eles, e para você (marcando o evento e diferenciando o dia).Use e abuse dos rituais para tornar momentos especiais diferentes de momentos usuais.
Faça festas de noivado, casamento, 15 anos, bodas disso ou daquilo, bota-foras, participe do aniversário de formatura de sua turma, visite parentes distantes, entre na universidade com 60 anos, troque a cor do cabelo, deixe a barba, tire a barba, compre enfeites diferentes no Natal, vá a shows, cozinhe uma receita nova, tirada de um livro novo.Escolha roupas diferentes, não pinte a casa da mesma cor, faça diferente.Beije diferente sua paixão e viva com ela momentos diferentes.Vá a mercados diferentes, leia livros diferentes, busque experiências diferentes.Seja diferente.Se você tiver dinheiro, especialmente se já estiver aposentado, vá com seu marido, esposa ou amigos para outras cidades ou países, veja outras culturas, visite museus estranhos, deguste pratos esquisitos….. em outras palavras…… V-I-V-A. !!!
Porque se você viver intensamente as diferenças, o tempo vai parecer mais longo.E se tiver a sorte de estar casado(a) com alguém disposto(a) a viver e buscar coisas diferentes, seu livro será muito mais longo, muito mais interessante e muito mais v-i-v-o… do que a maioria dos livros da vida que existem por aí.Cerque-se de amigos.Amigos com gostos diferentes, vindos de lugares diferentes, com religiões diferentes e que gostam de comidas diferentes.Enfim, acho que você já entendeu o recado, não é?Boa sorte em suas experiências para expandir seu tempo, com qualidade, emoção, rituais e vida.