Monthly Archives: junho 2017

O que acontece com o corpo de quem for para Marte?

Matt Damon ficou um tempo no planeta vermelho no filme de Ridley Scott "Perdido em Marte"

Matt Damon ficou um tempo no planeta vermelho no filme de Ridley Scott “Perdido em Marte”

“Vai para Cuba”, “vai para Miami” e, agora, “vai para Marte!”. Ultimamente, tem muita gente desejando fugir para vários lugares. Mas, vai por mim, talvez escolher o planeta vermelho não seja a melhor decisão —pelo menos até os cientistas concluírem que tipos de mudanças realmente podem acontecer no organismo de quem for morar por lá.

Além de determinar como os astronautas sobreviverão em um lugar com atmosfera, solo e clima diferente da Terra, os pesquisadores querem simular como o corpo humano deve reagir durante a viagem para chegar até Marte, que deve durar entre 6 e 8 meses.

A Nasa (Agência Espacial Norte-Americana) têm feito inúmeros estudos sobre os impactos de se passar muito tempo no espaço. Em um deles, a agência enviou o astronauta americano Scott Kelly para passar um ano vivendo na Estação Espacial Internacional. Enquanto isso, seu irmão gêmeo Mark ficou na Terra. Após a volta de Scott, em março de 2016, os cientistas passaram a pesquisar as mudanças que ocorreram no corpo do astronauta em comparação ao organismo do irmão que ficou na Terra.

Os resultados ainda estão começando a ser estudados mas, aliados a outras pesquisas, já é possível ter noção dos desafios:

O que acontece com o corpo de quem for para Marte?

Scott Kelly passou um ano no espaço para estudar como nosso corpo fica sem gravidade.

@Stationcdrkelly/Nasa

Scott Kelly passou um ano no espaço para estudar como nosso corpo fica sem gravidade

Campo de gravidade

Os astronautas enfrentarão três tipos de campos de gravidade durante uma missão em Marte. Os primeiros seis meses de viagem entre os planetas será de gravidade zero.

Na superfície marciana, a gravidade será de, aproximadamente, um terço da experimentada na Terra. Depois, terão que se adaptar por aqui novamente.

Essa transição afeta a orientação espacial, coordenação motora e visual e compromete a estrutura óssea e muscular. Sem gravidade, o corpo não precisa de tanto esforço para funcionar. O coração começa a funcionar mais lentamente e os ossos perdem minerais a uma velocidade muito maior do que na Terra –1% por mês no espaço versus 1% por ano na Terra.

Além disso, pela falta de gravidade, os fluidos corporais tendem a ser “empurrados” para a cabeça. Com a pressão maior, problemas de visão podem ser comuns. A desidratação e a concentração alterada de cálcio também podem elevar o risco de pedras nos rins.

Quanto tempo é possível sobreviver em outros planetas?

Confinamento e isolamento

Embora as pressões psicológicas, a distância de casa e o trabalho estressante sejam considerados os grandes vilões na alteração de comportamento dos astronautas, pesquisas também indicam que algumas habilidades, como atenção, coordenação física e capacidade de resolver problemas, ficam comprometidas no espaço por questões diretamente ligadas ao comportamento do cérebro no espaço.

Para o especialista em psicologia e neurociência Vaughan Bell, da University College London e colunista do jornal inglês “The Guardian”, uma das possibilidades para essa lentidão é que nosso suprimento de sangue evoluiu para funcionar na gravidade sofrida na Terra. Assim, em uma viagem espacial, com gravidade zero, a eficiência com que o oxigênio é fornecido para o cérebro é afetada.

Pesquisa feita pelo Laboratório de Neuropsicologia e Biomecânica do Movimento, da Universidade Livre de Bruxelas observou algo parecido:  o cérebro parece trabalhar diferente quando está em órbita. A queda da capacidade mental dos astronautas não é grave, mas existe, segundo os dados.

O que acontece com o corpo de quem for para Marte?

Risco maior de doenças

De acordo com a Nasa, micróbios podem mudar suas características no espaço e micro-organismos que naturalmente vivem em seu corpo são mais facilmente transferidos de pessoa para pessoa em ambientes fechados como as estações espaciais.

Com os níveis hormonais elevados por conta do estresse, a imunidade dos astronautas cai e há uma maior propensão a alergias e outras doenças.

Marte é um planeta de condições extremas, as temperaturas vão de -80°C a 20°C.

Marte é um planeta de condições extremas, as temperaturas vão de -80°C a 20°C.

Marte é um planeta de condições extremas, as temperaturas vão de -80°C a 20°C

Radiação espacial

Um dos aspectos mais perigosos de viajar a Marte é a radiação espacial. Só dentro das estações espaciais, os astronautas são expostos a dez vezes mais radiação do que na Terra, já que por aqui, o campo magnético e a atmosfera nos protegem.

A exposição à radiação pode aumentar o risco de câncer, danificar o sistema nervoso central, causar náuseas, vômito e fadiga. Além do mais, pode causar doenças degenerativas, como catarata, problemas cardíacos e circulatórios.

Saturno fica mais brilhante, e anéis poderão ser observados com binóculo

Saturno já está mais brilhante e visível no céu e terá o melhor momento para ser visualizado na noite desta quinta-feira (15). Isso porque este é o momento do ano em que o planeta dos anéis fica alinhado com o a Terra e o Sol, com a Terra no meio. Essa é a melhor época para observar o astro. A olho nu, será possível ver o planeta. E com um bom binóculo ou um telescópio simples será possível ver detalhes, como seus anéis.

Saturno fica mais brilhante, e anéis poderão ser observados com binóculo.

O planeta encontra-se próximo às constelações do Serpentário e de Escorpião. É possível localizar o astro tomando como referência a estrela de Antares, de coloração alaranjada que fica na constelação de Escorpião.

Para quem não domina o mapa estelar, se você estiver olhando para leste, na direção do horizonte sudeste do céu, à esquerda, estará Saturno, e mais acima, à direita, está Antares, um ponto luminoso alaranjado.

“Saturno estará bem brilhante, visível a olho nu. Não tem como confundir”, diz Daniel Mello, astrônomo do Observatório do Valongo, da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro).

As únicas coisas que podem atrapalhar a observação é poluição luminosa, de locais com muitas luzes, e o céu nublado.

Será visível durante todo o mês de junho

Saturno estará visível em todo o Brasil, sendo que com condições um pouco melhores de visualização nas regiões Sul e Sudeste.

De acordo com Mello, o momento do alinhamento entre Saturno, Terra e Sol ocorrerá às 14h (no horário de Brasília). Algumas horas depois, por volta das 18h, o planeta alcançará o ponto em que fica com a menor distância com relação à Terra. E somente por volta das 19h30 ele surgirá no céu para os brasileiros, no horizonte leste. Mas o “show” de Saturno não depende do momento exato da oposição.

Saturno realiza no céu um movimento circular semelhante ao do Sol e ao da Lua. Assim sendo, no começo da noite ele estará em uma posição “baixa” no céu, a leste. Ao longo da noite, o planeta irá “subir” na perspectiva do observador da Terra.

“O melhor momento para observar é perto da meia-noite, quando vai estar mais alto no céu e mais brilhante”, diz Rojas. Depois disso, Saturno começará a “descer”, voltando ao horizonte, mas desta vez à oeste, no fim da madrugada.

“O momento em que o alinhamento ocorre é apenas um instante. Mas na prática, observar uma semana antes ou depois, o resultado é o mesmo”, diz Gustavo Rojas, astrônomo da Ufscar (Universidade Federal de São Carlos) e da Sociedade Astronômica Brasileira. Segundo os astrônomos, Saturno estará mais brilhante durante todo o mês de junho.

Use binóculo com aumento de 20 vezes

Para visualizar detalhes de Saturno, é necessário utilizar um binóculo potente, que possibilite aumento de até 20 vezes. “Com binóculos simples, não fica muito nítido”, diz Mello. Um pequeno telescópio permite visualizar bem os anéis do planeta.

Quem quiser explorar mais coisas na noite desta quinta, poderá observar Júpiter, no alto do céu. O maior planeta do Sistema Solar teve sua oposição à Terra no fim de abril, mas ainda está bem brilhante. Com um bom binóculo, é possível observar faixas de nuvem e satélites do gigante vermelho.

Homo sapiens existiram 100 mil anos antes do que pensávamos

Uma equipe de pesquisa internacional liderada por Jean-Jacques Hublin, do Instituto Max Planck de Antropologia Evolutiva, na Alemanha, e Abdelouahed Ben-Ncer, do Instituto Nacional de Arqueologia e Patrimônio (INSAP), do Marrocos, descobriu ossos fósseis de Homo sapiens juntamente com ferramentas de pedra e ossos de animais em Jebel Irhoud, no Marrocos. Os achados datam de cerca de 300 mil anos atrás e representam a evidência fóssil mais antiga e segura de nossa própria espécie. Esta data é 100 mil anos anterior aos fósseis mais antigos de homo sapiens encontrados anteriormente. As descobertas revelam uma história evolutiva complexa da humanidade que provavelmente envolveu todo o continente africano.

Homo sapiens existiram 100 mil anos antes do que pensávamos

Evolução humana: 10 ancestrais essenciais

Tanto os dados genéticos dos seres humanos atuais quanto os registros fósseis apontam para uma origem africana de nossa própria espécie, o Homo sapiens. Anteriormente, os fósseis de Homo sapiens mais antigos conhecidos eram os do sítio arqueológico de Omo Kibish, na Etiópia, datados de 195 mil anos atrás. Em Herto, também na Etiópia, outro fóssil de Homo sapiens é datado de 160 mil anos atrás. Até agora, a maioria dos pesquisadores acreditava que todos os seres humanos que vivem hoje descendiam de uma população que vivia na África Oriental há cerca de 200 mil anos. “Nós costumávamos pensar que havia um berço da humanidade há 200 mil anos atrás no leste da África, mas nossos novos dados revelam que o Homo sapiens se espalhou por todo o continente africano há cerca de 300 mil anos. Muito antes da dispersão para fora da África do Homo sapiens, houve dispersão na África”, diz o paleoantrotropólogo Jean-Jacques Hublin.

O sítio marroquino de Jebel Irhoud tem sido bem conhecido desde a década de 1960 por seus fósseis humanos e por seus artefatos da Idade da Pedra. No entanto, a interpretação dos hominídios de Irhoud tem sido complicada por incertezas persistentes em torno de sua idade geológica. O novo projeto de escavação, que começou em 2004, resultou na descoberta de novos fósseis de Homo sapiens, aumentando seu número de seis para 22. Esses achados confirmam a importância de Jebel Irhoud como o mais antigo e mais rico local da Idade da Pedra Africana para a documentação de um estágio inicial de nossa espécie.

Origem mais antiga

Os restos fósseis de Jebel Irhoud compreendem crânios, dentes e ossos longos de pelo menos cinco indivíduos. Para fornecer uma cronologia precisa para essas descobertas, os pesquisadores usaram o método de datação de termoluminescência em pedras aquecidas encontradas nos mesmos depósitos. Esses testes mostraram uma idade de cerca de 300 mil anos atrás e, portanto, colocam as origens de nossa espécie 100 mil anos antes do que acreditávamos anteriormente.

“Os locais bem datados desta época são excepcionalmente raros na África, mas tivemos a sorte de que tantos artefatos de pedra de Jebel Irhoud tenham sido aquecidos no passado”, diz o especialista em geocronologia Daniel Richter, do Instituto Max Planck. Richter explica: “Isso nos permitiu aplicar métodos de datação de termoluminescência nos artefatos e estabelecer uma cronologia consistente para os novos fósseis”. Além disso, a equipe foi capaz de recalcular a idade direta de três mandíbulas encontradas em Jebel Irhoud na década de 1960.

Estas mandíbulas tinham sido anteriormente datadas de 160 mil anos atrás por um método especial de datação de ressonância elétrica de giro. Usando novas medidas da radioatividade dos sedimentos de Jebel Irhoud e como resultado de melhorias metodológicas, a idade recém calculada deste fóssil está de acordo com as idades de termoluminescência, muito mais antigas do que as encontradas anteriormente. “Nós empregamos métodos de datação de última geração e adotamos as abordagens mais conservadoras para determinar com precisão a idade”, acrescenta Richter.

Homo sapiens existiram 100 mil anos antes do que pensávamos

Os 10 maiores mistérios da evolução humana

O crânio dos seres humanos modernos possui uma combinação de características que nos distingue de nossos parentes e antepassados ​​fósseis: um rosto pequeno e fino e uma cicatriz globular. Os fósseis de Jebel Irhoud exibem um rosto e dentes de aparência moderna, e uma crânio grande, mas mais arcaico. Hublin e sua equipe usaram varreduras computacionais micro-técnicas de última geração e análise de formas estatísticas baseadas em centenas de medidas 3D para mostrar que a forma facial dos fósseis de Jebel Irhoud é quase indistinguível daquela dos seres humanos modernos.

Em contraste com a sua moderna morfologia facial, no entanto, os crânios de Jebel Irhoud retém uma forma arcaica bastante alongada. “A forma interna do crânio reflete a forma do cérebro”, explica o paleontrofilósofo Philipp Gunz, do Instituto Max Planck de Antropologia Evolutiva. “Nossas descobertas sugerem que a moderna morfologia facial humana foi estabelecida no início da história de nossa espécie, e que a forma do cérebro e, possivelmente, a função cerebral, evoluíram dentro da linhagem Homo sapiens”, acredita.

Recentemente, as comparações de DNA antigo extraído de Neanderthais e do Hominídeo de Denisova com o DNA dos humanos do presente revelaram diferenças nos genes que afetam o cérebro e o sistema nervoso. As mudanças de forma evolutiva do crânio são, portanto, provavelmente relacionadas a uma série de mudanças genéticas que afetam a conectividade cerebral, organização e desenvolvimento que distinguem o Homo sapiens de nossos antepassados ​​e parentes extintos.

Evolução em todo o continente

A morfologia e a idade dos fósseis de Jebel Irhoud também corroboram a interpretação de um crânio parcial enigmático de Florisbad, África do Sul, como representante inicial dos Homo sapiens. Os primeiros fósseis de Homo sapiens foram encontrados em todo o continente africano: Jebel Irhoud, Marrocos (300 mil anos), Florisbad, África do Sul (260 mil anos) e Omo Kibish, Etiópia (195 mil anos). Isso indica uma história evolutiva complexa de nossa espécie, possivelmente envolvendo todo o continente africano.

10 comparações entre humanos e nossos parentes vivos mais próximos

“A África do Norte tem sido negligenciada nos debates em torno da origem de nossa espécie. As descobertas espetaculares de Jebel Irhoud demonstram as estreitas conexões do Magrebe (região noroeste da África) com o resto do continente africano no momento do surgimento do Homo sapiens”, diz Abdelouahed Ben -Ncer.

Os fósseis foram encontrados em depósitos contendo ossos de animais, que foram caçados caçados, sendo a espécie mais frequente a gazela. As ferramentas de pedra associadas a estes fósseis pertencem à Idade Média da Pedra. Os artefatos de Jebel Irhoud mostram o uso de técnica Levallois, e as formas pontudas são as mais comuns. A maioria das ferramentas de pedra foram feitas de pederneira de alta qualidade levadas para o local. Bifaces, ferramentas comumente encontrada em sítios mais antigos, não estão presentes no Jebel Irhoud. As montagens de artefatos da Idade Média da Pedra, como as recuperadas em Jebel Irhoud, são encontradas em toda a África neste momento e provavelmente mostram uma adaptação que permitiu que o Homo sapiens se dispersasse por todo o continente.

“Os artefatos de pedra de Jebel Irhoud parecem muito semelhantes aos de depósitos de idade similar no leste da África e no sul da África”, diz a arqueóloga do Instituto Max Planck Shannon McPherron. “É provável que as inovações tecnológicas da Idade Média da Padra na África estejam ligadas ao surgimento do Homo sapiens”. As novas descobertas de Jebel Irhoud elucidam a evolução do Homo sapiens e mostram que nossa espécie evoluiu muito antes do que se pensava anteriormente. A dispersão do Homo sapiens em toda a África em torno de 300 mil anos é o resultado de mudanças biológicas e comportamentais.

 

 

Esta é a face de um brasileiro de 10 mil anos

Reconstrução recente joga mais lenha no debate da imigração para a América

Parece um parente de Luzia, a paleolíndia brasileira que, ao ser reconstruída em 1999, pelo especialista forense britânico Richard Neave, causou um rebuliço na imprensa e na comunidade internacional.

A face de uma grande polêmica arqueólogica | Crédito: Cicero Moraes

A reconstrução não se parecia em nada com os índios atuais, mas com uma pessoa de características negroides, como os africanos subsaarianos ou os melanésios e aborígenes australianos. Achada em 1975, em Lagoa Santa, Minas Gerais, ela foi datada de 11500 anos atrás, então o mais antigo fóssil humano conhecido nas Américas. Ela continua polêmica, como veremos, mas perdeu esse trono: fósseis mais antigos foram encontrados.

O imponente busto de Apiúna / Cícero Moraes

O imponente busto de Apiúna / Cícero Moraes

Nosso amigo acima não é nenhuma celebridade (ao menos até agora). Apelidado de Apiúna, ele viveu há “meros” 10 mil anos – separado de Luzia por mais ou menos a mesma distância temporal que nós temos com o fim do Império Romano. Foi encontrado pelo arqueólogo húngaro-brasileiro Mihaly Banyai, no Parque Estadual do Sumidouro, em Lagoa Santa, e está no Museu Arqueológico da Lapinha, dirigido por sua filha, Erika.

A pedido dela, o designer 3D Cícero Moraes deu a ela o mesmo tratamento que Richard Neave deu a Luzia há quase 20 anos. No mesmo trabalho, ele reconstruiu outro esqueleto, batizado de Diarum (veja abaixo). Mais jovem, ele veio de outro sítio de Lagoa Santa. A pedido da diretora do museu, o designer resolveu experimentar uma outra variação de cabelo possível.

Segundo Erika, Banyai Diarum quer dizer "onça poderosa" / Cícero Moraes

Segundo Erika, Banyai Diarum quer dizer “onça poderosa” / Cícero Moraes

Em 1999, Neave decidiu que Luzia era negra através da análise do formato de seu crânio. Cícero decidiu por um teste cego. “Os crânios digitalizados foram enviados ao Dr. Marcos Paulo Salles Machado, Perito Legista do IML do Rio de Janeiro, que não tinha informação alguma acerca da origem do material”, afirma, em entervista à AH. “Ele examinou e nos forneceu os dados: homem, africano, 40-50 anos.” Cícero continuou a partir daí.

Tirando termos um paleoíndio com um visual completamente diferente dos índios, qual é a polêmica, então? Isso muda tudo o que é (ou tem sido) consenso sobre a colonização das Américas. Vestígios fósseis e testes de DNA (com uma exceção, veja abaixo) indicam que os índios do continente inteiro são descendentes de levas de migrantes vindos da Sibéria, através do Estreito de Bering, há cerca de 14 mil anos. E isso aparece em seu fenótipo, com características similares às dos leste-asiáticos. Se Luzia e Apiúna são mesmo africanos ou austronésios, a história da ocupação humana da América precisa ser reescrita. O continente foi colonizado mais de uma vez.

As etapas da reconstrução / Cícero Moraes

As etapas da reconstrução / Cícero Moraes

E, sim, existe um “se” aqui. A cor, a textura dos cabelos, o formato exato do nariz, nada disso pode ser tirado diretamente de um fóssil. O que Neave a agora Marcus Paulo Machado fizeram foi pegar um crânio e agir como um especialista forense moderno confrontado diante de um caso policial. Pelo formato, eles dizem “negro”, “branco”, “asiático”. Esse método sofreu várias críticas de antropólogos, que afirmam que a técnica forense se baseia em velhas ideias racialistas e os crânios em Lagoa Santa são compatíveis com o fenótipo dos paleoíndios que vieram da Sibéria.

Apiúna e Diarum no museu / Erika Banyai

Estariam então a reconstruções equivocadas? Fiquemos com isso para terminar: em 2015, um teste genético revelou que algumas tribos da Amazônia – e só elas – tem marcadores de DNA típicos de aborígenes e melanésios – e também siberianos. Terá o povo de Luzia e Apiúna tido o mesmo fim que os neandertais, absorvidos e extintos?

Astrônomos descobrem planeta mais quente que a maioria das estrelas

Uma equipe internacional de astrônomos descobriu um planeta fora do Sistema Solar com uma gigantesca e brilhante cauda de gás, que lembra um cometa, e cuja temperatura da superfície é superior a 4.300 graus centígrados, maior que a da maioria das estrelas.

O exoplaneta KELT-9b (à direita) orbita em torno da estrela KELT-9 (à esquerda)

O planeta, batizado como KELT-9b e que orbita a estrela KELT-9, foi localizado a 650 anos luz da Terra, na constelação de Cygnus, de acordo com a pesquisa publicada nesta segunda-feira na revista “Nature”.

O novo exoplaneta alcança durante o dia os 4.315 graus centígrados, ou seja, apenas 1.093 graus a menos que a temperatura do Sol.

Além disso, a radiação ultravioleta da estrela que KELT-9b orbita é tão brutal que o planeta poderia literalmente evaporar devido ao intenso resplendor, produzindo uma cauda de gás brilhante.

Estas informações foram oferecidas por uma equipe liderada por astrônomos das universidades de Ohio State e Vanderbilt, ambas nos Estados Unidos, e que será apresentado na reunião da American Astronomical Society, que acontece esta semana em Austin, no Texas.

O exoplaneta é também um gigante gasoso com massa 2,8 vezes maior que Júpiter, mas que tem metade de sua densidade, pois a radiação extrema de KELT-9 fez com que sua atmosfera se inflasse como um balão.

Devido ao fato de o planeta estar sendo continuamente bombardeado pela radiação estelar, o calor é tão extremo que não é possível formar moléculas como a água, o dióxido de carbono e o metano.

“É um planeta segundo as definições típicas baseadas em massa, mas sua atmosfera é diferente de qualquer outro planeta que já vimos até agora devido a sua temperatura durante o dia”, explicou Scott Gaudi, professor de astronomia da The Ohio State University e coautor do estudo.

A razão par que sua temperatura seja tão alta é que a estrela que ele orbita tem mais que o dobro do tamanho e é quase duas vezes mais quente que o nosso Sol.

“KELT-9 propaga tanta radiação ultravioleta que pode fazer o planeta evaporar completamente. Ou então, se os planetas gigantes gasosos como KELT-9b possuírem núcleos rochosos sólidos como algumas teorias sugerem, o planeta poderia ser reduzido a uma rocha estéril, como (o planeta) Mercúrio”, explicou Keivan Stassun, professor de Física e Astronomia em Vanderbilt, que coordenou o estudo com Gaudi.

Por outro lado, a órbita do planeta está muito próxima da estrela, por isso, caso a estrela comece a se expandir, acabará engolindo KELT-9b.

“KELT-9 se inchará para se transformar em uma estrela gigante vermelha em cerca de 1 bilhão de anos”, acrescentou Stassun.

O planeta foi observado pela primeira vez em 2014, quando sua órbita transitava pela face de sua estrela. Devido a seu período extremadamente curto, a órbita quase polar e ao fato de que sua estrela é oblata, ao invés de esférica, os especialistas calculam que o planeta ficará fora de visão em aproximadamente 150 anos e não voltará a ser visível até dentro de três milênios e meio.

Cientistas detectam novas ondas gravitacionais, previstas por Einstein

Uma equipe internacional de cientistas anunciou nesta quinta-feira uma nova detecção de ondas gravitacionais, a terceira observação destas distorções no espaço-tempo previstas na teoria da relatividade geral de Albert Einstein em 1915.

Cientistas detectam novas ondas gravitacionais, previstas por Einstein.

Cientistas detectam novas ondas gravitacionais, previstas por Einstein.

A primeira detecção direta de ondas gravitacionais, produto de ligeiras perturbações do tecido do espaço-tempo por efeito do deslocamento de objetos enormes, foi anunciada em 11 de fevereiro de 2016.

Este acontecimento histórico abriu uma nova janela na astronomia para avançar na compreensão dos mistérios do cosmos, ressaltaram os astrofísicos.

Uma segunda observação do fenômeno foi anunciada em 15 de junho de 2016.

O evento que deu origem às ondas detectadas em 4 de janeiro de 2017, de acordo com o estudo publicado na revista americana Physical Review Letters nesta quinta-feira, foi o mais distante já observado: a fusão de dois buracos negros teria ocorrido a três bilhões de anos-luz e gerado um objeto cuja massa é 49 vezes a do Sol.

Nos casos anteriores, as ondas gravitacionais detectadas também haviam sido geradas a partir da colisão de buracos negros.

As três detecções foram realizadas por meio do instrumento Ligo (Observatório de Ondas Gravitacionais por Interferômetro de Laser), que conta com dois detectores idênticos de quatro quilômetros de comprimento, localizados a 3.000 km um do outro, em Louisiana e no estado de Washington.

A primeira fusão detectada, ocorrida a 1,3 bilhão de anos-luz, deu origem a um objeto de massa equivalente a 62 vezes a do Sol. Já o segundo evento observado teria ocorrido a 1,4 bilhão de anos-luz e gerou um objeto com 21 massas solares.

“É notável que os humanos possam teorizar e testar este tipo de fenômenos estranhos e extremos que aconteceram há bilhões de anos e a bilhões de anos-luz de distância da Terra”, afirmou David Shoemaker, astrofísico do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) e porta-voz da colaboração científica do Ligo.

Lado escuro do Universo

Esta última observação fornece “uma confirmação adicional da existência de buracos negros que são maiores do que 20 massas solares. Estes são objetos que não sabíamos que existiam antes do Ligo detectá-los”, acrescentou Shoemaker.

Sem a detecção das ondas gravitacionais, os buracos negros são invisíveis porque não emitem luz, apontou Shoemaker.

Devido ao fato de que a fonte das ondas detectadas mais recentemente está muito mais longe, esta descoberta permitiu provar a exatidão de um dos corolários da teoria da relatividade geral, segundo a qual as ondas gravitacionais não se dispersam ao se propagar, dando uma vez mais a razão a Albert Einstein.

A localização das fontes de sinais de ondas gravitacionais melhorará significativamente no decorrer dos próximos meses, quando o Virgo, o interferômetro europeu localizado na Itália, aumentar sua rede de sensores, afirmam os astrofísicos.

“Com a confirmação da terceira detecção de ondas gravitacionais, o Ligo se reafirma como um observatório poderoso para revelar o lado escuro do Universo”, comemorou David Reitze, responsável do Ligo em Caltec, o Instituto de Tecnologia da Califórnia.

“Embora o Ligo tenha sido concebido especificamente para observar as fusões dos buracos negros, esperamos poder captar em breve outros eventos de astrofísica, como as colisões violentas entre duas estrelas de nêutrons”, explicou.

O Ligo, no qual trabalham mais de 1.000 cientistas dos Estados Unidos e de outros 14 países, captou pela primeira vez as ondas gravitacionais em setembro de 2015 durante sua primeira campanha de observação após a modernização do instrumento.

Maior avião do mundo será usado para lançar foguetes ao espaço

Foi apresentado nesta quinta-feira (01) o Stratolaunch, o maior avião do mundo, com uma envergadura maior do que um campo de futebol. A aeronave tem 117,3 m entre uma asa e outra, pesando 580 toneladas. Para levantar voo, ela usa seis turbinas, além de possuir duas cabines de controle.

Maior avião do mundo será usado para lançar foguetes ao espaço  Com 28 trens de pouso, 15,2 m de altura e 72,5 m de comprimento, o avião tem uma autonomia de duas mil milhas náuticas, voando a 35 mil pés de altura. São valores equivalentes aos de um avião comercial, mas a ideia, claro, não é usá-lo assim. A aeronave servirá para o lançamento de foguetes ao espaço.

A ideia é economizar combustível no processo de envio de cargas a estações espaciais. Em vez de detonar tudo para garantir que grandes naves deixem o solo, a ideia é fazer isso do ar, com velocidade e usando o avião para decolagem. O primeiro voo, ainda em caráter de teste, deve acontecer em 2019.

Além de economizar em combustível e gerar um impulso extra, o avião também voaria sobre as nuvens, evitando a influência do vento e outros elementos climáticos que podem atrapalhar um lançamento. Mais de um foguete poderá ser lançado a partir do avião – ou um único utilizando vários motores, por exemplo – reduzindo a queima necessária para atingir voo.

A ideia do Stratolaunch é atingir a baixa órbita, em um modelo que pode ser usado tanto para o envio de foguetes ao espaço quando para auxiliar na colocação de satélites em órbita. Essa, inclusive, foi a ambição que levou o cofundador da Microsoft, Paul Allen, a apostar na companhia, da qual ele é um dos principais investidores.

O executivo e também 35º homem mais rico do mundo imagina possibilidades nas quais satélites de baixa órbita poderiam ser usados para observar o clima ou auxiliar agricultores no aumento de sua produtividade. Análises químicas da atmosfera também seriam possíveis, além, claro, dos objetivos mais ambiciosos, que envolvem o envio de cargas, pessoal e equipamentos ao espaço.

Outras empreitadas do tipo estão em andamento pelas mãos da Virgin Orbit, que deseja usar um Boeing 747-400 para lançamento, e as reconhecidas SpaceX, de Elon Musk, e Blue Origin, de Jeff Bezos. Todas, assim como a Stratolaunch, interessadas na exploração comercial do espaço e, claro, tentando reduzir os gastos por aqui para proporcionar isso.

Maior avião do mundo será usado para lançar foguetes ao espaço

O Stratolaunch agora é o detentor do recorde de aeronave com maior envergadura do mundo, tendo ultrapassado o Spruce Goose, de Howard Hughes, que tinha 97,5 m de uma asa a outra. Só a título de comparação, o Airbus A380-800, o maior avião comercial do mundo, tem 79,8 m de extensão. Ele é usado por empresas como Lufthansa, Air France e Qantas, além de percorrer a rota comercial mais longa do globo, entre os aeroportos de Sydney, na Austrália, e Dallas-Fort Worth, nos Estados Unidos, um trajeto de 13,8 mil quilômetros.

Fonte: Telegraph