Satélite que fará mapa da Via Láctea decola com sucesso da Guiana Francesa

O satélite Gaia, o telescópio mais complexo da história da Europa, decolou nesta quinta-feira com sucesso do Centro Espacial Europeu de Kuru, na Guiana francesa, a bordo da plataforma de lançamento russa Soyuz.

O satélite da Agência Espacial Europeia (ESA) demorou 20 anos para ser desenvolvido e teve um custo de um bilhão de euros. O aparelho fará um mapeamento de cerca de um bilhão de estrelas e um atlas em três dimensões da Via Láctea que ajudará a compreender a origem e a evolução de nossa galáxia.988465_670444159643679_160861819_n

O foguete russo decolou às 7h12 (de Brasília) e transcorridos 41 minutos e 59 segundos da decolagem os cientistas deram por concluída a missão de lançamento em meio a aplausos, abraços e expressões de alívio.

O telescópio fará uma viagem de 1,5 milhão de quilômetros até o ponto de Lagrange 2, que proporciona um ambiente estável para as observações do satélite.

O Gaia começará a esquadrinhar a galáxia com dois telescópios com equipamentos que permitem ver da Lua um besouro caminhando sobre o solo terrestre.

Feito a base de carbeto de silício, o satélite irá cartografar a Via Láctea em três dimensões e elaborar um censo de cerca de um bilhão de estrelas, 1% das que existem em nossa galáxia, observando aproximadamente setenta vezes cada astro durante cinco anos de vida útil.

Dessa forma, o satélite poderá determinar seu brilhos, velocidades e posições, incluindo a distância que as separa da Terra, um cálculo impossível de realizar com precisão da superfície do globo.

Além disso, os cientistas esperam que o satélite descubra outros milhares de objetos celestes, como planetas fora do sistema solar, estrelas mortas (anãs marrons) e asteroides.

As medições servirão também para realizar novas verificações da teoria da relatividade geral, enunciada por Albert Einstein há mais de um século, pois as fotografias enviadas pelo satélite se “curvarão” pelo efeito da gravidade.

Dentro de cerca de quatro meses, superadas todas as adaptações técnicas, o Gaia começará a enviar informação válida para a Terra.

O processamento de informação é enorme: os dados que serão enviados pelo satélite equivalem a dois anos seguidos escutando música ou a informação que pode ser armazenada em 250 mil DVD’s.

A primeira versão do catálogo celestial estará disponível dentro de dois anos, mas será preciso esperar cerca de dez anos para ser elaborada uma versão definitiva.

O Gaia fornecerá 10 mil vezes mais informações que seu antecessor, o satélite Hipparcos, lançado em 1989 e que mapeou 100 mil estrelas.

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