Universo sem limites.
Satélite europeu cria censo galáctico com 1,7 bilhão de estrelas da Via Láctea
"Estes dados são muito importantes e acreditamos que revolucionarão a astronomia e nossa compreensão da Via Láctea", disse à AFP Uwe Lammers, um responsável científico do Gaia para a ESA (Agência Espacial Europeia).
O catálogo Gaia permitiu realizar a cartografia a cores, dinâmica e tridimensional da Via Láctea, a mais completa até hoje, ressaltou o Observatório de Paris. No entanto, ainda compila menos de 1% das estrelas da galáxia.
Com o Gaia, podemos observar toda a história da Via Láctea, é como se praticássemos arqueoastronomia (...) para reconstruir realmente a história de nosso Universo", apontou Günther Hasinger, diretor de ciências da ESA, em uma apresentação destes dados durante um Salão aeronáutico em Berlim.
Lançado no fim de 2013, o satélite, que escaneia as fontes de luz de nossa galáxia, orbita o sol a 1,5 milhão de quilômetros da Terra e faz 500 milhões de medições por dia. Os dados são transmitidos à Terra e processados por um consórcio de 450 cientistas de 20 países.
Gaia, que funciona desde 2014, já havia fornecido uma primeira série de resultados em setembro de 2016. Estes davam a posição de 1,1 bilhão de estrelas da Via Láctea, mas o satélite só conseguiu determinar com precisão a distância de dois milhões de estrelas.
Satélite europeu cria censo galáctico com 1,7 bilhão de estrelas da Via Láctea
"Foi só um aperitivo", disse à AFP Frédéric Arenou, pesquisador do CNRS no Observatório de Paris-PSL.
"Agora, é um verdadeiro espetáculo de fogos de artifício", estimou François Mignard, diretor de pesquisa emérito do CNRS, responsável pela equipe francesa em Gaia.
"Conhecendo a distância destas estrelas, conheceremos seu brilho intrínseco, conheceremos sua idade, sua evolução", explicou Frédéric Arenou.