Category Archives: Astronáutica

Comissão conclui que falha da Soyuz foi provocada por “deformação” na montagem.

Uma falha nos foguetes de propulsão obriga a Soyuz a realizar um pouso de emergência

O recente fracasso no lançamento de uma nave Soyuz rumo à Estação Espacial Internacional (ISS) foi provocado por uma “deformação” de uma peça durante a montagem do foguete no cosmódromo de Baikonur, de acordo com as conclusões da comissão de investigação.

Uma falha nos foguetes de propulsão obriga a Soyuz a realizar um pouso de emergência

Comissão conclui que falha da Soyuz foi provocada por “deformação” na montagem.

As autoridades russas prometeram em uma entrevista coletiva punir os culpados pelo fracasso embaraçoso para o setor espacial russo. Ao mesmo tempo, afirmaram que todos os funcionários da base espacial são qualificados e insistiram que a Soyuz continua sendo a nave de lançamento “mais confiável” em operação.

O problema que provocou a falha foi motivado por uma “deformação da vaste do sensor” durante a montagem no cosmódromo de Baikonur”, anunciou Oleg Skorobatov, um dos coordenadores da comissão, criada após a decolagem frustrada que obrigou os dois tripulantes da nave (o russo Aleksey Ovchinin e o americano Nick Hague) a fazer um pouso de emergência.

O diretor executivo da Roscosmos (Agência Espacial Russa), Serguei Krikaliov, explicou na quarta-feira que o acidente foi provocado pela falha do sensor responsável por controlar a separação dos primeiros níveis da Soyuz.

“Uma das paredes laterais não se afasto de modo suficiente e atingiu um tanque de combustível do segundo nível, o que provocou uma explosão”, afirmou.

Skorobatov pediu nesta quinta-feira um “controle rígido” destes sensores e descartou a hipótese do problema ter origem na fábrica que produz as peças.

Ele indicou que as próximas naves Soyuz que devem decolar de Baikonur e do centro espacial francês de Kuru (Guiana) devem passar por revisões.

“Elaboramos propostas e recomendações para revisar os lançadores”, afirmou o diretor da Roscosmos. O procedimento exigirá desmontar e voltar a montar alguns blocos e a testar os sensores.

Dmitri Baranov, executivo da empresa RKK Energia, que projeta e produz as naves, garantiu que as Soyuz são “as naves mais confiáveis” que existem.

Apesar do acidente e de uma série de problemas técnicos que abalaram a imagem do setor espacial russo, as naves Soyuz mantêm uma taxa muito elevada de sucesso nos lançamentos. Além disso, o sistema de segurança que permitiu o retorno com vida dos astronautas em 11 de outubro funcionou de modo perfeito.

Sonda Parker, da NASA, acaba de quebrar dois recordes em um só dia

A missão histórica da NASA para “tocar o Sol” acaba de alcançar dois importantes marcos: ela agora detém o recorde de maior aproximação do Sol feita por um objeto construído por humanos — e também o recorde de espaçonave mais rápida já enviada ao espaço.

Lançada em 12 de agosto de 2018, a sonda Parker (ou Parker Solar Probe) está agora entrando nos primeiros estágios de sua missão.

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Às 14h04 (horário de Brasília) desta segunda-feira (29), a espaçonave chegou a menos de 42,7 milhões de quilômetros da superfície do Sol — um novo recorde para um objeto construído por humanos. O antigo pertencia à espaçonave alemã Helios 2, que alcançou o feito em abril de 1976. A partir de agora, cada centímetro que a sonda avance em direção ao Sol será um novo recorde de distância, com uma aproximação de 6,16 milhões de quilômetros prevista para 2024.

“Faz apenas 78 dias que a Parker Solar Probe foi lançada, e agora chegamos mais próximo de nossa estrela do que qualquer outra espaçonave na história”, disse o gerente de projeto da sonda, Andy Driesman, em um comunicado da NASA. “É um momento de orgulho para a equipe, embora sigamos focados em nosso primeiro encontro solar.”

Menos de dez horas depois, a espaçonave estabeleceu outro recorde. Alcançando e depois ultrapassando uma velocidade de 246.960 quilômetros por hora, a sonda Parker se tornou o objeto construído por humanos mais rápido de todos os tempos em relação ao Sol. O recorde anterior também havia sido alcançado pela missão Helios 2. Até 2024, espera-se que a espaçonave alcance velocidades superiores a 692.000 quilômetros por hora (ou 0,0006% a velocidade da luz).

Para calcular a velocidade e a distância da Parker Solar Probe, a agência espacial utiliza sua Deep Space Network, ou DSN. A NASA explica:

A DSN envia um sinal para a espaçonave, que então o retransmite de volta para a DSN, permitindo à equipe determinar a velocidade e a posição da espaçonave com base no timing e nas características do sinal. A velocidade e a posição da Parker Solar Probe foram calculadas usando medidas de DSN feitas em 24 de outubro, e a equipe usou essa informação, junto com forças orbitais conhecidas, para calcular a velocidade e a posição da espaçonave a partir desse ponto.

Em sua atual distância para o Sol, a sonda precisa de 150 dias para fazer uma órbita completa. Ela alcançará o primeiro dos 26 eventos de periélio (ponto mais próximo do Sol) em 6 de novembro de 2018. Nos próximos seis anos, o comprimento orbital da sonda diminuirá gradativamente, permitindo que ela se aproxime do Sol. À medida que se aproxima da superfície da estrela, a sonda enfrentará calor e radiação formidáveis, dos quais ela se defenderá com um escudo manobrável sempre apontado para a estrela no centro do nosso Sistema Solar.

Os sensores a bordo da Parker Solar Probe farão medições, fornecendo novos dados sem precedentes para cientistas. Aprendendo mais sobre o Sol, teremos uma melhor compreensão de como ele afeta a Terra e outros planetas, possivelmente melhorando nossa previsão do tempo espacial. Saber como e quando o Sol produz tempestades solares massivas, por exemplo, pode ajudar a reduzir danos na Terra.

Telescópio Kepler enfim dá adeus, depois de mais de nove anos de missão

O venerado telescópio espacial Kepler, da NASA, que descobriu aproximadamente 2.700 exoplanetas em sistemas estelares distantes, foi oficialmente aposentado depois de, por fim, ficar sem combustível, conforme escreveu a agência espacial norte-americana em um comunicado nesta terça-feira (30). Quando foi lançado em 2009, o telescópio foi aparelhado com “a maior câmera digital equipada para observações no espaço sideral da época”, descreveu a NASA, e os cientistas na Terra tinham um conhecimento muito limitado dos planetas além do alcance do Sistema Solar.

Telescópio Kepler enfim dá adeus, depois de mais de nove anos de missão

Telescópio Kepler não está mais operando, anuncia NASA

Apesar de um defeito no sistema de direção e dos baixos níveis de combustível, a espaçonave de US$ 600 milhões permaneceu em ação por nove anos, fazendo 19 campanhas de observação — muito mais tempo do que sua missão prevista inicialmente, que duraria quatro anos. De acordo com o Verge, o Kepler agora está esperando um comando nas próximas duas semanas para desativar seu transmissor e outros instrumentos. Depois disso, ele irá silenciosamente se deslocar em uma órbita segura em torno da Terra (a uma distância de 151 milhões de quilômetros, embora essa distância deva aumentar ao longo do tempo).

Os cientistas da missão chegaram a se preocupar que a espaçonave pudesse ter ficado irreparavelmente ineficaz depois de um problema no sistema de direção em 2012, embora eles tenham, por fim, encontrado uma solução engenhosa em 2013, usando a pressão gerada pelos raios do Sol para compensar uma roda de reação falha, mirando-a em alvos de observação. Essa solução não restaurou a funcionalidade completa — o Kepler acabava conseguindo se direcionar por cerca de 83 dias por vez —, mas possibilitou o começo de outra fase de operações.

O telescópio também passou por problemas com um de seus propulsores por volta da época em que começou sua 19ª campanha de observação no fim de agosto deste ano e entrou em modo de hibernação, embora a NASA tenha conseguido trazê-lo de volta a serviço em setembro.

“Um dos oito propulsores mostrou desempenho não confiável, mas a equipe estimou que simplesmente remover o propulsor de uso durante disparos de precisão poderia resultar em um desempenho aceitável do sistema”, disse Alison Hawkes, porta-voz do Centro de Pesquisas Ames, da NASA, ao SpaceNews no mês passado. “Como resultado, as mudanças foram feitas, e a Campanha 19 foi, por assim dizer, iniciada”.

REPRESENTAÇÃO ARTÍSTICA DO TELESCÓPIO KEPLER (FOTO: NASA AMES/ W STENZEL/WIKIMEDIA COMMONS)

Telescópio Kepler não está mais operando, anuncia NASA

A nave funcionou mais ou menos com pouquíssimo combustível nos últimos meses. De acordo com o Space.com, a equipe da missão confirmou que suas reservas foram gastas duas semanas atrás.

“Como primeira missão de caça de planetas da NASA, o Kepler excedeu todas as nossas expectativas e abriu caminho para nossa exploração e busca de vida no Sistema Solar e além”, disse Thomas Zurbuchen, administrador associado da Diretoria de Missão Científica da NASA em Washington D.C., em comunicado da NASA. “Não só ele nos mostrou quantos planetas poderiam estar por aí como também desencadeou um campo de pesquisa totalmente novo e robusto que tomou a comunidade científica. Suas descobertas lançaram uma nova luz sobre o nosso lugar no universo e iluminaram os mistérios e as possibilidades tentadoras entre as estrelas.”

“Agora, por causa do Kepler, o que pensamos sobre o universo mudou”, disse o diretor da divisão de astrofísica da NASA, Paul Hertz, em entrevista ao Verge. “O Kepler abriu o portão para a exploração do cosmos.”

O sucessor do telescópio, o muito mais potente Transiting Exoplanet Survey Satellite (TESS), foi lançado em abril deste ano a bordo de um foguete Falcon 9, da SpaceX, e foi projetado para descobrir mais de 20 mil novos exoplanetas. Em algum momento, o TESS ganhará a companhia do telescópio espacial James Webb, que, apesar de estar uma bagunça agora, deve ser lançado em 2021.

Adeus, Kepler. E, embora você possa estar se encaminhando para uma escuridão a milhões de quilômetros de seu mundo natal, você mostrou que o cosmos pode não ser tão solitário, e suas contribuições não serão esquecidas. E vai saber… Talvez, um dia, alguém vá te buscar.

https://gizmodo.uol.com.br/adeus-telescopio-kepler/

De quantas estações espaciais este planeta precisa?

Em uma extremidade da fábrica da Bigelow Aerospace fica uma maquete de uma casa gigantesca para futuros astronautas. Com um design único – que poderia ser embalada em um foguete e, em seguida, desembrulhada no espaço – ela comporta confortavelmente doze pessoas; ou pode servir como um bloco de construção para uma base lunar.

A estação espacial de Mir

De quantas estações espaciais este planeta precisa?

“Vai ser uma espaçonave monstruosa para o padrão atual”, disse em uma coletiva de imprensa em fevereiro Robert T. Bigelow, o fundador da empresa.

Ela é Olympus, batizada em homenagem à morada mitológica dos deuses gregos e uma demonstração das ambições de Bigelow para a construção de assentamentos no espaço.

Em um nível abaixo do chão da fábrica está uma estrutura longa e fina de metal. Ela é um protótipo da espinha de um módulo B330 mais modesto, que a empresa realmente planeja construir. Em uma escala menor, se comparada à Olympus, ainda seria muito menos apertada do que as latas de metal que compõem a Estação Espacial Internacional.

Bigelow diz que está empenhado em ter duas B330s prontas para lançamento em 2021, uma etapa que pode ser um prenúncio da mudança de meio século de exploração espacial humana pelo monopólio de agências governamentais, como a NASA, para um modelo capitalista, “livre para todos”. A administração de Trump quer acelerar essa transição e chegar ao fim do financiamento federal direto de estações espaciais depois de 2024.

De quantas estações espaciais este planeta precisa?

Um modelo da estação espacial Olympus em Bigelow Aerospace, em Las Vegas…

“Nós também queremos inúmeros fornecedores que possam competir em custo e inovação. Gostaríamos de ver a NASA se tornar uma das agências do ramo dentre tantas outras”, disse na semana passada Jim Bridenstine, o administrador da NASA.

Se as estações comerciais tiverem operações mais baratas, a NASA terá mais dinheiro para se dedicar a outros objetivos, como enviar astronautas para a Lua e para Marte, disse Bridenstine.

Mas apostar centenas de milhões de dólares em negócios que ainda não existem poderia ser uma maneira rápida de perder uma fortuna. E a viagem espacial continua sendo uma ocupação perigosa, que pode matar seus viajantes.

Bigelow, que fez sua fortuna ao fundar a Budget Suites of America, admitiu no início deste ano que não tem certeza se será capaz de encontrar clientes para sua B330s.

Se não houver mercado, “então faremos uma pausa. Se o negócio simplesmente não existisse, os funcionários estariam sentados no chão à espera do desemprego”, disse.

Home Office em órbita

Hoje, a Estação Espacial Internacional é o único lugar onde as pessoas – não mais de seis por vez – vivem longe da terra. É uma proeza tecnológica e a coisa mais cara que a humanidade já construiu. As 15 nações envolvidas, lideradas pelos Estados Unidos e pela Rússia, gastaram bem mais de US$ 100 bilhões ao longo de mais de duas décadas. Os Estados Unidos gastam entre US$ 3 bilhões e US$ 4 bilhões a cada ano.

Continuamente ocupada por quase 18 anos, a estação serve como teste para estudar os efeitos em longo prazo da radiação e da falta de gravidade sobre os astronautas. A NASA se especializou na manutenção da estação, em grande parte eliminando avarias como banheiros entupidos, sistemas de resfriamento travados e falhas computacionais.

Talvez o fato mais notável é que a vida na Estação Espacial Internacional tornou-se normal: é um home office, mesmo estando a mais de 320 quilômetros acima da Terra e viajando a 27 mil km/h, onde os astronautas trabalham, comem, dormem, se exercitam, fazem experiências, executam tarefas.

Apenas ocasionalmente a tripulação realiza atividades, como uma caminhada espacial, que realmente parece algo que não é deste mundo.

A possibilidade de aposentar a Estação Espacial Internacional, parte do pedido de orçamento da administração, assustou a muitos. Falta alguns anos para empresas como a Bigelow lançarem estações espaciais, e estes projetos caros e paradigmáticos normalmente escorregam no cronograma.

Os críticos se preocupam que a Estação Espacial Internacional possa ser descartada antes que suas sucessoras estejam prontas. Um espaço de tempo sem estações espaciais perturbaria os estudos da NASA, bem como empreendimentos comerciais emergentes. As novas companhias de estações espaciais poderiam parar se os clientes que são esperados demorarem a aparecer.

Algumas empresas já estão pagando para realizar experimentos modestos na estação espacial, mas são fortemente subsidiadas pelo governo. A NASA, por exemplo, atualmente arrecada o custo de envio e retorno de experimentos espaciais.

NASA/NYT

O astronauta Valeri Polyakov a bordo da estação espacial de Mir.

O astronauta Valeri Polyakov a bordo da estação espacial de Mir.

O astronauta Valeri Polyakov a bordo da estação espacial de Mir

O fracasso de um foguete russo Soyuz este mês, que levava dois astronautas para a estação espacial, ilustra como os empreendimentos espaciais podem ser minados por eventos fora de seu controle, tornando os investimentos de longo prazo de tais empresas arriscados.

Os astronautas foram levados para um lugar seguro, mas agora a estação espacial está com falta de pessoal e muitos experimentos talvez precisem ser negligenciados. Se os russos não resolverem rapidamente o problema, a estação pode ficar sem astronautas a partir de janeiro.

O lixo espacial de hoje é o habitat do espaço de amanhã

Há quase duas décadas, existiu uma estação espacial comercial por um breve período de tempo. Era russa e um americano chamado Jeffrey Manber a operava. Talvez pudesse ter sido bem-sucedida, mas a NASA a matou.

“Se você queria trabalhar com os capitalistas no espaço na década de 1990, você trabalhava com os russos. Se você queria trabalhar com os socialistas, você trabalhava para a NASA”, disse Manber.

Após o fim da União Soviética, o programa espacial russo foi pego pela necessidade de dinheiro, o que deu disposição para considerar ideias que poderiam ter soado como malucas para um país que deixava de ser comunista. A Mir, a estação espacial russa, foi vista como tosca e datada, prestes a ser substituída pela melhor e maior Estação Espacial Internacional.

Mas Manber e outros empresários nos Estados Unidos viram a Mir, condenada à destruição, mais como uma casa em ruínas à venda. A Energia, fabricante da Mir, concordou em fazer parceria com os americanos para criar a MirCorp, uma empresa comercial que arrendou a estação do governo russo.

O passo inicial da Energia foi a utilização da estação de pesquisa especialmente para produtos farmacêuticos. Manber sabia que a possibilidade era uma das melhores em anos.

“Rapidamente, fui para o lado do mercado que existia, que era entretenimento e mídia, e podíamos fazer isso, porque estávamos no controle”.

A MirCorp conseguiu o primeiro turista espacial, Dennis Tito, que iria para a Mir. Ele vendeu a ideia de um reality show para a NBC. Mark Burnett, o produtor que criou “Survivor”, “O Aprendiz” e “Shark Tank”, foi escolhido para realizá-lo. (Tito foi de fato o primeiro turista espacial, em 2001, mas acabou indo para a Estação Espacial Internacional.)

Mas os russos se renderam à insistência da NASA em encerrar Mir, que foi retirada de órbita e caiu no Pacífico em 2001.

Hoje, Manber esculpiu um nicho de sucesso no ecossistema da estação espacial como chefe executivo da NanoRacks, uma pequena startup com sede em Houston. A NanoRacks simplificou o processo de envio de experimentos para a estação espacial e também lança pequenos satélites conhecidos como CubeSats da estação.

Alex Wroblewski/NYT

De quantas estações espaciais este planeta precisa?

De quantas estações espaciais este planeta precisa?

Jeffrey Manber, chefe da NanoRacks em Washington

Há dois anos, Manber pediu aos seus engenheiros que investigassem uma ideia peculiar que a NASA tinha descartado anteriormente: as partes dos foguetes deixados em órbita depois do lançamento poderiam ser convertidas em uma estação espacial de baixo custo?

Com os avanços na robótica, as perspectivas de fazer isso pareciam mais promissoras.

A Nanoracks, em colaboração com a United Launch Alliance, uma fusão entre a Boeing e a Lockheed Martin, ganhou um contrato da NASA para explorar a ideia, concentrando-se na segunda etapa do foguete Atlas 5 da ULA.

A ideia é adicionar um pequeno módulo robótico entre o segundo estágio, conhecido como Centaur, e o satélite.

Tipicamente, quando o Centaur lança o satélite para a órbita desejada, ele é queimado na atmosfera. Com o plano da NanoRacks, uma vez que o Centaur realize sua missão principal, a peça robótica corta buracos, sela compartimentos e converte os tanques de combustível em alojamentos vivos.

Eles chamaram o conceito de um foguete estágio-habitat Ixion, em homenagem ao avô dos Centaurs.

Com um pouco mais de pesquisa da mitologia grega, perceberam que não era o melhor nome. Ixion era um personagem desagradável – assassinou seu sogro e mais tarde tentou seduzir a esposa de Zeus.

Agora, o conceito é chamado de NanoRacks Space Outpost Program e a empresa espera anexar um dos postos para a Estação Espacial Internacional.

A NanoRacks enxerga o turismo espacial de novo como um mercado precoce. Manber acha que a NASA e os entusiastas do espaço costumam ter uma visão muito estreita do que as empresas podem desenvolver.

“Eu gostaria de organizar os primeiros casamentos no espaço. Acho que as estações espaciais são extraordinariamente interessantes e não acho que tenham sido exploradas”, disse ele.

Para Manber, a chave é a flexibilidade.

“O mercado vai nos dizer qual o mercado. Então vamos com ele. Estamos surfando”, finalizou.

Inúmeras razões para privatizar

O terceiro grande participante na corrida da estação espacial privada é a Axiom Space, também sediada em Houston. É liderada por Michael T. Suffredini, que coordenou a parte que cabia à NASA da Estação Espacial Internacional até sua aposentadoria, em 2015.

Suffredini disse que uma estação Axiom com tecnologias modernas custaria cerca de US$ 50 milhões por ano para ser operada, uma pequena fração dos custos da Estação Espacial Internacional.

“Há inúmeras razões para fazermos isso. Tivemos muito trabalho para validar esse número, que é chocante para nós, também”, disse Suffredini.

Custos mais baixos abrem a possibilidade de lucro. “Acho que é um mercado de mais de US$ 1 bilhão”, disse ele.

Suffredini não descreveu em detalhes todos os mercados possíveis que prevê, mas o negócio incluiria o envio dos ricos em viagens turísticas – Philippe Starck, o designer francês, está projetando o interior do módulo Axiom – e a oferta de espaço para fábricas para quem quiser produzir materiais que podem ser feitos somente no espaço.

“Estou absolutamente certo de que podemos realizar nosso plano de negócios”, disse Suffredini.

Ele acha que tem uma vantagem significativa sobre as outras empresas: realmente operou uma estação espacial e manteve as pessoas vivas no espaço.

Enquanto Axiom, Bigelow e NanoRacks visam um dia substituir a Estação Espacial Internacional, em um curto prazo, as três empresas esperam se tornar uma parte maior da estação atual.

Bigelow atualmente tem um modesto puxadinho encaixado na estação espacial que serve como um armário e demonstra que a tecnologia funciona. A NASA está se preparando para lançar uma competição no início do próximo ano para um módulo comercial maior no porto de encaixe. Bigelow irá sugerir a adição de um B330. A NanoRacks quer um de seus Centaurs convertidos.

Joe Buglewicz/NYT

Um modelo da estação espacial B330 em Bigelow Aerospace, em Las Vegas

E ainda, a NanoRacks está convencendo a NASA a adicionar uma central que acomodaria três módulos comerciais, permitindo que diferentes empresas ofereçam diferentes capacidades para diferentes clientes – hotéis espaciais, fábricas autônomas de fibra ótica, laboratórios para investigação farmacêutica. Com o tempo, poderiam se expandir para várias estações em órbitas diferentes.

“Você não pode bancar e apostar em apenas uma empresa e uma peça de hardware”, disse ele.

Mas nem todos estão convencidos de que as contas fecham.

Paul K. Martin, inspetor geral da NASA, este ano emitiu um relatório enfatizando estas preocupações.

“Especificamente, questionamos se existe uma gama suficiente de negócios na qual as empresas privadas poderão desenvolver um negócio autossustentável e lucrativo independentemente do financiamento federal nos próximos seis anos”, disse ele.

O Congresso também se mantém cético – e às vezes até hostil – à ideia de aposentar a estação espacial.

Os líderes das três empresas também apontam para um perigo de concorrência – da NASA e da China. Se a NASA continuar a subsidiar a pesquisa na estação, então as empresas comerciais podem não ser capazes de competir, mesmo se forem mais baratas.

“Como podemos ter certeza de que seja um campo competitivo?”, disse Manber.

A China planeja terminar sua própria estação espacial no início dos anos 2020, e autoridades garantiram que ficaria disponível aos pesquisadores ao redor do mundo. A Rússia também falou em reter sua metade da Estação Espacial Internacional se os americanos se retirarem.

Especialistas em política espacial, mesmo aqueles que esperam de forma entusiástica que a NASA tenha uma abordagem mais comercial, hesitam em prever quando será possível mandar pessoas para o espaço de forma economicamente viável para uma empresa privada.

“Há algo faltando para que os negócios comerciais funcionem”, disse Charles Miller, ex-funcionário da NASA que agora é presidente da NexGen Space.

Em 2025, Miller espera que haja três estações espaciais em órbita: a Estação Espacial Internacional, a estação chinesa e o início de uma de caráter comercial.

“Ainda teremos debates violentos sobre o futuro da Estação Espacial Internacional”, disse ele.

Já tentou desligar e ligar de novo? NASA conserta giroscópio do telescópio Hubble de maneira simples

Se você já trabalhou com TI, sabe que a maior parte dos problemas tem soluções estupidamente simples. Um, verifique se o aparelho está ligado na tomada.

Já tentou desligar e ligar de novo? NASA conserta giroscópio do telescópio Hubble de maneira simples

Dois, desligue e ligue novamente o dispositivo. Três, faça outras coisas. Parece que esse tipo de pensamento serve também para o telescópio Espacial Hubble, que entrou em modo de segurança há duas semanas depois de uma falha do giroscópio.

Diz o comunicado à imprensa da NASA:

Na tentativa de corrigir as velocidades erroneamente altas produzidas pelo giroscópio reserva, a equipe de operações do Hubble executou uma reinicialização do giroscópio em 16 de outubro. Esse procedimento desligou a peça por um segundo e depois a reiniciou antes que a roda girasse. A intenção era eliminar quaisquer falhas que possam ter ocorrido durante a inicialização em 6 de outubro, após o giroscópio estar desativado por mais de 7 anos e meio.

Em 18 de outubro, a equipe de operações do Hubble comandou uma série de manobras, ou curvas, de espaçonave em direções opostas para tentar limpar qualquer bloqueio que pudesse ter causado o desalinhamento do flutuador e produzido velocidades extremamente altas. Durante cada manobra, o giroscópio foi mudado do modo alto para o modo baixo de forma a desalojar qualquer bloqueio que possa ter se acumulado ao redor do flutuador.

Grande parte da minha experiência profissional fora do jornalismo envolveu resolver problemas de software e instalar impressoras. Apesar de a explicação da NASA parecer técnica, esta série de manobras parece como o que eu falaria para alguém que estivesse tentando fazer uma impressora funcionar. Primeiro, reinicia. Depois, tente de novo e tire qualquer coisa que venha a atolar. E, voilà, tudo pronto e funcionando.

O Hubble, uma ferramenta crucial usada por astrônomos em todo o mundo, entrou no modo de segurança no início deste mês. O telescópio conta com três giroscópios sensíveis a movimento para se manter estável. Um dos mais velhos falhou depois de superar em seis meses sua duração prevista. Mas, quando a equipe tentou ligar um reserva, ele não funcionou direito.

Apesar de o telescópio ter planos reservas para funcionar com menos giroscópios, eles podem limitar para onde ele consegue apontar e quanto tempo demora para mudar de alvos.

“O Hubble passar a usar apenas um giroscópio iria dificultar nossos esforços para caracterizar as atmosferas de planetas extra-solares nos próximos anos, até o lançamento do Telescópio James Webb”, diz a cientista Jessie Christiansen, do Instituto de Ciências Exoplanetárias da NASA, ao Gizmodo. “Então, é um alívio e tanto!”

Os giroscópios do telescópio são rodas motorizadas dentro de um cilindro cheio de fluídos, que sente as mudanças no movimento do Hubble. A roda estava rodando rápido de mais, talvez porque o cilindro estava desalinhado. A equipe desligou e ligou o giroscópio, mexeu o Hubble para lá e para cá, e ficou alternando entre os dois modos da peça. Agora, ela parece estar funcionando corretamente.

Eu tenho certeza que os cientistas que trabalham com o Hubble vão me dar uma bronca e me dizer que a manobra é um pouco mais complicada do que o que eu estou falando, mas é engraçado pensar que você consegue consertar um telescópio de mais de um bilhão de dólares da mesma maneira que literalmente qualquer outro produto tecnológico. Outros também disseram a mesma coisa.

Mais testes precisam ser feitos antes de o telescópio voltar a ficar online, mas, ainda bem, a expectativa é de que ele retorne a funcionar normalmente.

Há muito para falar sobre o envelhecimento da infraestrutura espacial dos EUA. Pelo menos, ainda temos o Hubble. Por enquanto.

https://gizmodo.uol.com.br/nasa-giroscopio-hubble-desligar-ligar/

 

 

 

 

 

 

Marte pode ter oxigênio suficiente para abrigar vida, afirma estudo

A água salina no subsolo de Marte pode ter oxigênio suficiente para abrigar vida, relata um novo estudo realizado por um grupo de pesquisadores do Instituto de Tecnologia da Califórnia.

A nova descoberta foi possibilitada por óxidos de manganês encontrados pela sonda Curiosity, da Nasa - NASA/AFP/Arquivos

A nova descoberta foi possibilitada por óxidos de manganês encontrados pela sonda Curiosity, da Nasa – NASA/AFP/Arquivos

O estudo foi publicado na revista Nature Geoscience nesta segunda-feira (22).

Os cientistas desenvolveram um modelo da suposta composição da água salina para calcular a quantidade de oxigênio presente no subsolo de Marte.

 

Em alguns locais, a quantidade de oxigênio disponível poderia até mesmo manter vivo um animal primitivo multicelular como uma esponja, escreveram na revista científica Nature Geosciences.

“Nós descobrimos que a salmoura” – água com altas concentrações de sal – “em Marte pode conter oxigênio suficiente para que micróbios possam respirar”, afirmou Vlada Stamenkovic, principal autor do estudo, físico teórico do Laboratório de Propulsão a Jato da Califórnia.

“Isto revoluciona completamente nossa compreensão do potencial da vida em Marte, hoje e no passado”, declarou à AFP.

Até agora, presumia-se que a quantidade de oxigênio em Marte fosse insuficiente para sustentar a vida microbiana.

“Nós nunca pensamos que o oxigênio poderia desempenhar um papel para a vida em Marte devido à sua escassez na atmosfera, de cerca de 0,14%”, afirmou Stamenkovic.

Comparativamente, a concentração deste gás no ar que respiramos é de 21%.

Na Terra, as formas de vida aeróbicas – ou seja, que respiram oxigênio – evoluíram juntamente com a fotossíntese, que converte CO2 (gás carbônico) em O2 (oxigênio), gás que teve um papel crítico na emergência de formas de vida complexas, sobretudo após o denominado Grande Evento de Oxigenação, há cerca de 2,35 bilhões de anos.

Mas nosso planeta também abriga micróbios no fundo dos oceanos, em gêiseres, que sobrevivem em ambientes privados de oxigênio.

O novo estudo começou com a descoberta pela sonda Mars Curiosity, da Nasa, de óxidos de manganês, que são compostos químicos que só podem ser produzidos com grandes quantidades de oxigênio.

A Curiosity, juntamente com os orbitadores de Marte, também estabeleceram a presença de depósitos de salmoura, com variações nos elementos que continham.

“É por isso que sempre que pensamos na vida em Marte, nós estudamos o potencial de vida anaeróbica”, afirmou Stamenkovic.

– Vida em Marte? –

 

Um conteúdo de alta salinidade permite que a água se mantenha líquida – uma condição necessária para a dissolução do oxigênio – em temperaturas muito baixas, transformando a salmoura em ambientes favoráveis para a vida microbiana.

Dependendo da região, da estação e do momento do dia, as temperaturas no Planeta Vermelho podem variar entre -195ºC e +20ºC.

 

Um conteúdo de alta salinidade permite que a água se mantenha líquida – uma condição necessária para a dissolução do oxigênio – em temperaturas muito baixas, transformando a salmoura em ambientes favoráveis para a vida microbiana.

Dependendo da região, da estação e do momento do dia, as temperaturas no Planeta Vermelho podem variar entre -195ºC e +20ºC.

Juntos, os cálculos demostraram quais regiões do Planeta Vermelho são mais propensas a produzir oxigênio baseado em salmoura, dado que pode ajudar a determinar o posicionamento de sondas futuras.

“As concentrações de oxigênio (em Marte) são em ordens de grandeza” – algumas centenas de vezes – “maiores do que o necessário para micróbios aeróbicos ou que respiram oxigênio”, concluiu o estudo.

“Nossos resultados não sugerem que haja vida em Marte”, alertou Stamenkovic. “Mas eles mostram como a habitabilidade marciana é afetada pelo potencial de oxigênio dissolvido”.

Os pesquisadores desenvolveram um primeiro modelo para descrever como o oxigênio se dissolve na água salgada em temperaturas abaixo do congelamento.

Um segundo modelo estimou as mudanças climáticas em Marte nos últimos 20 milhões de anos e projetou como seriam nos próximos 10 milhões de anos.

 

 

 

 

Segundo a pesquisa, a composição da água poderia sustentar a vida de micróbios aeróbicos, enquanto em algumas regiões do Planeta Vermelho a concentração de oxigênio pode ser tão alta que permita até mesmo a sobrevivência de animais simples como esponjas.

“Ninguém pensou que essas concentrações de oxigênio dissolvido, necessárias para a respiração aeróbica, pudessem teoricamente existir em Marte”, disse a cientista do Laboratório de Propulsão a Jato da NASA e autora principal da pesquisa, Vlada Stamenkovic.

Os resultados mostram a possibilidade de que “a vida aeróbica possa existir em Marte e em outros corpos planetários com fontes de O2, independente da fotossíntese”, ressalta o estudo.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O espaço está inacessível para astronautas depois da falha de ontem da Soyuz

Todos os lançamentos tripulados foram suspensos pela agência espacial russa depois da falha com o foguete Soyuz ocorrida ontem. Isso é um problema, já que grande parte do mundo depende das naves da Rússia para levar carga e pessoas para o espaço. Consequentemente, estamos encarando a possibilidade bastante real de ter uma Estação Espacial Internacional sem astronautas — algo que não aconteceu em quase duas décadas.

Na manhã de ontem, um foguete de propulsão Soyuz-FG com uma espaçonave tripulada Soyuz MS-10 acoplada passou por um sério problema depois de cerca de três minutos de voo, forçando o astronauta americano Nick Hague e o cosmonauta russo Alexey Ovchinin a fazer um pouso de emergência nos estepes cazaques. De acordo com comunicados, os dois estão em “boas condições”, mas o mesmo não pode ser dito do foguete, que caiu a cerca de 40 quilômetros da cidade de Dzhezkazgan, na região de Karaganda, no Cazaquistão.

Este foi o primeiro incidente do tipo para a Roscosmos — a agência espacial russa — desde a queda da União Soviética. Em resposta, oficiais russos suspenderam todos os lançamentos antes de fazer uma revisão na falha do foguete de propulsão. Uma inquérito criminal também está em curso para determinar se regulações de segurança foram violadas durante a construção. Para isso, um comitê investigativo do governo russo está inspecionando o local de lançamento e coletando documentos, diz a agência de notícias AFP.

Com a interrupção dos lançamentos da Soyuz, não há jeito possível (ou seguro) para mandar astronautas para a Estação Espacial Internacional, nem mesmo espaço para isso.

Desde que os EUA aposentaram seu programa Space Shuttle, em 2011, eles passaram a depender dos russos. Soluções do setor privado estão sendo desenvolvidas, incluindo o CST-100 Starliner da Boeing e o Crew Dragon da SpaceX, mas nenhum dos programas está pronto para mandar humanos para o espaço até meados de 2019.

A agência espacial chinesa tem capacidade para mandar astronautas para a órbita, mas seu próximo lançamento agendado não vai acontecer antes de 2020. Se bem que isso não importa para os EUA: a NASA está atualmente proibida pelo Congresso de trabalhar com a agência espacial chinesa por temores em relação à segurança.

• Japão está testando elevador espacial em miniatura perto da Estação Espacial Internacional

A incapacidade de mandar pessoas para o espaço significa que poderemos ter uma Estação Espacial Internacional vazia em alguns meses, o que não acontece desde que a primeira equipe chegou lá, em novembro de 2000. Atualmente, há três tripulantes na estação: a astronauta da NASA Serena M. Auñón-Chancellor, Alexander Gerst, da Agência Espacial Europeia, e o cosmonauta Sergey Prokopyev.

A volta do trio para a casa está programada para dezembro, e eles estão bem supridos com comida e água, diz Kenny Todd, gestor de integração de operações da Estação Espacial Internacional na NASA, em um encontro com a imprensa ocorrido ontem. Sua missão poderia ser estendida, entretanto, já que a espaçonave Soyuz que está por lá pode permanecer em órbita por 200 dias, prazo que expira no começo de janeiro. Portanto, se a missão for estendida, seria apenas por algumas semanas.

Uma estação espacial vazia seria um desperdício. Não haveria ninguém a bordo para monitorar e realizar os muitos experimentos científicos em andamento no posto, que custou US$ 100 bilhões. A boa notícia é que a estação pode ser mantida operacional por controladores em terra, como explicou Todd durante o comunicado.

“Eu tenho confiança que podemos manter as coisas por uma quantidade de tempo significativa [sem uma equipe]”, disse. Se as “bombas fizerem seu trabalho e todos os outros sistemas — as matrizes [solares] continuarem girando, e mantivermos as baterias carregadas — não há nada que diga que não possamos continuar [com uma] quantidade mínima de comando”.

Os resultados de uma investigação preliminar do incidente de quinta-feira sugerem que uma seção do primeiro estágio do propulsor esmagou o segundo estágio durante o voo, de acordo com a agência de notícias russa TASS. Isso pode ter sido causado pela “falha do sistema de separação normal, que deveria ter sido ativado”, disse um funcionário da Roscosmos. “Vamos analisar detalhadamente as causas.”

O momento não poderia ser pior para a Roscosmos, que ainda está se recuperando de um incidente acontecido em agosto. Um pequeno vazamento de pressão de ar foi descoberto na seção Soyuz da Estação Espacial Internacional, provavelmente como resultado de uma falha de fabricação. A agência espacial russa, entretanto, chegou a considerar a possibilidade de sabotagem.

A Roscosmos afirma que o inquérito do Comitê de Investigação sobre a falha do foguete desta semana estará concluída em 20 de outubro, o que parece um pouco apressado. “Teremos que ver aonde os dados os levam”, disse Todd. “E isso pode levar um mês, dois ou seis — eu realmente não posso especular sobre a duração disso.” Ele acrescenta que tem “total confiança que os colegas russos vão descobrir o que está acontecendo.

Em um comunicado à imprensa publicado ontem, a Nasa disse que vai “apoiar a [investigação da] Roscosmos” sobre o incidência. A agência espacial, juntamente com seus parceiros da EEI, “vão revisar os calendários operacionais futuros, incluindo o plano para duas passeios no espaço que deveriam acontecer ainda em outubro”.

Enquanto isso, o chefe da Roscosmos, Dmitry Rogozin, afirma que Ovchinin e Hague serão entregues à EEI em pouco tempo. “Eles vão voar”, disse ele em um tweet com uma foto dele mesmo com os dois astronautas. “Estamos planejando seu voo para o primeiro semestre do ano que vem.”

É uma alegação completamente infundada, pois ninguém pode prever os resultados da investigação do governo ou por quanto tempo os voos tripulados da Soyuz ficarão suspensos. Rogozin provavelmente está tentando salvar sua em meio ao atual constrangimento.

Dizer que esta situação é perturbadora é um eufemismo. Ela pareceria inconcebível para americanos e russos no auge da corrida espacial nos anos 60 e 70. Do ponto de vista otimista do passado, deveríamos ter estações espaciais na Lua e em Marte agora. Em vez disso, aqui no ano de 2018, não podemos colocar homens e mulheres na órbita baixa da Terra. O que aconteceu?

[AFP, AFP, Space, TASS, NASA]

Imagem do topo: O foguete Soyuz transportando o astronauta norte-americano Nick Hague e o cosmonauta russo Aleksey Ovchinin. Créditos: AP

https://gizmodo.uol.com.br/espaco-inacessivel-falha-soyuz/

Nasa trabalha em “Waze” para ser usado em Marte

Se você tiver um celular e acesso à internet, é praticamente impossível se perder em boa parte do planeta Terra atualmente. Luxo há alguns anos, a navegação GPS se popularizou de tal maneira que ferramentas de mapas, como Google Maps e Waze, se tornaram essenciais no cotidiano de boa parte das pessoas.

Nasa trabalha em "Waze" para ser usado em Marte.

Nasa trabalha em “Waze” para ser usado em Marte.

Mas e se elas quiserem se localizar fora do nosso planeta? Como saber qual o caminho correto para ir da cratera “A” até a cratera “B” na Lua, por exemplo?

Para resolver esse “problema”, a Nasa, em parceria com a Intel, trabalha na construção de um sistema de navegação que possa ser utilizado em outros lugares do universo.

Para começar, ele não poderia ser chamado de GPS. Isso, porque, a sigla se refere à “sistema de posicionamento global” e, bem, esse guia espacial não usaria satélites na órbita da Terra (ou de outro planeta) para determinar a sua posição e sugerir uma rota.

É aqui que entra o uso da inteligência artificial. A meta dos pesquisadores é usar essa tecnologia para criar um sistema que seja capaz de identificar, por meio de fotos, qualquer lugar da superfície de um planeta ou satélite com a Lua.

O sistema, em questão, seria uma espécie de banco de dados de fotografias que, uma vez analisadas, criariam um modelo virtual do corpo celeste.

Com esse modelo formado, caberia a inteligência artificial analisar a posição de quem procura informações de localização – a consulta dos interessados se daria por meio de uma foto enviada ao sistema – e determinar a melhor rota para se chegar ao local desejado.

Para testar a eficácia do sistema, os pesquisadores “criaram” uma Lua, abastecendo a inteligência artificial com 2,4 milhões de imagens de um corpo celeste hipotético. Esse material teria sido o suficiente para permitir que se navegasse pela superfície dessa Lua.

O próximo passo da equipe é utilizar imagens reais de Marte para criar o mesmo banco de dados e permitir que a sua superfície seja mapeada a ponto do sistema de navegação ser capaz de dar orientações para quem quiser se locomover pelo planeta.

Se tudo der certo, é bastante provável que os primeiros humanos a pisarem no planeta vermelho terão meios de se locomover sabendo exatamente como e para onde estão indo.

Nasa deve lançar nave que vai ‘tocar’ o Sol no dia 11

Nasa deve lançar nave que vai 'tocar' o Sol no dia 11

Nasa deve lançar nave que vai ‘tocar’ o Sol no dia 11

A Nasa, que há uma semana completou 60 anos de existência, está finalizando os preparativos para uma das missões espaciais mais audaciosas de sua história. Na madrugada do próximo sábado, um dos mais poderosos foguetes do mundo, o Delta IV Heavy, deverá iluminar os céus de Cabo Canaveral, na Flórida, levando em sua cápsula a nave Parker Solar Probe (PSP), que será o primeiro artefato humano a “tocar” o Sol.

Nasa deve lançar nave que vai 'tocar' o Sol no dia 11

Nasa deve lançar nave que vai ‘tocar’ o Sol no dia 11

No fim dessa aventura inédita, programada para durar sete anos, a PSP chegará a 6,3 milhões de quilômetros de distância da superfície do Sol, um sobrevoo muito próximo, considerando os mais de 150 milhões de quilômetros de distância que separam a Terra de sua estrela. Suportando temperaturas e níveis de radiação nunca enfrentados por outra espaçonave, a PSP tem o objetivo de desvendar uma série de mistérios científicos que intrigam astrofísicos há décadas.

Com custo de cerca de U$S 1,5 bilhão (aproximadamente R$ 5,5 bilhões), a missão deverá mudar radicalmente a compreensão sobre o Sol e sobre sua influência no clima espacial – incluindo as tempestades solares que afetam os sistemas de satélites e as redes de eletricidade na Terra, de acordo com Nicola Fox, do Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins (EUA), que desenvolveu a missão PSP para a Nasa.

“A missão responderá questões sobre a física solar que têm nos deixado confusos por mais de seis décadas. É uma espaçonave carregada com inovações tecnológicas que resolverão muitos dos principais mistérios sobre a nossa estrela. Um dos objetivos centrais é descobrir por que a corona (parte externa da atmosfera) do Sol é tão mais quente que a superfície solar”, disse Fox.

Formada por plasma ultra-aquecido a milhões de graus, a corona envolve todo o Sol e consiste na parte externa de sua atmosfera – e ninguém sabe até hoje como ela pode ser milhares de vezes mais quente que a superfície e o interior do Sol. A corona também é, segundo cientistas, a origem do vento solar – um fluxo supersônico de partículas que o astro lança em todas as direções e afeta todo o Sistema Solar.

“Não sabemos como o vento solar se acelera tão rapidamente na corona, chegando a milhões de quilômetros por hora”, diz o diretor da divisão de ciência heliofísica da Nasa, Alex Young.

Para observar a origem dos ventos solares, a PSP vai “mergulhar” na corona. A nave deverá trazer mais informações sobre a corona e os ventos solares do que qualquer outro recurso científico já utilizado.

“Estamos nesse ambiente incrivelmente dinâmico do Sol e somos atingidos pelos ventos solares, que podem afetar não apenas a saúde de astronautas que trabalham no espaço, mas também nossos satélites, as telecomunicações e, em casos extremos, pode derrubar os sistemas de energia na Terra”, disse Young.

Lixo espacial equivale à estrutura de metal da Torre Eiffel, diz Agência Espacial Europeia

A Agência Espacial Europeia (ESA, na sigla em inglês) contabilizou no fim do ano passado 19.894 objetos de lixo espacial, que circulavam ao redor da Terra, cuja massa conjunta é de, pelo menos, 8.135 toneladas, “mais que toda a estrutura de metal da Torre Eiffel”.

Lixo espacial equivale à estrutura de metal da Torre Eiffel, diz Agência Espacial Europeia

A ESA publicou nesta sexta-feira um novo relatório sobre lixo espacial, que inclui fatos, números e gráficos que mostram uma imagem detalhada de como evoluiu a quantidade de lixo que orbita o nosso planeta.

“O lixo espacial inclui todos os objetos criados pelo ser humano que não funcionam e estão em órbita sobre a Terra. Alguns deles entram regularmente na atmosfera”, disse a ESA.

A era espacial começou em 4 de outubro de 1957 com o lançamento do Sputnik 1 pela União Soviética, o primeiro satélite artificial da história. Desde então, o lixo espacial em órbita foi crescendo de forma contínua.

Primeiro, eram só partes superiores de foguetes e satélites obsoletos em órbita, mas depois, foram acrescidos pequenos objetos que geraram explosões e colisões.

O relatório anual revisa como o entorno espacial evoluiu no último ano e também como mudou desde o envio dos primeiros satélites.

Há muito tempo, a ESA adverte que o lixo espacial aumenta de forma preocupante e representa um grave perigo para os satélites operacionais.

Além disso, os objetos maiores poderiam voltar a entrar na atmosfera e cair na superfície terrestre, em áreas que poderiam estar povoadas.

O relatório assegura que o número de objetos, sua massa total e a área que ocupam aumentou ao longo do tempo até 2017.

Por isso, 60 anos depois do início da era espacial, as agências espaciais começaram a implementar opções de para o fim da vida útil dos instrumentos lançados ao espaço.

Por exemplo, a iniciativa da ESA “Espaço Limpo” procura formas para limpar o espaço e evitar a criação de mais lixo espacial.

Agora, com a tecnologia CubeSat de design de satélites pequenos e de baixo custo, o espaço em torno do planeta está ficando cada vez mais cheio e esses objetos podem danificar outras missões, por isso a ESA diz que é necessário limpar o espaço para assegurar um futuro sustentável.

No início dos anos 1960, as pesquisas realizadas nos EUA já alertavam para o problema, mas demorou bastante tempo até que a preocupação chegasse à comunidade internacional.

Em uma conferência no centro de controle de operações na cidade de Darmstadt, na Alemanha, a ESA alertou no ano passado que grandes companhias como Google e Oneweb querem lançar uma grande quantidade de satélites pequenos ao espaço, a órbitas baixas, que podem pôr em perigo as missões de satélites grandes e muito caros das agências espaciais.

A companhia Oneweb quer criar uma grande constelação de satélites para proporcionar um serviço de internet de banda larga a todo o mundo.

Para isso, será necessário colocar em órbita baixa cerca de 700 satélites nos próximos anos.

Esses satélites seriam lançados a partir de dezembro 2018 através de um foguete russo Soyuz ST, mas o primeiro lançamento foi adiado ontem para março de 2019, segundo a agência de notícias russa “Sputnik”.