Monthly Archives: janeiro 2017

Cientistas calcularam a massa de toda a Via Láctea, e o número tem 40 zeros

Astrônomos chegaram ao que acreditam ser a medida mais precisa da massa da Via Láctea: cerca de 4,8 x 10¹¹ vezes a massa do Sol, ou “massas solares”, se quiser usar uma unidade padrão de massa da astronomia.

Isso representa cerca de 9,5 x 10^41 kg, traduzindo, é o número 95 seguido por 40 zeros.

O valor, é claro, é estimado, já que não temos nenhuma medida exata de todos os bilhões de estrelas e outros objetos que existem na Via Láctea (e nem conseguimos pesá-los em uma balança).

Em um artigo publicado no The Astrophysical Jornal, os cientistas explicam como usaram métodos de medição que envolvem complexas técnicas matemáticas e estatísticas, como a análise hierárquica bayesiana, além de medições diretas da velocidade de aglomerados globulares, os grupos esféricos bem embalados de 10.000 a 100.000 velhas estrelas que se movem pela galáxia.

Assim como a massa do Sol pode ser calculada medindo sua força gravitacional na Terra, a massa da Via Láctea pode ser calculada medindo sua atração gravitacional sobre os aglomerados globulares.

A estimativa inclui tudo dentro de 125 quiloparsecs (unidade de distância usada em astronomia para representar distâncias estelares) do centro da galáxia – ou seja, em 3,9 x 10^18 quilômetros.

Telescópio espacial europeu Gaia revela o mapa mais detalhado já produzido da Via Láctea, um catálogo de 1 bilhão de estrelas

E “tudo” não são apenas estrelas: existem planetas, luas, gases, poeira e outros objetos, para não mencionar a imensa quantidade de matéria escura.

A autora principal da pesquisa, Gwendolyn M. Eadie, da Universidade de McMaster, em Ontário, Canadá, afirmou em entrevista ao “The New York Times” que as descobertas eram importantes do ponto de vista de um astrônomo.

“Os métodos que desenvolvemos podem ser importantes em outros estudos. Estes métodos eram utilizados em outros campos, mas estão começando a se tornar mais úteis na astronomia agora que temos computadores que podem fazer cálculos complexos”.

O que isso significa para nós, reles mortais? “Isso apenas satisfaz a curiosidade sobre o mundo e galáxia em que vivemos”, disse ela.

Descoberta de galáxia rara pode ajudar a explicar a forma da Via Láctea

A descoberta de uma galáxia com um raro formato, descrita pela primeira vez em um artigo publicado na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, pode ajudar a astronomia a explicar a origem do formato de galáxias mais comuns, como a Via Láctea.

Arco ascendente da Via Láctea foi observado em Mauna Kea, no Havaí

Situada a 350 milhões de anos-luz da Terra, a PGC 1000714, ou Galáxia de Burcin tem o formato conhecido como Objeto de Hoag –um centro luminoso rodeado por um anel exterior sem nada que os una.

Apenas uma em cada mil galáxias possui este formato, mas este gigantesco acúmulo de estrelas, poeiras e gás é ainda mais peculiar, já que possui um segundo anel, mais próximo do centro galáctico.

O que intrigou os cientistas, e que pode trazer uma outra visão da natureza do cosmos, é a maneira como se configurou esta galáxia, que só pode ser vista a partir do Hemisfério Sul –suas imagens foram feitas no observatório de Las Campanas, no Chile.

Entre as possibilidades analisadas pelos astrônomos ligados à descoberta da rara galáxia está a hipótese de que ela se originou de um choque com outra galáxia anã. Um cruzamento entre galáxias raramente produz uma colisão. O efeito da gravidade das matérias ao atravessarem-se, no entanto, pode ter produzido o anel externo.

Via Láctea é formada por um corpo de massa e nuvens instalares

Via Láctea é formada por um corpo de massa e nuvens instalares

A compreensão deste processo de formação de galáxia poderia ser útil para os astrônomos entenderem como as galáxias com formato elíptico, como a Via Láctea, teriam se desenvolvido.

Uma simulação realizada em 2011 já apontava que o formato da Via Láctea, com seu corpo de massa e nuvens interestelares, se devia a um encontro com a galáxia anã de Sagitário.

A líder do estudo, Burcin Mutlu-Pakdil, no entanto, acredita que para que a tese sobre a formação de galáxias ocorra a partir do cruzamento com outras galáxias anãs seja, de fato útil, é preciso encontrar outros exemplos.

“O pequeno número de objetos conhecidos não proporciona conclusões definitivas sobre sua natureza, evolução e propriedades sistemáticas”, afirmou a pesquisadora ao jornal “El País”, completando que é importante “incrementar a amostra”, realizando “estudos detalhados sobre possíveis candidatos”.

Via Láctea se move ao ser empurrada e puxada ao mesmo tempo

Nossa galáxia se desloca a uma velocidade de mais de 2 milhões km/h, e um dos responsáveis por esse movimento seria um imenso vazio no espaço profundo que a “empurra” – revela um estudo publicado nesta segunda-feira (30) na revista Nature Astronomy.

Arco ascendente da Via Láctea foi observado em Mauna Kea, no Havaí

Embora não percebamos, a Terra gira sobre seu eixo a 1.600 km/h, e em volta do Sol a 100.000 km/h. O astro orbita o centro da Via Láctea a 850.000 km/h. E nossa galáxia navega a quase 2,3 milhões km/h, ou seja, 630 quilômetros por segundo.

Há 40 anos, os astrofísicos tentam compreender o que causa o deslocamento da Via Láctea e sua direção.

Nos anos 1980, os astrônomos descobriram que uma região de aglomerados de galáxias situada a cerca de 150 milhões de anos-luz da Terra atraía a Via Láctea sob o efeito da gravidade.

Posteriormente, perceberam que um grupo de mais de duas dúzias de galáxias chamado Concentração Shapley, situado a 600 milhões de anos-luz, exercia o mesmo efeito.

Ambos os fenômenos eram insuficientes, porém, para explicar o movimento da Via Láctea.

O novo estudo revela o papel de um “vazio” extragaláctico, quase totalmente desprovido de matéria visível e invisível.

“Se você cria um vácuo em uma região do universo, os elementos que se encontram na periferia se afastarão, porque eles vão ser atraídos por outras regiões sob o efeito da gravidade”, explica o engenheiro francês Daniel Pomarede, integrante da equipe internacional de astrofísicos que fez o estudo, dirigida por Yehuda Hoffman, da Universidade Hebraica de Jerusalém.

“Cartografamos em 3D o fluxo das galáxias através do espaço e descobrimos que a Via Láctea estava se afastando a grande velocidade de uma vasta região muito pouco densa, até então não identificada”, que foi chamada de Dipole Repeller, relatou Hoffman.

“Além de ser puxada em direção à conhecida Concentração Shapley, a Via Láctea também está sendo empurrada para longe do recém-descoberto Dipole Repeller”, acrescentou.

Quer ser um astrônomo amador? Aprenda a observar o céu com profissionais

Superluas, eclipses e a descoberta de exoplanetas. Os eventos da astronomiapodem ser lindos, emocionantes e não tão difíceis de acompanhar quanto podem parecer. Confira dicas para observar os céus e enxergar além das estrelas.

Quer ser um astrônomo amador? Aprenda a observar o céu com profissionais

 

Céu escuro

Para observar o céu o melhor horário é quando está escuro e sem nuvens. “O grande problema com as cidades grandes é que tem poluição luminosa. A primeira coisa que digo é que quando estiver em um lugar escuro pare e olhe para cima que já dá para ver muito mais coisas”, explica Thiago Signorini Goncalves, professor do Observatório do Valongo (UFRJ).

Aplicativos

Se você é usuário do iPhone ou iPad, a Apple disponibiliza o aplicativo Star Walk. Basta direcionar o aparelho para o céu para obter detalhes como nomes e direções das estrelas.

Já o Google Sky é um serviço online que permite uma visualização do espaço. É semelhante ao Maps, mas em vez de navegar por países e continentes o usuário pode observar as galáxias. O programa usa imagens de observatórios espaciais pelo mundo.

Binóculos

Para avistar melhor o céu nem sempre é necessário um telescópio, um binóculo pode tornar alguns aglomerados estelares perfeitamente visíveis.

Astrônomos experientes costumam recomendar os binóculos para quem está iniciando na astronomia. Eles são mais baratos e mais fáceis de usar que os telescópios. Observar a Via Láctea com binóculos é uma sensação indescritível. Prefira os modelos com pouco aumento (de 7 a 10 vezes)

Gustavo Rojas, astrônomo da Universidade Federal de São Carlos

Gustavo Rojas, astrônomo da Universidade Federal de São Carlos

Telescópio

Se você estiver disposto a investir um pouco mais, os especialistas dizem que uma luneta simples com lente objetiva de 60mm pode ser encontrada a partir de R$ 500.

“Não digo para comprar um telescópio de cara, porque é caro e a pessoa pode não usar tanto. Tem muito telescópio de baixa qualidade com uma ótica ruim, que a imagem não ficaria tão boa. Um aumento de 25 a 50 vezes já dá para ver muita coisa”, explica Signorini.

O que olhar?

Para quem está começando a observar o céu e ainda não sabe para onde apontar as lentes o alvo mais fácil de ver é a Lua.

O melhor momento para ver a Lua é quando ela está crescente ou minguante. Quando está cheia não dá para ver os detalhes porque a luz atrapalha

Thiago Signorini Goncalves, professor do Observatorio do Valongo

Como encontrar uma estrela cadente?

As chamadas estrelas cadentes são, na verdade, meteoros e podem ser observados durante a madrugada em um local escuro.

“As melhores épocas são nas chuvas de meteoros, quando há uma atividade muito maior desse tipo de fenômeno. No Brasil, as melhores acontecem em 4 de maio (Eta Aquarídeos) e 13 de dezembro (Geminídeos)”, explica Rojas.

Chuva de meteoros Perseidas

Chuva de meteoros Perseidas

Não desista!

A principal dica dos astrônomos é ter paciência. “É necessário investir tempo e enfrentar noites geladas para se aprofundar nos segredos do Universo. Aproveite os recursos que a internet oferece, como aplicativos, sites e fóruns, e compartilhe suas experiências com outros entusiastas”, diz Rojas. O cientista compartilha dicas de observação em seu videocast semanal.

Outra forma de olhar o céu e entender melhor o que acontece no universo é procurar observatórios abertos ao público e participar de observações com astrônomos.

 

Cientistas comprimem hidrogênio a ponto de virar metal e confirmam teoria de mais de 80 ano

Cientistas comprimem hidrogênio a ponto de virar metal e confirmam teoria de mais de 80 anos

ntistas dos Estados Unidos conseguiram comprimir hidrogênio a ponto de transformá-lo em metal, de acordo artigo da revista “Science” desta semana. Esse tipo de material é totalmente novo e poderia ser usado como um bom condutor de eletricidade, segundo os pesquisadores.

Sequência de imagens feita a partir de vídeo que mostra o hidrogênio em diferentes estágios de compressão (Foto: Isaa Sivera / Handout via REUTERS)

A descoberta é a primeira confirmação da teoria dos físicos Hillard Bell Huntington e Eugene Wigner, criada em 1935. Eles apresentaram a hipótese de que o hidrogênio, que fica naturalmente no estado gasoso, pode se transformar em metal após passar por extrema pressão.

Para conseguir o feito, os físicos da Universidade de Harvard Isaac Silvera e Ranga Dias comprimiram uma pequena amostra de hidrogênio com uma pressão de 32,5 milhões de quilos em 6,5 cm², maior que a encontrada no centro da Terra.

Várias equipes de pesquisa tentavam desenvolver o hidrogênio metálico. O novo material é altamente valorizado. Atualmente, os supercondutores, como aqueles usados em ressonâncias magnéticas, precisam ter suas máquinas resfriadas com hélio em estado líquido e em temperaturas muito baixas. Isso encarece o processo.

“Este é o Santo Graal da física de alta pressão”, disse Silvera. “É a primeira amostra de hidrogênio metálico da Terra. Quando você está olhando pra ela, você está olhando para algo que nunca existiu antes”, completou em comunicado.

O professor de física David Ceperley, da Universidade de Illinois, não participou do estudo, mas disse que a descoberta, se confirmada, encerra uma pesquisa que levou décadas para ver como o hidrogênio – o elemento mais comum no universo – pode se tornar um metal.

Tiquetaque, tique… o Relógio do Apocalipse está meio minuto mais perto do fim

É um momento histórico, que não acontecia desde 1953, quando ficou a dois minutos do fim de tudo. O “relógio” acertado por um grupo de cientistas de renome está apenas a dois minutos e meio da meia-noite.

Pode dizer-se que o resultado não foi surpreendente: o Relógio do Apocalipse está a dois minutos e meio da meia-noite. Já se esperava que o “relógio”, acertado por especialistas da revista Bulletin of the Atomic Scientists, se adiantasse relativamente a 2015 e 2016, anos em que marcou as 23h57. Quais os motivos para este avanço? Os mais citados na conferência de imprensa desta quinta-feira foram Donald Trump, as alterações climáticas, a cibertecnologia e as armas nucleares.

Donald Trump foi um dos motivos mais citados para o avanço dos ponteiros

Donald Trump foi um dos motivos mais citados para o avanço dos ponteiros

Como uma grande metáfora dos cientistas atómicos, o Relógio do Apocalipse voltou a deslocar os ponteiros em direcção ao fim. O anúncio foi às 15 horas de Lisboa, via streaming da cidade de Washington: pela primeira vez na história do Relógio do Apocalipse são adiantados uns “icónicos” 30 segundos. “Ao longo de 2016, o cenário de segurança global tornou-me mais negro, pois a comunidade internacional falhou as medidas às ameaças, às armas nucleares e às alterações climáticas…”, refere um comunicado do painel de especialistas que decidiu a nova hora deste relógio.

Os ponteiros deste relógio são movimentados por um painel composto por 14 cientistas – especialistas em energia nuclear, desarmamento, armas ou alterações climáticas – e que é liderado por Lynn Eden, Investigadora no Centro para Cooperação e Segurança Internacional, da Universidade de Stanford, EUA. Esta apreciação é feita também por um painel de cientistas que inclui Freeman Dyson, Brian Greene, Stephen Hawking ou Martin Rees. Entre eles, há 15 cientistas laureados com o Prémio Nobel, como Steven Weinberg, Nobel da Física de 1979. Todos calculam se a humanidade estava mais próxima ou mais longe de se autodestruir.

“Para marcar o 70.º aniversário do Relógio do Apocalipse, a deliberação deste ano é muito mais urgente do que o normal”, começou por dizer Rachel Bronson, directora executiva do boletim. E referiu que os perigos das armas nucleares, a eleição de Donald Trump para a Presidência dos Estados Unidos e as alterações climáticas foram largamente tidos em conta.

Depois do anúncio, Lawrence Krauss, professor de física na Universidade do Arizona (EUA), salientou a “importância histórica do dia de hoje”, uma vez que desde 1953 que o relógio não se aproximava tanto do “apocalipse”. “Em 2016, os líderes mundiais não só falharam na negociação adequada dos perigos, como o risco de uma guerra nuclear aumentou actualmente.”

“Os Estados Unidos e a Rússia – que possuem mais de 90% das armas nucleares no mundo – estão numa quantidade ímpar de teatros de guerra, como na Síria, na Ucrânia e nas fronteiras da NATO. Ambos continuam a modernizar em grande quantidade as suas armas nucleares e a controlar fortemente o armamento.”

Além destes dois países, também a Coreia do Norte foi referida, devido aos testes nucleares que tem vindo a fazer. As ameaças nucleares apontadas pelos cientistas também se estendem a países como a Índia e o Paquistão.

Trump e Putin “como crianças petulantes”

Lawrence Krauss também salientou a importância da cibertecnologia, a propósito da falta de segurança na Internet e do perigo das notícias falsas. Já David Titley, da Universidade da Pensilvânia (EUA), centrou o seu discurso nas alterações climáticas, a propósito da subida do nível do mar e do aumento da temperatura na Antárctida.

“Garantir no futuro que a temperatura não sobe para níveis catastróficos requer uma redução das emissões dos gases com efeito de estufa além dos acordados em Paris [em 2015], ainda que conferência do clima em Marraquexe tenha havido pequenas cortes”, lê-se no comunicado. Lawrence Krauss deixou ainda uma mensagem: “A Administração de Trump precisa clara e inequivocamente de aceitar as alterações climáticas, causadas pela actividade humana, como uma realidade.”

A chamada de atenção a Donald Trump foi geral: “A situação no mundo tem sido ameaçadora devido ao cenário dos nacionalismos em crescimento em 2016, incluindo a campanha presidencial nos Estados Unidos, e depois com a vitória de Donald Trump, que fez comentários perturbadores sobre o uso e a proliferação das armas nucleares e de afirmações de descrença sobre o impressionante consenso científico relativo às alterações climáticas”, refere ainda o comunicado.

O alerta mais efusivo veio de Lawrence Krauss, que se dirigiu não apenas a Donald Trump, mas também a Putin. “O Presidente Trump e o Presidente Putin podem escolher agir em conjunto como políticos ou como crianças petulantes, e desta forma arriscam o nosso futuro.” Dirigindo-se a todos nós, disse ainda: “Pedimos a todas as pessoas que se manifestem e enviem uma mensagem aos nossos líderes, que estão a ameaçar desnecessariamente o nosso futuro e o futuro das nossas crianças.”

Já se esperava este resultado. Também houve uma votação aberta a todos no site do Bulletin of the Atomic Scientists. Nessa votação, 78% dos votantes apostava que os ponteiros do relógio se deslocariam para menos de três minutos, 11% que se movimentariam para mais de três minutos e 10% que ficariam nos três minutos.

Um “relógio” que funciona desde 1947

Foi em 2015 que o Relógio do Apocalipse se deslocou dos cinco minutos, marcados em 2012, para os três minutos do fim. “Alterações climáticas sem controlo, a modernização global das armas nucleares e arsenais grandes de mais representam ameaças extraordinárias e inegáveis à existência continuada da humanidade, e os líderes mundiais não têm agido com a velocidade ou na escala que se exigia para proteger os cidadãos da catástrofe potencial”, comentou na altura o painel de cientistas.

Em 2015, Rachel Bronson dizia ao PÚBLICO que estava muito satisfeita com a atenção que tiveram nesse ano, pois 400 mil pessoas assistiram via streaming ao acerto dos ponteiros nesse ano.

No ano passado, os três minutos mantiveram-se e os cientistas foram bem claros: “Esta decisão não é uma boa notícia, mas sim um sinal de desalento para com os líderes mundiais, que continuam a falhar o ênfase das suas decisões, assim como na reduzida atenção do mundo para com perigo extremo que representa ser dominado pelas armas nucleares e as mudanças climáticas.”

Em 1953, os ponteiros também marcaram dois minutos para a meia-noite. O clima era o da Guerra Fria e os Estados Unidos e a União Soviética faziam os primeiros testes termonucleares. Nos anos seguintes, os ponteiros foram variando de posição. Em 1991, chegaram a estar a 17 minutos da meia-noite. Nesse ano, o Muro de Berlim desmoronava-se e, com isso, adivinhava-se o fim da Guerra Fria. Além disso, os Estados Unidos e a União Soviética assinavam o Tratado para a Redução de Armas Estratégicas, o primeiro acordo bilateral para redução das armas nucleares.

O Relógio do Apocalipse foi criado em 1947 e foi incluído na capa da revista Bulletin of the Atomic Scientists, para alertar para os perigos nucleares. Estava a sete minutos da meia-noite. Afinal, só tinham passado dois anos desde o lançamento das bombas atómicas em Hiroxima e Nagasáqui, no Japão. Desde então, já se acertou 23 vezes. A primeira vez em que isso aconteceu foi em 1949, ficando a três minutos da meia-noite. Naquele o ano, o Presidente dos Estados Unidos, Harry Truman, anunciou que os soviéticos estavam a fazer os primeiros testes nucleares.

E a revista Bulletin of the Atomic Scientists surgiu em 1945, criada por cientistas do Projecto Manhattan, dirigido por Robert Oppenheimer para fazer as primeiras bombas atómicas, durante a Segunda Guerra Mundial, e que não queria ficar indiferentes às consequências do uso da energia nuclear. No passado, o painel de cientistas do Bulletin of the Atomic Scientists já contou, além de Robert Oppenheimer, com nomes de peso como Albert Einstein, Leo Szilard, Edward Teller, Robert Wilson, Harold Urey ou Arthur C. Clarke.

Eclipses e chuvas de meteoros: veja principais eventos astronômicos de 2017

Se 2016 foi o ano das superluas, em 2017 só vai haver uma chance de observar esse fenômeno. Em compensação, haverá dois eclipses solares.

Esse também é o ano da despedida da sonda Cassini, da Nasa, que explora o planeta Saturno há mais de 12 anos. Em setembro a sonda deve fazer um mergulho suicida na atmosfera do planeta transmitindo todos os dados que puder até seu último momento de existência.

 

Chuva de Perseidas poderá ser vista em agosto; foto da chuva em 2015

Chuva de Perseidas poderá ser vista em agosto; foto da chuva em 2015

Confira os principais eventos do ano:

Fevereiro

11 – Eclipse lunar – O fenômeno será visível durante a maior parte do leste da América do Sul, leste do Canadá, o Oceano Atlântico, Europa, África e Ásia ocidental.

“Trata-se de um eclipse penumbral, e, portanto, a Lua tem seu brilho pouco atenuado”, explica Maria de Fátima Saraiva do departamento de Astronomia, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

26 – Eclipse anular do Sol. Será visível como parcial de quase todo o Brasil, com exceção da região Norte.

 

Abril

7 – Júpiter mais visível
“O planeta estará em oposição, ou seja, exatamente oposto ao Sol para nós aqui na Terra. Isso significa que ele estará o mais brilhante possível. Ele nasce a leste e poderá ser observado a noite toda”, explica Roberto Dias da Costa, professor do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da USP.

16 a 25 – Chuva de meteoros Lirideas

Junho

15 –  É a vez de Saturno entrar em oposição e ficar mais visível

Agosto

7 – Eclipse parcial da Lua

12 e 13 – Chuva de meteoro Perseidas

21 – Eclipse Solar. O evento vai ser total apenas nos EUA. No Brasil, ele poderá ser visto como parcial para observadores nas regiões Norte, Nordeste e parte do centro-oeste

Imagem da sonda Cassini mostra o planeta Saturno e duas das suas mais de 60 luas

Setembro

15 – Último mergulho da sonda Cassini

Outubro

21 – Chuva de meteoros Orionídeas

Novembro

18 – Chuva de meteoro Leonídeos

Dezembro

4 – Única superlua do Ano

14 – Chuva de Meteoros Geminideos (Será visível na metade da noite, na direção da constelação de Gêmeos)

A família que viveu isolada na Sibéria por 42 anos sem saber da 2ª Guerra Mundial e da viagem à Lua

De 1936 a 1978, os Lykov sobreviveram longe da civilização, após fugirem das patrulhas comunistas que estavam matando cristãos ortodoxos no país.

Durante mais de quatro décadas, a família Lykov viveu completamente isolada da civilização em meio à neve do sul da Sibéria, na Rússia, para fugir da morte pelas mãos do regime soviético.

A família Lykv levava uma vida bastante primitiva e repleta de privações

A família Lykv levava uma vida bastante primitiva e repleta de privações

Foi assim que, vivendo sem rádio ou televisão, Karp, Akulina, Savin, Dmitriy, Natalia e Agafia nunca tomaram conhecimento dos horrores da 2ª Guerra Mundial ou da chegada do homem à Lua.

Sua existência só foi descoberta em 1978, quando quatro geólogos que exploravam a região de helicóptero avitaram primeiro o jardim dos Lykov e, depois, a cabana de madeira onde moravam há 42 anos.

Até então, não havia qualquer registro de atividade humana naquela área, e o assentamento mais próximo ficava a 200 km de distância.

“Quando nos aproximamos da cabana, um senhor com uma barba comprida saiu um pouco assustado. Era Karp, o pai”, disse a geóloga Galina Pismenskaya ao jornalista russo Vasily Peskov, que revelou a história em 1994 no livro Perdidos na Taiga.

“Nós o cumprimentamos, mas não fomos correspondidos de imediato. Depois de alguns minutos, ele disse: ‘Se vieram de tão longe, é melhor que entrem.”

‘Velhos crentes’

Pouco a pouco, os geólogos começaram a interrogar os membros da família para saber como haviam chegado até ali e, principalmente, como haviam sobrevivido ao rigor do clima siberiano por tanto tempo.

Geólogos descreveram o interior da cabana de madeira e sem janelas onde os Lykov moravam como 'medieval'

Geólogos descreveram o interior da cabana de madeira e sem janelas onde os Lykov moravam como ‘medieval’

Logo nos primeiros intercâmbios de histórias, o que mais chamou atenção da família foi uma caixa que os geólogos levaram para a cabana: era uma televisão.

De acordo com o relato de Peskov ao jornalista britânico Mike Dash na revista Smithsonian Magazine, por causa do isolamento, os Lykov haviam se esquecido um pouco do idioma russo que falavam quando abandonaram a civilização.

Depois de várias visitas e conversas não só com Karp, mas também com outros membros da família, os geólogos conseguiram saber o motivo que os levou àquele lugar.

Karp e sua mulher, Akulina, eram o que se chama na Igreja Ortodoxa Russa de “velhos crentes”, cristãos partidários de ritos e da liturgia mais antiga.

Os “velhos crentes” não aceitavam as profundas mudanças que haviam ocorrido em sua igreja em 1654 com a chamada Reforma de Nikon. Por isso, foram perseguidos não só pelos czares, mas também pelo regime comunista que se instalou no país a partir de 1917.

Agafia (esq.) é a única sobrevivente da família; sua irmã Natalia faleceu em 1981

Agafia (esq.) é a única sobrevivente da família; sua irmã Natalia faleceu em 1981

Essa perseguição chegou a Karp e Akulina em 1936. O homem narrou como eles decidiram fugir após uma patrulha bolchevique atirar em seu irmão quando eles trabalhavam nos arredores da cidade onde viviam no sul da Rússia.

Com sua mulher e os filhos que tinham até o momento (Savin e Natalia), ele pegou alguns pertences, vários tipos de sementes que tinha guardados e submergiu nas profundezas da taiga, o bosque de árvores e neve siberiano.

Ali, começaram uma nova vida, longe das patrulhas que queriam executá-los por suas crenças e isolados de tudo que acontecia no restante do mundo.

Nesse tempo, ocorreu a 2ª Guerra Mundial, o assassinato do presidente americano John F. Kennedy, a chegada do homem à Lua. Enquanto isso, a família se dedicava a ler a Bíblia, a semear e caçar sua própria comida e a fazer roupas a partir de peles de animais.

Nesse lugar inóspito, a família cresceu conforme o casal teve mais dois filhos: Dmitriy e Agafia.

Luta pela sobrevivência

A maioria das reservas de petróleo e gás natural da então União Soviética – e, hoje, da Rússia – repousam sob o solo siberiano. Os quatro geólogos buscavam um novo local de exploração quando avistaram a cabana dos Lykov e mudaram de planos.

A maioria dos membros da família morreram poucos anos depois de serem encontrados

A maioria dos membros da família morreram poucos anos depois de serem encontrados

Essa perseguição chegou a Karp e Akulina em 1936. O homem narrou como eles decidiram fugir após uma patrulha bolchevique atirar em seu irmão quando eles trabalhavam nos arredores da cidade onde viviam no sul da Rússia.

Com sua mulher e os filhos que tinham até o momento (Savin e Natalia), ele pegou alguns pertences, vários tipos de sementes que tinha guardados e submergiu nas profundezas da taiga, o bosque de árvores e neve siberiano.

Ali, começaram uma nova vida, longe das patrulhas que queriam executá-los por suas crenças e isolados de tudo que acontecia no restante do mundo.

Nesse tempo, ocorreu a 2ª Guerra Mundial, o assassinato do presidente americano John F. Kennedy, a chegada do homem à Lua. Enquanto isso, a família se dedicava a ler a Bíblia, a semear e caçar sua própria comida e a fazer roupas a partir de peles de animais.

Nesse lugar inóspito, a família cresceu conforme o casal teve mais dois filhos: Dmitriy e Agafia.

Luta pela sobrevivência

A maioria das reservas de petróleo e gás natural da então União Soviética – e, hoje, da Rússia – repousam sob o solo siberiano. Os quatro geólogos buscavam um novo local de exploração quando avistaram a cabana dos Lykov e mudaram de planos.

Aumento do nível do mar pode estar a caminho, dizem cientistas

Cientistas que estudam padrões de mudanças naturais no clima da Terra disseram nesta quinta-feira (19) que descobriram um sinal “preocupante” de que o aumento do nível do mar pode estar a caminho.

Canal formado por derretimento de gelo na Groenlândia

Publicadas na revista “Science”, as descobertas mostram que as temperaturas da superfície do oceano durante o último período quente da Terra, há 125 mil anos, eram notavelmente semelhantes às de hoje.

Mas o que preocupa os cientistas é que o nível do mar naquela época era de seis a nove metros acima do que é hoje.

“A tendência é preocupante”, disse o estudo, liderado por pesquisadores da Universidade do Estado de Oregon, da Universidade College Dublin, da Universidade de Wisconsin e do Museu de Ciência da Virgínia.

“Esses resultados podem ajudar os cientistas a entender melhor como os oceanos responderão ao aquecimento moderno”, acrescentou.

A Terra passa por períodos de calor e de frio que duram milhares de anos, e estes são influenciados por mudanças na exposição solar causadas por variações naturais na órbita do planeta, combinadas com a influência de gases causadores de efeito estufa na atmosfera.

Esses deslocamentos naturais diferem, porém, do ritmo atual de aquecimento da Terra, muito mais rápido, que é impulsado pela queima de combustíveis fósseis e pela emissão de gases que causam o aquecimento global, levando ao derretimento das geleiras e à subida do nível do mar.

A última vez que o clima foi excepcionalmente quente –na ausência de influência humana– foi há entre 116 mil e 129 mil anos, durante o que é conhecido como o último período interglacial.

Esse foi um dos períodos mais quentes nos últimos 800 mil anos, de acordo com o estudo.

IMPACTO DA HUMANIDADE

O estudo se baseou na análise de 83 núcleos de sedimentos marinhos, que podem dar pistas sobre o quão quente a Terra e os oceanos foram no passado.

Cada núcleo foi comparado com conjuntos de dados de 1870-1889 e de 1995-2014.

A análise mostrou que, 129 mil anos atrás, a temperatura global da superfície do oceano “já era semelhante à média de 1870-1889”.

A temperatura subiu ao longo dos 4.000 anos seguintes, “atingindo uma temperatura indistinguível da média de 1995-2014”.

A descoberta significa que alguns modelos científicos que foram usados ​​para estimar os níveis do mar em várias temperaturas podem ter sido subestimados.

Os cientistas já previram que o nível do mar subirá vários metros nos próximos anos, o que irá submergir muitas das comunidades costeiras do planeta, onde vivem um bilhão de pessoas.

Ninguém sabe quão rápido os mares podem subir nas próximas décadas, mas alguns especialistas dizem que esse estudo recente é motivo de alarme.

“A descoberta de que as atuais temperaturas globais da superfície do mar são indistinguíveis daquelas do último período interglaciar, há 125 mil anos, é extremamente preocupante, já que o nível do mar era de seis a nove metros mais alto do que o atual”, disse o professor de Ciência do Clima Richard Allan, da Universidade de Reading, que não participou do estudo.

Allan disse que ainda pode levar milhares de anos para o mar atingir tal nível e que cortes no uso de combustíveis fósseis ainda poderiam ajudar a evitar esse processo.

“Devido ao tempo que leva para as profundezas dos nossos vastos oceanos aquecerem e para as gigantescas placas de gelo derreterem, levaria milhares de anos até que o nível do mar pudesse atingir tais níveis. Então, cortes contínuos e substâncias das emissões de gases de efeito estufa das atividades intensivas de energia continuam sendo vitais e benéficos para as sociedades”, afirmou.

Cientista do Clima Oceânico na Universidade de Southampton, Meric Srokosz disse que o estudo é significativo, porque mostra que as mudanças nas temperaturas que ocorreram ao longo de milhares de anos estão agora ocorrendo no espaço de um século.

“Isso demonstra o rápido impacto da humanidade no planeta e aumenta a possibilidade de subidas significativas no nível do mar em longo prazo”, acrescentou Srokosz.