Monthly Archives: Abril 2016

Astronomia: Planeta 9 pode ter sido “adotado”

Hipotético nono planeta do Sistema Solar pode ter sido “adotado”, dizem cientistas.

O FRENESI
No começo do ano, quando Mike Brown e Konstantin Batygin apresentaram evidências de que deve haver um nono planeta no Sistema Solar, a comunidade astronômica entrou num frenesi que não se via desde o fim do século 19. Pode mesmo haver um novo mundo a ser descoberto lá fora, além de Netuno?

NA PERIFERIA
Segundo os cálculos, o tal planeta 9 deve estar numa órbita bem oval, que no entanto nunca o traz para as regiões mais internas do Sistema Solar. Em sua máxima aproximação, estaria seis vezes mais distante do Sol que Netuno. No ponto de máximo afastamento, bem mais longe que isso.

A CAÇADA E O MISTÉRIO
Enquanto alguns pesquisadores já estão firmes na tarefa de tentar encontrar o planeta 9, outros se fazem uma pergunta ainda mais fundamental: como esse mundo pode ter parado onde está, numa órbita bem diferente da dos outros oito planetas? É um desafio para as teorias de formação planetária.

MUNDO EM FUGA
Uma possibilidade aventada é a de que o planeta 9 tenha se formado mais perto do Sol e então tenha sido atirado para mais longe por uma passagem de raspão por algum dos outros planetas — como um estilingue gravitacional.

PLANETA ADOTADO
Outra, mais intrigante, sugere que o planeta 9 possa ter sido capturado pelo Sol e na verdade seja originário de um sistema planetário vizinho — um exoplaneta “adotado”. Como as estrelas costumam nascer em ninhadas, em meio a nebulosas, não faltariam oportunidades para uma surrupiada desse tipo no provável local de nascimento do Sol.

A VERDADE ESTÁ LÁ FORA
Essa possibilidade foi agora investigada por um trio de pesquisadores da Suécia e da França. Em artigo, eles descrevem simulações que mostram como poderia ter acontecido. Mas como saber se foi isso mesmo? Dizem eles que as órbitas de pequenos objetos residentes nos confins do Sistema Solar podem revelar se o planeta 9 é mesmo adotado ou nasceu junto com seus irmãos solares. A conferir.

 

https://mensageirosideral.blogfolha.uol.com/2016/04/25/astronomia-planeta-9-pode-ter-sido-adotado/

Saiba como funciona a inteligência artificial capaz de vencer de humanos

Há quase 20 anos, depois que o Deep Blue, um computador programado para jogar xadrez, venceu o campeão mundial Garry Kasparov, escrevi um artigo sobre porque os seres humanos ainda continuariam a ser os campeões de Go.

Jogador profissional de Go, o sul-coreano Lee Sedol enfrentou e perdeu do programa de inteligência artificial AlphaGo

Abordagens similares, mais artificiais que inteligentes, levaram a melhorias surpreendentemente velozes no reconhecimento de voz e de imagens, e também na participação em campeonatos de Go.

“Talvez ainda sejam necessários mais cem anos para que o computador ganhe uma partida de Go – ou ainda mais do que isso. Se uma pessoa razoavelmente inteligente aprender a jogar Go, em poucos meses irá ganhar de qualquer computador do mundo. Você não precisa ser um Kasparov”, afirmou o Dr. Piet Hut, astrofísico e entusiasta do Go do Instituto de Estudos Avançados de Princeton, Nova Jersey, em 1997.

Pelo menos era nisso que todo mundo acreditava. No mês passado, quando um programa de computador do Google chamado AlphaGo venceu o mestre Lee Se-dol em uma partida de Go, quis saber qual seria a reação de Hut. “Minha previsão estava completamente errada. Isso é impressionante”, me respondeu por e-mail.

Naquela época, seu pessimismo parecia fundamentado. Embora o Deep Blue tivesse sido treinado e programado pela IBM com alguns conhecimentos sobre o xadrez, sua vantagem residia especialmente na capacidade de realizar cálculos. A cada nova jogada, o Deep Blue fazia previsões rapidamente, explorando um labirinto de ataques e contra-ataques hipotéticos. Em seguida, o programa fazia o movimento que o algoritmo considerasse melhor. E nenhum cérebro humano seria capaz de pensar tão rápido.

Mas no caso do Go, um antigo jogo de tabuleiro famoso por sua complexidade, as infinitas opções de movimentos ainda são muito maiores do que a capacidade eletrônica de calcular. Portanto, a habilidade de realizar algo similar à intuição humana – ou seja, procurar e reagir a padrões – parecia ser fundamental e muito distante da realidade.

Traduções e fala

Outras atividades aparentemente impossíveis na época incluíam a capacidade de realizar traduções automáticas entre dois idiomas, ou de reconhecer a fala humana com precisão suficiente para o uso no dia a dia. Os cientistas da computação passaram décadas tentando resolver esses problemas.

Para muitas pessoas, o objetivo não era apenas criar uma inteligência artificial, mas compreender princípios profundos de sintaxe, semântica e fonética, ou até mesmo o que significa pensar.

Agora, qualquer pessoa com um smartphone ou laptop (conectado através da internet a uma nuvem de super-computação) é capaz de obter uma tradução rudimentar em inúmeros idiomas. Hoje é possível ditar ao invés de digitar. Além disso, os softwares de fotografia são capazes não só de organizar as fotos por data e localização, mas também pelo rosto das pessoas fotografadas.

Os resultados são imperfeitos e muitas vezes desajeitados, mas teriam sido assustadores em 1997. Afinal, o que aconteceu de lá para cá?

Naturalmente, os computadores se tornaram muito mais potentes. Entretanto, até mesmo as máquinas mais velozes ainda não são capazes de prever todos os movimentos possíveis em um jogo de Go. O sucesso nessa e em outras empreitadas depende da capacidade de aproveitar a velocidade de outras maneiras.

O grande avanço da tradução ocorreu quando deixamos de questionar o que realmente significa compreender um idioma e nos concentramos em encontrar uma tecnologia que fosse funcional. Os sistemas de tradução automática começam o processo com textos que já foram traduzidos por mentes humanas. Em seguida, ambas as versões são analisadas por um computador. Por meio de uma rápida comparação entre as duas, a máquina é capaz de compilar uma série de correlações estatísticas, associando termos e expressões com seus equivalentes em língua estrangeira.

Abordagens similares, mais artificiais que inteligentes, levaram a melhorias surpreendentemente velozes no reconhecimento de voz e de imagens, e também na participação em campeonatos de Go.

No caso do AlphaGo, algoritmos de aprendizado conhecidos como redes neurais profundas foram treinados por meio de uma base de dados que inclui milhões de jogadas realizadas por seres humanos no passado. Em seguida, o programa afiou seu conhecimento por meio de partidas extremamente velozes realizadas contra si mesmo.

A cada mudança no algoritmo, o programa foi se tornando mais apto a jogar. E assim, o AlphaGo finalmente venceu por meio de um método extremo de aprendizado que equivale à experiência de muitas vidas humanas, conhecido como busca em árvore Monte Carlo em função de sua capacidade de avaliar de forma randomizada um universo de movimentos possíveis.

Essa foi uma vitória tremenda. Mas os louros não devem ficar com um programa de computador e sim com todas as mentes humanas por trás de cada movimento. Ao final do campeonato em Seul, na Coreia do Sul, 15 pessoas subiram ao pódio. Elas representavam uma pequena fração de todas as pessoas envolvidas na invenção e execução de todas as tecnologias envolvidas. Lee Se-dol estava jogando contra um exército.

Em 1997 eu escrevi que “para jogar uma boa partida de Go, o computador precisaria ter a capacidade de reconhecer padrões sutis e complexos, tirando proveito do tipo de conhecido intuitivo que é a marca registrada da inteligência humana”. Continuei o texto dizendo que vencer um campeão de Go “seria um sinal de que a inteligência artificial estava realmente se tornando tão boa quanto a humana”.

Agora isso já não é mais verdade. Com a ajuda dos “grandes dados”, algoritmos de aprendizado engenhosos obtiveram conquistas impressionantes, alcançando o que muitos chamam de “intuição enlatada”. Porém, a inteligência artificial ainda está longe de alcançar a fluidez da mente humana.

“Os seres humanos podem aprender a reconhecer os padrões de um tabuleiro de Go – além de padrões relacionados aos rostos e à linguagem – e até mesmo os padrões dentro dos padrões”, afirmou Melanie Mitchell, cientista da computação na Universidade Estadual de Portland e do Instituto Santa Fe. “É isso o que fazemos o tempo todo, todos os dias. O AlphaGo é capaz de reconhecer apenas os padrões presentes em tabuleiros de Go, mas é incapaz de extrapolar essas informações – incluindo jogos similares ao Go, mas com regras diferentes. ”

“Além disso, são necessários milhões de exemplos práticos para que o AlphaGo aprenda a reconhecer os padrões, ao passo que os seres humanos precisam apenas de alguns”, prosseguiu ela.

Os cientistas da computação estão realizando experimentos com programas capazes de realizar generalizações com maior eficácia. Todavia, as redes neurais maleáveis presentes em nossas cabeças – moldadas ao longo de bilhões de anos de evolução e treinadas em um ambiente do tamanho do mundo – ainda são bastante eficazes na batalha contra computadores ultrarrápidos criados por equipes de seres humanos, programados para realizar uma única atividade e começando o jogo com uma vantagem tremenda.

“Foi um jogo infeliz, mas eu me diverti”, afirmou Se-dol durante a cerimônia de premiação. (Infelicidade e diversão – um computador não seria capaz de compreender isso). Ele acrescentou que a competição “mostrou claramente as minhas fraquezas, mas não as fraquezas da humanidade”.

Ao receber o troféu e as flores como prêmio de consolação, ele riu nervosamente e tropeçou no palco. Alguns dias depois, afirmou que queria uma revanche.

O Cometa, a coruja, e a Galaxia

Cometa C / 2014 S2 (Pan-Starrs) posa nesta imagem telescópica de 18 de abril junto com Messier.
Na verdade, compartilha a 1,5 grau amplo campo de visão com cenário bem conhecido no século 18, pelo famoso catálogo astronômico caça cometa, Outward Bound.

Varrendo os céus do norte, logo abaixo da Ursa Maior , o nosso visitante esta desaparecendo do Sistema Solar interior, com apenas de 18 minutos-luz de distancia do nosso planeta.

Na borda da galáxia espiral Messier 108 (canto superior direito) a uma distancia de 45 milhões de anos-luz de distância.

Uma nebulosa planetária com um envelhecimento com uma estrela na regiao central intensamente quente, Messier 97 esta apenas cerca de 12 mil anos-luz de distância, porém, ainda bem dentro de nossa própria galáxia a Via Láctea. Os astrônomos esperam que a órbi

O Comet, a coruja, eo Galaxy

O Comet, a coruja, eo Galaxy

ta do cometa Pan-Starrs para voltar ao Sistema Solar interior por volta do ano 4226 .

Nasa divulga novas imagens de misteriosos pontos luminosos de Ceres

A sonda Dawn, que orbitava a 385 quilômetros de Creres, registrou as crateras Haulani e Oxo
20/04/2

A Nasa divulgou novas imagens das crateras que formam os intrigantes pontos luminosos na superfície do planeta-anão Ceres. A cratera maior, chamada Haulani, tem 34 quilômetros de diâmetro e foi fotografada pela sonda Dawn, que orbitava a 385 quilômetros de distância do planeta-anão. De acordo com a agência espacial americana, existem evidências de que o impacto que formou a cratera na superfície de Ceres é recente.

Segundo a Nasa, existem evidências de que o impacto que formou a cratera na superfície de Ceres é recente

A sonda Dawn, que orbitava a 385 quilômetros de Creres, registrou as crateras Haulani e Oxo

“Haulani exibe perfeitamente as propriedades que esperaríamos de um impacto recente na superfície. O solo da cratera está livre de outros impactos e as cores contrastam com as partes mais antigas de Ceres”, disse Martin Hoffmann, um dos investigadores da missão Dawn, pesquisador do Instituto Max Planck para Pesquisa do Sistema Solar na Alemanha.

As imagens também capturaram a segunda cratera luminosa, chamada Oxo, com 10 quilômetros de diâmetro. De acordo com a Nasa, os pesquisadores da missão Dawn estão examinando as assinaturas de minerais dessa cratera, uma vez que apresentam características diferentes de outros locais de Ceres.

Estranhos pontos de luz – Astrônomos descobriram em março deste ano que os “estranhos” pontos de luz vindos do planeta anão Ceres acendem e desaparecem ao longo de um dia, como se funcionassem como um interruptor – mais um fator peculiar sobre o local. Utilizando um medidor de luz no Observatório Europeu do Sul (ESO, na sigla em inglês), a equipe liderada pelo pesquisador italiano Paulo Molaro, do Observatório Astronômico de Trieste (INAF), sugere que o fenômeno é resultado de material na superfície das crateras que evapora com o calor dos raios solares, liberando essa poeira que brilha. Ao anoitecer, a falta dos raios solares faz com que o material suma.

Segundo a Nasa, existem evidências de que o impacto que formou a cratera na superfície de Ceres é recente

Nasa divulga novas imagens de misteriosos pontos luminosos de Ceres

Ceres não é órfão; cientistas brasileiros encontram família do planeta-anão

O planeta-anão Ceres é famoso por ser o maior corpo de um cinturão de asteroides que fica entre Marte e Júpiter. Por seu tamanho, cientistas acreditam que deveria existir uma “família” de fragmentos originados de colisões que aconteceram em Ceres ao longo dos últimos bilhões de anos, mas não existiam pistas que confirmassem essa hipótese. Até agora.

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Ceres não é órfão; cientistas brasileiros encontram família do planeta-anão

Pesquisadores da Unesp (Universidade Estadual Paulista), com colaboração de cientistas do Instituto de Pesquisa Southwest, nos EUA, encontraram vestígios de uma antiga e dispersa família do planeta-anão. A descoberta se trata de um conjunto de 156 asteroides em uma região primitiva do cinturão. Esses asteroides têm características que indicam, segundo os cientistas, que eles podem ser fragmentos de Ceres.

De acordo com pesquisadores, é comum que asteroides do tamanho de Ceres (900 km de diâmetro) tenham famílias reconhecidas, como é no caso de Hygiea e Euphrosyne. Por isso eles buscam pelos “familiares” do planeta-anão.

Estima-se que colisões com outros objetos ao longo dos últimos 4,5 bilhões de anos geraram pelo menos dez crateras com mais de 300 km de diâmetro em Ceres, o que mostra que o planeta-anão perdeu material suficiente para formar ao menos duas famílias.

Provas circunstaciais
Os cientistas também analisaram dados de observação da sonda espacial Dawn, lançada pela Nasa (Agência Espacial Norte-Americana) em 2007 para examinar o Ceres. Os relatórios corroboraram para a estimativa de fragmentos desprendidas do planeta-anão ao mostrar que ao menos duas crateras com 280 km de diâmetro foram formadas nos últimos 2 bilhões de anos na superfície de Ceres.

Os resultados das análises indicaram que 156 objetos na região apresentam fotometria compatível com asteroides do tipo C, como Ceres. Além disso, os estudos estatísticos realizados pelos pesquisadores também indicaram que a distribuição em inclinações desses objetos é compatível como sendo originados do planeta-anão.

“Ainda não há uma prova definitiva de que exista uma família de Ceres, porque ainda não foram obtidos espectros completos para confirmar a classificação. Mas há provas circunstanciais bastante fortes”, afirmou Valério Carruba, professor da Unesp de Guaratinguetá e principal autor do estudo.

O revolucionário projeto de viagem interestelar apoiado por Stephen Hawking para tentar ‘salvar a humanidade’

Pesquisa envolve o desenvolvimento de uma nave espacial do tamanho de um chip eletrônico.

O físico Stephen Hawking anunciou apoio a um projeto que pretende enviar uma pequena nave espacial – do tamanho de um chip usado em equipamentos eletrônicos – para uma viagem interestelar daqui a uma geração.
O veículo viajaria trilhões de quilômetros, muito mais distante do que qualquer outra nave.

Para Hawking, 'avanços tecnológicos das últimas duas décadas tornarão (viagem interestelar) possível dentro de uma geração' (Foto: BBC)

Para Hawking, ‘avanços tecnológicos das últimas duas décadas tornarão (viagem interestelar) possível dentro de uma geração’ (Foto: BBC)

Um programa de pesquisa de US$ 100 milhões (cerca de R$ 350 milhões) para o desenvolvimento das “naves estelares” do tamanho de pequenos chips eletrônicos foi lançado pelo milionário Yuri Milner e apoiado pelo fundador do Facebook, Mark Zuckerberg.
A viagem interestelar tem sido um sonho para muitos, mas ainda enfrenta muitas barreiras tecnológicas. Entretanto, Hawking disse à BBC News que a fantasia pode ser realizada mais cedo do que se pensa.
“Para que nossa espécie sobreviva, precisamos finalmente alcançar as estrelas”, disse. “Os astrônomos acreditam que haja uma chance razoável de termos um planeta parecido com a Terra orbitando um estrelas no sistema Alfa Centauri. Mas saberemos mais nas próximas duas décadas por intermédio de dados dos nossos telescópios na Terra e no espaço”.
Ainda de acordo com Hawking, “os avanços tecnológicos das últimas duas décadas e os avanços futuros tornarão (a viagem interestelar) possível dentro de uma geração”.
O físico está apoiando um projeto da Fundação Mr. Milner’s Breakthrough, uma organização privada que financia iniciativas de pesquisas científicas consideradas muito ambiciosas por fundos governamentais.
Grupo de trabalho
A organização reuniu um grupo de cientistas especialistas no assunto para avaliar a possibilidade de desenvolver naves espaciais capazes de viajar para outros sistemas estelas dentro de uma geração e ainda enviar informações de volta à Terra.
O sistema estelar mais próximo está distante 40 trilhões de quilômetros. Com a tecnologia disponível atualmente, chegar lá levaria cerca de 30 mil anos.
O grupo concluiu que com um pouco mais de pesquisa e desenvolvimento seria possível projetar uma aeronave espacial que reduziria esse tempo para somente 30 anos.

O físico acredita que a viagem interestelar será possível em 30 anos

BBC
12/04/2016 16h15 – Atualizado em 12/04/2016 16h15
O revolucionário projeto de viagem interestelar apoiado por Stephen Hawking para tentar ‘salvar a humanidade’

“Eu disse anteriormente que até poucos anos atrás viajar para outras estrelas nesse tipo de velocidade seria impossível”, disse o cientista Pete Worden, que lidera o projeto. Ele é o presidente da Fundação Breakthrough Prize e ex-diretor do centro de pesquisas Nasa Ames, no Vale do Silício, na Califórnia.
“Mas o grupo de especialistas descobriu que, por causa dos avanços em tecnologia, parece haver um conceito que pode funcionar”.
Esse conceito é reduzir o tamanho da aeronave para o de um chip usado em equipamentos eletrônicos. A ideia é lançar milhares dessas “mininaves” na órbita da Terra. Cada um teria um navegador solar.
Seria como uma vela em um barco – mas o sistema seria impulsionado pela luz, em vez de vento. Um laser gigante na Terra daria a cada uma das naves um poderoso empurrão que as ajudaria a alcançar 20% da velocidade da luz.
Tudo isso soa como ficção científica, mas Yuri Milner acredita que é tecnicamente possível desenvolver essa nave espacial e chegar a outro sistema estelar ainda nos próximos anos.
“A história humana tem grandes saltos. Há exatos cinquenta anos, Yuri Gagarin se tornou o primeiro homem no espaço. Hoje estamos nos preparando para o próximo salto: as estrelas”, disse o milionário.
Trabalho desafiador
Mas antes de projetar naves espaciais capazes de chegar a outras estrelas, há muitos problemas a serem superados.
Uma prioridade é desenvolver câmeras, instrumentos e sensores em miniatura capazes de caber em um chip, assim como projetar um navegador solar forte o suficiente para ser atingido por um laser poderoso por vários minutos e encontrar uma forma de captar imagens e informações do novo sistema estelar para serem enviados de volta à Terra.
O professor Martin Sweeting, pesquisador do Centro espacial de Surrey, na Inglaterra, e presidente da empresa de engenharia espacial especializada em pequenos satélites Surrey Satellite Technology, quer se envolver no projeto.
Ele fundou a empresa há 30 anos e foi responsável pela redução de custo e de tamanho dos satélites.
“Muito do que fizemos nos anos 80 foi considerado muito maluco, mas agora pequenos satélites estão na moda. Esse projeto (de viagem interestelar) parece uma ideia de maluco, mas novas tecnologias surgiram e agora isso não é mais maluquice, é só difícil”, disse ele à BBC News.
Andrew Coates, do laboratório de ciência espacial Mullard, que é parte da Universidade de Londres, concorda que o projeto é desafiador, mas não impossível.
“Teríamos muitas dificuldades a resolver, como mecanismos de resistência à radiação espacial e ao ambiente empoeirado, a sensibilidade dos instrumentos, a interação entre o poder dos lasers que impulsionariam as naves e atmosfera da Terra, a estabilidade na nave espacial e o fornecedor de energia”, afirma.
Mas, segundo ele, “devemos olhar com atenção para esse conceito se realmente quisermos alcançar outro sistema estelar dentro de uma geração”.
Stephen Hawking acredita que o que antes era um sonho distante epode e deve se tornar uma realidade dentro de três décadas.
“Não há alturas mais altas a serem alcançadas do que as estrelas. Não é sábio manter todos os novos ovos em uma cesta frágil”, disse ele. “A vida na Terra enfrenta perigos astronômicos como asteroides e supernovas”.

Adão e Eva: o planeta poderia ser povoado a partir de apenas um casal?

Se sobrasse apenas um casal na Terra, ele seria capaz de povoá-la? Se você já se fez essa pergunta, não é o único. Cientistas de diversas épocas já questionaram o assunto, que permanece controverso, pois, obviamente, não será possível fazer a experiência na prática.

Adão e Eva: o planeta poderia ser povoado a partir de apenas um casal?

Adão e Eva: o planeta poderia ser povoado a partir de apenas um casal?

O pesquisador de genética de populações da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Waldir Stefano, acredita que é possível, mas lembra que a primeira condição para que isso ocorra é que o casal seja fértil. “É possível, mas não é fácil”, ressalta.

Isso porque o casal teria pouca variabilidade genética, o que está relacionado com diversos problemas. Um estudo feito com crianças nascidas na Tchecoslováquia entre 1933 e 1970 mostrou que quase 40% daquelas cujos pais eram parentes de primeiro-grau tinham graves deficiências –14% morreram por conta de alguma delas.

Segundo Stefano, com o passar do tempo, essa variabilidade aumentaria, mas tudo depende de para que lado iria o processo de seleção natural. Ele explica que ao longo dos anos, mutações ocorrem no DNA dos descendentes e, caso as mutações vantajosas para a sobrevivência prevaleçam, a chance de povoar o planeta novamente é grande.

Existem exemplos de colonização com pequenas populações iniciais, como a do Havaí, em que havia muita consanguinidade e foi bem-sucedida

Waldir Stefano, professor de genética

E quando há problemas?
No entanto, as mutações que aparecem podem trazer desvantagens para os indivíduos. Há casos, como algumas famílias reais europeias, em que as mutações desvantajosas chegaram a causar esterilidade nos descendentes.

Stefano cita o livro “As Sete Filhas de Eva”, escrito por Bryan Sykes, professor de genética da Universidade de Oxford. “A obra mostra o estudo do DNA mitocondrial, que é herdado da mãe. Os pesquisadores chegam a sete grandes matrizes de ascendentes na Rússia”, diz. “Antes dessas sete, provavelmente havia menos ainda”.

Ele explica que, como o gameta feminino (óvulo) é muito maior que o gameta masculino (espermatozoide), quando o zigoto é formado, as mitocôndrias (responsável por “fabricar” a energia das células) são iguais às da mãe. O professor lembra que há doenças transmitidas geneticamente pelas mitocôndrias, como a doença de Leber, que provoca cegueira entre os 40 e 50 anos.

Quanto tempo seria necessário
Na grande parte das vezes, as variações do material genético não trazem grande efeito no fenótipo (características visíveis, como cor dos cabelos e dos olhos) e não são percebidas de imediato. Se trouxerem vantagens maiores para a sobrevivência dos descendentes, serão passadas adiante. “A grande questão é em que período de tempo isso poderia acontecer”, disse referindo-se a quantos anos seriam necessários para que os descendentes de um casal gerassem uma população de 7 bilhões de pessoas.

Em 2002, o antropólogo John Moore publicou um estudo pela Nasa em que estima que seriam necessárias 160 pessoas para dar início a uma população estável para um novo planeta. O estudo partiu do modelo de pequenos grupos migratórios antigos da humanidade.

Ele recomendava começar com casais jovens sem filhos e sem genes recessivos perigosos. No caso, o número usado no cálculo vale para uma viagem no espaço permite 200 anos de isolamento antes da volta à Terra, quando as pessoas teriam novamente contato com maior variabilidade genética.

Stefano lembra ainda que o próprio Charles Darwin, no livro ‘A Origem das Espécies’, brincou com uma conta parecida à de Adão e Eva. Se nada causasse a morte de um casal de elefantes enquanto eles vivessem, quantos descendentes eles teriam em 700 milhões de anos? Além disso, os descendentes também não poderiam morrer logo, ou seja, trata-se de uma conta bem hipotética. A gestação de um elefante dura dois anos e a expectativa de vida desses animais é de cem anos. Assim, Darwin calculou 19 mil descendentes daquele casal no período de tempo avaliado.

Apesar da seleção natural, você carrega sinais da evolução em seu corpo

Você já deve ter notado, ao flexionar a mão para dentro, que “salta” do punho um tendão minúsculo, um feixe cartilaginoso com pouco mais de três centímetros entre o punho o antebraço.

Essa é a parte visível do músculo palmar longo, que já foi muito útil para que nossos ancestrais subissem ou se pendurassem em árvores mas que hoje não tem utilidade funcional – a ponto de 1 bilhão de pessoas no mundo simplesmente não ostentarem o músculo na sua estrutura óssea, sem qualquer prejuízo à sua vida. (Lembrando que somos mais de 7 bilhões no mundo).

Esse músculo salta no seu braço?

Esse músculo salta no seu braço?

Assim como o palmar longo, outros “vestígios” da evolução podem ser facilmente encontrados em qualquer corpo humano: o músculo eretor dos pelos que nos provoca arrepios, os dentes de siso (conhecidos como terceiros molares), o apêndice, o tubérculo de Darwin, o músculo plantar. Todos aparentemente sem utilidade, mas que um dia foram importantes para ancestrais do homem.

Mas, se não têm mais utilidade, por que os órgãos vestigiais, como a Ciência denomina essas estruturas, não desapareceram do corpo humano

O professor Nélson Rosa Fagundes, do departamento de Genética da UFRGS, prefere atribuir a esses elementos uma característica “neutra” – e não desvantajosa. O pesquisador explica que a evolução se preocupa mais com o sucesso reprodutivo do que com a qualidade de vida dos indivíduos, ou seja, a seleção natural favorece a produção de uma prole fértil em detrimento de uma vida feliz.

“No jargão da biologia evolutiva, adaptação e reprodução são virtualmente sinônimos. Então, o fato de que não se use ou, ao contrário, se use mais determinadas estruturas não faz com que elas se modifiquem, a menos que seja via seleção natural”, explica. Elas mudam quando as variações morfológicas, cientificamente tratadas como fenotípicas, apresentam uma vantagem adaptativa para os indivíduos.

Tubérculo de Darwin é essa parte da sua orelha, que algumas pessoas conseguem até mexer

Tubérculo de Darwin é essa parte da sua orelha, que algumas pessoas conseguem até mexer

Nesse caso, é evidente que o fenótipo vantajoso será transmitido naturalmente para as gerações futuras, desde que haja uma base genética capaz dessa transmissão. Mas, no segundo caso, a seleção natural não tem muito o que fazer com o futuro da população. Aí entram alguns órgãos vestigiais: como não apresentam vantagem competitiva, são menos afetados pelo processo de seleção natural. Por serem neutras, não são afetadas.

 

“O principal fator capaz de mudar o perfil fenotípico, quando não há vantagem aparente, é o acaso. Ter ou não ter pelos no corpo, ou siso, não afeta a adaptação do indivíduo ao meio e, portanto, não afeta a maneira como se reproduz. Aqui é importante observar: evolução não é apenas seleção natural ou adaptação. Essas características “inócuas” estão sendo afetadas por processos evolutivos, como a deriva genética, que são fruto do acaso”, sustenta.

A coluna vertebral é um bom exemplo de como a seleção natural se processa. Nosso bipedalismo é anterior à espécie humana e foi uma pré-adaptação à transformação das florestas africanas em savanas – com as mãos livres e sem necessidade de subir em árvores, sobreviveu quem se adaptou a esse ambiente.

Em quase cinco milhões de anos, a anatomia tratou de adaptar a estrutura óssea da coluna humana para suportar a pressão de andar sobre as patas traseiras – o formato em S e a ossatura pélvica reforçada, por exemplo.

Apêndice

Apêndice

Mas problemas modernos decorrentes dessa condição, como a hérnia de disco, não foram tratados pela evolução. “O fato de estarmos totalmente bípedes há ‘apenas’ alguns milhões de anos certamente tem algum impacto sobre a coluna, mas para que a evolução atue teríamos que pensar que existem pessoas mais ou menos resistentes às dores, que isso pode ser herdável e, mais importante, que as pessoas com menos dores, que seriam as mais adaptadas, sejam aquelas que têm mais filhos”, argumenta o professor.

Como essas condições não estão presentes, continuamos sentindo a genérica “dor nas costas”. Da mesma forma, não existe nenhum bom motivo pra garantir que cada vez menos gente tenha o siso. “Existe quem não tem nenhum, quem tem os quatro e todas as variantes possíveis. Por quê? Porque dificilmente isso irá afetar a sobrevivência e a reprodução. O siso só vai desaparecer se esperarmos tempo suficiente e se a deriva genética causar essa modificação. Isso é tão provável quanto, por acaso, todos voltarmos a ter os quatro sisos”, completa.

Outro vestígio evolutivo são os milhões de músculos eretores dos pelos humanos. O pesquisador em biomedicina e especialista em evolução da Universidade Tiradentes, José Carneiro Ribeiro Neto, explica que o Homo ergaster – ancestral do homem que viveu até cerca de 250 mil anos trás – foi um dos primeiros hominídeos a perder a pelagem para se adaptar aos ambientes quentes e úmidos da África. Isso há cerca de 1,5 milhão de anos.

“Mesmo em temperaturas altíssimas, o ergaster percorria grandes distâncias a uma boa velocidade porque desenvolveu o melhor sistema de arrefecimento até então, composto por um nariz longo que umedecia o ar e um corpo com poucos pelos que deixava o calor escapar facilmente. Enquanto outros hominídeos se sentavam à sombra para suportar o clima, nosso ancestral pelado podia andar em busca de alimento”, explica.

Mas os músculos eritores, mesmo com a drástica diminuição dos pelos, continuam presentes no corpo humano. Funcionam, a ponto de nos arrepiar em situações de medo ou nos dias de muito frio. Só que, para solucionar esse problema, a cultura inventou o agasalho.20

Alguns vestígios da evolução

  • Músculo palmar longo – se estende do ombro até metade da mão e, em ancestrais humanos, servia para escalar árvores e se locomover entre galhos. Hoje, 12% das pessoas já nascem sem ele, sem prejuízo algum à qualidade de vida
  • Músculo eretor dos pelos – cada pelo do nosso corpo está ligado a um músculo, que servia, entre ancestrais humanos mais peludos que nós, para eriçá-los em busca de isolamento térmico ou para intimidar predadores e outros inimigos
  • Dentes de siso (ou terceiro molar) – serviam para mastigar e triturar estruturas alimentares mais rígidas, como raízes, e reduzir o impacto do alimento na digestão. Atualmente, apenas cerca de 5% da população nasce com os quatro sisos
  • Apêndice – preso ao intestino, é um pequeno tubo que atualmente fabrica uma pequena quantidade de células brancas para o organismo. No passado ancestral, era o local da digestão da celulose – ingerida em abundância por espécies precursoras do homem
  • Músculos extrínsecos do pavilhão auricular – Normalmente encontrado em cães e coelhos, é um vestígio importante de como a audição era um sentido importante entre ancestrais. Permite mover as orelhas, melhorando a capacidade auditiva. Menos de 5% da população consegue hoje ter controle sobre essa musculatura
  • Músculo plantar – vai do joelho até o pé e ajudava nossos descendentes antigos a manipular objetos com os pés. Sem utilidade, atualmente é muito usado para reconstrução de tecido muscular. Cerca de 9% da população nasce sem ele

 

 

Telescópio da Nasa enfrenta problemas a milhões de quilômetros da Terra

Kepler deveria voltar suas lentes para a Via Láctea e observar estrelas, mas não realizou a operação e entrou em “modo de emergência”

O último contato com o telescópio Kepler aconteceu no último dia 4 de abril e, na ocasião, a nave operava corretamente

O último contato com o telescópio Kepler aconteceu no último dia 4 de abril e, na ocasião, a nave operava corretamente

O telescópio Kepler, da Nasa, está em “modo de emergência” a 120 milhões de quilômetros da Terra, informou a agência espacial americana no domingo. Os engenheiros da Nasa descobriram que Kepler estava passando por dificuldades e se encontrava no nível operacional mais baixo da nave, conforme afirmou o chefe da missão do telescópio, Charlie Sobeck. “Tirar a nave do estado de emergência é uma prioridade para nossa equipe neste momento”, ressaltou o cientista.
A equipe encarregada por Kepler, que procura planetas habitáveis no espaço, estava enviando comandos para que o telescópio se voltasse para a Via Láctea, para observar milhões de estrelas em nossa galáxia. Kepler, no entanto, não foi capaz de se movimentar e entrou em estado de emergência. Apesar dos esforços, a grande distância que separa o telescópio da Terra dificulta os contatos e os torna muito lentos. Mesmo à velocidade da luz, um sinal demoraria 13 minutos para chegar até Kepler e voltar, segundo a Nasa.

Missões – O último contato com o telescópio aconteceu no último dia 4 de abril e, na ocasião, a nave operava corretamente. Kepler completou sua primeira missão espacial em 2012 e, desde então, alertou à Nasa sobre a existência de 5.000 planetas fora do sistema solar, dos quais a agência já pôde confirmar 1.000.

Em 2014 o telescópio começou uma nova missão chamada “K2”. Além de buscar planetas fora do sistema solar, a missão também tenta identificar estrelas jovens, supernovas e outros corpos astronômicos.

Entre as maiores conquistas de Kepler está a descoberta em 2015 do “primo da Terra”, nome com o qual a Nasa batizou o primeiro planeta descoberto em uma zona habitável na órbita de uma estrela similar ao sol, o que transforma este corpo em um dos melhores candidatos para abrigar vida extraterrestre.