Category Archives: planetologia

Nova técnica usa Hubble para confirmar existência de lua Hippocamp em Netuno

As sondas Voyager 1 e 2 nos mostraram que os planetas gasosos tinham uma grande coleção de luas a seu redor. As luas maiores foram estudadas logo e, com a chegada de dados a seu respeito, foi possível criar imagens artísticas vislumbrando seus visuais

Algumas das luas de Netuno e seus diâmetros (Imagem: NASA, ESA, A. Feild)
Nova técnica usa Hubble para confirmar existência de lua Hippocamp em Netuno

O planeta gasoso foi visitado pela Voyager 2 em 1989, quando descobrimos seis luas a seu redor. Em 2013 uma equipe do Instituto SETI anunciou a existência do objeto S / 2004 N1 ao redor de Netuno após analisar imagens do telescópio espacial Hubble registradas pela NASA em 2004. Na época, a equipe determinou que o objeto ficava a cerca de apenas 105 mil quilômetros de Netuno, completando uma órbita a cada 23 horas. Então, o objeto foi classificado como a menor lua das 14 conhecidas ao redor do planeta, estimando que seu diâmetro não seria maior do que 19 km.

Agora, uma nova equipe com pesquisadores do SETI, da NASA e de Berkeley divulgou um estudo atualizando a avaliação da pequena lua com observações do Hubble feitas em 2016, dando a ela o nome de Hippocamp — que remete a uma criatura com cabeça e cauda de peixe na mitologia grega. O apelido, aprovado pela União Astronômica Internacional, está de acordo com as convenções de nomenclatrura do sistema de Netuno, cujos nomes estão associados à mitologia greco-romana e ao mar.

A nova análise de Hippocamp foi publicada na revista Nature explicando que, para as novas observações, a equipe empregou uma técnica diferente em oito exposições sequenciais de 5 minutos, reorganizando os pixels para que eles pudessem “empilhar” imagens da pequena Lua umas sobre as outras, compensando seu movimento orbital no processo. Basicamente, os pesquisadores transformaram as oito exposições individuais em uma única de 40 minutos de duração. A técnica também permitiu a visualização da lua Naiad, que não era vista desde sua descoberta pela Voyager 2.

Nova técnica usa Hubble para confirmar existência de lua Hippocamp em Netuno
Algumas das pequenas luas de Netuno, com várias delas ainda não tendo imagens reais bem definidas (Imagem: Mark R. Showalter, SETI Institute)

Com o novo estudo, descobriu-se que Hippocamp é um mundo ligeiramente maior do que o imaginado anteriormente, tendo provavelmente um diâmetro de cerca de 34 quilômetros — mais ou menos o mesmo tamanho de Ultima Thule, objeto do Cinturão de Kuiper que vem sendo estudado pela New Horizons. Ainda, pelo fato de Hippocamp estar muito próxima de Netuno, os pesquisadores acreditam que a lua é mais jovem, se formando muito depois da lua Proteus (a maior das luas internas de Netuno), que fica a 420 km do planeta e se formou há cerca de 4 bilhões de anos — época em que esta lua deveria estar muito mais próxima de Netuno do que está hoje em dia.

A equipe também suspeita que Hippocamp já tenha sido parte de Proteus, sua “vizinha” mais próxima entre as luas de Netuno. É possível que um impacto de cometa em Proteus há muito tempo tenha desmembrado partes da lua, resultando, então, na formação de Hippocamp. E Proteus realmente tem uma enorme cratera de impacto — a Pharos —, com os cálculos prevendo que essa explosão projetou para o espaço detritos com 50 vezes o volume de Hippocamp. Esses detritos, quando reunidos em órbita pela força gravitacional de Netuno, podem então ter resultado na formação da pequena lua.

https://canaltech.com.br/espaco/nova-tecnica-usa-hubble-para-confirmar-existencia-de-lua-hippocamp-em-netuno-133285/

Nasa se prepara para descobrir a origem do universo em nova missão.

A Nasa anunciou o seu mais novo objetivo: encontrar respostas certeiras sobre como o universo surgiu e quais são os ingredientes para a vida dos sistemas planetários dentro da nossa galáxia.

A agência espacial norte-americana deseja lançar uma nova missão espacial em 2023 e os investimentos destinados para isso chegam a US$ 242 milhões — sem incluir os custos de lançamento.

Telescópio espacial SPHEREx será o responsável pela missão
Nasa se prepara para descobrir a origem do universo em nova missão.

Na missão, denominada SPHEREx, a Nasa usará um observatório espacial para coletar dados na Via Láctea. A jornada será feita em meio a 300 milhões de galáxias quando estiver em órbita. Além de tudo isso, ele terá que se deparar com 100 milhões de estrelas.

Durante o “passeio”, o SPHEREx vai procurar água e moléculas orgânicas, essenciais para a vida como conhecemos. Localizar as regiões onde as estrelas nascem também será parte da missão. Segundo a Nasa, os discos ao redor das estrelas podem ser o local em que novos planetas podem se formar.

“Esta incrível missão será um tesouro de dados únicos para os astrônomos. Ela fornecerá um mapa galáctico sem precedentes contendo ‘impressões digitais’ desde os primeiros momentos da história do universo. E teremos novas pistas para um dos maiores mistérios da ciência: O que fez o universo expandir tão rapidamente menos do que um nanossegundo depois do big bang?”, afirmou Thomas Zurbuchen, administrador associado do Diretório de Missões Científicas da Nasa.

No final de tudo, a missão vai ser capaz de criar um mapa de todo o céu. Os astrônomos poderão então explorar opções para novos estudos.

Quer morar em Marte? Não vai rolar tão cedo, diz brasileiro da Nasa

Ainda existem problemas técnicos gigantescos, como produzir oxigênio. É uma viagem que demora entre oito e nove meses. Não sei dizer quanto tempo falta, mas imagino umas duas ou três décadas. Depende muito do investimento.

Ivair Gontijo foi um dos líderes do projeto que culminou na ida do robô Curiosity para Marte
Ainda existem problemas técnicos gigantescos, como produzir oxigênio. É uma viagem que demora entre oito e nove meses. Não sei dizer quanto tempo falta, mas imagino umas duas ou três décadas. Depende muito do investimento.

Se a humanidade já conseguiu de alguma forma desvendar alguns aspectos de Marte, o brasileiro Ivair Gontijo é um dos responsáveis. O cientista da Nasa, formado pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), foi um dos líderes do projeto que culminou com a ida do veículo Curiosity para o planeta vermelho no início da década. Hoje ele mora na Califórnia (EUA) e trabalha no projeto que levará a próxima sonda para o planeta vizinho, então aproveitamos uma rápida passagem dele pelo país para perguntar ao físico: quanto tempo falta para podermos morar em Marte?

E as notícias não são animadoras. Ele jogou um balde de água fria em quem já planejava juntar um dinheirinho para comprar uma passagem no foguete de Elon Musk:

Além de achar um jeito de produzir oxigênio para a longa viagem, o brasileiro cita como empecilhos técnicos a dificuldade de armazenar comida para os astronautas fazerem o longo percurso até chegar a Marte e o espaço pequeno destinado a humanos dentro dos foguetes já usados para ir ao planeta vermelho.  Gontijo sequer arrisca uma data para pisarmos em solo marciano, até por não estar diretamente ligado ao projeto que visa levar humanos ao planeta. O que ele sabe, por trabalhar no grupo que vai lançar um novo robô para o planeta “vizinho”, é que estamos muito mais preparados para descobrir vida por lá

Estamos muito mais preparados para procurar por vida. Temos equipamentos melhores, técnicas mais sofisticadas e entendemos mais de sequenciamento de DNA. O equipamento de hoje é completamente diferente do de vinte, trinta ou cinquenta anos atrás.

A pesquisa vai coletar amostras e procurar por material orgânico em Marte, algo vital para descobrirmos se há ou houve vida ali em algum momento. Confira a entrevista completa com o cientista, que esteve no Brasil para a Campus Party 2019:
O que você está fazendo atualmente na Nasa? Em qual projeto está trabalhando?

Ivair Gontijo: Estou trabalhando no projeto Mars 2020, a próxima missão que vai para Marte entre julho e agosto do ano que vem. É parecida com a Curiosity –um veículo parecido, mas com um conjunto diferente de instrumentos e um sistema coletor de amostras. A ideia é mandarmos a melhor tecnologia e os melhores instrumentos para procurar material orgânico em Marte. Quando acharmos rochas com material orgânico dentro, vamos coletar amostras e colocar em tubos metálicos, que serão deixados na superfície de Marte para em uma missão futura robotizada trazer para a Terra.

Ivair Gontijo foi um dos líderes do projeto que culminou na ida do robô Curiosity para Marte … – Veja mais em https://noticias.uol.com.br/ciencia/ultimas-noticias/redacao/2019/02/14/existem-problemas-gigantescos-para-irmos-a-marte-diz-brasileiro-da-nasa.htm?cmpid=copiaecola

Por que precisa trazer para a Terra? Não pode ser analisado por lá?

Gontijo: Aqui temos o sequenciamento de DNA e técnicas de biologia e física que enchem um edifício inteiro. Não dá para fazer uma versão miniatura disso e mandar para Marte, por isso temos que trazer as amostras para estudar aqui. Sou o engenheiro responsável pelas interfaces entre o veículo e os instrumentos, como o laser para vaporizar rocha em Marte e fazer medidas de elementos químicos. São esses instrumentos que nos permitem fazer medidas remotas e saber quais materiais interessantes trazer para cá. Toda forma de vida na Terra que a gente conhece é feita de carbono, então buscamos material orgânico que indique se Marte já teve ou tem vida. Se a gente continuar insistindo, uma hora vamos responder essa pergunta.

Quando falta para irmos para Marte?

Gontijo: Ainda existem problemas técnicos gigantescos, como produzir oxigênio e comida para uma viagem que demora entre oito e nove meses. O Curiosity foi para Marte em um foguete onde só cabia uma coisa de quatro metros e meio, é espaço é muito pequeno para humanos. Coube apenas um veículo de 900 kg dentro. Mas os problemas técnicos, se continuarmos insistindo, vamos resolver. Só não sei dizer quanto tempo falta, mas imagino umas duas ou três décadas. Depende muito do investimento.

Quer morar em Marte? Não vai rolar tão cedo, diz brasileiro da Nasa.

Por que é tão importante chegarmos lá? O que a humanidade pode ganhar com isso?

Gontijo: O que a gente sabe é que o ser humano é um bicho curioso. Buscamos o conhecimento científico, interessa saber porque Marte se modificou tanto. Em um passado distante era um planeta muito parecido com a Terra e hoje é super frio e árido. O que aconteceu? A gente não sabe. Não sabemos o resultado que uma tecnologia vai produzir. Há pouco mais de 100 anos tinha um brasileiro que era rico, morava em Paris e gastou dinheiro fazendo uma máquina pesada que se mantinha no ar. Para que serve isso? Não acho que Santos Dumont poderia ter investido melhor, é o maior investimento da humanidade.
As coisas evoluem dessa forma. As aplicações vêm depois, desenvolvemos primeiro ideias e conceitos científicos.

Qual vai ser nosso primeiro passo em Marte? O que poderemos fazer que os robôs ainda não fizeram?

Gontijo: Com seres humanos, podemos fazer mais. Podemos ter mais informações sobre o planeta, informações quase subjetivas que o robô não teria como captar para nós. E também podemos começar a desenvolver todo um processo de colonização, podemos começar a plantar e fazer coisas que o robô não faz.

Quais as próximas fronteiras? O que vem de novo por aí que nos permitirá mais conhecimento?

Gontijo: Muita coisa. Tem exploração robótica do Sistema Solar, tem Marte, tem a lua de Júpiter. Europa é uma lua coberta de gelo cheio de fratura. Se tem fratura, é porque tem movimento. A gente tem indícios de que esse gelo tem 30 km de espessura e abaixo tem um oceano global, existe mais água em Europa do que na Terra, então o lugar é interessante para procurar vida. São várias missões acontecendo e vários outros corpos no Sistema Solar sendo estudados. E tem a astronomia em geral, estudo das estrelas, estudo das galáxias… Têm muitas perguntas a serem respondidas, por exemplo os pulsos de raio gama no Espaço que não se sabe de onde vêm. Tudo isso é estudado, a estrutura do universo inteiro, como as estrelas evoluem…


Estamos mais preparados para encontrar alguma forma de vida fora da Terra?

Gontijo: Com certeza, melhorou demais. Estamos muito mais preparados para procurar por vida, temos equipamentos melhores e técnicas mais sofisticadas. Entendemos mais de sequenciamento de DNA. Os equipamentos de hoje são completamente diferentes do que havia vinte, trinta ou cinquenta anos atrás.

Buscamos uma forma de vida que já existe na Terra ou algo diferente?

Gontijo: A gente faz medidas de estrelas em galáxias inteiras e planetas, por exemplo de Marte, e encontramos os mesmos elementos químicos da Terra. É magnésio, silício, carbono… os elementos da tabela periódica.
O carbono é quase mágico. Nós temos uma química inteira só do carbono, a orgânica, e a química inorgânica que trata dos outros. O carbono junta com oxigênio, hidrogênio e forma moléculas enormes que são o DNA e dá para decodificar a vida. Se esses elementos são abundantes, é muito mais fácil pensar que são por elementos parecidos. Não precisa ser humanoide com dois braços e pernas, mas uma vida baseada em molécula de DNA. Pode ser que não seja DNA também, mas é uma boa apostar no carbono. O silício também forma moléculas grandes, mas o carbono tem suas vantagens. Agora, se existe outra forma de vida completamente diferente, é baseada no quê? Se não for matéria, se não for químico, não teria nem como se comunicar. Não é científico. Eu acho que apostar em vida formada de carbono é a melhor aposta.

Curiosity tira foto de despedida daquele que foi seu local de trabalho em Marte no último ano

OO terreno sinuoso da Cordilheira Vera Rubin, em Marte, abriga a Curiosity da NASA há mais de um ano, mas é hora de o rover seguir em frente. Como um gesto final antes de caminhar em direção a uma região próxima rica em argila, a sonda capturou um impressionante panorama de 360 ​​graus de seu local de trabalho final do alto de um dos montes.

Juntamente com a sonda InSight da NASA, a Curiosity é agora uma das duas únicas sondas funcionais na superfície marciana. O Opportunity está incomunicável desde que uma enorme tempestade de poeira envolveu o planeta no verão passado e o deixou fora de serviço, possivelmente para sempre. A Curiosity, que vem explorando a superfície marciana desde 2012, continua a rodar, apesar das rodas muito desgastadas, uma broca que exigiu alguns testes sérios no ano passado para voltar a funcionar e uma falha de memória que limitou suas capacidades.

Curiosity tira foto de despedida daquele que foi seu local de trabalho em Marte no último ano
Contato foi perdido desde 10 de junho de 2018, quando uma tempestade de poeira envolveu o planeta vermelho.
A Curiosity está na Cratera de Gale, onde está explorando minerais ricos em ferro na Cordilheira Vera Rubin há mais de um ano. Dados recolhidos pela sonda sugerem que rochas dentro desta cadeia foram formadas por sedimentos que se acumularam no fundo de um lago marciano agora seco. No entanto, o motivo pelo qual essas rochas não estão se desgastando na mesma proporção que o leito rochoso ao redor delas continua sendo um mistério. • A Opportunity provavelmente morreu em Marte, e estes cientistas quiseram dar seu adeus à sonda • Cientistas descobrem origem de montanha em Marte usando uma técnica engenhosa no rover Curiosity Tendo explorado a área em detalhes, os cientistas da NASA já direcionaram a sonda para uma nova região — uma “unidade argilosa” apelidada de Glen Torridon, de acordo com um comunicado da NASA. O rover vai gastar cerca de um ano explorando esta região, em sua busca contínua por sinais de habitabilidade anterior. Em 19 de dezembro de 2018, a Curiosity usou sua câmera para capturar uma imagem panorâmica de 360 ​​graus de sua área de trabalho final na cordilheira, especificamente um local de perfuração conhecido como Rock Hall. A imagem composta consiste em 112 fotografias, mostrando a área de trabalho futura, o piso da Cratera de Gale e o majestoso Monte Sharp no fundo. As cores da imagem foram ajustadas para mostrar como as rochas e a areia ficariam sob a luz do dia na Terra.

A nova área de trabalho da Coriosity, descrita como um vale entre Cordilheira Vera Rubin e a área montanhosa ao redor da cratera, parece promissora em termos de seu potencial científico. Pesquisas anteriores realizadas pela sonda Mars, da NASA, sugerem que as rochas dessa região estão cheias de filossilicatos — minerais de argila que se formam na água. Os dados coletados em Glen Torridon poderiam nos dizer mais sobre os antigos lagos que outrora encheram a Cratera de Gale durante a história inicial do Planeta Vermelho.

Crédito: NASA/JPL-Caltech/MSSS

“Além de indicar um ambiente previamente úmido, os minerais de argila são conhecidos por aprisionar e preservar moléculas orgânicas”, disse o cientista do projeto Curiosity, Ashwin Vasavada, em um comunicado. “Isso torna essa área especialmente promissora, e a equipe já está inspecionando a área para o próximo local de perfuração.”

Selfie tirada em 15 de janeiro de 2019. Crédito: NASA/JPL-Caltech
Curiosity tira foto de despedida daquele que foi seu local de trabalho em Marte no último ano

De fato, a Curiosity já descobriu vestígios de minerais de argila e moléculas orgânicas em Marte. Sozinhos, orgânicos não são sugestivos de vida, mas são os ingredientes crus necessários para ela. A presença prévia de água líquida e moléculas orgânicas na superfície sugere que o planeta já foi capaz de promover a vida, mas são necessários mais dados para provar isso. Ao explorar os depósitos ricos em argila em Glen Torridon, Curiosity pode revelar evidências dos ambientes anteriores em que essa hipótese da vida marciana poderia ter emergido.

Se os cientistas puderem provar que Marte já foi habitável (ao contrário de realmente propiciar o surgimento de seres vivos — são duas coisas diferentes), significa que nosso Sistema Solar já abrigou pelo menos dois planetas capazes de receber a vida. Se isso for verdade, tem ramificações sérias para nossa compreensão do potencial do Universo de ter vida em geral. Continue trabalhando, Curiosity. Nós queremos saber mais sobre isso.


É oficial: NASA diz que o rover Opportunity morreu em Marte

A NASA declarou em uma coletiva de imprensa nesta quarta-feira (13) que o rover Opportunity parou de funcionar, marcando uma era de exploração de Marte e celebrando o sucesso da missão MER (Mars Exploration Rover).

O Opportunity desembarcou em 2004 em Marte e viajou 45 km no planeta vermelho
Contato foi perdido desde 10 de junho de 2018, quando uma tempestade de poeira envolveu o planeta vermelho. Contato foi perdido desde 10 de junho de 2018, quando uma tempestade de poeira envolveu o planeta vermelho.

A última tentativa da equipe da missão MER de contato com o Opportunity foi feita na noite de terça-feira (12).

A última tentativa da equipe da missão MER de contato com o Opportunity foi feita na noite de terça-feira (12).  Cientistas, comunicadores do ramo da ciência e fãs de astronomia têm postado no Twitter algumas das suas memórias favoritas do rover que passou quase 15 anos explorando Marte. O último sinal enviado pelo rover à NASA foi em 10 de junho de 2018 após uma tempestade de areia tomar conta do planeta, bloqueando os painéis solares do veículo.
Uma das últimas imagens enviadas pelo Opportunity tirada em 10 de junho de 2018

Cientistas, comunicadores do ramo da ciência e fãs de astronomia têm postado no Twitter algumas das suas memórias favoritas do rover que passou quase 15 anos explorando Marte. O último sinal enviado pelo rover à NASA foi em 10 de junho de 2018 após uma tempestade de areia tomar conta do planeta, bloqueando os painéis solares do veículo.

O Opportunity desembarcou em 2004 em Marte e viajou 45 km no planeta vermelho.

Pesquisadores da NASA resistiram por um tempo, fizeram centenas de tentativas de contato e tentaram ouvir ondas de rádio nas esperança de ter algum sinal do rover novamente. No entanto, não houve resposta.

O rover, junto com seu parceiro, Spirit, posou em Marte em 2004 como parte da missão MER. Eles excederam a expectativa de vida de 90 dias, explorando rochas e a atmosfera do planeta vermelho. Juntos, eles encontraram evidências de que Marte já foi um local úmido e que poderia ter tido os ingredientes para fazer a vida prosperar em sua superfície. Durante o tempo deles por lá, tiraram um monte de fotos do planeta vermelho que ajudaram a moldar a imagem do público sobre Marte. O rover Spirit ficou em atividade até o fim de 2010.

Sombra do rover Opportunity. Crédito: ASA/JPL-Caltech
Contato foi perdido desde 10 de junho de 2018, quando uma tempestade de poeira envolveu o planeta vermelho.

Os rovers foram muito influentes na forma que eles permitiram aos cientistas realizarem medidas usando plataformas móveis. “Estes rovers realmente mudaram a forma de pensar em ciência feita em outro planeta”, disse Lori Glaze, diretora da divisão de ciência planetária da NASA, durante conferência de imprensa. “Agora quando pensamos em fazer ciência planetária, assumimos que queremos mobilidade.”

O Opportunity era um exemplo desta mobilidade ao viajar por 45 km na superfície marciana. A missão começou na cratera Eagle, e após estudar crateras na região, os cientistas decidiram levá-lo a uma viagem até a cratera Endeavour, que era muito maior. “Quando chegamos lá, a missão parece ter começado novamente”, disse Steve Squyres, principal pesquisador da missão MER da Universidade Cornell, durante a conferência.

Caminho percorrido pelo Opportunity. Crédito: Wikimedia user James919/Wikimedia Commons)
É oficial: NASA diz que o rover Opportunity morreu em Marte

Nós temos uma tendência de nos apegarmos à espaçonave que enviamos, não só porque ligamos para os equipamentos em si, mas porque elas representam grandes equipes de indivíduos que estão trabalhando duro para impulsionar o conhecimento em lugares nunca antes visitados. Estas missões e as pessoas que trabalham para mantê-las contam com um importante legado de descoberta, e cada um representa um marco na exploração espacial. Então, é um pouco triste ver projetos como este acabarem.

Contato foi perdido desde 10 de junho de 2018, quando uma tempestade de poeira envolveu o planeta vermelho.
Nasa anuncia fim das atividades do robô Opportunity em Marte

E, olha, essa missão foi bem influente. “Há milhares de estudantes que, como eu, foram testemunha desses rovers, e que seguiram os passos da missão nesses 15 anos, e, por causa disso, foram buscar ciência e educação”, afirmou Abigail Fraeman, cientista da missão MER do Laboratório de Propulsão à Jato, da NASA, também durante evento para imprensa.

Lógico que isso não é o fim da exploração de Marte. A ciência marciana avançou bastante durante esses anos. As missões ExoMars e Mars 2020 adicionarão mais dois rovers ao planeta vermelho. O InSight pousou há pouco tempo na superfície de Marte e já implantou com sucesso seus instrumentos para medir o interior do planeta. O rover Curiosity, da NASA, sobreviveu à tempestade, e ainda há um monte de dados dos rovers da missão MER para serem analisados. E, como alguns cientistas com quem falei me confidenciaram, não há forma mais nobre do que morrer em uma das maiores tempestades marcianas já registradas após viver 14 anos a mais do que estava previsto.

“Portanto, estou de pé aqui com um profundo sentimento de gratidão por declarar que a missão do Opportunity está completa”, disse Thomas Zurbuchen, administrador associado de ciência da Nasa, durante uma conferência pública.

Assim termina uma missão cuja longa duração foi completamente inesperada, pois o robô foi projetado inicialmente para resistir na superfície de Marte durante três meses, como lembrou o administrador da Nasa, Jim Bridenstine.

“O objetivo era poder se movimentar ao longo de vários quilômetros pela superfície de Marte e sobreviver por 90 dias. E ao invés disso, aqui estamos depois de mais de 14 anos”, ressaltou Bridenstine, que está no cargo desde abril de 2018, após ser nomeado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

“Foram duas décadas de trabalho impressionante”, avaliou Bridenstine, que também brincou com o fato de ter que fazer tal anúncio depois de assumir o cargo “há apenas um ano” e que, “como político, em breve encontrará um jeito de culpar alguém”.

O chefe do programa, John Callas disse que os engenheiros sabiam que um dia a missao chegaria ao fim. “Mas não imaginávamos que demoraria tanto”, afirmou. “Embora seja uma máquina, é difícil dizer adeus, é doloroso”.

O Opportunity desembarcou em 2004 em Marte e viajou 45 quilômetros no planeta vermelho, garantindo um lugar na história como uma missão mítica, que foi inicialmente prevista para 90 dias. O robô deu aos cientistas uma visão próxima de Marte que nunca antes observada: rochas dispostas em camadas que resistiram à erosão da água que supostamente fluiu em Marte há milhões de anos; um requisito prévio para as condições que permitem a possibilidade de vida.

Pelo fato de este aparelho e seu gêmeo Spirit, que se desligou em 2010, continuarem ativos por muito mais tempo do que o esperado, a Nasa teve uma presença robótica contínua em Marte durante mais de 15 anos.

Se você ainda não estiver preparado para dizer adeus, nós compilamos algumas mensagens de despedida de astrônomos que conheciam e amavam o Opportunity. Você também pode dar uma olhada aqui nas imagens da missão MER numa galeria aqui.

É oficial: NASA diz que o rover Opportunity morreu em Marte

NASA apresenta Marte em vídeo 360º

A missão Curiosity gravou imagens de uma área identificada como Rock Hall e do piso da Cale Crater.

A missão Curiosity gravou imagens de uma área identificada como Rock Hall e do piso da Cale Crater.


Depois de mais de um ano a explorar a mesma região de Marte, o rover Curiosity da NASA mudou recentemente de lugar. Novas imagens mostram a “passagem” entre um local e outro.
O veículo de exploração espacial Curiosity já desceu de Vera Rubin Ridge, o pico central da cratera marciana Gale, em Mount Sharp, por onde “passeou” por mais de ano, mas, antes de partir, registou algumas imagens.

Da montagem das fotos panorâmicas resultou uma animação vídeo que mostra a área onde o rover andou a “apalpar terreno” no último ano, conhecida como Rock Hall, mas também do local por onde vai andar a partir de agora por tempo idêntico: a zona argilosa de Cale Crater.

As imagens foram captadas a 19 de dezembro último, informa a NASA, embora o vídeo tenha sido divulgado há poucos dias.

agência espacial norte americana NASA divulgou este domingo imagens 360º do pico central da cratera marciana Gale – Vera Rubin Ridge. O vídeo foi captado pelo rover (veículo de exploração espacial) Curiosity.

NASA APRESENTA MARTE EM VÍDEO 360º

Embora as imagens só estejam a ser divulgadas agora, foram captadas a 19 de dezembro do ano passado. E trata-se de uma montagem de várias fotografias de uma área identificada como Rock Hall e do próximo destino da Curiosity, o piso da Cale Crater, uma zona argilosa. Equipamentos do rover detetaram a presença de hematite, um mineral rico em ferro que existe apenas em locais onde geralmente há água.

“Nós já tivemos a nossa quota-parte de surpresas. E estamos a ficar com uma perspetiva diferente da que tínhamos da cordilheira”, explicou o Abigail Fraeman, envolvido no projeto, citado pelo Daily Mail.

A missão Curiosity começou a 26 de novembro de 2011 na estação da Força Aérea Americana na Flórida. Na altura, estava planeada para durar apenas dois anos, mas já está ativa há mais de dois mil dias e continua no espaço graças ao sucesso das informações obtidas sobre o planeta Marte. Os seus principais objetivos são contribuir para estudos geológicos e geoquímicos, estudar a atmosfera, o clima e procurar indícios da presença de água.

Como a Lua surgiu? Estudos da Nasa sugerem que ela “veio” da Terra

Como a Lua foi formada? Cientistas buscam há anos entender como isso aconteceu e a teoria mais aceita no momento defende que ela foi formada

Como a Lua surgiu? Estudos da Nasa sugerem que ela "veio" da Terra

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O que é o combustível “perfeito” que a China busca no lado oculto da Lua

Os estudos da agência espacial consideraram amostras da Lua coletadas há quase 50 anos e dados de outras pesquisas já feitas sobre ela. Em posse dessas informações, os pesquisadores simularam as etapas de formação da Lua para entender como o processo aconteceu.

O cientista Kevin Righter, do Centro Espacial Johnson da Nasa, e sua equipe analisaram e compararam 14 elementos metálicos encontrado nessas amostras (como zinco, estanho, cádmio, índio e túlio) e encontrou uma forte correlação com elementos presentes na Terra na maioria deles (nove, especificamente).

Segundo o pesquisador, os resultados indicam que a Lua não foi formada a partir de um material gerado após impacto com o corpo do tamanho de Marte, já que as mesmas comparações também foram feitas considerando esse cenário.

“Os pesquisadores analisaram pequenos subconjuntos desses elementos no passado, mas esta é a primeira vez que todos os 14 elementos foram modelados juntos para analisar o sistema Terra-Lua”, disse Righter.

“Simulando os principais processos que contribuem para a formação da Lua e a diferenciação inicial, fomos capazes de prever o nível de cada elemento que deveria estar presente no manto da Lua”, acrescentou.

Para a Nasa, os resultados são indicativos importantes, mas ainda iniciais. No entanto, o desejo que é o trabalho estimule novas pesquisas.

O GRANDE CHOQUE

A teoria mais aceita hoje em dia para o surgimento da Lua envolve a hipótese de um grande impacto entre a Terra e um planeta do tamanho de Marte há 4,4 bilhões de anos.

Ela foi apresentada em 1975 e indica que uma grande quantidade de material se desprendeu após a colisão e a Lua foi formada.

Essa relação ajuda a explicar os motivos da Terra e da Lua serem parecidas do ponto de vista geoquimicamente.

Missão Juno: as tempestades polares gigantes encontradas pela Nasa em Júpiter.

A Missão Juno ao gigante Júpiter chegou à metade e revelou novas imagens de ciclones nos polos do planeta.
Ao orbitar o planeta a cada 53 dias, a sonda Juno faz um levantamento científico de polo a polo.

Seus sensores estão medindo a composição do planeta para decifrar como o maior mundo do nosso sistema solar se formou.
Mapear os campos magnéticos e gravitacionais também deve expor a estrutura de Júpiter.

JunoCam registrou ciclones gigantes nos polos (esq.) e revelou uma tempestade em formato de golfinho (dir.)

Missão Juno: as tempestades polares gigantes encontradas pela Nasa em Júpiter

 

Mas imagens da JunoCam, uma câmera que foi instalada para registrar imagens que possam ser compartilhadas com o público – já nos trazem algumas revelações surpreendentes.

Candice Hansen, do Instituto de Ciência Planetária do Arizona, que está chefiando o projeto, apresentou algumas delas na reunião da União Geofísica Americana, em Washington DC.

“Quando fizemos os primeiros registros dos polos, tivemos certeza de que estávamos vendo um território de Júpiter que nunca tínhamos visto”, disse a professora Hansen.

“O que a gente não esperava era que veríamos esses polígonos de ciclones organizadinhos, tempestades com o dobro do tamanho do Estado do Texas. Pensamos ‘uau, espetacular’.”

E depois de 16 sobrevoadas, essas formações ainda estão lá.

Essas “belas fotos” estão começando a dar informações aos cientistas sobre como o maior planeta do sistema solar se formou e evoluiu.

“O objetivo da Juno é estudar o interior da estrutura de Júpiter e entender como ela se expressa no topo das nuvens. É esse o tipo de ligação que estamos tentando fazer, mas ainda não chegamos lá.”

Jack Connerney, pesquisador do projeto, diz que a segunda parte da missão daria ainda mais detalhes sobre “o que faz Juno funcionar”.

Nova sonda em Marte vai fazer uma espécie de ‘ultrassom’ do planeta

Os sete meses de espera finalmente estão chegado ao fim! No final da tarde hoje a sonda Insight da agência espacial americana NASA vai iniciar seus procedimentos para pousar em Marte e o leitor incauto pode se perguntar: mas de novo?

Pois é, de novo Marte, mas desta vez a ideia é um pouco diferente. Ao invés de observar as coisas acontecendo da superfície marciana para cima, por assim dizer, a InSight vai “olhar” para dentro de Marte!

A NASA tem dito que esta será a primeira missão espacial a fazer um verdadeiro checkup médico de um planeta, registrando pulsação, temperatura e fazendo um ‘ultrassom’ planetário. A missão Insight visa obter dados do interior de Marte para construir um cenário de como teria sido sua evolução desde que o Sistema Solar foi formado. Essa missão em específico não tem o propósito de procurar pistas sobre possíveis formas de vida, seja atualmente, seja no passado.

O carro chefe da missão é um instrumento construído em parceria com a França para medir abalos sísmicos em Marte. Trata-se de um sismógrafo ultrassensível que pretende registrar os abalos provocados até pelo choque de micrometeoritos com a superfície marciana. O objetivo de tomar dados tão sensíveis assim é o de usar a propagação das ondas sísmicas através do interior do planeta para se construir sua estrutura interna. Esse é o ultrassom marciano que eu mencionei.

O procedimento é semelhante ao exame usual que volta e meia precisamos fazer em uma clínica, mas neste caso são utilizadas ondas sonoras em alta frequência. Como o corpo humano tem diversos órgãos com estruturas e densidades diferentes, as ondas sonoras se propagam de maneira diferente ao atravessar ou refletir quando encontra um tecido diferente. Com isso, é possível processar os sinais que são refletidos (ou não) de maneiras diferentes para reconstruir uma imagem da estrutura que provocou as diferenças entre o sinal gerado e o recebido.

Em Marte serão usadas as ondas sísmicas provocadas por movimentações de terreno. Não que se espere martemotos gerados por deslocamentos de placas tectônicas, como ocorrem na Terra, mas por exemplo desabamento de cavernas ou mesmo avalanches em encostas de desfiladeiros, como já foi detectado. Aliás, não se espera tectonismo em Marte, mas se ocorrerem movimentações de placas tectônicas, o SEIS (sigla em inglês para Experimento Sísmico para Estrutura Interior) vai detectá-las. Outro “gerador” de ondas sísmicas é a queda de meteoritos na superfície marciana. O choque do meteorito com o solo gera perturbações que serão captadas à distância. O instrumento é tão sensível que poderá captar até mesmo as perturbações geradas pelos redemoinhos marcianos, os famosos ‘dust devils’.

Aliás, essa alta sensibilidade causou um problema no desenvolvimento da missão. Durante um tempinho os técnicos que construíram os sismógrafos ficavam encafifados que havia sempre um ruído de fundo durante os testes. Eram injetados sinais sutis para se testar sua eficiência, mas ao terminarem os testes, o instrumento continuava a registrar algum sinal. Levou um tempo para que se descobrisse que o sinal vinha da movimentação de sinos de uma torre na universidade, a uma distância de quase 500 metros!

Essa história me foi contata por Ivair Gontijo, engenheiro brasileiro que trabalha no JPL da NASA na integração dos instrumentos do próximo jipe marciano, o Mars 2020. Gontijo foi o responsável por projetar os radares que controlaram o pouso do jipe Curiosity em 2012. Por ser tão sensível é que o sismógrafo vai ser depositado gentilmente por um braço robótico ao lado da sonda. Gontijo me explicou que os sismógrafos embarcados nas sondas Viking na década de 1970, mais precisamente nas pernas da sonda, falharam em registrar sismos porque os ventos marcianos faziam a estrutura toda oscilar e isso mascarava qualquer sinal vindo do subsolo.

Essa é uma foto do módulo de engenharia da InSight que eu tirei na sala limpa do JPL em Pasadena, Califórnia, durante uma visita em julho deste ano. Esse módulo é uma réplica funcional da sonda que deverá pousar daqui a pouco em Marte, apenas sem seus painéis solares. O propósito de se manter uma réplica como essa é testar algum procedimento que seja necessário fazer em Marte. Se a InSight tiver algum problema, uma solução será testada nesse módulo antes de ser enviada a Marte. Logo depois de pousar, a sonda deverá enviar imagens da região à sua volta para que sua cercania seja replicada no ‘Jardim Marciano’, o campo de testes das sondas com destino a Marte, lá mesmo em Pasadena. O terreno e a disposição das pedras serão usados para planejar a melhor maneira de depositar o sismógrafo no solo.

Aliás o pouso da InSight também está sendo chamado de ‘6 minutos de terror’ (com a Curiosity foram 7). A massa destas sondas e suas velocidades de entrada são muito grandes para que apenas um mecanismo de pouso possa ser usado. Assim que a sonda inicia sua entrada, ela é freada pela própria atmosfera com um escudo térmico para proteção. Quando a velocidade cai o suficiente, um paraquedas gigantesco é ejetado. Só que a atmosfera marciana representa algo como 1% da atmosfera terrestre e isso impede que a sonda reduza a velocidade de queda para níveis adequados. Já próximo à superfície, a sonda se livra do paraquedas e dispara retrofoguetes que finalmente vão desacelera-la a níveis seguros para pousar.

Além do sismógrafo, a InSight carrega também um termômetro e um sensor de posição. O termômetro não é um termômetro qualquer, mas na verdade uma barra de aproximadamente 5 metros que será enterrada no solo marciano. Marte já foi escavado em outras expedições, mas nada além de uns poucos centímetros, dessa vez o buraco é mais embaixo, literalmente. O objetivo deste instrumento é ver como é a transmissão e dissipação do calor no subsolo e com isso ter uma ideia de como Marte foi se esfriando ao longo de bilhões de anos de existência.

Já o sensor de posição vai permitir, usar as transmissões dos satélites em órbita de Marte para triangular a posição da sonda com altíssima precisão. O objetivo é medir variações sutis de sua posição em 3 dimensões para registrar o movimento de “bamboleio” que ele executa junto com sua revolução (no meu tempo chamada de translação) e rotação. E o interesse em se ter essa medida com precisão muito alta é determinar a natureza do interior de Marte. Se o interior de Marte tiver um núcleo líquido, os bamboleios serão diferentes, assim como a propagação das ondas sísmicas. E se tiver mesmo, qual a extensão dele? Qual o tamanho desse núcleo em relação ao resto? Você pode ver um infográfico muito legal nesta reportagem aqui.

Se tudo der certo, a Insight deve pousar às 17:54 (horário de Brasília) e seu primeiro sinal de vida deverá ser emitido às 18:01. Vai levar pelo menos 8 minutos para esse sinal chegar à Terra e só aí saberemos se de fato ela está viva. Logo em seguida ao pouso a sonda deverá abrir seus painéis solares, mas essa informação só poderá ser confirmada de fato às 23:35, quando a sonda Mars Odyssey sobrevoar a área do pouso. É possível que a primeira imagem da InSight em solo só chegue amanhã.

(ATUALIZAÇÃO: o pouso foi realizado com sucesso e uma imagem foi enviada após o pouso)

Mas também é possível que algumas imagens da sonda entrando na atmosfera de Marte sejam enviadas quase em tempo real (descontados os 8 minutos de distância). É que a sonda está sendo seguida por dois cubesats do tamanho de uma valise de mão. Os dois cubesats vão fotografar essa etapa da missão e vão enviar as imagens de volta para a Terra.

Apesar do grande sucesso da NASA em conseguir pousar suas sondas nos tempos recentes, é bom lembrar que o índice de sucesso, quando falamos do planeta vermelho, é da ordem de 40%. Por isso, toda torcida é bem-vinda!

https://g1.globo.com/ciencia-e-saude/blog/cassio-barbosa/post/2018/11/26/nova-sonda-em-marte-vai-fazer-uma-especie-de-ultrassom-do-planeta.ghtml

SONDA INSIGHT MARS, DA NASA, FAZ A PRIMEIRA SELFIE EM MARTE

NASA CAPTURA ÁUDIO DO VENTO DE MARTE EM MISSÃO NO PLANETA

Nova sonda em Marte vai fazer uma espécie de ‘ultrassom’ do planeta

 

 

Sonda Insight Mars, da Nasa, faz a primeira selfie em Marte

A imagem revela a condição da espaçonave – sem avarias – e permite que os envolvidos na missão saibam que a sonda está realizando operações e funcionando normalmente.

A imagem revela a condição da espaçonave – sem avarias – e permite que os envolvidos na missão saibam que a sonda está realizando operações e funcionando normalmente.

Sonda Insight Mars, da Nasa, faz a primeira selfie em Marte

A sonda Insight Mars, da Nasa, fez a sua primeira selfie no planeta vermelho após o pouso que ocorreu em 26 de novembro. Para fazer a selfie, a espaçonave usou uma câmera instalada em seu braço robótico.

A sonda Insght Mars é uma nave espacial não tripulada que percorreu 482 milhões de Km até chegar ao planeta vermelho. Sua missão é “olhar para dentro” de Marte: seus instrumentos permitem detectar atividades sísmicas no interior do planeta.

Concepção artística mostra como a InSight deverá estudar o interior de Marte — Foto: NASA

Sonda Insight Mars, da Nasa, faz a primeira selfie em Marte

Selfie em Marte

A foto enviada pela Insgiht é, na verdade, um mosaico com 11 imagens. Nelas é possível ver o painel solar da sonda e todo o seu deck, incluindo os instrumentos científicos.

A imagem revela a condição da espaçonave – sem avarias – e permite que os envolvidos na missão saibam que a sonda está realizando operações e funcionando normalmente.

Os integrantes da equipe responsável pela missão também receberam o primeiro registro completo no “espaço de trabalho” da InSight – uma área de 4 por 2 metros de altura, em frente à espaçonave. Esta imagem é também um mosaico composto por 52 fotos individuais.

Sonda Insight Mars, da Nasa, faz a primeira selfie em Marte

Insight Mars também enviou imagem do seu ‘espaço de trabalho’: registro é um mosaico de 52 fotos sobrepostas — Foto: Nasa/JPL-Caltech

O que está por vir

Nas próximas semanas, cientistas e engenheiros deverão decidir onde, neste espaço de trabalho, os instrumentos da espaçonave devem ser colocados.

Eles então comandarão o braço robótico da InSight para definir cuidadosamente o sismômetro (chamado de Experimento Sísmico para Estrutura Interna, ou SEIS) e a sonda de fluxo de calor (conhecida como Pacote de Fluxo de Calor e Propriedades Físicas, ou HP3) nos locais escolhidos. Ambos funcionam melhor em terreno plano e os engenheiros querem evitar colocá-los em rochas maiores que 1,3 cm.

Sonda Insight Mars, da Nasa, faz a primeira selfie em Marte

A imagem revela a condição da espaçonave – sem avarias – e permite que os envolvidos na missão saibam que a sonda está realizando operações e funcionando normalmente.

“A quase ausência de rochas, colinas e buracos significa que será extremamente seguro para nossos instrumentos”, disse Bruce Banerdt, do Laboratório de Propulsão a Jato da NASA em Pasadena, Califórnia.

“Isso pode parecer um pedaço de terra bem simples se não estivesse em Marte, mas ficamos felizes em ver isso.”

Insight Mars registra a primeira 'selfie' no planeta vermelho — Foto: Nasa/JPL-Caltech

Missão da Nasa quer descobrir as características do interior do planeta vermelho — Foto: Roberta Jaworski/G1

A equipe de pouso da InSight escolheu uma região para o pouso da sonda, em Elysium Planitia, que é relativamente livre de rochas. Mesmo assim, o local de aterrissagem é ainda melhor do que eles esperavam.

A espaçonave fica no que parece ser uma “cavidade” quase livre de rochas – uma depressão criada por um impacto de meteoro que se encheu de areia. Isso deve tornar mais fácil para um dos instrumentos da InSight, a sonda de fluxo de calor, atingir sua meta de 5 metros abaixo da superfície.