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Por que as pessoas acreditam em teorias da conspiração

O homem realmente pisou na Lua? George W. Bush orquestrou um plano para derrubar as Torres Gêmeas? As teorias da conspiração são mais difundidas do que você imagina.

A fotografia mostra Buzz Aldrin na Lua; a foto foi tirada por Neil Armstrong, cujo reflexo aparece no capacete — Foto: Divulgação
O homem realmente pisou na Lua? George W. Bush orquestrou um plano para derrubar as Torres Gêmeas? As teorias da conspiração são mais difundidas do que você imagina.

Hillary Clinton comandava uma rede global de tráfico de crianças de uma pizzaria em Washington? Não.

George W. Bush orquestrou um plano para derrubar as Torres Gêmeas e matar milhares de pessoas em 2001? Tampouco.

Mas por que algumas pessoas acreditam que sim? E o que as teorias da conspiração dizem sobre a maneira como vemos o mundo?

As teorias da conspiração estão longe de ser um fenômeno novo. Elas são uma presença constante nos bastidores há pelo menos 100 anos, diz o professor Joe Uscinski, autor do livro American Conspiracy Theories (“Teorias da Conspiração Americanas”, em tradução livre).

Elas também são mais difundidas do que você imagina.

“Todo mundo acredita em pelo menos uma e provavelmente em algumas”, diz ele. “E a razão é simples: há um número infinito de teorias da conspiração por aí. Se fôssemos fazer um questionário sobre todas elas, todo mundo vai assinalar algumas opções.”

O homem realmente pisou na Lua? George W. Bush orquestrou um plano para derrubar as Torres Gêmeas? As teorias da conspiração são mais difundidas do que você imagina.
Por que as pessoas acreditam em teorias da conspiração

Esse cenário não se restringe aos EUA. Em 2015, uma pesquisa da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, mostrou que a maioria dos britânicos marcava uma das opções quando apresentada a uma lista de cinco teorias – que variavam da existência de um grupo secreto que controlava eventos mundiais ao contato com extraterrestres.

Isso sugere que, ao contrário da crença popular, o típico teórico da conspiração não é um homem de meia-idade que vive no porão da casa da mãe usando um chapéu de papel alumínio (que protegeria contra o controle mental realizado por satélites do governo e extraterrestres).

“Quando você realmente olha para os dados demográficos, a crença em conspirações transpõe classes sociais, gênero e idade”, afirma o professor Chris French, psicólogo da Universidade Goldsmiths, em Londres.

Da mesma forma, seja você de esquerda ou direita, provavelmente vai acreditar em tramas contra você.

“Os dois lados são iguais em termos de pensamento conspiratório”, diz Uscinski.

“As pessoas que acreditam que Bush explodiu as Torres Gêmeas eram em sua maioria democratas. Já as pessoas que achavam que Obama tinha falsificado sua própria certidão de nascimento eram em sua maioria republicanas – mas eram números pares dentro de cada partido.”

Teorias da conspiração

Por que as pessoas acreditam em teorias da conspiração
O homem realmente pisou na Lua? George W. Bush orquestrou um plano para derrubar as Torres Gêmeas? As teorias da conspiração são mais difundidas do que você imagina.
  • A teoria de que o homem não pisou na Lua levou a explicações detalhadas refutando as alegações.
  • A tese de que o criminoso de guerra nazista Rudolf Hess foi substituído por um sósia na cadeia foram desmentidas pelo DNA fornecido por um parente distante dele.
  • Rumores sustentam a teoria de que os músicos Paul McCartney, Beyoncé e Avril Lavigne foram trocados por clones.
  • Algumas versões do mito dos Illuminati sugerem que celebridades e políticos são membros do grupo que controlaria o mundo.

Para entender por que somos tão atraídos pela noção de forças obscuras que controlam eventos políticos, precisamos focar na psicologia por trás das teorias da conspiração.

“Somos muito bons em reconhecer padrões e regularidades. Mas às vezes exageramos nisso – achamos que vemos sentido e significado quando realmente não há”, diz French.

“Nós também supomos que quando algo acontece, acontece porque alguém ou algo fez aquilo acontecer por um motivo.”

Basicamente, vemos algumas coincidências em torno de grandes eventos e, em seguida, inventamos uma história sobre eles.

Essa história se torna uma teoria da conspiração porque contém “mocinhos” e “vilões” – sendo estes últimos responsáveis por todas as coisas de que não gostamos.

Culpando políticos

Por que as pessoas acreditam em teorias da conspiração
Barack Obama apresentou sua certidão de nascimento em 2011 em resposta aos rumores de que ele havia nascido fora dos EUA — Foto: Reuters

Em muitos aspectos, é como a política cotidiana.

Costumamos culpar os políticos por acontecimentos negativos, mesmo quando esses eventos estão além do controle deles, diz o professor Larry Bartels, cientista político da Universidade Vanderbilt, nos EUA.

“As pessoas vão recompensar ou punir cegamente o governo por bons ou maus momentos sem realmente ter uma compreensão clara de se ou como as políticas do governo contribuíram para esses resultados”, acrescenta.

Isso é verdade mesmo quando eventos que parecem pouco relacionados ao governo dão errado.

“Um exemplo que analisamos em detalhes foi uma série de ataques de tubarão na costa de Nova Jersey em 1916”, afirma Bartels.

“Esta foi a base, bem mais tarde, para o filme Tubarão. Descobrimos que houve uma queda muito significativa no apoio ao presidente [Woodrow] Wilson nas áreas que foram mais afetadas pelos ataques de tubarão.”

O papel de “nós” e “eles” nas teorias da conspiração também pode ser encontrado em grupos políticos mais tradicionais.

No Reino Unido, o referendo sobre a saída da União Europeia deu origem a dois grupos praticamente do mesmo tamanho: um a favor e outro contra a permanência no bloco.

“As pessoas sentem que pertencem ao grupo, mas isso também significa que as pessoas sentem um certo antagonismo em relação a quem faz parte do outro grupo”, diz a professora Sara Hobolt, da Universidade London School of Economics (LSE), em Londres.

Os grupos contra e a favor do Brexit às vezes interpretam o mundo de maneira diferente. Por exemplo, confrontados com fatos econômicos idênticos, os que eram a favor da permanência no bloco são mais propensos a dizer que a economia está tendo um desempenho ruim, enquanto aqueles que defendiam a saída afirmam que ela está tendo um desempenho favorável.

Por que as pessoas acreditam em teorias da conspiração
Por que as pessoas acreditam em teorias da conspiração

As teorias da conspiração são apenas mais uma parte disso.

“No período que antecedeu o referendo, aqueles que defendiam a saída acreditavam estar no lado que sairia derrotado e eram mais propensos a pensar que o referendo poderia ser fraudado”, sinaliza Hobolt.

“E isso realmente mudou depois que saiu o resultado do referendo, porque naquele momento quem estava no lado perdedor era o grupo a favor da permanência.”

Sem solução

Pode não ser muito animador saber que as teorias da conspiração estão tão inseridas no pensamento político. Mas não deveria ser surpreendente.

“Muitas vezes, o caso é que estamos construindo nossas crenças de maneira que sustentem o que queremos que seja verdade”, diz Bartels.

E ter mais informações ajuda pouco.

“As pessoas mais sujeitas a essas distorções são as que estão prestando mais atenção”, diz ele.

Para muita gente, há poucas razões para acertar os fatos políticos, já que seu voto individual não afetará a política do governo.

“Não há nenhum custo por estar errado sobre suas convicções políticas”, completa Bartels.

“Se me faz sentir bem pensar que Woodrow Wilson deveria ter sido capaz de prevenir os ataques de tubarão, então o retorno psicológico de manter essas opiniões provavelmente será muito maior do que qualquer penalidade que eu possa sofrer se as opiniões estiverem erradas.”

No fim das contas, queremos nos sentir confortáveis, e não certos.

É por isso que as teorias conspiratórias vêm e vão, mas também por que a conspiração sempre será parte das histórias que contamos sobre eventos políticos.

*Esta análise foi encomendada pela BBC a um especialista que trabalha para uma organização externa. James Tilley é professor de política e membro do Jesus College da Universidade de Oxford, no Reino Unido. Seu programa Conspiracy Politics (“Conspiração Política”, em tradução livre) foi transmitido pela BBC Radio 4 no dia 11 de fevereiro e pode ser ouvido aqui (em inglês).

https://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2019/02/12/por-que-as-pessoas-acreditam-em-teorias-da-conspiracao.ghtml

Olavo de Carvalho questiona se Terra orbita o Sol; o que diz a ciência?

Em vídeo, Olavo de Carvalho contestou teorias consolidadas da física
Em vídeo, Olavo de Carvalho contestou teorias consolidadas da física

No fim do século passado, uma dupla de cientistas, Mitchelson e Morley, disse o seguinte: se de fato a Terra se move ao redor do Sol, então deve haver diferenças na velocidade da luz em vários pontos da Terra conforme as várias estações do ano.

E eles mediram isso milhares e milhares de vezes e viram que não mudava nada. Então, das duas, uma. Ou a Terra não se move ou é preciso modificar a física inteira”, disse o filósofo Olavo de Carvalho em um de seus vídeos, repercutido nas redes sociais nesta semana – o original é de 2012, em uma palestra de lançamento de livro.

Na gravação, ele ainda contesta o heliocentrismo (que diz que o Sol é o centro do sistema solar, com planetas em sua órbita) e a origem da teoria da relatividade, de Albert Einstein. “Então um cidadão chamado Albert Einstein viu isso e achou que era preferível modificar a física inteira só para não admitir que não havia provas do heliocentrismo”, afirma. “O fato é que, no confronto entre geocentrismo (Terra como centro) e heliocentrismo não existe uma prova definitiva de um lado, nem de outro”. Em outro vídeo, ele admite não ter estudado o assunto com profundidade, mas se mostra cético na escolha de uma ou outra opção.

Teria ele razão?

Astrônomos dizem que a ciência já provou o heliocentrismo há séculos e as teorias de Einstein vêm sendo corroboradas por várias pesquisas atuais, embora admitam que o entendimento de resultados científicos nem sempre é de fácil compreensão.

Um exemplo é o experimento de Michelson e Morley, que não foi comprovado e foi uma das inspirações de teoria da relatividade.

“O que esse experimento tentou fazer era detectar a velocidade da luz no éter. Imaginavam que a luz precisava de um meio para se propagar”, conta Gustavo Rojas, astrônomo da UFSCar (Universidade Federal de São Carlos). “Como já se sabia que a Terra gira em torno do Sol, se esperava que haveria uma diferença na velocidade da propagação da luz. Esse experimento foi realizado inúmeras vezes. A conclusão óbvia é que a velocidade da luz é independente do movimento do observador.”

Questionamentos sobre os achados de Albert Einstein são igualmente infundados. Cassio Barbosa, professor do departamento de física do Centro Universitário FEI, explica:

A relatividade tem sido provada tem mais de 100 anos. Todo mundo que inventa um teste para derrubar a relatividade tem falhado

“Isso é mais do que assentado. Ela está sendo testada em limites que nem o próprio Einstein tinha pensado e está sendo comprovada experimentalmente”, diz ele.

Barbosa afirma que cientistas pensam em modelos alternativos, mas a “simplicidade e beleza das equações” mostra que a relatividade se destaca como o melhor caminho, segundo a navalha de Occan –princípio lógico que defende que qualquer fenômeno deve assumir o menor número possível de premissas.

“A relatividade explica vários fenômenos da maneira mais simples possível e de forma encadeada”, diz Barbosa.

A detecção de ondas gravitacionais é um fato que corrobora com a teoria de Einstein. “Se fosse uma teoria inconsistente, esses subprodutos não seriam verificados. Subprodutos que ele nem tinha pensado estão sendo descobertos”, completou o professor da FEI.

Como provaram o heliocentrismo?

As comprovações sobre o heliocentrismo, por outro lado, antecedem a Einstein. Gustavo Rojas lembrou evidências apontadas pelos astrônomos Galileu Galilei, no século 17, e James Bradley, no século 18. O italiano observou as diferentes fases de Vênus, explicadas pela rotação da Terra e de Vênus em torno do Sol, sendo que Vênus está posicionado antes da Terra.

Já Bradley descobriu o fenômeno da aberração da luz, que também indica a órbita da Terra. “Bradley viu que a posição das estrelas muda em um ângulo muito minúsculo de uma característica periódica. A posição oscila. Essa variação chama aberração da luz, que acontece por causa justamente do movimento da Terra ao redor do Sol. A Luz está chegando da estrela, mas por causa do movimento da Terra, isso causa uma pequena variação que resulta em uma mudança na posição dela no céu. Se a Terra estivesse parada, não haveria aberração da luz”, descreve Rojas.

O astrônomo explicou ainda a paralaxe, que é a mudança da posição de uma estrela no céu por estar em um ponto diferente da órbita. “As estrelas que estão mais próximas mudam mais do que as que estão mais distantes”, diz Rojas.

Os dois cientistas compreendem, no entanto, que essas descobertas de astrônomos são de difícil entendimento. “As pessoas precisam ter uma base para entender. Quanto mais tempo passa, maior fica esse edifício de conhecimento, então parece que é uma coisa imposta”, afirma o astrônomo da Ufscar:

Ninguém está sentindo a Terra girar, nem ao redor do sol, nem de si mesmo. Quem comprova isso é a natureza, é a aberração da luz, a paralaxe

Para Cassio, saber o que é o método científico é fundamental para uma compreensão mínima das descobertas e avanços do ramo: “Quando você conhece o método, começa a entender como as coisas progridem no campo da ciência. Você não falando o jargão da área, não consegue entender. É relatividade, tem um ramo inteiro da física que estuda isso. Mas a partir do momento que você compreende o método e como se chegou a essa conclusão da relatividade, você começa a perceber como as coisas são feitas pela ciência e não vai se deixar enganar por falácias.”

Temer perdoou R$ 47,4 bi de dívidas de empresas, maior anistia em 10 anos.

O último grande Refis, concedido pelo governo federal durante a gestão do ex-presidente Michel Temer, perdoou R$ 47,4 bilhões em dívidas de 131 mil contribuintes, de acordo com o balanço final do programa de parcelamento de débitos tributários, obtidos pelo jornal “O Estado de S. Paulo” e o Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado). O restante –R$ 59,5 bilhões, ou pouco mais da metade da dívida original– foi parcelado em até 175 prestações.

Temer perdoou R$ 47,4 bi de dívidas de empresas, maior anistia em 10 anos.

Temer perdoou R$ 47,4 bi de dívidas de empresas, maior anistia em 10 anos.

Os parcelamentos especiais permitem que empresas refinanciem dívidas com descontos sobre juros, multas e encargos. Em troca, o governo recebe uma parcela da dívida adiantada, mas abre mão de uma parcela do que ganharia com juros e multas.

Governo Bolsonaro estuda mudanças na aposentadoria; vale a pena correr?

Parlamentares, muitos deles inclusive com dívidas com o Fisco, fizeram ao longo de 2017 forte pressão sobre o governo Temer para melhorar as condições do Refis, lançado em janeiro e que acabou virando lei só em outubro do mesmo ano.

Em meio às investidas, o governo cedeu de olho num futuro apoio à reforma da Previdência, que acabou sendo engavetada. Os descontos chegaram a até 70% em multas e 90% em juros.

Com os abatimentos, a renúncia do Refis do ano passado –oficialmente chamado de Programa Especial de Regularização Tributária (Pert)– só foi menor que o perdão de R$ 60,9 bilhões do Refis da Crise, lançado no fim de 2008, depois que as empresas brasileiras foram atingidas pelo impacto da crise financeira internacional.

Os dados oficiais já estão nas mãos do secretário especial da Receita Federal, Marcos Cintra, que disse contar com aumento da arrecadação com a certeza dos contribuintes de que na gestão do ministro da Economia, Paulo Guedes, não haverá mais programas de parcelamento de débitos tributários.

Cintra é contrário aos parcelamentos especiais e está à frente da elaboração de um programa de combate ao devedor contumaz. Para ele, os Refis têm sido usados como artifício protelatório por devedores viciados nesse tipo de programa.

“A principal mensagem e missão frente à Receita é fazer todos pagarem, pois assim os atuais contribuintes pagarão menos, e a pressão fiscal poderá diminuir”, diz Cintra à reportagem. “Em princípio, defendo a proibição de novos programas de parcelamentos incentivados”, acrescenta.

Acomodação

Os dados entregues a Cintra apontam que a concessão reiterada de parcelamentos “criou acomodação nos contribuintes, que não se preocupam mais em liquidar suas dívidas”.

No balanço final dos parcelamentos, o Fisco identificou que um grupo importante de contribuintes participou de três ou mais modalidades de Refis, o que para a Receita caracteriza utilização contumaz desse tipo de parcelamento. A Receita avalia que há uma clara estratégia dos devedores em ficarem “rolando” a dívida.

O raio-X dos últimos grandes Refis revelou que os contribuintes que aderiram a três parcelamentos ou mais detêm uma dívida superior a R$ 160 bilhões. Desse valor, quase 70% são de empresas que têm faturamento anual superior a R$ 150 milhões e estão sujeitas a acompanhamento diferenciado pelo Fisco.

A metade dos contribuintes, historicamente, após a adesão se torna inadimplente, seja das obrigações correntes com o pagamento dos impostos seja das parcelas do programa. O calote leva à exclusão do programa e o contribuinte e o fim dos benefícios.

A justificativa do Congresso para tentar ampliar os descontos do último programa era sempre dar condições aos empresários afetados pela crise para regularizar a situação, voltar a ter capacidade de investir e poder pagar suas obrigações em dia.

Mas, segundo os dados da Receita, as empresas optantes dos programas apresentaram crescimento de lucros nos anos de parcelamento e queda no período anterior, em movimento contrário ou de maior proporção ao das companhias que não fizeram a adesão ao programa.

Além de fechar as brechas para novos Refis, o novo governo quer simplificar a legislação e eliminar os pontos de conflito que geram disputas judiciais com os contribuintes.

Nando Moura revela ignorância tecnológica e histeria ideológica

É mais mais um exemplo de como funciona a histeria ideológica nas redes sociais.
Segue a mesma linha de ignorância do guru Olavo de Carvalho.
O youtubuer Nando Moura ataca a viagem de deputados do PSL à China, onde foram conhecer um sistema de reconhecimento facial.
Ninguém estava ali para fechar negócios. Apenas para conhecer uma experiência.
Vou logo dizendo que não tenho nenhuma simpatia pelo regime autoritário chinês. Pelo contrário.
Aliás, me emocionei profundamente com a exposição, em São Paulo, do artista Ai Weiwei, que sintetiza a luta pela liberdade na China.
Mas não vejo nenhum problema em parlamentares visitarem países – ainda mais um pais com a pujança da China.
A histeria está especialmente em outro ponto.
Nando Moura fala que essa tecnologia seria um jeito dos chineses controlarem os brasileiros. OK.
Mas quem controla mesmo os passos de cada brasileiro são Twitter, Google, Youtube, WhatsApp, Facebook, etc.
Nem por isso deixamos de usar essas redes sociais – apenas defendemos que seja preservada a privacidade.
Uma coisa é ser de direita ou esquerda; outra coisa é a histeria.

Declaração dos Direitos Humanos, 70 anos, é muito xingada, mas pouco lida.

A importância dos direitos humanos rivaliza apenas com a ignorância de parte da sociedade sobre eles.

Há um naco considerável de brasileiros que acredita que “direitos humanos” são um grupo de pessoas que ficam, de um lado para o outro, defendendo bandidos.

Roupas de refugiados venezuelanos são queimadas durante conflito com moradores de Pacaraima (RR). Foto: Avener Prado/Folhapress

Declaração dos Direitos Humanos, 70 anos, é muito xingada, mas pouco lida

Essa é a consequência de anos de programas sensacionalistas na TV e no rádio que venderam a ideia de que essas organizações resumem os tais “direitos humanos”. Ideia, diga-se de passagem, distorcida. Porque tais entidades querem que sejam cumpridas todas as leis, como as que dizem que o Estado não pode torturar e matar como fazem alguns bandidos.

Ou que direitos humanos são uma coisa de “comunista”. Ignoram que o texto da Declaração Universal dos Direitos Humanos, o principal documento norteador desses princípios, teve forte influência das democracias liberais. E incluiu até o direito à propriedade privada, sob críticas dos países socialistas.

Esse preconceito também existe pela falta de tratamento sobre direitos humanos na sala de aula. Por ser um parâmetro curricular nacional deveria estar presente na educação básica de forma transversal – ou seja, tratado em todas as disciplinas.

Mas raramente está. E não é porque causa do equívoco chamado Escola Sem Partido, mas por conta da Escola Sem Recursos, da Escola Sem Formação Continuada dos Professores, da Escola Sem Salários Decentes, da Escola Sem Alunos Motivados, da Escola Sem Livros, entre outros movimentos que dão muito certo por aqui desde sempre.

O que são direitos humanos, afinal? Grosso modo, é aquele pacote básico de dignidade que você deve ter acesso simplesmente por ter nascido. Independentemente de raça, sexo, nacionalidade, etnia, idioma, religião ou qualquer condição.

Se esse pacote básico fosse respeitado, não haveria fome, crianças trabalhando, idosos deixados para morrer à própria sorte, pessoas vivendo sem um teto. Não teríamos uma taxa pornográfica de quase de 64 mil homicídios por ano, nem exploração sexual de crianças e adolescentes, muito menos trabalho escravo. Aos migrantes pobres seria garantida a mesma dignidade conferida a migrantes ricos. Todas as crenças seriam respeitadas – e a não-crença também. A liberdade de expressão seria defendida, mas os incitadores de crimes contra a dignidade seriam responsabilizados. Se direitos humanos fossem efetivados, não teríamos mulheres sendo estupradas, negros ganhando menos do que brancos e pessoas morrendo por amar alguém do mesmo sexo. Teríamos a garantia de ar respirável e água potável.

É claro que os direitos humanos não começam com o documento que completa 70 anos, nesta segunda (10). É uma longa caminhada pela história da humanidade, em que fomos pressionando governantes a não tolherem direitos civis e políticos, mas também para que o Estado agisse a fim de garantir direitos sociais, econômicos, culturais, ambientais.

Criança é obrigada a trabalhar na produção de tijolos no Paquistão

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BONDED (SLAVE) CHILD LABOURER POUNDING CLAY INTO A BRICK FORM. THE BRICKS BEHIND HER REPRESENT A DAYS WORK.
© Robin Romano / Stolen Childhoods
THOUSANDS OF BRICK KILNS LINE LINE THE RIVERBANKS IN BENGAL AND THE SURROUNDING STATES OF INDIA. MOST OF THE WORKERS HERE ARE BONDED (SLAVE) LABORERS. THE FAMILIES THAT WORK HERE ARE EXPLOITED 12-16 HOURS A DAY, 7 DAYS A WEEK. THEIR WORLD CONSISTS ONLY OF THESE MUD HOLES, DRYING FIELDS AND KILNS. AT NIGHT THEY SLEEP IN THE OPEN OR IN MAKESHIFT SHANTYS WHERE SANITARY CONDITIONS ARE NONEXISTENT. THERE ARE NO SCHOOLS HERE, AND FOR MANY OF THE CHILDREN THERE AREN’T EVEN FAMILIES. OVER 1/4 OF THE CHILDREN WORKING HERE HAVE BEEN TRAFFICKED FROM OTHER AREAS WHERE THEIR PARENTS HAVE BEEN FORCED TO EITHER SELL THEM INTO DEBT BONDAGE (SLAVERY) OR, IF THEY ARE LUCKY ENOUGH NOT TO BE BONDED, ARE DEPENDENT ON THE MEAGER WAGES THAT THESE CHILDREN CAN PROVIDE.
THE WORK IS EXTREMELY BRUTAL, HAZARDOUS, ABUSIVE AND SOMETIMES LETHAL. WORKING ALL DAY IN THE HOT SUN WHERE TEMPERATURES REGULARLY CLIMB ABOVE 100F (37C), THEY CARRY WELL OVER A TON OF CLAY A DAY AND CROUCH FOR HOURS AS THEY FABRICATE THOUSANDS OF BRICKS IN OLD FASHION MOLDS. THE PAY, IF THERE IS ANY, AND CONDITIONS FALL WELL BELOW MINIMUM LEVELS REQUIRED BY LAW AND ARE ILLEGAL FOR CHILDREN. NONETHELES THE KIDS COME, DRIVEN BY NECESSITY, OFTEN UNAWARE OF WHAT THEY ARE GETTING INTO AND SOMETIMES TRICKED OR VIRTUALLY KIDNAPPED BY UNSCRUPULOUS AGENTS AND MIDDLEMEN. FOR MANY, THEIR DEBT ACTUALLY INCREASES OVER TIME DUE TO DISHONEST ACCOUNTING.
THE POOR PAY AND HARD WORK ARE JUST THE BEGINNING. BRICK KILN CHILDREN TEND TO BE CHRONICALLY TIRED FROM THE LONG HOURS AND IRREGULAR REST, INCREASING THE PROBABILITY OF ACCIDENTS, INJURIES AND DEFORMITY. DISEASE, MALNUTRITION AND PERMANENT SKELETAL INJURY ARE THE COMMON LOT.
UNABLE TO RECEIVE THE EDUCATION TO WHICH THEY ARE ENTITLED BY LAW, THEY ARE POWERLESS TO ACT, AND TRAPPED IN A CONTINUAL CYCLE OF GRINDING POVERTY.
Bonded Labour, slave labour, CHILD LABOUR TRAVAIL DES ENFANTS Trabajo infantil Kinderarbeit
CHILDREN Kids ENFANTS Niños Kinder
SLAVERY ESCLAVAGE Esclavitud Sklaverei

Mas tratemos da Declaração, nosso documento mais relevante. O mundo, ainda em choque com os horrores da Segunda Guerra Mundial, produziu a Declaração Universal dos Direitos Humanos para tentar evitar que esses horrores se repetissem. De certa forma, com o mesmo objetivo, o Brasil, ainda olhando para as feridas de 21 anos de ditadura militar, sentou-se para escrever a Constituição Federal de 1988. Ambos não são documentos perfeitos, longe disso. Mas, com todos seus defeitos, ousam proteger a dignidade e a liberdade de uma forma que, se hoje sentássemos para formulá-los, não conseguiríamos.

É depois de grandes momentos de dor que estamos mais abertos para olhar o futuro e desejar que o sofrimento igual nunca mais se repita. Desde então, não vivemos uma guerra como aquela entre 1939 e 1945, muito menos um período de exceção quanto 1964 e 1985. Acabamos nos acostumando. E esquecendo. E banalizando.

E, por isso, ao completar 70 anos de sua proclamação pela Assembleia Geral das Nações Unidas, a Declaração Universal dos Direitos Humanos tem sido vítima de ataques. Tal como a Constituição, que completou 30 anos em outubro. Elegemos líderes ao redor do mundo que chamam os direitos humanos de ultrapassados ou fake news quando, em verdade. E, por conta disso, esses princípios são mais necessários do que nunca.

Minha geração herdou esses textos – um de nossos avós e outro de nossos pais. Agora, precisamos ensinar à geração de nossos filhos sua própria história sob o risco de que o espírito presente em 1948 e 1988 se perca por desconhecimento.

Discursos misóginos, homofóbicos, fundamentalistas e violentos têm atraído rapazes que, acreditando serem revolucionários e contestadores, na verdade agem de forma a manter as coisas como sempre foram. Creem que estão sendo subversivos lutando contra a “ditadura do politicamente correto” – que, na prática, se tornou uma forma pejorativa de se referir aos direitos básicos que temos por termos nascido humanos.

Parte dos jovens também abraça esses discursos como reação às tentativas de inclusão de grupos historicamente excluídos, como mulheres, negros, população LGBTT. Há rapazes que veem na luta por direitos iguais por parte de suas colegas de classe ou de coletivos feministas uma perda de privilégios que hoje nós, os homens, temos. Nesse contexto, influenciadores digitais, formadores de opinião e guias religiosos ajudam a fomentar, com seus discursos violentos e irresponsáveis, uma resposta agressiva dos rapazes à luta das jovens mulheres e outras minorias pelo direito básico a não sofrerem violência.

É exatamente nesses momentos de dificuldade que precisamos nos lembrar da caminhada que nos trouxe até aqui. Para ter a clareza de que, mais importante do que reinventar todas as regras, é tirar do papel, pela primeira vez, a sociedade que um dia imaginamos frente aos horrores da guerra ou da ditadura. O que só se fará com muito diálogo e a promessa de garantia desse quinhão mínimo de dignidade.

Infelizmente, para algumas pessoas politica e economicamente poderosas, os direitos humanos, do alto de seus 70 anos, são vistos como um problema incômodo a ser imolado no altar do crescimento econômico ou em nome de Deus e da chamada “tradição”.

Portanto, devemos encarar todas as conquistas nessa área, desde 10 de dezembro de 1948, como portas que, depois de muito sacrifício, conseguimos abrir no muro da opressão e da injustiça. Portas que, se não forem monitoradas bem de perto, se fecharão novamente na nossa cara.

Corpos de trabalhadores no Hospital de Redenção, no Pará após a Chacina de Pau D'Arco. Foto: Repórter Brasil

Declaração dos Direitos Humanos, 70 anos, é muito xingada, mas pouco lida

E o trabalho começa por explicar a toda pessoa que xinga os direitos humanos que, ao fazer isso, ela chama a si mesma de lixo.

https://blogdosakamoto.blogosfera.uol.com.br/2018/12/10/declaracao-dos-direitos-humanos-70-anos-e-muito-xingada-mas-pouco-lida/

Bolsonaro não precisa crer em mudança climática. Basta acreditar em boicote

O Brasil deve perder o protagonismo no combate global às mudanças climáticas com a chegada da gestão Jair Bolsonaro. Pelo menos é o que tudo indica até aqui. O novo ministro das Relações Exteriores acredita que a questão é um “dogma marxista” e aponta para uma espécie de “alarmismo climático”. Os filhos de Bolsonaro, todos políticos eleitos, são céticos a respeito do tema, atacando-o nas redes sociais. E o novo presidente tem criticado o Acordo de Paris, que trata das políticas a serem adotadas pelos países a fim de evitar um desastre climático global, defendendo o nosso direito de desmatar como fez a Europa no passado. Enquanto isso, espera-se a indicação da próxima pessoa a comandar o Ministério do Meio Ambiente – que pode ficar informalmente subordinado aos interesses da parte mais arcaica da agropecuária nacional.

Bolsonaro não precisa crer em mudança climática. Basta acreditar em boicote

Bolsonaro não precisa crer em mudança climática. Basta acreditar em boicote

No Brasil, dias frios durante o verão causam alvoroço em uma espécie fascinante de mamífero: o negacionista. Ele não acredita que a ação humana pode ser responsável por mudanças no clima e considera isso uma teoria da conspiração para impedir o desenvolvimento econômico por parte de países desenvolvidos.

Donald Trump, que durante sua exitosa campanha à Presidência, disse que o aquecimento global era uma invenção dos chineses para atrapalhar a economia dos Estados Unidos, é um deles. Mas temos muitos por aqui que pipocam nas redes sociais assim que os termômetros caem. É fácil identificá-los. Acham que estão lacrando a internet ao ironizar perguntando onde está o aquecimento global em momentos de frio de bater o queixo. Pois, se ele existe, não poderia estar tão frio, correto?

Errado.

A elevação na temperatura do ar próximo à superfície do planeta e dos oceanos, causada pelo aumento de gases que provocam efeito estufa, não significa transformar o mundo necessariamente em um grande forno. Também desregula o frágil equilíbrio que torna a terceira grande rocha a partir do Sol um lugar agradável para humanos, enlouquecendo o clima. Entre as consequências, está a proliferação no número de eventos extremos – como grandes secas e grandes inundações, nevascas e calor intenso, mais e maiores furacões/tufões e tornados. E se não agirmos agora para alterar nosso modelo de desenvolvimento, a fim de mitigar os já inevitáveis impactos causados pelos gases emitidos, vamos encontrar muita fome, pobreza, dor e morte nas próximas décadas.

Fortes quedas de temperatura pontuais podem ser provocadas por imensas massas de ar polar, por exemplo. E invernos podem ser mais ou menos rigorosos dependendo da interferência de fenômenos como o El Niño (de aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico), que inibe a entrada de frentes frias e massas de ar polar no país. Eventos específicos não são necessariamente consequência direta de mudanças climáticas. Pesquisadores preferem verificar a sua incidência ao longo do tempo e checar o aumento em sua frequência e em sua intensidade. Daí, olhando para uma série histórica, é possível entender a evolução do clima e quais suas manifestações extremas. Por exemplo, o índice pluviométrico (chuvas) no Brasil já sofre os efeitos das mudanças climáticas. O que afetará a geração de energia, a agropecuária e o abastecimento humano.

Falta a muitos que negam as mudanças climáticas a capacidade de enxergar o todo e aceitar que a vida pode ser mais complexa do que seus olhos podem enxergar. Não raro, observam apenas uma amostra visível do mundo e, metonimicamente, constroem a realidade baseado nesse recorte. O alerta sobre mudanças climáticas não são produto de fé, mas entendimento baseado em evidências científicas coletivamente chanceladas. Fé é acreditar que Jesus voltará antes do mundo virar geleia.

Bolsonaro afirmou que pediu para o Brasil retirar sua candidatura para sediar a COP-25, a conferência anual da ONU para discutir a implementação do Acordo de Paris, que trata do que os Estados devem fazer para frear as mudanças climáticas causadas pela ação humana. “Houve participação minha nessa decisão. Ao nosso futuro ministro [das Relações Exteriores], eu recomendei que se evitasse a realização desse evento aqui.” O mundo já contava que hospedássemos o evento.

Deixar o Acordo colocará o Brasil em uma lista de párias isolados do sistema multilateral e ainda vai expor o nosso país a retaliações comerciais, sobretudo de países europeus – que já assinalaram a imposição de “tarifas climáticas” a quem não estiver cumprindo o acordo. A soja, matéria-prima de óleos, rações e presente em boa parte dos alimentos industrializados e que é um dos principais itens de nossa pauta de exportação, deve sentir os efeitos disso. Boa parte de sua produção encontra-se na Amazônia Legal e no Cerrado.

Muitos negacionistas usam discursos de que a economia não pode pagar pelo custo das necessárias mudanças no modelo de desenvolvimento pela qual passa a solução. Mas nossa matriz energética já é vista internacionalmente como mais limpa (no que pese os profundos impactos negativos da construção de hidrelétricas). Por isso, nosso esforço de cumprimento do Acordo de Paris, apesar de significativo, é mais baseado no combate ao desmatamento ilegal. O que é, já em si, positivo e não passa por reformular e fechar bilhões de dólares em usinas de carvão – como é o caso de alguns outros países. Além disso, o acordo valoriza o sequestro de carbono, que é um serviço que o Brasil pode suprir, e com isso ganhar muito, seja via reflorestamento, seja via a produção de biocombustíveis e outras fontes renováveis de energia, em que temos grandes vantagens comparativas. Ou seja, além de queimar florestas, vamos queimar dinheiro. Dólares, euros, yuans.

É possível crescer economicamente, mas com responsabilidade. Respeitando o zoneamento econômico da região, que diz o que pode e o que não pode se produzido em uma área; realizando uma regularização fundiária geral e confiscando terras roubadas do Estado; executando uma reforma agrária com a garantia de que os recursos emprestados pelos governos às pequenas propriedades – responsáveis por garantir o alimento na mesa dos brasileiros – sejam, pelo menos, da mesma monta que os das grandes; preservando os direitos das populações tradicionais, cujas áreas possuem as mais altas taxas de conservação do país; mantendo o exército na caserna e longe da política fundiária e indígena. Ah, e sem usar trabalho escravo.

Para tanto, precisamos saber se o governo estará disposto a combater as ameaças reais que colocam em risco nossa casa comum ou zombará delas enquanto queima dinheiro de exportações, que ficarão bloqueadas em portos pelo mundo.

Em tempo: Questionado sobre o aquecimento global, Bolsonaro afirmou, no último sábado (1): “eu acredito na ciência e ponto final. Agora o que que a Europa fez para manter as suas florestas, as suas matas ciliares? O que que eles fizeram? Querem dar palpite aqui?”. A declaração remete a outra, proferida pelo então presidente Lula, em março de 2008, quando defendeu a produção sucroalcooleira nacional – que, naquela época, era uma das campeãs em resgates de trabalhadores em situação análoga à de escravo: “Vira e mexe, nós estamos vendo eles [estrangeiros] falarem do trabalho escravo no Brasil, sem lembrar que o desenvolvimento deles, à base do carvão, o trabalho era muito mais penoso do que o trabalho na cana-de-açúcar”.

Em ambos os casos, Bolsonaro e Lula compararam a realidade atual no Brasil com outra, do passado – o que é um absurdo, uma vez que a humanidade avançou nos últimos 200 anos. Claro que, em ambos os casos, há interesses econômicos estrangeiros de quem deseja usar a situação para alavancar o seu próprio protecionismo. Mas a verdade é que o Estado brasileiro permitiu que a exploração do meio ambiente e do ser humano acontecesse. Ao invés de reclamar, deveríamos continuar fazendo nossa lição de casa (e há muito a fazer) e mostrar o resultado mundo. O que é, ao mesmo tempo, a melhor vacina contra barreiras sob justificativas ambientais e trabalhistas e uma forma de ganhar dinheiro.

A REVOLUÇÃO DOS IDIOTAS E A DITADURA DO MERCADO

Basta criticar o capitalismo ou Bolsonaro, que uma enxurrada de agressões surgem no sistema de comentários. Termos como “essa mamata vai acabar”, “o PT foi varrido” e mais um monte de bla-bla-bla nazista e “anticomunista” surgem como tivessem vindos da guerra fria. O anacronismo do discurso, característico de uma onda de estupidez, não se caracteriza por algo momentâneo somente mas, fruto de um atraso mental provocado pelo atraso social e educacional oriundos, justamente do período militar, quando a didática crítica era proibida pelo regime. Fato que é facilmente comprovado pela velharia que sai às ruas, em manifestações pró-fascismo.

A REVOLUÇÃO DOS IDIOTAS E A DITADURA DO MERCADO

Obviamente, outra característica importante desse momento, a naturalização da violência na sociedade brasileira, trouxe a periferia à identificação com o discurso de Bolsonaro. Há, ainda, o crescimento das igrejas neopentecostais e a forte adesão à teologia da prosperidade, por parte das camadas mais pobres e, principalmente, da classe média.

Aliás, a classe média merece uma análise destacada das demais. Na medida em o consumismo avançou nos discursos dos governos pelo mundo, como forma de manter o crescimento “infinito” das economias, tendo a dissolução da União Soviética, enterrado a dialética entre sistemas, que fazia o capitalismo dar concessões à questões sociais, a classe média substituiu a valorização do conhecimento, pela pura estratificação social baseada no bem de consumo. Essa substituição foi a bomba atômica na intelectualização dessa parcelada sociedade, perdendo sua identidade e a capacidade de se reconhecer como seres coletivos, se tornando burra, idiotizada, anacrônica, mas, cheirando a perfume Chanel.

Perdidos em seus pensamento egoístas, a ditadura da felicidade impôs ao sujeito a lógica do burro motivado, trazendo a mistura tóxica entre ignorância, consumo, capitalismo radical, exploração, ódio e individualismo extremo. O resultado desse cenário foi a desconsideração do outro e a exclusão do que é diferente, nesse sentido a classe média deixou de reconhecer como ser humano, os mais pobres, os negros, os homoafetivos e outros que não reconheçam como iguais aos que são. Bolsonaro passa a representá-los, não só na moda mas, no pensamento, incluindo a burrice, a religiosidade pateta e as demais características pastichetas e apaspalhadas.

Talvez, a derrocada do próximo governo consiga alterar o triste destino em direção ao abismo intelectual, digno de uma “idiocracia”. Mas, que não se subestime a capacidade dos idiotas, mesmo que um presidente completamente equivocado e despreparado encontre a tragédia social e econômica, ainda assim, por identidade, os apalermados continuarão culpando o “comunismo” petista, anos depois da fome encontrar a classe média.

https://www.focuscosmus.com/10-dez-primeiros-dias-da-eleicao-do-bolsonaro/

https://www.apostagem.com.br/2018/11/25/a-revolucao-dos-idiotas-e-a-ditadura-do-mercado/

Anarquistas de Chicago

Um dia como hoje, de 1887, foram assassinados os anarquistas de Chicago pelas mãos da autoridade americana, pelo facto de ter paralisado a indústria levantando em greve a milhares de trabalhadores no dia 1 de maio de 1886.

Anarquistas de Chicago

Anarquistas de Chicago

O pretexto que o governo americano usou para prender-los e executá-los foi o “incidente de haymarket, Chicago”, que teve lugar no quarto dia da greve quando um operário anónimo atirou uma bomba contra a polícia que abafar os manifestantes. O que motivou este trabalhador desconhecido a atentar contra os agentes foi o massacre que a mesma polícia cometeu dias antes contra a multidão desarmada.

Graças a estes oito anarquistas a cada 1º de maio comemora-se o dia do proletário mundial, devido aos protestos que realizaram se o dia de trabalho de 12 horas a 8, e por eles que na sua qualidade de imigrantes conseguiram Unir os trabalhadores, hoje o povo conhece os frutos da organização sem chefes e procura – a 130 anos de distância – a reivindicação total dos seus direitos.

Palavras de George Engel proferidas no dia do seu assassinato, em 11 de novembro de 1887:

” e por que razão estou aqui? Por que razão me acusam de assassino? Pela mesma razão que tive de abandonar a Alemanha, pela pobreza, pela miséria da classe trabalhadora. Aqui também, nesta ‘livre República’, no país mais rico do mundo, há muitos trabalhadores que não têm lugar no banquete da vida e que como párias sociais arrastam uma vida miserável. Aqui já vi seres humanos à procura de algo com que se alimentar nos montes de lixo das ruas.

Em que consiste o meu crime? Em que trabalhei para o estabelecimento de um sistema social em que seja impossível o facto de que, enquanto uns milhões utilizando as máquinas, outros caem na degradação e na miséria. Assim como a água e o ar são livres para todos, assim a terra e as invenções dos homens de ciência devem ser usadas em benefício de todos. As suas leis estão em oposição às da natureza, e através delas roubam as massas o direito à vida, à liberdade e ao bem-estar… se cada trabalhador levasse uma bomba no bolso, em breve seria derrubado o sistema capitalista prevalecente .

Eu não combato individualmente os capitalistas; combato o sistema que dá o privilégio. O meu mais ardente desejo é que os trabalhadores saibam quem são os seus inimigos e quem são os seus amigos. Tudo o resto eu o desprezo; desprezo o poder de um governo iníquo, seus policiais e seus espiões.

Este é o momento mais feliz da minha vida
Viva a anarquia!”

Ⓐnarquize-se

10 (dez) primeiros dias da eleicao do Bolsonaro

10 (dez) dias depois de eleito e já podemos atualizar a lista em relação a Bolsonaro

EXPECTATIVA:
– Acabar com a Corrupção

REALIDADE:

10 (dez) dias depois de eleito e já podemos atualizar a lista em relação a Bolsonaro

10 (dez) primeiros dias da eleicao do Bolsonaro

– Bolsonaro diz que PMDB é bem vindo ao seu governo: https://bit.ly/2JLSdCs

– Bolsonaro acaba com o Ministério do Trabalho https://bit.ly/2JLa3pf

– Deputada da bancada ruralista é anunciada como ministra da Agricultura, Tereza Cristina a ‘Musa do Veneno’: https://bit.ly/2zA3EIU

– Equipe de Bolsonaro pensa em fusão do Banco do Brasil com Bank of America: https://bit.ly/2ARVDkb

– Bolsonaro arranja treta com o Egito: https://bit.ly/2yTZFHD

– Bolsonaro arranja tretas com países árabes: https://bit.ly/2JIJkJQ

– Bolsonaro arranja treta com a China: https://bit.ly/2zATpnx

– Guedes avisa que Mercosul não será prioridade: https://glo.bo/2Ow033V

– Julian Lemos, Integrante da equipe de Bolsonaro foi acusado de estelionato e três vezes alvo da Lei Maria da Penha: https://glo.bo/2D6RdHH

– Onyx Lorenzoni Réu Confesso de Caixa 2 faz parte do governo: https://bit.ly/2NGQfbV

– Sérgio Moro diz que Caixa 2 de Onyx tá de boas porque ele pediu desculpas: https://bit.ly/2JJotWN

– Magno Malta corrupto histórico, mesmo sem voto popular, ganha puxadinho no governo Bolsonaro: https://bit.ly/2ySQ8jZ

– Alberto Fraga (DEM): não reeleito pelo povo, tem áudio pedindo propina, indiciado pela PGR, parte do governo Bolsonaro: https://bit.ly/2PfH96L

– Pauderney Avelido (DEM): não reeleito pelo povo, condenado a devolver R$ 4,6 milhões em um esquema de corrupção. Parte do governo Bolsonaro: https://bit.ly/2R983JV

– Sócio de agência ligada a disparos em massa via WhatsApp integra time de Bolsonaro: https://bit.ly/2RB6SD9

– Bolsonaro diz que “muita coisa” do governo Temer vai ser mantida: https://bit.ly/2ATQl81

– Bolsonaro e Temer se unem pelo fim das aposentadorias; vem aí a reforma da previdência: https://bit.ly/2Fjmb2i

– Temer convida Bolsonaro para viajarem juntos pelo mundo antes de sua posse: https://bit.ly/2Fc0cdo

Já deu pra entender o que vem por aí? Votaram num salvador da pátria e ganharam um Temer bem pior, chamado Bolsonaro.

Trump está em guerra com o Ocidente?

Apenas um dia depois de seus comentários impressionantes em Helsinque, o presidente Trump tentou recuar. Na capital finlandesa, ao lado do presidente russo, Vladimir Putin, durante uma coletiva de imprensa, ele duvidou das conclusões das agências de inteligência norte-americanas de que a Rússia interferiu na eleição de 2016. De volta à Casa Branca na terça-feira, entretanto, Trump argumentou que ele havia simplesmente tinha se expressado mal; ele leu uma declaração dizendo que, de fato, aceitou que Moscou tentasse influenciar a votação. Pelo menos por um momento.

Os governos Putin e Trump podem estar em desacordo, mas os próprios dois homens, argumentou o jornalista Leonid Ragozin, estão “do mesmo lado da divisão”. Eles representam “a mesma linhagem de uma cultura global em ascensão: a dos tabloides viciosamente xenófobos”, TV de infoentretenimento politicamente tendenciosa, showbiz brega, populismo irresponsável, nativismo raivoso e cleptocracia oligárquica”, escreveu ele para o BuzzFeed News.

Os governos Putin e Trump podem estar em desacordo, mas os próprios dois homens, argumentou o jornalista Leonid Ragozin, estão “do mesmo lado da divisão”. Eles representam “a mesma linhagem de uma cultura global em ascensão: a dos tabloides viciosamente xenófobos”, TV de infoentretenimento politicamente tendenciosa, showbiz brega, populismo irresponsável, nativismo raivoso e cleptocracia oligárquica”, escreveu ele para o BuzzFeed News.

“Poderia ser outras pessoas também”, acrescentou ele na frase seguinte. “Muitas pessoas lá fora.”

Poucos em Washington foram convencidos pela reviravolta de Trump. Desde que assumiu o cargo, Trump repetidamente questionou as investigações de seu próprio governo sobre a interferência do Kremlin e descartou o crescente corpo de evidências que ligam essa invasão à sua vitória eleitoral – incluindo um comentário do próprio Putin na segunda-feira. Desde as observações em Helsinque, além disso, ele havia sido entrevistado pela Fox News e não fez menção a mal-entendidos. Mesmo sua tentativa de esclarecimento na terça-feira aparentemente foi auto-editada em algo mais desafiador.

Trump também não disse nada na segunda-feira sobre a anexação da Crimeia pela Rússia em 2014 ou o seu papel em reforçar os excessos violentos do regime sírio. Essa timidez estava em contraste com sua crítica aos aliados da OTAN em Bruxelas na semana passada. Para muitos críticos de Trump, suas atuações nas duas cidades encerraram um ano e meio de ataques tácitos e evidentes à aliança transatlântica.

O comportamento de Trump foi “de um homem que quer que a aliança fracasse”, escreveu o colunista do New York Times, David Brooks. “Sua aceitação de Putin na segunda-feira foi uma dança da vitória no túmulo euro-americano”.

“O presidente russo recebeu efetivamente um passe livre de um presidente dos EUA para continuar sua guerra híbrida contra o Ocidente”, escreveu Guy Verhofstadt, um ex-primeiro-ministro belga. Ele pediu aos liberais europeus que se unam contra o Trumpismo e seus representantes, apontando para os esforços de um ex-assessor de Trump para impulsionar os populistas de extrema direita no continente. “A batalha agora está em curso para derrotar o sonho doentio de Steve Bannon de uma revolução populista de direita na Europa e um recuo para o nacionalismo assassino do passado da Europa”, escreveu ele.

Vale a pena perguntar, mesmo agora, quem Trump vê como seu inimigo. Sua campanha política foi redigida na retórica nativista contra o “globalismo”, um eufemismo para um mundo de liberais multiculturais e elites empresariais e políticas que ele alegou não ter em mente os interesses dos Estados Unidos. Desde que assumiu o poder, ele concentrou esses ataques em instituições reais – o Partido Democrata e funcionários públicos que ele chama de “o Estado profundo” em casa, e blocos multilaterais como a OTAN e a União Europeia no exterior.

Mais amplamente, ele demonstrou uma apatia consistente pela ordem mundial construída pelos EUA que garantiu a supremacia dos americanos por décadas. “No mundo pós-guerra, a política dos EUA tinha quatro características atraentes: tinha valores centrais atraentes; era leal aos aliados que compartilhavam esses valores; acreditava em mercados abertos e competitivos; e sustentou esses mercados com regras institucionalizadas”, escreveu Martin Wolf, do Financial Times. “Esse sistema sempre foi incompleto e imperfeito. Mas foi uma abordagem altamente original e atraente para o negócio de comandar o mundo”.

Wolf sugere que Trump está inclinado a rejeitar esse sistema, que muitas vezes é o que estamos invocando quando nos referimos agora ao “Ocidente”: “Para aqueles que acreditam que a humanidade deve transcender suas pequenas diferenças, esses princípios foram um começo. No entanto, hoje o presidente dos EUA parece hostil aos valores centrais da democracia, da liberdade e do estado de direito; ele não sente lealdade aos aliados; ele rejeita mercados abertos; e ele despreza as instituições internacionais. E ele acredita que isso pode dar certo.

“Trump pode ter diminuído a liderança dos EUA no mundo”, disse o analista russo Maxim Suchkov ao Today’s WorldView em Moscou na semana passada, “mas ele ainda quer dominação”.

Essa visão de mundo leva muitos analistas a sugerir que Trump tem mais em comum com autocratas como Putin do que com os líderes eleitos das principais democracias da Europa. Para os críticos da hegemonia americana, que há muito argumentam que seus valores declarados têm pouco a ver com suas ações geopolíticas, Trump confirmou suas crenças.

“Isso reduz os EUA de serem o líder do mundo livre a ser apenas mais uma grande potência”, disse Daniel Fried, ex-diplomata e companheiro do Conselho Atlântico, aos meus colegas David Nakamura e Carol Morello. Ele “desfaz 100 anos da grande estratégia da América”, acrescentou, “o que funcionou bem para nós. Ganhou a Guerra Fria porque as pessoas por trás da Cortina de Ferro foram inspiradas por nossas ideias e ideais.”

Em vez disso, Trump defende outra visão. Como já escrevemos antes, a concepção de Trump do Ocidente é cultural, não política. Está ancorada na retórica do sangue e do solo e na raiva contra a imigração. Na semana passada, ele argumentou em Bruxelas que as novas chegadas de migrantes são “muito ruins para a Europa” porque estão “mudando a cultura”.

Trump está em guerra com o Ocidente?

Os governos Putin e Trump podem estar em desacordo, mas os próprios dois homens, argumentou o jornalista Leonid Ragozin, estão “do mesmo lado da divisão”. Eles representam “a mesma linhagem de uma cultura global em ascensão: a dos tabloides viciosamente xenófobos”, TV de infoentretenimento politicamente tendenciosa, showbiz brega, populismo irresponsável, nativismo raivoso e cleptocracia oligárquica”, escreveu ele para o BuzzFeed News.

Uma multidão de políticos europeus tradicionais discordaria, assim como a maioria de suas populações. Uma nova pesquisa do Pew com oito países da Europa Ocidental, publicada este mês, descobriu que 66% dos entrevistados acreditam que os imigrantes fortalecem suas sociedades.

Mas Trump vê essa abertura – e a perspectiva de uma Europa mais integrada e diversificada – como uma fraqueza. Aqui, novamente, ele se torna um espírito afim com Putin, outro estranho de pé, cético, à porta do liberal Ocidente. “Até 2014, a Rússia costumava se ver como o ponto mais oriental do mundo ocidental”, disse Dmitri Trenin, diretor do Centro Carnegie de Moscou, ao Wall Street Journal. “Desde então, houve uma mudança fundamental e a Rússia se voltou para dentro. A elite russa e seu líder, Putin, chegaram à conclusão de que tentar se tornar parte do Ocidente não levará aos resultados desejados.”

Isso envolve uma tentativa de virar para o leste e cultivar laços mais profundos com a Ásia. Mas também viu o Kremlin construir ligações com os mesmos populistas europeus de extrema-direita que Trump celebrou. Matteo Salvini, ministro do Interior da Itália e líder da extrema direita, está pressionando pelo fim da UE e das sanções à Rússia. Putin, enquanto isso, cultivou uma imagem global como líder nacionalista cristão proeminente e é aplaudido pelos supremacistas brancos nos Estados Unidos.

Os governos Putin e Trump podem estar em desacordo, mas os próprios dois homens, argumentou o jornalista Leonid Ragozin, estão “do mesmo lado da divisão”. Eles representam “a mesma linhagem de uma cultura global em ascensão: a dos tabloides viciosamente xenófobos”, TV de infoentretenimento politicamente tendenciosa, showbiz brega, populismo irresponsável, nativismo raivoso e cleptocracia oligárquica”, escreveu ele para o BuzzFeed News.

E seus adversários desorientados, agora liderados por uma Europa oprimida, estão lutando para lidar com a situação.

FONTE: Washington Post