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Colisão entre galáxia de Andrômeda com Via Láctea poderá ser o fim da humanidade?

Colisão entre galáxia de Andrômeda com Via Láctea poderá ser o fim da humanidade?
Apesar das previsões apocalípticas anunciadas anteriormente na sequência da colisão entre a galáxia de Andrômeda e a Via Láctea, astrônomos estimam uma perspectiva mais promissora para a humanidade.

Apesar das previsões apocalípticas anunciadas anteriormente na sequência da colisão entre a galáxia de Andrômeda e a Via Láctea, astrônomos estimam uma perspectiva mais promissora para a humanidade.
Um grupo de astrônomos conseguiu calcular o momento mais exato para a esperada colisão entre a Via Láctea e a galáxia de Andrômeda – a nossa galáxia vizinha mais próxima.

Anteriormente, os cientistas acreditavam que isso aconteceria em 3,9 bilhões de anos, mas os autores da pesquisa, publicada no Astrophysical Journal, rastrearam o movimento das estrelas usando o telescópio Gaia da Agência Espacial Europeia (ESA, na sigla em inglês) e determinaram que, de fato, a grande colisão acontecerá em 4,5 bilhões de anos.

Além disso, os autores preveem que não será uma colisão frontal, mas uma “varredura lateral”, que não será demasiado devastadora. E, como a distância entre as estrelas e as galáxias ainda é astronomicamente grande, o nosso Sistema Solar tem todas as chances de passar incólume pelo evento.

No entanto, antes da colisão com Andrômeda, a Via Láctea terá de suportar algo semelhante com a Grande Nuvem de Magalhães (LMC, na sigla em inglês) e que deverá acontecer em 2,5 bilhões de anos. Enquanto a Andrômeda é um pouco maior que a nossa galáxia, a LMC tem apenas 1/80 da massa da Via Láctea.

Ainda assim, a colisão com a LMC afetará a nossa galáxia, supostamente aumentando a massa do buraco negro supermassivo em seu centro e remodelando a Via Láctea em uma galáxia espiral padrão.



Quando retornam de uma missão espacial, seus cérebros parecem mais idosos do que eram na ida. Mas o efeito não é definitivo

Como viagens ao espaço afetam o cérebro de astronautas

Quando retornam de uma missão espacial, seus cérebros parecem mais idosos do que eram na ida. Mas o efeito não é definitivo É impossível ir ao espaço e voltar da mesma maneira. O confinamento forçado, a vida em gravidade zero, a comida desidratada e a chance e assistir ao globo terrestre pela janela do módulo espacial, por exemplo, dificilmente vão ser apagados da memória tão cedo – e devem continuar dando um nó na cabeça dos astronautas mesmo anos depois. A mudança principal, no entanto, não é de perspectiva, mas biológica. Diferentes estudos já mostraram que uma volta de foguete pode trazer problemas como danos aos ossos, à massa muscular e ao globo ocular, além de alterações no DNA causadas pelos altos níveis de radiação no espaço. Os percalços em passar muito tempo em órbita se acusam, inclusive, logo após alguém colocar o pé fora do foguete. Nos primeiros instantes após voltar à Terra, astronautas podem enfrentar perda de equilíbrio e dificuldade de coordenação, por exemplo. Uma nova pesquisa, publicada por cientistas da Universidade da Flórida na revista JAMA Network, pode ajudar a explicar por que esses efeitos imediatos acontecem. A explicação, claro, está relacionada à nossa central de comando. O estudo analisou tomografias cerebrais de 15 astronautas (12 homens e 3 mulheres) da Nasa, que realizaram missões espaciais entre 2010 e 2015. Sete deles fizeram uma missão de tiro curto, que durou até 30 dias. Para os oito restantes, o tempo longe de casa foi bem maior: foram pelo menos 200 dias dedicados à Estação Espacial Internacional. Segundo os cientistas, ao retornarem de missões espaciais, astronautas apresentaram mudanças na “substância branca” do cérebro em áreas como o controle de movimentos e o processamento de informações sensoriais. A parte cerebral conhecida como substância branca reúne pacotes de células nervosas que conectam diferentes áreas da massa cinzenta entre si e que mandam informações para a medula. No estudo, a principal mudança foi o maior movimento de fluido intercranial, líquido que fica entre o cérebro e o crânio. Por causa dessa alteração, os cérebros dos participantes estavam, em geral, flutuando mais alto do que deveriam dentro do crânio depois da temporada vivida em microgravidade. Culpa do maior acúmulo de fluidos na parte de baixo do cérebro. Esse comportamento se mostrou mais comum no caso de astronautas que passaram períodos maiores no espaço ou aqueles envolvidos em mais de uma missão espacial. Mudanças do tipo, segundo os cientistas, são um efeito que costuma aparecer com o processo natural envelhecimento. No espaço, porém, isso manifesta em maior velocidade. Ou seja: ir a uma missão espacial deixa seu cérebro com aparência ligeiramente mais idosa – pelo menos no que diz respeito ao movimento de fluidos. É bom notar que os efeitos passam dentro de algum tempo, é claro, e, depois disso, o balanço dos astronautas é o mesmo do que era quando deixaram o planeta (bem como a posição que seu cérebro ocupa dentro da cachola). Em estudos futuros, os pesquisadores planejam analisar tomografias seis meses após as missões espaciais, como forma de entender se as mudanças persistem – e o quanto uma visitinha ao espaço pode cobrar da saúde. Entender esses impactos é essencial para nossos planos de percorrer distâncias cada vez maiores, como uma visitinha a Marte ou, quem sabe, uma temporada de turismo espacial. Como viagens ao espaço afetam o cérebro de astronautas

Rastros de aviões no céu geram teorias conspiratórias. Ciência explica

Para muita gente, o rastro branco deixado por aviões que rasgam os céus é algo natural ou desimportante. Mas para outros, inspira teorias conspiratórias — tanto que os EUA chegaram a emitir um relatório para acalmar a população.

Mas, afinal, o que são os rastros deixado nos céus e por que muita gente desconfia deles? Entenda:

Sem pânico: especialistas afirmam que rastros deixados por aviões são inofensivos

Sem pânico: especialistas afirmam que rastros deixados por aviões são inofensivos

O que são as ‘fumacinhas dos aviões’?

Cientificamente falando, trata-se de ‘trilhas de condensação’, ou ‘contrails’, em inglês – condensed trail, explica José Eduardo Mautone Barros, do Departamento de Engenharia Mecânica da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais).

“São sempre causadas por aviões que utilizam combustão”, diz Mario Festa, do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da USP (Universidade de São Paulo).

Em português mais simples: o vapor d’água emitido pela combustão do motor do avião, em contato com o ar frio, se torna líquido e até sólido – e tudo isso em uma velocidade muito rápida, formando as vistosas nuvenzinhas.

Isso porque na faixa onde os aviões circulam, de aproximadamente 3 a 12 quilômetros de altitude, a temperatura varia de -30°C a -50°C.

“O rastro branco é formado apenas por cristais de gelo. Já a fumaça contém partículas sólidas que tendem a fornecer uma cor mais escura para a nossa visão. A tendência é as fumaças serem muito semelhantes uma com a outra, independente do local onde são produzidas”, explica Festa.

Por que às vezes vemos as tais trilhas e às vezes não?

Fatores ambientais, em especial a umidade e a temperatura, impactam o rastro, dizem os especialistas.

“Uma atmosfera mais seca, como a de uma região desértica, propicia trilhas mais curtas, porque só a água resultante da combustão vai condensar”, exemplifica Mautone. Já em um ambiente mais úmido, a água do ar também será condensada, alongando o rastro.

“São mais facilmente visíveis nas rotas dos aviões que trafegam em grandes alturas, mas, na época do inverno, se houver temperatura abaixo de zero numa região de aeroportos, é possível ver as trilhas em alturas bem menores”, diz Festa.

Trilhas deixadas pelos aviões fazem mal?

O professor Festa é categórico: “São totalmente inofensivas tanto para os humanos, como para a fauna e a flora.” Mautone ecoa: “Não fazem mal, porque a princípio trata-se só de água mesmo”.

O professor da UFMG ressalva, contudo, que há um efeito meteorológico local, de efeito limitado: “Com a condensação, os rastros aumentam o índice de nuvem. Mais nuvem significa menos luminosidade. Mas, ao mesmo tempo, com menos sol, há menos evaporação e, portanto, menos chuva, então os fatores se compensam”, aprofunda.

Ele também cita o efeito da emissão de gases estufa por parte dos aviões, mas lembra que a taxa é minúscula perto de outros agentes, como carros ou indústria.

Quais são as teorias da conspiração ao redor dos rastros aéreos?

Festa lembra que a ideia dos chemtrails ganhou força a partir do Projeto HAARP (do inglês Programa de Investigação de Aurora Ativa de Alta Frequência), iniciado em 1993 no Alasca, Estados Unidos. O objetivo é entender como ondas de rádio são transmitidas na faixa da ionosfera, camada da atmosfera que começa aproximadamente 60 quilômetros acima da superfície terrestre.

“Montaram uma enorme estação produtora de ondas altamente energizadas, no intuito de estudar as Auroras Polares. Elas ocorrem acima dos 100 quilômetros de altura, e a ideia do projeto é bombardear a baixa Ionosfera e estudar os resultados”, diz. A energia de alta potência gera uma fonte de calor na Ionosfera, e os resultados podem ser inesperados.

“Em vários locais foram observados enormes buracos ou lacunas em camadas de nuvens, que teriam sido causadas pela dissipação de parte da nuvem que teria recebido aquela energia”, lembra.

Registros fotográficos desses fenômenos, acusações por parte da Rússia e paranoia popular ligaram o assunto às trilhas de condensação, gerando um campo fértil para ideias conspiratórias.

“Há interpretações mais dramáticas de que esses experimentos seriam utilizados para alterar o clima”, diz.

Mautone descarta qualquer possibilidade de as contrails terem esses efeitos imaginados.

“O único procedimento que aviões são capazes de realizar é fazer chover, no processo chamado cloud seeding [semeadura de nuvens]. Ainda assim é necessário ter nuvem no céu”, diz.

Ele explica que já há procedimentos avançados para alterar a meteorologia local, como o lançamento de foguetes que saturam nuvens para diminuir a incidência de granizo na chuva. Mas ainda não atingimos a tecnologia necessária para mudanças climáticas significativas e intencionais em uma região:

“Fala-se, por exemplo, na ideia de um instalar um espelho no espaço para refletir luz solar em determinada região, mas isso ainda é teoria”, diz.

Astrônomos encontram o que pode ser uma das estrelas mais antigas do Universo

Uma pequena estrela localizada a cerca de 1.590 anos-luz da Terra pode ter até 13,53 bilhões de anos, o que faria dela uma das estrelas mais antigas já descobertas.

Astrônomos encontram o que pode ser uma das estrelas mais antigas do Universo

A pequena estrela “ultrapobre em metais” se chama 2MASS J18082002–5104378 B — aqui abreviada para J1808-5104 — e foi descoberta por uma equipe de astrônomos liderada por Kevin C. Schlaufman, da Universidade Johns Hopkins. Estimada em 13,53 bilhões de anos de idade, ela está entre a primeira geração de estrelas a terem aparecido depois do Big Bang, que aconteceu 13,7 bilhões de anos atrás. Não apenas ela é uma das estrelas mais antigas da Via Láctea como também pode estar entre as estrelas mais antigas de todo o Universo. Os detalhes dessa descoberta devem ser publicados em uma edição futura do periódico Astrophysical Journal, mas uma versão de pré-impressão foi publicada no arXiv.

“Esta estrela talvez seja uma em dez milhões”, disse Schlaufman em um comunicado. “Ela nos diz algo muito importante sobre as primeiras gerações de estrelas.”

De fato, a descoberta está desafiando noções preconcebidas de como eram as estrelas mais antigas e de onde elas estão localizadas.

A primeira geração de estrelas a aparecer depois do Big Bang era composta exclusivamente por elementos como hidrogênio, hélio e vestígios de lítio. Quando essas estrelas primordiais explodiram como supernovas, elas salpicaram o cosmos com elementos mais pesados, que foram incorporados na geração seguinte de estrelas. Portanto, o teor de metal, ou metalicidade, das estrelas aumentou à medida que o ciclo de morte e nascimento continuou ao longo das eras.

Até hoje, astrônomos já detectaram cerca de 30 estrelas antigas pobres em metais, que tendem a ser tão massivas quanto o Sol. Mas a J1808-5104 tem apenas 14% da massa do Sol, o que leva Schlaufman e seus colegas a especular que se trata de uma anã vermelha.

A estrela recém-descoberta, que os astrônomos analisaram com os telescópios Magalhães, o Observatório Las Campanas e o Observatório Gemini, é excepcionalmente pobre em metais. E, de fato, ela tem a menor quantidade de elementos pesados já observados em uma estrela, em torno do mesmo teor de elementos pesados que o planeta Mercúrio. A quantidade de elementos pesados na J1808-5104 é tão baixa que os pesquisadores dizem que ela pode estar a apenas uma geração do Big Bang. Antes da nova descoberta, a estrela de Caffau era considerada a mais pobre em metais — uma estrela apenas um pouco menor que o nosso sol.

Astrônomos encontram o que pode ser uma das estrelas mais antigas do Universo

A nova estrela tem apenas 14% da massa do Sol, contendo o menor complemento de elementos pesados entre qualquer estrela conhecida. Imagem: Kevin Schlaufman/JHU

Estrelas do tamanho do Sol vivem por cerca de dez bilhões de anos, mas estrelas com massas baixas como essa, em teoria, poderiam queimar por trilhões de anos.

“Estrelas diminutas como essas tendem a brilhar por muito tempo”, disse Schlaufman. “Essa estrela envelheceu bem. Tem a mesma aparência hoje que tinha quando se formou, 13,5 bilhões de anos atrás.”

A localização desta estrela na Via Láctea também é estranha; a J1808-5104 faz parte do “disco fino” da galáxia, que é onde o Sol também está localizado. Estrelas antigas e pobres em metais não deveriam estar localizadas ali, uma área ativa e lotada que contém estrelas muito mais jovens. A descoberta sugere que o disco fino da Via Láctea seja cerca de três bilhões de anos mais velho do que se pensava anteriormente.

A J1808-5104 é o membro menor de um sistema de duas estrelas. Medindo a “oscilação” da estrela maior, que é causada pela influência gravitacional da estrela menor, os astrônomos foram capazes de inferir a massa da J1808-5104. Foi usada espectroscopia óptica de alta resolução para identificar elementos como carbono, oxigênio, ferro e outros.

Embora fascinantes, essas descobertas são estranhas e inesperadas. Portanto, a pesquisa precisará ser replicada por outros astrônomos para garantir que Schlaufman e sua equipe não cometeram algum tipo de erro. Além disso, a descoberta da J1808-5104 sugere a presença de estrelas ainda mais antigas na Via Láctea. Conforme mais estrelas antigas são descobertas, podemos aprender ainda mais sobre o Universo durante seu período inicial.

[The Astrophysical Journal]

https://gizmodo.uol.com.br/astronomos-encontram-estrela-antiga-universo/

Interstício, o ‘novo órgão’ do corpo humano que a ciência acaba de descobrir

Um grupo de pesquisadores descobriu uma estrutura até então desconhecida da anatomia humana, que pode mudar a forma como entendemos o funcionamento dos órgãos, tecidos e doenças.

Ele sempre esteve ali, mas foi apenas por meio de uma tecnologia mais avançada que os cientistas finalmente puderam identificá-lo: um espaço repleto de cavidades preenchidas por líquido, presente entre os tecidos do nosso corpo – por isso, chamado de intersticial (entre tecidos). Um grupo de especialistas o classifica como um novo órgão do corpo humano, “uma nova expansão e especificação do conceito de interstício humano”.

As partes em azul escuro são feixes de colágeno fibrilar. Na imagem à direita, as fibras de elastina são as manchas pretas; as estruturas de colágeno estão em rosa (Foto: Jill Gregory/Mount Sinai Health System)

As partes em azul escuro são feixes de colágeno fibrilar. Na imagem à direita, as fibras de elastina são as manchas pretas; as estruturas de colágeno estão em rosa (Foto: Jill Gregory/Mount Sinai Health System)

Paradoxalmente, apesar de ter sido descoberto apenas agora, o interstício pode ser nada menos do que um dos maiores órgãos do corpo humano, assim como a pele. Os cientistas afirmam que essa rede de cavidades de colágeno e elastina, cheia de líquido, reuniria mais de um quinto de todo o fluído do organismo.

A descoberta foi feita por uma equipe de patologistas da Escola de Medicina da Universidade de Nova York (NYU), Estados Unidos. Os resultados foram publicados na revista “Scientific Reports”.

Antes, se acreditava que essas camadas intersticiais do corpo humano fossem formadas por um tecido conjuntivo denso e sólido. Mas, na realidade, elas estão interconectadas entre si, através de compartimentos cheios de líquidos.

Estes tecidos ficam localizados debaixo da pele, recobrem o tubo digestivo, os pulmões e o sistema urinário, rodeiam as artérias, veias e fáscia (estrutura fibrosa onde se fixam músculos). Ou seja, são uma estrutura que se extende por todo o corpo.

Os pesquisadores acreditam que esta estrutura anatômica pode ser importante para explicar a metástase do câncer, o edema, a fibrose e o funcionamento mecânico de tecidos e órgãos do corpo humano.

Interstício, o 'novo órgão' do corpo humano que a ciência acaba de descobrir Um grupo de pesquisadores descobriu uma estrutura até então desconhecida da anatomia humana, que pode mudar a forma como entendemos o funcionamento dos órgãos, tecidos e doenças.

Interstício, o ‘novo órgão’ do corpo humano que a ciência acaba de descobrir
Um grupo de pesquisadores descobriu uma estrutura até então desconhecida da anatomia humana, que pode mudar a forma como entendemos o funcionamento dos órgãos, tecidos e doenças.

Como não havia sido descoberto até agora?
Essas estruturas não são visíveis com nenhum dos métodos padrões de visualização da anatomia humana. Agora, os cientistas puderam identificar esse novo “órgão” graças aos avanços tecnológicos da endomicroscopia ao vivo, que mostra em tempo real a histologia e estrutura dos tecidos.

De qualquer forma, a descoberta foi uma surpresa.

A equipe de investigadores fez, em 2015, uma operação com endomicroscopia a laser – uma tecnologia chamada Confocal Laser Endomicroscopy (pCLE) – para examinar o conduto biliar de um paciente com câncer. Depois de uma injeção de uma substância corante chamada fluoresceína, foi possível ver “um padrão reticular com seios (ocos) cheios de fluoresceína, que não tinham nenhuma correlação anatômica”.

Em seguida, os cientistas tentaram examinar mais detalhadamente essa estrutura. Para isso, usaram placas microscópicas de biópsia habitual. Porém, as estruturas haviam desaparecido.

Depois de fazer vários testes, Neil Theise, coautor do estudo, se deu conta de que o processo convencional de fixação de amostras de tecidos em placas drenava o fluído presente na estrutura. Normalmente, os cientistas tratam as amostras com produtos químicos, as cortam em uma camada muito fina e aplicam tinta para realçar suas características chave. Porém, esse procedimento faz colapsar a rede de compartimentos, antes cheios de líquidos. É como se os pisos de um edifício desmoronassem.

Por isso, “durante décadas, (a estrutura) pareceu como algo sólido nas placas de biópsia”, disse Theise, que faz parte do departamento de patologia da Universidade de Nova York.

Ao mudar a técnica de fazer a biópsia, sua equipe conseguiu preservar a anatomia da estrutura, “demonstrando que ela forma parte da submucosa e que é um espaço interticial cheio de fluído não observado anteriormente”. Assim, foram identificadas “tiras largas e escuras ramificadas, rodeadas de espaços grandes e poligonais cheios de fluoresceína”, descreve o estudo.

Os cientistas confirmaram a existência dessa estrutura em outros 12 pacientes operados.

Qual é sua função?
Até agora a ciência não estudou profundamente nem o fluxo nem o volume do fluído intersticial do corpo humano. Por enquanto, a identificação desse “espaço intersticial” levanta várias hipóteses.

Os especialistas acreditam que essa rede de espaços interconectados, forte e elástica, pode atuar como um amortecedor para evitar que os tecidos do corpo se rasguem com o funcionamento diário – que faz com que os órgãos, músculos e vasos sanguíneos se contraiam e se expandam constantemente.

Além disso, acreditam que essa rede de cavidades é como uma pista expressa para os fluídos. Isso poderia embasar a hipótese de que o câncer, ao atingir o espaço intersticial, possa se expandir pelo corpo muito rapidamente. É a chamada metástase.

Por outro lado, os autores do estudo acreditam que as células que formam o interstício mudam com a idade, podendo contribuir com o enrugamento da pele e com o endurecimento das extremidades, assim como a progressão de doenças fibróticas, escleróides e inflamatórias.

 

NASA faz primeiros testes de reator nuclear que pode servir de fonte de energia em Marte

Se os humanos têm qualquer esperança de ficar em Marte por mais do que alguns dias, vão precisar de alguma forma de energia para se sustentar. Um teste bem-sucedido feito em Nevada, nos Estados Unidos, demonstrou que essa energia pode ser nuclear.

NASA faz primeiros testes de reator nuclear que pode servir de fonte de energia em Marte

NASA faz primeiros testes de reator nuclear que pode servir de fonte de energia em Marte

A NASA e o Departamento de Energia dos EUA realizaram, com sucesso, seus testes iniciais com um sistema de energia nuclear em miniatura e vão fazer mais um teste desenvolvido em março. Segundo a Reuters:

Os testes de meses de duração começaram em novembro, no departamento de energia do Nevada National Security Site, visando fornecer energia para futuras missões astronáuticas e robóticas no espaço e na superfície de Marte, Lua ou outros destinos no Sistema Solar.

Talvez você se lembre que astronautas humanos andaram sobre a Lua apenas algumas vezes nas décadas de 1960 e 1970, nunca por mais do que três dias consecutivos. Missões mais longas planejadas para Marte, como a retratada no filme Perdido em Marte, de Andy Weir, exigiriam um sistema de energia que pudesse lidar com as noites gélidas, as tempestades de poeira e o Sol a uma distância maior do que no caso da Terra.

Esses são problemas que o projeto Kilopower, da NASA, espera resolver com um reator de fissão nuclear compacto que usa um núcleo de reator de urânio-235 “aproximadamente do tamanho de um rolo de papel toalha”, conta a Reuters. O reator forneceria 10 quilowatts por hora, “suficiente para abastecer duas casas médias… continuamente por pelo menos dez anos”, segundo comunicado da NASA. Seriam necessárias quatro unidades para operar um posto avançado, acrescenta o texto.

Um modelo de uma base marciana com reatores nucleares (Imagem: NASA)

NASA faz primeiros testes de reator nuclear que pode servir de fonte de energia em Marte

Recentemente, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou um plano para a NASA enviar humanos novamente à Lua. Um reator de fissão em miniatura poderia funcionar em outros ambientes extremos, incluindo a Lua, disse Lee Mason, tecnólogo principal da NASA para armazenamento de energia, em um comunicado.

A NASA não tem datas exatas para o teste completo do Kilopower, além deste que será feito na segunda metade de março. Mas ainda existe mais trabalho a ser feito. “(Um teste bem-sucedido) Seria a operação na potência máxima, com condições que batam com nossas previsões analíticas”, Mason contou ao Gizmodo por email. “Se continuarmos o projeto em direção a um sistema de voo, seriam necessários mais desenvolvimentos e testes de hardware.”

DNA de esqueleto indica existência de britânicos negros e de olhos azuis há 10 mil anos

O Homem de Cheddar nada tem a ver com o queijo de sabor forte e, por vezes, cor amarelada. É, na verdade, um dos mais antigos britânicos de que se tem registro. E agora, também objeto de uma nova descoberta.

DNA de esqueleto indica existência de britânicos negros e de olhos azuis há 10 mil anos

Com base nos dados, cientistas reconstruíram o que acreditam ter sido o rosto do Homem de Cheddar

Uma análise recente do fóssil encontrado em 1903 em uma gruta de Cheddar, desfiladeiro repleto de cavernas localizado em Somerset, no Reino Unido, indicou que ele tinha olhos azuis, cabelo crespo e pele escura.

A análise contraria a imagem anterior projetada a partir do fóssil. Inicialmente, acreditava-se que ele tinha olhos escuros, pele clara e cabelos lisos.

Uma equipe de cientistas não só identificou o novo fenótipo atribuído ao britânico de 10 mil anos atrás como também fez uma reconstrução detalhada de seu rosto.

Avaliações anteriores já indicavam que ele era mais baixo que a média e que provavelmente morreu por volta dos 20 anos.

DNA de esqueleto indica existência de britânicos negros e de olhos azuis há 10 mil anos

DNA de esqueleto indica existência de britânicos negros e de olhos azuis há 10 mil anos

Fraturas na superfície do crânio sugerem que ele pode ter morrido de maneira violenta. Não se sabe como o corpo chegou à caverna, mas é possível que tenha sido colocado lá por indivíduos da tribo.

Extração do DNA

Os pesquisadores do Museu de História Natural de Londres extraíram o DNA de uma parte do crânio, próxima ao ouvido, conhecida como osso petroso.

Inicialmente, Ian Barnes e Selina Brace, que fazem parte da instituição e integram o projeto, não tinham certeza se conseguiriam algum DNA do fóssil.

Mas eles tiveram sorte: não só o DNA foi preservado, como também produziu a maior cobertura (uma medida da precisão de sequenciamento) para um genoma na Europa desse período de Pré-história – conhecido como Mesolítico ou Idade da Pedra Média.

Análise do DNA foi feita a partir do crânio, mais precisamento do osso petroso

DNA de esqueleto indica existência de britânicos negros e de olhos azuis há 10 mil anos

Os pesquisadores do museu se juntaram a cientistas da universidade londrina UCL (University College London) para analisar os resultados, incluindo variantes genéticas associadas com cabelo, olhos e cor da pele.

A descoberta indica ainda que os genes da pele mais clara se difundiu na Europa mais tarde do que se pensava, e que a cor da pele não é necessariamente referência de origem geográfica, como normalmente é vista hoje em dia.

Como a pele mudou

A pele clara provavelmente chegou à Grã-Bretanha há cerca de 6 mil anos, com uma migração de pessoas do Oriente Médio.

Essa população tinha pele clara e olhos castanhos. Acredita-se que tenha acabado absorvendo características de grupos como o do Homem de Cheddar.

Não se sabe ao certo, contudo, por que a pele clara acabou se sobressaindo entre os habitantes da região. Mas acredita-se que a dieta à base de cereais provavelmente era deficiente em vitamina D – isso exigiria que agricultores processassem esse nutriente por meio da exposição à luz solar, que é mais escassa onde fica o Reino Unido.

“Podem haver outros fatores causando menor pigmentação da pele ao longo do tempo nos últimos 10 mil anos. Mas essa é a grande explicação à qual a maioria dos cientistas se fia”, disse Mark Thomas, geneticista da UCL.

Fóssil foi encontrado em 1903 numa caverna em Cheddar, no condado de Somerset

DNA de esqueleto indica existência de britânicos negros e de olhos azuis há 10 mil anos

Para Tom Booth, arqueólogo do Museu de História Natural em Londres e integrante do projeto que desvendou as características do Homem de Cheddar, a análise mostra como as categorias raciais são construções modernas ou muito recentes. “Elas realmente não se aplicam ao passado”, disse ao jornal britânico The Guardian.

Yoan Diekmann, biólogo especializado em estudos da computação na universidade londrina UCL e também parte da equipe, concorda com o colega. Afirma que a conexão comumente estabelecida entre “britanidade” e brancura “não é uma verdade imutável”. “Sempre mudou e sempre mudará”, declarou à mesma publicação.

A análise genética também sugere que o Homem Cheddar não bebia leite na idade adulta – algo que só se espalharia entre os humanos muito mais tarde, na Idade do Bronze, iniciada em alguns lugares há cerca de 5 mil anos.

Chegadas e partidas

As análises também indicam que os europeus dos tempos atuais mantiveram, em média, apenas 10% das características de ancestrais como o britânico de Cheddar.

Acredita-se que os humanos chegaram no que hoje é o Reino Unido há 40 mil anos, mas um período de frio extremo conhecido como o Último Máximo Glacial teria os forçado a migrar dali 10 mil anos depois.

Também já foram coletadas evidências em cavernas de que humanos caçadores-coletores voltaram quando as condições climáticas melhoraram. Mas acabaram sendo surpreendidos pelo frio – marcas nos ossos sugerem que esse grupo canibalizou seus mortos.

O território hoje conhecido como Grã-Bretanha foi ocupado novamente há 11 mil anos e, desde então, permanece habitado, segundo os pesquisadores.

O Homem de Cheddar é parte dessa onda migratória que teria caminhado pela chamada Doggerland – que, naquele período, ligava a ilha ao continente, mas posteriormente acabou coberta pelo aumento do nível do mar.

Nos anos 1990, outra análise do DNA já havia identificado possíveis 'parentes do Homem de Cheddar'

Nos anos 1990, outra análise do DNA já havia identificado possíveis ‘parentes do Homem de Cheddar’

Essa não é a primeira tentativa de análise genética do Homem de Cheddar. No final dos anos 1990, o geneticista Brian Sykes já havia sequenciado o DNA mitocondrial de um dos molares do fóssil.

A sequência, transmitida exclusivamente da mãe para os filhos, foi comparada com 20 residentes vivos do povoado em Cheddar.

Duas dessas pessoas tinham mostras similares – uma delas era o professor de história Adrian Targett.

A atual descoberta feita por pesquisadores do Museu de História Natural e da UCL vai ser detalhada em um documentário para a televisão britânica com o título The First Brit: Secrets of the 10,000 Year Old Man (“O primeiro britânico: segredos do homem de 10 mil anos de idade”), feito pela Plimsoll Productions e a ser exibido pelo Channel 4. Também vai virar, é claro, artigo acadêmico.

DNA de esqueleto indica existência de britânicos negros e de olhos azuis há 10 mil anos

DNA de esqueleto indica existência de britânicos negros e de olhos azuis há 10 mil anos

O professor Chris Stringer, que lidera os estudos sobre origens humanas no museu, se dedica a estudar o esqueleto do Homem de Cheddar há 40 anos.

Ele se impressionou ao ver a reconstrução que pode ter revelado o rosto de seu objeto de estudo.

“Ficar cara a cara com a imagem de como esse homem pode ter parecido – a combinação impressionante de cabelo, rosto, cor dos olhos e pele escura – é algo que não poderíamos imaginar alguns anos atrás. Mas é que os dados científicos mostram.”

http://www.bbc.com/portuguese/geral-42973059

Muito além de Marte: na pior das hipóteses, existe vida em dez trilhões de planetas. E isso não é o mais importante


Muito além de Marte: na pior das hipóteses, existe vida em dez trilhões de planetas. E isso não é o mais importante


Um bebê recém-nascido não sabe que é um indivíduo. Acha que ele e a mãe formam uma entidade única. Talvez ache até que ele, a mãe e o mundo sejam uma coisa só.

Mas antes de seguir com esse raciocínio, queria passar a palavra para alguém mais qualificado que eu, o Richard Dawkins. “Vamos imaginar que o surgimento de vida em algum planeta seja algo estupidamente improvável”, ele me disse numa entrevista recente. “Mais improvável até do que você tirar uma quadra de ases num jogo de cartas, e todo mundo na mesa também sair com quadras. Mas sabe de uma coisa? Mesmo se a vida for algo tão difícil de acontecer, ainda assim ela seria abundante no Universo”.

Muito além de Marte: na pior das hipóteses, existe vida em dez trilhões de planetas. E isso não é o mais importante

Muito além de Marte: na pior das hipóteses, existe vida em dez trilhões de planetas. E isso não é o mais importante

Dawkins, professor emérito de biologia em Oxford e reformulador do darwinismo, entende de vida. Mas nem ele nem ninguém tem como dizer se o fenômeno é corriqueiro no Cosmos ou se não, se trata-se de algo raríssimo, que só aconteceu na Terra, ou, dando uma chance ao acaso, que só apareceu em um a cada um bilhão de planetas Cosmos afora.

Um em um bilhão parece pouco. Só que é menos ainda. A probabilidade de você morrer atingido por um raio é de uma em 2 milhões. A de ganhar na Mega-Sena, uma em 50 milhões. Em outras palavras, uma chance em um bilhão é basicamente sinônimo de “impossível”.

Mas isso aqui na Terra. Porque no céu a história é outra. É que, se um em um bilhão é algo menor do que parece, o espaço sideral é maior. Bem maior do que parece. As estimativas mais humildes indicam que existem 10 trilhões de bilhões de estrelas no Universo observável (ou 1022 , o número 1 seguido de 22 zeros, caso você prefira uma notação mais científica). Um mundo assim, com 10.000.000.000.000.000.000.000 de sóis, destrói qualquer estatística. Assim: se a vida surgiu em um único planeta por sistema solar (como parece ter sido o caso neste sistema solar aqui), e só um em cada bilhão de sistemas solares teve essa sorte, existiriam dez trilhões de planetas com vida.

Mais: se entre esses supostos planetas com vida só um em um milhão abrigar seres inteligentes, teríamos dez milhões de civilizações sobre as nossas cabeças. Como o Dawkins mesmo disse naquela entrevista: “Nossos cérebros não sabem lidar com grandezas na ordem de bilhões e bilhões”.

Mas tem outra coisa com a qual o nosso cérebro não sabe lidar: o próprio conceito de “vida”. Por instinto, nós teimamos em achar que somos entidades à parte no Universo. Que nós estamos aqui, e o Universo está “lá fora”. E aí que a gente volta aos bebês do primeiro parágrafo. Nos primeiros meses de vida, passamos a entender que somos indivíduos, entidades únicas, apartadas das nossas mães, e do mundo, e do Universo.

Ilusão. Os átomos que formam o seu corpo sempre estiveram aqui na Terra. E vão continuar por aqui, independentemente do que você faça com eles até o dia que o seu coração parar de bater. O autor do Gênesis traduziu bem essa ideia, na cena em que Deus diz a Adão que ele terá de trabalhar pesado, e suar para que a terra produza algum alimento “até que você, Adão, volte para a terra, pois do pó você foi feito, e em pó irá se transformar” (Gen. 3:19). Três mil anos depois, o astrônomo britânico Martin Rees refinou o raciocínio. Diante da descoberta de que todos os átomos mais complexos que o hidrogênio e o hélio foram forjados no interior de estrelas, ele escreveu que “somos todos, literalmente, cinzas de estrelas mortas há muito tempo”.

Logo, nós somos o chão. Nós somos as estrelas. Somos o espaço e o tempo. E a vida consciente talvez seja o Universo se olhando no espelho, e descobrindo que ele próprio é um indivíduo.

lancamento de foguete no Cabo canaveral com Cometa lovejoy ao fundo

Em direção ao céu um foguete Atlas V levando um satélite da Marinha dos EUA perfura as nuvens nesta noite estrelada capturado em 20 de janeiro
Em seu caminho para a órbita do Complexo de Lançamento Espacial 41, Estação Cabo Canaveral Air Force, Planeta Terra, juntos com as faixas de foguetes, vemos a estrela mais brilhante do céu Sirius, como visto de uma praia no escuro Canaveral National Seashore. CometOverNASAAcima da estrela alfa de Canis Major, Orion o caçador uma pose familiar para contempladores do céu de inverno do norte. Acima de Orion é o aglomerado de estrelas em forma de V Hyades, cabeça de Touro, e mais longe ainda acima Taurus é fácil de detectar o aglomerado compacto estelar das Plêiades. Naturalmente perto da parte superior do quadro, você encontrará o coma esverdeada e longa cauda de cometa Lovejoy, maravilhas astronômicas dessas noites janeiro.