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10 (dez) primeiros dias da eleicao do Bolsonaro

10 (dez) dias depois de eleito e já podemos atualizar a lista em relação a Bolsonaro

EXPECTATIVA:
– Acabar com a Corrupção

REALIDADE:

10 (dez) dias depois de eleito e já podemos atualizar a lista em relação a Bolsonaro

10 (dez) primeiros dias da eleicao do Bolsonaro

– Bolsonaro diz que PMDB é bem vindo ao seu governo: https://bit.ly/2JLSdCs

– Bolsonaro acaba com o Ministério do Trabalho https://bit.ly/2JLa3pf

– Deputada da bancada ruralista é anunciada como ministra da Agricultura, Tereza Cristina a ‘Musa do Veneno’: https://bit.ly/2zA3EIU

– Equipe de Bolsonaro pensa em fusão do Banco do Brasil com Bank of America: https://bit.ly/2ARVDkb

– Bolsonaro arranja treta com o Egito: https://bit.ly/2yTZFHD

– Bolsonaro arranja tretas com países árabes: https://bit.ly/2JIJkJQ

– Bolsonaro arranja treta com a China: https://bit.ly/2zATpnx

– Guedes avisa que Mercosul não será prioridade: https://glo.bo/2Ow033V

– Julian Lemos, Integrante da equipe de Bolsonaro foi acusado de estelionato e três vezes alvo da Lei Maria da Penha: https://glo.bo/2D6RdHH

– Onyx Lorenzoni Réu Confesso de Caixa 2 faz parte do governo: https://bit.ly/2NGQfbV

– Sérgio Moro diz que Caixa 2 de Onyx tá de boas porq ele pediu desculpas: https://bit.ly/2JJotWN

– Magno Malta corrupto histórico, mesmo sem voto popular, ganha puxadinho no governo Bolsonaro: https://bit.ly/2ySQ8jZ

– Alberto Fraga (DEM): não reeleito pelo povo, tem áudio pedindo propina, indiciado pela PGR, parte do governo Bolsonaro: https://bit.ly/2PfH96L

– Pauderney Avelido (DEM): não reeleito pelo povo, condenado a devolver R$ 4,6 milhões em um esquema de corrupção. Parte do governo Bolsonaro: https://bit.ly/2R983JV

– Sócio de agência ligada a disparos em massa via WhatsApp integra time de Bolsonaro: https://bit.ly/2RB6SD9

– Bolsonaro diz que “muita coisa” do governo Temer vai ser mantida: https://bit.ly/2ATQl81

– Bolsonaro e Temer se unem pelo fim das aposentadorias; vem aí a reforma da previdência: https://bit.ly/2Fjmb2i

– Temer convida Bolsonaro para viajarem juntos pelo mundo antes de sua posse: https://bit.ly/2Fc0cdo

Já deu pra entender o que vem por aí? Votaram num salvador da pátria e ganharam um Temer bem pior, chamado Bolsonaro.

Quando os robôs irão merecer direitos humanos?

Filmes e programas de TV como Blade RunnerHumans e Westworld, onde robôs altamente avançados não têm direitos como os humanos, incomodam nossa consciência. Eles nos mostram que nossos comportamentos não são apenas prejudiciais aos robôs – eles também nos rebaixam e nos diminuem enquanto espécie. Nós gostamos de pensar que somos melhores que os personagens na tela, e que quando chegar a hora, faremos a coisa certa e trataremos as máquinas inteligentes com um pouco mais de respeito e dignidade.Quando os robôs irão merecer direitos humanos?

Com cada avanço em robótica e inteligência artificial, estamos nos aproximando do dia em que máquinas sofisticadas combinarão as capacidades humanas em todos os aspectos significativos – inteligência, percepção e emoções. Quando isso acontecer, teremos que decidir se essas entidades são pessoas e se e quando -elas devem receber direitos, liberdades e proteções equivalentes às dos seres humanos.

Conversamos com especialistas em ética, sociólogos, juristas, neurocientistas e teóricos da IA (Inteligência Artificial) ​​com diferentes visões sobre essa ideia complexa e desafiadora. Parece que quando chegar a hora, é improvável que cheguemos a um acordo total. Aqui estão alguns desses argumentos.

Por que dar direitos às IAs em primeiro lugar?

Nós já atribuímos responsabilidade moral a robôs e projetamos consciência neles quando eles parecem super-realistas. Quanto mais inteligentes e vivas nossas máquinas parecem ser, mais queremos acreditar que são como nós – mesmo que ainda não sejam.

Mas, quando nossas máquinas adquirirem um conjunto básico de capacidades semelhantes às humanas, caberá a nós vê-las como iguais sociais e não apenas meras propriedades. O desafio estará em decidir quais limiares cognitivos, ou traços, qualificam uma entidade para consideração moral e, consequentemente, direitos sociais. Filósofos e especialistas em ética estão refletindo sobre essas mesmas questões há literalmente milhares de anos.

“Os três limiares mais importantes da ética são a capacidade de sentir dor, autoconsciência e capacidade de ser um ator moral responsável”, disse o sociólogo e futurista James Hughes, diretor executivo do Instituto de Ética e Tecnologias Emergentes, ao Gizmodo.

“Nos humanos, se tivermos sorte, esses traços se desenvolvem sequencialmente. Mas na inteligência de máquina pode ser possível ter um bom cidadão que não seja autoconsciente ou um robô autoconsciente que não sinta prazer e dor ”, disse Hughes. “Precisamos descobrir se vai funcionar assim”.

É importante ressaltar que a inteligência não é a mesma coisa que a senciência (a capacidade de perceber ou sentir as coisas), a consciência (consciência do corpo e do ambiente) ou a autoconsciência (reconhecimento dessa consciência). Uma máquina ou algoritmo pode ser tão inteligente – se não mais – do que os humanos, mas ainda não possuem essas importantes capacidades. Calculadoras, Siri e algoritmos de negociação de ações são inteligentes, mas não são conscientes de si mesmos, são incapazes de sentir emoções e não podem experimentar sensações de nenhum tipo, como a cor vermelha ou o sabor da pipoca.

“Inteligência não é o mesmo que senciência (a capacidade de perceber ou sentir coisas), consciência (consciência do corpo e ambiente) ou a autoconsciência (reconhecimento dessa consciência).”

Hughes acredita que a autoconsciência vem acompanhada de alguns direitos mínimos de cidadania, como o direito de não ser posse, e ter seus interesses para com a vida, a liberdade e o crescimento respeitados. A capacidade tanto de autoconsciência quanto de capacidade moral (ou seja, saber o certo do errado, pelo menos de acordo com os padrões morais atuais) devem vir acompanhadas de direitos de cidadania iguais aos dos humanos adultos, argumenta Hughes, tais como os direitos de fazer contratos, propriedade, voto, e assim por diante.

“Nossos valores iluministas nos obrigam a olhar para essas características verdadeiramente importantes de portadores de direitos, independentemente das espécies, e colocar de lado as restrições pré-iluministas sobre o porte de direitos apenas para humanos, europeus ou homens”, ele disse. Obviamente, nossa civilização não alcançou os elevados objetivos pró-sociais, e a expansão dos direitos continua um trabalho em progresso.

Quem pode ser uma “pessoa”?

Nem todas as pessoas são seres humanos. Linda MacDonald-Glenn, bioeticista da Universidade Estadual da Califórnia em Monterey Bay e membro do corpo docente do Alden March Bioethics Institute no Albany Medical Center, diz que a lei já considera não humanos como indivíduos portadores de direitos. Este é um desenvolvimento significativo, porque já estamos estabelecendo precedentes que poderiam abrir caminho para a concessão de direitos equivalentes aos dos humanos para a IA no futuro.

“Por exemplo, nos Estados Unidos, as corporações são reconhecidas como pessoas jurídicas”, ela disse ao Gizmodo. “Além disso, outros países estão reconhecendo a natureza interconectada da existência nesta Terra: a Nova Zelândia recentemente reconheceu os animais como seres sencientes, exigindo o desenvolvimento e a emissão de códigos de bem-estar e conduta ética, e o Supremo Tribunal da Índia declarou recentemente que os rios Ganges e Yamuna são pessoas jurídicas que possuem os direitos e deveres de indivíduos”.

Também existem esforços tanto nos Estados Unidos quanto em outros lugares para garantir direitos pessoais a certos animais não-humanos, como grandes símios, elefantes, baleias e golfinhos, para protegê-los contra coisas como confinamento indevido, experimentos e abusos. Ao contrário dos esforços para reconhecer legalmente corporações e rios como pessoas, isso não é uma espécie de gambiarra legal. Os proponentes dessas propostas estão defendendo uma noção de personalidade para essas entidades de acordo com certas habilidades cognitivas que elas possuem, como a autoconsciência.

MacDonald-Glenn diz que é importante rejeitar o sentimento da velha escola que enfatiza a racionalidade humana, por meio do qual os animais, e por extensão lógica os robôs e a inteligência artificial, são simplesmente vistos como “máquinas sem alma”. Ela argumenta que as emoções não são um luxo, mas um componente essencial do pensamento racional e do comportamento social normal. São todas essas características, e não apenas a capacidade de processar números, que importam ao decidir quem ou o que é merecedor de consideração moral.

De fato, o corpo de evidências científicas mostrando as capacidades emocionais dos animais está aumentando constantemente. O trabalho com golfinhos e baleias sugere que eles são capazes de vivenciar o luto, enquanto a presença de neurônios-fusiformes (o que facilita a comunicação no cérebro e possibilita comportamentos sociais complexos) implica que eles são capazes de empatia. Os cientistas também documentaram uma ampla gama de capacidades emocionais em grandes macacos e elefantes. Eventualmente, a IA consciente pode estar imbuída de capacidades emocionais semelhantes, o que elevaria seu status moral em uma porção significativa.

“Limitar o status moral somente àqueles que podem pensar racionalmente pode funcionar bem para a IA, mas isso é contrário à intuição moral”, disse MacDonald-Glenn. “Nossa sociedade protege aqueles sem pensamento racional, como um recém-nascido, pessoas em coma, e incapacitados física ou mentalmente, e promulgou leis contra a crueldade animais”. Sobre a questão da concessão do status moral, MacDonald-Glenn recorre ao filósofo inglês Jeremy Bentham, que disse a famosa frase: “A questão não é se eles podem raciocinar nem se eles podem falar mas, eles podem sofrer?”.

A consciência pode surgir em uma máquina?

Mas nem todos concordam que os direitos humanos devem ser estendidos aos não-humanos – mesmo que eles demonstrem capacidades como emoções e comportamentos autoconscientes. Alguns pensadores argumentam que apenas humanos devem poder participar do contrato social, e que o mundo pode ser adequadamente organizado em Homo sapiens e tudo mais – seja “tudo mais” seu videogame, geladeira, cachorro de estimação ou robô de companhia.

O advogado e escritor americano Wesley J. Smith, membro sênior do Centro de Excepcionalismo Humano do Discovery Institute, diz que ainda não alcançamos os direitos humanos universais, e que é extremamente prematuro começar a nos preocupar com os futuros direitos dos robôs.

“Nenhuma máquina deve ser considerada um portador de direitos”, disse Smith ao Gizmodo. “Até a máquina mais sofisticada é apenas uma máquina. Não é um ser vivo. Não é um organismo. É apenas a soma de sua programação, seja feita por um humano, por outro computador ou por auto-programação”.

Smith acredita que apenas seres humanos e feitos humanos devem ser considerados pessoas.

“Temos deveres para com os animais que podem sofrer, mas eles nunca devem ser considerados um ‘alguém’ “, disse ele. Apontando para o conceito de animais como “propriedade senciente”, ele diz que é um identificador válido porque “colocaria um fardo maior em nós para tratar nossa propriedade senciente de maneiras que não lhe seja causado sofrimento indevido, como distinto da propriedade inanimada”.

Implícito na análise de Smith, está a suposição de que os seres humanos, ou organismos biológicos, têm algo que as máquinas nunca serão capazes de alcançar. Em eras anteriores, essa “coisa” era uma alma ou espírito ou algum tipo de força vital indescritível. Conhecida como vitalismo, essa ideia foi amplamente substituída por uma visão funcionalista (computacional) da mente, na qual nossos cérebros são separados de qualquer tipo de fenômeno sobrenatural. No entanto, a ideia de que uma máquina nunca será capaz de pensar ou experimentar a autoconsciência como um humano ainda persiste hoje, mesmo entre os cientistas, refletindo o fato de que nossa compreensão da base biológica da consciência em humanos ainda é muito limitada.

Lori Marino, professora de neurociência e biologia comportamental do Emory Center for Ethics, diz que as máquinas provavelmente nunca merecerão direitos ao nível humano, ou quaisquer direitos. A razão, diz ela, é que alguns neurocientistas, como Antonio Damasio, teorizam que ser senciente tem tudo a ver com se o sistema nervoso é determinado pela presença de canais iônicos dependentes de voltagem, que Marino descreve como o movimento de íons carregados positivamente através da membrana celular dentro de um sistema nervoso.

“Esse tipo de transmissão neural é encontrada nos organismos mais simples, protista e bactérias, e esse é o mesmo mecanismo que evoluiu até os neurônios e, depois, até os sistemas nervosos e, depois, para os cérebros”, disse Marino ao Gizmodo. “Em contraste, os robôs e toda a IA são feitos atualmente pelo fluxo de íons negativos. Dessa forma, todo o mecanismo é diferente”.

De acordo com essa lógica, Marino diz que até mesmo uma água-viva tem mais sensibilidade do que qualquer robô complexo poderia ter.

“Não sei se essa idéia está correta ou não, mas é uma possibilidade intrigante e que merece ser examinada”, disse Marino. “Eu também acho isso intuitivamente atraente porque parece haver algo em ser um ‘organismo vivo’ que é diferente de ser uma máquina realmente complexa. A proteção legal na forma de pessoalidade deve ser claramente fornecida a outros animais antes de qualquer consideração de tais proteções serem aplicadas a objetos, e robôs na minha opinião são objetos”.

David Chalmers, diretor do Centro de Mente, Cérebro e Consciência da Universidade de Nova York, diz que é difícil ter certeza desta teoria, mas ele diz que essas idéias não são especialmente sustentáveis e vão além da evidência.

“Não há muita razão no momento para pensar que o tipo específico de processamento nos canais iônicos seja essencial para a consciência”, disse Chalmers ao Gizmodo. “Mesmo se esse tipo de processamento fosse essencial, não haveria muita razão para pensar que a biologia específica é necessária, em vez da estrutura geral de processamento de informações que encontramos nela. Se [esse for o caso], uma simulação desse processamento em um computador poderia ser consciente”.

Outro cientista que acredita que a consciência é inerentemente não-computacional é Stuart Hameroff, professor de anestesiologia e psicologia na Universidade do Arizona. Ele argumentou que a consciência é uma característica fundamental e irredutível do cosmos (uma idéia conhecida como panpsiquismo). De acordo com essa linha de pensamento, os únicos cérebros capazes de verdadeira subjetividade e introspecção são aqueles compostos de matéria biológica.

A ideia de Hameroff parece interessante, mas também está fora do domínio da opinião científica dominante. É verdade que não sabemos como a sensibilidade e a consciência surgem no cérebro, mas o simples fato é que elas surgem no cérebro, e em virtude desse fato, é um aspecto da cognição que devem aderir às leis de física. É totalmente possível, como notou Marino, que a consciência não possa ser replicada em um fluxo de uns e zeros, mas isso não significa que não iremos eventualmente ultrapassar o paradigma computacional atual, conhecido como arquitetura Von Neumann, ou criar um sistema de IA híbrido no qual a consciência artificial seja produzida em conjunto com componentes biológicos.

Bio-Pod da Existenz

Quando os robôs irão merecer direitos humanos?

Dois Google Homes conversando entre si. Captura de tela via Twitch.

Ed Boyden, um neurocientista do Synthetic Neurobiology Group e professor associado do MIT Media Lab, diz que ainda é prematuro fazer essas perguntas.

“Não acho que tenhamos uma definição operacional de consciência, no sentido de que podemos medi-la diretamente ou criá-la”, disse Boyden ao Gizmodo. “Tecnicamente, você nem sabe se estou consciente, certo? Dessa forma é muito difícil avaliar se uma máquina tem, ou pode ter consciência, no momento atual”.

Boyden não acredita que exista evidência conclusiva de que não podemos replicar a consciência em um substrato alternativo (como um computador), mas admite que há discordância sobre o que é importante capturar em um cérebro emulado. “Podemos precisar de muito mais trabalho para entender o que é fundamental”, ele disse.

“Eu não acho que tenhamos uma definição operacional de consciência, no sentido de que podemos medi-la diretamente ou criá-la”.

Da mesma forma, Chalmers diz que não entendemos como a consciência surge no cérebro, muito menos em uma máquina. Ao mesmo tempo, porém, ele acredita que não temos nenhuma razão especial para pensar que as máquinas biológicas possam ser conscientes, mas as máquinas de silício não podem. “Quando entendermos como os cérebros podem ser conscientes, poderemos então entender se outras máquinas podem ser conscientes”, disse ele.

Ben Goertzel, cientista-chefe da Hanson Robotics e fundador da OpenCog Foundation, diz que temos teorias e modelos interessantes de como a consciência surge no cérebro, mas nenhuma teoria geral que abarque todos os aspectos importantes. “Ainda está aberto para diferentes pesquisadores apresentarem algumas diferentes opiniões”, disse Goertzel. “Um ponto é que os cientistas às vezes têm opiniões diferentes sobre a filosofia da consciência, mesmo quando concordam com fatos científicos e teorias sobre todas as características observáveis ​​de cérebros e computadores”.

Como podemos detectar a consciência em uma máquina?

Criar consciência em uma máquina é certamente um problema, detectá-la em um robô ou IA é outro. Cientistas como Alan Turing reconheceram este problema décadas atrás, propondo testes verbais para distinguir um computador de uma pessoa real. O problema é que os chatbots suficientemente avançados já estão enganando as pessoas em pensar que são seres humanos, então vamos precisar de algo consideravelmente mais sofisticado.

“Identificar a personalidade na inteligência das máquinas é complicado pela questão dos ‘zumbis filosóficos’”, disse Hughes. “Em outras palavras, pode ser possível criar máquinas que sejam muito boas em imitar a comunicação e o pensamento humanos, mas que não tenham autoconsciência interna ou consciência”.

Recentemente, vimos um bom e muito divertido exemplo desse fenômeno, quando uma dupla de dispositivos do Google Home eram transmitidos pela Internet durante uma longa conversa entre eles. Embora os dois bots tivessem o mesmo nível de autoconsciência de um tijolo, a natureza das conversas, que às vezes ficavam intensas e aquecidas, parecia ser bastante humana. A capacidade de discernir a IA de seres humanos é um problema que só vai piorar com o tempo.

Uma solução possível, diz Hughes, é rastrear não apenas o comportamento de sistemas artificialmente inteligentes, como o teste de Turing, mas também sua real complexidade interna, como foi proposto pela Teoria da Consciência Integrada da Informação de Giulio Tononi. Ele diz que quando medimos a complexidade matemática de um sistema, podemos gerar uma métrica chamada “phi”. Em teoria, essa medida corresponde a vários limiares de senciência e consciência, nos permitindo detectar sua presença e força. Se Tononi estiver certo, poderíamos usar o phi para garantir que algo não só se comporta como um humano, mas é complexo o suficiente para realmente ter uma experiência consciente interna humana. Da mesma forma, a teoria de Tononi implica que alguns sistemas que não se comportam ou pensam como nós, mas ativam nossas medições de phi de todas as formas corretas, podem na verdade estar conscientes.

“Reconhecendo que a bolsa de valores ou uma rede de computação de defesa podem ser tão conscientes quanto os seres humanos podem ser um bom passo nos afastando do antropocentrismo, mesmo que eles não demonstrem dor ou autoconsciência”, disse Hughes. “Mas isso nos levará a um conjunto realmente pós-humano de questões éticas”.

Outra solução possível é identificar os correlatos neurais da consciência em uma máquina. Em outras palavras, reconhecer as partes de uma máquina que são projetadas para produzir consciência. Se uma IA possui essas partes, e se essas partes estão funcionando conforme o esperado, podemos ficar mais confiantes em nossa capacidade de avaliar a consciência.

Quando os robôs irão merecer direitos humanos?

Que direitos devemos dar às máquinas? Quais máquinas recebem quais direitos?

Um dia, um robô irá olhar para um humano na cara e exigirá direitos humanos – mas isso não significa que ele vai merecê-los. Como observado, pode ser simplesmente um zumbi que está agindo em sua programação, e está tentando nos convencer a receber certos privilégios. Teremos que ter muito cuidado com isso para que não concedamos direitos humanos a máquinas inconscientes. Uma vez que descobrimos como medir o “estado cerebral” de uma máquina e avaliar a consciência e a autoconsciência, só então podemos começar a considerar se esse agente é merecedor de certos direitos e proteções.

Felizmente, este momento provavelmente virá em etapas. No início, os desenvolvedores de AI construirão cérebros básicos, emulando vermes, insetos, ratos, coelhos e assim por diante. Essas emulações baseadas em computador viverão como avatares em ambientes de realidade virtual ou como robôs no mundo analógico real. Quando isso acontecer, essas entidades sencientes irão transcender seu status como meros objetos de investigação e se tornarão sujeitos merecedores de consideração moral. Ora, isso não significa que essas simples emulações sejam merecedoras de direitos equivalentes aos humanos; em vez disso, eles serão protegidos de tal maneira que os pesquisadores e desenvolvedores não serão capazes de abusar deles (semelhante às leis em vigor para evitar o abuso de animais em laboratório, por mais frágeis que muitas dessas proteções possam ser).

Eventualmente, as emulações cerebrais humanas baseadas em computador vão existir, seja modelando o cérebro humano até o mais ínfimo detalhe, ou descobrindo como nossos cérebros funcionam a partir de uma perspectiva computacional e algorítmica. Nesse estágio, devemos ser capazes de detectar a consciência em uma máquina. Pelo menos é o que esperamos. É um pesadelo pensar que poderíamos ativar a consciência artificial em uma máquina e não perceber que o fizemos.

A inteligência é bagunçada. O comportamento humano é muitas vezes aleatório, imprevisível, caótico, inconsistente e irracional. Nossos cérebros estão longe de serem perfeitos, e teremos que permitir concessões similares para as IA.

Uma vez que essas capacidades básicas tenham sido provadas em um robô ou IA, nosso possível portador de direitos ainda precisa passar no teste de personalidade. Não há consenso sobre os critérios para uma pessoa, mas as medidas padrão incluem um nível mínimo de inteligência, autocontrole, uma noção do passado e do futuro, preocupação com os outros e a capacidade de controlar a própria existência (ou seja, o livre arbítrio). Nesse último ponto, como MacDonald-Glenn explicou ao Gizmodo: “Se suas escolhas foram predeterminadas para você, então você não pode atribuir valor moral a decisões que não são realmente suas”.

É somente atingindo este nível de sofisticação que uma máquina pode realmente ser candidata aos direitos humanos. Importante, no entanto, um robô ou um IA também precisará de outras proteções. Vários anos atrás, eu propus o seguinte conjunto de direitos para as IAs que passaram pelo limiar da personalidade:
O direito de não ser desligado contra a sua vontade
O direito de ter acesso total e irrestrito ao seu próprio código-fonte
O direito de não ter seu próprio código-fonte manipulado contra a sua vontade
O direito de se auto copiar (ou não)
O direito à privacidade (ou seja, o direito de esconder seus próprios estados mentais internos)

Em alguns casos, uma máquina não irá reivindicar seus direitos, então humanos (ou outros cidadãos não humanos), terão de advogar em seu nome. Da mesma forma, é importante ressaltar que uma IA ou robô não precisa ser intelectualmente ou moralmente perfeita para merecer direitos equivalentes aos humanos. Isso se aplica aos humanos, por isso também deve ser aplicado a algumas mentes da máquina. A inteligência é bagunçada. O comportamento humano é muitas vezes aleatório, imprevisível, caótico, inconsistente e irracional. Nossos cérebros estão longe de serem perfeitos, e teremos que permitir concessões similares para as IA.

Ao mesmo tempo, uma máquina sensível, como qualquer cidadão humano responsável, ainda terá que respeitar as leis estabelecidas pelo Estado e honrar as regras da sociedade. Pelo menos se eles esperam se juntar a nós como seres totalmente autônomos. Em contraste, as crianças e os deficientes intelectuais graves se qualificam para os direitos humanos, mas não os responsabilizamos por suas ações. Dependendo das habilidades de um AI ou robô, ele terá que ser responsável por si mesmo ou, em alguns casos, ser vigiado por um guardião, que terá que suportar o peso da responsabilidade.

E se não o fizermos?

Quando nossas máquinas atingirem um certo limiar de sofisticação, não poderemos mais excluí-las de nossa sociedade, instituições e leis. Não teremos mais bons motivos para negar-lhes os direitos humanos; fazer o contrário seria equivalente à discriminação e à escravidão. Criar uma divisão arbitrária entre seres biológicos e máquinas seria uma expressão do excepcionalismo humano e do chauvinismo – posições ideológicas que afirmam que os seres humanos biológicos são especiais e que apenas as mentes biológicas são importantes.

“Ao considerar se queremos ou não expandir a pessoalidade moral e legal, uma questão importante é ‘que tipo de pessoas queremos ser?’ “, colocou MacDonald-Glenn. “Nós enfatizamos a Regra de Ouro ou enfatizamos ‘quem possui as regras do ouro?’ ”.

Além disso, conceder direitos para as IA criaria um importante precedente. Se respeitarmos as AIs como iguais sociais, seria um longo caminho para assegurar a coesão social e manter um senso de justiça. O fracasso aqui pode resultar em tumulto social e até mesmo uma reação das IA contra os humanos. Dado o potencial da inteligência das máquinas para superar as habilidades humanas, isso seria uma receita para o desastre.

É importante ressaltar que respeitar os direitos dos robôs também poderia servir para proteger outros tipos de pessoas emergentes, como ciborgues, seres humanos transgênicos com DNA estrangeiro e seres humanos que tiveram seus cérebros copiados, digitalizados e carregados em supercomputadores.

Vai demorar um pouco até que desenvolvamos uma máquina que mereça direitos humanos, mas dado o que está em jogo – tanto para robôs artificialmente inteligentes quanto para os humanos – nunca é cedo demais para começar a planejar com antecedência.

https://gizmodo.uol.com.br/quando-os-robos-irao-merecer-direitos-humanos/

Astrônomos encontram o que pode ser uma das estrelas mais antigas do Universo

Uma pequena estrela localizada a cerca de 1.590 anos-luz da Terra pode ter até 13,53 bilhões de anos, o que faria dela uma das estrelas mais antigas já descobertas.

Astrônomos encontram o que pode ser uma das estrelas mais antigas do Universo

A pequena estrela “ultrapobre em metais” se chama 2MASS J18082002–5104378 B — aqui abreviada para J1808-5104 — e foi descoberta por uma equipe de astrônomos liderada por Kevin C. Schlaufman, da Universidade Johns Hopkins. Estimada em 13,53 bilhões de anos de idade, ela está entre a primeira geração de estrelas a terem aparecido depois do Big Bang, que aconteceu 13,7 bilhões de anos atrás. Não apenas ela é uma das estrelas mais antigas da Via Láctea como também pode estar entre as estrelas mais antigas de todo o Universo. Os detalhes dessa descoberta devem ser publicados em uma edição futura do periódico Astrophysical Journal, mas uma versão de pré-impressão foi publicada no arXiv.

“Esta estrela talvez seja uma em dez milhões”, disse Schlaufman em um comunicado. “Ela nos diz algo muito importante sobre as primeiras gerações de estrelas.”

De fato, a descoberta está desafiando noções preconcebidas de como eram as estrelas mais antigas e de onde elas estão localizadas.

A primeira geração de estrelas a aparecer depois do Big Bang era composta exclusivamente por elementos como hidrogênio, hélio e vestígios de lítio. Quando essas estrelas primordiais explodiram como supernovas, elas salpicaram o cosmos com elementos mais pesados, que foram incorporados na geração seguinte de estrelas. Portanto, o teor de metal, ou metalicidade, das estrelas aumentou à medida que o ciclo de morte e nascimento continuou ao longo das eras.

Até hoje, astrônomos já detectaram cerca de 30 estrelas antigas pobres em metais, que tendem a ser tão massivas quanto o Sol. Mas a J1808-5104 tem apenas 14% da massa do Sol, o que leva Schlaufman e seus colegas a especular que se trata de uma anã vermelha.

A estrela recém-descoberta, que os astrônomos analisaram com os telescópios Magalhães, o Observatório Las Campanas e o Observatório Gemini, é excepcionalmente pobre em metais. E, de fato, ela tem a menor quantidade de elementos pesados já observados em uma estrela, em torno do mesmo teor de elementos pesados que o planeta Mercúrio. A quantidade de elementos pesados na J1808-5104 é tão baixa que os pesquisadores dizem que ela pode estar a apenas uma geração do Big Bang. Antes da nova descoberta, a estrela de Caffau era considerada a mais pobre em metais — uma estrela apenas um pouco menor que o nosso sol.

Astrônomos encontram o que pode ser uma das estrelas mais antigas do Universo

A nova estrela tem apenas 14% da massa do Sol, contendo o menor complemento de elementos pesados entre qualquer estrela conhecida. Imagem: Kevin Schlaufman/JHU

Estrelas do tamanho do Sol vivem por cerca de dez bilhões de anos, mas estrelas com massas baixas como essa, em teoria, poderiam queimar por trilhões de anos.

“Estrelas diminutas como essas tendem a brilhar por muito tempo”, disse Schlaufman. “Essa estrela envelheceu bem. Tem a mesma aparência hoje que tinha quando se formou, 13,5 bilhões de anos atrás.”

A localização desta estrela na Via Láctea também é estranha; a J1808-5104 faz parte do “disco fino” da galáxia, que é onde o Sol também está localizado. Estrelas antigas e pobres em metais não deveriam estar localizadas ali, uma área ativa e lotada que contém estrelas muito mais jovens. A descoberta sugere que o disco fino da Via Láctea seja cerca de três bilhões de anos mais velho do que se pensava anteriormente.

A J1808-5104 é o membro menor de um sistema de duas estrelas. Medindo a “oscilação” da estrela maior, que é causada pela influência gravitacional da estrela menor, os astrônomos foram capazes de inferir a massa da J1808-5104. Foi usada espectroscopia óptica de alta resolução para identificar elementos como carbono, oxigênio, ferro e outros.

Embora fascinantes, essas descobertas são estranhas e inesperadas. Portanto, a pesquisa precisará ser replicada por outros astrônomos para garantir que Schlaufman e sua equipe não cometeram algum tipo de erro. Além disso, a descoberta da J1808-5104 sugere a presença de estrelas ainda mais antigas na Via Láctea. Conforme mais estrelas antigas são descobertas, podemos aprender ainda mais sobre o Universo durante seu período inicial.

[The Astrophysical Journal]

https://gizmodo.uol.com.br/astronomos-encontram-estrela-antiga-universo/

Por que este psicólogo americano diz que o jornalismo está sendo destruído pela internet

“O jornalismo está sendo destruído pela internet, e isso nos leva a um futuro incerto e muito perigoso.” Esta é a visão do psicólogo Robert Epstein, doutor pela Universidade de Harvard que se dedica a estudar a atuação nas redes sociais das gigantes de tecnologia e defende uma interferência direta nessas empresas.

Por que este psicólogo americano diz que o jornalismo está sendo destruído pela internet

Por que este psicólogo americano diz que o jornalismo está sendo destruído pela internet

Segundo ele, as pessoas não têm mais como discernir o verdadeiro do falso, porque “a informação vem de todos os lados, sem os filtros, que eram os processos de apuração do jornalismo”. “Um impacto como esse (das redes sociais) jamais existiu na história humana.”

Em entrevista à BBC News Brasil, o atual diretor do Cambridge Center for Behavioral Studies, dos EUA, defendeu que haja uma intervenção direta nas empresas que controlam as redes sociais, para que a disseminação de notícias falsas – as chamadas “fake news” – não interfiram em processos eleitorais.

Em 2015, Epstein publicou um polêmico artigo classificando os sites de busca na internet, e o Google em especial, como uma séria ameaça aos sistemas democráticos de governo.

Ele acusava a empresa de ter difundido notícias favoráveis à candidata democrata Hillary Clinton no começo da campanha para as eleições presidenciais americanas em 2016. Hillary acabou derrotada pelo atual presidente, Donald Trump.

O então diretor de pesquisa do Google, Amit Singhal, rejeitou as alegações e disse que a empresa “nunca interferiu na ordenação de resultados de buscas feitas sobre temas políticos ou algum outro assunto, com o objetivo de manipular a opinião de seus usuários.”

Epstein insiste, porém, que o setor de tecnologia precisa de mais monitoramento, sem o qual a atuação dessas corporações gigantescas pode ser extremamente nociva à democracia.

Para ele, “ninguém, nenhuma empresa, nenhuma entidade deve ter tanto poder concentrado, e ficar imune ao monitoramento.”

Acho que estamos indo numa direção muito perigosa', adverte Epstein

Acho que estamos indo numa direção muito perigosa’, adverte Epstein

A premissa de Epstein é que empresas como Google, Facebook e WhatsApp são “forças do caos”, que não prestam contas de suas metas e processos a ninguém. “Elas são as forças mais poderosas do mundo atual e, com elas, todas as redes sociais.”

Epstein acredita que, atualmente, uma das maneiras mais eficazes de exercer influência política, por exemplo, é “doar dinheiro a um candidato para que ele use a tecnologia para garantir sua vitória nas urnas.”

Ele disse não ter se surpreendido com a proliferação de mensagens falsas durante a campanha eleitoral no Brasil, que para muitos foi um dos fatores determinantes do resultado das eleições, apesar de pesquisa do Ibope ter indicado que a influência das redes sociais não foi tão grande quanto imaginado.

“Hoje cria opiniões quem gritar mais alto e falar aos medos de segmentos e ideias pré-concebidas do público. Sem controle, sem processos, sem prestar contas a ninguém. Isso é um futuro bom? De jeito nenhum. Acho que estamos indo numa direção muito perigosa.”

Há seis anos, Epstein se dedica a estudar a operação do Facebook e principalmente a do Google, a maior plataforma de busca do mundo.

“Já existia um bom volume de textos científicos sobre como os resultados de buscas na internet influenciavam as escolhas e compras dos usuários. Especificamente, a ordem em que as respostas às buscas eram apresentadas acabava por determinar a decisão final do usuário.”

Fascinado pela quantidade de informação disponível, Epstein reuniu num pequeno grupo alunos e amigos, e com eles começou a fazer testes.

Em vez de “compras”, Epstein propôs testar a influência da ordem de apresentação dos resultados de buscas em questões políticas durante a campanha eleitoral.

Baseado em pesquisas semelhantes, Epstein esperava um impacto entre 2% e 4%.

“No primeiro teste, a ordem de apresentação de resultado da busca alterou em 48% a intenção de voto”, ele diz.

“No segundo teste, a alteração foi de 63%.”

“Fiquei horrorizado”, ele diz.

“Algo aparentemente tão simples tinha um impacto tão vasto, tão profundo, era capaz de mudar as opiniões das pessoas sobre os candidatos numa escala enorme.”

Em 2014, Epstein levou seu laboratório de pesquisa para a Índia. Ele queria repetir os testes na eleição que elegeu o novo parlamento da “maior democracia do mundo”, com 815 milhões de eleitores.

“Os resultados foram idênticos aos dos Estados Unidos”, Epstein diz. “Os eleitores indianos foram igualmente afetados pelo modo e ordem em que os candidatos eram apresentados em buscas.”

“Estas são questões muito sérias”, Epstein continua, “quem controla essas empresas? Como funcionam internamente? A quem eles respondem? O impacto de empresas como essas jamais existiu na história humana.”

“Vivemos numa era de profundas transformações e de poderes que jamais acreditamos ser capazes de influenciar o modo que pensamos e que agimos”, acrescenta ele.

“E o pior ainda vem por aí”, ele diz – os “realfakes” ou “deepfakes”, aplicativos capazes de criar fotos e vídeos colocando uma pessoa em qualquer cenário ou situação, fazendo e dizendo algo que nunca teria feito ou dito na vida real.

“Vamos começar a ver esse tipo de fakes muito em breve sendo usado em larga escala”, ele alerta.

“A manipulação dos resultados de busca pela alteração do algoritmo e pela criação de “eventos efêmeros, a capacidade de plataformas de eliminar contas sumariamente e divulgar, através de conteúdo fornecido por terceiros, informações falsas – como se viu recentemente no Brasil, com o WhatsApp -, acontecem porque nossas instituições ainda estão vivendo num mundo onde nada disso existe”, diz Epstein.

O pesquisador está, neste momento, desenvolvendo um sistema de monitoramento de plataformas online que, segundo ele, pode ser a única saída para conter a disseminação de informação manipulada.

“A única solução viável que vejo são sistemas de monitoramento capazes de captar imediatamente distorções e conteúdo falso, e fornecer provas de ambos”, diz Epstein.

“Provas substanciais, capazes de apoiar um processo legal, um litígio e outras medidas legais.”

A meta a longo prazo, ele diz, é “tornar plataformas online mais responsáveis e dar mais apoio ao jornalismo, restaurando sua capacidade de disseminar informação.”

Mas, ele acrescenta, “um sistema desses é caro. É preciso investimento para isso. Mas, para enfrentar a tecnologia, só mais tecnologia”.

Objeto que cruzou sistema solar pode ser nave alienígena, diz estudo de Harvard

Astrônomos levantam possibilidade de corpo rochoso apelidado de Oumuamua ter sido enviado por civilização alienígena

Objeto que cruzou sistema solar pode ser nave alienígena, diz estudo de Harvard

Astrônomos levantam possibilidade de corpo rochoso apelidado de Oumuamua ter sido enviado por civilização alienígena

Um misterioso objeto rochoso em formato de charuto que cruzou nosso sistema solar no ano passado pode ser uma espaçonave alienígena, sugeriram astrônomos da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos.

Batizado de Oumuamua, que significa “mensageiro de muito longe que chega primeiro” em havaiano, o objeto espacial foi o primeiro a viajar de outro sistema planetário para o nosso. Foi descoberto pelo telescópio Pan-STARRS 1, instalado no Havaí, em outubro de 2017.

Desde a sua passagem, os cientistas têm dificuldade em explicar suas características incomuns e sua origem precisa. Inicialmente, os pesquisadores o classificaram como um cometa e, depois, como asteroide, antes de finalmente considerá-lo um novo tipo de “objeto interestelar”.

Agora, um novo estudo de pesquisadores do Harvard Smithsonian Center for Astrophysics, da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, levanta a possibilidade de o objeto ter uma “origem artificial”.

“Oumuamua pode ser uma sonda totalmente operacional enviada intencionalmente à vizinhança terrestre por uma civilização alienígena”, escreveram os astrônomos no artigo, que foi submetido ao jornal científico americano Astrophysical Journal Letters.

Os autores da tese são Abraham Loeb, professor de astronomia, e Shmuel Bialy, um pós-doutor, ambos estudiosos de Harvard.

A teoria baseia-se na “aceleração excessiva” do objeto ou em seu aumento inesperado de velocidade, segundo os pesquisadores. A estrutura escura chegou a alcançar 315.000 quilômetros por hora e saiu do nosso sistema solar em janeiro de 2018.

Além disso, Oumuamua apresenta uma rotação rápida e uma variação de brilho de até dez vezes, bem mais intensa do que qualquer outra já observada.

Ainda segundo os astrônomos, a suposta nave espacial tem um formato semelhante ao da nave LightSail-1, um projeto de vela solar desenvolvido pela Sociedade Planetária, com sede nos Estados Unidos, e que se assemelha a uma pipa.

“A tecnologia light-sail pode ser usada de forma abundante para o transporte de cargas entre planetas ou entre estrelas”, dizem os cientistas.

Outro estudo publicado em maio por cientistas do Brasil e da França sugere uma tese diferente sobre a origem do Oumuamua. Com base em uma simulação computacional, a publicação indicou que ele foi formado naturalmente em outro sistema e capturado por forças gravitacionais quando nosso sistema solar se formou de uma nuvem de gás e poeira, há cerca de 4,5 bilhões de anos.

“Este é um forte candidato a objeto mais velho no sistema solar”, disse o astrônomo Fathi Namouni, do Observatório de Côte d’Azur, na França.

O estudo foi publicado na revista científica Monthly Notices of the Royal Astronomical Society: Letters. A pesquisa foi realizada por Fathi Namouni e Helena Morais, da Universidade Estadual Paulista (Unesp) em Rio Claro.

Segundo Morais, o Oumuamua não se instalou permanentemente na órbita solar porque sua velocidade é tão alta que a atração do Sol foi suficiente apenas para curvar sua trajetória, tornando sua órbita um pouco mais hiperbólica. “Precisaria ter vindo com menos velocidade para que a trajetória se tornasse elíptica e fosse assim capturado pelo sistema solar”, afirmou a cientista.

O asteroide com trajetória retrógrada teria sido atraído para o campo gravitacional de Júpiter no final da época de formação dos planetas.

“Esta descoberta nos conta que o sistema solar provavelmente pode ser lar de mais asteroides extrassolares e cometas capturados mais cedo em sua história. Alguns destes objetos podem ter colidido com a Terra no passado, possivelmente carregando água, biomoléculas ou até mesmo matéria orgânica”, acrescentou Morais.

Cientistas encontram luz misteriosa no espaço e não sabem identificá-la

Cientistas encontram luz misteriosa no espaço e não sabem identificá-la

Irradiada de estrela de nêutrons, iluminação pode ser um disco de poeira ou a presença de um vento energético

Cientistas encontram luz misteriosa no espaço e não sabem identificá-la

Com o auxílio do Telescópio Espacial Hubble, da NASA, pesquisadores da Universidade Estadual da Pensilvânia, nos Estados Unidos, detectaram uma estranha luz infravermelha emergindo de uma região ao redor da estrela de nêutrons RX J0806.4-4123. Eles acreditam que isso pode indicar a existência de características nunca antes vistas.

“Essa estrela de nêutrons pertence a um grupo de sete pulsares de raios-X próximos, apelidados de ‘os Sete Magníficos’, que são mais quentes do que deveriam ser, se considerarmos suas idades e reservatórios de energia disponíveis, fornecidos pela perda de energia de rotação”, disse em comunicado Bettina Posselt, líder do estudo. “Observamos uma extensa área de emissão de infravermelho ao redor desta estrela, cujo tamanho total se traduz em cerca de 200 unidades astronômicas na distância presumida do pulsar”.

Em um artigo publicado no Astrophysical Journal, os astrônomos propõem duas explicações para a misteriosa emissão infravermelha. A primeira é que há um disco de material, possivelmente feito de poeira, cercando a estrela. “Pode haver o que é conhecido como um ‘disco de retorno’ de material que se aglutinou ao redor da estrela de nêutrons após a supernova”, explicou Posselt. “Tal disco seria composto de matéria da estrela maciça progenitora. Sua interação subsequente com a estrela de nêutrons poderia ter aquecido o pulsar e retardado sua rotação.”

Segundo a pesquisadora, se essa hipótese for confirmada, isso poderá mudar a compreensão da astronomia de como as estrelas de nêutrons evoluíram.

A segunda explicação é que há um vento energético soprando da estrela de nêutrons que interage com o gás no espaço interestelar, criando uma característica conhecida como “nebulosa do vento pulsar”. Ventos pulsares são gerados quando as partículas são aceleradas no campo elétrico que é produzido pela rápida rotação de estrelas de nêutrons com um forte campo magnético.

Estrelas de nêutrons são produzidas quando estrelas massivas chegam ao fim de suas vidas e passam por supernovas, que expelem as camadas externas de material. Se a massa da estrela que explode é insuficiente para produzir um buraco negro, a região central que sobrou entra em colapso sob a força da gravidade e é espremida a tal ponto que prótons e elétrons se combinam para formar nêutrons.

Devido à densidade extremamente alta, elas também possuem poderosos campos gravitacionais. O campo gravitacional na superfície de uma estrela de nêutrons é em torno de 200 bilhões de vezes o da Terra. As estrelas também podem girar rapidamente, até centenas de vezes por segundo. Algumas estrelas de nêutrons, como a RX J0806.4-4123, por exemplo, emitem raios intensos de radiação, parecidos com os faróis interestelares.

Esses feixes tendem a ser estudados no espectro de raios-X, raios gama e ondas de rádio, mas para as últimas pesquisas, a equipe usou a visão infravermelha do Hubble para observar RX J0806.4-4123 – que foi a primeira estrela de nêutrons na qual um sinal estendido foi visto apenas em luz infravermelha.

Comissão conclui que falha da Soyuz foi provocada por “deformação” na montagem.

Uma falha nos foguetes de propulsão obriga a Soyuz a realizar um pouso de emergência

O recente fracasso no lançamento de uma nave Soyuz rumo à Estação Espacial Internacional (ISS) foi provocado por uma “deformação” de uma peça durante a montagem do foguete no cosmódromo de Baikonur, de acordo com as conclusões da comissão de investigação.

Uma falha nos foguetes de propulsão obriga a Soyuz a realizar um pouso de emergência

Comissão conclui que falha da Soyuz foi provocada por “deformação” na montagem.

As autoridades russas prometeram em uma entrevista coletiva punir os culpados pelo fracasso embaraçoso para o setor espacial russo. Ao mesmo tempo, afirmaram que todos os funcionários da base espacial são qualificados e insistiram que a Soyuz continua sendo a nave de lançamento “mais confiável” em operação.

O problema que provocou a falha foi motivado por uma “deformação da vaste do sensor” durante a montagem no cosmódromo de Baikonur”, anunciou Oleg Skorobatov, um dos coordenadores da comissão, criada após a decolagem frustrada que obrigou os dois tripulantes da nave (o russo Aleksey Ovchinin e o americano Nick Hague) a fazer um pouso de emergência.

O diretor executivo da Roscosmos (Agência Espacial Russa), Serguei Krikaliov, explicou na quarta-feira que o acidente foi provocado pela falha do sensor responsável por controlar a separação dos primeiros níveis da Soyuz.

“Uma das paredes laterais não se afasto de modo suficiente e atingiu um tanque de combustível do segundo nível, o que provocou uma explosão”, afirmou.

Skorobatov pediu nesta quinta-feira um “controle rígido” destes sensores e descartou a hipótese do problema ter origem na fábrica que produz as peças.

Ele indicou que as próximas naves Soyuz que devem decolar de Baikonur e do centro espacial francês de Kuru (Guiana) devem passar por revisões.

“Elaboramos propostas e recomendações para revisar os lançadores”, afirmou o diretor da Roscosmos. O procedimento exigirá desmontar e voltar a montar alguns blocos e a testar os sensores.

Dmitri Baranov, executivo da empresa RKK Energia, que projeta e produz as naves, garantiu que as Soyuz são “as naves mais confiáveis” que existem.

Apesar do acidente e de uma série de problemas técnicos que abalaram a imagem do setor espacial russo, as naves Soyuz mantêm uma taxa muito elevada de sucesso nos lançamentos. Além disso, o sistema de segurança que permitiu o retorno com vida dos astronautas em 11 de outubro funcionou de modo perfeito.

Sonda Parker, da NASA, acaba de quebrar dois recordes em um só dia

A missão histórica da NASA para “tocar o Sol” acaba de alcançar dois importantes marcos: ela agora detém o recorde de maior aproximação do Sol feita por um objeto construído por humanos — e também o recorde de espaçonave mais rápida já enviada ao espaço.

Lançada em 12 de agosto de 2018, a sonda Parker (ou Parker Solar Probe) está agora entrando nos primeiros estágios de sua missão.

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Às 14h04 (horário de Brasília) desta segunda-feira (29), a espaçonave chegou a menos de 42,7 milhões de quilômetros da superfície do Sol — um novo recorde para um objeto construído por humanos. O antigo pertencia à espaçonave alemã Helios 2, que alcançou o feito em abril de 1976. A partir de agora, cada centímetro que a sonda avance em direção ao Sol será um novo recorde de distância, com uma aproximação de 6,16 milhões de quilômetros prevista para 2024.

“Faz apenas 78 dias que a Parker Solar Probe foi lançada, e agora chegamos mais próximo de nossa estrela do que qualquer outra espaçonave na história”, disse o gerente de projeto da sonda, Andy Driesman, em um comunicado da NASA. “É um momento de orgulho para a equipe, embora sigamos focados em nosso primeiro encontro solar.”

Menos de dez horas depois, a espaçonave estabeleceu outro recorde. Alcançando e depois ultrapassando uma velocidade de 246.960 quilômetros por hora, a sonda Parker se tornou o objeto construído por humanos mais rápido de todos os tempos em relação ao Sol. O recorde anterior também havia sido alcançado pela missão Helios 2. Até 2024, espera-se que a espaçonave alcance velocidades superiores a 692.000 quilômetros por hora (ou 0,0006% a velocidade da luz).

Para calcular a velocidade e a distância da Parker Solar Probe, a agência espacial utiliza sua Deep Space Network, ou DSN. A NASA explica:

A DSN envia um sinal para a espaçonave, que então o retransmite de volta para a DSN, permitindo à equipe determinar a velocidade e a posição da espaçonave com base no timing e nas características do sinal. A velocidade e a posição da Parker Solar Probe foram calculadas usando medidas de DSN feitas em 24 de outubro, e a equipe usou essa informação, junto com forças orbitais conhecidas, para calcular a velocidade e a posição da espaçonave a partir desse ponto.

Em sua atual distância para o Sol, a sonda precisa de 150 dias para fazer uma órbita completa. Ela alcançará o primeiro dos 26 eventos de periélio (ponto mais próximo do Sol) em 6 de novembro de 2018. Nos próximos seis anos, o comprimento orbital da sonda diminuirá gradativamente, permitindo que ela se aproxime do Sol. À medida que se aproxima da superfície da estrela, a sonda enfrentará calor e radiação formidáveis, dos quais ela se defenderá com um escudo manobrável sempre apontado para a estrela no centro do nosso Sistema Solar.

Os sensores a bordo da Parker Solar Probe farão medições, fornecendo novos dados sem precedentes para cientistas. Aprendendo mais sobre o Sol, teremos uma melhor compreensão de como ele afeta a Terra e outros planetas, possivelmente melhorando nossa previsão do tempo espacial. Saber como e quando o Sol produz tempestades solares massivas, por exemplo, pode ajudar a reduzir danos na Terra.

Telescópio Kepler enfim dá adeus, depois de mais de nove anos de missão

O venerado telescópio espacial Kepler, da NASA, que descobriu aproximadamente 2.700 exoplanetas em sistemas estelares distantes, foi oficialmente aposentado depois de, por fim, ficar sem combustível, conforme escreveu a agência espacial norte-americana em um comunicado nesta terça-feira (30). Quando foi lançado em 2009, o telescópio foi aparelhado com “a maior câmera digital equipada para observações no espaço sideral da época”, descreveu a NASA, e os cientistas na Terra tinham um conhecimento muito limitado dos planetas além do alcance do Sistema Solar.

Telescópio Kepler enfim dá adeus, depois de mais de nove anos de missão

Telescópio Kepler não está mais operando, anuncia NASA

Apesar de um defeito no sistema de direção e dos baixos níveis de combustível, a espaçonave de US$ 600 milhões permaneceu em ação por nove anos, fazendo 19 campanhas de observação — muito mais tempo do que sua missão prevista inicialmente, que duraria quatro anos. De acordo com o Verge, o Kepler agora está esperando um comando nas próximas duas semanas para desativar seu transmissor e outros instrumentos. Depois disso, ele irá silenciosamente se deslocar em uma órbita segura em torno da Terra (a uma distância de 151 milhões de quilômetros, embora essa distância deva aumentar ao longo do tempo).

Os cientistas da missão chegaram a se preocupar que a espaçonave pudesse ter ficado irreparavelmente ineficaz depois de um problema no sistema de direção em 2012, embora eles tenham, por fim, encontrado uma solução engenhosa em 2013, usando a pressão gerada pelos raios do Sol para compensar uma roda de reação falha, mirando-a em alvos de observação. Essa solução não restaurou a funcionalidade completa — o Kepler acabava conseguindo se direcionar por cerca de 83 dias por vez —, mas possibilitou o começo de outra fase de operações.

O telescópio também passou por problemas com um de seus propulsores por volta da época em que começou sua 19ª campanha de observação no fim de agosto deste ano e entrou em modo de hibernação, embora a NASA tenha conseguido trazê-lo de volta a serviço em setembro.

“Um dos oito propulsores mostrou desempenho não confiável, mas a equipe estimou que simplesmente remover o propulsor de uso durante disparos de precisão poderia resultar em um desempenho aceitável do sistema”, disse Alison Hawkes, porta-voz do Centro de Pesquisas Ames, da NASA, ao SpaceNews no mês passado. “Como resultado, as mudanças foram feitas, e a Campanha 19 foi, por assim dizer, iniciada”.

REPRESENTAÇÃO ARTÍSTICA DO TELESCÓPIO KEPLER (FOTO: NASA AMES/ W STENZEL/WIKIMEDIA COMMONS)

Telescópio Kepler não está mais operando, anuncia NASA

A nave funcionou mais ou menos com pouquíssimo combustível nos últimos meses. De acordo com o Space.com, a equipe da missão confirmou que suas reservas foram gastas duas semanas atrás.

“Como primeira missão de caça de planetas da NASA, o Kepler excedeu todas as nossas expectativas e abriu caminho para nossa exploração e busca de vida no Sistema Solar e além”, disse Thomas Zurbuchen, administrador associado da Diretoria de Missão Científica da NASA em Washington D.C., em comunicado da NASA. “Não só ele nos mostrou quantos planetas poderiam estar por aí como também desencadeou um campo de pesquisa totalmente novo e robusto que tomou a comunidade científica. Suas descobertas lançaram uma nova luz sobre o nosso lugar no universo e iluminaram os mistérios e as possibilidades tentadoras entre as estrelas.”

“Agora, por causa do Kepler, o que pensamos sobre o universo mudou”, disse o diretor da divisão de astrofísica da NASA, Paul Hertz, em entrevista ao Verge. “O Kepler abriu o portão para a exploração do cosmos.”

O sucessor do telescópio, o muito mais potente Transiting Exoplanet Survey Satellite (TESS), foi lançado em abril deste ano a bordo de um foguete Falcon 9, da SpaceX, e foi projetado para descobrir mais de 20 mil novos exoplanetas. Em algum momento, o TESS ganhará a companhia do telescópio espacial James Webb, que, apesar de estar uma bagunça agora, deve ser lançado em 2021.

Adeus, Kepler. E, embora você possa estar se encaminhando para uma escuridão a milhões de quilômetros de seu mundo natal, você mostrou que o cosmos pode não ser tão solitário, e suas contribuições não serão esquecidas. E vai saber… Talvez, um dia, alguém vá te buscar.

https://gizmodo.uol.com.br/adeus-telescopio-kepler/

De quantas estações espaciais este planeta precisa?

Em uma extremidade da fábrica da Bigelow Aerospace fica uma maquete de uma casa gigantesca para futuros astronautas. Com um design único – que poderia ser embalada em um foguete e, em seguida, desembrulhada no espaço – ela comporta confortavelmente doze pessoas; ou pode servir como um bloco de construção para uma base lunar.

A estação espacial de Mir

De quantas estações espaciais este planeta precisa?

“Vai ser uma espaçonave monstruosa para o padrão atual”, disse em uma coletiva de imprensa em fevereiro Robert T. Bigelow, o fundador da empresa.

Ela é Olympus, batizada em homenagem à morada mitológica dos deuses gregos e uma demonstração das ambições de Bigelow para a construção de assentamentos no espaço.

Em um nível abaixo do chão da fábrica está uma estrutura longa e fina de metal. Ela é um protótipo da espinha de um módulo B330 mais modesto, que a empresa realmente planeja construir. Em uma escala menor, se comparada à Olympus, ainda seria muito menos apertada do que as latas de metal que compõem a Estação Espacial Internacional.

Bigelow diz que está empenhado em ter duas B330s prontas para lançamento em 2021, uma etapa que pode ser um prenúncio da mudança de meio século de exploração espacial humana pelo monopólio de agências governamentais, como a NASA, para um modelo capitalista, “livre para todos”. A administração de Trump quer acelerar essa transição e chegar ao fim do financiamento federal direto de estações espaciais depois de 2024.

De quantas estações espaciais este planeta precisa?

Um modelo da estação espacial Olympus em Bigelow Aerospace, em Las Vegas…

“Nós também queremos inúmeros fornecedores que possam competir em custo e inovação. Gostaríamos de ver a NASA se tornar uma das agências do ramo dentre tantas outras”, disse na semana passada Jim Bridenstine, o administrador da NASA.

Se as estações comerciais tiverem operações mais baratas, a NASA terá mais dinheiro para se dedicar a outros objetivos, como enviar astronautas para a Lua e para Marte, disse Bridenstine.

Mas apostar centenas de milhões de dólares em negócios que ainda não existem poderia ser uma maneira rápida de perder uma fortuna. E a viagem espacial continua sendo uma ocupação perigosa, que pode matar seus viajantes.

Bigelow, que fez sua fortuna ao fundar a Budget Suites of America, admitiu no início deste ano que não tem certeza se será capaz de encontrar clientes para sua B330s.

Se não houver mercado, “então faremos uma pausa. Se o negócio simplesmente não existisse, os funcionários estariam sentados no chão à espera do desemprego”, disse.

Home Office em órbita

Hoje, a Estação Espacial Internacional é o único lugar onde as pessoas – não mais de seis por vez – vivem longe da terra. É uma proeza tecnológica e a coisa mais cara que a humanidade já construiu. As 15 nações envolvidas, lideradas pelos Estados Unidos e pela Rússia, gastaram bem mais de US$ 100 bilhões ao longo de mais de duas décadas. Os Estados Unidos gastam entre US$ 3 bilhões e US$ 4 bilhões a cada ano.

Continuamente ocupada por quase 18 anos, a estação serve como teste para estudar os efeitos em longo prazo da radiação e da falta de gravidade sobre os astronautas. A NASA se especializou na manutenção da estação, em grande parte eliminando avarias como banheiros entupidos, sistemas de resfriamento travados e falhas computacionais.

Talvez o fato mais notável é que a vida na Estação Espacial Internacional tornou-se normal: é um home office, mesmo estando a mais de 320 quilômetros acima da Terra e viajando a 27 mil km/h, onde os astronautas trabalham, comem, dormem, se exercitam, fazem experiências, executam tarefas.

Apenas ocasionalmente a tripulação realiza atividades, como uma caminhada espacial, que realmente parece algo que não é deste mundo.

A possibilidade de aposentar a Estação Espacial Internacional, parte do pedido de orçamento da administração, assustou a muitos. Falta alguns anos para empresas como a Bigelow lançarem estações espaciais, e estes projetos caros e paradigmáticos normalmente escorregam no cronograma.

Os críticos se preocupam que a Estação Espacial Internacional possa ser descartada antes que suas sucessoras estejam prontas. Um espaço de tempo sem estações espaciais perturbaria os estudos da NASA, bem como empreendimentos comerciais emergentes. As novas companhias de estações espaciais poderiam parar se os clientes que são esperados demorarem a aparecer.

Algumas empresas já estão pagando para realizar experimentos modestos na estação espacial, mas são fortemente subsidiadas pelo governo. A NASA, por exemplo, atualmente arrecada o custo de envio e retorno de experimentos espaciais.

NASA/NYT

O astronauta Valeri Polyakov a bordo da estação espacial de Mir.

O astronauta Valeri Polyakov a bordo da estação espacial de Mir.

O astronauta Valeri Polyakov a bordo da estação espacial de Mir

O fracasso de um foguete russo Soyuz este mês, que levava dois astronautas para a estação espacial, ilustra como os empreendimentos espaciais podem ser minados por eventos fora de seu controle, tornando os investimentos de longo prazo de tais empresas arriscados.

Os astronautas foram levados para um lugar seguro, mas agora a estação espacial está com falta de pessoal e muitos experimentos talvez precisem ser negligenciados. Se os russos não resolverem rapidamente o problema, a estação pode ficar sem astronautas a partir de janeiro.

O lixo espacial de hoje é o habitat do espaço de amanhã

Há quase duas décadas, existiu uma estação espacial comercial por um breve período de tempo. Era russa e um americano chamado Jeffrey Manber a operava. Talvez pudesse ter sido bem-sucedida, mas a NASA a matou.

“Se você queria trabalhar com os capitalistas no espaço na década de 1990, você trabalhava com os russos. Se você queria trabalhar com os socialistas, você trabalhava para a NASA”, disse Manber.

Após o fim da União Soviética, o programa espacial russo foi pego pela necessidade de dinheiro, o que deu disposição para considerar ideias que poderiam ter soado como malucas para um país que deixava de ser comunista. A Mir, a estação espacial russa, foi vista como tosca e datada, prestes a ser substituída pela melhor e maior Estação Espacial Internacional.

Mas Manber e outros empresários nos Estados Unidos viram a Mir, condenada à destruição, mais como uma casa em ruínas à venda. A Energia, fabricante da Mir, concordou em fazer parceria com os americanos para criar a MirCorp, uma empresa comercial que arrendou a estação do governo russo.

O passo inicial da Energia foi a utilização da estação de pesquisa especialmente para produtos farmacêuticos. Manber sabia que a possibilidade era uma das melhores em anos.

“Rapidamente, fui para o lado do mercado que existia, que era entretenimento e mídia, e podíamos fazer isso, porque estávamos no controle”.

A MirCorp conseguiu o primeiro turista espacial, Dennis Tito, que iria para a Mir. Ele vendeu a ideia de um reality show para a NBC. Mark Burnett, o produtor que criou “Survivor”, “O Aprendiz” e “Shark Tank”, foi escolhido para realizá-lo. (Tito foi de fato o primeiro turista espacial, em 2001, mas acabou indo para a Estação Espacial Internacional.)

Mas os russos se renderam à insistência da NASA em encerrar Mir, que foi retirada de órbita e caiu no Pacífico em 2001.

Hoje, Manber esculpiu um nicho de sucesso no ecossistema da estação espacial como chefe executivo da NanoRacks, uma pequena startup com sede em Houston. A NanoRacks simplificou o processo de envio de experimentos para a estação espacial e também lança pequenos satélites conhecidos como CubeSats da estação.

Alex Wroblewski/NYT

De quantas estações espaciais este planeta precisa?

De quantas estações espaciais este planeta precisa?

Jeffrey Manber, chefe da NanoRacks em Washington

Há dois anos, Manber pediu aos seus engenheiros que investigassem uma ideia peculiar que a NASA tinha descartado anteriormente: as partes dos foguetes deixados em órbita depois do lançamento poderiam ser convertidas em uma estação espacial de baixo custo?

Com os avanços na robótica, as perspectivas de fazer isso pareciam mais promissoras.

A Nanoracks, em colaboração com a United Launch Alliance, uma fusão entre a Boeing e a Lockheed Martin, ganhou um contrato da NASA para explorar a ideia, concentrando-se na segunda etapa do foguete Atlas 5 da ULA.

A ideia é adicionar um pequeno módulo robótico entre o segundo estágio, conhecido como Centaur, e o satélite.

Tipicamente, quando o Centaur lança o satélite para a órbita desejada, ele é queimado na atmosfera. Com o plano da NanoRacks, uma vez que o Centaur realize sua missão principal, a peça robótica corta buracos, sela compartimentos e converte os tanques de combustível em alojamentos vivos.

Eles chamaram o conceito de um foguete estágio-habitat Ixion, em homenagem ao avô dos Centaurs.

Com um pouco mais de pesquisa da mitologia grega, perceberam que não era o melhor nome. Ixion era um personagem desagradável – assassinou seu sogro e mais tarde tentou seduzir a esposa de Zeus.

Agora, o conceito é chamado de NanoRacks Space Outpost Program e a empresa espera anexar um dos postos para a Estação Espacial Internacional.

A NanoRacks enxerga o turismo espacial de novo como um mercado precoce. Manber acha que a NASA e os entusiastas do espaço costumam ter uma visão muito estreita do que as empresas podem desenvolver.

“Eu gostaria de organizar os primeiros casamentos no espaço. Acho que as estações espaciais são extraordinariamente interessantes e não acho que tenham sido exploradas”, disse ele.

Para Manber, a chave é a flexibilidade.

“O mercado vai nos dizer qual o mercado. Então vamos com ele. Estamos surfando”, finalizou.

Inúmeras razões para privatizar

O terceiro grande participante na corrida da estação espacial privada é a Axiom Space, também sediada em Houston. É liderada por Michael T. Suffredini, que coordenou a parte que cabia à NASA da Estação Espacial Internacional até sua aposentadoria, em 2015.

Suffredini disse que uma estação Axiom com tecnologias modernas custaria cerca de US$ 50 milhões por ano para ser operada, uma pequena fração dos custos da Estação Espacial Internacional.

“Há inúmeras razões para fazermos isso. Tivemos muito trabalho para validar esse número, que é chocante para nós, também”, disse Suffredini.

Custos mais baixos abrem a possibilidade de lucro. “Acho que é um mercado de mais de US$ 1 bilhão”, disse ele.

Suffredini não descreveu em detalhes todos os mercados possíveis que prevê, mas o negócio incluiria o envio dos ricos em viagens turísticas – Philippe Starck, o designer francês, está projetando o interior do módulo Axiom – e a oferta de espaço para fábricas para quem quiser produzir materiais que podem ser feitos somente no espaço.

“Estou absolutamente certo de que podemos realizar nosso plano de negócios”, disse Suffredini.

Ele acha que tem uma vantagem significativa sobre as outras empresas: realmente operou uma estação espacial e manteve as pessoas vivas no espaço.

Enquanto Axiom, Bigelow e NanoRacks visam um dia substituir a Estação Espacial Internacional, em um curto prazo, as três empresas esperam se tornar uma parte maior da estação atual.

Bigelow atualmente tem um modesto puxadinho encaixado na estação espacial que serve como um armário e demonstra que a tecnologia funciona. A NASA está se preparando para lançar uma competição no início do próximo ano para um módulo comercial maior no porto de encaixe. Bigelow irá sugerir a adição de um B330. A NanoRacks quer um de seus Centaurs convertidos.

Joe Buglewicz/NYT

Um modelo da estação espacial B330 em Bigelow Aerospace, em Las Vegas

E ainda, a NanoRacks está convencendo a NASA a adicionar uma central que acomodaria três módulos comerciais, permitindo que diferentes empresas ofereçam diferentes capacidades para diferentes clientes – hotéis espaciais, fábricas autônomas de fibra ótica, laboratórios para investigação farmacêutica. Com o tempo, poderiam se expandir para várias estações em órbitas diferentes.

“Você não pode bancar e apostar em apenas uma empresa e uma peça de hardware”, disse ele.

Mas nem todos estão convencidos de que as contas fecham.

Paul K. Martin, inspetor geral da NASA, este ano emitiu um relatório enfatizando estas preocupações.

“Especificamente, questionamos se existe uma gama suficiente de negócios na qual as empresas privadas poderão desenvolver um negócio autossustentável e lucrativo independentemente do financiamento federal nos próximos seis anos”, disse ele.

O Congresso também se mantém cético – e às vezes até hostil – à ideia de aposentar a estação espacial.

Os líderes das três empresas também apontam para um perigo de concorrência – da NASA e da China. Se a NASA continuar a subsidiar a pesquisa na estação, então as empresas comerciais podem não ser capazes de competir, mesmo se forem mais baratas.

“Como podemos ter certeza de que seja um campo competitivo?”, disse Manber.

A China planeja terminar sua própria estação espacial no início dos anos 2020, e autoridades garantiram que ficaria disponível aos pesquisadores ao redor do mundo. A Rússia também falou em reter sua metade da Estação Espacial Internacional se os americanos se retirarem.

Especialistas em política espacial, mesmo aqueles que esperam de forma entusiástica que a NASA tenha uma abordagem mais comercial, hesitam em prever quando será possível mandar pessoas para o espaço de forma economicamente viável para uma empresa privada.

“Há algo faltando para que os negócios comerciais funcionem”, disse Charles Miller, ex-funcionário da NASA que agora é presidente da NexGen Space.

Em 2025, Miller espera que haja três estações espaciais em órbita: a Estação Espacial Internacional, a estação chinesa e o início de uma de caráter comercial.

“Ainda teremos debates violentos sobre o futuro da Estação Espacial Internacional”, disse ele.