Guerra Fria – A Disputa De Ideologias.

A disputa ideológica, política, social, economica e estratégica das duas superpotencias que surgiram no mundo após a Segunda Guerra Mundial. CAPITALISMO X SOCIALISMO: A GUERRA FRIA.

O MUNDO PÓS GUERRA.

A Grande Guerra de 1939-1945 mudou o destino e a geopolítica do mundo onde vivemos, estabelecendo uma nova ordem mundial: os impérios coloniais desmoronaram e em seu lugar surgiram duas novas superpotências – Estados Unidos e União Soviética. Com isso o mundo foi reordenado tanto do ponto de vista econômico como político.

0_bandeiras EUAURSSAPÓS A GUERRA, UM NOVO CAPITALISMO.
Com as principais potências arrasadas pela Segunda Guerra, foi preciso reorganizar a economia mundial. Com esse objetivo, os aliados, vencedores do conflito, reuniram-se na cidade de Bretton Woods, nos Estados Unidos. Várias decisões foram tomadas nessa conferencia, entre elas a criação de organismos financeiros com a finalidade de conceder empréstimos a países em dificuldade e manter a estabilidade da economia mundial. Desse modo, foram fundados o FMI (Fundo Monetário Internacional) e o Bird (Banco Internacional de Reconstrução e Desenvolvimento ou Banco Mundial), ambos com sede em Washington.
A adoção do padrão dólar-ouro, garantido pelo governo norte-americano, tornou a moeda dos Estados Unidos a mais importante da economia mundial. O mundo capitalista tinha uma nova potência, os Estados Unidos da América do Norte, ao mesmo tempo que ganhava um rival de peso: a potência socialista, União das Repúblicas Socialistas Soviéticas.
UM MUNDO BIPOLAR.

Pela primeira vez, o mundo ficou divido entre dois sistemas opostos. Os dois lados lutavam para impor seu modo de produção: era o capitalismo norte-americano (Oeste) versus o socialismo soviético (Leste).
Foram quase cinco décadas de disputas entre os dois blocos, época em que foram criados arsenais bélicos e nucleares que a qualquer momento poderiam destruir a humanidade. Para entender o mundo hoje, é importante conhecer esse período tão especial da História, marcado pelo conflito Leste-Oeste.
Tudo começou com a derrota dos países do Eixo (Itália, Japão e Alemanha) e as conferencias de Yalta e Potsdam, realizadas no pós guerra (1945) pelas potencias vencedoras, para decidir o destino dos países que perderam a guerra. Nessas reuniões tornou-se claro que as relações entre União Soviética e Estados Unidos, aliados durante a guerra, não seriam cordiais em tempos de paz. Á União Soviética cabia expandir a área sob a influência socialista; e aos Estados Unidos, impedir que essa influência se expandisse. Na ocasião, o primeiro ministro britânico Winston Churchill usou pela primeira vez a expressão Cortina de Ferro, que seria citada frequentemente durante a Guerra Fria para designar a separação entre o mundo socialista e o capitalista, numa alusão ao regime extremamente fechado, adotados pelos soviéticos.

MEDIDAS AMERICANAS PARA CONTER O SOCIALISMO.

Em 1947, o presidente Harry Truman fez um discurso no Congresso Americano, em que deixou claro que os “Estados Unidos deveriam apoiar os povos livres que resistiam à tentativa de servidão por minorias armadas ou pressões externas”. Essa declaração ficou conhecida como Doutrina Truman e norteou toda a política americana para a contenção do socialismo durante a Guerra Fria.
Uma das primeiras medidas dos Estados Unidos, dentro do espírito dessa política, foi o plano de recuperação econômica e o investimento para os países da Europa Ocidental, destruídos pelos anos de operação de guerra dentro de seus territórios, Essa ajuda afastaria a provável influencia soviética nessa parte do continente, que ficou conhecida como PLANO MARSHALL, em alusão ao seu idealizador, o general George Marshall.

AS PARTES SE ORGANIZAM.

Os dois lados trataram de garantir alianças e formar organizações para defender, acima de tudo, o seu modo de produção e, principalmente sua ideologia.
Em 1949, os Estados Unidos e seus aliados da Europa Ocidental criaram a OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte). Essa aliança militar visou garantir a segurança mútua contra uma expansão maior do socialismo na Europa. Atualmente, são estes os membros da Otan: Albânia, Alemanha (República Federal da Alemanha antes da reunificação alemã), Bélgica, Canadá, Croácia, Dinamarca, Espanha, os Estados Unidos, a França, a Grécia, os Países Baixos, Islândia, Itália, Luxemburgo, Noruega, Portugal, Reino Unido, Turquia, Hungria, Polônia, República Checa, Bulgária, Estônia, Letônia, Lituânia, Romênia, Eslováquia e a Eslovênia.
Os objetivos da Otan também mudaram, uma vez que não há mais o inimigo soviético para ser combatido. Hoje, trata-se de uma organização que visa à segurança dos países membros.
A resposta da União Soviética chegou em 1955, com a criação do Pacto de Varsóvia, aliança militar entre essa potência e os países socialista do Leste Europeu. O Pacto de Varsóvia acabou funcionando mais como um instrumento de manutenção do regime nos países satélites do que como defesa contra o capitalismo.
Enquanto a Europa Ocidental procurava fortalecer a sua economia, com a formação do Mercado Comum Europeu (1957), a União Soviética reunia os países socialista no Conselho de Ajuda Econômica Mútua, o Comecon (1949).
Tanto o Pacto de Varsóvia quanto o Comecon foram extintos após o fim da União Soviética em 1991.

A GUERRA FRIA NOS CONTINENTES.

A Europa foi o primeiro continente a sentir os efeitos da Guerra Fria ao ser dividida em dois blocos distintos, a Europa Ocidental e a Europa Oriental.
Desde os últimos anos de Guerra, a União soviética vinha ampliando a sua influência sobre os países vizinhos. Com o fim dos combates, impôs o regime socialista e sua supremacia aos países do Leste Europeu (Polônia, Tchecoslováquia, Hungria, Bulgária, Romênia e Albânia).
A Iugoslávia foi uma exceção porque a subida ao poder do Partido Comunista não dependeu da União Soviética. Foi o marechal Josip Broz Tito quem expulsou os nazistas, em 1944, e constituiu um governo forte com o apoio popular, no ano seguinte.
A Alemanha foi dividida na Conferência de Potsdam em quatro setores controlados pelos vencedores do conflito: Inglaterra, França, Estados Unidos e União. Em 1949, após divergências entre os norte-americanos e soviéticos, foi transformada em dois países distintos – um só povo, mas sistemas econômicos completamente diferentes:

Alemanha Ocidental, oficialmente, República Federativa da Alemanha, capital Bonn. Capitalismo. Compreendia os setores de domínio inglês, francês e americano.

Alemanha Oriental, oficialmente República Democrática Alemã, capital Berlim, também dividida. Localizava o setor soviético, era socialista.

Em 1949, o socialismo se instalou no continente asiático, num país de grande extensão territorial – a China. Preocupados os Estados Unidos procuraram impedir o que chamavam de ‘efeito dominó’ isto é, que outros países asiáticos fossem atingidos pelo regime socialista. Para isso, firmaram alianças militares envolvendo países asiáticos fossem atingidos pelo regime socialista. Para isso, firmaram alianças militares envolvendo países da Ásia e da Oceania, medida que ficou conhecida como “cordão sanitário”. Os principais tratados foram a Anzus (Austrália, Nova Zelândia e Estados Unidos) e a Seato ou Otase (Organização do Tratado do Sudeste da Ásia), que além dos países da Anzus, reuniu França, Reino Unido, Paquistão, Filipinas e Tailândia.
No mundo BIPOLAR, o padrão de poder não era bem a supremacia econômica, mas a supremacia bélica, na fabricação de armas. Daí falarmos em corrida armamentista e corrida espacial.
As potências disputavam passo a passo quem conseguiria produzir a bomba mais potente ou ir mais longe na exploração do espaço. Para não ficar para trás, era preciso saber todos os segredos e todos os passos do inimigo. Nessa missão ficaram famosas a CIA (Agencia Central de Inteligência), dos Estados Unidos, e a KGB (Comitê para a Segurança do Estado), da União Soviética.

A CORRIDA ARMAMENTISTA.

Foi o componente central do período da guerra fria, que envolveu diretamente os Estados Unidos e a União Soviética na corrida atômica e na conquista espacial. O que estava implícito era que a nação que primeiro desenvolvesse a tecnologia nuclear e conquistasse o espaço seria considerada a mais avançada cientificamente.
Os Estados Unidos iniciaram a corrida nuclear de forma dramática, ao jogar bombas atômicas sobre as cidades japonesas de Hiroshima (6 de Agosto de 1945) e Nagasaki (9 de Agosto de 1945), para reforçar a rendição do Japão no final a Segunda Guerra. Só em 1949, a União Soviética anunciou que tinha conseguido fabricar sua primeira bomba atômica.

A CORRIDA ESPACIAL.

Os soviéticos saíram na frente com o lançamento do Sputnik I, o primeiro satélite artificial em ser colocado em órbita, em 4 de Outubro de 1957. Em 3 de Novembro do mesmo ano, lançaram o Sputnik 2, com cachorra Laika, o primeiro ser vivo a ser lançado no espaço. Em 12 de Abril de 1961, foi a vez de o astronauta Yuri Gagárin comandar a nave Vostok.
Entretanto, a vitória final foi dos Estados Unidos. O dia 20 de Julho de 1969 marcou a chegada do homem à Lua. Os norte-americanos Neil Armstrong, Edwin Aldrin Jr. E Michel Collins, abordo da Apollo 11, foram os primeiros a conquistar tal feito e a colocar os Estados Unidos na dianteira da corrida espacial.
Em 1971, os soviéticos lançaram o Projeto Salyut, que previa a construção de uma estação espacial. Em 1973, os Estados Unidos lançaram o Skylab, estação experimental que acabou se desintegrando em constato com a atmosfera, quando a NASA perdeu o controle de sua órbita. Nada, porém, foi mais brilhante que a Iniciativa de Defesa Estratégica do presidente americano Ronald Reagan (1980- 1988), que ficou conhecida como “Guerra nas Estrelas”. Sua ideia era construir um grande escudo espacial para a defesa contra mísseis vindos de qualquer lugar da Terra e, até mesmo, do espaço.
A última realização dos soviéticos foi colocar em órbita, em 1985, a estação espacial MIR, que retornou à Terra em março de 2001. Os Estados Unidos continuaram o seu programa espacial, mesmo sem a competição com a potência socialista. Após a explosão do ônibus espacial Challenger (1986), os americanos colocaram o telescópio Hubble em órbita, em 1990. Em 1997, a sonda Mars Pathfinder pousou na superfície de Marte. Em 2003, o ônibus espacial Colúmbia explodiu ao entrar na atmosfera, matando sete astronautas.

TERCEIRO MUNDO – PRINCIPAL ALVO DE DISPUTAS.

Com o fim dos impérios coloniais, novos países surgiram no panorama mundial e foram alvo da disputa entre as duas potencias. O novo conjunto foi chamado de TERCEIRO MUNDO, uma vez que os países capitalista desenvolvidos compunham o PRIMEIRO MUNDO e os países socialistas faziam parte do SEGUNDO MUNDO.
Todos os continentes foram atingidos pela disputa de poder entre capitalistas e socialistas. Moscou apoiava os movimentos de independência nas colônias da África. Para impedir a expansão soviética no continente, os Estados Unidos obrigaram seus aliados a conceder a independência entre essas colônias.
A demora de Portugal em conceder a independência a Angola, Moçambique, Cabo Verde e Guiné-Bissau facilitou a influência soviética sobre as novas nações, em 1975.
A América Latina continuava sob a influência dos Estados Unidos, apesar do duro golpe que os americanos receberam com a instauração do socialismo em Cuba, em 1960. Por estar situada a poucos quilômetros da Flórida, a ilha de Fidel tivera, durante muito tempo, sua economia controlada pelos norte-americanos.
Outro ‘susto’ para os americanos, na América Central, foi a Revolução Sadinista na Nicarágua que tentou instalar um governo socialista nesse país em 1979.
Nas décadas de 1960 e 1970, a CIA ajudou a instalar ditaduras militares em países da América do Sul, mantendo-os ‘livres’ das influencias da União Soviética. Foi o caso do Brasil, Argentina e do Chile.
POR MUITO POUCO UMA GUERRA MILITAR.
Durante esse período de grande tensão, podemos dizer que pelo menos em duas ocasiões, o mundo esteve à beira de um conflito nuclear: em 1961, com a construção do Muro de Berlim; e em 1962 quando os soviéticos decidiram instalar misseis no extremo sul de Cuba, a 150 Km da Flórida.

O FIM DA GUERRA FRIA.

O mundo bipolar começou a ruir com a queda do Muro de Berlim em 1989, e desmoronou totalmente com o fim da União Soviética em 1991. Com o desmantelamento dos velhos rivais, os Estados Unidos não tinham mais a quem combater. Estava desmontada uma ordem mundial que havia durado quase cinquenta anos.
O mundo atual é uma consequência desse período: hoje os Estados Unidos assumiram o papel de única superpotência, os conflitos étnicos e nacionais ressurgiram com força total, e o poder não é mais de quem tem armas mais potentes, mas de quem tem a economia mais forte.

EUA x TERRORISMO.

O século XXI começa com um novo inimigo dos norte-americanos: o terrorismo. Alvo preferido das organizações extremistas islâmicas, os Estados Unidos sofreram o maior ataque da História, quando jatos americanos sequestrados por terroristas explodiram contra dois símbolos do poder americano: o World Trade Center, em Nova York, e o Pentágono, sede do Departamento de Defesa Americano, em 2001.

  • O Fim da Segunda Guerra Mundial.
  • A disputa de poder entre Estados Unidos e União Soviética.
  • O Capitalismo e o Socialismo.
  • A Corrida Armamentista.
  • A Corrida Espacial.
  • A Queda do Muro de Berlim.
  • O dissolusão da União Soviética.
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