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Como evitar que hackers ‘invadam’ seu cérebro no futuro

Parece um cenário digno de episódio da série distópica ‘Black Mirror’ – mas não é tão impossível quanto parece. Imagine ser capaz de navegar por suas memórias como se fosse em uma linha do tempo do Facebook, revivendo em nítidos detalhes seus momentos favoritos da vida e guardando os mais queridos. Agora imagine uma versão distópica do mesmo futuro, no qual hackers roubam essas memórias e ameaçam apagá-las se você não pagar um resgate.

Como evitar que hackers ‘invadam’ seu cérebro no futuro
Pode soar longe da realidade, mas o cenário não é tão impossível quanto parece. ABRINDO A CABEÇA Avanços no campo da neurotecnologia nos deixaram mais próximos da possibilidade de melhorar e turbinar nossas memórias, e em algumas décadas poderemos também ser capazes de manipulá-las e reescrevê-las. A tecnologia que provavelmente nos permitirá esses feitos é a dos implantes cerebrais, que estão rapidamente se tornando ferramentas comuns para os neurocirurgiões. Os implantes produzem a chamada estimulação profunda no cérebro, a DBS (da sigla em inglês, deep brain stimulation), para tratar gama ampla de condições, dos tremores da doença de Parkinson ao TOC (Transtorno Obsessivo Compulsivo).

Cerca de 150 mil pessoas no mundo já passaram por tratamentos experimentais com os implantes.

A tecnologia está sendo cada vez mais pesquisada nos tratamentos para depressão, demência, síndrome de Tourette e outras doenças psicológicas.

Pesquisadores estão agora começando a explorar os implantes no tratamento de distúrbios que afetam a memória, como os causados por eventos traumáticos.

A Agência de Projetos de Pesquisa em Defesa Avançada dos EUA (Darpa, em inglês) tem um programa para desenvolver e testar uma “interface neural sem fio totalmente implantável” para ajudar a restaurar a perda de memória em soldados afetados por danos traumáticos ao cérebro.

Superpoderes mentais

“Eu não me surpreenderia se um implante de memória estivesse disponível no mercado dentro dos próximos dez anos – essa é a escala de tempo de que estamos falando”, diz Laurie Pycroft, uma pesquisadora do departamento de ciências cirúrgicas na Universidade de Oxford, no Reino Unido.

Em 20 anos, a tecnologia pode ter evoluído o suficiente para nos permitir “capturar” os sinais que constroem nossas memórias, turbiná-los, e redirecioná-los de volta ao cérebro.

No meio do século, é possível que tenhamos ainda mais controle, com a habilidade de manipular memórias.

‘Sequestro de memória’

Mas o controle também pode ter consequências ruins. Se essa habilidade cair nas mãos erradas, as consequências podem ser “gravíssimas”, diz Pycroft.

Se um hacker invadir um neuroestimulador de um paciente com doença de Parkinson, por exemplo, e alterar as configurações, ele poderia influenciar os pensamentos e comportamento do paciente, ou mesmo causar paralisia temporária.

Um hacker também poderia ameaçar apagar ou reescrever memórias.

Se os cientistas conseguirem decodificar os sinais neurais das nossas memórias, então os cenários podem ser infinitos: pense na quantidade de informação valiosa que hackers mal intencionados poderiam coletar invadindo os servidores do hospital de veteranos em Washington, por exemplo.

Avanços no campo da neurotecnologia são positivos, mas escondem alguns riscos
Como evitar que hackers ‘invadam’ seu cérebro no futuro

Em um experimento em 2012, pesquisadores da Universidade de Oxford e da Universidade de Berkeley, na Califórnia, conseguiram desvendar informações pessoais como senhas de cartão de crédito apenas observando as ondas cerebrais de pessoas usando um headset (conjunto com microfone, óculos de visão 3D e fone de ouvido) para jogos virtuais.

Controle do passado

“A possibilidade de ‘sequestro de cérebros’ e de alterações maliciosas de memória gera uma variedade enorme de desafios para a segurança – algumas bem novas e únicas”, diz Dmitry Galov, pesquisador de segurança virtual da empresa Kaspersky Lab.

A Kaspersky e a Universidade de Oxford colaboraram em um projeto para mapear potenciais ameaças e formas de ataque envolvendo essas novas tecnologias.

“Até no estágio atual de desenvolvimento – que é mais avançado do que as pessoas se dão conta – há uma evidente tensão entre a saúde e a segurança do paciente”, diz o relatório O Mercado da Memória: Preparando-se para um Futuro onde as Ameaças Virtuais Miram seu Passado, publicado pelo grupo.

Não é impossível imaginar governos autoritários do futuro tentando reescrever a história interferindo com a memória das pessoas, e até criando novas memórias, diz o artigo.

“Dá até para imaginar essa tecnologia sendo usada para mudar o comportamento das pessoas. Você pode fazer uma pessoa mudar imediatamente o comportamento estimulando a parte do cérebro que gera emoções indesejáveis”, diz Galov à BBC.

E vice-versa: também é possível seria possível encorajar determinado comportamento estimulando a parte do cérebro que gera prazer e alegria.

Acesso não autorizado

Hackear dispositivos médicos conectados a pessoas é, na verdade, uma ameaça que já existe. Em 2017, autoridades americanas fizeram um recall de 465 mil marca-passos depois de avaliar que eles estavam vulneráveis à ataques cibernéticos.

A FDA, agência americana de controle de remédios e alimentos, disse que pessoas mal intencionadas podem interferir com os mecanismos, mudando o ritmo cardíaco de alguém ou acabando com a bateria, o que poderia provocar morte.

Com o recall, ninguém foi ferido, mas a agência afirmou que com aparelhos médicos cada vez mais conectados, redes de hospitais, cirurgias remotas, etc, há um aumento do risco de pessoas mal intencionadas explorarem as vulnerabilidades de segurança virtual. “Algumas (dessas vulnerabilidades) podem afetar como os aparelhos médicos operam.”

É um problema para muitas áreas médicas, e a Kaspersky acredita que, no futuro, mais aparelhos serão conectados e monitorados remotamente. Médicos só serão chamados para assumir situações de emergência.

Defesas virtuais

Felizmente, reforçar a segurança virtual no início do planejamento e desenvolvimento de aparelhos pode mitigar a maior parte dos riscos.

Mas a medida mais importante, segundo Galov, é educar médicos e pacientes sobre precauções a serem tomadas, como criar senhas fortes.

O fator humano, diz ele, é uma das maiores vulnerabilidades, porque não podemos esperar que os médicos se tornem especialistas em segurança virtual e “qualquer sistema é tão seguro quanto sua parte mais fraca”.

Pycroft diz que, no futuro, implantes cerebrais serão mais complexos e mais amplamente usados para tratar um amplo conjunto de doenças. “A confluência desses fatores provavelmente deve tornar mais fácil e atraente realizar um ataque usando implantes de pacientes”, diz ele.

“Se não criarmos soluções para a primeira geração de implantes, a segunda e terceira gerações serão bastante inseguras.”

Você pensa e ela traduz: tecnologia começa a ler pensamentos

Você pensa algo, um dispositivo decodifica o pensamento e o traduz em palavras. Ou melhor, em áudio. É exatamente essa tecnologia que os pesquisadores da Universidade de Columbia, em Nova York, estão desenvolvendo.

De acordo com um estudo publicado pela “Nature”, um sistema de inteligência artificial conseguiu decodificar pensamentos monitorados com a ajuda de eletrodos implantados no cérebro das pessoas analisadas.

Durante os testes, o sistema desenvolvido pelos pesquisadores já conseguiu ler e reproduzir palavras simples em áudio. Ou seja, ele foi capaz de ler a mente dessas pessoas.

O próximo passo é fazer com que a tecnologia reconheça palavras e frases mais complexas.

Para chegar aos resultados, os pesquisadores contaram com a ajuda de cinco pacientes de um hospital local. Eles já possuíam eletrodos implantados em seus cérebros, pois passavam por um tratamento para epilepsia.

Dessa forma, a atividade cerebral deles foi monitorada e o padrão das ondas cerebrais foi usado para treinar o software de inteligência artificial.

Os pacientes ouviram pequenas frases contínuas faladas por quatro pessoas ao longo 30 minutos.

Em alguns momentos, as falas eram interrompidas e os participantes precisavam repetir a última sentença. Essa era a prova de que eles estavam realmente concentrados na tarefa.

Os pacientes também ouviram 40 números falados (do zero até o nove).

Depois de literalmente aprender os padrões das falas, a IA conseguiu decodificar algumas das palavras que estavam sendo reproduzidas na mente dos pacientes. Nessa etapa, ela transformou os registros dos cérebros em comandos.

O maior objetivo do estudo é tornar mais fácil a comunicação de pessoas que não podem falar. “Queremos deixar as pessoas conversarem com suas famílias novamente”, afirmou o professor Nima Mesgarani, do Instituto Zuckerman, e um dos responsáveis pelo estudo. O estudo completo está publicado no site da Revista.

https://noticias.uol.com.br/tecnologia/noticias/redacao/2019/01/29/voce-pensa-e-ela-reproduz-tecnologia-consegue-ler-os-nossos-pensamentos.htm

Cientista de quê? Afinal, o que fazem os cientistas de dados?

Sabe quando a gente começou a ouvir sobre os “novos empregos que estavam sendo gerados no e-commerce” e não tínhamos maturidade pra falarmos sobre isso, pois o mercado ainda não estava estabelecido? Ou quando as especulações relacionadas a eles eram estritamente relacionadas às áreas técnicas e, de acordo com reportagens, se você não soubesse programar ficaria de fora deste mercado e se tornaria obsoleto? Ou, pior ainda, sabe quando se achava que esse negócio de “comércio online” não iria a lugar algum?

Cientista de quê? Afinal, o que fazem os cientistas de dados?

O cientista de dados deveria auxiliar na aplicação do método

Basicamente todas as especulações que tivemos até hoje sobre o cientista de dados entram nas mesmas previsões: (1) não conseguem especular corretamente, pois estamos apenas começando a explorar o real potencial dos dados; (2) requisitam perfis técnicos e geralmente com critérios inatingíveis; ou (3) acham que o cientista de dados, ou a área como um todo, faz o mesmo que as equipes de Inteligência de negócios, e que saber mexer em ferramentas como o Excel, resolve tudo.

Some a isso o fato de que grande parte das empresas está apenas começando a compreender o que fazer com a grande massa de dados que elas possuem: não podemos afirmar que no Brasil as empresas possuem uma cultura de dados em todas as áreas. Se possuem, é em uma área ou outra. E não se iluda de que isso é uma realidade em outros países: são raras e contadas nos dedos.

Logo, não temos um local propício para o desenvolvimento deste profissional no Brasil: o hype é maior que a entrega.

Mas afinal de contas, o que faz um cientista de dados e qual deveria ser seu papel nas organizações?

Antes de mais nada, precisamos parar de achar que estamos falando de um profissional. Você já parou pra pensar que absolutamente todo mundo, de empresas, governo, instituições a pessoas, possuem ou geram dados? Dialogar com todas essas áreas não é tarefa fácil e a comunicação é imprescindível para resolver problemas com dados. Afinal de contas, as soluções desenvolvidas apoiam a tomada de decisão –e quem decide são as áreas de negócios.

A partir do momento em que entendemos que a informação não é pertencente a uma área específica e que ela é insumo e subproduto de todas as ações e decisões da organização, podemos entender que existe muito mais do que números, código e ferramentas de dashboards envolvidos neste processo. Ela funciona como um espelho e nos ajuda a ser mais transparentes em relação a tudo que está acontecendo, guiando decisões mais conscientes e melhores.

Que viagem Letícia, não tô acompanhando.

Pensa assim, você é dono de uma padaria. Seu atendimento e seu produto são bons, logo, sua padaria cresce e você abre mais 3 padarias nas cidades vizinhas.

Começamos olhando pelos dados internos que você possui: controle de produção de pão, qualidade do pão, vendas, fluxo de caixa, previsão de pedidos, pessoas contratadas, produtividade dessas pessoas, controle e relacionamento com fornecedores, contratação para eventos, gastos fixos e variáveis.

Agregamos a isso dados de clientes: você viu potencial nas redes sociais e em compras para eventos e fez um pequeno site. Agregamos interações em redes sociais (curtidas, comentários, compartilhamentos, dados de navegação) e informações sobre os clientes regulares do seu programa de benefícios.

Temos dados de mercado: crescimento previsto para o próximo ano, novos concorrentes e os preços que eles cobram, promoções, dias de comemorações e eventos especiais... cansou?

Agora transforma essa sua padaria em um supermercado. Não, numa rede de supermercados. Não, em uma rede de supermercados que foi comprada por um site de e-commerce. Esse aglomerado de dados gerados em velocidade, variedade e volume, é o famoso Big Data. Doidera né?

Mas e aí, eu te pergunto:

Quem deveria olhar para essas informações?

Quem ajuda a compreender como melhorar e sustentar a empresa a longo prazo lendo esses dados da melhor forma possível?

Quem pensa novas formas e soluções de consumo dessas informações?

Quem pensa em quais informações precisamos guardar e quais não precisamos?

Quem mapeia as necessidades e perguntas de negócio das diferentes áreas, gerando novas descobertas que podem dar ideias para o negócio?

Quem ajuda a disseminar a informação para todas as áreas da empresa?

Quem ajuda a quebrar mitos construídos baseados na percepção das pessoas provando que os dados mostram algo diferente?

Quem busca os melhores métodos matemáticos e estatísticos para realizar as análises com o menor grau de incerteza?

O cientista de dados? NÃO NECESSARIAMENTE.

Mas é o cientista de dados que deveria auxiliar as áreas de negócio e de tecnologia a aplicar o método para que isso aconteça da melhor forma possível.

Este é o profissional que deveria estar preocupado com a estratégia de dados da organização, acima de tudo. Imagine que existe uma nova área na empresa, que requisita um novo perfil de profissional para tirar o melhor proveito dela, ou vários!

Antes de pensar em alguém que resolva todas essas questões, precisamos pensar em pessoas que resolvam da melhor forma as questões mais relevantes. E para isso, temos profissionais com perfis mais de desenvolvimento, mais matemático/estatístico, mais criativo e mais de negócios. Como em qualquer outra área, quanto maior e mais complexo o problema, maiores são as habilidades e competências requisitadas. E achar que encontramos isso somente em um profissional é tanto simplificar demais quanto complicar demais o trabalho a ser realizado.

Assim, nasceu o termo cientista de dados unicórnio. Já viu unicórnio por aí? Cientista de dados unicórnio é aquele que sabe de todas as áreas que se acreditam ser possíveis sobre isso, em profundidade.

Dá uma busca no LinkedIn por “cientista de dados” e me diz se você conhece alguém assim. É óbvio que não conhece e dificilmente vai conhecer. Uma utopia que o mercado e as empresas tem criado, que só traz frustrações para os dois lados.

Isso quando os perfis estão requisitando pessoas tão técnicas que geram soluções que não são úteis no dia a dia, pois elas não sabem as necessidades da equipe de negócios.

Como contornar? Não sei, estamos descobrindo. Somos a primeira geração de cientistas de dados e tudo depende muito da configuração das empresas e dos desafios das áreas.

A cada dia surge uma nova fonte de dados, com um novo desafio. E este é meu intuito com o blog! Vou compartilhar o que estamos aprendendo convivendo com estes diferentes perfis profissionais, de forma simples e acessível. Não tem como fugir: assim como o e-commerce, o cientista de dados veio para ficar. Mas, se puder te dar alguma dica, prefira times em formação, curiosos e com perfis complementares. Desencana de achar o unicórnio, tá?

Dez filmes sobre Matemática que você precisa assistir

Dez filmes sobre Matemática que você precisa assistir

Dez filmes sobre Matemática que você precisa assistir

O fim de ano está chegando e com ele as sonhadas férias. E você que passa o ano inteiro sem tempo para diversão terá tempo de sobra para fazer aquela maratona de filmes sobre matemática e ficar fera no assunto.Veja esta lista com dez filmes essenciais sobre o tema. Está faltando algum que você viu e não citamos? Mande o nome para gente.

O Jogo da Imitação (The Imitation Game)

Baseado na história real do gênio da matemática e pai da computação Alan Turing (1912-1954). Mostra a atuação dele — e de um grupo de matemáticos e pesquisadores — durante a Segunda Guerra Mundial para decodificar mensagens da máquina Enigma enviadas pelo exército nazista para os soldados nas frentes de batalha. O filme também aborda a vida pessoal do matemático britânico que sofreu preconceito e repressão por conta de sua opção sexual.

Uma Mente Brilhante (A Beautiful Mind)

O filme conta a história do matemático norte-americano John Nash (1928-2015). Na constante busca por uma “ideia original”, Nash transforma seus estudos na Universidade de Princeton em obsessão, causando problemas de relacionamento. Sua incrível capacidade de decifrar códigos e padrões acaba lhe rendendo um emprego no governo norte-americano. Aos 21 anos, formulou um teorema que provou sua genialidade, tornando- aclamado. Mas, acometido pela esquizofrenia, se transforma em um homem sofrido e atormentado. Após anos de luta para se recuperar, ele consegue retornar à sociedade e acaba sendo premiado com o Nobel.

O Homem que Viu o Infinito (The Man Who Knew Infinity)

Outra película baseada numa história real. Dessa vez o público conhece a vida do matemático indiano Srinivasa Ramanujan (1887–1920), um dos mais influentes do século XX. De origem humilde e sem formação acadêmica, ele contribuiu para a matemática com diversos trabalhos, como teoria dos números e séries infinitas. O filme mostra sua relação de amizade com Godfrey Harold Hardy e o conflito entre a razão (matemática) e a crença de que suas teorias eram de origem divina

Estrelas Além do Tempo (Hidden Figures)

É história real que você quer? Pois se prepare porque Estrelas Além do Tempo remonta o auge da corrida espacial entre Estados Unidos e Rússia durante a Guerra Fria. Como pano de fundo, há a segregação racial da sociedade que também se reflete na NASA, onde um grupo de funcionárias negras é obrigada a trabalhar a parte do processo. Nesse grupo estão Katherine Johnson, Dorothy Vaughn e Mary Jackson, três matemáticas que, além de provar sua competência dia após dia, precisam lidar com o preconceito para que consigam ascender na hierarquia da NASA.

Gênio Indomável (Good Will Hunting)

Esta ficção traz a história de Will, um jovem problemático de 20 anos, que acumula passagens pela polícia e não sabe lidar com as emoções. Apesar de ser um simples servente de uma importante universidade de Boston, revela ter grande habilidade com a matemática. Por determinação legal precisa fazer terapia, mas não funciona, pois ele debocha de todos analistas. Até que surge Sean Maguire, um psicólogo que o ajuda a formar sua identidade e lidar com as emoções.

Quebrando a banca (21)

Outro filme baseado em uma história real. Fala das aventuras de um brilhante aluno do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts). Procurado pelo professor de matemática Edward Thorp, se junta a um grupo de alunos que desenvolveram uma técnica para contar cartas e levar vantagem em jogos de Blackjack, também conhecido como 21. O grupo passa a levar vantagem em diversos cassinos que não ficam nada felizes com truque que lhes dá prejuízo.

O Homem que Mudou o Jogo (Moneyball)

Baseado no livro “Moneyball: O homem que mudou o jogo”. De Michael Lewis, conta a verdadeira história Billy Beane, gerente-geral do time de beisebol do Oakland Athletics que, na tentativa de criar um time competitivo para a temporada de 2002, aposta numa elaborada análise estatística dos jogadores criada por um economista recém-formado na Universidade de Yale. O método matemático muda os critérios na hora de classificar jogadores em equipes profissionais e se mostra eficiente dentro de campo.

A Prova (Proof)

Nesta ficção, nos deparamos com a trajetória de Catherine, uma jovem filha de um gênio matemático que em seus últimos anos de vida sofre de esclerose. Durante os anos que cuida do pai, se vê atormentada com a possibilidade de ter herdado a facilidade para a matemática, mas também os problemas mentais. Tudo piora quando um dos ex-alunos do pai cisma em procurar provas de um teorema nos papéis deixados por ele. Baseado do livro “A Prova”, de David Auburn, ganhador do prêmio Pullitzer.

Rain Man

A vida do jovem executivo Charlie muda ao descobrir que o pai faleceu e deixou para ele no testamento apenas um Buick 1949 e algumas roseiras premiadas, enquanto outro “beneficiário” herda 3 milhões de dólares. Curioso, descobre que a fortuna ficou para seu irmão (Raymond), cuja existência ele desconhecia. Raymond é autista e capaz de calcular problemas matemáticos com grande velocidade e precisão. Charlie sequestra o irmão da instituição onde está internado para levá-lo para Los Angeles e exigir metade do dinheiro, mas nessa viagem cheia de pequenos imprevistos entendem o significado de serem irmãos.

PI

Max é gênio da computação e matemática, mas vive escondido porque a luz do Sol lhe causa fortes dores de cabeça. Sozinho constrói um supercomputador que permite a descoberta do número pi completo. A partir disso ele percebe que todos os eventos se repetem num determinado espaço de tempo e passa a especular as tendências no mercado de bolsa de valores. A descoberta chega até uma seita e representantes de Wall Street passam a cobiçar os conhecimentos de Max.

https://impa.br/page-noticias/dez-filmes-sobre-matematica-que-voce-precisa-assistir/

Alan Turing é eleito o cientista do século 20 em pesquisa da BBC

No fim do ano, o canal BBC Two organizou enquete para o público escolher as personalidades mais influentes do século 20. A emissora britânica selecionou 28 personagens públicas em sete categorias: ativistas, atletas, artistas plásticos/escritores, líderes políticos, cientistas, exploradores e atores/cantores.
A BBC exibe desde 8 de janeiro um programa por categoria, apresentando os perfis dos quatro concorrentes. Ao fim de cada episódio, o público vota na personalidade favorita. O anúncio do vencedor é feito no dia seguinte. Em 5 de fevereiro, os vencedores de cada área “se enfrentam” numa votação ao vivo, que elegerá o mais influente de todos no último século.

Alan Turing é eleito o cientista do século 20 em pesquisa da BBC

Alan Turing é eleito o cientista do século 20 em pesquisa da BBC

Na categoria cientistas, disputaram o título o matemático britânico Alan Turing, a cientista polonesa e ganhadora do Nobel de Física e Química Marie Curie, o físico alemão e Nobel de Física Albert Einstein e a farmacóloga chinesa e Nobel de Medicina Tu Youyou. Veja o anúncio da emissora:

Alan Turing foi anunciado vencedor na terça-feira (15) e se junta aos demais selecionados: Nelson Mandela (líder político), Ernest Shackleton (explorador) e David Bowie (artista).
Vale destacar que, dos quatro concorrentes, três tinham ligação com a Matemática. Marie Curie era bacharel em Física e Matemática pela Universidade de Sourbonne; Albert Einstein era formado em Física e Matemática pela Escola Politécnica de Zurique; e, obviamente, Alan Turing,doutor em Matemática pela Universidade Princeton.

Perfil do vencedor
Pioneiro da ciência da computação teórica e da inteligência artificial, Turing, durante a 2ª Guerra Mundial, foi fundamental na quebra do código alemão Enigma em Bletchley Park, que levou à vitória dos Aliados sobre a Alemanha nazista.
Em 1945, o matemático britânico foi premiado com a Ordem do Império Britânico pelos serviços ao país. Em 1952, Turing denunciou um roubo à polícia, mas os oficiais descobriram que o ladrão era amigo deArnold Murray, companheiro do cientista. Em razão disso, Turing foi acusado de indecência — ser homossexual er a crime no Reino Unido —, mas evitou a prisão após aceitar a castração química, o que lhe causou sérios efeitos colaterais à saúde.

Alan Turing é eleito o cientista do século 20 em pesquisa da BBC

Alan Turing é eleito o cientista do século 20 em pesquisa da BBC

Em 7 de junho de 1954, Turing cometeu suicídio ao ingerir a maçã que envenenara com cianureto.  Perseguido por ser homossexual, perdeu o emprego e estava falido. Em 2009, o primeiro ministro do Reino Unido, Gordon Brown, pediu desculpas públicas em nome do governo britânico, pela perseguição a Turing.
As informações sobre a atuação de Turing no trabalho que resultou no desfecho da 2ª Guerra foram mantidas confidenciais até a década de 1970. As técnicas que ele usou para decodificar as mensagens nazistas só foram reveladas ao público em 2013, ano em que a acusação por indecência foi anulada.
A vida do matemático chegou às telas de cinema em 2014, na cinebiografia “O Jogo da Imitação”, vencedor do Oscar de melhor roteiro adaptado (2015).

https://impa.br/page-noticias/alan-turing-e-eleito-o-cientista-do-seculo-20-em-pesquisa-da-bbc/

 

Estamos preparados para a 4ª Revolução Industrial?

Nosso planeta está em festa. Está completando 4,5 bilhões de primaveras! Se considerarmos que o principal fator externo para a nossa existência é o Sol, ainda teremos ao menos uns 6 bilhões de anos de vida pela frente! Haja festa para comemorar. Dito isso, partimos daqui em diante com a premissa de que a Terra não vai acabar amanhã, ok? Desastres ambientais, superaquecimento, hiperpopulação, guerra nuclear, robôs do mal… não importa o quão grave sejam nossos problemas, eles provavelmente não nos levarão ao fim literal do mundo.

Relógio Geológico. Imagem por Fabricio Lemos – Grupo Seixas

Será que o futuro nos reserva mais ameaças ou oportunidades?

Estamos preparados para a 4ª Revolução Industrial?

Mas isso também não significa que não vamos mudar! O processo de evolução nos acompanha desde sempre, ou melhor, há exatos 4.500.000.000 de anos. Toda essa angústia que sentimos hoje está mais relacionada à velocidade de acesso à informação de que dispomos. Tudo evolui tão rápido que perdemos a noção do todo. Vou dar um exemplo: vamos imaginar que todo esse tempo de vida na Terra fosse representado em 24h, como na imagem abaixo. Nesta escala, a tão famosa Era dos Dinossauros aconteceria em pouco menos de 2 minutos. Incrível, não? E essa velocidade está realmente aumentando muito. Se analisarmos apenas os últimos 100 anos, atingimos progressos antes inimagináveis, como voar ou ir à Lua.

Mas você não viu nada ainda. Sente medo daquelas montanhas russas radicais, como a Kingda Ka, nos Estados unidos, que atinge 205 km/h em 3,5 segundos? Ela é “fichinha” perto do que está por vir. Por isso, quero mostrar 4 cenários futuros que vão certamente fazer você refletir.

O primeiro trata de inclusão digital versus exclusão social. Isso porque, apesar de os n.os sobre a pobreza absoluta mundial estarem melhorando, e o capitalismo ser provavelmente o melhor sistema econômico que inventamos, as distribuições de riqueza ainda são um problema a ser tratado. Menos de 1% da população mundial acumula mais de 80% da riqueza total da economia, e esse desequilíbrio nos leva a uma forte exclusão social. Mais uma vez: isso não é novo! O que está mudando agora — e que na minha opinião pode ser uma notícia muito boa — está relacionado à inclusão digital.

Tive a oportunidade de acompanhar 3 projetos que podem ilustrar essa tendência. Na Tanzânia, as cidades ainda sofrem com a escassez de energia, às vezes com menos de 5h de energia por dia. Vendedores de rua locais começaram a oferecer recarga de bateria de celular como serviço. Não estou falando de crédito, mas sim de bateria. No Brasil não é muito diferente. De modo geral, o acesso à telefonia celular é considerado um fenômeno mundial, mesmo com tantas disparidades observadas na nossa sociedade. Em julho desse ano, o mercado brasileiro contava com quase 235 milhões de linhas telefônicas ativas. Nos Estados Unidos, país mais rico do mundo, a grande maioria dos moradores de rua tem aparelhos celulares e está conectada à rede. Isso demonstra que mesmo as pessoas socialmente marginalizadas estão 100% inclusas digitalmente, o que torna muito mais fácil localizá-las e compreender suas reais necessidades para que possamos ajudá-las – desde que exista interesse por parte da sociedade organizada e vontade política para isso, claro.Estamos preparados para a 4ª Revolução Industrial?

O segundo cenário já começamos a discutir no meu último texto sobre Inteligência Artificial (AI). O mundo inteiro começa a debater em quais aplicações a AI será mais útil. Mas isso terá um custo, e não me refiro apenas ao custo para seu desenvolvimento, mas sim ao custo social. Voltemos ao exemplo do texto – ter um robô como Presidente da República. Após um longo período de calibragem e aprendizagem do algoritmo, nosso governante já estaria apto a achar soluções originais para diversos problemas. Seriam literalmente “ideias” ou decisões suas. Quanto mais tempo em funcionamento, mais “sábio” ele se tornaria. Meu questionamento aqui é: será que depois de todo o seu trabalho e contribuição dados neste processo de “evolução artificial” poderíamos simplesmente “desligá-lo da tomada”? Estamos evoluindo para um futuro no qual a sociedade será composta por homens (Homo sapiens), homens com partes biônicas ou com melhorias genéticas (Homo Cyborgs) e androides funcionando a partir de AI. A essa altura, será que esses androides, que não têm partes humanas mas raciocinam usando algoritmos baseados na realidade humana, não deverão ter os mesmos direitos básicos de decidir quanto à vida e à morte e de serem remunerados por seus trabalhos?

Já o terceiro cenário diz respeito à chamada Internet das Coisas (IOT), que também já discutimos em outros textos. Começo a reflexão por alguns números importantes: em 2008 o número de conexões digitais ultrapassou o número total de habitantes do planeta. Mais impressionante ainda: em 2020, estima-se que teremos mais de 50 bilhões de “coisas” conectadas. Isso inclui eu, vocês, seu vizinho, sua máquina de lavar, carro, relógio, o contador de luz de sua casa…. TUDO! Isso é a Internet of Everything, como já está sendo chamada. Além da abordagem do lixo eletrônico que discutimos no texto sobre IoTrash, já pensou no volume de dados que serão produzidos nas nossas cidades? Se os dados são realmente o novo petróleo, nossas cidades estão ricas!

Agora una esses cenários que vimos até agora a mais dois ou três ingredientes tecnológicos, como internet 5G e misture tudo. Sabe qual será o resultado? Um vibrante e energético cenário chamado de Quarta Revolução Industrial. Se lembra da impressora 3D de comida que discutimos durante minha participação no evento do MIT na França, no início de outubro? Ou dos drones-táxis, hyperloops, e veículos autônomos? Todas essas inovações são somente a ponta do iceberg. Sim, um novo mundo está surgindo e será modelado pela Quarta Revolução, e muitos acreditam que ela será a mais disruptiva de todas, ainda mais importante do que a Primeira Revolução, a Agrícola, que ocorreu há mais de 12 mil anos e foi a responsável por sedimentar o homem à terra. Graças a ela deixamos de ser nômades para começar a construir comunidades e cidades. Capisce?

Se no relógio geológico que observamos os dinossauros estiveram aqui há menos de 2 minutos, quem, ou o quê, está por chegar? Como essas mudanças influenciarão diretamente a sua vida? Como os setores tão tradicionais da indústria, como o automobilístico ou o de seguros, vão se adaptar para sobreviverem às mudanças? Qual o seu palpite? Deixem seus comentários abaixo, será um prazer discutir com vocês mais profundamente. Nos vemos no próximo texto!

Quando os robôs irão merecer direitos humanos?

Filmes e programas de TV como Blade RunnerHumans e Westworld, onde robôs altamente avançados não têm direitos como os humanos, incomodam nossa consciência. Eles nos mostram que nossos comportamentos não são apenas prejudiciais aos robôs – eles também nos rebaixam e nos diminuem enquanto espécie. Nós gostamos de pensar que somos melhores que os personagens na tela, e que quando chegar a hora, faremos a coisa certa e trataremos as máquinas inteligentes com um pouco mais de respeito e dignidade.Quando os robôs irão merecer direitos humanos?

Com cada avanço em robótica e inteligência artificial, estamos nos aproximando do dia em que máquinas sofisticadas combinarão as capacidades humanas em todos os aspectos significativos – inteligência, percepção e emoções. Quando isso acontecer, teremos que decidir se essas entidades são pessoas e se e quando -elas devem receber direitos, liberdades e proteções equivalentes às dos seres humanos.

Conversamos com especialistas em ética, sociólogos, juristas, neurocientistas e teóricos da IA (Inteligência Artificial) ​​com diferentes visões sobre essa ideia complexa e desafiadora. Parece que quando chegar a hora, é improvável que cheguemos a um acordo total. Aqui estão alguns desses argumentos.

Por que dar direitos às IAs em primeiro lugar?

Nós já atribuímos responsabilidade moral a robôs e projetamos consciência neles quando eles parecem super-realistas. Quanto mais inteligentes e vivas nossas máquinas parecem ser, mais queremos acreditar que são como nós – mesmo que ainda não sejam.

Mas, quando nossas máquinas adquirirem um conjunto básico de capacidades semelhantes às humanas, caberá a nós vê-las como iguais sociais e não apenas meras propriedades. O desafio estará em decidir quais limiares cognitivos, ou traços, qualificam uma entidade para consideração moral e, consequentemente, direitos sociais. Filósofos e especialistas em ética estão refletindo sobre essas mesmas questões há literalmente milhares de anos.

“Os três limiares mais importantes da ética são a capacidade de sentir dor, autoconsciência e capacidade de ser um ator moral responsável”, disse o sociólogo e futurista James Hughes, diretor executivo do Instituto de Ética e Tecnologias Emergentes, ao Gizmodo.

“Nos humanos, se tivermos sorte, esses traços se desenvolvem sequencialmente. Mas na inteligência de máquina pode ser possível ter um bom cidadão que não seja autoconsciente ou um robô autoconsciente que não sinta prazer e dor ”, disse Hughes. “Precisamos descobrir se vai funcionar assim”.

É importante ressaltar que a inteligência não é a mesma coisa que a senciência (a capacidade de perceber ou sentir as coisas), a consciência (consciência do corpo e do ambiente) ou a autoconsciência (reconhecimento dessa consciência). Uma máquina ou algoritmo pode ser tão inteligente – se não mais – do que os humanos, mas ainda não possuem essas importantes capacidades. Calculadoras, Siri e algoritmos de negociação de ações são inteligentes, mas não são conscientes de si mesmos, são incapazes de sentir emoções e não podem experimentar sensações de nenhum tipo, como a cor vermelha ou o sabor da pipoca.

“Inteligência não é o mesmo que senciência (a capacidade de perceber ou sentir coisas), consciência (consciência do corpo e ambiente) ou a autoconsciência (reconhecimento dessa consciência).”

Hughes acredita que a autoconsciência vem acompanhada de alguns direitos mínimos de cidadania, como o direito de não ser posse, e ter seus interesses para com a vida, a liberdade e o crescimento respeitados. A capacidade tanto de autoconsciência quanto de capacidade moral (ou seja, saber o certo do errado, pelo menos de acordo com os padrões morais atuais) devem vir acompanhadas de direitos de cidadania iguais aos dos humanos adultos, argumenta Hughes, tais como os direitos de fazer contratos, propriedade, voto, e assim por diante.

“Nossos valores iluministas nos obrigam a olhar para essas características verdadeiramente importantes de portadores de direitos, independentemente das espécies, e colocar de lado as restrições pré-iluministas sobre o porte de direitos apenas para humanos, europeus ou homens”, ele disse. Obviamente, nossa civilização não alcançou os elevados objetivos pró-sociais, e a expansão dos direitos continua um trabalho em progresso.

Quem pode ser uma “pessoa”?

Nem todas as pessoas são seres humanos. Linda MacDonald-Glenn, bioeticista da Universidade Estadual da Califórnia em Monterey Bay e membro do corpo docente do Alden March Bioethics Institute no Albany Medical Center, diz que a lei já considera não humanos como indivíduos portadores de direitos. Este é um desenvolvimento significativo, porque já estamos estabelecendo precedentes que poderiam abrir caminho para a concessão de direitos equivalentes aos dos humanos para a IA no futuro.

“Por exemplo, nos Estados Unidos, as corporações são reconhecidas como pessoas jurídicas”, ela disse ao Gizmodo. “Além disso, outros países estão reconhecendo a natureza interconectada da existência nesta Terra: a Nova Zelândia recentemente reconheceu os animais como seres sencientes, exigindo o desenvolvimento e a emissão de códigos de bem-estar e conduta ética, e o Supremo Tribunal da Índia declarou recentemente que os rios Ganges e Yamuna são pessoas jurídicas que possuem os direitos e deveres de indivíduos”.

Também existem esforços tanto nos Estados Unidos quanto em outros lugares para garantir direitos pessoais a certos animais não-humanos, como grandes símios, elefantes, baleias e golfinhos, para protegê-los contra coisas como confinamento indevido, experimentos e abusos. Ao contrário dos esforços para reconhecer legalmente corporações e rios como pessoas, isso não é uma espécie de gambiarra legal. Os proponentes dessas propostas estão defendendo uma noção de personalidade para essas entidades de acordo com certas habilidades cognitivas que elas possuem, como a autoconsciência.

MacDonald-Glenn diz que é importante rejeitar o sentimento da velha escola que enfatiza a racionalidade humana, por meio do qual os animais, e por extensão lógica os robôs e a inteligência artificial, são simplesmente vistos como “máquinas sem alma”. Ela argumenta que as emoções não são um luxo, mas um componente essencial do pensamento racional e do comportamento social normal. São todas essas características, e não apenas a capacidade de processar números, que importam ao decidir quem ou o que é merecedor de consideração moral.

De fato, o corpo de evidências científicas mostrando as capacidades emocionais dos animais está aumentando constantemente. O trabalho com golfinhos e baleias sugere que eles são capazes de vivenciar o luto, enquanto a presença de neurônios-fusiformes (o que facilita a comunicação no cérebro e possibilita comportamentos sociais complexos) implica que eles são capazes de empatia. Os cientistas também documentaram uma ampla gama de capacidades emocionais em grandes macacos e elefantes. Eventualmente, a IA consciente pode estar imbuída de capacidades emocionais semelhantes, o que elevaria seu status moral em uma porção significativa.

“Limitar o status moral somente àqueles que podem pensar racionalmente pode funcionar bem para a IA, mas isso é contrário à intuição moral”, disse MacDonald-Glenn. “Nossa sociedade protege aqueles sem pensamento racional, como um recém-nascido, pessoas em coma, e incapacitados física ou mentalmente, e promulgou leis contra a crueldade animais”. Sobre a questão da concessão do status moral, MacDonald-Glenn recorre ao filósofo inglês Jeremy Bentham, que disse a famosa frase: “A questão não é se eles podem raciocinar nem se eles podem falar mas, eles podem sofrer?”.

A consciência pode surgir em uma máquina?

Mas nem todos concordam que os direitos humanos devem ser estendidos aos não-humanos – mesmo que eles demonstrem capacidades como emoções e comportamentos autoconscientes. Alguns pensadores argumentam que apenas humanos devem poder participar do contrato social, e que o mundo pode ser adequadamente organizado em Homo sapiens e tudo mais – seja “tudo mais” seu videogame, geladeira, cachorro de estimação ou robô de companhia.

O advogado e escritor americano Wesley J. Smith, membro sênior do Centro de Excepcionalismo Humano do Discovery Institute, diz que ainda não alcançamos os direitos humanos universais, e que é extremamente prematuro começar a nos preocupar com os futuros direitos dos robôs.

“Nenhuma máquina deve ser considerada um portador de direitos”, disse Smith ao Gizmodo. “Até a máquina mais sofisticada é apenas uma máquina. Não é um ser vivo. Não é um organismo. É apenas a soma de sua programação, seja feita por um humano, por outro computador ou por auto-programação”.

Smith acredita que apenas seres humanos e feitos humanos devem ser considerados pessoas.

“Temos deveres para com os animais que podem sofrer, mas eles nunca devem ser considerados um ‘alguém’ “, disse ele. Apontando para o conceito de animais como “propriedade senciente”, ele diz que é um identificador válido porque “colocaria um fardo maior em nós para tratar nossa propriedade senciente de maneiras que não lhe seja causado sofrimento indevido, como distinto da propriedade inanimada”.

Implícito na análise de Smith, está a suposição de que os seres humanos, ou organismos biológicos, têm algo que as máquinas nunca serão capazes de alcançar. Em eras anteriores, essa “coisa” era uma alma ou espírito ou algum tipo de força vital indescritível. Conhecida como vitalismo, essa ideia foi amplamente substituída por uma visão funcionalista (computacional) da mente, na qual nossos cérebros são separados de qualquer tipo de fenômeno sobrenatural. No entanto, a ideia de que uma máquina nunca será capaz de pensar ou experimentar a autoconsciência como um humano ainda persiste hoje, mesmo entre os cientistas, refletindo o fato de que nossa compreensão da base biológica da consciência em humanos ainda é muito limitada.

Lori Marino, professora de neurociência e biologia comportamental do Emory Center for Ethics, diz que as máquinas provavelmente nunca merecerão direitos ao nível humano, ou quaisquer direitos. A razão, diz ela, é que alguns neurocientistas, como Antonio Damasio, teorizam que ser senciente tem tudo a ver com se o sistema nervoso é determinado pela presença de canais iônicos dependentes de voltagem, que Marino descreve como o movimento de íons carregados positivamente através da membrana celular dentro de um sistema nervoso.

“Esse tipo de transmissão neural é encontrada nos organismos mais simples, protista e bactérias, e esse é o mesmo mecanismo que evoluiu até os neurônios e, depois, até os sistemas nervosos e, depois, para os cérebros”, disse Marino ao Gizmodo. “Em contraste, os robôs e toda a IA são feitos atualmente pelo fluxo de íons negativos. Dessa forma, todo o mecanismo é diferente”.

De acordo com essa lógica, Marino diz que até mesmo uma água-viva tem mais sensibilidade do que qualquer robô complexo poderia ter.

“Não sei se essa idéia está correta ou não, mas é uma possibilidade intrigante e que merece ser examinada”, disse Marino. “Eu também acho isso intuitivamente atraente porque parece haver algo em ser um ‘organismo vivo’ que é diferente de ser uma máquina realmente complexa. A proteção legal na forma de pessoalidade deve ser claramente fornecida a outros animais antes de qualquer consideração de tais proteções serem aplicadas a objetos, e robôs na minha opinião são objetos”.

David Chalmers, diretor do Centro de Mente, Cérebro e Consciência da Universidade de Nova York, diz que é difícil ter certeza desta teoria, mas ele diz que essas idéias não são especialmente sustentáveis e vão além da evidência.

“Não há muita razão no momento para pensar que o tipo específico de processamento nos canais iônicos seja essencial para a consciência”, disse Chalmers ao Gizmodo. “Mesmo se esse tipo de processamento fosse essencial, não haveria muita razão para pensar que a biologia específica é necessária, em vez da estrutura geral de processamento de informações que encontramos nela. Se [esse for o caso], uma simulação desse processamento em um computador poderia ser consciente”.

Outro cientista que acredita que a consciência é inerentemente não-computacional é Stuart Hameroff, professor de anestesiologia e psicologia na Universidade do Arizona. Ele argumentou que a consciência é uma característica fundamental e irredutível do cosmos (uma idéia conhecida como panpsiquismo). De acordo com essa linha de pensamento, os únicos cérebros capazes de verdadeira subjetividade e introspecção são aqueles compostos de matéria biológica.

A ideia de Hameroff parece interessante, mas também está fora do domínio da opinião científica dominante. É verdade que não sabemos como a sensibilidade e a consciência surgem no cérebro, mas o simples fato é que elas surgem no cérebro, e em virtude desse fato, é um aspecto da cognição que devem aderir às leis de física. É totalmente possível, como notou Marino, que a consciência não possa ser replicada em um fluxo de uns e zeros, mas isso não significa que não iremos eventualmente ultrapassar o paradigma computacional atual, conhecido como arquitetura Von Neumann, ou criar um sistema de IA híbrido no qual a consciência artificial seja produzida em conjunto com componentes biológicos.

Bio-Pod da Existenz

Quando os robôs irão merecer direitos humanos?

Dois Google Homes conversando entre si. Captura de tela via Twitch.

Ed Boyden, um neurocientista do Synthetic Neurobiology Group e professor associado do MIT Media Lab, diz que ainda é prematuro fazer essas perguntas.

“Não acho que tenhamos uma definição operacional de consciência, no sentido de que podemos medi-la diretamente ou criá-la”, disse Boyden ao Gizmodo. “Tecnicamente, você nem sabe se estou consciente, certo? Dessa forma é muito difícil avaliar se uma máquina tem, ou pode ter consciência, no momento atual”.

Boyden não acredita que exista evidência conclusiva de que não podemos replicar a consciência em um substrato alternativo (como um computador), mas admite que há discordância sobre o que é importante capturar em um cérebro emulado. “Podemos precisar de muito mais trabalho para entender o que é fundamental”, ele disse.

“Eu não acho que tenhamos uma definição operacional de consciência, no sentido de que podemos medi-la diretamente ou criá-la”.

Da mesma forma, Chalmers diz que não entendemos como a consciência surge no cérebro, muito menos em uma máquina. Ao mesmo tempo, porém, ele acredita que não temos nenhuma razão especial para pensar que as máquinas biológicas possam ser conscientes, mas as máquinas de silício não podem. “Quando entendermos como os cérebros podem ser conscientes, poderemos então entender se outras máquinas podem ser conscientes”, disse ele.

Ben Goertzel, cientista-chefe da Hanson Robotics e fundador da OpenCog Foundation, diz que temos teorias e modelos interessantes de como a consciência surge no cérebro, mas nenhuma teoria geral que abarque todos os aspectos importantes. “Ainda está aberto para diferentes pesquisadores apresentarem algumas diferentes opiniões”, disse Goertzel. “Um ponto é que os cientistas às vezes têm opiniões diferentes sobre a filosofia da consciência, mesmo quando concordam com fatos científicos e teorias sobre todas as características observáveis ​​de cérebros e computadores”.

Como podemos detectar a consciência em uma máquina?

Criar consciência em uma máquina é certamente um problema, detectá-la em um robô ou IA é outro. Cientistas como Alan Turing reconheceram este problema décadas atrás, propondo testes verbais para distinguir um computador de uma pessoa real. O problema é que os chatbots suficientemente avançados já estão enganando as pessoas em pensar que são seres humanos, então vamos precisar de algo consideravelmente mais sofisticado.

“Identificar a personalidade na inteligência das máquinas é complicado pela questão dos ‘zumbis filosóficos’”, disse Hughes. “Em outras palavras, pode ser possível criar máquinas que sejam muito boas em imitar a comunicação e o pensamento humanos, mas que não tenham autoconsciência interna ou consciência”.

Recentemente, vimos um bom e muito divertido exemplo desse fenômeno, quando uma dupla de dispositivos do Google Home eram transmitidos pela Internet durante uma longa conversa entre eles. Embora os dois bots tivessem o mesmo nível de autoconsciência de um tijolo, a natureza das conversas, que às vezes ficavam intensas e aquecidas, parecia ser bastante humana. A capacidade de discernir a IA de seres humanos é um problema que só vai piorar com o tempo.

Uma solução possível, diz Hughes, é rastrear não apenas o comportamento de sistemas artificialmente inteligentes, como o teste de Turing, mas também sua real complexidade interna, como foi proposto pela Teoria da Consciência Integrada da Informação de Giulio Tononi. Ele diz que quando medimos a complexidade matemática de um sistema, podemos gerar uma métrica chamada “phi”. Em teoria, essa medida corresponde a vários limiares de senciência e consciência, nos permitindo detectar sua presença e força. Se Tononi estiver certo, poderíamos usar o phi para garantir que algo não só se comporta como um humano, mas é complexo o suficiente para realmente ter uma experiência consciente interna humana. Da mesma forma, a teoria de Tononi implica que alguns sistemas que não se comportam ou pensam como nós, mas ativam nossas medições de phi de todas as formas corretas, podem na verdade estar conscientes.

“Reconhecendo que a bolsa de valores ou uma rede de computação de defesa podem ser tão conscientes quanto os seres humanos podem ser um bom passo nos afastando do antropocentrismo, mesmo que eles não demonstrem dor ou autoconsciência”, disse Hughes. “Mas isso nos levará a um conjunto realmente pós-humano de questões éticas”.

Outra solução possível é identificar os correlatos neurais da consciência em uma máquina. Em outras palavras, reconhecer as partes de uma máquina que são projetadas para produzir consciência. Se uma IA possui essas partes, e se essas partes estão funcionando conforme o esperado, podemos ficar mais confiantes em nossa capacidade de avaliar a consciência.

Quando os robôs irão merecer direitos humanos?

Que direitos devemos dar às máquinas? Quais máquinas recebem quais direitos?

Um dia, um robô irá olhar para um humano na cara e exigirá direitos humanos – mas isso não significa que ele vai merecê-los. Como observado, pode ser simplesmente um zumbi que está agindo em sua programação, e está tentando nos convencer a receber certos privilégios. Teremos que ter muito cuidado com isso para que não concedamos direitos humanos a máquinas inconscientes. Uma vez que descobrimos como medir o “estado cerebral” de uma máquina e avaliar a consciência e a autoconsciência, só então podemos começar a considerar se esse agente é merecedor de certos direitos e proteções.

Felizmente, este momento provavelmente virá em etapas. No início, os desenvolvedores de AI construirão cérebros básicos, emulando vermes, insetos, ratos, coelhos e assim por diante. Essas emulações baseadas em computador viverão como avatares em ambientes de realidade virtual ou como robôs no mundo analógico real. Quando isso acontecer, essas entidades sencientes irão transcender seu status como meros objetos de investigação e se tornarão sujeitos merecedores de consideração moral. Ora, isso não significa que essas simples emulações sejam merecedoras de direitos equivalentes aos humanos; em vez disso, eles serão protegidos de tal maneira que os pesquisadores e desenvolvedores não serão capazes de abusar deles (semelhante às leis em vigor para evitar o abuso de animais em laboratório, por mais frágeis que muitas dessas proteções possam ser).

Eventualmente, as emulações cerebrais humanas baseadas em computador vão existir, seja modelando o cérebro humano até o mais ínfimo detalhe, ou descobrindo como nossos cérebros funcionam a partir de uma perspectiva computacional e algorítmica. Nesse estágio, devemos ser capazes de detectar a consciência em uma máquina. Pelo menos é o que esperamos. É um pesadelo pensar que poderíamos ativar a consciência artificial em uma máquina e não perceber que o fizemos.

A inteligência é bagunçada. O comportamento humano é muitas vezes aleatório, imprevisível, caótico, inconsistente e irracional. Nossos cérebros estão longe de serem perfeitos, e teremos que permitir concessões similares para as IA.

Uma vez que essas capacidades básicas tenham sido provadas em um robô ou IA, nosso possível portador de direitos ainda precisa passar no teste de personalidade. Não há consenso sobre os critérios para uma pessoa, mas as medidas padrão incluem um nível mínimo de inteligência, autocontrole, uma noção do passado e do futuro, preocupação com os outros e a capacidade de controlar a própria existência (ou seja, o livre arbítrio). Nesse último ponto, como MacDonald-Glenn explicou ao Gizmodo: “Se suas escolhas foram predeterminadas para você, então você não pode atribuir valor moral a decisões que não são realmente suas”.

É somente atingindo este nível de sofisticação que uma máquina pode realmente ser candidata aos direitos humanos. Importante, no entanto, um robô ou um IA também precisará de outras proteções. Vários anos atrás, eu propus o seguinte conjunto de direitos para as IAs que passaram pelo limiar da personalidade:
O direito de não ser desligado contra a sua vontade
O direito de ter acesso total e irrestrito ao seu próprio código-fonte
O direito de não ter seu próprio código-fonte manipulado contra a sua vontade
O direito de se auto copiar (ou não)
O direito à privacidade (ou seja, o direito de esconder seus próprios estados mentais internos)

Em alguns casos, uma máquina não irá reivindicar seus direitos, então humanos (ou outros cidadãos não humanos), terão de advogar em seu nome. Da mesma forma, é importante ressaltar que uma IA ou robô não precisa ser intelectualmente ou moralmente perfeita para merecer direitos equivalentes aos humanos. Isso se aplica aos humanos, por isso também deve ser aplicado a algumas mentes da máquina. A inteligência é bagunçada. O comportamento humano é muitas vezes aleatório, imprevisível, caótico, inconsistente e irracional. Nossos cérebros estão longe de serem perfeitos, e teremos que permitir concessões similares para as IA.

Ao mesmo tempo, uma máquina sensível, como qualquer cidadão humano responsável, ainda terá que respeitar as leis estabelecidas pelo Estado e honrar as regras da sociedade. Pelo menos se eles esperam se juntar a nós como seres totalmente autônomos. Em contraste, as crianças e os deficientes intelectuais graves se qualificam para os direitos humanos, mas não os responsabilizamos por suas ações. Dependendo das habilidades de um AI ou robô, ele terá que ser responsável por si mesmo ou, em alguns casos, ser vigiado por um guardião, que terá que suportar o peso da responsabilidade.

E se não o fizermos?

Quando nossas máquinas atingirem um certo limiar de sofisticação, não poderemos mais excluí-las de nossa sociedade, instituições e leis. Não teremos mais bons motivos para negar-lhes os direitos humanos; fazer o contrário seria equivalente à discriminação e à escravidão. Criar uma divisão arbitrária entre seres biológicos e máquinas seria uma expressão do excepcionalismo humano e do chauvinismo – posições ideológicas que afirmam que os seres humanos biológicos são especiais e que apenas as mentes biológicas são importantes.

“Ao considerar se queremos ou não expandir a pessoalidade moral e legal, uma questão importante é ‘que tipo de pessoas queremos ser?’ “, colocou MacDonald-Glenn. “Nós enfatizamos a Regra de Ouro ou enfatizamos ‘quem possui as regras do ouro?’ ”.

Além disso, conceder direitos para as IA criaria um importante precedente. Se respeitarmos as AIs como iguais sociais, seria um longo caminho para assegurar a coesão social e manter um senso de justiça. O fracasso aqui pode resultar em tumulto social e até mesmo uma reação das IA contra os humanos. Dado o potencial da inteligência das máquinas para superar as habilidades humanas, isso seria uma receita para o desastre.

É importante ressaltar que respeitar os direitos dos robôs também poderia servir para proteger outros tipos de pessoas emergentes, como ciborgues, seres humanos transgênicos com DNA estrangeiro e seres humanos que tiveram seus cérebros copiados, digitalizados e carregados em supercomputadores.

Vai demorar um pouco até que desenvolvamos uma máquina que mereça direitos humanos, mas dado o que está em jogo – tanto para robôs artificialmente inteligentes quanto para os humanos – nunca é cedo demais para começar a planejar com antecedência.

https://gizmodo.uol.com.br/quando-os-robos-irao-merecer-direitos-humanos/

Cientistas revelam roteiro para implementar internet quântica

Cientistas revelam roteiro para implementar internet quântica

Cientistas revelam roteiro para implementar internet quântica

Atualmente, um dos tópicos que mais se ouve falar é a falha de segurança virtual. Essas brechas geralmente perpetuam o roubo de dados e desencadeiam muitas vezes em cibercrimes. Uma solução para este problema poderia ser a implementação de uma internet quântica, baseada nos mais recentes avanços da ciência de partículas subatômicas. E o assunto, aparentemente, está sendo cada vez mais levado a sério.

Na última semana, três cientistas do centro QuTech da Universidade de Tecnologia de Delft (TU Delft), localizada nos Países Baixos, revelaram um roteiro para o desenvolvimento da internet quântica; e, de carona neste plano, cientistas da Universidade de Chicago, nos Estados Unidos, anunciaram que pretendem aderir à expansão da internet quântica também.

A princípio, o plano dos cientistas da TU Delft é conectar quatro cidades através de um link quântico, algo que seria feito até 2020, oferecendo assim diretrizes para as pessoas que querem implementar esse tipo de rede no mundo real. Já os cientistas da Universidade de Chicago planejam estabelecer um link quântico ao longo de uma distância de 30 milhas.

Cientistas revelam roteiro para implementar internet quântica

“Internet quântica”, que pode ser a mais segura possível, está a um passo de ser criada!

Entendendo a internet quântica

A internet quântica não é exatamente um upgrade da internet normal, mas sim um “adendo” à ela. O roteiro dos cientistas da TU Delft afirma que o objetivo é “fornecer tecnologia de internet fundamentalmente nova, possibilitando a comunicação quântica entre quaisquer dois pontos da Terra”. Os usos para esta função, porém, não estão claros ainda.

Especula-se que a internet quântica poderia melhorar a segurança cibernética, ajudar a sincronizar melhor os relógios virtuais, melhorar as redes de telescópios (inclusive das que desejam visualizar o buraco negro central da Via Láctea), aprimorar a tecnologia de sensores ou, ainda, permitir acesso a um processador quântico por meio da nuvem.

Apesar de não parecer, todas essas funções diferem bastante a internet quântica de uma rede clássica, pois esta última transmite dados traduzidos em unidades fundamentais chamadas bits, sempre iguais a zero ou a um. A quântica, por outro lado, poderia transmitir qubits, que assumem uma superposição de zero e um. Isso significa que eles podem ter valores que são parcialmente zero e parcialmente um ao mesmo tempo.

Além disso, os qubits não podem ser copiados e qualquer tentativa disso seria detectada. A comunicação com esse tipo de dados também poderia permitir a realização de cálculos mais poderosos e ricos em uma nuvem quântica.

Passo a passo

O documento (considerado um “manifesto para a internet quântica”) dos cientistas da TU Delft ainda estabelece que, para a internet quântica ganhar vida, um link físico teria de ser instalado para conseguir transmitir os qubits, com repetidores quânticos em sua extensão que permitiriam dois qubits para grandes distâncias e, nas pontas, nós quânticos que mediriam os valores dos qubits ou processadores quânticos do computador em escala global.

Com os links estabelecidos, a rede repetidora receberia chaves de criptografia quântica (as quais não poderiam ser retransmitidas), e uma rede poderia enviar qubits entre um nó e outro. Por fim, haveria um entrelaçamento entre os nós, o que culminaria no armazenamento dos dados quânticos. Bastaria então ligar os processadores quânticos e deixar os cálculos acontecerem nos links.

Apesar de já existirem experimentos avançados atualmente com esta tecnologia, a maior limitação ainda é a grande quantidade de tempo que os qubits levam para gerar emaranhamento entre os links e nós.

De toda forma, a computação quântica parece estar, aos poucos, encontrando seu caminho. Além do projeto da TU Delft na Holanda, a China também tem um satélite usado para experimentos quânticos, o Micius (apesar de seus qubits não poderem ser armazenados ou manipulados). E há ainda a Universidade de Chicago, que está liderando um recém-anunciado plano financiado pelo Departamento de Energia dos Estados unidos, onde estão ocorrendo testes de entrelaçamento em uma distância de 30 milhas através de um link de fibra ótica que estava inativo.

David Awschalom, professor de informação quântica da Universidade de Chicago, disse ao Gizmondo que é preciso “treinar uma geração de estudantes que serão os futuros usuários dessa tecnologia” primeiro. Ele ainda acrescenta: “Uma coisa legal sobre a construção de uma plataforma quântica como a nossa é que ela fornecerá uma enorme plataforma educacional”.

 

https://canaltech.com.br/inovacao/cientistas-revelam-roteiro-para-implementar-internet-quantica-125702/

Agora temos uma prova de que computadores quânticos superam os tradicionais

Pesquisadores conseguiram provar, pela primeira vez, que sistemas quânticos oferecem vantagem computacional sobre os modelos clássicos

Pesquisadores conseguiram provar, pela primeira vez, que sistemas quânticos oferecem vantagem computacional sobre os modelos clássicos

Pesquisadores conseguiram provar, pela primeira vez, que sistemas quânticos oferecem vantagem computacional sobre os modelos clássicos

Uma equipe internacional de pesquisadores conseguiu provar, pela primeira vez, que os computadores quânticos, de fato, oferecem vantagem computacional em relação aos sistemas tradicionais. Tal conclusão foi detalhada em artigo publicado na revista Science. Nele, os pesquisadores descrevem o trabalho de um circuito quântico que foi capaz de resolver um problema matemático que seria impossível para um computador tradicional quando sujeito às mesmas restrições.

Em entrevista ao site Motherboard, Robert König, teórico na Universidade Técnica de Munique e principal autor do artigo, explicou que o grande trunfo do trabalho foi mostrar como os circuitos quânticos conseguem ser computacionalmente mais poderosos do que os clássicos da mesma estrutura. O problema colocado poderia ser resolvido da forma “clássica”, mas exigiria mais recursos.

A vantagem quântica aconteceu por causa da “não-localidade”, uma característica dos sistemas quânticos espacialmente isolados que permite que eles sejam considerados um só sistema: uma mudança em um sistema resulta – no mesmo momento – em uma mudança em outro.

Para entender melhor, qubits são o análogo quântico de bits (de um computador tradicional), exceto que sendo um ou um zero, os qubits podem apresentar uma “superposição” de ambos ao mesmo tempo.

Com a projeção de circuitos quânticos, há uma compensação entre o número de qubits interagindo no circuito e o número de operações que podem ser executadas nesses qubits – denominado de “profundidade” do circuito. Aumentar essa “profundidade” faz com que cresça, também, as habilidades de processamento de informações.

Agora temos uma prova de que computadores quânticos superam os tradicionais

Agora temos uma prova de que computadores quânticos superam os tradicionais

Por outro lado, esse aumento exige uma diminuição correspondente. Um circuito com um grande número de qubits é limitado a um pequeno número de operações (tem uma profundidade “superficial”), tornando difícil a vantagem sobre os computadores tradicionais.

O problema ocorre porque um circuito quântico que não incorpora a correção de erros é limitado em seu número de operações que podem ser executadas no qubits antes que elas acabem “quebrando”, perdendo seus dados. Ou seja, conforme mais qubits são lançados, há mais espaço para erros, causando um decréscimo no número de operações que podem ser executadas antes de serem desfeitas.

Para acabar com isso, a equipe de Kônig projetou um circuito quântico em que vários circuitos superficiais operam em paralelo, mas ainda podem ser considerados como um único sistema por causa da não-localidade. Os circuitos foram capazes de resolver um problema de álgebra usando um número fixo de operações (eles tinham uma “profundidade constante”), algo matematicamente impossível em um circuito clássico.

Vantagens como essa permitirão, em teoria, que futuros computadores quânticos façam cálculos muito mais rapidamente do que um computador clássico. O algoritmo de Shor, por exemplo, permite que os computadores quânticos descubram os fatores de primos e possam, eventualmente, permitir que os computadores quânticos com grande número de qubits quebrem as formas mais modernas de criptografia.

Os pesquisadores alemães veem seu trabalho como um dos fundamentos matemáticos para aplicações práticas e experimentais no futuro próximo. Com a simplificação dos circuitos, eles poderão estar ao alcance de computadores quânticos experimentais em não muito tempo.

O que é a ‘pasta nuclear’, material mais duro já descoberto no Universo

Material de estrutura única e considerado o mais forte até agora faz parte da composição das chamadas estrelas de neutrôns

Existe um material 10 bilhões de vezes mais resistente que o aço.

É o que aponta um estudo que calculou a dureza do material encontrado no interior da crosta das estrelas de nêutrons.

Material de estrutura única e considerado o mais forte até agora faz parte da composição das chamadas estrelas de neutrôns.

O que é a ‘pasta nuclear’, material mais duro já descoberto no Universo

Essas estrelas são aquelas que surgem quando as estrelas “convencionais” chegam a certa idade e então estouram e colapsam em uma massa de nêutrons.

O que os cientistas descobriram é que o material debaixo da superfície delas – batizado como pasta nuclear – é o mais forte do Universo.

‘Lasanha e espaguete’

O pesquisador Matthew Caplan, da Universidade McGill, no Canadá, e colegas da Universidade de Indiana e do Instituto de Tecnologia da Califórnia, nos Estados Unidos, realizaram juntos as mais importantes simulações de computador já feitas sobre as crostas de estrelas de nêutrons.

Ilustração da pasta nuclear com estrutura em formato semelhante ao do espaguete, waffle e lasanha

Ilustração da pasta nuclear com estrutura em formato semelhante ao do espaguete, waffle e lasanha

Material de estrutura única e considerado o mais forte até agora faz parte da composição das chamadas estrelas de neutrôns.

As estrelas de nêutrons nascem como resultado de uma implosão que comprime um objeto do tamanho do Sol para aproximadamente o tamanho da cidade de Montreal, tornado-o “10 bilhões de vezes mais denso do que qualquer coisa na Terra”, explica Caplan em um comunicado da Universidade McGill.

Esta alta densidade faz com que o material que forma uma estrela como essas – a pasta nuclear – tenha uma estrutura única.

Sob a crosta das estrelas, prótons e nêutrons se unem em formas semelhantes a tipos de massa, como lasanha ou espaguete. Daí o nome “pasta nuclear”.

As enormes densidades e formas estranhas tornam essa massa incrivelmente rígida.

E ela poderia ser útil para os seres humanos?

“A pasta nuclear só existe graças à enorme pressão proporcionada pela gravidade da estrela de nêutrons. Se você retirar essa pasta da estrela, ela se decompõe e explode como uma bomba nuclear. É por isso que os seres humanos provavelmente não podem construir nada a partir dela no curto prazo”, diz Caplan à BBC News Mundo, serviço em espanhol da BBC.

E qual é a cor ou textura deste material?

“Se você pudesse segurar um punhado de pasta nuclear em sua mão, não conseguiria ver as diferentes formas, pois elas são muito menores que um átomo. O material estaria tão quente que brilharia em tom de vermelho vivo como a superfície do Sol. Além disso, explodiria”, acrescenta o especialista.

Descoberta importante

Para descobrir a pasta nuclear, foram necessários dois milhões de horas de processamento em simulações de computador ou o equivalente a 250 anos em um laptop com uma única unidade de processamento gráfico (GPU, da sigla em inglês) – usada principalmente para gerenciar e melhorar o desempenho de vídeos e gráficos.

Com estas simulações, os cientistas conseguiram esticar e deformar o material encontrado nas profundezas da crosta das estrelas de nêutrons.

Caplan afirma que esses resultados “são valiosos para os astrônomos que estudam as estrelas de nêutrons”.

“Sua camada externa é a parte que geralmente observamos, por isso é fundamental conhecer o interior, para interpretar as observações astronômicas dessas estrelas.”

As descobertas também poderiam ajudar os astrofísicos a entenderem melhor as ondas gravitacionais, porque os novos resultados sugerem que estrelas de nêutrons solitárias poderiam gerar pequenas ondas gravitacionais.