Universo sem limites.
Os 4 milhões de pessoas nas ruas não protestaram apenas contra as mortes. Protestaram contra o estado de coisas que o terror traz.
Sabem o que é o terror? É o medo sem objeto. Por isso a Bruxa de Blair fez tanto sucesso: não eram tubarões ou Jasons ou Chucks no ataque: eram ventos, galhinhos. Era o Nada. Por isso Heidegger e Sartre falavam que questão mais fundamental da filosofia do século 20 era o Nada.
A França não quer viver no estado do Nada. Nesse sábado os policiais franceses foram orientados a retirarem das redes sociais as suas foros porque “o ataque terrorista pode vir de qualquer canto”. Ninguém suporta o terror sem objeto.
Isso serve para os dois lados. Depois do ataque às torres gêmeas, o ex-presidente George W. Bush mostrava as fotos dos 19 terroristas. Depois, proibiu a divulgação: saía de cena o “terrorista” e entrava o “terrorismo” –o que justificava combatê-lo no país que interessasse a Bush. Foi assim que se forjou a invasão do Iraque.
O cineasta Alfred Hitchcock admitia que “não existe terror no estrondo, apenas na antecipação dele”. O ex-presidente dos Estados Unidos, Richard Nixon, gostava de dizer que “as pessoas reagem ao medo, não ao amor”. E Goebbels, ministro da propaganda de Hitler, orgulhava-se de ter detectado que “falamos sempre não para dizer algo, mas para obter algum efeito”.
O terrorismo vive de efeitos. Quer se fazer presente mesmo onde jamais vai estar.
A França não protesta apenas contra as mortes: mas contra um estado de coisas no ar.
Mas o brasileiro jamais vai conhecer esse tipo de sensibilidade: Hércules-Quasímodo não tem tempo para essas coisas, afinal…