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Cocô de passarinho e poeira serão os maiores inimigos do novo foguete da SpaceX

Na semana passada, o Canaltech explicou como a construção de um muro na fronteira entre os Estados Unidos e o México pode atrapalhar os planos da SpaceX de levar as primeiras pessoas à Marte. Mas existem fatores bem menos geopolíticos e bem mais naturais do que um muro que também podem atrapalhar os planos de Elon Musk: poeira e cocô de passarinho.
Cocô de passarinho e poeira serão os maiores inimigos do novo foguete da SpaceX
Cocô de passarinho e poeira serão os maiores inimigos do novo foguete da SpaceX
Para entender isso, precisamos entender um pouco mais sobre o Starship, o segundo estágio do sistema Big Falcon Rocket que está sendo desenvolvido pela empresa mirando a exploração espacial. De acordo com Musk, o Starship será a nova “evolução” da SpaceX para o mercado aeroespacial e deverá substituir todos os foguetes utilizados atualmente pela empresa. Musk garante que o novo modelo será não apenas reutilizável como também extremamente fácil de ser lançado em órbita, o que deverá diminuir em centenas de milhares de dólares os custos para mandar uma pessoa ao espaço. Ainda que Musk só vá revelar os detalhes completos do projeto em algum momento entre março e abril deste ano, o que se sabe por enquanto é que o sistema terá uma espaçonave de cerca de 55m de comprimento, que será levada para o espaço no Super Heavy, um foguete de 67m altura. A Starship está sendo projetada para ser reabastecida em órbita terrestre baixa (possivelmente na Estação Espacial Internacional) e, a partir de então, possui capacidade de levar até 100 passageiros com mais de 100 toneladas de suprimentos até Marte.

Para entender isso, precisamos entender um pouco mais sobre o Starship, o segundo estágio do sistema Big Falcon Rocket que está sendo desenvolvido pela empresa mirando a exploração espacial.

De acordo com Musk, o Starship será a nova “evolução” da SpaceX para o mercado aeroespacial e deverá substituir todos os foguetes utilizados atualmente pela empresa. Musk garante que o novo modelo será não apenas reutilizável como também extremamente fácil de ser lançado em órbita, o que deverá diminuir em centenas de milhares de dólares os custos para mandar uma pessoa ao espaço.

Ainda que Musk só vá revelar os detalhes completos do projeto em algum momento entre março e abril deste ano, o que se sabe por enquanto é que o sistema terá uma espaçonave de cerca de 55m de comprimento, que será levada para o espaço no Super Heavy, um foguete de 67m altura. A Starship está sendo projetada para ser reabastecida em órbita terrestre baixa (possivelmente na Estação Espacial Internacional) e, a partir de então, possui capacidade de levar até 100 passageiros com mais de 100 toneladas de suprimentos até Marte.

Mas, ainda que não tenha revelado o projeto dessa espaçonave, Musk já avisou que ele terá mudanças “radicais” de design quando comparada às espaçonaves atuais. Uma dessas mudanças seria a construção do veículo em aço inoxidável ao invés de fibras compostas de carbono (o que ajudaria a diminuir os custos de produção); a segunda mudança seria no sistema de resfriamento do veículo, que abandonaria os “escudos” usados por qualquer espaçonave hoje por um sistema de “suor”, em que microporos no veículos “vazariam” um líquido que resfriaria a nave em operações de alta velocidade — um modo bem parecido com o sistema de resfriamento do corpo-humano, que mantém a temperatura do corpo através da eliminação de água (suor) pelos poros da pele.

Cocô de passarinho e poeira serão os maiores inimigos do novo foguete da SpaceX

O problema é que, ao revelar essa ideia, diversos engenheiros aeroespaciais se perguntaram se essa seria uma mudança que realmente tornaria as operações da nave melhores e mais seguras. Isso porque o “escudo” utilizado hoje por praticamente todas as espaçonaves (inclusive as atuais da SpaceX) consiste de materiais ablativos (como cerâmica) para proteger as naves e os ocupantes do calor intenso. Isso porque, quando um desses veículos retorna para a Terra, ele acaba entrando na órbita do planeta em velocidades que podem chegar a 30 mil km/h — tão rápido que as moléculas ao redor da nave se transformam em plasma superaquecido, que consegue corroer ou derreter a maior parte dos materiais conhecidos pelo homem. Por isso, qualquer pequeno defeito nesse sistema pode significar a destruição da nave e a morte de seus ocupantes ao retornar para a Terra.

A preocupação dos engenheiros de fora da empresa se dá justamente pelas poucos informações reveladas por Musk. Por enquanto, o que se sabe é que a nave será feita de aço inoxidável e usará um sistema de resfriamento por microporos. O fato de se utilizar o aço inoxidável já exige que o sistema de resfriamento seja impecável, já que, ao retornar à Terra, a Starship estará sujeita a temperaturas de até 1482 °C, e o aço inoxidável que será usado por Musk (o 310S) tem um ponto de fusão de 1315 ºC. Isso significa que, caso haja qualquer problema na refrigeração, a espaçonave irá literalmente derreter – e com todos os ocupantes dentro – quando estiver tentando voltar à Terra.

Por isso, para os engenheiros, o sistema de microporos de Musk não dá a eles a mesma sensação de segurança que o bilionário parece ter. Isso porque a manutenção de um sistema desses pode ser bem complicada, pois é preciso garantir que não haja nada bloqueando os poros para que a nave seja resfriada corretamente.

Dwayne Day, engenheiro que ajudou a NASA a entender as causas do terrível acidente com o ônibus espacial Columbia em 2003, afirmou que um sistema baseado em microporos soltando líquidos pode ser bastante perigoso para seus passageiros. Isso porque coisas bem corriqueiras – como o acúmulo de poeira ou um passarinho que, durante o voo, acaba fazendo cocô sobre a nave – pode bloquear esses poros, impedindo a saída de líquido e comprometendo o sistema de resfriamento durante a reentrada. Ele ainda lembra que, como o objetivo da nave é ir e voltar de Marte, isso se torna algo ainda mais crítico, pois foi justamente o acúmulo de poeira nas células solares que acabou por “matar” recentemente a sonda Opportunity da NASA.

Outro que também alerta para os possíveis perigos de tal sistema é Walt Engelund, engenheiro e diretor do Diretório de Tecnologia e Exploração Espacial da NASA. Além dos problemas apontados por Dwayne Day, Engelund comenta que o carbono presente em combustíveis a base de metano tende a se solidificar quando exposto a altas temperaturas, então o próprio líquido escolhido pela equipe de Musk pode acabar entupindo o sistema de resfriamento caso a escolha não se mostre perfeita. Além disso, ele alerta que já é difícil encontrar poros entupidos ao fazer uma análise minuciosa em um foguete estacionado na base terrestre, e que esse tipo de operação pode ser impossível na superfície de Marte.

Apesar disso, Engelund se mostra otimista quanto ao resultado que será apresentado pela SpaceX, afirmando que eles possuem um corpo de engenheiros muito qualificado e que já surpreendeu a equipe da NASA em outras oportunidades.

Também vale lembrar que a SpaceX tem um histórico de não seguir o plano à risca e fazer diversas mudanças de design conforme novas descobertas são feitas durante os testes, então nada garante que essa ideia de resfriamento pensada por Musk vai mesmo ser implantada à risca ou que não será abandonada caso os testes comprovem que os problemas apontados pelos engenheiros de fora da empresa não poderão ser resolvidos com as tecnologias existentes atualmente.

Nova técnica usa Hubble para confirmar existência de lua Hippocamp em Netuno

As sondas Voyager 1 e 2 nos mostraram que os planetas gasosos tinham uma grande coleção de luas a seu redor. As luas maiores foram estudadas logo e, com a chegada de dados a seu respeito, foi possível criar imagens artísticas vislumbrando seus visuais

Algumas das luas de Netuno e seus diâmetros (Imagem: NASA, ESA, A. Feild)
Nova técnica usa Hubble para confirmar existência de lua Hippocamp em Netuno

O planeta gasoso foi visitado pela Voyager 2 em 1989, quando descobrimos seis luas a seu redor. Em 2013 uma equipe do Instituto SETI anunciou a existência do objeto S / 2004 N1 ao redor de Netuno após analisar imagens do telescópio espacial Hubble registradas pela NASA em 2004. Na época, a equipe determinou que o objeto ficava a cerca de apenas 105 mil quilômetros de Netuno, completando uma órbita a cada 23 horas. Então, o objeto foi classificado como a menor lua das 14 conhecidas ao redor do planeta, estimando que seu diâmetro não seria maior do que 19 km.

Agora, uma nova equipe com pesquisadores do SETI, da NASA e de Berkeley divulgou um estudo atualizando a avaliação da pequena lua com observações do Hubble feitas em 2016, dando a ela o nome de Hippocamp — que remete a uma criatura com cabeça e cauda de peixe na mitologia grega. O apelido, aprovado pela União Astronômica Internacional, está de acordo com as convenções de nomenclatrura do sistema de Netuno, cujos nomes estão associados à mitologia greco-romana e ao mar.

A nova análise de Hippocamp foi publicada na revista Nature explicando que, para as novas observações, a equipe empregou uma técnica diferente em oito exposições sequenciais de 5 minutos, reorganizando os pixels para que eles pudessem “empilhar” imagens da pequena Lua umas sobre as outras, compensando seu movimento orbital no processo. Basicamente, os pesquisadores transformaram as oito exposições individuais em uma única de 40 minutos de duração. A técnica também permitiu a visualização da lua Naiad, que não era vista desde sua descoberta pela Voyager 2.

Nova técnica usa Hubble para confirmar existência de lua Hippocamp em Netuno
Algumas das pequenas luas de Netuno, com várias delas ainda não tendo imagens reais bem definidas (Imagem: Mark R. Showalter, SETI Institute)

Com o novo estudo, descobriu-se que Hippocamp é um mundo ligeiramente maior do que o imaginado anteriormente, tendo provavelmente um diâmetro de cerca de 34 quilômetros — mais ou menos o mesmo tamanho de Ultima Thule, objeto do Cinturão de Kuiper que vem sendo estudado pela New Horizons. Ainda, pelo fato de Hippocamp estar muito próxima de Netuno, os pesquisadores acreditam que a lua é mais jovem, se formando muito depois da lua Proteus (a maior das luas internas de Netuno), que fica a 420 km do planeta e se formou há cerca de 4 bilhões de anos — época em que esta lua deveria estar muito mais próxima de Netuno do que está hoje em dia.

A equipe também suspeita que Hippocamp já tenha sido parte de Proteus, sua “vizinha” mais próxima entre as luas de Netuno. É possível que um impacto de cometa em Proteus há muito tempo tenha desmembrado partes da lua, resultando, então, na formação de Hippocamp. E Proteus realmente tem uma enorme cratera de impacto — a Pharos —, com os cálculos prevendo que essa explosão projetou para o espaço detritos com 50 vezes o volume de Hippocamp. Esses detritos, quando reunidos em órbita pela força gravitacional de Netuno, podem então ter resultado na formação da pequena lua.

https://canaltech.com.br/espaco/nova-tecnica-usa-hubble-para-confirmar-existencia-de-lua-hippocamp-em-netuno-133285/

Nasa se prepara para descobrir a origem do universo em nova missão.

A Nasa anunciou o seu mais novo objetivo: encontrar respostas certeiras sobre como o universo surgiu e quais são os ingredientes para a vida dos sistemas planetários dentro da nossa galáxia.

A agência espacial norte-americana deseja lançar uma nova missão espacial em 2023 e os investimentos destinados para isso chegam a US$ 242 milhões — sem incluir os custos de lançamento.

Telescópio espacial SPHEREx será o responsável pela missão
Nasa se prepara para descobrir a origem do universo em nova missão.

Na missão, denominada SPHEREx, a Nasa usará um observatório espacial para coletar dados na Via Láctea. A jornada será feita em meio a 300 milhões de galáxias quando estiver em órbita. Além de tudo isso, ele terá que se deparar com 100 milhões de estrelas.

Durante o “passeio”, o SPHEREx vai procurar água e moléculas orgânicas, essenciais para a vida como conhecemos. Localizar as regiões onde as estrelas nascem também será parte da missão. Segundo a Nasa, os discos ao redor das estrelas podem ser o local em que novos planetas podem se formar.

“Esta incrível missão será um tesouro de dados únicos para os astrônomos. Ela fornecerá um mapa galáctico sem precedentes contendo ‘impressões digitais’ desde os primeiros momentos da história do universo. E teremos novas pistas para um dos maiores mistérios da ciência: O que fez o universo expandir tão rapidamente menos do que um nanossegundo depois do big bang?”, afirmou Thomas Zurbuchen, administrador associado do Diretório de Missões Científicas da Nasa.

No final de tudo, a missão vai ser capaz de criar um mapa de todo o céu. Os astrônomos poderão então explorar opções para novos estudos.

Quer morar em Marte? Não vai rolar tão cedo, diz brasileiro da Nasa

Ainda existem problemas técnicos gigantescos, como produzir oxigênio. É uma viagem que demora entre oito e nove meses. Não sei dizer quanto tempo falta, mas imagino umas duas ou três décadas. Depende muito do investimento.

Ivair Gontijo foi um dos líderes do projeto que culminou na ida do robô Curiosity para Marte
Ainda existem problemas técnicos gigantescos, como produzir oxigênio. É uma viagem que demora entre oito e nove meses. Não sei dizer quanto tempo falta, mas imagino umas duas ou três décadas. Depende muito do investimento.

Se a humanidade já conseguiu de alguma forma desvendar alguns aspectos de Marte, o brasileiro Ivair Gontijo é um dos responsáveis. O cientista da Nasa, formado pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), foi um dos líderes do projeto que culminou com a ida do veículo Curiosity para o planeta vermelho no início da década. Hoje ele mora na Califórnia (EUA) e trabalha no projeto que levará a próxima sonda para o planeta vizinho, então aproveitamos uma rápida passagem dele pelo país para perguntar ao físico: quanto tempo falta para podermos morar em Marte?

E as notícias não são animadoras. Ele jogou um balde de água fria em quem já planejava juntar um dinheirinho para comprar uma passagem no foguete de Elon Musk:

Além de achar um jeito de produzir oxigênio para a longa viagem, o brasileiro cita como empecilhos técnicos a dificuldade de armazenar comida para os astronautas fazerem o longo percurso até chegar a Marte e o espaço pequeno destinado a humanos dentro dos foguetes já usados para ir ao planeta vermelho.  Gontijo sequer arrisca uma data para pisarmos em solo marciano, até por não estar diretamente ligado ao projeto que visa levar humanos ao planeta. O que ele sabe, por trabalhar no grupo que vai lançar um novo robô para o planeta “vizinho”, é que estamos muito mais preparados para descobrir vida por lá

Estamos muito mais preparados para procurar por vida. Temos equipamentos melhores, técnicas mais sofisticadas e entendemos mais de sequenciamento de DNA. O equipamento de hoje é completamente diferente do de vinte, trinta ou cinquenta anos atrás.

A pesquisa vai coletar amostras e procurar por material orgânico em Marte, algo vital para descobrirmos se há ou houve vida ali em algum momento. Confira a entrevista completa com o cientista, que esteve no Brasil para a Campus Party 2019:
O que você está fazendo atualmente na Nasa? Em qual projeto está trabalhando?

Ivair Gontijo: Estou trabalhando no projeto Mars 2020, a próxima missão que vai para Marte entre julho e agosto do ano que vem. É parecida com a Curiosity –um veículo parecido, mas com um conjunto diferente de instrumentos e um sistema coletor de amostras. A ideia é mandarmos a melhor tecnologia e os melhores instrumentos para procurar material orgânico em Marte. Quando acharmos rochas com material orgânico dentro, vamos coletar amostras e colocar em tubos metálicos, que serão deixados na superfície de Marte para em uma missão futura robotizada trazer para a Terra.

Ivair Gontijo foi um dos líderes do projeto que culminou na ida do robô Curiosity para Marte … – Veja mais em https://noticias.uol.com.br/ciencia/ultimas-noticias/redacao/2019/02/14/existem-problemas-gigantescos-para-irmos-a-marte-diz-brasileiro-da-nasa.htm?cmpid=copiaecola

Por que precisa trazer para a Terra? Não pode ser analisado por lá?

Gontijo: Aqui temos o sequenciamento de DNA e técnicas de biologia e física que enchem um edifício inteiro. Não dá para fazer uma versão miniatura disso e mandar para Marte, por isso temos que trazer as amostras para estudar aqui. Sou o engenheiro responsável pelas interfaces entre o veículo e os instrumentos, como o laser para vaporizar rocha em Marte e fazer medidas de elementos químicos. São esses instrumentos que nos permitem fazer medidas remotas e saber quais materiais interessantes trazer para cá. Toda forma de vida na Terra que a gente conhece é feita de carbono, então buscamos material orgânico que indique se Marte já teve ou tem vida. Se a gente continuar insistindo, uma hora vamos responder essa pergunta.

Quando falta para irmos para Marte?

Gontijo: Ainda existem problemas técnicos gigantescos, como produzir oxigênio e comida para uma viagem que demora entre oito e nove meses. O Curiosity foi para Marte em um foguete onde só cabia uma coisa de quatro metros e meio, é espaço é muito pequeno para humanos. Coube apenas um veículo de 900 kg dentro. Mas os problemas técnicos, se continuarmos insistindo, vamos resolver. Só não sei dizer quanto tempo falta, mas imagino umas duas ou três décadas. Depende muito do investimento.

Quer morar em Marte? Não vai rolar tão cedo, diz brasileiro da Nasa.

Por que é tão importante chegarmos lá? O que a humanidade pode ganhar com isso?

Gontijo: O que a gente sabe é que o ser humano é um bicho curioso. Buscamos o conhecimento científico, interessa saber porque Marte se modificou tanto. Em um passado distante era um planeta muito parecido com a Terra e hoje é super frio e árido. O que aconteceu? A gente não sabe. Não sabemos o resultado que uma tecnologia vai produzir. Há pouco mais de 100 anos tinha um brasileiro que era rico, morava em Paris e gastou dinheiro fazendo uma máquina pesada que se mantinha no ar. Para que serve isso? Não acho que Santos Dumont poderia ter investido melhor, é o maior investimento da humanidade.
As coisas evoluem dessa forma. As aplicações vêm depois, desenvolvemos primeiro ideias e conceitos científicos.

Qual vai ser nosso primeiro passo em Marte? O que poderemos fazer que os robôs ainda não fizeram?

Gontijo: Com seres humanos, podemos fazer mais. Podemos ter mais informações sobre o planeta, informações quase subjetivas que o robô não teria como captar para nós. E também podemos começar a desenvolver todo um processo de colonização, podemos começar a plantar e fazer coisas que o robô não faz.

Quais as próximas fronteiras? O que vem de novo por aí que nos permitirá mais conhecimento?

Gontijo: Muita coisa. Tem exploração robótica do Sistema Solar, tem Marte, tem a lua de Júpiter. Europa é uma lua coberta de gelo cheio de fratura. Se tem fratura, é porque tem movimento. A gente tem indícios de que esse gelo tem 30 km de espessura e abaixo tem um oceano global, existe mais água em Europa do que na Terra, então o lugar é interessante para procurar vida. São várias missões acontecendo e vários outros corpos no Sistema Solar sendo estudados. E tem a astronomia em geral, estudo das estrelas, estudo das galáxias… Têm muitas perguntas a serem respondidas, por exemplo os pulsos de raio gama no Espaço que não se sabe de onde vêm. Tudo isso é estudado, a estrutura do universo inteiro, como as estrelas evoluem…


Estamos mais preparados para encontrar alguma forma de vida fora da Terra?

Gontijo: Com certeza, melhorou demais. Estamos muito mais preparados para procurar por vida, temos equipamentos melhores e técnicas mais sofisticadas. Entendemos mais de sequenciamento de DNA. Os equipamentos de hoje são completamente diferentes do que havia vinte, trinta ou cinquenta anos atrás.

Buscamos uma forma de vida que já existe na Terra ou algo diferente?

Gontijo: A gente faz medidas de estrelas em galáxias inteiras e planetas, por exemplo de Marte, e encontramos os mesmos elementos químicos da Terra. É magnésio, silício, carbono… os elementos da tabela periódica.
O carbono é quase mágico. Nós temos uma química inteira só do carbono, a orgânica, e a química inorgânica que trata dos outros. O carbono junta com oxigênio, hidrogênio e forma moléculas enormes que são o DNA e dá para decodificar a vida. Se esses elementos são abundantes, é muito mais fácil pensar que são por elementos parecidos. Não precisa ser humanoide com dois braços e pernas, mas uma vida baseada em molécula de DNA. Pode ser que não seja DNA também, mas é uma boa apostar no carbono. O silício também forma moléculas grandes, mas o carbono tem suas vantagens. Agora, se existe outra forma de vida completamente diferente, é baseada no quê? Se não for matéria, se não for químico, não teria nem como se comunicar. Não é científico. Eu acho que apostar em vida formada de carbono é a melhor aposta.

Como evitar que hackers ‘invadam’ seu cérebro no futuro

Parece um cenário digno de episódio da série distópica ‘Black Mirror’ – mas não é tão impossível quanto parece. Imagine ser capaz de navegar por suas memórias como se fosse em uma linha do tempo do Facebook, revivendo em nítidos detalhes seus momentos favoritos da vida e guardando os mais queridos. Agora imagine uma versão distópica do mesmo futuro, no qual hackers roubam essas memórias e ameaçam apagá-las se você não pagar um resgate.

Como evitar que hackers ‘invadam’ seu cérebro no futuro
Pode soar longe da realidade, mas o cenário não é tão impossível quanto parece. ABRINDO A CABEÇA Avanços no campo da neurotecnologia nos deixaram mais próximos da possibilidade de melhorar e turbinar nossas memórias, e em algumas décadas poderemos também ser capazes de manipulá-las e reescrevê-las. A tecnologia que provavelmente nos permitirá esses feitos é a dos implantes cerebrais, que estão rapidamente se tornando ferramentas comuns para os neurocirurgiões. Os implantes produzem a chamada estimulação profunda no cérebro, a DBS (da sigla em inglês, deep brain stimulation), para tratar gama ampla de condições, dos tremores da doença de Parkinson ao TOC (Transtorno Obsessivo Compulsivo).

Cerca de 150 mil pessoas no mundo já passaram por tratamentos experimentais com os implantes.

A tecnologia está sendo cada vez mais pesquisada nos tratamentos para depressão, demência, síndrome de Tourette e outras doenças psicológicas.

Pesquisadores estão agora começando a explorar os implantes no tratamento de distúrbios que afetam a memória, como os causados por eventos traumáticos.

A Agência de Projetos de Pesquisa em Defesa Avançada dos EUA (Darpa, em inglês) tem um programa para desenvolver e testar uma “interface neural sem fio totalmente implantável” para ajudar a restaurar a perda de memória em soldados afetados por danos traumáticos ao cérebro.

Superpoderes mentais

“Eu não me surpreenderia se um implante de memória estivesse disponível no mercado dentro dos próximos dez anos – essa é a escala de tempo de que estamos falando”, diz Laurie Pycroft, uma pesquisadora do departamento de ciências cirúrgicas na Universidade de Oxford, no Reino Unido.

Em 20 anos, a tecnologia pode ter evoluído o suficiente para nos permitir “capturar” os sinais que constroem nossas memórias, turbiná-los, e redirecioná-los de volta ao cérebro.

No meio do século, é possível que tenhamos ainda mais controle, com a habilidade de manipular memórias.

‘Sequestro de memória’

Mas o controle também pode ter consequências ruins. Se essa habilidade cair nas mãos erradas, as consequências podem ser “gravíssimas”, diz Pycroft.

Se um hacker invadir um neuroestimulador de um paciente com doença de Parkinson, por exemplo, e alterar as configurações, ele poderia influenciar os pensamentos e comportamento do paciente, ou mesmo causar paralisia temporária.

Um hacker também poderia ameaçar apagar ou reescrever memórias.

Se os cientistas conseguirem decodificar os sinais neurais das nossas memórias, então os cenários podem ser infinitos: pense na quantidade de informação valiosa que hackers mal intencionados poderiam coletar invadindo os servidores do hospital de veteranos em Washington, por exemplo.

Avanços no campo da neurotecnologia são positivos, mas escondem alguns riscos
Como evitar que hackers ‘invadam’ seu cérebro no futuro

Em um experimento em 2012, pesquisadores da Universidade de Oxford e da Universidade de Berkeley, na Califórnia, conseguiram desvendar informações pessoais como senhas de cartão de crédito apenas observando as ondas cerebrais de pessoas usando um headset (conjunto com microfone, óculos de visão 3D e fone de ouvido) para jogos virtuais.

Controle do passado

“A possibilidade de ‘sequestro de cérebros’ e de alterações maliciosas de memória gera uma variedade enorme de desafios para a segurança – algumas bem novas e únicas”, diz Dmitry Galov, pesquisador de segurança virtual da empresa Kaspersky Lab.

A Kaspersky e a Universidade de Oxford colaboraram em um projeto para mapear potenciais ameaças e formas de ataque envolvendo essas novas tecnologias.

“Até no estágio atual de desenvolvimento – que é mais avançado do que as pessoas se dão conta – há uma evidente tensão entre a saúde e a segurança do paciente”, diz o relatório O Mercado da Memória: Preparando-se para um Futuro onde as Ameaças Virtuais Miram seu Passado, publicado pelo grupo.

Não é impossível imaginar governos autoritários do futuro tentando reescrever a história interferindo com a memória das pessoas, e até criando novas memórias, diz o artigo.

“Dá até para imaginar essa tecnologia sendo usada para mudar o comportamento das pessoas. Você pode fazer uma pessoa mudar imediatamente o comportamento estimulando a parte do cérebro que gera emoções indesejáveis”, diz Galov à BBC.

E vice-versa: também é possível seria possível encorajar determinado comportamento estimulando a parte do cérebro que gera prazer e alegria.

Acesso não autorizado

Hackear dispositivos médicos conectados a pessoas é, na verdade, uma ameaça que já existe. Em 2017, autoridades americanas fizeram um recall de 465 mil marca-passos depois de avaliar que eles estavam vulneráveis à ataques cibernéticos.

A FDA, agência americana de controle de remédios e alimentos, disse que pessoas mal intencionadas podem interferir com os mecanismos, mudando o ritmo cardíaco de alguém ou acabando com a bateria, o que poderia provocar morte.

Com o recall, ninguém foi ferido, mas a agência afirmou que com aparelhos médicos cada vez mais conectados, redes de hospitais, cirurgias remotas, etc, há um aumento do risco de pessoas mal intencionadas explorarem as vulnerabilidades de segurança virtual. “Algumas (dessas vulnerabilidades) podem afetar como os aparelhos médicos operam.”

É um problema para muitas áreas médicas, e a Kaspersky acredita que, no futuro, mais aparelhos serão conectados e monitorados remotamente. Médicos só serão chamados para assumir situações de emergência.

Defesas virtuais

Felizmente, reforçar a segurança virtual no início do planejamento e desenvolvimento de aparelhos pode mitigar a maior parte dos riscos.

Mas a medida mais importante, segundo Galov, é educar médicos e pacientes sobre precauções a serem tomadas, como criar senhas fortes.

O fator humano, diz ele, é uma das maiores vulnerabilidades, porque não podemos esperar que os médicos se tornem especialistas em segurança virtual e “qualquer sistema é tão seguro quanto sua parte mais fraca”.

Pycroft diz que, no futuro, implantes cerebrais serão mais complexos e mais amplamente usados para tratar um amplo conjunto de doenças. “A confluência desses fatores provavelmente deve tornar mais fácil e atraente realizar um ataque usando implantes de pacientes”, diz ele.

“Se não criarmos soluções para a primeira geração de implantes, a segunda e terceira gerações serão bastante inseguras.”

Curiosity tira foto de despedida daquele que foi seu local de trabalho em Marte no último ano

OO terreno sinuoso da Cordilheira Vera Rubin, em Marte, abriga a Curiosity da NASA há mais de um ano, mas é hora de o rover seguir em frente. Como um gesto final antes de caminhar em direção a uma região próxima rica em argila, a sonda capturou um impressionante panorama de 360 ​​graus de seu local de trabalho final do alto de um dos montes.

Juntamente com a sonda InSight da NASA, a Curiosity é agora uma das duas únicas sondas funcionais na superfície marciana. O Opportunity está incomunicável desde que uma enorme tempestade de poeira envolveu o planeta no verão passado e o deixou fora de serviço, possivelmente para sempre. A Curiosity, que vem explorando a superfície marciana desde 2012, continua a rodar, apesar das rodas muito desgastadas, uma broca que exigiu alguns testes sérios no ano passado para voltar a funcionar e uma falha de memória que limitou suas capacidades.

Curiosity tira foto de despedida daquele que foi seu local de trabalho em Marte no último ano
Contato foi perdido desde 10 de junho de 2018, quando uma tempestade de poeira envolveu o planeta vermelho.
A Curiosity está na Cratera de Gale, onde está explorando minerais ricos em ferro na Cordilheira Vera Rubin há mais de um ano. Dados recolhidos pela sonda sugerem que rochas dentro desta cadeia foram formadas por sedimentos que se acumularam no fundo de um lago marciano agora seco. No entanto, o motivo pelo qual essas rochas não estão se desgastando na mesma proporção que o leito rochoso ao redor delas continua sendo um mistério. • A Opportunity provavelmente morreu em Marte, e estes cientistas quiseram dar seu adeus à sonda • Cientistas descobrem origem de montanha em Marte usando uma técnica engenhosa no rover Curiosity Tendo explorado a área em detalhes, os cientistas da NASA já direcionaram a sonda para uma nova região — uma “unidade argilosa” apelidada de Glen Torridon, de acordo com um comunicado da NASA. O rover vai gastar cerca de um ano explorando esta região, em sua busca contínua por sinais de habitabilidade anterior. Em 19 de dezembro de 2018, a Curiosity usou sua câmera para capturar uma imagem panorâmica de 360 ​​graus de sua área de trabalho final na cordilheira, especificamente um local de perfuração conhecido como Rock Hall. A imagem composta consiste em 112 fotografias, mostrando a área de trabalho futura, o piso da Cratera de Gale e o majestoso Monte Sharp no fundo. As cores da imagem foram ajustadas para mostrar como as rochas e a areia ficariam sob a luz do dia na Terra.

A nova área de trabalho da Coriosity, descrita como um vale entre Cordilheira Vera Rubin e a área montanhosa ao redor da cratera, parece promissora em termos de seu potencial científico. Pesquisas anteriores realizadas pela sonda Mars, da NASA, sugerem que as rochas dessa região estão cheias de filossilicatos — minerais de argila que se formam na água. Os dados coletados em Glen Torridon poderiam nos dizer mais sobre os antigos lagos que outrora encheram a Cratera de Gale durante a história inicial do Planeta Vermelho.

Crédito: NASA/JPL-Caltech/MSSS

“Além de indicar um ambiente previamente úmido, os minerais de argila são conhecidos por aprisionar e preservar moléculas orgânicas”, disse o cientista do projeto Curiosity, Ashwin Vasavada, em um comunicado. “Isso torna essa área especialmente promissora, e a equipe já está inspecionando a área para o próximo local de perfuração.”

Selfie tirada em 15 de janeiro de 2019. Crédito: NASA/JPL-Caltech
Curiosity tira foto de despedida daquele que foi seu local de trabalho em Marte no último ano

De fato, a Curiosity já descobriu vestígios de minerais de argila e moléculas orgânicas em Marte. Sozinhos, orgânicos não são sugestivos de vida, mas são os ingredientes crus necessários para ela. A presença prévia de água líquida e moléculas orgânicas na superfície sugere que o planeta já foi capaz de promover a vida, mas são necessários mais dados para provar isso. Ao explorar os depósitos ricos em argila em Glen Torridon, Curiosity pode revelar evidências dos ambientes anteriores em que essa hipótese da vida marciana poderia ter emergido.

Se os cientistas puderem provar que Marte já foi habitável (ao contrário de realmente propiciar o surgimento de seres vivos — são duas coisas diferentes), significa que nosso Sistema Solar já abrigou pelo menos dois planetas capazes de receber a vida. Se isso for verdade, tem ramificações sérias para nossa compreensão do potencial do Universo de ter vida em geral. Continue trabalhando, Curiosity. Nós queremos saber mais sobre isso.


Por que as pessoas acreditam em teorias da conspiração

O homem realmente pisou na Lua? George W. Bush orquestrou um plano para derrubar as Torres Gêmeas? As teorias da conspiração são mais difundidas do que você imagina.

A fotografia mostra Buzz Aldrin na Lua; a foto foi tirada por Neil Armstrong, cujo reflexo aparece no capacete — Foto: Divulgação
O homem realmente pisou na Lua? George W. Bush orquestrou um plano para derrubar as Torres Gêmeas? As teorias da conspiração são mais difundidas do que você imagina.

Hillary Clinton comandava uma rede global de tráfico de crianças de uma pizzaria em Washington? Não.

George W. Bush orquestrou um plano para derrubar as Torres Gêmeas e matar milhares de pessoas em 2001? Tampouco.

Mas por que algumas pessoas acreditam que sim? E o que as teorias da conspiração dizem sobre a maneira como vemos o mundo?

As teorias da conspiração estão longe de ser um fenômeno novo. Elas são uma presença constante nos bastidores há pelo menos 100 anos, diz o professor Joe Uscinski, autor do livro American Conspiracy Theories (“Teorias da Conspiração Americanas”, em tradução livre).

Elas também são mais difundidas do que você imagina.

“Todo mundo acredita em pelo menos uma e provavelmente em algumas”, diz ele. “E a razão é simples: há um número infinito de teorias da conspiração por aí. Se fôssemos fazer um questionário sobre todas elas, todo mundo vai assinalar algumas opções.”

O homem realmente pisou na Lua? George W. Bush orquestrou um plano para derrubar as Torres Gêmeas? As teorias da conspiração são mais difundidas do que você imagina.
Por que as pessoas acreditam em teorias da conspiração

Esse cenário não se restringe aos EUA. Em 2015, uma pesquisa da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, mostrou que a maioria dos britânicos marcava uma das opções quando apresentada a uma lista de cinco teorias – que variavam da existência de um grupo secreto que controlava eventos mundiais ao contato com extraterrestres.

Isso sugere que, ao contrário da crença popular, o típico teórico da conspiração não é um homem de meia-idade que vive no porão da casa da mãe usando um chapéu de papel alumínio (que protegeria contra o controle mental realizado por satélites do governo e extraterrestres).

“Quando você realmente olha para os dados demográficos, a crença em conspirações transpõe classes sociais, gênero e idade”, afirma o professor Chris French, psicólogo da Universidade Goldsmiths, em Londres.

Da mesma forma, seja você de esquerda ou direita, provavelmente vai acreditar em tramas contra você.

“Os dois lados são iguais em termos de pensamento conspiratório”, diz Uscinski.

“As pessoas que acreditam que Bush explodiu as Torres Gêmeas eram em sua maioria democratas. Já as pessoas que achavam que Obama tinha falsificado sua própria certidão de nascimento eram em sua maioria republicanas – mas eram números pares dentro de cada partido.”

Teorias da conspiração

Por que as pessoas acreditam em teorias da conspiração
O homem realmente pisou na Lua? George W. Bush orquestrou um plano para derrubar as Torres Gêmeas? As teorias da conspiração são mais difundidas do que você imagina.
  • A teoria de que o homem não pisou na Lua levou a explicações detalhadas refutando as alegações.
  • A tese de que o criminoso de guerra nazista Rudolf Hess foi substituído por um sósia na cadeia foram desmentidas pelo DNA fornecido por um parente distante dele.
  • Rumores sustentam a teoria de que os músicos Paul McCartney, Beyoncé e Avril Lavigne foram trocados por clones.
  • Algumas versões do mito dos Illuminati sugerem que celebridades e políticos são membros do grupo que controlaria o mundo.

Para entender por que somos tão atraídos pela noção de forças obscuras que controlam eventos políticos, precisamos focar na psicologia por trás das teorias da conspiração.

“Somos muito bons em reconhecer padrões e regularidades. Mas às vezes exageramos nisso – achamos que vemos sentido e significado quando realmente não há”, diz French.

“Nós também supomos que quando algo acontece, acontece porque alguém ou algo fez aquilo acontecer por um motivo.”

Basicamente, vemos algumas coincidências em torno de grandes eventos e, em seguida, inventamos uma história sobre eles.

Essa história se torna uma teoria da conspiração porque contém “mocinhos” e “vilões” – sendo estes últimos responsáveis por todas as coisas de que não gostamos.

Culpando políticos

Por que as pessoas acreditam em teorias da conspiração
Barack Obama apresentou sua certidão de nascimento em 2011 em resposta aos rumores de que ele havia nascido fora dos EUA — Foto: Reuters

Em muitos aspectos, é como a política cotidiana.

Costumamos culpar os políticos por acontecimentos negativos, mesmo quando esses eventos estão além do controle deles, diz o professor Larry Bartels, cientista político da Universidade Vanderbilt, nos EUA.

“As pessoas vão recompensar ou punir cegamente o governo por bons ou maus momentos sem realmente ter uma compreensão clara de se ou como as políticas do governo contribuíram para esses resultados”, acrescenta.

Isso é verdade mesmo quando eventos que parecem pouco relacionados ao governo dão errado.

“Um exemplo que analisamos em detalhes foi uma série de ataques de tubarão na costa de Nova Jersey em 1916”, afirma Bartels.

“Esta foi a base, bem mais tarde, para o filme Tubarão. Descobrimos que houve uma queda muito significativa no apoio ao presidente [Woodrow] Wilson nas áreas que foram mais afetadas pelos ataques de tubarão.”

O papel de “nós” e “eles” nas teorias da conspiração também pode ser encontrado em grupos políticos mais tradicionais.

No Reino Unido, o referendo sobre a saída da União Europeia deu origem a dois grupos praticamente do mesmo tamanho: um a favor e outro contra a permanência no bloco.

“As pessoas sentem que pertencem ao grupo, mas isso também significa que as pessoas sentem um certo antagonismo em relação a quem faz parte do outro grupo”, diz a professora Sara Hobolt, da Universidade London School of Economics (LSE), em Londres.

Os grupos contra e a favor do Brexit às vezes interpretam o mundo de maneira diferente. Por exemplo, confrontados com fatos econômicos idênticos, os que eram a favor da permanência no bloco são mais propensos a dizer que a economia está tendo um desempenho ruim, enquanto aqueles que defendiam a saída afirmam que ela está tendo um desempenho favorável.

Por que as pessoas acreditam em teorias da conspiração
Por que as pessoas acreditam em teorias da conspiração

As teorias da conspiração são apenas mais uma parte disso.

“No período que antecedeu o referendo, aqueles que defendiam a saída acreditavam estar no lado que sairia derrotado e eram mais propensos a pensar que o referendo poderia ser fraudado”, sinaliza Hobolt.

“E isso realmente mudou depois que saiu o resultado do referendo, porque naquele momento quem estava no lado perdedor era o grupo a favor da permanência.”

Sem solução

Pode não ser muito animador saber que as teorias da conspiração estão tão inseridas no pensamento político. Mas não deveria ser surpreendente.

“Muitas vezes, o caso é que estamos construindo nossas crenças de maneira que sustentem o que queremos que seja verdade”, diz Bartels.

E ter mais informações ajuda pouco.

“As pessoas mais sujeitas a essas distorções são as que estão prestando mais atenção”, diz ele.

Para muita gente, há poucas razões para acertar os fatos políticos, já que seu voto individual não afetará a política do governo.

“Não há nenhum custo por estar errado sobre suas convicções políticas”, completa Bartels.

“Se me faz sentir bem pensar que Woodrow Wilson deveria ter sido capaz de prevenir os ataques de tubarão, então o retorno psicológico de manter essas opiniões provavelmente será muito maior do que qualquer penalidade que eu possa sofrer se as opiniões estiverem erradas.”

No fim das contas, queremos nos sentir confortáveis, e não certos.

É por isso que as teorias conspiratórias vêm e vão, mas também por que a conspiração sempre será parte das histórias que contamos sobre eventos políticos.

*Esta análise foi encomendada pela BBC a um especialista que trabalha para uma organização externa. James Tilley é professor de política e membro do Jesus College da Universidade de Oxford, no Reino Unido. Seu programa Conspiracy Politics (“Conspiração Política”, em tradução livre) foi transmitido pela BBC Radio 4 no dia 11 de fevereiro e pode ser ouvido aqui (em inglês).

https://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2019/02/12/por-que-as-pessoas-acreditam-em-teorias-da-conspiracao.ghtml

É oficial: NASA diz que o rover Opportunity morreu em Marte

A NASA declarou em uma coletiva de imprensa nesta quarta-feira (13) que o rover Opportunity parou de funcionar, marcando uma era de exploração de Marte e celebrando o sucesso da missão MER (Mars Exploration Rover).

O Opportunity desembarcou em 2004 em Marte e viajou 45 km no planeta vermelho
Contato foi perdido desde 10 de junho de 2018, quando uma tempestade de poeira envolveu o planeta vermelho. Contato foi perdido desde 10 de junho de 2018, quando uma tempestade de poeira envolveu o planeta vermelho.

A última tentativa da equipe da missão MER de contato com o Opportunity foi feita na noite de terça-feira (12).

A última tentativa da equipe da missão MER de contato com o Opportunity foi feita na noite de terça-feira (12).  Cientistas, comunicadores do ramo da ciência e fãs de astronomia têm postado no Twitter algumas das suas memórias favoritas do rover que passou quase 15 anos explorando Marte. O último sinal enviado pelo rover à NASA foi em 10 de junho de 2018 após uma tempestade de areia tomar conta do planeta, bloqueando os painéis solares do veículo.
Uma das últimas imagens enviadas pelo Opportunity tirada em 10 de junho de 2018

Cientistas, comunicadores do ramo da ciência e fãs de astronomia têm postado no Twitter algumas das suas memórias favoritas do rover que passou quase 15 anos explorando Marte. O último sinal enviado pelo rover à NASA foi em 10 de junho de 2018 após uma tempestade de areia tomar conta do planeta, bloqueando os painéis solares do veículo.

O Opportunity desembarcou em 2004 em Marte e viajou 45 km no planeta vermelho.

Pesquisadores da NASA resistiram por um tempo, fizeram centenas de tentativas de contato e tentaram ouvir ondas de rádio nas esperança de ter algum sinal do rover novamente. No entanto, não houve resposta.

O rover, junto com seu parceiro, Spirit, posou em Marte em 2004 como parte da missão MER. Eles excederam a expectativa de vida de 90 dias, explorando rochas e a atmosfera do planeta vermelho. Juntos, eles encontraram evidências de que Marte já foi um local úmido e que poderia ter tido os ingredientes para fazer a vida prosperar em sua superfície. Durante o tempo deles por lá, tiraram um monte de fotos do planeta vermelho que ajudaram a moldar a imagem do público sobre Marte. O rover Spirit ficou em atividade até o fim de 2010.

Sombra do rover Opportunity. Crédito: ASA/JPL-Caltech
Contato foi perdido desde 10 de junho de 2018, quando uma tempestade de poeira envolveu o planeta vermelho.

Os rovers foram muito influentes na forma que eles permitiram aos cientistas realizarem medidas usando plataformas móveis. “Estes rovers realmente mudaram a forma de pensar em ciência feita em outro planeta”, disse Lori Glaze, diretora da divisão de ciência planetária da NASA, durante conferência de imprensa. “Agora quando pensamos em fazer ciência planetária, assumimos que queremos mobilidade.”

O Opportunity era um exemplo desta mobilidade ao viajar por 45 km na superfície marciana. A missão começou na cratera Eagle, e após estudar crateras na região, os cientistas decidiram levá-lo a uma viagem até a cratera Endeavour, que era muito maior. “Quando chegamos lá, a missão parece ter começado novamente”, disse Steve Squyres, principal pesquisador da missão MER da Universidade Cornell, durante a conferência.

Caminho percorrido pelo Opportunity. Crédito: Wikimedia user James919/Wikimedia Commons)
É oficial: NASA diz que o rover Opportunity morreu em Marte

Nós temos uma tendência de nos apegarmos à espaçonave que enviamos, não só porque ligamos para os equipamentos em si, mas porque elas representam grandes equipes de indivíduos que estão trabalhando duro para impulsionar o conhecimento em lugares nunca antes visitados. Estas missões e as pessoas que trabalham para mantê-las contam com um importante legado de descoberta, e cada um representa um marco na exploração espacial. Então, é um pouco triste ver projetos como este acabarem.

Contato foi perdido desde 10 de junho de 2018, quando uma tempestade de poeira envolveu o planeta vermelho.
Nasa anuncia fim das atividades do robô Opportunity em Marte

E, olha, essa missão foi bem influente. “Há milhares de estudantes que, como eu, foram testemunha desses rovers, e que seguiram os passos da missão nesses 15 anos, e, por causa disso, foram buscar ciência e educação”, afirmou Abigail Fraeman, cientista da missão MER do Laboratório de Propulsão à Jato, da NASA, também durante evento para imprensa.

Lógico que isso não é o fim da exploração de Marte. A ciência marciana avançou bastante durante esses anos. As missões ExoMars e Mars 2020 adicionarão mais dois rovers ao planeta vermelho. O InSight pousou há pouco tempo na superfície de Marte e já implantou com sucesso seus instrumentos para medir o interior do planeta. O rover Curiosity, da NASA, sobreviveu à tempestade, e ainda há um monte de dados dos rovers da missão MER para serem analisados. E, como alguns cientistas com quem falei me confidenciaram, não há forma mais nobre do que morrer em uma das maiores tempestades marcianas já registradas após viver 14 anos a mais do que estava previsto.

“Portanto, estou de pé aqui com um profundo sentimento de gratidão por declarar que a missão do Opportunity está completa”, disse Thomas Zurbuchen, administrador associado de ciência da Nasa, durante uma conferência pública.

Assim termina uma missão cuja longa duração foi completamente inesperada, pois o robô foi projetado inicialmente para resistir na superfície de Marte durante três meses, como lembrou o administrador da Nasa, Jim Bridenstine.

“O objetivo era poder se movimentar ao longo de vários quilômetros pela superfície de Marte e sobreviver por 90 dias. E ao invés disso, aqui estamos depois de mais de 14 anos”, ressaltou Bridenstine, que está no cargo desde abril de 2018, após ser nomeado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

“Foram duas décadas de trabalho impressionante”, avaliou Bridenstine, que também brincou com o fato de ter que fazer tal anúncio depois de assumir o cargo “há apenas um ano” e que, “como político, em breve encontrará um jeito de culpar alguém”.

O chefe do programa, John Callas disse que os engenheiros sabiam que um dia a missao chegaria ao fim. “Mas não imaginávamos que demoraria tanto”, afirmou. “Embora seja uma máquina, é difícil dizer adeus, é doloroso”.

O Opportunity desembarcou em 2004 em Marte e viajou 45 quilômetros no planeta vermelho, garantindo um lugar na história como uma missão mítica, que foi inicialmente prevista para 90 dias. O robô deu aos cientistas uma visão próxima de Marte que nunca antes observada: rochas dispostas em camadas que resistiram à erosão da água que supostamente fluiu em Marte há milhões de anos; um requisito prévio para as condições que permitem a possibilidade de vida.

Pelo fato de este aparelho e seu gêmeo Spirit, que se desligou em 2010, continuarem ativos por muito mais tempo do que o esperado, a Nasa teve uma presença robótica contínua em Marte durante mais de 15 anos.

Se você ainda não estiver preparado para dizer adeus, nós compilamos algumas mensagens de despedida de astrônomos que conheciam e amavam o Opportunity. Você também pode dar uma olhada aqui nas imagens da missão MER numa galeria aqui.

É oficial: NASA diz que o rover Opportunity morreu em Marte

NASA apresenta Marte em vídeo 360º

A missão Curiosity gravou imagens de uma área identificada como Rock Hall e do piso da Cale Crater.

A missão Curiosity gravou imagens de uma área identificada como Rock Hall e do piso da Cale Crater.


Depois de mais de um ano a explorar a mesma região de Marte, o rover Curiosity da NASA mudou recentemente de lugar. Novas imagens mostram a “passagem” entre um local e outro.
O veículo de exploração espacial Curiosity já desceu de Vera Rubin Ridge, o pico central da cratera marciana Gale, em Mount Sharp, por onde “passeou” por mais de ano, mas, antes de partir, registou algumas imagens.

Da montagem das fotos panorâmicas resultou uma animação vídeo que mostra a área onde o rover andou a “apalpar terreno” no último ano, conhecida como Rock Hall, mas também do local por onde vai andar a partir de agora por tempo idêntico: a zona argilosa de Cale Crater.

As imagens foram captadas a 19 de dezembro último, informa a NASA, embora o vídeo tenha sido divulgado há poucos dias.

agência espacial norte americana NASA divulgou este domingo imagens 360º do pico central da cratera marciana Gale – Vera Rubin Ridge. O vídeo foi captado pelo rover (veículo de exploração espacial) Curiosity.

NASA APRESENTA MARTE EM VÍDEO 360º

Embora as imagens só estejam a ser divulgadas agora, foram captadas a 19 de dezembro do ano passado. E trata-se de uma montagem de várias fotografias de uma área identificada como Rock Hall e do próximo destino da Curiosity, o piso da Cale Crater, uma zona argilosa. Equipamentos do rover detetaram a presença de hematite, um mineral rico em ferro que existe apenas em locais onde geralmente há água.

“Nós já tivemos a nossa quota-parte de surpresas. E estamos a ficar com uma perspetiva diferente da que tínhamos da cordilheira”, explicou o Abigail Fraeman, envolvido no projeto, citado pelo Daily Mail.

A missão Curiosity começou a 26 de novembro de 2011 na estação da Força Aérea Americana na Flórida. Na altura, estava planeada para durar apenas dois anos, mas já está ativa há mais de dois mil dias e continua no espaço graças ao sucesso das informações obtidas sobre o planeta Marte. Os seus principais objetivos são contribuir para estudos geológicos e geoquímicos, estudar a atmosfera, o clima e procurar indícios da presença de água.

Bati na porta da Nasa várias vezes’: conheça Ivair Gontijo, o brasileiro que trabalha nas missões espaciais americanas até Marte

Há 13 anos no laboratório JPL em Los Angeles, o físico estudou em escolas públicas e se formou pela Universidade Federal de Minas Gerais. Chegou a fazer curso técnico em agropecuária.

Ivan Gontijo, brasileiro que trabalha nas missões espaciais a Marte, na Campus Party 2019. — Foto: Carolina Dantas/G1
Bati na porta da Nasa várias vezes’: conheça Ivair Gontijo, o brasileiro que trabalha nas missões espaciais americanas até Marte

Ivair Gontijo, líder de uma das equipes que ajudaram na aterrissagem do robô Curiosity em Marte, é brasileiro — um “mineirim” de Moema, cidade com cerca de 7,4 mil habitantes. Em palestra de abertura na Campus Party na noite desta terça-feira (12), ele contou uma parte do longo caminho até o topo da carreira no Jet Propulsion Laboratoty (JPL), laboratório da agência espacial americana (Nasa).
“O processo de entrar na Nasa, com certeza, é complexo. É a mesma coisa em qualquer país. Por que eles vão dar emprego pra um estrangeiro, se tem mil americanos querendo o mesmo emprego?”, comparou o físico.

“Eu bati na porta da Nasa várias vezes. Não foi da primeira vez. Nem da segunda. Foram muitas vezes. E eu não aceito um ‘não’ facilmente. É isso, a gente tem que continuar insistindo”, disse o físico.”

Gontijo estudou em escolas públicas no interior de Minas Gerais até os 18 anos. Chegou a fazer um curso técnico em agropecuária e trabalhou na região da nascente do Rio São Francisco. Então, decidiu estudar física e se mudar para Belo Horizonte — ele fez faculdade na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

“Trabalhar em uma fazenda aguça primeiro a curiosidade da gente, vendo aquela noite tão escura, aquele céu espetacular – e [surge] a vontade de criar uma carreira científica. Então, eu trabalhei na fazenda por três anos economizando dinheiro para ir para Belo Horizonte estudar
.”

A missão do robô Curiosity (na foto) encontrou moléculas orgânicas, desvendou detalhes sobre as estações climáticas marcianas e detalhou as variações de temperatura do planeta. — Foto: Nasa/JPL
A missão do robô Curiosity (na foto) encontrou moléculas orgânicas, desvendou detalhes sobre as estações climáticas marcianas e detalhou as variações de temperatura do planeta. — Foto: Nasa/JPL

Antes de se mudar para Los Angeles, em 1998, Gontijo fez mestrado ainda no Brasil e doutorado em Glasgow, na Escócia.

Há dez anos, ele ajudou a construir os transmissores e receptores do radar usado na descida do robô Curiosity em Marte. A missão triunfou desde 2012: encontrou moléculas orgânicas, desvendou detalhes sobre as estações climáticas marcianas e detalhou as variações de temperatura do planeta — faz -90ºC nas noites de inverno e 0ºC nas noites de verão.

Para o físico brasileiro, a colonização fora da Terra envolve outras questões além do frio:

“É possível e é distante. Ainda temos desafios gigantescos. Até para produzir oxigênio durante uma viagem tripulada para Marte. Produzir comida. O espaço muito pequeno, confinado. A viagem demora 8 meses e meio, quase 9 meses. Tudo isso é muito complexo, muito difícil, mas são problemas de engenharia, e com certeza os humanos têm a capacidade para resolver”.

Mars 2020

Impressão artística do robô Mars 2020, que vai buscar vestígios de vida em Marte. — Foto: Nasa/Mars Exploration Program
Há 13 anos no laboratório JPL em Los Angeles, o físico estudou em escolas públicas e se formou pela Universidade Federal de Minas Gerais. Chegou a fazer curso técnico em agropecuária.

Agora, o desafio é participar na construção dos instrumentos da missão “Mars 2020”. A Nasa vai enviar uma pequena aeronave autônoma de asas rotativas para explorar a atmosfera de Marte. O chamado “Mars Helicopter” deve ser embarcado junto do robô Mars 2020.

“O novo veículo [da missão Mars 2020] tem três instrumentos que são uma colaboração internacional. Eu sou o engenheiro responsável por todas as interfaces, uma parte feita na França, uma parte no Novo México, e outra na Espanha”, explicou Gontijo. “Eu represento esses três grupos, quando estou conversando com os colegas que estão projetando e construindo o veículo.”

Anunciado em 2012, o projeto Mars 2020 foi desenvolvido com base nas descobertas do robô Curiosity. A missão é um passo para enviar humanos na década de 2030.

“Eu acho que o pior para a colonização é a ausência de atmosfera, em comparação com a Terra. A atmosfera lá é praticamente só CO2, 95%. E a pressão atmosférica é menos de 1% da pressão atmosférica na Terra”, disse Gontijo.