Category Archives: Atualidades

Nasa deve lançar nave que vai ‘tocar’ o Sol no dia 11

Nasa deve lançar nave que vai 'tocar' o Sol no dia 11

Nasa deve lançar nave que vai ‘tocar’ o Sol no dia 11

A Nasa, que há uma semana completou 60 anos de existência, está finalizando os preparativos para uma das missões espaciais mais audaciosas de sua história. Na madrugada do próximo sábado, um dos mais poderosos foguetes do mundo, o Delta IV Heavy, deverá iluminar os céus de Cabo Canaveral, na Flórida, levando em sua cápsula a nave Parker Solar Probe (PSP), que será o primeiro artefato humano a “tocar” o Sol.

Nasa deve lançar nave que vai 'tocar' o Sol no dia 11

Nasa deve lançar nave que vai ‘tocar’ o Sol no dia 11

No fim dessa aventura inédita, programada para durar sete anos, a PSP chegará a 6,3 milhões de quilômetros de distância da superfície do Sol, um sobrevoo muito próximo, considerando os mais de 150 milhões de quilômetros de distância que separam a Terra de sua estrela. Suportando temperaturas e níveis de radiação nunca enfrentados por outra espaçonave, a PSP tem o objetivo de desvendar uma série de mistérios científicos que intrigam astrofísicos há décadas.

Com custo de cerca de U$S 1,5 bilhão (aproximadamente R$ 5,5 bilhões), a missão deverá mudar radicalmente a compreensão sobre o Sol e sobre sua influência no clima espacial – incluindo as tempestades solares que afetam os sistemas de satélites e as redes de eletricidade na Terra, de acordo com Nicola Fox, do Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins (EUA), que desenvolveu a missão PSP para a Nasa.

“A missão responderá questões sobre a física solar que têm nos deixado confusos por mais de seis décadas. É uma espaçonave carregada com inovações tecnológicas que resolverão muitos dos principais mistérios sobre a nossa estrela. Um dos objetivos centrais é descobrir por que a corona (parte externa da atmosfera) do Sol é tão mais quente que a superfície solar”, disse Fox.

Formada por plasma ultra-aquecido a milhões de graus, a corona envolve todo o Sol e consiste na parte externa de sua atmosfera – e ninguém sabe até hoje como ela pode ser milhares de vezes mais quente que a superfície e o interior do Sol. A corona também é, segundo cientistas, a origem do vento solar – um fluxo supersônico de partículas que o astro lança em todas as direções e afeta todo o Sistema Solar.

“Não sabemos como o vento solar se acelera tão rapidamente na corona, chegando a milhões de quilômetros por hora”, diz o diretor da divisão de ciência heliofísica da Nasa, Alex Young.

Para observar a origem dos ventos solares, a PSP vai “mergulhar” na corona. A nave deverá trazer mais informações sobre a corona e os ventos solares do que qualquer outro recurso científico já utilizado.

“Estamos nesse ambiente incrivelmente dinâmico do Sol e somos atingidos pelos ventos solares, que podem afetar não apenas a saúde de astronautas que trabalham no espaço, mas também nossos satélites, as telecomunicações e, em casos extremos, pode derrubar os sistemas de energia na Terra”, disse Young.

O que é preciso para ter vida fora da Terra? Estudo define mais um critério

Cientistas acreditam ter dado mais um passo na busca de vida fora da Terra. Em um universo com trilhões de milhões de planetas observáveis, é preciso definir filtros para direcionar a procura

O que é preciso para ter vida fora da Terra? Estudo define mais um critério

O que é preciso para ter vida fora da Terra? Estudo define mais um critério

– e um estudo publicado nesta quarta-feira (1º) propõe um critério para essa seleção: planetas com superfície rochosa, que recebam radiação ultravioleta (UV) suficiente para desencadear reações químicas como as que aconteceram por aqui.

Nos debates astronômicos atuais, já se fala em necessidade de água e de moléculas de carbono. Os pesquisadores agora defendem que se leve em conta também a quantidade de energia que o planeta recebe de seu sol para a produção de moléculas fundamentais para a vida.

Este trabalho nos permite ‘afunilar’ quais são os melhores lugares para procurar vida

Paul Rimmer, do Laboratório do Conselho de Pesquisa Médica de Biologia Molecular

Publicado na edição de hoje na revista científica Science Advances, o estudo foi desenvolvido por dois institutos do Reino Unido: o Laboratório do Conselho de Pesquisa Médica de Biologia Molecular e a Universidade de Cambridge.

O trabalho foi desenvolvido depois que Rimmer teve contato com as pesquisas do químico John Sutherland, que estuda como teriam ocorrido as reações responsáveis pelo surgimento da vida na Terra há bilhões de anos.

Sutherland e seu grupo acreditam que o carbono presente em meteoritos que se chocaram com o planeta interagiu com o nitrogênio da atmosfera. Na presença da luz UV proveniente do Sol, o cianeto que se formou passou a reagir com outros elementos da sopa primordial, como é chamada a mistura de compostos orgânicos da qual acredita-se que a vida se originou.

“O cianeto (HCN) tem três dos seis elementos que consideramos mais importantes, que seriam carbono, hidrogênio, oxigênio, nitrogênio, fósforo e enxofre, e ter uma estrutura como essa poderia contribuir para a formação de moléculas mais complexas”, disse ao UOL Fabio Rodrigues, professor do Instituto de Química da USP.

A partir dessas reações, teriam se formado os compostos necessários para a produção do RNA, que, por conseguir catalisar reações e se auto-replicar, é tido como a primeira fonte de informação genética.

Para testar essa hipótese, os pesquisadores recriaram as reações em laboratório usando lâmpadas UV e verificaram a formação de precursores de lipídios, aminoácidos e nucleotídeos.

Rimmer soube do estudo e ficou intrigado com o tipo de luz empregada. Ele, então, começou a medir a quantidade de energia emitida pelas lâmpadas dos testes de Sutherland e decidiu fazer comparações com a radiação de estrelas.

Planetas que correspondam aos critérios

O grupo passou a medir em laboratório o tempo para que as reações acontecessem na presença ou na ausência da luz UV. Notou-se que, no escuro, formavam-se compostos inertes, incapazes de gerar as moléculas que compõem as células. Certos de que a luz era necessária, os cientistas passaram então a fazer comparações em busca de estrelas que emitiam a luz necessária e pesquisaram planetas que as orbitavam.

O grupo descobriu que estrelas com a mesma temperatura do Sol – aproximadamente 5,5 mil graus Celsius na superfície – emitiam luz suficiente para a formação das moléculas fundamentais para a vida na superfície de seus planetas.

Com conhecimento disso e da necessidade de água, eles determinaram um rol de planetas com as características necessárias para a presença de vida. Nessa lista estão exoplanetas descobertos por meio do telescópio Kepler, entre eles o Kepler-425b, identificado em 2015 e apelidado de “primo” da Terra.

Os cientistas afirmam que as características necessárias podem não ser suficientes para a formação de organismos – pode haver outros fatores no processo –, mas esperam que o estudo ajude a indicar os locais com maiores possibilidades.

Acharam vida?

Os pesquisadores esperam que o estudo ajude a indicar os locais com maiores possibilidades de presença de vida, mas reforçam que as características necessárias podem não ser suficientes para formar organismos.

“Ainda não se sabe o que é suficiente. Ter todas as condições necessárias pode não ser o bastante. Posso colocar todos os elementos necessários e, mesmo após muitos anos, nunca ter vida”, comenta Rodrigues.

Ele também afirma que outras formas de energia podem ser consideradas na busca pelos cenários capazes de abrigar organismos. “O que sabemos é que é mais provável que as estruturas tenham se desenvolvido em formas sequenciais, primeiro um sistema, depois outro, e que é preciso haver uma fonte de calor. A energia da estrela pode ser essa fonte, mas não é a única. Se pensarmos na Terra, por exemplo, temos as fontes hidrotermais do fundo do mar”.

“Um cenário baseado em UV gera um grupo de interesse, um cenário com vulcões pode gerar outro e assim vamos conhecendo melhor e tentando selecionar quais planetas são mais interessantes de estudar e quais teriam condições para o desenvolvimento de moléculas orgânicas. Daí, se vai haver vida, é outra pergunta”, finaliza.

‘Nobel da matemática’, Medalha Fields é furtada no Rio logo após premiação

Item de ouro havia sido deixado em uma pasta pelo iraniano de origem curda Caucher Birkar

O iraniano de origem curda Caucher Birkar, 40, teve a sua Medalha Fields, considerada o ‘Nobel da matemática’, furtada nesta quarta (1º) após recebê-la na cerimônia de abertura do Congresso Internacional de Matemáticos (ICM), que ocorre no Rio de Janeiro.

‘Nobel da matemática’, Medalha Fields é furtada no Rio logo após premiação

Segundo a Folha apurou, ele havia colocado a medalha dentro de uma pasta, junto com outros pertences. Enquanto atendia a pedidos de fotos, logo após o término da cerimônia, sua pasta foi furtada.

Nesse momento, a reportagem viu Birkar preocupado, perguntando por sua medalha, que é forjada em ouro maciço e tem cunhada em uma das faces a imagem de Arquimedes.
O item vale aproximadamente R$ 15 mil. Por causa do furto, o matemático não participou da coletiva de imprensa realizada após a entrega do prêmio.

Em nota, a organização do evento lamentou o fato e disse que as imagens registradas no evento estão sendo analisadas.

As câmeras de segurança do local flagraram o momento em que um homem se aproxima da pasta onde estava a medalha quando Birkar estava de costas, e coloca uma mochila em frente à pasta, aparentemente com a intenção de escondê-la. Depois, essa mochila foi encontrada nas arquibancadas com os documentos do matemático.

O matemático é professor na Universidade de Cambridge, na Inglaterra. Ele nasceu em Marivan, no Irã, cidade curda bastante afetada pela guerra Irã-Iraque dos anos 1980, e estudou matemática na Universidade de Teerã antes de ir para o Reino Unido em 2000. Depois de um ano, ele recebeu o status de refugiado, tornou-se um cidadão britânico e começou seu doutorado no país. ​

A principal área de interesse de Birkar é a geometria birracional, campo da geometria algébrica —área que, grosso modo, estuda a interconexão entre geometria e a teoria dos números.

O anúncio dos laureados e a entrega dos prêmios pelo ministro da Educação, Rossieli Soares da Silva, ocorreram durante a cerimônia de abertura do ICM, no início da manhã desta quarta (1º). Trata-se do evento mais importante da matemática, que ocorre pela primeira vez na América Latina, e reúne 2.500 matemáticos de todo o mundo.

A Medalha Fields é um prêmio de características únicas. É entregue de quatro em quatro anos (junto com os congressos internacionais de matemáticos, também quadrienais) para matemáticos de até 40 anos. A cada edição, saem de duas a quatro medalhas para pesquisadores com feitos extraordinários na carreira.

Diferentemente do Nobel, que, via de regra, consagra pesquisadores em fim de carreira, a Fields dá aos seus detentores a possibilidade usufruir por décadas o imenso prestígio de tê-la recebido.

Os vencedores deste ano foram o iraniano de origem curda Caucher Birkar, 40 —vítima do roubo da medalha—, o italiano Alessio Figalli, 34, o alemão Peter Scholze, 30, e o indiano Akshay Venkatesh, 36. Os quatro passam agora a integrar o exclusivíssimo grupo de 56 matemáticos que já receberam a distinção, criada em 1936.

A esse panteão pertence o brasileiro Artur Avila, que em 2014 tornou-se o primeiro latino-americano a conquistar a medalha. Avila hoje divide seu tempo entre a Escola Técnica Federal de Zurique, na Suíça, e o Impa (Instituto de Matemática Pura e Aplicada, no Rio), onde fez toda a sua formação.

O mais jovem dos vencedores de 2018, Scholze teve carreira meteórica. Vencedor de três medalhas de ouro e uma prata em olimpíadas internacionais de matemática, ele precisou de apenas dois anos e meio para concluir o curso de graduação e o mestrado.

Começou a ganhar notoriedade no universo de pesquisa matemática aos 22 anos, após simplificar uma prova matemática complexa da teoria dos números, de 288 para 37 páginas. Aos 24 anos, tornou-se professor titular da Universidade de Bonn, na Alemanha, onde permanece até hoje.

Especialista em geometria algébrica aritmética, ele é conhecido por capacidade de enxergar com profundidade a natureza dos fenômenos matemáticos e simplificá-los em apresentações.

Outro trajetória marcada pela precocidade é a do indiano Ashkay Venkatesh. Ele ingressou no bacharelado em matemática e física na Universidade de Western Australia, quando ainda tinha 13 anos.

Aos 20 anos, terminou o doutorado na Universidade de Princeton (EUA) e em pouco tempo se tornou professor no MIT (Massachusetts Institute of Technology), onde ocupou uma prestigiosa posição oferecida a recém-doutores de grande destaque na área de matemática pura, já assumida por pesquisadores famosos, como o americano John Nash (1928-2015).

Desde os 27 anos, é professor da Universidade Stanford e, a partir deste ano, também leciona no Instituto de Estudos Avançados, em Princeton.

Venkatesh se dedica sobretudo à teoria dos números, uma das áreas mais populares da disciplina. Carl Friedrich Gauss (1777-1855), considerado um dos maiores matemáticos da história, disse certa vez que a matemática é a rainha das ciências e a teoria dos números, a rainha das matemáticas.

Ao contrário de Scholze e Venkatesh, Alessio Figalli descobriu mais tarde o interesse pela matemática. Até o ensino médio, o italiano de Nápoles só queria saber de jogar futebol, mas um treinamento para a Olimpíada Internacional de Matemática o despertou para a disciplina.

O pesquisador concluiu seu doutorado em 2007, na École Normale Supérieure de Lyon, na França, sob a orientação de Cédric Villani, premiado com a Medalha Fields em 2010. Atualmente, Figalli é professor da Escola Técnica Federal de Zurique, na Suíça.

Sua especialidade são as equações diferenciais parciais e o cálculo de variações, área clássica da matemática com aplicações diversas na física.

A premiação em dinheiro que acompanha a Medalha Fields é modesto, pelo menos se comparada com a do Nobel, que paga cerca de US$ 1,1 milhão aos premiados. A láurea matemática dá aos seus vencedores 15 mil dólares canadenses (R$ 43 mil).

O vencedor da medalha Fields é escolhido por um comitê secreto formado por 12 matemáticos de renome —somente o nome do presidente do comitê é conhecido—, num processo que dura cerca de dois anos.

O primeiro compromisso dos laureados é no próprio ICM. No decorrer do congresso, cada um deles proferirá uma palestra sobre suas pesquisas.

No total, estão previstas na programação acadêmica cerca de 1.200 palestras, painéis de debates, comunicações e apresentações de pôsteres, num arco que cobre todas as áreas da matemática.

Além do foco acadêmico, o ICM também terá atividades voltadas à popularização da matemática, abertas ao público, como o ciclo de cinco palestras promovido pelo Impa e pelo Instituto Serrapilheira com matemáticos de destaque internacional e divulgadores da disciplina.

Durante o congresso será ainda realizada a cerimônia de premiação dos 576 medalhistas de ouro da maior competição científica do país, a Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas, competição reúne 18,2 milhões de estudantes de escolas públicas e privadas. ​

https://www1.folha.uol.com.br/ciencia/2018/08/nobel-da-matematica-medalha-fields-e-furtada-no-rio-logo-apos-premiacao.shtml

Pesquisadores confirmam teoria da relatividade de Einstein ao estudar estrela orbitando em buraco negro

É a primeira vez que a teoria é confirmada na região perto de um buraco negro supermassivo. Medição foi feita por “super” telescópio no Chile.

Ilustração mostra trajetória da estrela nos últimos meses ao redor do buraco negro (Foto: M. KORNMESSER/ESO)

Ilustração mostra trajetória da estrela nos últimos meses ao redor do buraco negro (Foto: M. KORNMESSER/ESO)

ma única estrela, girando em torno do enorme buraco negro no centro da Via Láctea, forneceu aos astrônomos uma nova prova de que Albert Einstein estava certo sobre a gravidade.

Há mais de 100 anos, a teoria geral da relatividade de Einstein revelou que a gravidade é o resultado da curvatura espaço-tempo, criada pela presença de massa e energia. Agora, em um artigo publicado nesta quinta-feira (26) na “Astronomy & Astrophysics”, uma equipe de pesquisadores relata a observação de uma característica da relatividade geral conhecida como redshift gravitacional.

Observações feitas com o telescópio conhecido como “Very Large Telescope” (telescópio muito grande, em tradução livre), do Observatório do Sul Europeu (ESO), revelaram pela primeira vez os efeitos previstos pela relatividade geral de Einstein sobre o movimento de uma estrela que passa pelo campo gravitacional perto do buraco negro supermassivo no centro da Via Láctea. Este resultado representa o ponto alto de uma campanha de observação de 26 anos usando os telescópios do ESO no Chile.

Buraco negro

Obscurecido pelas densas nuvens de poeira absorvente, o buraco negro supermassivo mais próximo da Terra está a 26.000 anos-luz de distância, no centro da Via Láctea. Com uma massa de quatro milhões de vezes a do Sol, o buraco negro é cercado por um pequeno grupo de estrelas que orbitam em torno dele em alta velocidade.

Esse ambiente extremo – o campo gravitacional mais forte de nossa galáxia – o torna o local perfeito para explorar a física gravitacional e, particularmente, testar a teoria geral da relatividade de Einstein.

A medição é a primeira vez que a relatividade geral foi confirmada na região perto de um buraco negro supermassivo.

À medida que a luz escapa de uma região com um forte campo gravitacional, suas ondas são esticadas, tornando a luz mais vermelha, em um processo conhecido como redshift gravitacional. Os cientistas, uma equipe conhecida como a colaboração GRAVITY, usaram o Very Large Telescope, localizado no deserto de Atacama, no Chile, para demonstrar que a luz da estrela foi deslocada para o vermelho pela quantidade prevista pela relatividade geral.

Os cientistas já tinha observado o redshift gravitacional antes. Na verdade, os satélites de GPS não funcionariam corretamente se o redshift gravitacional não fosse levado em consideração. Mas tais efeitos nunca foram vistos nas proximidades de um buraco negro, onde a gravidade é mais forte.

“Isso é completamente novo, e acho que é isso que torna emocionante – fazer esses mesmos experimentos não na Terra ou no sistema solar, mas perto de um buraco negro”, diz o físico Clifford Will da Universidade da Flórida em Gainesville.
A estrela S2
No “coração” da Via Láctea, esconde-se um enorme buraco negro supermassivo, com uma massa de cerca de 4 milhões de vezes a do sol. Muitas estrelas giram em torno deste buraco negro. Os pesquisadores se concentraram em uma estrela, conhecida como S2, que completa uma órbita elíptica ao redor do buraco negro a cada 16 anos.

Órbita é uma trajetória fechada que um astro faz em torno de outro. Órbita elíptica é o tipo de órbita feita, e nesse caso, a elipse é como um círculo achatado (e não circular). A órbita de todos os planetas do Sistema Solar é elíptica.

É a primeira vez que a teoria é confirmada na região perto de um buraco negro supermassivo. Medição foi feita por "super" telescópio no Chile.

Pesquisadores confirmam teoria da relatividade de Einstein ao estudar estrela orbitando em buraco negro

Em maio de 2018, a estrela ficou mais próxima do buraco negro, atingindo 3% da velocidade da luz – extremamente rápida para uma estrela. Nesse ponto, a estrela estava a apenas 20 bilhões de quilômetros do buraco negro. O que pode parecer distante, mas é apenas quatro vezes a distância entre o sol e Netuno.

Trump está em guerra com o Ocidente?

Apenas um dia depois de seus comentários impressionantes em Helsinque, o presidente Trump tentou recuar. Na capital finlandesa, ao lado do presidente russo, Vladimir Putin, durante uma coletiva de imprensa, ele duvidou das conclusões das agências de inteligência norte-americanas de que a Rússia interferiu na eleição de 2016. De volta à Casa Branca na terça-feira, entretanto, Trump argumentou que ele havia simplesmente tinha se expressado mal; ele leu uma declaração dizendo que, de fato, aceitou que Moscou tentasse influenciar a votação. Pelo menos por um momento.

Os governos Putin e Trump podem estar em desacordo, mas os próprios dois homens, argumentou o jornalista Leonid Ragozin, estão “do mesmo lado da divisão”. Eles representam “a mesma linhagem de uma cultura global em ascensão: a dos tabloides viciosamente xenófobos”, TV de infoentretenimento politicamente tendenciosa, showbiz brega, populismo irresponsável, nativismo raivoso e cleptocracia oligárquica”, escreveu ele para o BuzzFeed News.

Os governos Putin e Trump podem estar em desacordo, mas os próprios dois homens, argumentou o jornalista Leonid Ragozin, estão “do mesmo lado da divisão”. Eles representam “a mesma linhagem de uma cultura global em ascensão: a dos tabloides viciosamente xenófobos”, TV de infoentretenimento politicamente tendenciosa, showbiz brega, populismo irresponsável, nativismo raivoso e cleptocracia oligárquica”, escreveu ele para o BuzzFeed News.

“Poderia ser outras pessoas também”, acrescentou ele na frase seguinte. “Muitas pessoas lá fora.”

Poucos em Washington foram convencidos pela reviravolta de Trump. Desde que assumiu o cargo, Trump repetidamente questionou as investigações de seu próprio governo sobre a interferência do Kremlin e descartou o crescente corpo de evidências que ligam essa invasão à sua vitória eleitoral – incluindo um comentário do próprio Putin na segunda-feira. Desde as observações em Helsinque, além disso, ele havia sido entrevistado pela Fox News e não fez menção a mal-entendidos. Mesmo sua tentativa de esclarecimento na terça-feira aparentemente foi auto-editada em algo mais desafiador.

Trump também não disse nada na segunda-feira sobre a anexação da Crimeia pela Rússia em 2014 ou o seu papel em reforçar os excessos violentos do regime sírio. Essa timidez estava em contraste com sua crítica aos aliados da OTAN em Bruxelas na semana passada. Para muitos críticos de Trump, suas atuações nas duas cidades encerraram um ano e meio de ataques tácitos e evidentes à aliança transatlântica.

O comportamento de Trump foi “de um homem que quer que a aliança fracasse”, escreveu o colunista do New York Times, David Brooks. “Sua aceitação de Putin na segunda-feira foi uma dança da vitória no túmulo euro-americano”.

“O presidente russo recebeu efetivamente um passe livre de um presidente dos EUA para continuar sua guerra híbrida contra o Ocidente”, escreveu Guy Verhofstadt, um ex-primeiro-ministro belga. Ele pediu aos liberais europeus que se unam contra o Trumpismo e seus representantes, apontando para os esforços de um ex-assessor de Trump para impulsionar os populistas de extrema direita no continente. “A batalha agora está em curso para derrotar o sonho doentio de Steve Bannon de uma revolução populista de direita na Europa e um recuo para o nacionalismo assassino do passado da Europa”, escreveu ele.

Vale a pena perguntar, mesmo agora, quem Trump vê como seu inimigo. Sua campanha política foi redigida na retórica nativista contra o “globalismo”, um eufemismo para um mundo de liberais multiculturais e elites empresariais e políticas que ele alegou não ter em mente os interesses dos Estados Unidos. Desde que assumiu o poder, ele concentrou esses ataques em instituições reais – o Partido Democrata e funcionários públicos que ele chama de “o Estado profundo” em casa, e blocos multilaterais como a OTAN e a União Europeia no exterior.

Mais amplamente, ele demonstrou uma apatia consistente pela ordem mundial construída pelos EUA que garantiu a supremacia dos americanos por décadas. “No mundo pós-guerra, a política dos EUA tinha quatro características atraentes: tinha valores centrais atraentes; era leal aos aliados que compartilhavam esses valores; acreditava em mercados abertos e competitivos; e sustentou esses mercados com regras institucionalizadas”, escreveu Martin Wolf, do Financial Times. “Esse sistema sempre foi incompleto e imperfeito. Mas foi uma abordagem altamente original e atraente para o negócio de comandar o mundo”.

Wolf sugere que Trump está inclinado a rejeitar esse sistema, que muitas vezes é o que estamos invocando quando nos referimos agora ao “Ocidente”: “Para aqueles que acreditam que a humanidade deve transcender suas pequenas diferenças, esses princípios foram um começo. No entanto, hoje o presidente dos EUA parece hostil aos valores centrais da democracia, da liberdade e do estado de direito; ele não sente lealdade aos aliados; ele rejeita mercados abertos; e ele despreza as instituições internacionais. E ele acredita que isso pode dar certo.

“Trump pode ter diminuído a liderança dos EUA no mundo”, disse o analista russo Maxim Suchkov ao Today’s WorldView em Moscou na semana passada, “mas ele ainda quer dominação”.

Essa visão de mundo leva muitos analistas a sugerir que Trump tem mais em comum com autocratas como Putin do que com os líderes eleitos das principais democracias da Europa. Para os críticos da hegemonia americana, que há muito argumentam que seus valores declarados têm pouco a ver com suas ações geopolíticas, Trump confirmou suas crenças.

“Isso reduz os EUA de serem o líder do mundo livre a ser apenas mais uma grande potência”, disse Daniel Fried, ex-diplomata e companheiro do Conselho Atlântico, aos meus colegas David Nakamura e Carol Morello. Ele “desfaz 100 anos da grande estratégia da América”, acrescentou, “o que funcionou bem para nós. Ganhou a Guerra Fria porque as pessoas por trás da Cortina de Ferro foram inspiradas por nossas ideias e ideais.”

Em vez disso, Trump defende outra visão. Como já escrevemos antes, a concepção de Trump do Ocidente é cultural, não política. Está ancorada na retórica do sangue e do solo e na raiva contra a imigração. Na semana passada, ele argumentou em Bruxelas que as novas chegadas de migrantes são “muito ruins para a Europa” porque estão “mudando a cultura”.

Trump está em guerra com o Ocidente?

Os governos Putin e Trump podem estar em desacordo, mas os próprios dois homens, argumentou o jornalista Leonid Ragozin, estão “do mesmo lado da divisão”. Eles representam “a mesma linhagem de uma cultura global em ascensão: a dos tabloides viciosamente xenófobos”, TV de infoentretenimento politicamente tendenciosa, showbiz brega, populismo irresponsável, nativismo raivoso e cleptocracia oligárquica”, escreveu ele para o BuzzFeed News.

Uma multidão de políticos europeus tradicionais discordaria, assim como a maioria de suas populações. Uma nova pesquisa do Pew com oito países da Europa Ocidental, publicada este mês, descobriu que 66% dos entrevistados acreditam que os imigrantes fortalecem suas sociedades.

Mas Trump vê essa abertura – e a perspectiva de uma Europa mais integrada e diversificada – como uma fraqueza. Aqui, novamente, ele se torna um espírito afim com Putin, outro estranho de pé, cético, à porta do liberal Ocidente. “Até 2014, a Rússia costumava se ver como o ponto mais oriental do mundo ocidental”, disse Dmitri Trenin, diretor do Centro Carnegie de Moscou, ao Wall Street Journal. “Desde então, houve uma mudança fundamental e a Rússia se voltou para dentro. A elite russa e seu líder, Putin, chegaram à conclusão de que tentar se tornar parte do Ocidente não levará aos resultados desejados.”

Isso envolve uma tentativa de virar para o leste e cultivar laços mais profundos com a Ásia. Mas também viu o Kremlin construir ligações com os mesmos populistas europeus de extrema-direita que Trump celebrou. Matteo Salvini, ministro do Interior da Itália e líder da extrema direita, está pressionando pelo fim da UE e das sanções à Rússia. Putin, enquanto isso, cultivou uma imagem global como líder nacionalista cristão proeminente e é aplaudido pelos supremacistas brancos nos Estados Unidos.

Os governos Putin e Trump podem estar em desacordo, mas os próprios dois homens, argumentou o jornalista Leonid Ragozin, estão “do mesmo lado da divisão”. Eles representam “a mesma linhagem de uma cultura global em ascensão: a dos tabloides viciosamente xenófobos”, TV de infoentretenimento politicamente tendenciosa, showbiz brega, populismo irresponsável, nativismo raivoso e cleptocracia oligárquica”, escreveu ele para o BuzzFeed News.

E seus adversários desorientados, agora liderados por uma Europa oprimida, estão lutando para lidar com a situação.

FONTE: Washington Post

Astrônomos captam imagem detalhada do aglomerado estelar a 5.500 anos luz da Terra

Foto mostra o aglomerado de estrelas RCW 38 e suas nuvens de gás brilhantes

Astrônomos captam imagem detalhada do aglomerado estelar a 5.500 anos luz da Terra

Uma equipe de astrônomos conseguiu captar uma imagem detalhada e colorida do aglomerado de estrelas RCW 38, situado na constelação de Vela, a 5.500 anos luz de distância da Terra, com ajuda do sistema de ondas infravermelhas HAWK-I, informou o Observatório Europeu do Sul (ESO, na sigla em inglês).

O dispositivo de ondas infravermelhas, instalado no telescópio de longo alcance (VLT, na sigla em inglês) situado em Paranal, no Chile, permitiu uma imagem nítida que mostra o aglomerado estelar jovem cercado de nuvens de gás, intensamente brilhante e detalhado, junto com traços de poeira escura em formato de videira em torno do núcleo.

A imagem revela uma região central tingida de azul e habitada por várias estrelas jovens, quentes e massivas, assim como estrelas que ainda estão em formação.

A radiação que as estrelas emitem faz com que o gás circundante brilhe de forma intensa, em contraste com as correntes de pó cósmico, mais frio, que atravessam a região e brilham em tons escuros de vermelho e laranja.

Apesar de existirem imagens anteriores dessa região, estas foram obtidas mediante longitudes de onda da categoria visível, o que proporciona imagens com menos corpos estelares, pois a poeira e o gás bloqueiam a visão do aglomerado.

O HAWK-I, pelo contrário, permite olhar através das camadas de poeira por intermédio de observações com infravermelho, o mesmo sistema utilizado para obter imagens de galáxias próximas, grandes nebulosas, estrelas individuais e exoplanetas.

Para conseguir uma imagem nítida, teve papel importante o módulo de óptica adaptativa GRAAL, que projeta quatro raios laser no céu noturno que atuam como estrelas artificiais de referência para corrigir os efeitos da turbulência atmosférica.

A imagem foi captada como parte de um conjunto de observações de teste, conhecido como verificação científica, de ambos os dispositivos, instalados no telescópio de longo alcance.

O Observatório Europeu do Sul é uma organização intergovernamental de ciência e tecnologia e opera a partir de três lugares que se destacam por sua qualidade para a observação no Deserto do Atacama chileno: La Silla, Paranal e Chajnantor.

O VLT é um conjunto de quatro “telescópios unitários”, cada um com um espelho primário de 8,2 metros de diâmetro, com os quais é possível obter imagens de corpos celestes apenas visíveis a uma magnitude de 30, o que equivale a ver objetos cuja luminosidade é 4 bilhões de vezes mais fraca que daqueles que podem ser vistos a olho nu.

Astrônomos captam a primeira imagem de um planeta recém-nascido

– Astrônomos alemães capturaram o exato momento em que um planeta nasce em torno da jovem estrela anã PDS 70. O planeta está visível como um ponto brilhante à direita do centro da imagem.

Astrônomos captam a primeira imagem de um planeta recém-nascido

Uma equipe de astrônomos, liderada por um grupo do Instituto Max Planck de Astronomia de Heidelberg, na Alemanha, captou a primeira imagem de um planeta jovem, chamado PDS 70b, formado ao redor do círculo de gás e pó de uma estrela.

A descoberta, publicada na revista “Astronomy & Astrophysics” e realizada com o telescópio de comprimento alcance (VLT) do Observatório Austral Europeu (ESO), conseguiu modelar o planeta através da matéria que circunda a estrela, e a partir da qual estes astros costumam se formar.

A detecção foi possível graças ao instrumento SPHERE instalado no VLT, que serve para estudar este tipo de corpos celestes com uma técnica de imagem de alto contraste.

Este método, junto com a ajuda de um cronógrafo – uma máscara que bloqueia a luz cegante da estrela central e permite detectar objetos planetários ao redor – facilitou a captação e medição do brilho do planeta, o que por sua vez permitiu conhecer melhor suas propriedades atmosféricas.

A imagem resultante reflete um ponto brilhante à direita de um centro escuro – consequência do uso do cronógrafo, situado aproximadamente a 3 bilhões de quilômetros da estrela central, uma distância equivalente à que há entre Urano e o sol.

A análise mostra ainda que o PDS 70b é um planeta gigante formado por gás com uma massa algumas vezes maior que a de Júpiter e uma temperatura na superfície de cerca de 1000 graus centígrados, muito mais quente que a de qualquer planeta do Sistema Solar.

“Depois de mais de uma década de enorme esforço para construir esta máquina de alta tecnologia, agora o SPHERE nos permite colher os frutos com a descoberta de planetas recém-nascidos!”, lembrou Thomas Henning, diretor do Instituto Max Planck de Astronomia e chefe das equipes.

Para Miriam Keppler, líder da equipe após a descoberta, apesar de os círculos das estrelas jovens serem os lugares onde nascem os planetas, “até agora apenas algumas observações tinham detectado indícios de planetas recém-nascidos neles”.

“Precisávamos de observar um planeta no disco de uma estrela jovem para compreender realmente os processos de formação planetária”, comentou outro dos autores, André Müller.

A descoberta já permitiu aprofundar os estudos a partir das observações iniciais, ao ponto de obter um espectro do planeta, o que permitiu concluir que sua atmosfera era turva.

Com os resultados obtidos e a análise das propriedades atmosféricas e físicas do planeta, os astrônomos poderão avançar nas explicações teóricas sobre o fenômeno da formação planetária no espaço.

Cientistas criam método para reduzir testes em animais de laboratório

Com novo método, cerca de 57% dos testes podem ser feitos sem o uso de animais

Pesquisadores norte-americanos revelaram nesta quarta-feira (11) a descoberta de um método utilizando big data (um grande volume de dados) que pode reduzir em quase 60% a necessidade de testes químicos nos quase 4 milhões de animais utilizados todos os anos pela ciência.

Cientistas criam método para reduzir testes em animais de laboratório.

Trata-se de uma ferramenta informatizada construída com base em um enorme banco de dados de estruturas moleculares. Quando combinadas, essas informações não só substituem o uso animal como, às vezes, apresentam resultados melhores do que os testes em bichos. São citados como exemplos casos de sensibilização da pele e irritação nos olhos, segundo relatam os pesquisadores na revista especializada “Toxicological  Sciences”.

“Estamos entusiasmados com o potencial desse modelo”, diz a toxicóloga Nicole Kleinstreuer, vice-diretora de um centro que avalia alternativas ao teste em animais no NIEHS (Instituto Nacional de Ciências da Saúde Ambiental) em Durham, Carolina do Norte (EUA). A pesquisadora, que não esteve envolvida no trabalho, diz que usar “big data […] é uma via extremamente promissora para reduzir e substituir os testes em animais”.

A maioria dos países exigem que novos produtos químicos só entrem no mercado depois de passarem por alguns testes de segurança. Mas a prática de expor coelhos, ratos e outros animais a produtos químicos para avaliar esses riscos vem enfrentando objeções públicas cada vez maiores, especialmente por parte de entidades de defesa dos animais.

Em 2016, o Congresso dos Estados Unidos aprovou uma lei de segurança química que obriga as agências reguladoras federais a tomarem medidas para reduzir o número de animais utilizados pelas empresas em testes de segurança.

Uma das sugestões é usar o que já se sabe sobre alguns compostos existentes para prever os riscos apresentados em novos produtos químicos com estruturas semelhantes. Há dois anos, uma equipe liderada por Thomas Hartung, da Escola Bloomberg de Saúde Pública Johns Hopkins, em Baltimore, Maryland (EUA), deu um passo em direção a essa meta ao reunir dados de 9.800 testes em produtos químicos regulamentados pela ECHA (Agência Europeia de Produtos Químicos).

Cientistas criam método para reduzir testes em animais de laboratório.

Cientistas criam método para reduzir testes em animais de laboratório.

No artigo publicado hoje, a equipe de Hartung explica como chegou ao resultado: os pesquisadores expandiram seu banco de dados para 10 milhões de estruturas químicas ao adicionar as informações do banco de dados público PubChem e do Programa Nacional de Toxicologia dos Estados Unidos.

Em seguida, compararam as estruturas e propriedades toxicológicas, gerando um total de 50 trilhões de comparações e criando um vasto mapa de similaridade que agrupa compostos por estrutura e efeito. Finalmente, os cientistas testaram o modelo: eles pediram para prever o grau toxicológico de um produto químico escolhido aleatoriamente e compararam os resultados a seis testes em animais realizados com o mesmo composto.

Em média, a ferramenta computacional reproduziu em 87% os resultados dos testes em animais. O percentual é maior do que os próprios testes em animais, diz Hartung. Na revisão da literatura, seu grupo descobriu que os testes repetidos em ratos e coelhos reproduzem os resultados anteriores em apenas 81% dos casos. “Esta é uma descoberta importante”, afirma o pesquisador. “Nossos dados mostram que podemos substituir seis testes comuns –que respondem por 57% dos testes toxicológicos em animais do mundo– e obter resultados mais confiáveis.”

O resultado poderia ajudar a acabar com a repetição desnecessária de testes. A equipe descobriu, por exemplo, que 69 produtos químicos foram testados pelo menos 45 vezes no chamado “teste de coelho de Draize” –um método que gerou protestos da opinião pública por envolver o uso de um produto químico no olho de um coelho.

Mas o sistema de big data não é perfeito. Embora possa prever efeitos simples, como irritação na pele, casos mais complexos, como câncer, ainda estão fora de alcance, diz Mike Rasenberg, chefe da unidade de Avaliação e Disseminação Computacional da ECHA. “Esse não será o fim dos testes em animais”, prevê, “mas é um conceito útil para reduzi-los”.

A questão agora é como as agências reguladoras vão reagir ao novo método. Rasenberg diz acreditar que os europeus o aceitarão para testes simples porque atende a seus critérios de validação. Nos Estados Unidos, o centro NIEHS está trabalhando na validação do método.

Depois disso, a EPA poderá revisar os resultados da avaliação para determinar como e se eles podem ser usados. Se a avaliação for favorável, esses modelos poderão ser usados em conjunto com outras ferramentas para classificar um grande número de substâncias.

Hartung espera que o método de rastreamento também seja de interesse para os países que estão se preparando para implementar novas leis químicas, como a Turquia e a Coreia do Sul.

Novas observações astronômicas reforçam teoria da relatividade

Novas observações astronômicas apresentaram provas adicionais que reforçam uma das premissas da teoria geral da relatividade, que dita que todos os objetos em queda livre em um campo gravitacional se aceleram de forma idêntica, segundo um trabalho publicado nesta quarta-feira na revista Nature.

Novas observações astronômicas reforçam teoria da relatividade

A teoria, desenvolvida por Albert Einstein em 1915, diz que a aceleração deve ser a mesma com independência do próprio campo gravitacional dos corpos que caem, inclusive se forem objetos tão maciços como uma estrela de nêutrons.

O princípio que Einstein usou na sua teoria já tinha sido defendido antes por cientistas como Galileu Galilei, no século 16, e diversos experimentos o demonstraram em vários ambientes.

Em 1971, o astronauta americano David Scott protagonizou uma das experiências mais conhecidas, ao deixar cair sobre a superfície da lua um martelo e uma pluma, que chegaram ao solo ao mesmo tempo.

Para pôr a toda prova esse prognóstico em um ambiente mais extremo, um grupo do Instituto Holandês de Radioastronomia (ASTRON) liderado por Anne Archibald estudou o movimento de um sistema estelar triplo, formado por uma estrela de nêutrons orbitada por uma anã branca, que por sua vez mantêm outra anã branca orbitando a uma distância maior.

Os físicos analisaram como a atração da estrela mais distante afeta o sistema binário interior, que também conta com um potente campo gravitacional.

Teoria quântica vence Einstein mais uma vez em estudo holandês

Os autores do estudo publicado na Nature calcularam que a diferença entre as acelerações detectadas na anã branca e a estrela de nêutrons é da ordem de apenas 2,6 milionésimos, o que apoia o princípio de equivalência postulado pela relatividade geral.

As observações de Archibald aprimoram as obtidas até o momento em testes similares, que tinham chegado a uma resolução de milésimos.

“Se a estrela de nêutrons e a anã branca interna caíssem com diferentes acelerações para a anã branca do exterior, seria perceptível uma ligeira deformação na órbita do sistema interior”, afirma o físico Clifford Will, da Universidade da Flórida, em artigo na “Nature” que acompanha o estudo do grupo holandês.

“Archibald e seus colegas apresentam uma análise baseada em cerca de seis anos de coleta de dados na qual não há provas dessa deformação”, descreve Will.