Category Archives: planetologia

Telescópio Kepler enfim dá adeus, depois de mais de nove anos de missão

O venerado telescópio espacial Kepler, da NASA, que descobriu aproximadamente 2.700 exoplanetas em sistemas estelares distantes, foi oficialmente aposentado depois de, por fim, ficar sem combustível, conforme escreveu a agência espacial norte-americana em um comunicado nesta terça-feira (30). Quando foi lançado em 2009, o telescópio foi aparelhado com “a maior câmera digital equipada para observações no espaço sideral da época”, descreveu a NASA, e os cientistas na Terra tinham um conhecimento muito limitado dos planetas além do alcance do Sistema Solar.

Telescópio Kepler enfim dá adeus, depois de mais de nove anos de missão

Telescópio Kepler não está mais operando, anuncia NASA

Apesar de um defeito no sistema de direção e dos baixos níveis de combustível, a espaçonave de US$ 600 milhões permaneceu em ação por nove anos, fazendo 19 campanhas de observação — muito mais tempo do que sua missão prevista inicialmente, que duraria quatro anos. De acordo com o Verge, o Kepler agora está esperando um comando nas próximas duas semanas para desativar seu transmissor e outros instrumentos. Depois disso, ele irá silenciosamente se deslocar em uma órbita segura em torno da Terra (a uma distância de 151 milhões de quilômetros, embora essa distância deva aumentar ao longo do tempo).

Os cientistas da missão chegaram a se preocupar que a espaçonave pudesse ter ficado irreparavelmente ineficaz depois de um problema no sistema de direção em 2012, embora eles tenham, por fim, encontrado uma solução engenhosa em 2013, usando a pressão gerada pelos raios do Sol para compensar uma roda de reação falha, mirando-a em alvos de observação. Essa solução não restaurou a funcionalidade completa — o Kepler acabava conseguindo se direcionar por cerca de 83 dias por vez —, mas possibilitou o começo de outra fase de operações.

O telescópio também passou por problemas com um de seus propulsores por volta da época em que começou sua 19ª campanha de observação no fim de agosto deste ano e entrou em modo de hibernação, embora a NASA tenha conseguido trazê-lo de volta a serviço em setembro.

“Um dos oito propulsores mostrou desempenho não confiável, mas a equipe estimou que simplesmente remover o propulsor de uso durante disparos de precisão poderia resultar em um desempenho aceitável do sistema”, disse Alison Hawkes, porta-voz do Centro de Pesquisas Ames, da NASA, ao SpaceNews no mês passado. “Como resultado, as mudanças foram feitas, e a Campanha 19 foi, por assim dizer, iniciada”.

REPRESENTAÇÃO ARTÍSTICA DO TELESCÓPIO KEPLER (FOTO: NASA AMES/ W STENZEL/WIKIMEDIA COMMONS)

Telescópio Kepler não está mais operando, anuncia NASA

A nave funcionou mais ou menos com pouquíssimo combustível nos últimos meses. De acordo com o Space.com, a equipe da missão confirmou que suas reservas foram gastas duas semanas atrás.

“Como primeira missão de caça de planetas da NASA, o Kepler excedeu todas as nossas expectativas e abriu caminho para nossa exploração e busca de vida no Sistema Solar e além”, disse Thomas Zurbuchen, administrador associado da Diretoria de Missão Científica da NASA em Washington D.C., em comunicado da NASA. “Não só ele nos mostrou quantos planetas poderiam estar por aí como também desencadeou um campo de pesquisa totalmente novo e robusto que tomou a comunidade científica. Suas descobertas lançaram uma nova luz sobre o nosso lugar no universo e iluminaram os mistérios e as possibilidades tentadoras entre as estrelas.”

“Agora, por causa do Kepler, o que pensamos sobre o universo mudou”, disse o diretor da divisão de astrofísica da NASA, Paul Hertz, em entrevista ao Verge. “O Kepler abriu o portão para a exploração do cosmos.”

O sucessor do telescópio, o muito mais potente Transiting Exoplanet Survey Satellite (TESS), foi lançado em abril deste ano a bordo de um foguete Falcon 9, da SpaceX, e foi projetado para descobrir mais de 20 mil novos exoplanetas. Em algum momento, o TESS ganhará a companhia do telescópio espacial James Webb, que, apesar de estar uma bagunça agora, deve ser lançado em 2021.

Adeus, Kepler. E, embora você possa estar se encaminhando para uma escuridão a milhões de quilômetros de seu mundo natal, você mostrou que o cosmos pode não ser tão solitário, e suas contribuições não serão esquecidas. E vai saber… Talvez, um dia, alguém vá te buscar.

https://gizmodo.uol.com.br/adeus-telescopio-kepler/

Marte pode ter oxigênio suficiente para abrigar vida, afirma estudo

A água salina no subsolo de Marte pode ter oxigênio suficiente para abrigar vida, relata um novo estudo realizado por um grupo de pesquisadores do Instituto de Tecnologia da Califórnia.

A nova descoberta foi possibilitada por óxidos de manganês encontrados pela sonda Curiosity, da Nasa - NASA/AFP/Arquivos

A nova descoberta foi possibilitada por óxidos de manganês encontrados pela sonda Curiosity, da Nasa – NASA/AFP/Arquivos

O estudo foi publicado na revista Nature Geoscience nesta segunda-feira (22).

Os cientistas desenvolveram um modelo da suposta composição da água salina para calcular a quantidade de oxigênio presente no subsolo de Marte.

 

Em alguns locais, a quantidade de oxigênio disponível poderia até mesmo manter vivo um animal primitivo multicelular como uma esponja, escreveram na revista científica Nature Geosciences.

“Nós descobrimos que a salmoura” – água com altas concentrações de sal – “em Marte pode conter oxigênio suficiente para que micróbios possam respirar”, afirmou Vlada Stamenkovic, principal autor do estudo, físico teórico do Laboratório de Propulsão a Jato da Califórnia.

“Isto revoluciona completamente nossa compreensão do potencial da vida em Marte, hoje e no passado”, declarou à AFP.

Até agora, presumia-se que a quantidade de oxigênio em Marte fosse insuficiente para sustentar a vida microbiana.

“Nós nunca pensamos que o oxigênio poderia desempenhar um papel para a vida em Marte devido à sua escassez na atmosfera, de cerca de 0,14%”, afirmou Stamenkovic.

Comparativamente, a concentração deste gás no ar que respiramos é de 21%.

Na Terra, as formas de vida aeróbicas – ou seja, que respiram oxigênio – evoluíram juntamente com a fotossíntese, que converte CO2 (gás carbônico) em O2 (oxigênio), gás que teve um papel crítico na emergência de formas de vida complexas, sobretudo após o denominado Grande Evento de Oxigenação, há cerca de 2,35 bilhões de anos.

Mas nosso planeta também abriga micróbios no fundo dos oceanos, em gêiseres, que sobrevivem em ambientes privados de oxigênio.

O novo estudo começou com a descoberta pela sonda Mars Curiosity, da Nasa, de óxidos de manganês, que são compostos químicos que só podem ser produzidos com grandes quantidades de oxigênio.

A Curiosity, juntamente com os orbitadores de Marte, também estabeleceram a presença de depósitos de salmoura, com variações nos elementos que continham.

“É por isso que sempre que pensamos na vida em Marte, nós estudamos o potencial de vida anaeróbica”, afirmou Stamenkovic.

– Vida em Marte? –

 

Um conteúdo de alta salinidade permite que a água se mantenha líquida – uma condição necessária para a dissolução do oxigênio – em temperaturas muito baixas, transformando a salmoura em ambientes favoráveis para a vida microbiana.

Dependendo da região, da estação e do momento do dia, as temperaturas no Planeta Vermelho podem variar entre -195ºC e +20ºC.

 

Um conteúdo de alta salinidade permite que a água se mantenha líquida – uma condição necessária para a dissolução do oxigênio – em temperaturas muito baixas, transformando a salmoura em ambientes favoráveis para a vida microbiana.

Dependendo da região, da estação e do momento do dia, as temperaturas no Planeta Vermelho podem variar entre -195ºC e +20ºC.

Juntos, os cálculos demostraram quais regiões do Planeta Vermelho são mais propensas a produzir oxigênio baseado em salmoura, dado que pode ajudar a determinar o posicionamento de sondas futuras.

“As concentrações de oxigênio (em Marte) são em ordens de grandeza” – algumas centenas de vezes – “maiores do que o necessário para micróbios aeróbicos ou que respiram oxigênio”, concluiu o estudo.

“Nossos resultados não sugerem que haja vida em Marte”, alertou Stamenkovic. “Mas eles mostram como a habitabilidade marciana é afetada pelo potencial de oxigênio dissolvido”.

Os pesquisadores desenvolveram um primeiro modelo para descrever como o oxigênio se dissolve na água salgada em temperaturas abaixo do congelamento.

Um segundo modelo estimou as mudanças climáticas em Marte nos últimos 20 milhões de anos e projetou como seriam nos próximos 10 milhões de anos.

 

 

 

 

Segundo a pesquisa, a composição da água poderia sustentar a vida de micróbios aeróbicos, enquanto em algumas regiões do Planeta Vermelho a concentração de oxigênio pode ser tão alta que permita até mesmo a sobrevivência de animais simples como esponjas.

“Ninguém pensou que essas concentrações de oxigênio dissolvido, necessárias para a respiração aeróbica, pudessem teoricamente existir em Marte”, disse a cientista do Laboratório de Propulsão a Jato da NASA e autora principal da pesquisa, Vlada Stamenkovic.

Os resultados mostram a possibilidade de que “a vida aeróbica possa existir em Marte e em outros corpos planetários com fontes de O2, independente da fotossíntese”, ressalta o estudo.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Nasa vai lançar nave para escavar o solo de Marte e estudar origem do planeta

Sonda espacial vai medir sinais vitais de Marte

Sonda espacial vai medir sinais vitais de Marte

Os instrumentos da Insight permitirão medir os “sinais vitais” de Marte.[Imagem: JPL/NASA]

A missão InSight, da Nasa, enviará a Marte a primeira sonda capaz de perfurar o solo e estudar o interior do Planeta Vermelho. O lançamento da sonda está programado para ocorrer neste sábado (5) às 6h05 da manhã. Segundo a Nasa, há uma probabilidade de 20% de que as condições meteorológicas permitam o lançamento.

A missão Exploração Interior com uso de Investigação Sísmica, Geodésia e Transporte de Calor (InSitght, sigla em inglês) colocará um módulo de pouso geofísico em Marte para estudar o interior do planeta.

Mas, segundo a Nasa, seu objetivo vai além disso: a sonda também estudará questões fundamentais da ciência dos planetas e do Sistema Solar, para que os pesquisadores compreendam os processos que levaram à formação dos planetas rochosos do Sistema Solar Interno – entre eles a Terra – há mais de 4 bilhões de anos.

Segundo a Nasa, missões anteriores enviadas a Marte investigaram a história da superfície do planeta a partir da análise de características de seus cânions, vulcões, rochas, montanhas e solo. Mas, até agora, nenhuma missão analisou a evolução inicial do planeta, que só pode ser estudada observando o subsolo.

Utilizando instrumentos geofísicos sofisticados, o módulo escavará a superfície marciana para detectar pela primeira vez as marcas dos processos de formação dos planetas rochosos e para medir os “sinais vitais” de Marte: seu “pulso” (sismologia), “temperatura” (fluxos de calor) e “reflexos” (rastreamento de precisão).

Para estudar o solo marciano, a InSight é equipada com diversos instrumentos operados por um braço robótico, incluindo sismômetros – que medem as ondas sísmicas provocadas por impactos de meteoros e por “martemotos” – e uma broca com uma sonda térmica, que irá perfurar o solo em até 5 metros e medir os fluxos de calor no interior do planeta.

Como Marte é geologicamente menos ativo que a Terra – ele não possui placas tectônicas, por exemplo -, o planeta mantém um registro mais completo de sua história em sua crosta, seu manto e seu núcleo. Ao estudar essas características, os cientistas poderão descobrir mistérios sobre os processos evolutivos de todos os planetas rochosos.

Antes da InSight, 14 missões já haviam sido enviadas a Marte. Nove delas foram lançadas pelos Estados Unidos, sendo que duas fracassaram, em 1999. Das demais missões – todas fracassadas – três foram lançadas pela União Soviética, uma pelo Reino Unido e uma por uma parceria entre as agências espaciais da Europa e da Rússia.

Costa Oeste

Pela primeira vez uma missão planetária será lançada a partir da costa oeste dos Estados Unidos. Em vez da tradicional base de lançamento do Centro Espacial Kennedy, na Flórida, a InSight será enviada a partir da Base Vandenberg da Força Aérea Americana, localizada na região de Santa Bárbara, na Califórnia.

No lançamento, será utilizado o foguete Atlas V, da United Launch Alliance, uma joint venture das empresas Lockheed Martin e Boeing. Além da InSight, o foguete levará ao espaço também o experimento tecnológico Mars Cube One (MarCO).

Composto por duas miniespaçonaves, o MarCO testará pela primeira vez no espaço profundo uma tecnologia de CubeSat, termo que remete às palavras “cubo” e “satélite” em inglês. Esse tipo de satélite miniaturizado – ou nanossatélite – é em geral utilizado para pesquisas espaciais acadêmicas. Os dois pequenos equipamentos foram desenvolvidos para testar novas tecnologias de comunicação e navegação para missões espaciais.

A missão InSight é parte do Programa Descoberta, da Nasa. A nave – incluindo o estágio de cruzeiro e o módulo de pouso – foi construída e testada pela Lockeed Martin Space, em Denver, Nos Estados Unidos. O programa tem participação de várias instituições europeias, como a Agência Espacial Francesa, o Centro Nacional de Estudos Espaciais da França e o Centro Aeroespacial da Alemanha.

Telescópio de R$ 30 bi revestido com ouro promete a melhor imagem do espaço

Batizado de James Webb, telescópio da Nasa já consumiu cerca de R$ 30 bilhões

A Nasa (Agência Espacial Norte-Americana) faz os últimos ajustes para lançar seu melhor telescópio espacial. O equipamento permitirá a observação de estrelas através de um espelho revestido com uma fina camada de ouro puro, formado por 18 segmentos. Batizado de James Webb, o telescópio já custou por volta de R$ 30 bilhões à agência e promete oferecer visões sem precedentes do espaço.

Batizado de James Webb, telescópio da Nasa já consumiu cerca de R$ 30 bilhões.

Batizado de James Webb, telescópio da Nasa já consumiu cerca de R$ 30 bilhões.

“O Webb irá resolver mistérios do nosso sistema solar, olhar através de mundos distantes e ao redor das estrelas, e desvendar as estruturas misteriosas e origens de nosso universo e nosso lugar nele”, afirmou Lee Feinberg, diretor do Elemento Óptico do Telescópio da Nasa em entrevista ao canal “CNN”.

O telescópio é desenvolvido como um sucessor aprimorado do Hubble, lançado em 1990. Mas diferente dele, que orbitava a Terra numa altitude de aproximadamente 550 quilômetros, o Webb será lançado a mais de 1 milhão de quilômetros no espaço. O telescópio ficará em um local específico onde a gravidade da Terra e do Sol se equilibram de uma maneira que qualquer objeto fica em uma posição fixa em relação a esses dois corpos celestes.

Engenheiro da Nasa observa hexágono que forma espelho do telescópio espacial sucessor do Hubble.

Engenheiro da Nasa observa hexágono que forma espelho do telescópio espacial sucessor do Hubble.

Engenheiro da Nasa observa hexágono que forma espelho do telescópio espacial sucessor do Hubble

Essa localidade também é muita fria, exatamente como os cientistas da Nasa queriam. O James Webb conseguirá ter uma visão mais profunda do espaço pois usa radiação infravermelha, que emite bastante calor. Portanto, o espelho do telescópio precisa estar resfriado para que não ocorra nenhuma interferência nas observações.

Para se proteger do calor do Sol, o espelho ficará em um escudo solar de aproximadamente 20 metros – do tamanho de uma quadra de tênis – feito de um material resistente ao calor. O equipamento, que se parece com uma pipa gigante, deve manter o espelho a uma temperatura de -223º C, quase três vezes mais frio do que a temperatura mais fria já registrada na Terra.

Concepção artística de como o telescópio James Webb ficará no espaço.

Concepção artística de como o telescópio James Webb ficará no espaço.

Cada um dos 18 segmentos do espelho pesa 20 quilos e tem 1.3 metros de comprimento. Para caber todo esse equipamento no foguete que lançará o telescópio, no entanto, ele precisa ser dobrado, o que explica o formato de hexágono. “A forma hexagonal permite que os segmentos sejam dobrados e encaixem perfeitamente, sem lacunas”, explicou Feinberg.

Após estar em órbita, o maior desafio será fazer os espelhos focarem corretamente nas galáxias distantes. Só para desdobrar, esfriar e posicionar todos os segmentos de forma certa, deve demorar dois meses. Para isso, a equipe que trabalho na construção.

O Telescópio James Webb foi nomeado em homenagem a um funcionário da Nasa que trabalhou no projeto Apollo nos anos 60. O equipamento já está totalmente construído e passa por testes na Califórnia. O lançamento, que já foi adiado várias vezes, está previsto para 2020.

 

 

A aparência de seus espelhos chama a atenção pela beleza e simetria. O telescópio já foi fonte inspiração, inclusive, para artistas que desenvolveram joias e pinturas. “Nós desenhamos e chegamos nessa estética do espelho por razões de engenharia, a fim de alcançar nossos objetivos científicos”, finalizou Feinberg.

Robô Curiosity, da Nasa, completa 2 mil dias caminhando na superfície de Marte

Cientistas que participaram da missão de exploração de Marte dizem quais são suas imagens favoritas do planeta vermelho, e explicam o porquê.

Um ciclo completo do MRO em torno do planeta vermelho determina um “dia marciano”, chamado pelos pesquisadores de “sol”.

A primeira imagem enviada pela Rover é uma fotografia granulada, feita pela câmera Front Hazard, do local conhecido como monte Sharp. Esta câmera geralmente é usada pelos controladores do aparelho para evitar obstáculos nos deslocamentos.

Robô Curiosity, da Nasa, completa 2 mil dias caminhando na superfície de Marte

Cientistas que participaram da missão de exploração de Marte dizem quais são suas imagens favoritas do planeta vermelho, e explicam o porquê.

Seixos de rio: Quando começamos a dirigir, cerca de 16 “sóis” depois da aterrissagem, logo nos deparamos com esses “seixos” no terreno. O formato arredondado dessas pedras sugeriam que elas tinham se formado em um antigo riacho, que corria de um terreno elevado para o local conhecido como cratera Gale. A imagem capturada pela Mastcam mostra essas crateras em close.

Ao contrário do que esperávamos antes do pouso do Curiosity, a imagem não mostrava pedras de basalto primitivo e escuro, e sim uma formação rochosa mais variada e complexa. Os seixos desse antigo rio marciano nos fizeram repensar o que acreditávamos sobre o processo de formação geológica de Marte.

Local chamado Baía de Yellowknife é formado por camadas de areia fina e lama seca (Foto: NASA/JPL-CALTECH)

Cientistas que participaram da missão de exploração de Marte dizem quais são suas imagens favoritas do planeta vermelho, e explicam o porquê.

Lago ancestral: Antes da aterrissagem e nos primeiros momentos da missão, nossa equipe não tinha certeza sobre o que eram os terrenos identificados nas fotos de satélite feitas pelo MRO. Algumas áreas poderiam tanto ser fluxos de lava vulcânica quanto sedimentos acumulados no leito de lagos secos.

Sem imagens feitas do solo, era impossível saber com certeza. Esta imagem resolveu a questão e representou um avanço para a exploração de Marte.

Descobrimos, assim, que o local chamado Baía de Yellowknife é formado por camadas de areia fina e lama seca, que foram depositadas ali por rios que corriam para um lago formado na Cratera Gale. Extraímos as primeiras 16 amostras de solo do local no “dia marciano” de número 182 – fizemos isso para levar o solo e as rochas até os espectômetros que estão dentro do robô. Os resultados, que incluíam argila, material orgânico e compostos que continham nitrogênio, mostraram que aquele local já habitável para vida microbiana. A pergunta seguinte – já houve vida em Marte? – continua sem resposta.

Aparelho encontrou rochas formadas por sedimentos de lama (Foto: NASA/JPL-CALTECH/MSSS)

Aparelho encontrou rochas formadas por sedimentos de lama (Foto: NASA/JPL-CALTECH/MSSS)

Águas profundas: O Curiosity chegou às colinas Pahrump no “dia marciano” de número 753. O que encontramos lá foi fundamental para explicar o passado da Cratera Gale. O aparelho encontrou rochas formadas por sedimentos de lama, criadas quando esse material se decantou lentamente no fundo do lago.

Ou seja: o lago da Cratera Gale foi um corpo d’água perene, que existiu durante bastante tempo, e era bastante profundo.

Cientistas que participaram da missão de exploração de Marte dizem quais são suas imagens favoritas do planeta vermelho, e explicam o porquê.

Robô também encontrou grossa formação de arenito (Foto: NASA/JPL-CALTECH/MSSS)

Uma inconformidade: No local conhecido como Monte Stimson, o Curiosity encontrou uma grossa formação de arenito (rocha formada por areia) na borda do lago seco, separada deste pela formação geológica chamada “inconformidade”.

O que acontece com o corpo de quem for para Marte?

Matt Damon ficou um tempo no planeta vermelho no filme de Ridley Scott "Perdido em Marte"

Matt Damon ficou um tempo no planeta vermelho no filme de Ridley Scott “Perdido em Marte”

“Vai para Cuba”, “vai para Miami” e, agora, “vai para Marte!”. Ultimamente, tem muita gente desejando fugir para vários lugares. Mas, vai por mim, talvez escolher o planeta vermelho não seja a melhor decisão —pelo menos até os cientistas concluírem que tipos de mudanças realmente podem acontecer no organismo de quem for morar por lá.

Além de determinar como os astronautas sobreviverão em um lugar com atmosfera, solo e clima diferente da Terra, os pesquisadores querem simular como o corpo humano deve reagir durante a viagem para chegar até Marte, que deve durar entre 6 e 8 meses.

A Nasa (Agência Espacial Norte-Americana) têm feito inúmeros estudos sobre os impactos de se passar muito tempo no espaço. Em um deles, a agência enviou o astronauta americano Scott Kelly para passar um ano vivendo na Estação Espacial Internacional. Enquanto isso, seu irmão gêmeo Mark ficou na Terra. Após a volta de Scott, em março de 2016, os cientistas passaram a pesquisar as mudanças que ocorreram no corpo do astronauta em comparação ao organismo do irmão que ficou na Terra.

Os resultados ainda estão começando a ser estudados mas, aliados a outras pesquisas, já é possível ter noção dos desafios:

O que acontece com o corpo de quem for para Marte?

Scott Kelly passou um ano no espaço para estudar como nosso corpo fica sem gravidade.

@Stationcdrkelly/Nasa

Scott Kelly passou um ano no espaço para estudar como nosso corpo fica sem gravidade

Campo de gravidade

Os astronautas enfrentarão três tipos de campos de gravidade durante uma missão em Marte. Os primeiros seis meses de viagem entre os planetas será de gravidade zero.

Na superfície marciana, a gravidade será de, aproximadamente, um terço da experimentada na Terra. Depois, terão que se adaptar por aqui novamente.

Essa transição afeta a orientação espacial, coordenação motora e visual e compromete a estrutura óssea e muscular. Sem gravidade, o corpo não precisa de tanto esforço para funcionar. O coração começa a funcionar mais lentamente e os ossos perdem minerais a uma velocidade muito maior do que na Terra –1% por mês no espaço versus 1% por ano na Terra.

Além disso, pela falta de gravidade, os fluidos corporais tendem a ser “empurrados” para a cabeça. Com a pressão maior, problemas de visão podem ser comuns. A desidratação e a concentração alterada de cálcio também podem elevar o risco de pedras nos rins.

Quanto tempo é possível sobreviver em outros planetas?

Confinamento e isolamento

Embora as pressões psicológicas, a distância de casa e o trabalho estressante sejam considerados os grandes vilões na alteração de comportamento dos astronautas, pesquisas também indicam que algumas habilidades, como atenção, coordenação física e capacidade de resolver problemas, ficam comprometidas no espaço por questões diretamente ligadas ao comportamento do cérebro no espaço.

Para o especialista em psicologia e neurociência Vaughan Bell, da University College London e colunista do jornal inglês “The Guardian”, uma das possibilidades para essa lentidão é que nosso suprimento de sangue evoluiu para funcionar na gravidade sofrida na Terra. Assim, em uma viagem espacial, com gravidade zero, a eficiência com que o oxigênio é fornecido para o cérebro é afetada.

Pesquisa feita pelo Laboratório de Neuropsicologia e Biomecânica do Movimento, da Universidade Livre de Bruxelas observou algo parecido:  o cérebro parece trabalhar diferente quando está em órbita. A queda da capacidade mental dos astronautas não é grave, mas existe, segundo os dados.

O que acontece com o corpo de quem for para Marte?

Risco maior de doenças

De acordo com a Nasa, micróbios podem mudar suas características no espaço e micro-organismos que naturalmente vivem em seu corpo são mais facilmente transferidos de pessoa para pessoa em ambientes fechados como as estações espaciais.

Com os níveis hormonais elevados por conta do estresse, a imunidade dos astronautas cai e há uma maior propensão a alergias e outras doenças.

Marte é um planeta de condições extremas, as temperaturas vão de -80°C a 20°C.

Marte é um planeta de condições extremas, as temperaturas vão de -80°C a 20°C.

Marte é um planeta de condições extremas, as temperaturas vão de -80°C a 20°C

Radiação espacial

Um dos aspectos mais perigosos de viajar a Marte é a radiação espacial. Só dentro das estações espaciais, os astronautas são expostos a dez vezes mais radiação do que na Terra, já que por aqui, o campo magnético e a atmosfera nos protegem.

A exposição à radiação pode aumentar o risco de câncer, danificar o sistema nervoso central, causar náuseas, vômito e fadiga. Além do mais, pode causar doenças degenerativas, como catarata, problemas cardíacos e circulatórios.

Saturno fica mais brilhante, e anéis poderão ser observados com binóculo

Saturno já está mais brilhante e visível no céu e terá o melhor momento para ser visualizado na noite desta quinta-feira (15). Isso porque este é o momento do ano em que o planeta dos anéis fica alinhado com o a Terra e o Sol, com a Terra no meio. Essa é a melhor época para observar o astro. A olho nu, será possível ver o planeta. E com um bom binóculo ou um telescópio simples será possível ver detalhes, como seus anéis.

Saturno fica mais brilhante, e anéis poderão ser observados com binóculo.

O planeta encontra-se próximo às constelações do Serpentário e de Escorpião. É possível localizar o astro tomando como referência a estrela de Antares, de coloração alaranjada que fica na constelação de Escorpião.

Para quem não domina o mapa estelar, se você estiver olhando para leste, na direção do horizonte sudeste do céu, à esquerda, estará Saturno, e mais acima, à direita, está Antares, um ponto luminoso alaranjado.

“Saturno estará bem brilhante, visível a olho nu. Não tem como confundir”, diz Daniel Mello, astrônomo do Observatório do Valongo, da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro).

As únicas coisas que podem atrapalhar a observação é poluição luminosa, de locais com muitas luzes, e o céu nublado.

Será visível durante todo o mês de junho

Saturno estará visível em todo o Brasil, sendo que com condições um pouco melhores de visualização nas regiões Sul e Sudeste.

De acordo com Mello, o momento do alinhamento entre Saturno, Terra e Sol ocorrerá às 14h (no horário de Brasília). Algumas horas depois, por volta das 18h, o planeta alcançará o ponto em que fica com a menor distância com relação à Terra. E somente por volta das 19h30 ele surgirá no céu para os brasileiros, no horizonte leste. Mas o “show” de Saturno não depende do momento exato da oposição.

Saturno realiza no céu um movimento circular semelhante ao do Sol e ao da Lua. Assim sendo, no começo da noite ele estará em uma posição “baixa” no céu, a leste. Ao longo da noite, o planeta irá “subir” na perspectiva do observador da Terra.

“O melhor momento para observar é perto da meia-noite, quando vai estar mais alto no céu e mais brilhante”, diz Rojas. Depois disso, Saturno começará a “descer”, voltando ao horizonte, mas desta vez à oeste, no fim da madrugada.

“O momento em que o alinhamento ocorre é apenas um instante. Mas na prática, observar uma semana antes ou depois, o resultado é o mesmo”, diz Gustavo Rojas, astrônomo da Ufscar (Universidade Federal de São Carlos) e da Sociedade Astronômica Brasileira. Segundo os astrônomos, Saturno estará mais brilhante durante todo o mês de junho.

Use binóculo com aumento de 20 vezes

Para visualizar detalhes de Saturno, é necessário utilizar um binóculo potente, que possibilite aumento de até 20 vezes. “Com binóculos simples, não fica muito nítido”, diz Mello. Um pequeno telescópio permite visualizar bem os anéis do planeta.

Quem quiser explorar mais coisas na noite desta quinta, poderá observar Júpiter, no alto do céu. O maior planeta do Sistema Solar teve sua oposição à Terra no fim de abril, mas ainda está bem brilhante. Com um bom binóculo, é possível observar faixas de nuvem e satélites do gigante vermelho.

MERGULHO EM SATURNO

MERGULHO EM SATURNO –

MERGULHO EM SATURNO

MERGULHO EM SATURNO

Imagens retratadas pela sonda espacial Cassini, da Nasa (Agência Espacial Americana), mostram o hemisfério norte de Saturno com quatro filtros espectrais diferentes. Cada filtro é sensível a diferentes comprimentos de onda de luz e revelam nuvens e neblina em altitudes diferentes. A Cassini passará vinte vezes através dos anéis de Saturno e depois se aproximará de Titã e em seguida mudará sua trajetória e terminará sua existência colidindo com o planeta

Exoplanetas: o que são e como procurá-los

O exoplaneta Proxima b, cuja descoberta foi anunciada nesta quarta-feira por pesquisadores, pode engrossar as fileiras de uma dúzia de outros planetas localizados em “zonas habitáveis”, onde “todas as formas de vida são possíveis”, estima Jean Schneider, astrofísico do CNRS em Paris.

Exoplanetas: o que são e como procurá-los

Exoplanetas: o que são e como procurá-los

Pergunta: O que é um exoplaneta?

Resposta: Um exoplaneta é um planeta orbitando uma estrela fora do Sistema Solar. Ele não possui mais do que algumas dezenas de vezes a massa de Júpiter, o maior planeta do nosso sistema solar. Até o momento, encontramos quase 3.500 exoplanetas confirmados entre vários milhares de candidatos que requerem uma análise adicional. Proxima b, se a sua existência for confirmada, é mais interessante do que os outros, porque se encontra em torno da estrela mais próxima de nós, o que nos dá esperança de chegarmos lá um dia.

P: Como detectá-los?

R: Há três técnicas para detectá-los. A mais evidente, é fotografar o exoplaneta. É o método mais promissor, sobre o qual há mais pessoas trabalhando.

O segundo método, é aquele utilizado para encontrar o Proxima b. Se o movimento de uma estrela é perturbado significa que há um planeta que a perturba sob o efeito das leis da gravidade. Esta era a técnica mais rentável até 2010.

E depois há o telescópio americano Kepler. Ele utiliza um outro método: o do trânsito. Se a órbita do planeta estiver corretamente inclinada no céu em relação a nós, periodicamente o planeta passa em frente a sua estrela. Neste momento, produz um pequeno eclipse, que também chamamos de trânsito. Com este método, Kepler detectou milhares de planetas.

P: Existe alguma chance de encontrarmos vida nesses exoplanetas?

R: Dos milhares de exoplanetas confirmados, apenas algumas dezenas, como Proxima b, se encontram em uma zona habitável, ou seja, a área em torno da estrela onde um planeta tem uma temperatura compatível com a presença de água no estado líquido.

A temperatura é um critério suficiente para que seja habitável, mas isso não significa que ela seja habitado, que haja realmente organismos biológicos. Mas a partir daí, todas as formas de vida são possíveis. A gama é extremamente ampla.

As propriedades da atmosfera podem também desempenhar um papel. Para Proxima b, vamos verificar se a densidade de sua atmosfera é suficiente para proteger o planeta dos fortes raios-x da estrela. Ou então devemos pensar em uma forma de vida que se adapte aos raio-x! Precisamos ser extremamente abertos sobre o que chamamos de vida.

Já na Terra, há uma grande biodiversidade. A vida se adapta a quase todas as circunstâncias. Encontramos organismos biológicos na Antártica, bactérias sobrevivem em usinas nucleares, enquanto em outros planetas, pode haver muitas coisas mais.

 

Astrônomos espanhóis descobrem “super-Terra” a 33 anos-luz de distância

Pesquisadores do Instituto de Astrofísica das Ilhas Canárias (IAC), na Espanha, descobriram um planeta do tipo super-Terra a pouco menos de 33 anos-luz da Terra, que orbita em torno de uma estrela e que é um forte candidato para ter sua atmosfera estudada, informou nesta terça-feira esta instituição.

O descobrimento foi feito por um estudante de doutorado do IAC e da Universidade de La Laguna, Alejandro Suárez Mascareño, e seus orientadores, os pesquisadores Rafael Rebolo e Jonay Isaí González Hernández, e o estudo foi aceito pela revista especializada “Astronomy & Astrophysics”.

Astrônomos espanhóis descobrem "super-Terra" a 33 anos-luz de distância

Astrônomos espanhóis descobrem “super-Terra” a 33 anos-luz de distância

A super-Terra tem cerca de de 5,4 massas terrestres e orbita em torno de uma estrela próxima muito brilhante, a GJ 536

O curto período orbital do planeta extrassolar – 8,7 dias – e o brilho de sua estrela (uma anã vermelha relativamente fria e próxima de nosso Sol) o transformam em um candidato atrativo para que a composição de sua atmosfera seja investigada, explicou o IAC em comunicado.

Durante essa pesquisa, também foi descoberta a presença de um ciclo de atividade magnética na estrela similar ao do Sol, mas com um período inferior a 3 anos.

Alejandro Suárez explicou que, até agora, só foi detectada a super-Terra GJ 536 b, mas que já existem planos de continuar com o monitoramento da estrela para buscar outros possíveis astros extrassolares, e acrescentou que os planetas rochosos costumam aparecer em grupos, especialmente em estrelas deste tipo.

Os investigadores do IAC acreditam que vão encontrar outros planetas de baixa massa (outras super-Terras) a órbitas mais distantes, com períodos de aproximadamente 100 dias a até alguns anos, e Alejandro Suárez acrescentou que está sendo preparado um programa de busca de trânsito deste novo exoplaneta para poder determinar seu raio e densidade média.

Jonay Isaí González afirmou, por sua vez, que este exoplaneta rochoso orbita uma estrela muito menor e mais fria que o Sol, mas suficientemente próxima e brilhante.

Além disso, é observável de ambos os hemisférios do nosso planeta, por isso se apresenta como um candidato muito interessante para os presentes e futuros espectrógrafos de alta estabilidade, em particular para a possível detecção de outro planeta rochoso na zona habitável da estrela, acrescentou González.

Para detectar o planeta, de acordo com o investigador Rafael Rebolo, diretor do IAC, foi medida a velocidade da estrela com precisão da ordem de metros por segundo.

Com a construção do novo instrumento ESPRESSO coliderado pelo IAC, haverá uma melhora da precisão em um fator de dez e a busca se estenderá para planetas com condições muito similares a da Terra nesta e em muitas outras estrelas próximas, destacou Rebolo.

Este planeta foi detectado em um esforço conjunto entre o IAC e o Observatório de Genebra, usando os espectrógrafos HARPS (sigla em inglês para Buscador de Planetas por Velocidade Radial de Alta Precisão) do Telescópio ESO de 3,6 metros de diâmetro, no Observatório de La Silla (Chile), e HARPS Norte, situado no Telescópio Nacional Galileu (TNG), do Observatório del Roque de los Muchachos, em Garafía (La Palma), nas Ilhas Canárias.