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Cientistas criam método para reduzir testes em animais de laboratório

Com novo método, cerca de 57% dos testes podem ser feitos sem o uso de animais

Pesquisadores norte-americanos revelaram nesta quarta-feira (11) a descoberta de um método utilizando big data (um grande volume de dados) que pode reduzir em quase 60% a necessidade de testes químicos nos quase 4 milhões de animais utilizados todos os anos pela ciência.

Cientistas criam método para reduzir testes em animais de laboratório.

Trata-se de uma ferramenta informatizada construída com base em um enorme banco de dados de estruturas moleculares. Quando combinadas, essas informações não só substituem o uso animal como, às vezes, apresentam resultados melhores do que os testes em bichos. São citados como exemplos casos de sensibilização da pele e irritação nos olhos, segundo relatam os pesquisadores na revista especializada “Toxicological  Sciences”.

“Estamos entusiasmados com o potencial desse modelo”, diz a toxicóloga Nicole Kleinstreuer, vice-diretora de um centro que avalia alternativas ao teste em animais no NIEHS (Instituto Nacional de Ciências da Saúde Ambiental) em Durham, Carolina do Norte (EUA). A pesquisadora, que não esteve envolvida no trabalho, diz que usar “big data […] é uma via extremamente promissora para reduzir e substituir os testes em animais”.

A maioria dos países exigem que novos produtos químicos só entrem no mercado depois de passarem por alguns testes de segurança. Mas a prática de expor coelhos, ratos e outros animais a produtos químicos para avaliar esses riscos vem enfrentando objeções públicas cada vez maiores, especialmente por parte de entidades de defesa dos animais.

Em 2016, o Congresso dos Estados Unidos aprovou uma lei de segurança química que obriga as agências reguladoras federais a tomarem medidas para reduzir o número de animais utilizados pelas empresas em testes de segurança.

Uma das sugestões é usar o que já se sabe sobre alguns compostos existentes para prever os riscos apresentados em novos produtos químicos com estruturas semelhantes. Há dois anos, uma equipe liderada por Thomas Hartung, da Escola Bloomberg de Saúde Pública Johns Hopkins, em Baltimore, Maryland (EUA), deu um passo em direção a essa meta ao reunir dados de 9.800 testes em produtos químicos regulamentados pela ECHA (Agência Europeia de Produtos Químicos).

Cientistas criam método para reduzir testes em animais de laboratório.

Cientistas criam método para reduzir testes em animais de laboratório.

No artigo publicado hoje, a equipe de Hartung explica como chegou ao resultado: os pesquisadores expandiram seu banco de dados para 10 milhões de estruturas químicas ao adicionar as informações do banco de dados público PubChem e do Programa Nacional de Toxicologia dos Estados Unidos.

Em seguida, compararam as estruturas e propriedades toxicológicas, gerando um total de 50 trilhões de comparações e criando um vasto mapa de similaridade que agrupa compostos por estrutura e efeito. Finalmente, os cientistas testaram o modelo: eles pediram para prever o grau toxicológico de um produto químico escolhido aleatoriamente e compararam os resultados a seis testes em animais realizados com o mesmo composto.

Em média, a ferramenta computacional reproduziu em 87% os resultados dos testes em animais. O percentual é maior do que os próprios testes em animais, diz Hartung. Na revisão da literatura, seu grupo descobriu que os testes repetidos em ratos e coelhos reproduzem os resultados anteriores em apenas 81% dos casos. “Esta é uma descoberta importante”, afirma o pesquisador. “Nossos dados mostram que podemos substituir seis testes comuns –que respondem por 57% dos testes toxicológicos em animais do mundo– e obter resultados mais confiáveis.”

O resultado poderia ajudar a acabar com a repetição desnecessária de testes. A equipe descobriu, por exemplo, que 69 produtos químicos foram testados pelo menos 45 vezes no chamado “teste de coelho de Draize” –um método que gerou protestos da opinião pública por envolver o uso de um produto químico no olho de um coelho.

Mas o sistema de big data não é perfeito. Embora possa prever efeitos simples, como irritação na pele, casos mais complexos, como câncer, ainda estão fora de alcance, diz Mike Rasenberg, chefe da unidade de Avaliação e Disseminação Computacional da ECHA. “Esse não será o fim dos testes em animais”, prevê, “mas é um conceito útil para reduzi-los”.

A questão agora é como as agências reguladoras vão reagir ao novo método. Rasenberg diz acreditar que os europeus o aceitarão para testes simples porque atende a seus critérios de validação. Nos Estados Unidos, o centro NIEHS está trabalhando na validação do método.

Depois disso, a EPA poderá revisar os resultados da avaliação para determinar como e se eles podem ser usados. Se a avaliação for favorável, esses modelos poderão ser usados em conjunto com outras ferramentas para classificar um grande número de substâncias.

Hartung espera que o método de rastreamento também seja de interesse para os países que estão se preparando para implementar novas leis químicas, como a Turquia e a Coreia do Sul.

Homem diagnosticado com ‘pior caso’ de supergonorreia do mundo acende alerta em médicos

Paciente internado em um hospital da Inglaterra teria contraído doença no sudeste da Ásia; serviço de saúde está atrás de pessoas que já fizeram sexo com ele para tentar evitar que doença se espalhe.

 Paciente internado em um hospital da Inglaterra teria contraído doença no sudeste da Ásia; serviço de saúde está atrás de pessoas que já fizeram sexo com ele para tentar evitar que doença se espalhe.

Homem diagnosticado com ‘pior caso’ de supergonorreia do mundo acende alerta em médicos

Organização Mundial da Saúde já havia alertado para a aparição de um perigoso tipo de gonorreia resistente a antibióticos. Agora, um grupo de médicos britânicos anunciou o caso “mais grave” já detectado no mundo dessa doença sexualmente transmissível.

O Serviço de Saúde do Reino Unido (NHS, na sigla em inglês) explicou que o paciente é um homem que vivia uma relação estável com uma parceira, mas se contagiou com a “superbactéria” no início do ano quando teve um caso com uma mulher no sudeste da Ásia.

Ao aplicar o tratamento tradicional contra a doença – uma combinação de azitromicina e ceftriaxona – os especialistas constataram que o homem não respondia aos antibióticos.

“Esta é a primeira vez que um paciente apresenta resistência a esses medicamentos e à maioria de outros antibióticos frequentemente usados”, afirmou a médica Gwenda Hughes.

Até o momento não foram identificadas outras pessoas com infecções semelhantes, mas há uma investigação em curso do serviço de saúde britânico.

Funcionários de saúde estão tentando rastrear pessoas que tiveram relações sexuais com o paciente para conter a possível propagação da doença.

Testes realizados com o homem sugerem que apenas um tipo de antibiótico é capaz de curá-lo, mas ainda é preciso aguardar algumas semanas para verificar se o remédio realmente terá o efeito esperado.

Sexo oral e abandono do preservativo
Em julho do ano passado, um estudo da OMS revelou que o sexo oral estava produzindo uma perigosa forma de gonorreia, e o declínio no uso da camisinha está ajudando a espalhar a doença.

A entidade alertou que a gonorreia está atualmente muito mais difícil de tratar, porque a infecção sexualmente transmitida (IST) está rapidamente desenvolvendo resistência a antibióticos.

A gonorreia pode infectar os órgãos genitais, o reto e a garganta, mas a forma da doença que mais preocupa agentes de saúde é essa última.

Conforme a OMS, a gonorreia na garganta aumenta as chances de o micro-organismo desenvolver resistência a antibióticos, já que estes medicamentos são frequentemente administrados em menor dosagem para tratar infecções nesta área do corpo repleta de bactérias. Algumas dessas bactérias acabam desenvolvendo resistência às drogas.

O que é a gonorreia
A gonorreia é uma doença sexualmente transmissível causada pela bactéria Neisseria gonorrhoea. A infecção se espalha através do sexo desprotegido, tanto vaginal, quanto oral e anal.

Os sintomas podem incluir uma secreção verde ou amarela a partir dos órgãos sexuais, dor ao urinar e sangramentos esporádicos. Infecções não tratadas podem levar a infertilidade, doença inflamatória pélvica e podem ser transmitidas para o bebê durante a gravidez.

Entre os infectados, uma média de um a cada dez homens heterossexuais e de três em quatros mulheres e homens homossexuais não apresentam sintomas facilmente reconhecíveis.

Supergonorreia
Não é a primeira vez que um tipo de gonorreia resistente a medicamentos causa comoção na comunidade médica.

Também no Reino Unido, em 2015, foi detectado um tipo resistente à azitromicina. Mas os especialistas asseguram que o caso do homem internado atualmente é ainda “mais alarmante”.

Olwen Williams, presidente da Associação Britânica para a Saúde Sexual, disse que a aparição desta nova “supergonorreia” é “muito preocupante” e mostra um “desenvolvimento significativo” da bactéria que causa a doença.

A OMS está cobrando que países monitorem a dispersão da gonorreia resistente e invistam em novas drogas.

“A situação é bastante sombria”, comentou Manica Balasegaram, da Parceria Global de Pesquisa e Desenvolvimento de Antibióticos.

“Há apenas três drogas sendo produzidas e não há garantia de que alguma vá, de fato, funcionar”.
E, segundo a OMS, serão necessárias vacinas para interromper a dispersão da gonorreia.

“Desde a introdução da penicilina, que garante uma cura rápida e confiável, a gonorreia desenvolveu resistência a todos os antibióticos”, explicou Richard Stabler, da Escola de Londres de Higiene e Medicina Tropical.

“Nos últimos 15 anos, a terapia precisou ser trocada três vezes por conta do aumento das taxas de resistência no mundo. Estamos agora num ponto em que estamos usando as drogas como último recurso, mas há sinais preocupantes de falha no tratamento devido a cepas resistentes.”

Inteligência artificial redefine o humano, diz estudioso em “Blade Runner

Você pode nunca ter ouvido falar do autor americano Philip K. Dick (1928-1982), mas certamente já se divertiu com alguma de suas ideias. Suas histórias inspiraram filmes como “Blade Runner” e “Minority Report” e séries como “The Man in the High Castle” e “Electric Dreams”. Seu trabalho foi adaptado ao cinema e à TV mais do que qualquer outro autor de ficção científica, e um de seus maiores estudiosos acredita que suas histórias foram o pontapé para um debate sobre como robôs e inteligências artificiais nos obrigarão a redefinir o que significa ser humano.

Cena de "Blade Runner" (1982), clássico do cinema baseado em conto de Philip K. Dick...

Cena de “Blade Runner” (1982), clássico do cinema baseado em conto de Philip K. Dick…

Invenções assim são capazes de alterar radicalmente nossa realidade. É esse “papo-cabeça” que o físico espanhol Salvador Bayarri pretende trazer para São Paulo, durante a palestra que dará na quinta-feira (1º), na Campus Party 2018.

O físico, escritor e estudioso da obra de Philip K. Dick, o espanhol Salvador Bayarri.

Inteligência artificial redefine o humano, diz estudioso em “Blade Runner.

“Ele estava bem à frente de seu tempo. A maior parte da ficção nos anos 1950 e 1960 era sobre alienígenas e aventuras espaciais”, conta ele, que estuda a obra de Dick há mais de 15 anos. “Suas ideias influenciaram o movimento cyberpunk e filmes populares como ‘Matrix’ e programas de TV como ‘Westworld’ e ‘Black Mirror'”.

"Minority Report" (2002), dirigido por Steven Spielberg e estrelado por Tom Cruise.

“Minority Report” (2002), dirigido por Steven Spielberg e estrelado por Tom Cruise.

UOL – Como Philip K. Dick inspirou a ciência atual?

SB – Há duas áreas em que a visão de Dick é relevante para a ciência. Primeiro, ele podia ver que androides e inteligência artificial nos obrigariam a redefinir o que significa ser humano. Sua resposta foi que a empatia é o ingrediente-chave, independentemente da base física ou biológica.

Algoritmos superam as pessoas em jogos e resolvem problemas complexos, mas ainda estão longe de passar em um teste de empatia realista.

Uma IA (inteligência artificial) mais empática é essencial para aplicações como veículos autônomos ou sistemas de cuidados de saúde, em que a comunicação com as pessoas é importante e as decisões sobre vida e morte devem ser feitas.

A segunda área em que Dick deve ser uma inspiração é a consideração da realidade virtual como um conceito que deve abranger não só a tecnologia da informação, mas também a ciência social e cerebral. Na visão de Dick, a realidade é uma construção produzida como uma alucinação compartilhada, preenchida com memórias ou crenças verdadeiras ou falsas, crenças, sonhos e medos. Não se trata apenas de exibições montadas na cabeça, mas sobre como os dados e as interpretações que recebemos são filtrados e manipulados.

Inteligência artificial redefine o humano, diz estudioso em "Blade Runner.

Cena de “Blade Runner 2049”, continuação do clássico de 1982

UOL – O que acha dos recentes avanços em inteligência artificial e robótica? Precisamos de mais controle dos governos sobre isso?

Acho que estamos atingindo um estágio crítico e é importante pensar sobre o uso dessas tecnologias. Do mesmo modo que proibimos armas biológicas e químicas e tentamos controlar arsenais nucleares,

os esforços para proibir o uso ou “robôs assassinos” e outras armas autônomas são necessários antes que o uso desses aparelhos se espalhe para todos os tipos de mãos.

As aplicações de inteligência artificial estão crescendo exponencialmente. Algoritmos agora aprendem com outros algoritmos e podem evoluir por si mesmos. Não é algo que podemos parar, porque precisamos destas tecnologias, mas é uma boa ideia pensar sobre o que pode dar errado e tentar evitar.

A Comissão dos Assuntos Jurídicos do Parlamento Europeu
apresentou um relatório sobre as regras de direito civil em robótica, inspirado nas Três Regras da Asimov. A importante discussão que devemos ter não é apenas sobre “robôs assassinos”, mas também sobre como os empregos e decisões automáticos vão mudar a economia e como os impostos, as normas trabalhistas e todo o contrato social precisam se adaptar a essa transformação.

Inteligência artificial redefine o humano, diz estudioso em "Blade Runner.

Série da Amazon “Electric Dreams” também se inspira em contos de Philip K. Dick.

Série da Amazon “Electric Dreams” também se inspira em contos de Philip K. Dick

UOL – Acha que estamos perto de obter o mesmo nível de excelência dos replicantes do Blade Runner?

SB – Replicantes –“androides” era o termo original usado por Dick– são seres biológicos aprimorados com memórias e sentimentos artificiais. Estamos longe de projetar e construir algo como eles, seja biológico ou mecânico. No entanto, como queremos prolongar nossas vidas e também precisamos nos adaptar à vida no espaço e às mudanças no ambiente da Terra, é provável que a raça humana evolua para subespécies híbridas combinando órgãos e componentes artificiais e reforçados.

UOL – Stephen Hawking e outros cientistas estão certos de ter medo dos futuros robôs?

SB – Penso que eles estão certos em se preocupar e empenhar as nações a pensar sobre isso. Como Stanislaw Lem e outros autores de ficção científica sugeriram, as IAs evoluirão mais rapidamente do que nós. Em algum momento, será difícil para nos comunicar e entender esses sistemas complexos. Precisamos ter cuidado, adicionando salvaguardas às IAs da mesma forma que adicionamos verificações de segurança e de emergência em usinas nucleares. Nossa melhor chance, como Dick pode dizer, é construir empatia nesses “seres”, para torná-los tão humanos quanto somos, ou mais.

Série da Amazon "The Man in the High Castle", baseada em conto de Philip K. Dick, retrata como seria o mundo se o nazismo tivesse vencido...

Série da Amazon “The Man in the High Castle”, baseada em conto de Philip K. Dick, retrata como seria o mundo se o nazismo tivesse vencido…

Série da Amazon “The Man in the High Castle”, baseada em conto de Philip K. Dick, retrata como seria o mundo se o nazismo tivesse vencido

UOL – As previsões de Dick estão se tornando realidade?

SB – A ficção científica não tenta prever o futuro. É uma maneira de imaginar o que poderia acontecer e talvez nos ajude a aprender algo antes disso. Mas o futuro nunca se realiza como imaginamos. Hoje, vemos como nossa realidade pode ser moldada, pelas redes sociais ou por forças determinadas a influenciar nossas corações e mentes para seus interesses. Confirmar nossas crenças pela escolha das fontes “corretas” é um mecanismo de distorção tão poderoso quanto as drogas e “feixes de informação” que Dick usou em suas histórias.

Cena de "O Vingador do Futuro" (1990), estrelado por Arnold Schwarzenegger.

Cena de “O Vingador do Futuro” (1990), estrelado por Arnold Schwarzenegger.

UOL – Qual é a sua adaptação favorita das histórias de Dick para outra mídia?
Crescendo nos anos oitenta, para mim, os originais “Blade Runner” e “O Vingador do Futuro” estabeleceram um padrão muito alto, não porque fossem completamente fieis, mas porque conseguiram tirar os elementos mais profundos da visão de Dick e aprimorá-los. Muitas vezes, a ação adicional e os efeitos especiais ocultam grande parte das ideias básicas, como em “Minority Report”. Estou gostando muito da série de TV ”

Inteligência artificial redefine o humano, diz estudioso em “Blade Runner.

 

 

 

 

 

 

Dermatologista do HC explica os riscos de não usar protetor solar

Especialista do Hospital das Clínicas alerta para risco de câncer de pele, o mais comum do Brasil, e lista outras possíveis complicações

Dermatologista do HC explica os riscos de não usar protetor solar

Com a chegada do verão há um aumento na temperatura, os dias ficam mais ensolarados e até mais longos. A situação faz muitas pessoas se animarem para ir às ruas e também tomar sol, especialmente nos dias de folga e férias de fim de ano.

Entretanto, a exposição solar representa sérios riscos à saúde, especialmente da pele humana, e o alerta para o uso de filtro solar é constante. Mas qual é o risco real para quem se expões ao sol sem o uso de uma proteção?

“A mais importante consequência da exposição solar sem proteção é o surgimento do câncer de pele, que é a forma de câncer mais comum no Brasil”, alertou a dermatologista do Hospital das Clínicas, Marcella Soares Pincelli, que listou ainda outros riscos para quem não usa corretamente o filtro solar.

“A exposição ao sol sem proteção pode também causar: envelhecimento precoce da pele; surgimento de lesões pré-malignas, como as queratoses actínicas; causar manchas escuras, como as melanoses solares; diminuir a imunidade da pele, predispondo a infecções locais; e piorar doenças preexistentes, como a rosácea e o melasma”, detalhou Marcella, explicando ainda que há o risco de alteração dos mecanismos de defesa da pele, o que pode predispor a reativação de doenças infecciosas, como o herpes simples.

Diante de tantos possíveis problemas provocados pela exposição ao sol, Marcella orienta que vale ir além do uso do protetor solar, que deve ter no mínimo o fator de proteção 30. Para ela, o ideal é associar o protetor solar com outras medidas, além de fazer a reaplicação a cada 2 horas, ou logo após a imersão na água (de mar, piscina, ducha, represa, etc).

“Além do protetor solar, devem ser adotadas medidas de proteção mecânica contra os raios solares, como uso de guarda-sóis, chapéus, óculos de sol e roupas de mangas longas. Não é recomendada a exposição solar entre as 10 e as 15 horas”, declarou a especialista, deixando claro que é preciso ter muito cuidado com a exposição ao sol.

 

Vacina “anticocaína” avança e testes em humanos devem começar em 2018

Uma vacina contra a dependência em cocaína e crack teve bons resultados em testes com roedores feitos no Centro de Referência em Drogas da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais). A expectativa é de que seres humanos passem pelo experimento entre junho e julho de 2018.

Vacina “anticocaína” avança e testes em humanos devem começar em 2018

“Foi um projeto que a gente começou em 2012. Queríamos fazer uma modificação de uma vacina que estava sendo testada nos Estados Unidos para proteção de mães usuárias de crack e seus fetos”, relata Frederico Garcia, do Departamento de Saúde Mental.

A vacina seria uma forma de criar anticorpos que reduzam o efeito de prazer gerado pelo uso de drogas.

“O mecanismo farmacológico nasceu da observação que alguns usuários apresentam anticorpos antidroga mesmo sem uma estimulação imunológica. Esses anticorpos podem se ligar às moléculas de droga e, com isso, impedir que elas entrem no cérebro e produzam o efeito de prazer. Assim, é possível que uma vacina antidroga possa induzir o próprio corpo a produzir uma quantidade suficiente de anticorpos que impeçam a passagem da maior parte da droga para cérebro. Ao não perceber a sensação agradável, o usuário tende a diminuir ou abandonar a substância e romper o ciclo que mantém a dependência química.”

De acordo com Garcia, outros quatro grupos no mundo (três nos EUA e um na Coreia do Sul) trabalham em estudos parecidos, mas na UFMG eles alcançaram um diferencial. “As outras pesquisas desenvolveram moléculas proteicas, enquanto nós conseguimos sintetizar a V4N2  e a V8N2 em laboratório, ou seja, elas são mais específicas, estáveis e fáceis de produzir em larga escala”, garante.

Passo a passo até testes em humanos

Para a avaliação da vacina em humanos, três etapas ainda precisam ser vencidas. A primeira corresponde ao estudo da biossegurança da molécula em animais, exigência da Anvisa. O objetivo é assegurar que o novo medicamento não produz efeitos nocivos a ao menos duas espécies de animais. “Nosso grupo já iniciou esses testes em camundongos e, até o momento, tem obtido bons resultados”, afirma o pesquisador.

A segunda etapa corresponde a um estudo clínico de Fase 1, no qual serão repetidas avaliações de biossegurança em seres humanos para assegurar que os possíveis efeitos colaterais das moléculas são mínimos e atendem as normas internacionais.

Esta fase também permitirá avaliar se a V4N2 e a V8N2 são capazes de induzir a produção de anticorpos em seres humanos.A partir desses resultados, a droga pode ser testada em humanos.

Se a estratégia der certo, o futuro desenvolver moléculas semelhantes para conseguir inibir a sensação de prazer da nicotina e do THC, principais componentes ativos do cigarro e da maconha, respectivamente.

Efeitos não são para todo mundo

Vice-coordenadora da Comissão de Dependência Química da Associação Brasileira de Psiquiatria, Carla Bicca não crê em solução definitiva para o vício, mas recebe os resultados positivos com otimismo.

“Em uma área tão escassa, a gente recebe com boas expectativas quando surge algo promissor. Não vai funcionar para todos, mas seria mais uma arma para ajudar os pacientes”, afirmou.

A psiquiatra lembra que existem medicamentos para inibir os efeitos agradáveis do consumo de álcool, mas não funciona para todos os dependentes porque parte deles passa a beber mais para alcançar a sensação desejada.

A visão é compartilhada pela chefe do departamento de Psicologia Médica e Psiquiatria da Unicamp, Renata Azevedo.

A questão é definir quem vai ser o destinatário da vacina. Dentro de um contexto de tratamento e psicoterapia, pode ser uma ferramenta complementar para o paciente, mas corre o risco de aumentar o uso de quem que não estiver motivado a largar o vício. A dependência química tem um caráter multifatorial.”

Renata Azevedo, da Unicamp

Carla também aponta que outros projetos promissores esbarraram em um obstáculo comum: “Muitos estudos acabavam sendo muito caros e pouco acessíveis. Esse parece que vai conseguir vencer essa barreira”.

De acordo com ela, não existe pesquisa em curso neste momento que apresente resultados que vão eliminar o vício em cocaína e crack. “Psicoterapia e técnicas de reabilitação geram resultados escassos. A gente apoia todo e qualquer estudo que aparecer, tomara que um pouco de cada consiga ajudar mais pessoas”, afirmou.

Dificuldades em universidades federais

Antes de alcançar resultados positivos em roedores, os pesquisadores da UFMG tiveram de interromper o estudo no começo de 2017. De acordo com o o professor da federal de Minas Gerais, a falta de verba foi a responsável pelo atraso, cenário conhecido da comunidade científica brasileira, que organizou protestos neste ano contra o governo federal.

“Houve, de fato, uma redução de investimentos e criação de editais na área da ciência. Em razão disso que o Brasil enfrenta uma fuga de cérebros para outros países e a produção por aqui abaixou”, comenta o pesquisador.

Cápsula do suicídio feita por impressora 3D permite morte digna e indolor

O assunto é polêmico, mas necessário. No mundo, estima-se que mais de um milhão de pessoas cometem suicídio anualmente. Isso significa que há uma morte por auto-extermínio a cada 40 segundos, o que chega a representar 2% das causas de morte.

Cápsula do suicídio feita por impressora 3D permite morte digna e indolor

A Cápsula Sarco, produzida para oferecer uma morte digna e indolor a suicidas.

O Ministério da Saúde publicou estatísticas sobre suicídio no Brasil em apoio às campanhas do Setembro Amarelo, visando a diminuição das mortes por suicídio no país em ao menos 10% até 2020. Segundo a publicação, o auto-extermínio é a quarta causa de morte mais frequente entre jovens de 15 a 29 anos de idade. Os jovens pertencentes à etnia indígena, bem como adolescentes e jovens adultos LGBT, são os que mais se matam no país, dada a perseguição às minorias e a falta de diretos básicos. A publicação entende a diminuição das incidências de morte por suicídio como papel do Estado, solicitando o apoio da população.

Mas o que dizer sobre pessoas que estão em plena capacidade de julgamento e tomada de decisões e ainda assim decidem partir dessa para uma melhor? A discussão é acalorada, pendendo entre a possibilidade de se ofertar tratamentos que revertam males psíquicos que levem o indivíduo a tomar essa decisão, bem como a proteção da autonomia das pessoas em poderem optar por encerrar suas vidas, especialmente em contextos onde estão afetadas por doenças terminais ou que não possuem tratamento de controle.

Foi pensando em dar dignidade às pessoas que desejam colocar fim em suas vidas que a Exit International, uma organização que atua no âmbito do direito dos suicidas desde 1997 e que teve papel importante na aprovação de leis de eutanásia em todo o mundo, criou uma câmara para fornecer aos indivíduos que desejam morrer uma opção de método de auto-extermínio digna, privativa e sem dores ou incômodos.

O Dr. Philip Nitschke, fundador e diretor da Exit International, afirmou que “a Cápsula Sarco não utiliza nenhuma droga de uso restrito e não necessita de nenhum procedimento que requeira conhecimento prévio, como punção de veias”. Nitschke explicou também que há um teste que os interessados em se suicidar devem se submeter para averiguar se a decisão de morrer foi tomada com consciência e sanidade, para evitar que pessoas utilizem a Sarco para cometer suicídio de forma impulsiva ou sob o efeito de transtornos mentais, casos para os quais a Exit International recomenda tratamento psicológico ou psiquiátrico, conforme as necessidades de cada caso. Caso seja aprovado no teste, que é aplicado gratuitamente através da internet, o suicida recebe um código de quatro dígitos que, quando inserido na Sarco, permite a entrada do indivíduo na cápsula.

A morte se dá da forma mais confortável, indolor e letal possível: a câmara é gradativamente desprovida de níveis de oxigênio enquanto é inserido nitrogênio líquido, que contribui para a baixa de oxigênio disponível e permite a conservação do corpo após o processo, que não leva mais que alguns minutos.

A cápsula Sarco é dividida em duas partes: a primeira é uma máquina reutilizável, a segunda é uma espécie de cabine onde o suicida entra, passa por seu processo de morte e pode ser utilizada posteriormente como caixão. Ambas as partes foram desenvolvidas para que seja totalmente possível fabricá-las em qualquer lugar do mundo usando impressoras 3D.

Cinco equívocos que se afirma sobre a teoria da evolução

Quando o tema são buracos negros, os estranhos hábitos sexuais dos insetos ou se o que tem na sua geladeira causa/cura câncer, não tem polêmica: quase todo mundo solta um “uau, a ciência é fantástica, não, minha gente?”. Mas é falar em teoria da evolução, de Charles Darwin, e metade do público parece entrar em pânico, no modo “não é bem assim, minha gente”.

 Cinco equívocos que se afirma sobre a teoria da evolução


Cinco equívocos que se afirma sobre a teoria da evolução

O fato é que Hollywood, os quadrinhos e os videogames também fazem um baita trabalho em deseducar as pessoas sobre a teoria mais importante da biologia. A seguir, algumas das bobagens que pipocam em qualquer conversa sobre evolução – e já passaram da hora de serem enterradas.

 

 

1) É só uma teoria

Sim, a evolução é “só” uma teoria. Assim como a relatividade, a ideia de que a Terra gira em torno do Sol (heliocentrismo) e a teoria dos germes, que diz que doenças podem ser causadas por bactérias e vírus.

Teoria, em ciência, não é o mesmo que a “teoria” do dono do boteco de que jogadores de futebol de canelas grossas são piores que os de canelas finas. Uma teoria científica é uma explicação abrangente e amplamente aceita para fatos sólidos e bem conhecidos. No caso da moderna teoria da seleção natural, esse fato é a evolução.

Pois é, fato. Já se sabia da evolução muito antes de Darwin – a primeira teoria da evolução, o lamarckismo, surgiu no ano de seu nascimento, em 1809. O que torna a evolução um fato observável é que os animais de hoje não são iguais aos do passado, o que sabemos pelo registro fóssil, e que não existiam animais como os de hoje no passado. Isso quer dizer que os animais se modificaram. Evoluíram. Darwin só explicou como.

Outra variação desse argumento é dizer que não é “lei”, como a da gravidade. Leis, na verdade, são menores que teorias. Elas descrevem o que se esperar de uma situação muito específica – por exemplo, um objeto caindo. Teorias explicam o porquê, e contém as leis.

2) Evolução é contra a religião

A evolução pode não bater com o literalismo bíblico, acreditar que as coisas foram palavra por palavra como no Livro do Gênesis e o resto da Bíblia. Mas até aí, também não batem com isso a geologia, a genética, a astronomia, a arqueologia, a paleontologia, a história… enfim, com todo o respeito à fé de cada um, a realidade.

A maioria dos cristãos – inclusive a maioria dos brasileiros – não é assim. Eles não enxergam problema nenhum em acreditar em Deus e Darwin ao mesmo tempo, lendo a Bíblia mais como uma metáfora. De fato, essa é a posição oficial da Igreja Católica desde o papa Pio XII, e foi bastante reforçada por João Paulo II e seus sucessores. Para o fiel, a evolução pode ser entendida como o plano de Deus. Sem crise.

3) A evolução é a lei do mais forte

A seleção natural – cujo resultado é a evolução, não vamos confundir as duas coisas – favorece o mais apto. E mais apto significa quem se reproduz melhor e deixa mais descendentes, nada além disso. Quando a comida é escassa, por exemplo, ser menor (e gastar menos energia) pode ser uma vantagem. De nada adianta ser grandalhão e malvado e morrer de fome – isso não gera descendentes.

Não que a seleção natural não seja implacável de outra maneira. Pela amplamente aceita teoria do gene egoísta, ela trata pura e exclusivamente da reprodução num nível genético, não de espécie e nem de indivíduo. O indivíduo que se lixe. É por isso que existem coisas como genes letais, que fazem com que vários animais morram após se reproduzirem. Passou o gene, venceu.

4) Organismos ficam “mais avançados” com a evolução

Assim como a seleção natural pode fazer mal aos indivíduos, se isso ajudar os genes, ela não necessariamente leva a seres que acharíamos mais complexos, interessantes, bonitos, inteligentes – enfim, mais como a gente. Não existe plano na evolução. Animais que um dia foram capazes de voar – o que tem algo de poético para nós – deixam de ser quando não existe mais pressão seletiva para que isso aconteça.

Um caso interessantíssimo é o dos tunicados, seres marinhos às vezes bem bonitos, lembrando vasos de flores. Eles basicamente não tem cérebro ou órgãos dos sentidos e vivem como esponjas, os seres multicelulares mais simples que existem, fixos ao solo marinho e filtrando plâncton. Só que eles têm um segredo – são parentes distantes de nós. Em seu passado evolutivo, eles se pareciam com peixes e tinham cérebro, nadando livremente. De fato, eles ainda são assim em sua fase larval, o que faz com que sejam chamados de “animal que come o próprio cérebro”. No caso deles, a evolução decidiu que o cérebro era dispensável.

Pesquisa de Darwin não concluiu que evolução é a lei do mais forte

Pesquisa de Darwin não
concluiu que evolução
é a lei do mais forte

O ser humano que se cuide, aliás: desde a Idade da Pedra, nosso cérebro vem diminuindo.

5) Alguns animais – e gente – pararam de evoluir

Não corremos mais do leão nem precisamos matar uma mamute com a força dos próprios braços. Podemos passar o dia inteiro em frente à TV e ainda assim levar adiante os nossos genes. Sem essa pressão, será que a evolução parou?

Enquanto algumas pessoas tiverem mais filhos que as outras, não. Cientistas discutem em qual direção estamos evoluindo agora, com alguns apontando coisas como uma menopausa mais tardia. O que é certeza é que não estamos criando um cabeção alienígena supergênio. Só seria assim se gente como Stephen Hawking e Neil DeGrasse Tyson fossem os maiores ricardões do planeta.

Outra coisa interessante: os ditos “fósseis vivos”, bichos que praticamente não mudaram por milhões de anos. O fascinante neles é que não mudam porque a evolução não parou. Mutações acontecem o tempo todo – se um bicho mantém a mesma forma, é porque a evolução está filtrando essas mutações fora. Evitando que mude. Por isso que não existe bicho mais ou menos evoluído. Em time que está ganhando, não se mexe.

O que acontece com o corpo de uma pessoa que morre no espaço?

Imagine você estar em pleno espaço e acabar morrendo por algum motivo. A cena, que já foi retratada em filmes recentes, leva à pergunta: o que acontece com o corpo nesta situação?

O que acontece com o corpo de uma pessoa que morre no espaço?

A primeira coisa que vai acontecer é um processo de desidratação. Como a pressão é muito baixa, perde água. Não necessariamente como em filmes, em que o corpo explode. Você perde o ar, morre e aí perde água. Esta água vai sendo evaporada e você vai virar um ‘cheetos de batata frita’, completamente seco

Bom, podemos imaginar que ficaria vagando pela calmaria do vácuo espacial? Depende. Primeiro é preciso saber se o astronauta estaria ou não com uma roupa especial. Com o traje, as bactérias do nosso corpo continuariam vivas por um tempo e os processos de decomposição ocorreriam normalmente dentro dele. Mas se a pessoa estiver sem a roupa especial ou se ela sofrer graves avarias há ausência de microrganismos e processos de decomposição.

A primeira coisa que vai acontecer é um processo de desidratação. Como a pressão é muito baixa, perde água. Não necessariamente como em filmes, em que o corpo explode. Você perde o ar, morre e aí perde água. Esta água vai sendo evaporada e você vai virar um ‘cheetos de batata frita’, completamente seco.

Douglas Galante, astrobiólogo do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG-USP)

Isto mesmo. O corpo vira um salgadinho espacial. Mas, além disso, Galante afirma que se morrermos no espaço vamos nos tornar também “múmias espaciais”. Toma essa, faraós.

“Se você desidrata, toda atividade biológica é suspensa. A atividade de bactérias vai ser suspensa. Você fica mumificado, completamente seco, até alguma coisa acontecer”, conta.

Mas o “até alguma coisa acontecer” citado por Douglas pode ser um pouco mais tenebroso do que a nossa imaginação de um corpo vagando pelo espaço. Tudo depende de que trecho do Universo a pessoa estava ao perder a vida de alguma forma.

Se isto ocorre na região da ISS (Estação Espacial Internacional), por exemplo, a pessoa vai virar mais do que um salgadinho: pode se transformar em uma estrela cadente.

“Se acontecer em baixa órbita terrestre, como na ISS, você ficaria orbitando a Terra por alguns anos até perder a velocidade e cair, virar uma estrela cadente e pegar fogo. Vai ser consumido antes de chegar ao solo”, descreve Galante.

Agora se o óbito ocorrer no espaço profundo, a situação já é mais tranquila e favorável. Neste caso, a pessoa ficará, a princípio, vagando para sempre. Como o Universo é enorme, a probabilidade é que não bata em nada.

Claro que é bom lembrar que o corpo seria atraído pelos astros Universo afora. Nós funcionaríamos como um asteroide ou cometa vagando por aí. Em um eventual efeito gravitacional, o corpo poderia acabar colidindo com algo.

Na história científica não há, até hoje, registro de um ser humano que tenha morrido no espaço – apesar de os programas espaciais soviético e chinês não primarem pela transparência. Houve o caso da cachorro Laika, enviada ao espaço pelos russos, que morreu horas depois do lançamento e nunca retornou para a Terra. Ela deve ter virado uma estrela cadente (sua mãe não estava totalmente errada quando contava historinhas de ninar).

O que é ‘space brain’, o fenômeno que pode fazer missões a Marte fracassarem

Em uma viagem de ida e volta ao planeta vermelho, que pode durar até três anos, astronautas se expõem a um inimigo que pode causar danos irreparáveis ao cérebro.

Quais e quantas lembranças astronautas conseguiriam ter após uma viagem a Marte?
Parece uma pergunta irrelevante, mas é uma das maiores preocupações de especialistas. Isso se deve a um fenômeno conhecido como “space brain”, relacionado à exposição prolongada a raios cósmicos galácticos (GCR, na sigla em inglês).

Animação mostra aproximação da nave da SpaceX de Marte (Foto: Reprodução/Youtube/SpaceX)

O que é ‘space brain’, o fenômeno que pode fazer missões a Marte fracassarem

Esses raios carregam tanta energia que podem penetrar o casco de uma nave espacial. De acordo com cientistas da Universidade da Califórnia em Irvine (EUA), a exposição a partículas carregadas de alta energia pode causar danos de longo prazo ao cérebro.
Entre os efeitos desse fenômeno estão alterações cognitivas e demência. Possíveis danos causados pelos GCR ao corpo já eram conhecidos, mas acreditava-se que eram de curto prazo.

Em experimentos em ratos, porém, Charles Limoli e sua equipe descobriram que níveis de inflamação no cérebro continuavam significativos e danosos aos neurônios mesmo após seis meses, afetando comportamento, memória e aprendizagem.

“São más notícias para astronautas que embarcarem em uma viagem de ida e volta a Marte de dois ou três anos”, comentou Limoli, professor de radiação e oncologia da Escola de Medicina da Universidade da Califórnia em Irvine.

‘Extinção do medo’
“O ambiente espacial traz perigos únicos para os astronautas”, afirmou Limoli.

Para o especialista, entre outros possíveis problemas decorrentes do fenômeno do “space brain” estão a diminuição do rendimento, ansiedade, depressão e alterações na hora de tomar decisões. “Muitas dessas consequências adversas podem continuar e progredir ao longo da vida.”

Os pesquisadores também descobriram que a radiação afeta a “extinção do medo”, processo pelo qual o cérebro reprime experiências desagradáveis e estressantes do passado (por exemplo, quando alguém sofre uma queda de cavalo e volta a montar).

“O déficit na extinção do medo pode torná-los (astronautas) propensos à ansiedade”, assinalou Limoli. “Isso poderia ser problemático em uma viagem de três anos de ida e volta a Marte.”

Raios cósmicos descarregam muita energia ao se chocar com o corpo humano. Na Estação Espacial Internacional, astronautas estão protegidos porque se encontram na magnetosfera da Terra, que atua como escudo contra radiação. O mesmo não aconteceria em uma aventura rumo à Marte.

Construir naves espaciais com uma dupla capa protetora pode não ser útil, pois nada resiste a esses raios. Por isso, especialistas sugerem o desenvolvimento de tratamentos preventivos para proteção do cérebro.

Se os pesquisadores estiverem corretos, é possível que um astronauta que voltar de Marte tenha, portanto, dificuldades para recordar sua memorável experiência.

 

Cientistas obtêm visão inédita de início da vida em embriões

Cientistas obtêm visão inédita de início da vida em embriões

Estudo conseguiu cultivar embriões em laboratório até estágio nunca antes observado – o momento crucial de autorreorganização de células para a configuração de ser humano.

Cientistas obtêm visão inédita de início da vida em embriões

Cientistas obtêm visão inédita de início da vida em embriões

Cientistas anunciaram um avanço no desenvolvimento de embriões humanos em laboratório que pode melhorar tratamentos de infertilidade e revolucionar nosso conhecimento sobre os primeiros estágios da vida.

Pela primeira vez, embriões atingiram uma etapa além do ponto em que normalmente são implantados no útero.

A pesquisa realizada no Reino Unido e nos Estados Unidos foi interrompida logo antes dos embriões atingirem o limite legal de 14 dias de vida para o desenvolvimento de embriões em experimentos científicos.

Mas alguns cientistas já pedem que este limite seja alterado, uma demanda que levanta diversas questões éticas.

Mistério
Os primeiros estágios da vida humana ainda permanecem um mistério, mas, no estudo publicado pelas revistasNature e Nature Cell Biology , os pesquisadores conseguiram estudar embriões por um tempo maior do que já havia sido feito antes.

O prazo de uma semana costumava ser o limite, com cientistas sendo capazes de cultivar um óvulo fertilizado até o momento em que normalmente são implantados no útero.

Mas os autores do estudo encontraram uma nova forma de imitar quimicamente o ambiente de um útero para que um embrião continuasse a se desenvolver até atingir a segunda semana.

Isso requer uma combinação de um meio rico em nutrientes e uma estrutura na qual o embrião pode se “implantar”.

Os experimentos foram encerrados propositalmente no 13º dia, pouco antes de ser atingido o limite legal, mas bem além do que havia sido conseguido anteriormente.

Momento crucial
A pesquisa já está permitindo vislumbrar como um embrião dá início ao processo de autorreorganização para se tornar um ser humano.

Trata-se de um momento crucial, no qual muitos embriões apresentam defeitos em seu desenvolvimento ou não conseguem se implantar no útero.

O estudo permitiu, por exemplo, que pesquisadores observassem em embriões com dez dias a formação do epiblasto, uma aglomeração bem pequena e crucial de células que formam um ser humano, enquanto as células ao seu redor se encarregam da criação da placenta e do saco vitelínico.

Magdalena Zernicka Goetz, da Universidade de Cambridge, disse que “nunca esteve tão feliz” como quando cultivar de forma bem-sucedida estes embriões.

“Isso nos permite entender os primeiros estágios de nosso desenvolvimento e o momento em que o embrião se reroganiza pela primeira vez para formar o que no futuro será um corpo”, disse ela à BBC.

“Não conhecíamos estes estágios antes, então, isso terá um impacto enorme nas tecnologias de reprodução.”

Dilema ético
Um acordo internacional determina que embriões não devem ser desenvolvidos além de 14 dias em pesquisas científicas. O novo estudo chega perto deste limite, e alguns cientistas já argumentam que ele deve ser revisto.

“Em minha opinião, já havia motivos para permitir a cultura de embriões além de 14 dias antes desta pesquisa aparecer”, diz o geneticista Azim Surani, do instituto de pesquisa Gurdon, da Universidade de Cambridge, no Reino Unido.

O prazo máximo foi estabelecido há décadas. Acredita-se que, neste ponto, o embrião torna-se um “indivíduo” já que não é mais possível que ele forme um gêmeo.

Daniel Brison, professor de embriologia e células tronco da Universidade de Manchester, no Reino Unido, também argumenta que talvez seja necessário reconsiderá-lo.

“Dado os possíveis benefícios para novas pesquisas sobre infertilidade, a melhoria de métodos de reprodução assistida e para evitar abortos precoces e outros problemas na gravidez, pode haver motivos para rever este limite no futuro”, afirma.