Universo sem limites.
Cientistas dividiram 184 estudantes em cinco grupos que com instruções diferentes para aprender a fazer uma ferramenta de pedra
"Há um lugar específico na pedra onde é preciso bater, a um ângulo de 70º."
Enquanto as outras coisas podem ser aprendidas por imitação, "o conceito de ângulo é muito difícil de explicar sem recorrer à linguagem", segundo Uomini.
"Palavras como 'sim' ou 'não' também teriam sido importantes."
O ovo ou a galinha
No estudo, os cientistas dividiram 184 estudantes em cinco grupos, e em cada um deles foram dadas instruções diferentes para que uns ensinassem aos outros como criar uma ferramenta de pedra semelhante aos utensílios olduvaienses, os primeiros que acredita-se terem sido fabricados por humanos.
Em alguns grupos era permitido usar a comunicação verbal, enquanto que em outros só era permitido fazer gestos ou imitar as ações do outro.
Dessa forma, eles observaram que os grupos que usavam a linguagem produziam um volume maior de ferramentas, em menos tempo e desperdiçando menos material.
Na avaliação dos pesquisadores, o experimento mostra que a linguagem efetivamente ajuda a criar as ferramentas. No entanto, ainda não é possível provar se isso realmente foi o que deu origem à linguagem humana, de acordo com Uomini.
"Nunca saberemos com certeza o que aconteceu no passado, mas este é simplesmente um elemento que indica que a linguagem esteve envolvida e, de alguma maneira, conectada com a origem da fabricação de ferramentas."
A evolução dos utensílios criados pelo homem e da linguagem caminham de mãos dadas, segundo cientistas
Com base no estudo, a equipe internacional acredita que uma forma primitiva de linguagem, ou protolinguagem, começou a evoluir lentamente há 1,7 milhão de anos, quando ocorreu uma mudança no tipo de ferramentas produzidas pelo homem.
A evolução de ambos (ferramentas e linguagem) estaria assim interconectada, mesmo que seja impossível saber qual deles evoluiu primeiro e qual foi o motor da evolução do outro.
Por outro lado, cabe questionar como é possível determinar a origem da linguagem em um experimento realizado com pessoas que, mesmo que não possam falar durante a atividade, dominam uma linguagem.
"Seria interessante estudar este processo em pessoas de outras culturas para ver se há diferenças ou em chimpanzés, para comparar os resultados", admite omini.
"Mas nosso experimento mostra que a linguagem é o que marca a diferença. E ela tem a ver mais com a atividade em si do que com as pessoas que estão realizando essa atividade."