Category Archives: Instrumentos Astronômicos

Astrônomos captam imagem detalhada do aglomerado estelar a 5.500 anos luz da Terra

Foto mostra o aglomerado de estrelas RCW 38 e suas nuvens de gás brilhantes

Astrônomos captam imagem detalhada do aglomerado estelar a 5.500 anos luz da Terra

Uma equipe de astrônomos conseguiu captar uma imagem detalhada e colorida do aglomerado de estrelas RCW 38, situado na constelação de Vela, a 5.500 anos luz de distância da Terra, com ajuda do sistema de ondas infravermelhas HAWK-I, informou o Observatório Europeu do Sul (ESO, na sigla em inglês).

O dispositivo de ondas infravermelhas, instalado no telescópio de longo alcance (VLT, na sigla em inglês) situado em Paranal, no Chile, permitiu uma imagem nítida que mostra o aglomerado estelar jovem cercado de nuvens de gás, intensamente brilhante e detalhado, junto com traços de poeira escura em formato de videira em torno do núcleo.

A imagem revela uma região central tingida de azul e habitada por várias estrelas jovens, quentes e massivas, assim como estrelas que ainda estão em formação.

A radiação que as estrelas emitem faz com que o gás circundante brilhe de forma intensa, em contraste com as correntes de pó cósmico, mais frio, que atravessam a região e brilham em tons escuros de vermelho e laranja.

Apesar de existirem imagens anteriores dessa região, estas foram obtidas mediante longitudes de onda da categoria visível, o que proporciona imagens com menos corpos estelares, pois a poeira e o gás bloqueiam a visão do aglomerado.

O HAWK-I, pelo contrário, permite olhar através das camadas de poeira por intermédio de observações com infravermelho, o mesmo sistema utilizado para obter imagens de galáxias próximas, grandes nebulosas, estrelas individuais e exoplanetas.

Para conseguir uma imagem nítida, teve papel importante o módulo de óptica adaptativa GRAAL, que projeta quatro raios laser no céu noturno que atuam como estrelas artificiais de referência para corrigir os efeitos da turbulência atmosférica.

A imagem foi captada como parte de um conjunto de observações de teste, conhecido como verificação científica, de ambos os dispositivos, instalados no telescópio de longo alcance.

O Observatório Europeu do Sul é uma organização intergovernamental de ciência e tecnologia e opera a partir de três lugares que se destacam por sua qualidade para a observação no Deserto do Atacama chileno: La Silla, Paranal e Chajnantor.

O VLT é um conjunto de quatro “telescópios unitários”, cada um com um espelho primário de 8,2 metros de diâmetro, com os quais é possível obter imagens de corpos celestes apenas visíveis a uma magnitude de 30, o que equivale a ver objetos cuja luminosidade é 4 bilhões de vezes mais fraca que daqueles que podem ser vistos a olho nu.

Astrônomos identificam origem de partícula que pode ajudar a contar a história do Universo

Equipe internacional de cientistas detecta fonte de neutrinos de alta energia; emissão das partículas subatômicas elementares encontradas no Polo Sul vem de um corpo celeste localizado a 3,7 bilhões de anos-luz da Terra, na Constelação de Órion.

Equipe internacional de cientistas detecta fonte de neutrinos de alta energia; emissão das partículas subatômicas elementares encontradas no Polo Sul vem de um corpo celeste localizado a 3,7 bilhões de anos-luz da Terra, na Constelação de Órion.

Astrônomos identificam origem de partícula que pode ajudar a contar a história do Universo

A cada segundo, cerca de 65 bilhões de neutrinos atravessam seu corpo e tudo o que está em volta na Terra sem deixar quase nenhum vestígio. Os cientistas já conheciam duas fontes dessa “partícula fantasma”: o Sol e as supernovas, que são as grandes explosões de estrelas gigantes. Agora, também foram detectados na Terra neutrinos vindos de um blazar –objeto celestial que concentra grande quantidade de energia e que está associado a um buraco negro.

Dois estudos publicados na revista Science nesta quinta-feira (12) trazem detalhes da descoberta. Os pesquisadores que participaram dos estudos analisaram dados coletados pelo observatório de neutrinos IceCube, localizado na Antártida.

Em 2013, o IceCube detectou um tipo de neutrino de alta energia. Os cientistas iniciaram então uma busca pela fonte dessa partícula. Em setembro de 2017, nova detecção revelou que a direção por onde chegavam os neutrinos na Terra é consistente com a posição do blazar TXS 0506+056. Esse objeto astronômico poderosamente energético produz um jato direcionado para a Terra enquanto seu material cai no buraco negro a ele associado.

Motivados por esta descoberta, os cientistas fizeram um levantamento de registros de neutrinos detectados pelo IceCube durante quase dez anos antes das recentes observações, encontrando diversos eventos vindos da direção onde está o blazar TXS 0506+056.

Partículas extremamente leves

Os neutrinos são partículas subatômicas muito mais leves que os elétrons e que interagem de maneira muito frágil com a matéria comum. Contudo, são abundantes no Universo. Além de se originarem no Sol, os neutrinos podem ser produzidos em reatores nucleares, em explosões atômicas e no decaimento de elementos radioativos.

No IceCube existem detectores de neutrinos enterrados em profundidades entre 1,5 km e 2,5 km. O estudo dos neutrinos é importante para que se possa entender questões fundamentais da composição do Universo, como sua massa, por exemplo.

Uma nova era de pesquisas especiais se inaugura nesta quinta-feira (12). Isso porque uma equipe internacional de astrônomos descobriu a fonte de neutrinos de alta energia encontrados no Polo Sul – e esta partícula misteriosa abre uma oportunidade para contar a história e esclarecer enigmas do próprio Universo.

A descoberta está na edição desta quinta da revista “Science” e foi divulgada em coletiva de imprensa na sede da National Science Foundation, em Alexandria, Virginia (EUA).

“Neutrinos de alta energia realmente nos fornecem uma nova janela para observar o Universo”, comenta o físico Darren Grant, da Universidade de Alberta, em entrevista à BBC News Brasil.

Astrônomos identificam origem de partícula que pode ajudar a contar a história do Universo

Cientistas acham fonte de “partículas fantasmas” que atravessam a Terra

Grant é um dos mais de 300 pesquisadores de 49 instituições que integram o grupo IceCube Collaboration – responsável pela descoberta. “As propriedades dos neutrinos fazem deles um mensageiro astrofísico quase ideal. Como eles viajam de seu ponto de produção praticamente desimpedidos, quando são detectados, podemos analisar que eles transportaram informações de sua origem.”

Os neutrinos são partículas subatômicas elementares, ou seja, não há qualquer indício de que possam ser divididas em partes menores. São emitidos por explosões estelares e se deslocam praticamente à velocidade da luz.

Instalado no Polo Sul e em operação desde 2010, o IceCube é considerado o maior telescópio do mundo – mede um quilômetro cúbico. Levou dez anos para ser construído e fica sob o gelo antártico.

O IceCube consiste em um conjunto de mais de 5 mil detectores de luz, dispostos em uma grade e enterrados no gelo. É um macete científico. Quando os neutrinos interagem com o gelo, produzem partículas que geram uma luz azul – e, então, o aparelho consegue detectá-los. Ao mesmo tempo, o gelo tem a propriedade de funcionar como uma espécie de rede, isolando os neutrinos, facilitando sua observação.

Partícula é segredo do Universo
Desde a concepção do projeto, os cientistas tinham a intenção de monitorar tais partículas justamente para descobrir sua origem. A ideia é que isso dê pistas sobre a origem do próprio Universo. E é justamente isso que eles acabam de conseguir.

Os pesquisadores já sabem que a origem de neutrinos observados na Antártica são um blazar, ou seja, um corpo celeste altamente energético associado a um buraco negro no centro de uma galáxia. Este corpo celeste está localizado a 3,7 bilhões de anos-luz da Terra, na Constelação de Órion.

“Eis a descoberta-chave”, explica Grant. “Trata-se das primeiras observações multimídia de neutrinos de alta energia coincidentes com uma fonte astrofísica, no caso, um blazar. Esta é a primeira evidência de uma fonte de neutrinos de alta energia. E fornece também a primeira evidência convincente de uma fonte identificada de raios cósmicos.”

Cientistas acham fonte de "partículas fantasmas" que atravessam a Terra

Astrônomos identificam origem de partícula que pode ajudar a contar a história do Universo

Conforme afirma o físico, a novidade é a introdução, no campo da astronomia, de uma nova habilidade para “ver” o universo. “Este é o primeiro passo real para sermos capazes de utilizar os neutrinos como uma ferramenta para visualizar os processos astrofísicos mais extremos do universo”, completa Grant.

“À medida que esse campo de pesquisa continua se desenvolvendo, também deveremos aprender sobre os mecanismos que impulsionam essa partículas. E, um dia, começaremos a estudar essa partícula fundamental da natureza em algumas das energias mais extremas imagináveis, muito além daquilo que podemos produzir na Terra.”

“Esta identificação lança um novo campo da astronomia de neutrinos de alta energia, e esperamos que traga avanços emocionantes em nossa compreensão do Universo e da física, incluindo como e onde essas partículas de energia ultra-alta são produzidas”, afirma o astrofísico Doug Cowen, da Universidade Penn State. “Por 20 anos, um dos nossos sonhos era identificar as fontes de neutrinos cósmicos de alta energia. Parece que finalmente conseguimos.”

Mapeando o desconhecido
Foram décadas em que astrônomos de todo o mundo procuraram detectar os chamados neutrinos cósmicos de alta energia, em tentativas frustradas de compreender onde e como essas partículas subatômicas são geradas com energias de milhares a milhões de vezes maiores do que as alcançadas no planeta Terra.

O IceCube conseguiu detectar pela primeira vez neutrinos do tipo em 2013. A partir de então, alertas eram disparados para a comunidade científica a cada nova descoberta. A partícula-chave, entretanto, só veio em 22 de setembro de 2017: o neutrino batizado de IceCube-170922A, com a impressionante energia de 300 trilhões de elétron-volts demonstrou aos cientistas uma trajetória.

“Apontando para um pequeno pedaço do céu na constelação de Órion”, relata a astrofísica Azadeh Keivani, da Universidade Penn State, coautora do artigo publicado pela Science. Tão logo a partícula foi identificada, de forma coordenada e automatizada, quatorze outros observatórios do mundo passaram a unir esforços para identificar sua origem, com telescópios de espectroscopia nuclear e observações de raio-X e ultravioleta.

Todos os dados gerados foram analisados pelo grupo internacional de cientistas até a conclusão de que a fonte era o buraco negro supermassivo a 3,7 bilhões de anos-luz da Terra.

Essa distância do planeta significa que as informações carregadas pelo neutrino são de 3,7 bilhões de anos atrás, supondo que o mesmo tenha viajado à velocidade da luz. Nesse ponto, compreender tais propriedades é como olhar para os confins do passado do Universo – atualmente, acredita-se que o Big Bang tenha ocorrido há 13,8 bilhões de anos.

Após concluir a origem do neutrino IceCube-170922A, os cientistas vasculharam os dados arquivados pelo detector de neutrinos e concluíram que outros 12 neutrinos identificados entre 2014 e 2015 também eram oriundos do mesmo blazar. Ou seja: há a possibilidade de comparar partículas com a mesma origem, aumentando assim a consistência da amostra.

De acordo com os cientistas do IceCube, essa detecção inaugura de forma incontestável a chamada “astronomia multimídia”, que combina a astronomia tradicional – em que os dados dependem da ação da luz – com novas ferramentas, como a análise dos neutrinos ou das ondas gravitacionais.

“É um campo novo, empolgante e veloz. Que proporciona aos pesquisadores novos insights sobre a maneira como o Universo funciona”, analisa o astrofísico Phil Evans, da Universidade de Leicester.

Nasa encontra sistema com oito exoplanetas, assim como o nosso

A Nasa –agência espacial dos Estados Unidos– anunciou nesta quinta-feira (14) a descoberta de um oitavo exoplaneta no sistema Kepler-90, o que faz dele o conjunto de planetas mais parecido com o nosso Sistema Solar.

Nasa encontra sistema com oito exoplanetas, assim como o nosso

A nova descoberta foi realizada graças à tecnologia da Nasa e a seu telescópio Kepler, junto com a inteligência artificial proporcionada em parceria com o gigante tecnológico Google.

A nova descoberta foi realizada graças à tecnologia da Nasa e a seu telescópio Kepler, junto com a inteligência artificial proporcionada em parceria com o gigante tecnológico Google.

Conhecido como Kepler 90i, o novo mundo orbita uma estrela chamada Kepler 90, que é maior e mais quente do que o Sol e fica na constelação de Draco –a 2.500 anos-luz da Terra.

“O sistema estrelar Kepler-90 é como uma mini versão do nosso Sistema Solar. Você tem planetas pequenos dentro e grandes planetas fora, mas tudo está muito mais perto”, afirma Andrew Vanderburg, membro da Nasa e astrônomo da Universidade do Texas, nos Estados Unidos.

Sete dos exoplanetas – como são chamados os planetas existentes fora do Sistema Solar – já haviam sido descobertos antes em torno da Kepler 90. O Kepler 90i é o menor dos oito planetas até agora conhecidos nesse sistema alienígena. Apesar disso, é cerca de 30% maior do que a Terra e, por estar tão perto da sua estrela, a temperatura média de sua superfície pode chegar a 426ºC –similar a de Mercúrio em nosso sistema solar.

O novo exoplaneta dá uma volta em torno de sua estrela a cada 14,4 dias. A Terra, por sua vez, leva 365 dias para dar a volta em torno do Sol.

O planeta mais distante do sistema é o chamado de Kepler-90h, que orbita sua estrela a uma distância parecida a que separa a Terra do Sol.

A metodologia do telescópio espacial Kepler para descobrir novos planetas não se baseia na observação direta. Em vez disso, os sensíveis instrumentos do telescópio detectam minúsculas quedas periódicas no brilho de uma estrela, que ocorrem quando um planeta passa diante dela – é o que os astrônomos chamam de “trânsito”.

Com poluição luminosa, luzes de LED aumentam riscos de câncer e diabetes.

Acreditava-se que provocariam uma revolução energética, mas a popularidade das luzes de LED está gerando um aumento da poluição luminosa no mundo, com consequências nefastas para a saúde dos humanos e dos animais, disseram pesquisadores nesta quarta-feira.

Com poluição luminosa, luzes de LED aumentam riscos de câncer e diabetes.

Com poluição luminosa, luzes de LED aumentam riscos de câncer e diabetes.

O estudo, publicado na revista “Science Advances”, se baseia em dados de satélite que mostram que a noite na Terra está se tornando mais brilhante, e as áreas exteriores iluminadas artificialmente aumentaram a um ritmo anual de 2,2% entre 2012 e 2016.

Os especialistas dizem que isso é um problema porque as luzes noturnas interrompem nossos relógios biológicos e aumentam os riscos de câncer, diabetes e depressão.

Para os animais, podem ser fatais, seja atraindo insetos ou desorientando as aves migratórias e as tartarugas marinhas.

A questão não é apenas as luzes de LED, que são mais eficientes porque necessitam menos eletricidade para proporcionar a mesma quantidade de luz, explicou o autor principal Christopher Kyba, físico do centro alemão de pesquisa para geociências GFZ. O problema é que as pessoas continuam instalando cada vez mais luzes.

“Iluminamos coisas que não iluminávamos antes, como uma ciclovia em um parque ou uma estrada que leva aos arredores da cidade”, ilustrou. “Todos esses novos usos da luz compensam, até certo ponto, as economias que tivemos”.

O estudo se baseou no primeiro radiômetro projetado especialmente para luzes noturnas: o Visible/Infrared Imager Radiometer Suite (VIIRS), montado em um satélite da Administração Oceânica e Atmosférica (NOAA) dos Estados Unidos que orbita a Terra desde outubro de 2011.

“Com poucas exceções, o aumento na iluminação ocorreu na América do Sul, África e Ásia”, apontou o estudo.

As raras reduções foram observadas em lugares afetados por conflitos, como a Síria e o Iêmen.

Algumas das zonas mais brilhantes do mundo, como Itália, Holanda, Espanha e Estados Unidos, eram relativamente estáveis.

Os pesquisadores também advertiram que os dados do satélite provavelmente subestimaram a iluminação geral, porque não foi possível captar os comprimentos de onda azuis que são proeminentes em muitas luzes de LED.

O excesso de luz noturna danifica os habitats naturais e torna impossível a observação de estrelas. Além disso, custa quase sete bilhões de dólares por ano em “impactos negativos na vida silvestre, na saúde, na astronomia e na energia desperdiçada”, segundo um estudo de 2010 publicado na revista Ecological Economics.

Quer ser um astrônomo amador? Aprenda a observar o céu com profissionais

Superluas, eclipses e a descoberta de exoplanetas. Os eventos da astronomiapodem ser lindos, emocionantes e não tão difíceis de acompanhar quanto podem parecer. Confira dicas para observar os céus e enxergar além das estrelas.

Quer ser um astrônomo amador? Aprenda a observar o céu com profissionais

 

Céu escuro

Para observar o céu o melhor horário é quando está escuro e sem nuvens. “O grande problema com as cidades grandes é que tem poluição luminosa. A primeira coisa que digo é que quando estiver em um lugar escuro pare e olhe para cima que já dá para ver muito mais coisas”, explica Thiago Signorini Goncalves, professor do Observatório do Valongo (UFRJ).

Aplicativos

Se você é usuário do iPhone ou iPad, a Apple disponibiliza o aplicativo Star Walk. Basta direcionar o aparelho para o céu para obter detalhes como nomes e direções das estrelas.

Já o Google Sky é um serviço online que permite uma visualização do espaço. É semelhante ao Maps, mas em vez de navegar por países e continentes o usuário pode observar as galáxias. O programa usa imagens de observatórios espaciais pelo mundo.

Binóculos

Para avistar melhor o céu nem sempre é necessário um telescópio, um binóculo pode tornar alguns aglomerados estelares perfeitamente visíveis.

Astrônomos experientes costumam recomendar os binóculos para quem está iniciando na astronomia. Eles são mais baratos e mais fáceis de usar que os telescópios. Observar a Via Láctea com binóculos é uma sensação indescritível. Prefira os modelos com pouco aumento (de 7 a 10 vezes)

Gustavo Rojas, astrônomo da Universidade Federal de São Carlos

Gustavo Rojas, astrônomo da Universidade Federal de São Carlos

Telescópio

Se você estiver disposto a investir um pouco mais, os especialistas dizem que uma luneta simples com lente objetiva de 60mm pode ser encontrada a partir de R$ 500.

“Não digo para comprar um telescópio de cara, porque é caro e a pessoa pode não usar tanto. Tem muito telescópio de baixa qualidade com uma ótica ruim, que a imagem não ficaria tão boa. Um aumento de 25 a 50 vezes já dá para ver muita coisa”, explica Signorini.

O que olhar?

Para quem está começando a observar o céu e ainda não sabe para onde apontar as lentes o alvo mais fácil de ver é a Lua.

O melhor momento para ver a Lua é quando ela está crescente ou minguante. Quando está cheia não dá para ver os detalhes porque a luz atrapalha

Thiago Signorini Goncalves, professor do Observatorio do Valongo

Como encontrar uma estrela cadente?

As chamadas estrelas cadentes são, na verdade, meteoros e podem ser observados durante a madrugada em um local escuro.

“As melhores épocas são nas chuvas de meteoros, quando há uma atividade muito maior desse tipo de fenômeno. No Brasil, as melhores acontecem em 4 de maio (Eta Aquarídeos) e 13 de dezembro (Geminídeos)”, explica Rojas.

Chuva de meteoros Perseidas

Chuva de meteoros Perseidas

Não desista!

A principal dica dos astrônomos é ter paciência. “É necessário investir tempo e enfrentar noites geladas para se aprofundar nos segredos do Universo. Aproveite os recursos que a internet oferece, como aplicativos, sites e fóruns, e compartilhe suas experiências com outros entusiastas”, diz Rojas. O cientista compartilha dicas de observação em seu videocast semanal.

Outra forma de olhar o céu e entender melhor o que acontece no universo é procurar observatórios abertos ao público e participar de observações com astrônomos.

 

Divulgado o mapa mais detalhado da Via Láctea com 1 bilhão de estrelas

Mil dias após seu lançamento, em 19 de dezembro de 2013, o telescópio espacial europeu Gaia revelou nesta quarta-feira (14) o resultado de suas buscas no espaço, observando a passagem de 60 milhões de estrelas por dia em nossa galáxia, que tem 100 mil anos-luz de diâmetro.

O resultado é o mapa 3D mais detalhado já produzido da Via Láctea, um catálogo de 1 bilhão de estrelas.

Desse total, 2 milhões tiveram sua distância e seus movimentos laterais nos céus traçados precisamente.

François Mignard, dirigente das investigações no Centro Nacional de Investigação Científica da França A enorme quantidade de dados que reuniu já permitiu elaborar este catálogo com as posições de 1,142 bilhão de estrelas, ou seja, 200 milhões a mais do que havia sido previsto inicialmente. O objetivo final é completar o mapa celeste em 3D mais preciso até o momento. A partir de agora, os astrônomos poderão consultar os dados sobre os diferentes corpos celestes, incluindo anãs brancas, estrelas variáveis e 2.152 quasares, os objetos mais afastados do Universo. "Gaia não apenas nos fornece a posição das estrelas, mas também seu movimento, e isso também nos permite compreender melhor como nossa galáxia se formou", explicou Antonella Vallenari, do Observatório de Pádua (Itália). Por exemplo, permitirá saber se nosso Sol foi criado a partir de um "cluster", um aglomerado de matéria. A posição e o movimento de 400 destes aglomerados já foram registrados por Gaia, disse Vallenari. A origem da galáxia Com os novos dados, divulgados pela ESA (Agência Espacial Europeia) e o Consórcio Europeu (DPAC - Data Processing and Analysis Consortium), é possível medir as distâncias e movimentos de estrelas em cerca de 400 conjuntos de até 4.800 anos-luz de distância --a medição de distâncias entre estrelas, tanto em nossa galáxia quanto além, tem papel fundamental na astronomia, que agora entra em uma nova fase. "Este bonito mapa que estamos publicando hoje mostra a densidade de estrelas medidas por Gaia em todo o céu, e confirma que foram coletados dados excelentes durante os primeiros anos de operações", disse Timo Prusti, cientista do projeto Gaia na ESA. No futuro, os cientistas serão capazes de determinar distâncias muito precisas para uma grande amostra de estrelas através do método de medição usado pelo Gaia. Com isso, eles conseguirão entender melhor a relação entre o período e o brilho dessas estrelas, e aplicá-lo para medir distâncias além da nossa galáxia. Também se espera que a informação coletada permita saber mais acerca de um dos grandes enigmas do universo, a matéria escura. Sentinela sempre alerta, Gaia também observa o movimento dos asteroides, caso sua trajetória constitua uma ameaça para a Terra. Gregory Laughlin, da Universidade de Yale, afirma que Gaia revelará à comunidade de astrônomos "milhares de novos mundos", embora ainda precise completar seu trabalho de coleta. Sua missão de observação astronômica será concluída no fim de 2020. "Este é apenas o começo [...] para testar a qualidade dos dados, e temos uma prévia das enormes melhorias que Gaia trará em breve para a nossa compreensão das distâncias cósmicas", disse Gisella Clementini, do Observatório Astronômico de Bolonha. A nova missão tem dois telescópios, que examinam a Via Láctea a uma distância de 1,5 milhões de quilômetros da Terra. Os telescópios mapeiam a posição, os movimentos e as propriedades físicas das estrelas, além de sua temperatura e composição. Estes dados permitem determinar a idade das estrelas. A previsão é que em cinco anos, as 100 mil estrelas perfiladas pelo telescópio Hipparcos, ativo entre as décadas de 80 e 90, vão se tornar 1 bilhão no catálogo Gaia.

O resultado é o mapa 3D mais detalhado já produzido da Via Láctea, um catálogo de 1 bilhão de estrelas.

Ao longo dos séculos foram sendo feitos mapas celestes, mas nunca desta envergadura nem com esta precisão

François Mignard, dirigente das investigações no Centro Nacional de Investigação Científica da França

A enorme quantidade de dados que reuniu já permitiu elaborar este catálogo com as posições de 1,142 bilhão de estrelas, ou seja, 200 milhões a mais do que havia sido previsto inicialmente. O objetivo final é completar o mapa celeste em 3D mais preciso até o momento.

A partir de agora, os astrônomos poderão consultar os dados sobre os diferentes corpos celestes, incluindo anãs brancas, estrelas variáveis e 2.152 quasares, os objetos mais afastados do Universo.

“Gaia não apenas nos fornece a posição das estrelas, mas também seu movimento, e isso também nos permite compreender melhor como nossa galáxia se formou”, explicou Antonella Vallenari, do Observatório de Pádua (Itália).

Por exemplo, permitirá saber se nosso Sol foi criado a partir de um “cluster”, um aglomerado de matéria. A posição e o movimento de 400 destes aglomerados já foram registrados por Gaia, disse Vallenari.

A origem da galáxia
Com os novos dados, divulgados pela ESA (Agência Espacial Europeia) e o Consórcio Europeu (DPAC – Data Processing and Analysis Consortium), é possível medir as distâncias e movimentos de estrelas em cerca de 400 conjuntos de até 4.800 anos-luz de distância –a medição de distâncias entre estrelas, tanto em nossa galáxia quanto além, tem papel fundamental na astronomia, que agora entra em uma nova fase.

“Este bonito mapa que estamos publicando hoje mostra a densidade de estrelas medidas por Gaia em todo o céu, e confirma que foram coletados dados excelentes durante os primeiros anos de operações”, disse Timo Prusti, cientista do projeto Gaia na ESA.

No futuro, os cientistas serão capazes de determinar distâncias muito precisas para uma grande amostra de estrelas através do método de medição usado pelo Gaia. Com isso, eles conseguirão entender melhor a relação entre o período e o brilho dessas estrelas, e aplicá-lo para medir distâncias além da nossa galáxia.

Também se espera que a informação coletada permita saber mais acerca de um dos grandes enigmas do universo, a matéria escura.

Sentinela sempre alerta, Gaia também observa o movimento dos asteroides, caso sua trajetória constitua uma ameaça para a Terra.

Gregory Laughlin, da Universidade de Yale, afirma que Gaia revelará à comunidade de astrônomos “milhares de novos mundos”, embora ainda precise completar seu trabalho de coleta. Sua missão de observação astronômica será concluída no fim de 2020.

“Este é apenas o começo […] para testar a qualidade dos dados, e temos uma prévia das enormes melhorias que Gaia trará em breve para a nossa compreensão das distâncias cósmicas”, disse Gisella Clementini, do Observatório Astronômico de Bolonha.

A nova missão tem dois telescópios, que examinam a Via Láctea a uma distância de 1,5 milhões de quilômetros da Terra. Os telescópios mapeiam a posição, os movimentos e as propriedades físicas das estrelas, além de sua temperatura e composição. Estes dados permitem determinar a idade das estrelas.

A previsão é que em cinco anos, as 100 mil estrelas perfiladas pelo telescópio Hipparcos, ativo entre as décadas de 80 e 90, vão se tornar 1 bilhão no catálogo Gaia.

Telescópio da Nasa enfrenta problemas a milhões de quilômetros da Terra

Kepler deveria voltar suas lentes para a Via Láctea e observar estrelas, mas não realizou a operação e entrou em “modo de emergência”

O último contato com o telescópio Kepler aconteceu no último dia 4 de abril e, na ocasião, a nave operava corretamente

O último contato com o telescópio Kepler aconteceu no último dia 4 de abril e, na ocasião, a nave operava corretamente

O telescópio Kepler, da Nasa, está em “modo de emergência” a 120 milhões de quilômetros da Terra, informou a agência espacial americana no domingo. Os engenheiros da Nasa descobriram que Kepler estava passando por dificuldades e se encontrava no nível operacional mais baixo da nave, conforme afirmou o chefe da missão do telescópio, Charlie Sobeck. “Tirar a nave do estado de emergência é uma prioridade para nossa equipe neste momento”, ressaltou o cientista.
A equipe encarregada por Kepler, que procura planetas habitáveis no espaço, estava enviando comandos para que o telescópio se voltasse para a Via Láctea, para observar milhões de estrelas em nossa galáxia. Kepler, no entanto, não foi capaz de se movimentar e entrou em estado de emergência. Apesar dos esforços, a grande distância que separa o telescópio da Terra dificulta os contatos e os torna muito lentos. Mesmo à velocidade da luz, um sinal demoraria 13 minutos para chegar até Kepler e voltar, segundo a Nasa.

Missões – O último contato com o telescópio aconteceu no último dia 4 de abril e, na ocasião, a nave operava corretamente. Kepler completou sua primeira missão espacial em 2012 e, desde então, alertou à Nasa sobre a existência de 5.000 planetas fora do sistema solar, dos quais a agência já pôde confirmar 1.000.

Em 2014 o telescópio começou uma nova missão chamada “K2”. Além de buscar planetas fora do sistema solar, a missão também tenta identificar estrelas jovens, supernovas e outros corpos astronômicos.

Entre as maiores conquistas de Kepler está a descoberta em 2015 do “primo da Terra”, nome com o qual a Nasa batizou o primeiro planeta descoberto em uma zona habitável na órbita de uma estrela similar ao sol, o que transforma este corpo em um dos melhores candidatos para abrigar vida extraterrestre.

Professor constrói telescópio com webcam e filma Saturno no céu do Piauí

Professor constrói telescópio com webcam e filma Saturno no céu do Piauí

Professor constrói telescópio com webcam e filma Saturno no céu do Piauí

Professor constrói telescópio com webcam e filma Saturno no céu do Piauí

Fascinado por astronomia, o professor piauiense Achylles Costa, 54, montou um telescópio caseiro e conseguiu, na última terça-feira (19), filmar com adaptação de uma webcam o planeta Saturno no céu de Teresina.

O telescópio criado por Costa é newtoniano de 180mm e foi montado em 2003, mas somente agora o professor conseguiu adaptar uma webcam, anexar ao instrumento ótico e filmar Saturno e outros planetas com nitidez.

O telescópio é composto basicamente de uma lente ocular, um espelho côncavo e o focalizador, além da webcam, que é adaptada para substituir a lente para filmar os planetas.
O telescópio criado pelo professor piauiense Achylles Costa, 54, é newtoniano de 180mm e foi montado em 2003, mas somente agora que Costa conseguiu adaptar uma webcam anexa ao instrumento ótico e filmar com nitidez Saturno e outros planetas
“Poderia ter escolhido Júpiter, mas nesse período é a fase que ele passa seis meses aparecendo de dia e não é possível a sua visualização devido a luz do sol”, disse.

A engenhoca agora está pronta para captar imagens da transição de Saturno, que vai ficar oculto pela lua, que estará 33% mais iluminada, no próximo dia 31. “A transição de Saturno é um dos fenômenos mais belos da astronomia e o telescópio já está pronto para filmar Saturno sendo coberto pela lua e depois surgindo ao lado dela”, disse Costa.

Ele conta que escolheu registrar Saturno por ser um dos planetas mais bonitos e está no período de visualização noturna. O fenômeno poderá ser observado na América do Sul no Brasil, Venezuela e Colômbia por observadores com lunetas e telescópios.

Montagem do telescópio
Costa é doutor em Comunicação Social e professor de jornalismo na UFPI (Universidade Federal do Piauí), mas tem como hobby a eletrônica. “Para fazer o telescópio eu comprei as peças em sites e saí montando. A base eu mesmo fiz aqui em casa”, contou. Depois que estava com todas as peças, concluiu o trabalho em sete dias.

O telescópio do professor consegue aproximação entre 90 e 600 vezes. O equipamento custou cerca de R$ 2.500,00 e a webcam R$ 150,00.

Para quem quer montar um telescópio, Costa dá a dica:

“Isaac Newton deixou toda explicação de montagem de telescópio e é só saber um pouco de ciência para montar um. Hoje em dia existem sites que vendem peças feitas por outras pessoas e é só escolher e montar”, disse.

Costa é formado em técnico em eletrônica e já montou guitarras, aeromodelos, automodelos, rádios e transmissores.

https://noticias.uol.com/ciencia/ultimas-noticias/redacao/2014/08/24/professor-constroi-telescopio-com-webcam-e-filma-saturno-no-ceu-de-piaui.htm

 

Grupos disputam corrida na construção de telescópios gigantes.

Grupos disputam corrida na construção de telescópios gigantes.

Dizem que o futuro pertence a quem traça planos para ele. Agora, astrônomos que trabalharam arduamente estão prestes a ter algo para mostrar por seus esforços.

Grupos disputam corrida na construção de telescópios gigantes.

Grupos disputam corrida na construção de telescópios gigantes.

Mais de dez anos depois de grupos concorrentes terem começado a buscar recursos para construir telescópios gigantescos, capazes de estudar os planetas que orbitam estrelas distantes e o nascimento de galáxias na aurora do tempo, essas novas ferramentas vão começar a entrar em ação no alto de montanhas no Havaí e no Chile, na maior, mais cara e mais ambiciosa onda de criação de telescópios na história da astronomia. Se tudo correr conforme o previsto, os astrônomos da década de 2020 vão nadar em petabytes de dados que chegarão por "streaming" do espaço e da Terra.

No último 20 de junho, profissionais do Observatório Europeu do Sul (ESO) nivelaram o topo de uma montanha no norte do Chile chamada Armazones, preparando o terreno para aquele que se pretende que seja o maior e mais poderoso telescópio óptico jamais construído. Conhecido como o Telescópio Europeu Extremamente Grande, ou E-ELT, o aparelho terá um espelho segmentado com 39 metros de diâmetro, poderoso o suficiente para divisar planetas que orbitam estrelas distantes. Os maiores telescópios atuais têm dez metros de diâmetro.

O Observatório Europeu do Sul é um consórcio formado por 14 países europeus e o Brasil, que aguarda a ratificação pelo Congresso para entrar no projeto. A confirmação brasileira deve levar o grupo a obter mais de 90% do US$ 1,5 bilhão necessário, (R$ 3,40 bilhões), em dólares de 2012, que é o custo projetado do telescópio, segundo Lars Christensen, porta-voz do consórcio. O telescópio deve ficar pronto em 19 de junho de 2024.

Dois anos atrás, outro grupo de astrônomos nivelou o topo de outra montanha no Chile, Las Campanas, onde pretende construir o Giant Magellan Telescope (GMT). Este terá um conjunto de sete espelhos de oito metros reunidos para formar o equivalente a um espelho de 25 metros de diâmetro.

Wendy Freedman, dos Observatórios Carnegie, na Califórnia, um dos organismos que lidera a colaboração para o telescópio Magellan, disse que o grupo já levantou cerca de US$ 500 milhões dos US$ 880 milhões (R$ 1,13 bi dos R$ 1,997 bi), em dólares de 2012, necessários. Ela anunciou recentemente a entrada da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) no grupo. A construção do telescópio começará este ano.

No Havaí não será necessário nivelar nada com explosões -bastará alguma terraplanagem no monte Mauna Kea, onde ainda outro grupo de astrônomos pretende construir um telescópio de 30 metros de diâmetro -chamado simplesmente Thirty Meter Telescope (TMT), ou Telescópio de Trinta Metros- num planalto pouco abaixo do pico de 4.300 metros de altitude.

O TMT vai custar US$ 1,2 bilhão (R$ 2,72 bi), em dólares de 2012. Até 2015, quando se prevê a entrada da Índia e do Canadá no consórcio, o grupo já terá 85% do dinheiro necessário, segundo seu co-diretor Michael Bolte, da Universidade da Califórnia em Santa Cruz.

O refletor Hale, no monte Palomar, no condado de San Diego, Califórnia, era visto como o limite do que era possível na Terra, mas na década de 1980 astrônomos inventaram maneiras de construir espelhos maiores e mais finos que não vergassem, levando à criação de vários espelhos de oito metros e aos dois Kecks de dez metros. Mas o Magellan, o menor telescópio da nova variedade, será seis vezes mais potente que os Kecks.

O Telescópio Espacial Hubble, inaugurado em 1990 e previsto para continuar a transmitir dados até a década de 2030, tem apenas 2,4 metros de diâmetro. Sua potência vem do fato de estar acima da atmosfera, que embaça a luz vinda das estrelas.

Os novos telescópios serão equipados com uma tecnologia que não existia antes: a óptica adaptativa -a capacidade de ajustar a forma dos espelhos de modo a minimizar ou cancelar os efeitos da turbulência atmosférica que faz as estrelas piscarem. Esses telescópios poderão detectar objetos mais tênues que o Hubble.

Os telescópios no Chile vão reforçar a posição de centro da astronomia mundial do deserto do Atacama, uma área muito seca, alta, escura e dotada de ar muito calmo. A região já tem o Atacama Large Millimeter/sub-millimeter Array, ou Alma, um projeto internacional que é o radiotelescópio mais caro do mundo, e o Very Large Telescope (VLT), do ESO, um conjunto de quatro telescópios de oito metros situado perto do local que vai obrigar o E-ELT.

O Largy Synoptic Survey Telescope (LSST) deve começar a ser construído em breve no monte Pachón, também no Chile. Esse telescópio, um projeto conjunto da Fundação Nacional de Ciência dos EUA e do Departamento de Energia, tem oito metros de diâmetro. A Fundação Nacional de Ciência reservou US$ 473 milhões (R$ 1,07 bi) em seu orçamento para sua construção. O Departamento de Energia está contribuindo com US$ 165 milhões (R$ 374,5 mi) para uma câmera de 3.200 megapixels que vai produzir uma imagem do céu a cada poucos dias e, ao longo de dez anos, um filme do universo, permitindo flagrar tudo que se move ou pisca.

E há o espaço sideral, onde estão as estrelas.

Dois anos atrás, nos Estados Unidos, o National Reconnaissance Office (NRO, uma agência de inteligência) deu à Nasa dois telescópios espaciais do mesmo tamanho e design que o Hubble. Conhecida como Wfirst-AFTA (Wide Field Infrared Survey Telescope-Astrophysics Focused Telescope Assets), a missão pode começar em 2023, mais ou menos na mesma época em que a Agência Espacial Europeia vai lançar seu próprio satélite, o Euclid, para investigar a energia escura.

E há o mais caro de todos e aquele que voará mais alto de todos, o Telescópio Espacial James Webb, da Nasa, quase três vezes maior que o Hubble, com espelho de 6,5 metros de diâmetro que, em órbita, terá que desabrochar como uma flor.

O telescópio Webb, com orçamento limite de US$ 8 bilhões (R$ 18,1 bi) e lançamento previsto para 2018, foi construído para estudar as primeiras estrelas e galáxias. Ele é projetado para registrar a radiação infravermelha, não a luz visível, porque os objetos a essa distância se afastam de nós em velocidade tão grande que sua luz foi “deslocada para o vermelho”, para comprimentos de onda maiores.

Alguns astrônomos sugerem que os telescópios também poderão enxergar a poluição. Ao longo de alguns milênios de indústria, alguns desses gases podem acumular-se até chegar a níveis detectáveis de longe e podem permanecer assim por 50 mil anos.

Como escreveram em um artigo Henry W. Lin, estudante da Universidade Harvard, e outros, será um mau sinal se os astrônomos enxergarem poluição em volta de um planeta distante, mas não divisarem sinais de vida presente. A detecção, escreveram, pode servir de aviso adicional à vida ‘inteligente’ aqui na Terra sobre os riscos da poluição industrial.